Ano 1 | nº 184 | 27 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite ao produtor sobe no Paraná
Muçarela sobe mais de 7% em julho
O preço do leite pago ao produtor paranaense voltou a subir em julho e manteve a trajetória de valorização observada nos últimos meses. De acordo com o Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado nesta quinta-feira (23), o litro do leite está sendo comercializado, em média, a R$ 2,74 no Estado, valor 1,5% superior ao registrado na média de junho. Segundo o Deral, o movimento já era esperado e reflete o aumento no preço recebido pelos produtores em relação aos primeiros meses do ano. No varejo, os derivados lácteos também apresentaram reajustes em julho, embora em menor intensidade. Conforme o Deral, o leite longa vida registrou alta média de 0,6%, enquanto o leite pasteurizado avançou 0,5% em comparação com o mês anterior. O destaque ficou para o queijo muçarela, que teve valorização de 7,46% na média de julho frente a junho, superando o desempenho dos demais produtos acompanhados pelo boletim.
AGROLINK
Queijos finos abrem novo mercado para os lácteos
Aquisições de grandes grupos impulsionam segmento de maior valor agregado e ampliam as oportunidades para produtores artesanais. “Vamos criar uma unidade especial de negócios para queijos finos”, diz Campos, da Piracanjuba
A segurança proporcionada por um ambiente regulatório robusto e a evolução gradativa do paladar do brasileiro em busca de novas experiências no mundo dos queijos finos resultaram em uma onda de aquisições no setor de lácteos, principalmente envolvendo grandes grupos e queijarias artesanais e especializadas em produtos para as classes A e B. Apesar de o setor estar fermentado de operações, o mercado ainda está distante do ponto de maturação e a expectativa é que haja mais transações nos próximos meses. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo (Abiq), o consumo anual per capita do brasileiro é de 7,30 quilos (kg), bem distante dos vizinhos argentinos, por exemplo, que gira em torno de 21 kg/ano. “Em 2017, o consumo médio do brasileiro era de 5,66 kg. O crescimento é contínuo desde a pandemia”, diz Fabio Scarcelli, presidente da Abiq. No âmbito dos negócios, as operações se tornaram mais frequentes a partir da Lei nº 13.860/2019, que estabeleceu normas para as queijarias artesanais e de queijos finos. A lei regulamentou a produção, desde que inspecionada, de queijos artesanais com leite cru e estabeleceu formalmente a classificação conforme o método e o local de produção (“terroir”), além de definir a nomenclatura de queijos especiais do exterior, que agora são precedidos da expressão “tipo” (gorgonzola, gruyère, emmental, entre outros). Graças à lei, por exemplo, uma queijaria da região da Serra da Canastra passa a ter direito de usar a denominação, assim como tem a segurança de que a classificação não poderá ser usada por outras empresas aqui e lá fora. “Hoje, podemos dizer que o setor de queijos finos passa por um momento já vivenciado nos mercados de vinho e cervejas especiais. Com maior oferta e produtos de qualidade, o consumidor amplia o seu paladar”, afirma Henrique Rocha, sócio da consultoria Milk & Cheese. Criado em 2018 por sócios do grupo de private equity Aqua Capital, o grupo UltraCheese nasceu voltado para o setor lácteo e hoje detém as marcas Itacolomy, Búfalo Dourado, Lac Lélo, Itacolomy e Cruzília, sendo esta última o braço de queijos finos. “A Cruzília é a queijaria artesanal mais premiada do Brasil, com 155 premiações. Com esta marca, equilibramos nosso portfólio e vamos levá-la para mais pontos de venda no país”, afirma Wagner Brilhante, CEO do grupo UltraCheese. A opção pelas queijarias artesanais é poder trabalhar com margens mais elevadas, ao contrário dos queijos comoditizados (prato, mussarela e parmesão, por exemplo), que, por força da concorrência, operam com margens mais reduzidas. Em abril passado, o Grupo Ipanema Lácteos comprou a queijaria artesanal Laticínio na Morada, de Bueno Brandão (MG), dona da marca Serra das Antas. “É uma queijaria artesanal em nível de excelência, com potencial de exportação”, diz Fernando Menocci, co-CEO do grupo. Hoje focado em comoditizados, o Grupo Ipanema comercializa cerca de 1.500 toneladas/mês de queijos e cremes. Segundo maior grupo do mercado, de acordo com a Abiq, com produção de 7 milhões de litros/dia, a Piracanjuba entrou no mercado de queijos finos em janeiro, com a compra da Básel Lácteos, de Antonio Carlos (MG). A marca é forte no mercado fluminense e o objetivo é expandir sua distribuição, segundo Lisiane Campos, diretora de marketing da empresa. “Vamos criar uma unidade especial de negócios para queijos finos”, diz. Em outra frente, desta vez em Alagoas, o grupo comprou o Laticínio Sertão, atuante em queijos comoditizados no Nordeste. Entre outras operações de destaque, houve ainda a compra da tradicional Quatá Alimentos pelo grupo francês Savencia Fromage & Dairy (dono da marca Polenghi), em março passado. A Quatá tem presença nacional, com forte participação tanto em queijos finos como comoditizados. Além da Polenghi, o Savencia já detinha as marcas Frescatino, Campo Lindo, Ile de France e Skandia. Em outubro do ano passado, o grupo Tirolez apostou na diversificação e adquiriu a Levitare, líder em queijos de leite de búfala no ramo de food service no mercado paulista, cujo portfólio inclui desde requeijão e manteiga até burrata de búfala servida em restaurantes diferenciados. Hoje, as exportações ainda são residuais, entre 1% e 2% da produção total, em lotes voltados para públicos de queijos finos. Desde 2025, a Pardinho Artesanal, de Pardinho (SP), realizou cinco operações de remessas para os Estados Unidos, todas em lotes médios de 600 kg do queijo artesanal de longa maturação Mandala, desenvolvido a partir de leite cru de vacas Girsey (cruzamento das raças Gir e Jersey). “Conhecemos um importador norte-americano em um evento na Europa, ele se interessou e hoje distribui para empórios e bistrôs de Nova York e outras cidades”, afirma Vanessa Alcoléa, gestora industrial da Pardinho Artesanal. Apesar da ameaça de um novo “tarifaço”, Alcoléa acredita na permanência de envios regulares do produto. “O importador gostou tanto que até fechou uma operação quando a alíquota havia passado para 50%”, diz.
VALOR ECONÔMICO
NACIONAL
Leite e derivados estão na mesa de 72% dos brasileiros quase todos os dias
Em pesquisa do Receiteria com 1.000 leitores em julho de 2026, 72% afirmam consumir laticínios quase todos os dias.
O laticínio é a categoria mais cotidiana da cozinha brasileira — e uma das mais abertas à disputa. Em pesquisa do Receiteria com 1.000 leitores em julho de 2026, 72% afirmam consumir leite e derivados todos os dias ou quase, e só 3% evitam a categoria. Na hora de escolher a versão, o “sabor de antigamente” fala mais alto: 40% buscam o integral tradicional, à frente das versões light (28%) e zero lactose (25%). E, com 3 em cada 4 dispostos a trocar de marca, é um mercado em que cada compra está em jogo. Antes de qualquer preferência, um dado de base: o laticínio é presença diária na cozinha brasileira. Entre os respondentes, 50% afirmam consumir leite, queijo, manteiga e companhia todos os dias, e outros 22% quase todos os dias — somados, 72% têm laticínio na mesa diariamente ou quase. No outro extremo, “raramente” reúne só 6%, e apenas 3% dizem evitar ou não comprar nenhum tipo. É uma categoria sem sazonalidade e sem público relevante de rejeição: o consumo é transversal e cotidiano. Quando o assunto é o que de fato entra no carrinho, três itens praticamente empatam na liderança: queijo (79,6%), leite (77,6%) e manteiga (77,4%) aparecem em cerca de 8 de cada 10 cestas. Logo atrás vem o creme de leite, presente em 68,8% das compras — quase 7 em cada 10 —, seguido de requeijão e cream cheese (57,9%), leite condensado (54,5%) e iogurte (54,4%). Os queijos especiais, mais premium, já alcançam 34,4% — 1 em cada 3 cestas. O retrato é de uma cesta ampla e densa: o brasileiro não compra um laticínio, compra vários ao mesmo tempo. O laticínio não fica só no café da manhã: vira ingrediente. Entre quem cozinha, 61,4% usam leite e derivados na maioria ou em boa parte das receitas, e apenas 5,9% quase nunca recorrem a eles. Nos tipos de preparo, as sobremesas e doces lideram as menções (66,0%) e os bolos e tortas vêm logo em seguida (64,6%) — mas o salgado encosta: molhos e cremes salgados aparecem em 61,9%, à frente de lanches e pizzas (53,8%) e de gratinados e pratos de forno (51,9%). Doce e salgado dividem a geladeira quase em pé de igualdade — o que multiplica as ocasiões de uso e o espaço de receita para a categoria. Não há um único fator que mande na escolha da marca. Preço (23,6%), sabor e qualidade (22,2%) e marca conhecida (21,5%) estão em empate técnico no topo dos critérios de decisão — nenhum deles isola a preferência. A “versão certa para a receita” pesa para 14,7%, promoção e disponibilidade para 10,6%, e a validade ou o frescor fecham a lista com apenas 7,4%. A leitura é boa notícia para quem constrói marca: preço importa, mas divide o palco com sabor e reputação — o consumidor não decide por desconto sozinho. Perguntados sobre as versões que costumam comprar, 40,3% dizem buscar o integral tradicional — o “sabor de antigamente”, mais encorpado — e outros 32,1% afirmam não sair do tradicional de jeito nenhum. Somados, dois terços do público puxam para o clássico. As versões modificadas ficam atrás: light, desnatado e zero gordura reúnem 28,2%, sem adição de açúcar 17,9% e o orgânico ou artesanal 11,2%. A exceção relevante é a zero lactose, que já entrou no carrinho de 25,4% — 1 em cada 4. Não se trata de rejeitar o comer bem — o laticínio segue percebido como alimento de todo dia. O que não virou maré foi o “light”; a necessidade real (a intolerância à lactose) é que avança, como a frente de crescimento mais concreta da categoria. Se a decisão está dividida, a lealdade está solta. 39,8% se dizem abertos a experimentar marcas novas por gosto próprio, e 36,2% topam trocar diante de uma boa indicação ou promoção — juntos, 76% do público está disponível para mudar. Só 12,7% compram outra marca apenas se faltar a de sempre, e apenas 11,3% se declaram fiéis absolutos, sempre às mesmas marcas. Numa categoria de compra recorrente e quase diária, essa fidelidade frouxa é o dado mais estratégico da pesquisa: são milhões de decisões de compra reabertas toda semana. O consumo de laticínios no Brasil é diário, amplo e emocional antes de ser racional. O público quer o sabor cheio da versão tradicional, mantém uma cesta variada e não guarda lealdade a marca — 3 em cada 4 topariam trocar. Para indústria, varejo e mídia, a leitura é direta: com preço, sabor e marca empatados na decisão, e com a fidelidade em aberto, o campo de disputa é o sabor e a qualidade percebida, não o desconto isolado. As versões light têm público, mas são nicho gradual; a frente de crescimento com base real é a zero lactose, já dentro de 1 em cada 4 carrinhos. Quem cozinha todo dia com laticínio está pronto para ser reconquistado — a cada compra.
MILKPOINT
Conseleite/SC segue projetando leve ajuste positivo no leite a ser pago em agosto/26
O valor de referência do Conseleite/SC registrou um aumento de 0,06 R$/litro no leite a ser entregue em julho e pago em agosto de 2026, confira.
A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 24 de Julho de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Junho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Julho de 2026.
| Matéria-prima | Valores finais Maio/26 | Valores finais Junho/26 | Variação (Junho – Maio) |
| (Leite entregue em Maio/26 a ser pago em Junho/26) | (Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26) | R$/litro | |
| I – Leite acima do padrão – Maior valor de referência | 3,0768 | 3,1404 | 0,0636 |
| II – Leite Padrão – Preço de referência | 2,5015 | 2,5532 | 0,0517 |
| III – Leite abaixo do padrão – Menor valor de referência | 2,3162 | 2,3641 | 0,0479 |
| Matéria-prima | Valores finais Junho/26 | Valores projetados Julho/26 | Variação (Julho – Junho) |
| (Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26) | (Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26) | R$/litro | |
| I – Leite acima do padrão – Maior valor de referência | 3,1404 | 3,2142 | 0,0738 |
| II – Leite Padrão – Preço de referência | 2,5532 | 2,6132 | 0,0600 |
| III – Leite abaixo do padrão – Menor valor de referência | 2,3641 | 2,4196 | 0,0555 |
Períodos de apuração: Mês de Junho/2026: De 01/06/2026 a 28/06/2026. Parcial Julho/2026: De 29/06/2026 a 19/07/2026. OBS: o leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.
Conseleite Santa Catarina
Concurso em SC elege os melhores queijos do Brasil
Iguarias artesanais conquistam paladar dos jurados em avaliações às cegas. Paraná ficou na segunda posição com 273 medalhas
Com aromas marcantes, texturas impecáveis e sabores que contam histórias, os melhores queijos artesanais do país foram reconhecidos no Prêmio Queijo Brasil, um dos principais concursos do segmento, realizado na última quinta-feira (23/7), no Parque Vila Germânica, em Blumenau (SC). Minas Gerais, Estado conhecido como o berço do queijo artesanal pela expressiva produção nacional de leite, conquistou o maior número de medalhas: 619, entre ouro, prata e bronze. Na sequência, aparecem Paraná (273), Santa Catarina (186), São Paulo (163) e Rio Grande do Sul (106). A “seleção queijista”, formada pelos jurados após avaliações às cegas a partir de critérios como aparência, aroma, textura, sabor, equilíbrio e fidelidade ao estilo, reuniu os oito grandes destaques do concurso. E, Minas Gerais, com três queijos entre os escolhidos, liderou novamente. Veja abaixo: Queijo Chevrotin – Cabana Da Fonte Laticínios (SP); Queijo De Leite De Cabra Flor De Figo – Cabríssima Queijaria Artesanal (DF); Queijo Barista D’Alagoa-Mg – Fazenda 2M (MG); Queijo Puina – Formaggio Capannone Queijos Artesanais (SC); Queijo #14 – Goa (MG); Queijo Sol Do Japi – Pé Do Morro (SP); Queijo Minas Artesanal 15 Dias – Queijaria Gm (MG); Queijo Vale Do Heimtal Do Rancho Seleção – Queijaria Rancho Seleção (PR). Além dos queijos, os especialistas ainda elegeram outros quatro produtos lácteos para a seleção: Fondue Nacon (FazFor, de Minas Gerais), Doce de Leite com Raspas de Limão (Intenso Laticínios, do Rio Grande do Sul), Requeijão Cremoso (Pomerano, de São Lourenço do Sul-RS) e Iogurte Natural (Queijaria Dinda, de Minas Gerais). A premiação em Santa Catarina recebeu 2.720 inscrições de diferentes regiões neste ano, número 18,7% maior em relação à edição anterior. O crescimento, segundo Bruno Cabral, diretor do prêmio, demonstra a maturidade e a evolução da produção artesanal. “Mais do que premiar excelentes produtos, o Prêmio Queijo Brasil conecta produtores, valoriza territórios e preserva tradições que fazem parte da identidade gastronômica do país”. Ao todo, foram distribuídas 478 medalhas de ouro, 750 de prata e 459 de bronze.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fechou a sexta-feira estável e acumulou queda de 0,58% na semana
O dólar fechou a sexta-feira perto da estabilidade ante o real, em uma sessão em que as novas tarifas comerciais dos EUA e o conflito no Oriente Médio estiveram no centro das atenções
O dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de 0,06%, aos R$5,0814. Na semana, a moeda norte-americana acumulou queda de 0,58% e, no ano, baixa de 7,43%. Às 17h04, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,01% na B3, aos R$5,0905. O governo norte-americano decidiu impor a partir da sexta-feira tarifas de 10% a 12,5% sobre produtos de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, por alegações de fiscalização frouxa do trabalho forçado. No caso do Brasil, o percentual será de 12,5%, juntando-se a outra tarifa aplicada pelos EUA, de 25%, que passou a incidir sobre um conjunto de produtos brasileiros em 22 de julho em função de práticas comerciais supostamente desleais do país. Os investidores também seguiam atentos ao Oriente Médio, onde o tráfego de petroleiros permanece prejudicado. Além de fechar o Estreito de Ormuz, o Irã transportou comandantes da Guarda Revolucionária Islâmica, conselheiros militares e equipamentos para o Iêmen neste mês, informou a Reuters, buscando fortalecer a capacidade de seus aliados houthis de ameaçar a navegação no Mar Vermelho. Já os EUA atacaram com mísseis o Irã de norte a sul, depois que o presidente Donald Trump prometeu uma “punição militar severa” a Teerã e aos houthis. Na área diplomática, a Reuters informou que o Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações paralisadas entre EUA e Irã sobre o fim da guerra, na sequência de uma iniciativa lançada pela China. A notícia favoreceu a queda do petróleo, com investidores realizando os lucros recentes. O petróleo Brent, que na véspera superou os US$100 o barril com o acirramento do conflito, passou por ajustes de baixa nesta sexta-feira, voltando a ser negociado na faixa dos US$96. Neste cenário nebuloso, com as tarifas e o Oriente Médio no radar, o dólar sustentou baixas leves ante o peso mexicano e o peso chileno, entre outras divisas de emergentes.
REUTERS
Ibovespa fechOU em queda firme pressionado por blue chips
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de mais de 1%, pressionado pelas perdas em ações de peso do índice, como bancos e Petrobras, após uma sessão de forte recuo do petróleo no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 1,44%, a 174.185,17 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima, chegou a 174.118,37 pontos. Na máxima do dia, atingiu a 176.719,62 pontos. Na semana, o índice acumulou alta de 0,27%. O volume financeiro no pregão somava R$14,98 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC
As novas tarifas dos Estados Unidos atingirão 23,1% das exportações brasileiras para o país, segundo estimativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC).
Do total, 16,5% das exportações chegarão a uma sobretaxa de 37,5%, somando a aplicação da tarifa de 25%, anunciada na semana passada, à nova taxa de 12,5%, apresentada pelos norte-americanos nesta quinta-feira. Apenas 1,9% das exportações terão apenas a sobretaxa de 25%, enquanto 4,7% estarão sujeitas à tarifa de 12,5%.
REUTERS
Planejamento altera projeção para Selic média de 2026 de 14,16% para 13,96%
Ministério manteve sua estimativa para a taxa de câmbio médio em R$ 5,16 e reduziu a projeção para o preço do barril de petróleo de US$ 91,25 para US$ 79,16
O Ministério do Orçamento e Planejamento atualizou na sexta-feira (24) as suas projeções para uma série de indicadores econômicos referentes a 2026. Os números fazem parte do Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas relativo ao terceiro bimestre. A projeção para a Selic média de 2026 passou de 13,96% para 14,16%. A estimativa para a taxa de câmbio médio, por sua vez, continuou em R$ 5,16. Já a projeção para o preço do barril de petróleo variou de US$ 91,25 para US$ 79,16. Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a grade de parâmetros do relatório foi fechada antes do “solavanco” que o barril de petróleo teve no mercado internacional, devido ao recrudescimento do conflito no Oriente Médio. O brent voltou a ultrapassar US$ 100 nesta semana.
VALOR ECONÔMICO
Aumento do risco do crédito rural eleva spread bancário em 2026/27
Diferença entre taxas de captação e de empréstimo vai a 3,56%, e gasto do Tesouro com subsídio a juros, a R$ 18 bilhões. Aumento do risco do crédito rural eleva spread bancário em 2026/27
O spread bancário das 26 instituições financeiras que vão emprestar dinheiro das linhas equalizadas (com subsídio do Tesouro Nacional) de crédito rural do Plano Safra 2026/27 será de 3,56%, uma taxa superior à do ciclo 2025/26, que foi de 3,13%. As linhas subsidiadas da temporada atual somam R$ 141,9 bilhões. A equipe econômica do governo preferiu não forçar uma redução nos spreads porque bancos e cooperativas de crédito já estão mais avessos ao risco por causa do aumento da inadimplência e porque as perspectivas financeiras e climáticas são negativas para esta safra. A regra do leilão dos limites equalizáveis permitiu a manutenção dos tetos da safra 2025/26, e com isso não houve redução. Já a captação de dinheiro pelos bancos no mercado para irrigar as linhas de crédito deve ficar mais barata com a redução da Selic — a taxa básica de juros da economia estava em 15% ao ano em julho de 2025 e hoje é de 14,25%. O gasto do Tesouro com a subvenção de juros, que foi de R$ 13,5 bilhões em 2025/26, será de R$ 18,2 bilhões em 2026/27. A despesa cobre o spread, que é a diferença entre o custo de captação dos agentes financeiros, mais o Custo Administrativo e Tributário (CAT), e as taxas que bancos e cooperativas cobram do produtor rural — que caíram. Os spreads começaram a cair na safra 2020/21, quando estavam em 4,93%, em média, e chegaram a 3,03% em 2023/24. Em 2024/25, os spreads subiram para 3,18%, e depois tiveram um pequeno recuo em 2025/26, para 3,13%. Na safra 2026/27, o spread médio das linhas para médios e grandes produtores ficou em 3,08%; no ciclo passado, ele foi de 2,78%. Nas linhas para a agricultura familiar, o CAT será de 4,1%, um custo superior ao do ciclo passado, de 3,71%. “A elevação do spread se deve ao aumento do risco no agro. Os bancos não podem incluir isso no custo de capital, que é uma medida geral e objetiva, mas podem elevar o spread para compensar”, disse Rogério Boueri, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Ele disse que o movimento deve aumentar marginalmente o gasto do Tesouro Nacional com equalização de juros. Na visão de Boueri, a equipe econômica percebeu que as instituições financeiras estavam com dificuldades para oferecer os recursos por causa do aumento do risco e, assim, optou por não forçar a queda do spread neste ano. Os índices continuaram nos intervalos mínimos e máximos da safra passada, na faixa entre 0,58% e 10,9%. O respiro veio da diminuição dos custos das fontes captadas pelas instituições financeiras para as linhas equalizadas: recursos próprios, poupança rural, Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) e Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) — esta, exclusiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A maior parte das linhas tem como base a Taxa Média da Selic (TMS) e vai de 87% a 100% do índice. As LCAs serão a principal fonte de recursos das linhas equalizadas, com R$ 73,3 bilhões. Os recursos serão ofertados em 14 instituições financeiras. Quinze agentes usarão R$ 33,6 bilhões de recursos próprios nas linhas com equalização, e apenas cinco (Banco do Brasil, Credicoamo, Cresol, Sicoob e Sicredi) vão oferecer R$ 31,7 bilhões da Poupança Rural. O BNDES usará ainda R$ 3,1 bilhões do FAT.
VALOR ECONÔMICO
Novas tensões no Oriente Médio dificultam exportações do agro
Exportadores de itens como carne de frango buscam rotas alternativas para levar seus produtos à região e devem passar a gastar mais com frete marítimo. Novas tensões no Oriente Médio dificultam exportações do agro
A nova escalada de conflitos no Oriente Médio, com ameaças ao fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz, que dá acesso ao Golfo Pérsico, e pelo Estreito de Bab el-Mandeb, que dá acesso ao Mar Vermelho via Oceano Índico, pode dificultar as exportações de produtos agropecuários ao Oriente Médio e elevar o custo logístico. O recente aumento das tensões já provocou a paralisação de um navio de soja que se aproximavam da região, e frigoríficos devem reforçar a aposta por rotas alternativas, como o Canal de Suez, apurou o Valor. Exportadores vinham recorrendo a caminhos alternativos ao Estreito de Ormuz, como o Estreito de Bab el-Mandeb, paralevar seus produtos à Arábia Saudita e a outros destinos da região. Desde março, após os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, a navegação em Ormuz, entre Irã e Emirados Árabes, caiu expressivamente, e na última semana, o fluxo diminuiu ainda mais. Agora, os houthis — iemenitas aliados do Irã — ameaçam os navios que cruzam o Estreito de Bab el-Mandeb. Na semana passada, um navio com soja do Brasil que se encaminhava ao Oriente Médio teve que interromper a rota para esperar o desenrolar dos acontecimentos geopolíticos, relatou um trader ao Valor. Exportadoras de frango monitoram a situação no estreito de Bab el-Mandeb e em rotas marítimas da região para continuar abastecendo o Oriente Médio, diz o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. A região é o principal destino do frango brasileiro. Uma opção seria aumentar o fluxo de desembarques por Omã, mais especificamente pelos portos de Salalah, no sul do país, e Sohar, no Norte, já próximo da costa dos Emirados Árabes, levando as cargas a partir desses portos por rodovias até o destino. Uma alternativa é o porto de Khorfakkan, nos Emirados, logo antes do Estreito de Ormuz. Para chegar à Arábia Saudita, as companhias podem intensificar o uso da rota do Mar Mediterrâneo, passando pelo Canal de Suez para chegar aos portos sauditas de Jeddah e King Abdullah, no Mar Vermelho. Empresas brasileiras que exportam à região passaram a usar mais essa rota desde o início do conflito, afirma Santin. A Aurora, terceira maior exportadora de carne de frango do Brasil, atrás de MBRF e JBS, vem usando portos na Arábia Saudita como alternativa ao de Jebel Ali, que era acessado por Ormuz antes do conflito. As cargas da empresa desembarcam no porto saudita de Jeddah, de onde seguem por estradas até os Emirados Árabes e outros países, segundo o diretor de logística da cooperativa, Ricardo Souza. Também recorrem ao porto de Khorfakkan, nos Emirados, e ao porto de Salalah, em Omã. Ainda que não tenha detectado interrupção no fluxo por Bab al-Mandeb até agora, o executivo diz que um eventual bloqueio do estreito pode estressar mais as rotas locais. “Haveria uma demanda ainda maior pelos portos fora da Arábia Saudita, que já estão lotados. Isso geraria um caos. A única passagem [para os portos do Mar Vermelho] seria via Mediterrâneo, pelo Canal de Suez, mais longa, e seria necessário entender a possibilidade de rotação dos navios por lá”, afirmou Souza. “O impacto [da escalada do conflito] ainda não está sendo sentido porque já faz um tempo que as companhias estão tentando desviar dando a volta inteira na África, e já precificaram isso nos seus valores, mas [Bab el-Mandeb] ainda não está fechado”, disse Olivier Girard, da Macroinfra Consultores. “Se se concretizar, vai ter um impacto muito grande no comércio mundial.” Portos como os de Khorfakkan e Jeddah não estão preparados para atender toda a demanda para desembarque de contêineres, de acordo com o executivo da Aurora. Em Jeddah, há longas filas de caminhões para entrar no porto. Há ainda a dificuldade de encontrar caminhões, já que empresas passaram a usar mais rodovias para transportar os produtos, disse. Contêineres com frango brasileiro rumo ao Oriente Médio estão demorando mais que o dobro do tempo em relação à antes do conflito, em média 80 dias, segundo Souza. Há navios que vão até Khorfakkan, nos Emirados, não conseguem descarregar e voltam para o porto de Salalah, em Omã, disse ele. O custo logístico triplicou. As tensões da última semana já fizeram armadores criarem tarifas de emergência para cargas em trânsito, como foi o caso da Maersk e da CMA CGM. A Maersk até suspendeu o agendamento de navios a vários países do Oriente Médio, além de rotas terrestres. E os custos podem subir mais. Segundo Girard, da Macroinfra, a escalada das tensões pode elevar em 30% a 40% os custos do frete marítimo nas principais rotas entre Europa e Ásia, e um acréscimo de 19 dias na rota. O custo do transporte de cargas à Arábia Saudita pode subir 10% a 20%, disse. Leandro Gilio, professor do Insper, vê três fatores que encarecem a logística: troca de rotas, insegurança, que aumenta o custo do seguro, e a alta dos combustíveis. No caso dos embarques de carne resfriada e congelada, o custo é ainda maior do que o dos grãos. “E pior: é um tipo de produto que não pode sofrer grandes atrasos. Qualquer problema logístico pode até prejudicar a qualidade do produto”, diz. A elevação no custo do frete é absorvida, geralmente, pelo importador. Mas Gilio observou que, na maioria, trata-se de produtos com baixo valor por tonelada. “Qualquer aumento desse custo acaba afetando a margem e a própria demanda desses produtos.” O cenário afeta outras cadeias. O algodão, que ia para a Turquia via Mediterrâneo e depois seguia pelo Mar Vermelho até Paquistão e Bangladesh, terá de achar outra rota. O caminho, diz Girard, deverá será pelo sul da África.
VALOR ECONÔMICO
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 999368886 (WhatsApp)