Ano 1 | nº 145 | 01 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Produtores do Paraná criam ‘desafio do leite’ e arrecadam mais de 5 mil litros em doações
Iniciativa começou na região dos Campos Gerais e se expandiu para outros estados, reunindo diversos produtores e instituições.
Para celebrar o Dia Mundial do Leite, produtores dos Campos Gerais do Paraná criaram uma campanha solidária em vídeo para doar o alimento a instituições carentes. Os produtores Maurício Greidanus e Armando Carvalho aderiram à iniciativa, que começou nas cidades de Castro e Carambeí com a doação inicial de 5 mil litros. Uma das entidades beneficiadas atende mais de 300 crianças vulneráveis em Carambeí, enquanto o desafio se expande para outros estados do país. A proposta é simples: em um vídeo, cada produtor escolhe a quantidade de leite que deseja doar e para qual instituição. Ao final, convida e indica outros produtores a participarem da “corrente do bem”. “Para o dia 1º de junho, pensei em como fazer um trabalho maior, que alcance mais pessoas, que não fique só no post estático das redes sociais dizendo ‘Feliz dia do leite’”, diz Erica Makslaine, uma das idealizadoras do desafio. “Então pensei em fazer uma ação social para que mais pessoas tenham o leite na mesa, um alimento que é tão importante para todo mundo”. A corrente rapidamente ganhou adesão entre produtores da região. “Primeiro, para mostrar a importância do leite na dieta das pessoas e, ao mesmo tempo, praticar o bem, colocar na mesa de pessoas mais carentes um produto de alta qualidade e bom para a saúde”, diz o produtor de leite Maurício Greidanus, que topou participar do desafio. A mobilização também chegou ao produtor Armando Carvalho, que, além de aderir, ampliou a corrente ao convidar mais participantes. “Não só divulga nosso trabalho, mas também por fazer uma boa ação”, ele diz. A ação começou em Castro e Carambeí, onde cerca de 5 mil litros de leite foram doados, ainda no início da campanha. Com a expansão do desafio para outros estados, é até difícil contar quanto mais será doado. Entre as entidades beneficiadas está uma instituição em Carambeí que atende mais de 300 crianças em situação de vulnerabilidade social e foi escolhida pelo Maurício para receber o leite. A expectativa é que a corrente solidária continue crescendo e envolva ainda mais produtores em todo o país.
Por g1 PR
Leite UHT liderou a alta de preços dos alimentos básicos em abril
No acumulado de 2026, os legumes seguem com o maior aumento de inflação no varejo alimentar. A alta de 18,3% do leite em abril ocorreu em meio à redução da produção nacional
O leite UHT registrou a maior alta entre os itens básicos de alimentação em abril, com avanço de 18,3%, segundo o estudo divulgado pela Neogrid. O preço do produto passou de R$ 4,75 em março para R$ 5,62 em abril. A alta do leite ocorre em meio à redução da produção nacional. Dados do Índice de Captação de Leite (ICAP-L) apontam queda de 3,9% na coleta entre fevereiro e março, além de retração acumulada de 11,1% no primeiro trimestre do ano. O movimento é atribuído à sazonalidade, com menor disponibilidade de pastagens, e à cautela dos produtores após um 2025 de margens apertadas. lém do leite, outros alimentos básicos também registraram aumento de preços em abril. Os queijos subiram 2,4%, passando de R$ 63,61 para R$ 65,12, enquanto o feijão teve alta de 2,1%, de R$ 7,51 para R$ 7,67. Legumes avançaram 2%, e o pão registrou aumento de 1,8%. “Os dados mostram uma pressão concentrada em categorias essenciais e mais sensíveis à sazonalidade, como lácteos e hortifruti, mantendo o consumidor mais atento aos preços e à composição da cesta de compras”, afirma Marcelo Alves, Head de Insights da Neogrid. No acumulado entre dezembro de 2025 e abril deste ano, os legumes seguem liderando a inflação no varejo alimentar, com alta de 25,3%, escalando de R$ 5,50 para R$ 6,89. Em seguida, aparecem leite UHT (21,7%), feijão (20,5%), ovos (13,4%) e carne bovina (6,6%), reforçando a pressão sobre itens essenciais da cesta básica. “Para os próximos meses a tendência é de continuidade da volatilidade em categorias mais sensíveis à oferta e ao clima, como lácteos, hortifruti e itens básicos da alimentação. Ao mesmo tempo, categorias industrializadas e algumas proteínas devem seguir mais estáveis, sustentadas pela maior competitividade no varejo e acomodação de custos”, acrescenta Alves.
VALOR ECONÔMICO
Preço do leite sobe 10,4% em abril e puxa alta dos derivados, aponta Cepea
Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro.
Pelo quarto mês consecutivo, o preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26. De acordo com a pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26). O movimento de avanço seguiu sendo explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) registrou queda de 3,4% de março para abril na Média Brasil, e, no acumulado do ano, a queda é de 14,6%. Além da sazonalidade, os menores investimentos dentro da porteira têm prejudicado a oferta do leite cru. Segundo a pesquisa do Cepea, em abril/26, o Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade continuou subindo, com alta de 1,1% na “Média Brasil” – acumulando aumento de 3,24% neste ano. A elevação esteve atrelada ao aumento das despesas com nutrição, sanidade e operações mecanizadas. Com a continuidade da menor oferta de leite no campo e os estoques mais ajustados, os deri9vados lácteos seguiram em valorização no atacado paulista em abril. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), mostra que, em abril, o preço do leite UHT subiu 20,17%, o da muçarela, 12,65%, e o do leite em pó fracionado, 1,52%, frente a março. Na primeira quinzena de maio, porém, o movimento demonstrou perder força e as negociações passaram a refletir uma demanda mais enfraquecida e um mercado mais cauteloso e sujeito às oscilações pontuais nas cotações. No mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos recuaram em 10% em abril, chegando a 218,38 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL). Ainda assim, as compras externas estão 34,1% maiores em relação às do mesmo período do ano passado. A expectativa é de que o mercado siga em trajetória de valorização no curto prazo, mas existem indicativos de perda de intensidade do movimento altista a partir de maio. Ainda que, sazonalmente, maio seja caracterizado pela subida dos preços do leite cru em virtude de restrição de oferta, a pressão vinda da ponta final da cadeia deve afetar esse comportamento típico das cotações.
Cepea-Esalq/USP
Sistema FAEP pede que governo federal aplique medidas antidumping no leite importado
Competição desleal do produto importado tem prejudicado pecuaristas do Paraná e do Brasil
O governo federal decidiu não aplicar medidas antidumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. A medida contraria o Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio exterior (Gecex-Camex), lidado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviço (MDIC), que reconheceu a prática de dumping dos dois países na 237ª reunião ordinária, realizada na quinta-feira (28). Diante da decisão, o Sistema FAEP vai trabalhar para reverter a situação. Em abril de 2026, o Departamento de Defesa Comercial (Decom), do MDIC, confirmou margens de dumping de até 60% para a Argentina e 50% para o Uruguai, além de apontar danos à produção brasileira de leite. “Essa decisão é preocupante. O reconhecimento da prática de dumping confirma um problema que já vinha sendo apontado pelo setor produtivo. A competição desleal do produto importado tem prejudicado nossos pecuaristas”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “O Sistema FAEP segue atuando em defesa de condições justas de concorrência e da valorização de quem produz leite”, complementa. Desde 2023, o Sistema FAEP alerta para a necessidade de medidas efetivas contra os efeitos das importações. A entidade teve papel decisivo na aprovação do Decreto 5.396/2024, que incluiu o leite em pó e a muçarela importados na alíquota comum de ICMS. Em âmbito nacional, o Sistema FAEP reforça o pedido de revisão urgente da investigação de dumping sobre o leite em pó vindo do Mercosul, defendendo políticas que garantam concorrência justa e sustentem a pecuária leiteira brasileira. Presente nos 399 municípios do Paraná, a atividade leiteira é essencial para a geração de renda e emprego no campo.
Sistema FAEP
NACIONAL
Indústria reforça lançamentos proteicos e valoriza soro do leite
Puxado pela onda de saudabilidade e pelo consumo associado ao uso das canetas emagrecedoras, o preço do concentrado de proteína do soro do leite, popularmente conhecido como whey protein, disparou.
Puxado pela onda de saudabilidade e pelo consumo associado ao uso das canetas emagrecedoras, o preço do concentrado de proteína do soro de leite, popularmente conhecido como whey protein, disparou. Dados apontam que o preço do produto com 80% de teor proteico (WPC 80) subiu 90% no último ano, chegando a 20 mil euros (R$ 117,6 mil) por tonelada métrica. A febre do whey protein expandiu o uso do produto para além dos shakes em pó ou barrinhas, e ele passou a ser ingrediente até de refrigerantes, como os da marca Moving. Já a Bellpar Refrescos, do interior paulista, está produzindo o refrigerante proteico Pure Up, com lançamento previsto no próximo dia 8; o produto deve ter 20g de proteína. “Não chega a ser uma commodity, porque não existe uma cotação oficial no mercado internacional. Mas existem, sim, grandes fornecedores globais que acabam ditando o preço do soro do leite. Quanto maior o pedido, a indústria têm mais poder de barganha para baixar o preço, mas não há grandes variações”, diz Alberto Moretto, sócio fundador do Grupo Supley, dono das marcas Max Titanium, Probiótica e Dr. Peanut. Segundo Moretto, a produção nacional é insuficiente e a maior parte da matéria-prima é importada. O quilo da proteína concentrada (WPC 80) no Brasil custa em torno de US$ 25 (R$ 126,43). Já da proteína isolada (WPI, que passa por litragens adicionais) está cerca de US$ 35 (R$ 177). O processo de fabricação é custoso, diz o executivo, o que responde em parte pelos altos custos: são necessários de 100 a 200 litros de soro de leite (especicamente do queijo mozarela) para produzir um quilo de whey protein. “Nós dependemos do consumo do queijo para ter o whey —mas o consumo de mozarela não cresce, então a oferta de soro do leite não aumenta também”, diz Charles Formigari, CEO da Nutrata Suplementos, famosa pelas barrinhas de proteína em colaboração com grandes indústrias de doces, como Nestlé, Havanna e Bacio di Latte. “Não tem como produzir apenas soro do leite.” Aliado a isso, arma, vem o aumento da demanda. “Agora o soro do leite já é aplicado em tudo quanto é tipo de produto, até biscoito, pão, macarrão e massa para pizza”, arma Formigari. Parte desse comportamento está relacionado à busca do consumidor por produtos mais saudáveis. A preocupação com a imunidade chamou a atenção do público sobre o papel da alimentação no bem-estar, especialmente no período pós-pandemia. Nos últimos três anos, vem crescendo no Brasil o consumo de frango, queijo e ovo, por exemplo, em detrimento a massa instantânea, hambúrguer e biscoito, segundo pesquisa da Scanntech publicada pela Folha em abril. O levantamento apontou ainda que o consumo de suplementos para academia (whey protein e creatina) disparou 440% no varejo alimentar no período. Hoje, uma embalagem de 900 g de whey protein concentrado custa entre R$ 120 e R$ 150. Em 2025, os alimentos perecíveis foram a única cesta de produtos que cresceu em vendas, puxada por proteínas, frutas, legumes e verduras, de acordo com a Scanntech. O advento das canetas emagrecedoras contribuiu para este cenário: os usuários de GLP-1 (princípio ativo dos medicamentos) dão preferência ao consumo de proteínas, uma vez que estes alimentos contribuem para o aumento da saciedade, controle da glicemia e manutenção da massa muscular.
FOLHA DE SÃO PAULO
Primeiro leite em pó de búfala do Brasil aposta em nutrição, leveza e inovação
A Laticínios Bom Destino apresenta ao mercado o lançamento do primeiro leite em pó integral de búfala do Brasil. Segundo a empresa, a novidade pretende unir saudabilidade, inovação e praticidade para transformar o consumo de lácteos no país.
Conhecido principalmente pela produção da tradicional mozzarella, o leite de búfala vem conquistando cada vez mais espaço entre consumidores atentos à qualidade nutricional dos alimentos. Estudos comparativos já apontam que o leite bubalino possui, em média, 21% mais proteína e 45% mais cálcio que o leite de vaca, além de ser naturalmente rico em minerais importantes como fósforo e magnésio. “Destaque também para a presença da proteína A2A2, reconhecida por proporcionar uma digestão mais leve e confortável para muitas pessoas. Além disso, o leite de búfala também apresenta menor teor de colesterol e concentra maiores índices de Ácido Linoleico Conjugado (CLA), substância associada a propriedades antioxidantes”, explica Aurélio Sousa, diretor executivo dos Laticínios Bom Destino. Agora, o leite de búfala pode ser encontrado numa versão inédita em pó, desenvolvida pela Bom Destino com o objetivo de ampliar o acesso ao leite de búfala em diferentes regiões do país, facilitar o armazenamento e oferecer mais praticidade ao dia a dia do consumidor. Segundo Aurélio, o lançamento acompanha uma mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais interessado em alimentos funcionais, naturais e com melhor aproveitamento nutricional. Além do consumo em bebidas, o leite em pó integral de búfala pode ser utilizado em cafés, receitas, sobremesas e preparações do cotidiano. Com sabor suave, cremosidade característica e perfil nutricional diferenciado, o leite em pó integral de búfala do Laticínios Bom Destino já pode ser encontrado nos principais supermercados do país, marcando um novo capítulo para os derivados bubalinos no Brasil.
Laticínios Bom Destino/MILKPOINT
GOVERNO
Ministério da Agricultura e Pecuária liberou mais 2,4 milhões doses de vacinas contra clostridioses
Volume total ofertado ao mercado brasileiro ultrapassou 41 milhões de doses, entre vacinas produzidas no país e importadas. Estimativa indica que mais de 100 milhões de doses poderão chegar ao mercado até o fim do ano
O Ministério da Agricultura e Pecuária informou na quinta-feira (29) a liberação de 2.470.600 doses de vacinas contra clostridioses para o mercado nacional entre os dias 25 e 29 de maio de 2026. Do total disponibilizado no período, 1.360.800 doses (55,08%) são de fabricação nacional, enquanto 1.109.800 doses (44,92%) correspondem a produtos importados. Segundo o Ministério, a medida integra as ações adotadas junto à indústria de insumos veterinários para ampliar a produção nacional, viabilizar importações e acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação dos imunizantes. Com os lotes liberados desde março, o volume ofertado ao mercado brasileiro ultrapassou 41 milhões de doses, entre vacinas produzidas no país e importadas.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar sobe em dia negativo para ativos brasileiros e acumula alta de 1,82% em maio
O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil, em uma sessão no geral negativa para os ativos brasileiros, com fluxo de saída de estrangeiros da bolsa e cautela em relação ao cenário econômico, enquanto no exterior os agentes aguardavam por um desfecho nas negociações entre EUA e Irã.
A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,24%, aos R$5,0453. Na semana, o dólar acumulou ganho de 0,27% e, em maio, alta de 1,82%. Às 17h31, o dólar futuro para julho — que nesta sessão passou a ser o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,18% na B3, aos R$5,0700. Na primeira metade do dia parte dos agentes operou tendo como foco a determinação da Ptax de fim de mês. Definida a Ptax (R$5,0563 para compra e R$5,0569 para venda) no início da tarde, o dólar passou a oscilar sem a influência técnica da disputa, mas se manteve no território positivo, em uma sessão de perdas para os ativos locais. “Quando olhamos para o cenário externo, estamos em um dia positivo para ativos norte-americanos, com os índices de ações subindo, mas mais uma vez os ativos domésticos estão sofrendo. O Ibovespa está em mais uma semana de queda e o dólar sobe”, comentou durante a tarde Tadeu Arantes, head de alocação da gestora Ghia. “Este movimento é explicado pela dinâmica de fluxo externo. O rali anterior de ativos brasileiros foi explicado pela rotação de fluxo global, que foi destinado para países emergentes, mas a narrativa que beneficiou o Brasil mudou um pouco agora”, acrescentou Arantes. “O fluxo de investimentos para emergentes continua, mas para países que se beneficiam mais da inteligência artificial, como Taiwan e Coreia do Sul, enquanto o Brasil acaba ficando para trás.” De fato, de janeiro a abril a bolsa brasileira havia recebido R$42,4 bilhões em investimentos estrangeiros, excluindo operações com novas ofertas de ações e ofertas iniciais. Somente em maio, até o dia 27, saíram da bolsa R$14,1 bilhões em investimentos estrangeiros. Este fluxo de saída acaba impactando o câmbio. Outro ponto de atenção na sexta-feira foi a notícia de que os EUA vão designar como terroristas as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). Para além das implicações políticas, ainda não estão claros os efeitos macroeconômicos e sobre as empresas que atuam no Brasil, mas há a percepção de que os prêmios de risco para os ativos brasileiros podem aumentar. “É um fator a mais a ser considerado na hora de o estrangeiro alocar no Brasil”, avaliou Arantes. Na agenda de indicadores, destaque para o avanço de 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026 ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam avanço de 1,0% no primeiro trimestre deste ano. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, o PIB cresceu 1,8%, em linha com a expectativa. O resultado reforçou as preocupações com a inflação, colocando em dúvida a continuidade do ciclo de cortes da taxa básica Selic nos próximos meses.
REUTERS
Ibovespa fecha abaixo de 174 mil pontos e tem pior mês desde 2023 com saída de estrangeiros
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, acumulando a sétima semana negativa seguida e confirmando o pior desempenho mensal desde 2023, em uma correção ditada pela saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.
Índice de referência do mercado acionário, o Ibovespa caiu 0,73%, a 173.787,49 pontos, somando uma perda de 1,37% na semana e de 7,22% em maio. A série de perdas semanais é a maior desde uma sequência também de sete quedas entre abril e maio de 2004. De acordo com dados da LSEG, considerando a série histórica até 1982, o Ibovespa nunca caiu por mais do que sete semanas consecutivas. A queda no mês foi a maior desde o declínio registrado em fevereiro de 2023 (-7,49%) — um movimento que tem como pano de fundo um saldo de capital externo negativo em R$14,1 bilhões em maio até o dia 27, excluindo ofertas de ações (IPOs e follow-ons). Estrategistas têm apontado que o desempenho de maio reflete uma rotação de volta para o setor de tecnologia nos EUA e Ásia, bem como perspectiva de um ciclo de cortes mais lento da Selic e incerteza com o cenário eleitoral. O UBS cortou a recomendação das ações brasileiras de “atrativas” para “neutra” nesta semana, citando uma mudança no perfil de risco versus retorno, enquanto mantém uma visão positiva para mercados emergentes de uma forma mais ampla. O desempenho em maio poderia ter sido pior, uma vez que o Ibovespa chegou a 172.686,36 pontos na mínima desta sexta-feira, menor patamar intradia desde 22 de janeiro. Na máxima, marcou 175.064,44 pontos. O volume financeiro na sexta-feira na bolsa somou R$46,67 bilhões, influenciado por operações relacionadas ao rebalanceamento de índices MSCI Global Standard que passou a vigorar no fechamento da sexta-feira. No caso do MSCI Brasil, foram incluídas as ações do Itaú Unibanco e da Aura Minerals e excluído o papel da Totvs. O último pregão da semana incluiu a análise de dados do PIB brasileiro no primeiro trimestre, que mostraram a atividade econômica acelerando ante o final de 2025, bem como repercussão da decisão dos Estados Unidos de designar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como “Organizações Terroristas Estrangeiras”. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 0,22%, renovando recorde, com apoio de ações de setores relacionados à inteligência artificial e esperanças sobre um desfecho para a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
REUTERS
Aceleração do PIB no Brasil reforça dúvidas sobre espaço para cortes da Selic
A aceleração do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre do ano, com crescimento relevante do consumo das famílias, reforçou as preocupações sobre o controle da inflação e as dúvidas no mercado sobre o espaço para o Banco Central promover mais cortes da taxa básica Selic.
O PIB no primeiro trimestre do ano, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cresceu 1,1% ante os três meses anteriores, acelerando ante a alta de 0,3% do último trimestre de 2025. Foi o maior avanço na margem desde o primeiro trimestre do ano passado, quando houve alta de 1,3%. Analistas chamaram a atenção, entre outros aspectos, para a elevação de 1,0% do consumo das famílias, amparado entre outros fatores pela isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil por mês. Esta foi a maior alta do consumo desde o terceiro trimestre de 2024, quando a taxa foi de 1,4%. Ainda que os economistas projetem uma desaceleração do PIB no segundo trimestre — período em que os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a atividade tendem a ficar mais claros –, a avaliação é de que os dados do primeiro trimestre não são favoráveis ao atual ciclo de cortes da Selic, hoje em 14,50% ao ano. “Os primeiros sinais aqui para o segundo trimestre são de uma desaceleração importante, talvez um crescimento mais próximo de zero, mas de qualquer forma (o PIB do primeiro trimestre) é um bom resultado para esse início de ano e que ajuda — acho que não a aumentar, mas a manter — a preocupação do Banco Central em relação à inflação”, avaliou Carlos Lopes, economista do banco BV. O mercado precifica atualmente de forma majoritária corte de 25 pontos-base da Selic no meio de junho, mas está dividido no caso do encontro de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC entre novo corte de 25 pontos-base ou manutenção da taxa básica. Para Liam Peach, economista sênior de Mercados Emergentes da Capital Economics, a aceleração do PIB no primeiro trimestre já coloca em dúvida um corte da Selic na próxima reunião, em junho. “Agora estamos cada vez mais inclinados a esperar uma manutenção da taxa na reunião de política monetária do próximo mês, em vez de outro corte de 25 pontos-base, para 14,25%”, escreveu Peach em análise sobre o PIB. Alguns dados mais recentes de inflação e mercado de trabalho no Brasil não contribuíram, de fato, para reforçar a visão de um ciclo muito longo ou intenso de cortes da Selic. A inflação medida pelo IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima da taxa de 0,53% projetada pelos economistas ouvidos pela Reuters, enquanto a taxa de desemprego ficou em 5,8% nos três meses até abril, abaixo dos 6,6% do mesmo período de 2025. Os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram em sentido oposto, com criação de 85.888 vagas formais em abril, abaixo dos 230.000 esperados. Entre os analistas, uma das visões é de que, se as expectativas de inflação continuarem piorando ou se a atividade econômica não desacelerar como esperado nos próximos meses, o BC seja levado a paralisar o atual ciclo de cortes. Na esteira dos números da sexta-feira, o Goldman Sachs elevou de 1,9% para 2,2% a projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2026, chamando atenção para o crescimento da renda das famílias. “Combinada a um mercado de trabalho aquecido, essa dinâmica deve sustentar os gastos nos próximos meses”, avaliou a instituição.
REUTERS
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 99697 8868 (WhatsApp)