Informativo Sindileite 213 04.09.2026

Ano 1 | nº 213 | 04 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Aumento da oferta e safra do Sul desaceleram os preços dos derivados lácteos

Com a entressafra no Brasil terminando e a produção crescendo na Região Sul, o mercado acabou perdendo parte do suporte em preços. Além disso, o volume de importações segue elevado

O mercado de derivados lácteos apresentou movimento de queda nos preços da maior parte dos itens ao longo do mês de agosto de 2026. Esse movimento puxou para baixo o preço do leite no mercado Spot, com duas quinzenas consecutivas de redução. Esse movimento, em menor intensidade, também ocorreu nos principais derivados. Com a entressafra no Brasil terminando e a produção crescendo na Região Sul, o mercado acabou perdendo parte do suporte em preços. Além disso, o volume de importações segue elevado. As sinalizações dos Conseleites apontaram queda na maior parte dos estados, em consonância com o movimento dos derivados e do leite Spot. Minas Gerais foi o único estado que registrou aumento. Por outro lado, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina apresentaram recuos, indicando uma tendência mais baixista no momento.

CILEITE 

EMPRESAS

Milky Moo chega ao Paraguai e avança em sua expansão internacional

Rede brasileira de milkshakes abre primeira unidade em Assunção e passa a atuar em três países.

A Milky Moo está ampliando sua presença fora do Brasil. A rede brasileira de milkshakes acaba de abrir sua primeira unidade no Paraguai, no Shopping Mariscal, em Assunção, e passa a operar em três países. A entrada no mercado paraguaio é mais uma etapa do plano da companhia de construir uma marca com atuação internacional. A internacionalização começou em 2025, com a abertura da primeira unidade nos Estados Unidos. Agora, a empresa avança para a América Latina. Ao todo, a Milky Moo tem mais de 900 unidades entre Brasil, Estados Unidos e Paraguai. “Nosso objetivo é construir uma Milky Moo Internacional. Cada novo país representa um passo nessa direção e uma oportunidade de ampliar nossa visão sobre o negócio. O Paraguai é uma etapa importante dessa construção”, afirma Lohran Soares, fundador e CEO da Milky Moo. Antes de iniciar a operação, a companhia realizou pesquisas sobre o mercado paraguaio, com análise de concorrentes, preços e comportamento de consumo. O trabalho orientou decisões relacionadas à entrada da marca e à estruturação da unidade. A escolha do Shopping Mariscal também faz parte dessa estratégia. O empreendimento é um dos centros comerciais tradicionais de Assunção, reúne marcas nacionais e internacionais e está inserido em uma região com comércio, serviços, escolas e universidades. A entrada no Paraguai leva ao mercado local um modelo de negócio desenvolvido pela Milky Moo em torno de uma única categoria. Na rede, o milkshake não é apenas um produto do cardápio: é o centro da operação e o ponto de partida para a construção da marca. A especialização permite que a companhia trabalhe a categoria com profundidade, a partir de um portfólio com mais de 30 sabores, diferentes combinações de ingredientes e texturas e uma identidade própria. O resultado é uma operação em que produto, experiência de consumo e marca estão diretamente conectados. Essa característica também é relevante para a estratégia de internacionalização. A companhia consegue transportar para outros mercados um modelo de negócio já estruturado no Brasil, mantendo seus principais atributos enquanto adapta a operação às particularidades de cada país. “Quando entramos em um novo mercado, não estamos levando apenas um produto. Estamos levando uma essência que construímos no Brasil: a forma como pensamos o milkshake, a experiência e a própria marca. É essa essência que queremos tornar internacional, respeitando as características de cada mercado”, declara o executivo.

Assessoria de Imprensa da Milky Moo. 

Nestlé acelera investimento de R$2 bilhões em Nutrição e Saúde e anuncia nova fábrica de fórmulas infantis no Brasil

Com aporte de R$ 600 milhões, nova unidade será construída em Ituiutaba (MG), ampliando o abastecimento do mercado brasileiro e criando potencial para exportações futuras; Área de Nutrição e Saúde está entre as prioridades estratégicas de crescimento da Nestlé

A Nestlé anuncia investimento de R$2 bilhões em sua divisão de Nutrição e Saúde no Brasil até 2028, reforçando uma das principais avenidas de crescimento da companhia globalmente. O principal projeto do plano é a construção de uma nova fábrica de fórmulas infantis em Ituiutaba (MG), que receberá R$600 milhões e ampliará a capacidade produtiva da empresa em uma categoria estratégica para o país. A nova unidade permitirá ampliar o abastecimento do mercado brasileiro, atualmente atendido parcialmente por importações. A expectativa da companhia é que a expansão também abra oportunidades para exportações no futuro. O investimento na divisão de Nutrição e Saúde representa aproximadamente 30% dos R$7 bilhões anunciados pela Nestlé para o Brasil entre 2025 e 2028. Além da nova fábrica, o plano de investimentos da Nestlé contempla uma ampla frente de fortalecimento da área de Nutrição e Saúde no Brasil. Entre as iniciativas estão a ampliação da eficiência, da inovação e da capacidade produtiva das fábricas da divisão, incluindo o complexo industrial de Araçatuba (SP), principal polo da companhia para a fabricação de fórmulas infantis, produtos de nutrição médica e soluções para nutrição adulta. O plano inclui ainda o fortalecimento da cadeia de ingredientes estratégicos, como o soro de leite, cuja produção foi retomada este ano em Carazinho (RS) para sustentar a expansão do negócio de Nutrição Infantil. Os investimentos também reforçam a agenda de sustentabilidade da companhia, com o uso de biometano nas fábricas de Ibiá e Ituiutaba (MG), realizando a transição energética para um combustível renovável que substituirá o GLP, atualmente empregado em processos industriais como câmaras, fornos e caldeiras. “A área de Nutrição e Saúde está entre as quatro prioridades estratégicas de crescimento da Nestlé globalmente e no Brasil. Ela reúne algumas das categorias de maior valor agregado da companhia, apoiadas por forte investimento em pesquisa, desenvolvimento e tecnologias de produção”, afirma Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil. A nova fábrica, que inicialmente produzirá as fórmulas infantis Nestogeno, Nestonutri, Ninho 1+ e Ninho 3+, será construída em Ituiutaba, ao lado do complexo que abriga a maior operação de lácteos da Nestlé na América Latina, onde já são produzidos Ninho Integral, Ninho Instantâneo, Ninho Zero Lactose, Ninho Adulto, Molico Fibras e Molico Zero Lactose. O projeto prevê a geração de cerca de 700 empregos durante a fase de construção, com início previsto para 2027, além da criação de aproximadamente 100 postos diretos quando a unidade entrar em operação, a partir de 2028. A unidade nascerá totalmente automatizada, adotando o que existe de mais avançado na tecnologia global da Nestlé para a produção de fórmulas infantis. A área de Nutrição e Saúde está entre as principais plataformas de crescimento da Nestlé globalmente. “A criação da divisão reflete nossa visão de que nutrição e saúde serão cada vez mais centrais para o futuro da indústria de alimentos. Estamos conectando ciência, inovação e escala para desenvolver soluções que atendam às necessidades nutricionais das pessoas em diferentes fases da vida”, afirma Marcelo Citrângulo, Vice-Presidente de Nutrição e Saúde da Nestlé Brasil. A estratégia é sustentada por uma das maiores plataformas globais de pesquisa em nutrição da indústria. A Nestlé conta com cerca de 800 cientistas dedicados à área em todo o mundo, mantém liderança em pesquisas sobre HMOs (oligossacarídeos do leite humano) e investe aproximadamente US$1,8 bilhão por ano em pesquisa e desenvolvimento relacionados à nutrição, saúde e bem-estar.

Nestlé Brasil

ECONOMIA

Dólar zera perdas da manhã e fecha acima dos R$5,10

Após oscilar perto dos R$5,07 no início da sessão, o dólar se reaproximou da estabilidade e encerrou a quinta-feira acima dos R$5,10, com parte do mercado aproveitando as cotações mais baixas para comprar moeda, enquanto no exterior o dia foi de queda para a divisa norte-americana.

O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de apenas 0,04%, a R$5,1043. No ano, a divisa passou a acumular queda de 7,01%. Às 17h22, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,29% na B3, aos R$5,1400. Mas a sessão desta quinta-feira também foi de baixa do dólar ante outras divisas no exterior, em paralelo ao recuo firme dos rendimentos dos Treasuries após o diretor do Federal Reserve Christopher Waller afirmar, durante evento da Reuters em Washington, que, se os dados confirmarem o arrefecimento das pressões inflacionárias, ele tende a defender a manutenção dos juros nos EUA. Um dos destaques foi a queda forte do dólar ante o iene, em meio ao aumento das apostas de que o Banco do Japão (BoJ) subirá juros para conter a inflação. No Brasil, porém, alguns agentes aproveitaram o dólar mais fraco para recomprar moeda, o que reconduziu a cotação para acima dos R$5,10. “O dólar veio desde a abertura com um viés de baixa. Os ativos locais como o real (estavam) se beneficiando da queda lá fora do dólar, seguindo a (baixa da) curva de rendimentos dos Treasuries”, pontuou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo. “E aí, rompendo o R$5,10, (surge) muita ordem de compra, até pelas estimativas do mercado serem de um dólar mais alto no final do ano. Os otimistas estão dizendo R$5,20, os pessimistas R$5,40”, acrescentou Bergallo. “O dólar está barato.” Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,0702 (-0,71%) às 9h32, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1147 (+0,16%) às 13h22, em meio à busca dos agentes pela moeda. No restante da tarde, as cotações se mantiveram próximas da estabilidade. No exterior, às 17h17 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,61%, a 98,988.

REUTERS

Ibovespa fecha quase estável com realização de lucros após encostar em 189 mil pontos

O Ibovespa fechou quase estável na quinta-feira, enfraquecido por movimentos de realização de lucros após se aproximar dos 189 mil pontos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,01%, a 185.195,42 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 188.891,50 pontos (+1,99%). Mas o ímpeto arrefeceu, pressionado particularmente por Vale e Petrobras. Na mínima, o índice chegou a 184.718,36 pontos (-0,26%).  O volume financeiro na bolsa somava R$32,3 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Fim da escala 6×1 eleva custo de trabalho e afeta PIB, aponta FGV Ibre

Hora efetivamente trabalhada poderá subir 20% em setores com jornada de 44 horas; impacto sobre valor adicionado seria de 2,9%

O fim da escala 6×1 e a redução de jornada trazem riscos de aumento de custo do trabalho mesmo para as empresas cujos funcionários cumprem carga horária inferior a 40 horas por semana e esquema 5×2, aponta estudo de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Há ainda um efeito negativo sobre a economia como um todo, que pode reduzir em 2,9% o valor adicionado, uma variável próxima ao Produto Interno Bruto (PIB), que exclui impostos e subsídios. A estimativa é que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e que ainda precisa ser votada no plenário da casa, signifique uma alta de até 20% do custo do trabalho. Parte desse aumento viria pela redução da jornada semanal, e parte, pelo crescimento das horas remuneradas, ao passar de um para dois o número de dias de descanso pago. Pelas contas dos especialistas, as empresas com carga de 44 horas por semana seriam as mais afetadas, com aumento total de 20%. Desse total, 9,1% seriam ocasionados pela elevação no total de horas remuneradas, e 10%, pela redução da jornada de trabalho, que reduz as horas efetivamente trabalhadas. Os cálculos não consideram eventuais medidas de adaptação por parte das companhias para mitigar o efeito das mudanças. Além disso, a partir de conversas com especialistas em legislação trabalhista, tem como base a avaliação de que os trabalhadores poderão ir à Justiça para questionar o ponto das horas remuneradas. No trabalho, os autores Fernando de Holanda Barbosa Filho, Paulo Peruchetti e Janaína Feijó projetam também que a PEC que reduz a carga de 44 para 40 horas por semana representará uma perda de 2,9% do valor adicionado. As contas dos pesquisadores mostram que os efeitos se dão de forma heterogênea entre os segmentos da economia, com impacto maior no valor adicionado naqueles com uso intensivo de mão de obra. “O trabalhador que continuar empregado, trabalhando menos horas e com um dia a mais de folga terá ganho de bem-estar e qualidade de vida”, afirma Barbosa Filho. “Apesar dos benefícios, as mudanças na jornada e na escala de trabalho têm custos e efeitos econômicos diversos. Se for para mudar, é preciso buscar as melhores formas de implementar e reduzir custos”, defende. O estudo do FGV Ibre faz ampla revisão da literatura sobre redução de jornada de trabalho. A partir de experiências internacionais, os autores avaliam que a diminuição da carga horária não eleva nem reduz significativamente o nível de emprego. Um fenômeno mais observado é o aumento da rotatividade, com empresas substituindo trabalhadores mais caros por baratos. Para os economistas, há algumas condições que poderiam minimizar os efeitos adversos da redução da jornada de trabalho. Uma delas é a adoção gradual, em etapas, para que as empresas tenham tempo de se adaptar. Os pesquisadores defendem que a redução de jornada seja combinada com investimentos em produtividade: modernização organizacional, automação onde for viável, reorganização de turnos e programas de formação profissional.

VALOR ECONÔMICO

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