Informativo Sindileite 146 02.06.2026

Ano 1 | nº 146 | 02 de junho de 2026

NOTÍCIAS

Leite/Cepea: Leite ao produtor registra quarta alta consecutiva em abril

Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26).

O movimento de avanço seguiu sendo explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou queda de 3,4% de março para abril na Média Brasil, e, no acumulado do ano, a queda é de 14,6%. Além da sazonalidade, os menores investimentos dentro da porteira têm prejudicado a oferta do leite cru. Segundo a pesquisa do Cepea, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 1,1% na “Média Brasil” – acumulando aumento de 3,24% neste ano. A elevação esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas. Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os derivados lácteos seguiram em valorização no atacado paulista em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em abril, o preço do leite UHT subiu 20,17%, o da muçarela, 12,65%, e o do leite em pó fracionado, 1,52%, frente a março. Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações. No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram em 10% em abril, chegando a 218,38 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação às do mesmo período do ano passado. A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização no curto prazo, mas existem indicativos de perda de intensidade do movimento altista a partir de maio. Ainda que, sazonalmente, maio seja caracterizado pela subida dos preços do leite cru em virtude de restrição de oferta, a pressão vinda da ponta final da cadeia deve afetar esse comportamento típico das cotações.

Cepea

EMPRESAS

Dia Mundial do Leite: cooperado da Castrolanda amplia produção de 300 para 18 mil litros diários em menos de uma década

No Dia Mundial do Leite, celebrado em 1º de junho, a história do cooperado Frederik de Jager exemplifica a evolução da atividade leiteira na Castrolanda. Em menos de uma década, a produção da propriedade passou de cerca de 300 litros por dia, em 2017, para mais de 18 mil litros diários em 2026, resultado de investimentos planejados, gestão familiar e apoio técnico da cooperativa.

A trajetória começou de forma simples, com apenas 12 vacas e estrutura adaptada da pecuária de corte. O ingresso na atividade surgiu a partir do interesse do filho Felipe, que ainda era adolescente na época. “O começo foi desafiador. Não tinha estrutura nenhuma, aproveitei o que tinha do gado de corte para iniciar no leite. Eu nunca imaginei que iria para o leite, mas o sonho dele acabou virando o meu também”, relembra Frederik. A história da família também se conecta às origens da própria Castrolanda. Neto de imigrantes holandeses que chegaram ao Brasil em 1951, Frederik destaca a importância da atividade leiteira para a formação da cooperativa. “A Castrolanda vive o leite. Desde o início, todas as famílias vieram com gado leiteiro. Era a forma de sobrevivência. Nós estamos usufruindo hoje do que os pioneiros começaram. Foi um trabalho quase inacreditável, de muita coragem e dedicação”, afirma. O crescimento da produção foi sustentado por uma estratégia de expansão gradual e planejada. Segundo o cooperado, uma das principais decisões foi investir em infraestrutura antes mesmo da necessidade imediata, garantindo conforto animal e capacidade para crescimento. “Eu nunca esperei as vacas chegarem para depois construir. Sempre preparei o espaço antes, para não superlotar e garantir conforto dos animais”, explica. Atualmente, o Grupo de Jager possui estrutura para aproximadamente 800 vacas, sendo cerca de 440 em lactação. O produtor também destaca a definição de metas claras como fator decisivo para alcançar novos patamares de produtividade. Para Frederik, a atividade leiteira oferece oportunidades de geração de valor dentro da própria propriedade, desde que haja atenção constante aos detalhes relacionados à alimentação, manejo e bem-estar animal. Outro diferencial da trajetória foi a parceria construída com a Castrolanda desde o início da atividade. A família optou por concentrar esforços na gestão e no crescimento do negócio, confiando à cooperativa o suporte técnico e nutricional. “Colocamos como regra que a assistência técnica e a nutrição seriam com a Castrolanda, porque o nosso objetivo era focar no crescimento”, comenta. As decisões da propriedade também são tomadas de forma compartilhada entre Frederik, a esposa e os filhos, fortalecendo a sucessão familiar e o alinhamento estratégico do negócio. Além da produção de leite, a família investe na diversificação das atividades, atuando também na produção de grãos e na suinocultura. Segundo o cooperado, essa estratégia contribui para a sustentabilidade econômica da propriedade e reduz riscos diante das oscilações do mercado. Ao falar sobre a importância da cooperativa, Frederik ressalta a segurança proporcionada ao produtor e o papel da assistência técnica, especialmente para pequenos e médios cooperados. “Saber que o leite vai ser coletado e comercializado tira um peso enorme. Você pode focar na sua produção, que já exige muito. Um pequeno produtor bem estruturado pode ser tão competitivo quanto um grande”, destaca. Com os olhos voltados para o futuro, a família já trabalha para alcançar uma nova meta, que é produzir 30 mil litros de leite por dia nos próximos anos.

Castrolanda

Cooperativa Santa Clara recebe certificação global de segurança de alimentos

As três plantas industriais de laticínios da cooperativa ganharam o certificado

A Cooperativa Santa Clara, do Rio Grande do Sul, conquistou a certificação FSSC 22000, referente ao sistema de segurança de alimentos, nas suas três plantas industriais de laticínios. No mundo, cerca de 25 mil empresas possuem essa certificação. No setor lácteos, o número é ainda mais restrito: aproximadamente 50 indústrias. A primeira unidade certificada foi a de Casca (RS), no mês de novembro. Com 22 mil metros quadrados de área construída, a planta é responsável pela industrialização de cerca de 16 milhões de litros de leite por mês, destinados a leite UHT, creme de leite e bebidas lácteas. Na sequência, a certificação foi obtida pela unidade de Carlos Barbosa (RS). A auditoria ocorreu entre os dias 8 e 12 de dezembro. A planta concentra a produção de queijos nobres, queijos frescais, queijos processados, nata e bebida láctea fermentada. Já a unidade de Getúlio Vargas (RS) é responsável pelos queijos coalhos, filados, processados, nata e molhos lácteos, com industrialização aproximada de 4 milhões de litros de leite por mês. A auditoria da FSSC 22000 foi concluída em maio deste ano, consolidando a certificação das três plantas industriais da Santa Clara. Segundo a cooperativa, a conquista atesta a segurança em todo o processo produtivo dos alimentos, gera ainda mais confiança aos consumidores e amplia a competitividade da marca no mercado. “A certificação FSSC 22000 reafirma o compromisso da Cooperativa Santa Clara com a excelência, garantindo alimentos produzidos com segurança, qualidade e padrão internacional em toda a cadeia produtiva. Além de reforçar o posicionamento da Santa Clara no mercado, destacando seus processos alinhados aos mais rigorosos padrões internacionais de segurança de alimentos”, afirma o diretor administrativo e financeiro, Alexandre Guerra.

GLOBO RURAL

NACIONAL

CNA: não há impacto inflacionário do antidumping sobre leite em pó importado

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) informou, em nota técnica, que não há impacto inflacionário decorrente da aplicação do direito antidumping sobre o leite em pó importado. O principal argumento da CNA é o de que a medida “recai exclusivamente sobre o leite em pó de uso industrial, sem atingir o leite em pó fracionado para consumo direto (produto de até 800 g no varejo) ou o leite longa vida, principais itens consumidos pelas famílias brasileiras”.

A nota técnica da entidade foi encaminhada a todos os ministérios membros do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), anteriormente à reunião de quinta-feira passada, no qual a medida foi deliberada. O potencial impacto à inflação foi o motivo alegado pelo Gecex para aprovar a suspensão cautelar sobre o direito antidumping sobre leite em pó da Argentina e do Uruguai. O MDIC esclarece que a “suspensão imediata dos direitos em caráter cautelar” deve-se à necessidade de apuração de potenciais impactos. A aplicação está suspensa até que a análise seja concluída. Na nota técnica, emitida pela Diretoria Técnica da confederação, a CNA cita uma série de fatores para explicar a ausência de impacto inflacionário da aplicação do direito antidumping, como o fato de o produto consumido diretamente pelas famílias não ser afetado pela medida. A CNA justifica também que os produtos que utilizam o leite em pó fracionado são majoritariamente ultraprocessados – chocolates, sorvetes, biscoitos recheados, bebidas lácteas adoçadas -, que não compõem a cesta básica nacional. “O peso desses produtos potencialmente afetados no IPCA é de apenas 0,26%, e a parcela importada no consumo nacional aparente é de aproximadamente 6% – tornando o impacto inflacionário nulo ou absolutamente negligenciável”, argumenta a confederação. A CNA destaca ainda que a produção nacional tem capacidade de suprir integralmente o mercado interno. “Entre 2001 e 2017, sob proteção do antidumping anterior, o setor cresceu 62%. Com o fim das medidas, o crescimento caiu de 4,2% ao ano para 0,7% ao ano”, exemplificou a entidade. Por fim, a CNA 02/06/26, 07:37 CNA: não há impacto inflacionário do antidumping sobre leite em pó importado https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2026/06/01/cna-nao-ha-impacto-inflacionario-do-antidumping-sobre-leite-em-po-importado.htm?iap=true&uol_app=uolnoticias%3Ft%3Ft 1/5 argumenta que a medida antidumping “corrige práticas desleais de comércio” que afetam o preço pago ao produtor. “O antidumping é a única medida capaz de reduzir os impactos das importações no mercado nacional de leite. Precisamos que o governo reconheça a gravidade da situação e aplique as maiores tarifas permitidas pela legislação brasileira para solucionar o problema”, afirmou a CNA, pedindo aplicação de sobretaxas como medidas de direito antidumping. A investigação sobre a prática de dumping no leite importado foi aberta pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) em 2024, após uma petição da CNA. A pecuária de leite envolve mais de 1 milhão de produtores, sendo 64% produtores de menor porte, de acordo com dados da confederação.

CNA

ECONOMIA

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias do Brasil após conclusão de investigação comercial

Escritório do Representante de Comércio americano conclui processo aberto por Donald Trump, aponta práticas ‘irrazoáveis’ do governo brasileiro e abre consulta pública antes de eventual adoção de sanções

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu a investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. Conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de a974, a medida abre uma nova etapa de consulta pública antes de eventual adoção de sanções comerciais. Produtos isentos: Tarifa dos EUA contra o Brasil pouparia café, carnes, aeronaves em lista com 73 páginas de exceções. Segundo o USTR, determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro são “irrazoáveis” e “oneram ou restringem” o comércio dos Estados Unidos. Com a conclusão da investigação, o órgão apresentou medidas corretivas e abriu o caso para participação pública. A investigação foi iniciada em 15 de julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O prazo legal para definição e eventual aplicação das medidas corretivas termina em 15 de julho de 2026. A proposta prevê tarifa de 25% sobre todas as mercadorias brasileiras, embora o documento inclua 73 páginas de exceções. Entre os produtos que permaneceriam isentos estão materiais informativos, doações, determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes. A conclusão da investigação ocorreu dentro do prazo previsto para negociações do grupo de trabalho criado por Brasil e Estados Unidos para tratar de temas comerciais e evitar novas tarifas. Segundo integrantes das conversas citados pelo blog do jornalista Valdo Cruz, as negociações previstas para terminar em 5 de junho não registraram avanços suficientes para serem encerradas. O grupo bilateral foi instituído após encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, em 7 de maio, na Casa Branca. Antes da divulgação do parecer final, o USTR havia celebrado nas redes sociais o “engajamento construtivo” do governo brasileiro e manifestado expectativa de continuidade das discussões comerciais.

O GLOBO

Dólar fecha em baixa ante o real na contramão do exterior

O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas, após o Irã decidir interromper trocas de mensagens com os Estados Unidos através de mediadores. 

O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,47%, aos R$5,0217. No ano, passou a acumular recuo de 8,51% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,38% na B3, aos R$5,0560. As idas e vindas do noticiário sobre a guerra no Oriente Médio mais uma vez influenciaram os negócios com moedas nesta segunda-feira. Após abrir o dia em baixa ante o real, o dólar zerou as perdas no meio da manhã, após a agência iraniana Tasnim informar que a equipe de negociação do Irã está interrompendo as trocas de mensagens com os EUA através de mediadores devido a ataques de Israel no Líbano. Após a notícia — que reforça as dúvidas sobre um possível acordo de paz entre EUA e Irã — os rendimentos dos Treasuries ganharam força, renovando máximas do dia, e o petróleo Brent chegou a superar os US$97 o barril. No mercado de moedas, o dólar ganhou força ante as demais divisas, mas a pressão não foi suficiente para fazer a moeda norte-americana subir no Brasil. “A gente viu um movimento de queda hoje do dólar no Brasil, destoando um pouco das outras moedas emergentes, que acabaram ficando mais pressionadas”, comentou à tarde Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank. “A notícia de que o Irã suspendeu as negociações com os EUA acabou deixando os investidores mais cautelosos, e isso em tese costuma favorecer o dólar. Ainda assim, o real foi uma das poucas moedas emergentes que se valorizou, impulsionado pela alta do preço do petróleo, que é positivo para o Brasil.” Durante a tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que as negociações continuam em “ritmo acelerado” e que não havia sido informado sobre uma suspensão por parte do Irã. Trump também disse que Israel concordou em retirar as tropas que se preparavam para atacar o Hezbollah no sul do Líbano. Neste cenário, após atingir a cotação máxima de R$5,0473 (+0,04%) às 11h, já após a notícia da interrupção das mensagens pelo Irã, o dólar à vista marcou a mínima de R$5,0115 (-0,67%) às 16h26, na esteira das declarações de Trump. “O dólar subiu (cerca de) 2% em maio e o petróleo também está subindo (na segunda-feira). Acho que estes são os elementos que estão permitindo aqui vermos o dólar cair”, comentou durante a tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com incertezas envolvendo negociações EUA-Irã

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, perdendo o patamar de 172 mil pontos no pior momento, em mais uma sessão de incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã. No setor de proteínas, MINERVA ON caiu 5,15%, no segundo pregão seguido de baixa, marcando uma mínima desde janeiro de 2019. No setor de proteínas, MBRF ON recuou 1,12% e JBS, que tem as ações listadas nos EUA, perdeu 2,97%.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,91%, a 172.197,46 pontos, chegando a 171.792,82 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 173.975,31 pontos. O volume financeiro somou R$28,76 bilhões. A agência de notícias iraniana Tasnim informou que Teerã estava interrompendo as negociações indiretas com Washington após Israel ordenar que as tropas avançassem no Líbano em sua batalha contra o Hezbollah, que é apoiado por Teerã. A TV estatal iraniana também afirmou ser muito provável que o cessar-fogo acordado no início de abril entre o Irã e os EUA termine se os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano persistirem. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não havia sido informado sobre a suspensão e reiterou que as negociações com o Irã continuam “em ritmo acelerado”. Trump também disse que Israel não enviará tropas para Beirute após uma ligação que teve com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Ele também disse que teve uma “ligação muito boa” com o Hezbollah por meio de intermediários. A embaixada do Líbano em Washington afirmou em comunicado na segunda-feira que o Hezbollah aceitou uma proposta dos EUA para uma cessação mútua das hostilidades, que seria estendida a todo o território libanês. O barril sob o contrato Brent chegou a US$97,79 na máxima do dia, mas fechou em alta de 4,24%, a US$94,98. No Brasil, o Ibovespa manteve no primeiro pregão de junho a dinâmica negativa registrada de meados de abril, quando renovou suas máximas históricas. A correção tem sido determinada principalmente pela saída de capital externo das ações brasileiras. “O cenário para as ações brasileiras deteriorou-se claramente nas últimas seis semanas”, afirmaram estrategistas do BTG Pactual, citando que a inflação está limitando a capacidade do Banco Central de reduzir a Selic de forma mais significativa. Os estrategistas do BTG também citaram que o cenário político ficou mais confuso e chamaram a atenção para o avanço de um projeto de lei que reduz a jornada semanal de trabalho, com potencial para aumentar os custos para as empresas. No cenário externo, destacaram que as ações do setor de tecnologia se valorizaram globalmente em maio, atraindo a atenção e os fluxos dos investidores. Ainda assim, a equipe do maior banco de investimentos da América Latina disse que continua a ver as ações brasileiras como relativamente atraentes. “O Brasil ainda é um dos poucos países com um caminho claro para cortes de juros no curto prazo e é um exportador líquido de petróleo, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue”, afirmaram em relatório com as recomendações de ações de junho. “A tendência de diversificação para fora dos EUA deve continuar e os múltiplos estão agora ainda mais atraentes.”

REUTERS

Boletim Focus eleva projeção de inflação para 2026 pela 12ª semana seguida

Mercado voltou a aumentar a estimativa para o IPCA de 2026, enquanto manteve as projeções para juros e crescimento econômico e reduziu a expectativa para o dólar

Os economistas consultados pelo Banco Central elevaram pela 12ª semana consecutiva a projeção para a inflação de 2026, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira. A estimativa para o IPCA passou de 5,04% para 5,09%. Por outro lado, os analistas reduziram a projeção para o câmbio pela segunda semana seguida. A projeção para o IPCA de 2026 subiu de 5,04% para 5,09%, marcando a 12ª alta consecutiva. Para 2027, a expectativa avançou de 4,01% para 4,02%, na segunda elevação seguida. Em 2028, a previsão passou de 3,65% para 3,66%. Para 2029, a estimativa permaneceu em 3,50% pela 39ª semana consecutiva. No caso do IGP-M, a projeção para 2026 avançou de 5,91% para 6,00%, acumulando 13 semanas consecutivas de alta. Para 2027, a expectativa foi mantida em 4,00% pela 15ª semana seguida. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 3,82% e 3,70%, respectivamente, há três e sete semanas. Já a estimativa para os preços administrados em 2026 recuou de 4,99% para 4,98%, interrompendo uma sequência de estabilidade. Para 2027, a projeção foi mantida em 3,81%. As expectativas para 2028 e 2029 permaneceram em 3,50%, estáveis há 27 e 46 semanas, respectivamente. A previsão de crescimento da economia brasileira em 2026 passou de 1,89% para 1,90%, registrando a segunda alta consecutiva. Para 2027, a expectativa permaneceu em 1,70%. Para 2028, os economistas mantiveram a projeção de expansão do PIB em 2,00% pela 116ª semana consecutiva. A estimativa para 2029 também seguiu em 2,00%, nível mantido há 63 semanas. A projeção para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,17 para R$ 5,16, registrando a segunda queda consecutiva. Para 2027, a estimativa recuou de R$ 5,26 para R$ 5,25, acumulando três semanas seguidas de redução. Para 2028, a expectativa foi mantida em R$ 5,30. Já para 2029, a projeção permaneceu em R$ 5,40 pela quarta semana consecutiva. Selic A expectativa para a taxa Selic ao fim de 2026 foi mantida em 13,25% ao ano pela segunda semana consecutiva. Para 2027, a projeção também permaneceu inalterada em 11,25%, estável há três semanas. Para 2028, os economistas mantiveram a estimativa da taxa básica de juros em 10,00% pela 19ª semana consecutiva. A previsão para 2029 seguiu em 10,00%, nível mantido há quatro semanas.

INFOMONEY

Indústria do Brasil volta a contrair em maio com queda de encomendas e produção, mostra PMI

As condições da indústria brasileira voltaram a se deteriorar em maio, após breve melhora em abril, diante de queda nas novas encomendas e na produção em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio, mostrou pesquisa divulgada na segunda-feira.

O Índice de Gerentes de Compras (PMI) da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, caiu a 49,1 em maio, de 52,6 em abril, quando o setor havia atingido o nível mais alto em 14 meses. A marca de 50 separa crescimento de retração. Os clientes mostraram-se em modo de contenção em maio, e a pesquisa apontou outra queda no total de novos pedidos e nova redução nas vendas internacionais da indústria. “Maio foi um mês difícil para os fabricantes no Brasil, já que o impulso antecipado observado no setor em abril desapareceu. Houve uma forte queda nos novos pedidos de exportação, o que contribuiu para mais uma retração nas vendas totais e indicou que os clientes já não buscam mais aumentar seus estoques de segurança”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. Houve uma queda substancial nos novos pedidos de exportação em maio, em um forte contraste com a sólida expansão de abril. Os participantes da pesquisa indicaram que as tarifas e a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, causaram a queda. As entradas totais de novos negócios diminuíram pelo 14º mês consecutivo, com a queda acelerando em relação a abril diante de pressões competitivas, fraqueza da demanda, pressões de custos e a guerra no Oriente Médio. Em resposta, os fabricantes reduziram os volumes de produção em maio depois de um forte crescimento observado em abril. O mês foi ainda marcado por aumento substancial nos preços de insumos, que nos últimos cinco anos só ficou atrás da alta vista em abril. As empresas monitoradas relataram vários itens com alta de preços, o que associaram principalmente à guerra no Oriente Médio e à disparada dos preços de energia. Os preços cobrados pelos produtos brasileiros aumentaram no segundo ritmo mais forte desde meados de 2021, superado apenas por abril. Nos casos em que os preços de venda subiram, as empresas citaram o repasse de custos. Mas o emprego aumentou pelo quarto mês consecutivo em maio, embora em um ritmo leve e mais fraco do que no mês anterior. Dados subjacentes mostraram que a atividade de contratação foi contida pela falta de pressão sobre a capacidade operacional. Os entrevistados também se mostraram otimistas quanto ao crescimento ao avaliar as perspectivas para a produção nos próximos 12 meses, com expectativas de melhores condições econômicas após as eleições presidenciais e esperança de que a guerra no Oriente Médio termine em breve.

REUTERS

POWERED BY

EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA

041 99697 8868 (WhatsApp)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *