Informativo Sindileite 185 28.07.2026

Ano 1 | nº 185 | 28 de julho de 2026

NOTÍCIAS

BEBIDAS LÁCTEAS: ESTADOS ONDE O CONSUMO DISPARA

Os números mostram diferenças expressivas entre estados e regiões, revelando um padrão de consumo que vai muito além da preferência alimentar. Nem todo o Brasil consome bebidas lácteas da mesma forma. Os dados revelam um mapa que surpreende pela intensidade das diferenças.

O consumo de bebidas lácteas no Brasil apresenta diferenças marcantes entre estados e regiões, formando um mapa no qual fatores como renda, escolaridade, urbanização, tradição de consumo e localização das empresas ajudam a explicar por que determinadas áreas concentram volumes muito superiores aos de outras. Embora seja uma categoria relativamente recente no mercado brasileiro, as bebidas lácteas já ocupam a segunda posição entre os produtos lácteos mais consumidos do país, atrás apenas do leite fluido. Segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018 do IBGE, o consumo médio nacional alcançou 8,986 kg por habitante ao ano, enquanto a estimativa apresentada pelos autores, utilizando dados do Censo 2022, indica que esse volume chegou a aproximadamente 10 kg por habitante em 2024. A liderança nacional pertence ao Sudeste, que registra consumo médio de 12,93 kg por habitante ao ano, muito acima das médias observadas no restante do país. Na outra ponta aparecem Nordeste (4,42 kg/hab/ano) e Norte (4,37 kg/hab/ano), onde o consumo representa cerca de um terço do registrado na região líder. Na prática, os consumidores do Sudeste ingerem quase três vezes mais bebidas lácteas do que os moradores das duas regiões com menor consumo. Quando a análise passa das regiões para os estados, as diferenças tornam-se ainda mais evidentes. São Paulo lidera o ranking nacional com 14,87 kg por habitante ao ano, seguido por Espírito Santo (13,91 kg) e Mato Grosso (13,88 kg). Logo depois aparecem Rio de Janeiro (12,43 kg), Mato Grosso do Sul (10,77 kg) e Paraná (10,66 kg). No extremo oposto estão Amazonas (2,32 kg), Alagoas (2,58 kg) e Paraíba (2,93 kg), estados cujo consumo é aproximadamente seis vezes inferior ao observado em São Paulo. Os dados mostram que esse comportamento regional acompanha, em grande medida, o padrão observado para o mercado brasileiro de lácteos. No caso das bebidas lácteas, o consumo se concentra principalmente no Sudeste e no Centro-Oeste, enquanto outros derivados apresentam maior presença no Sudeste e Sul. Já Norte e Nordeste registram ingestão mais baixa na maior parte das categorias de produtos lácteos. Segundo a análise apresentada pelos autores, essas diferenças parecem estar associadas principalmente a fatores socioeconômicos — especialmente renda — além da tradição de consumo e da localização das empresas do setor. A própria distribuição por perfil da população reforça essa interpretação. Entre os domicílios urbanos, o consumo médio alcança 9,762 kg por habitante ao ano, mais que o dobro dos 4,602 kg registrados na área rural. A renda também apresenta influência direta: o consumo cresce continuamente dos domicílios de menor renda (5,056 kg) até o grupo de maior renda (11,986 kg), diferença de 137% entre os extremos. A escolaridade amplia ainda mais esse contraste. Pessoas sem instrução formal consomem, em média, 3,210 kg por ano, enquanto aquelas com ensino superior completo chegam a 13,415 kg, um volume até 300% superior, indicando que renda e educação atuam conjuntamente na incorporação dessas bebidas à alimentação cotidiana. A idade também altera profundamente o padrão de consumo. O grupo entre 0 e 17 anos apresenta consumo médio de 30,2 kg por habitante ao ano, enquanto pessoas com 60 anos ou mais registram apenas 3,312 kg, diferença próxima de dez vezes. O estudo atribui esse comportamento à forma como a categoria foi desenvolvida no Brasil, inicialmente direcionada ao público infantil e adolescente por meio de produtos saborizados destinados aos lanches, enquanto consumidores mais velhos mantêm hábitos alimentares mais tradicionais e menor adesão a essa categoria industrializada. Na avaliação dos autores, o consumo de bebidas lácteas no país apresenta uma estrutura claramente social e territorial. As desigualdades observadas entre estados e regiões refletem, sobretudo, diferenças de renda, escolaridade e acesso ao mercado, fatores que ajudam a explicar por que algumas áreas concentram volumes muito superiores aos de outras e por que o mapa do consumo acompanha, em grande parte, a própria organização do mercado brasileiro de lácteos.

EDAIRY NEWS

Spot permanece estável em meio à menor demanda por derivados

Preços internacionais: o 408º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou alta de 1,5% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.815/tonelada. Este cenário indica uma recuperação nas cotações internacionais dos lácteos, sustentada por uma demanda mais aquecida por parte dos compradores no leilão. O volume negociado totalizou 26.889 toneladas, aumento de 2,2% em relação ao leilão anterior, efeito da safra de leite na Nova Zelândia que segue ampliando a disponibilidade. 

Leite spot: a média nacional fechou o período cotada a R$ 3,216, registrando um leve recuo de R$ 0,013. Com isso, o mercado de leite spot sinaliza relativa estabilidade em relação ao período anterior. Em um cenário mais estável e diante de relatos de movimentações equilibradas pelos informantes, a oferta de leite se alinhou à demanda, o que favoreceu a sustentação geral dos preços no período. Muçarela: o mercado apresentou reajustes negativos e variados nesta última semana, refletindo uma demanda menos aquecida. A variação dos preços esteve entre R$ 33,7 (RS) e R$37,0 (MG), com ajustes diversos nas médias dos estados avaliados. O Paraná registrou a maior variação com um aumento de R$0,5, chegando a R$34,9, seguido por São Paulo (R$35,6, diminuição de R$0,3), Goiás (R$36,3, diminuição de R$0,2), Santa Catarina (R$34,8, diminuição de R$0,2), Minas Gerais (R$37,0, aumento de R$0,2), Rio Grande do Sul (R$33,7, diminuição de R$0,1) e Rio de Janeiro que não registrou variação, permanecendo em R$37,1. Leite em pó: o mercado de leite em pó apresentou demanda menos aquecida nesta semana, resultando em reajustes negativos em duas das três categorias monitoradas. As reduções ocorreram em um cenário de negociações mais lentas e menor ritmo de compras. O leite em pó integral teve redução de R$0,1 na média de São Paulo, fechando em R$24,7. Em movimentação similar, o leite em pó fracionado teve reduções de R$0,1 em São Paulo (R$29,6) e R$0,2 no Nordeste (R$29,3). Em contrapartida às demais categorias, o leite em pó desnatado indicou leve aumento de R$0,1 nas cotações em São Paulo, fechando em R$22,1. Oferta: a oferta de leite tende a apresentar crescimento em relação aos últimos meses, acompanhando o movimento de saída do período de entressafra e a recuperação sazonal da produção no país. Com esse movimento, a expectativa é de aumento gradual da disponibilidade de matéria-prima nas próximas semanas, embora os volumes tendam a permanecer estáveis ou ligeiramente abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado. Demanda: a demanda começa a apresentar sinais de menor aquecimento após as recentes altas nos preços. O mercado conta com ritmo de vendas mais travado, menor fluidez nas negociações e estoques estáveis em alguns derivados.

MILKPOINT

Geração Z transforma consumo de leite e derivados no dia a dia, aponta pesquisa

O estudo também aponta que, quando somados o leite tradicional e com sabor, a Geração Z é a que mais consome lácteos no Brasil.

O tradicional copo de leite servido no café da manhã já não resume a relação da Geração Z com esse alimento. O leite fluido com sabor, como os achocolatados, representa quase 50% das escolhas de lácteos entre brasileiros de 12 a 26 anos, aponta uma pesquisa publicada no Anuário Leite, realizada pela Embrapa Gado de Leite. O estudo também aponta que, quando somados o leite tradicional e com sabor, a Geração Z é a que mais consome lácteos no Brasil. O comportamento ganha ainda mais relevância quando se considera o tamanho desse público. De acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Geração Z representa cerca de 22% da população brasileira, influenciando tendência de consumo e impulsionando mudanças na indústria de alimentos. O novo formato de consumo marca o início da campanha “Leite: do jeito da sua geração”, lançada pela Associação dos Produtores de Leite de Mato Grosso (MT Leite). Os jovens passaram a incorporar o leite a novas experiências. Cafés gelados, shakes proteicos smoothies, sobremesas, receitas rápidas, iogurtes e queijos dividem espaço com o tradicional leite do café da manhã, acompanhando uma rotina marcada pela praticidade, pelo sabor e pela diversidade de escolhas. A nutricionista Marina Portela explica que a impressão de queda no consumo está relacionada muito mais à mudança dos hábitos alimentares do que ao abandono do leite. “O que eu percebo é mais uma mudança na forma de consumo do que um abandono real. O leite deixou de ser consumido ‘puro’, como no copo tradicional do café da manhã, e passou a aparecer em outras preparações. O consumo fica mais distribuído e menos visível, o que cria essa impressão de queda”, afirmou. Segundo a especialista, essa mudança acompanha uma geração que busca praticidade e variedade, sem renunciar ao sabor e da funcionalidade dos alimentos. “Os nutrientes permanecem estáveis mesmo quando o leite é misturado a outros ingredientes ou passa por processos como bater, gelar ou aquecer moderadamente. O leite continua sendo uma das fontes mais completas e acessíveis de cálcio, proteína de alto valor biológico, fósforo, potássio, vitamina B12 e, quando fortificado, vitamina D. O que muda é o valor nutricional da preparação, dependendo dos ingredientes adicionados”, explicou. Marina ressalta que esses nutrientes são fundamentais justamente na adolescência e no início da vida adulta, período em que ocorre a consolidação da massa óssea e o desenvolvimento muscular. A campanha da MT Leite pretende mostrar como o leite acompanha as transformações no comportamento alimentar dos brasileiros, abordando temas como inovação, sustentabilidade, tecnologia, nutrição e novas formas de consumo. Para o presidente da Associação, Antônio Carlos Carvalho de Sousa, compreender esse movimento é essencial para aproximar a cadeia leiteira das novas gerações. “Existe a percepção de que os jovens deixaram de consumir leite, mas os dados mostram uma realidade diferente. O leite continua presente na rotina da Geração Z, apenas em formatos que acompanham seu estilo de vida. Hoje ele está nas receitas rápidas, nas sobremesas e nos derivados. Isso demonstra a versatilidade do alimento e sua capacidade de se adaptar às mudanças de comportamento sem perder seu valor nutricional”, destacou. Segundo Antônio Carlos, a campanha busca ampliar esse diálogo com a sociedade. “A intenção é levar informações baseadas em evidências científicas e mostrar que a cadeia leiteira também evolui para atender às expectativas do consumidor moderno”, explicou.

CIDADÃO CONSUMIDOR/MILKPOINT

NACIONAL

Conseleite/MG repete leve ajuste positivo no valor do leite a ser pago em agosto

O valor de referência do leite a ser pago em agosto de 2026 teve um ajuste positivo de 1,1%, segundo o Conseleite de Minas Gerais.

A diretoria do Conseleite Minas Gerais, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2026 a ser pago em Junho/2026. b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Junho/2026 a ser pago em Julho/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2026 a ser pago em Agosto/2026.

MATÉRIA-PRIMAVolumeGorduraProteínaCCSCBT
litros/dia(%)(%)mil células
somáticas/ml
mil ufc/ml
Maior Valor de Referência8.0004,203,8020020
Valor Médio de Referência5003,703,2540080
Menor Valor de Referência1603,002,90500300
Valor Base de Referência1603,303,10400100

Valores da matéria prima posto propriedade em maio/26 e junho/26

MATÉRIA-PRIMAMAIO/2026JUNHO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em Maio/26 a ser pago em Junho/26 (R$/l)Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência3,24903,30070,05171,6%
Valor Médio de Referência2,76202,80600,04391,6%
Menor Valor de Referência2,38762,42550,03791,6%
Valor Base de Referência2,57862,61960,04101,6%

Valores da matéria prima posto propriedade em jun/26 e projetados para jul/26

MATÉRIA-PRIMAJUNHO/2026JULHO/2026VARIAÇÃO
Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26 (R$/l)Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26 (R$/l)R$/litro%
Maior Valor de Referência3,30073,33790,03721,1%
Valor Médio de Referência2,80602,83760,03161,1%
Menor Valor de Referência2,42552,45290,02741,1%
Valor Base de Referência2,61962,64910,02951,1%

Nota Técnica: o Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.

Atenção: A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para setembro de 2026. Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.

Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite MG

ProdutosMai/26 p/ Parc. Jun/26Jun/26 p/ Parc. Jul/26
Leite em Pó0,1%0,2%
Leite UHT2,3%5,2%
Mussarela4,4%3,7%
Leite Condensado0,4%2,8%
Demais Produtos-0,4%1,2%
Valor de Referência1,6%1,1%

Períodos de apuração:

Mês de Maio/2026: De 01/05/2026 a 31/05/2026

Mês de Junho/2026: De 01/06/2026 a 30/06/2026

Parcial de Julho/2026: De 01/07/2026 a 20/07/2026

CONSELEITE/MG

Recuperação judicial do laticínio Nair Maria mobiliza setor leiteiro

O caso envolve milhões de reais, dezenas de produtores e uma cadeia produtiva que agora aguarda a próxima etapa judicial. A empresa continua operando, mas o processo estabelece prazos e condições que podem definir seu futuro.

A recuperação judicial do Laticínio Nair Maria, em Pedra Preta (MT), foi aceita pela Vara Regionalizada de Recuperação Judicial e Falência, abrindo uma nova etapa para a empresa enquanto tenta reorganizar um passivo de R$ 10.621.491,71. A maior parte da dívida está concentrada em instituições financeiras. A decisão alcança exclusivamente a D. H. Massuia, responsável pelo Laticínio Nair Maria. Com isso, ficam suspensas as execuções contra a empresa durante esta fase do processo, enquanto o administrador judicial acompanha a evolução da recuperação. O impacto econômico do caso vai além do valor da dívida. Segundo a petição apresentada ao Judiciário, o laticínio compra diariamente cerca de 150 mil litros de leite de 76 produtores, em sua maioria pequenos produtores rurais de Pedra Preta e do distrito de Nova Galileia, em Rondonópolis. Apenas em 2025, aproximadamente R$ 8 milhões foram pagos aos fornecedores de leite. Em operação desde maio de 2000, às margens da BR-364, a empresa emprega 11 trabalhadores, com salário médio de R$ 2 mil, e fornece a muçarela Natã para as redes Atacadão e Tropical Supermercados. Na documentação apresentada à Justiça, a empresa atribui sua situação financeira à combinação de três fatores. O primeiro foi a instabilidade do mercado leiteiro durante a pandemia. Em seguida, aponta o aumento da concorrência entre indústrias do setor. Por fim, afirma que precisou recorrer a empréstimos com juros superiores a 2% ao mês para quitar obrigações anteriores e manter suas operações. Antes da decisão, o perito judicial Rafael Cisneiro Rodrigues realizou vistoria presencial na unidade industrial. O laudo registrou prejuízos consecutivos em 2023, 2024 e 2025, além de redução significativa do faturamento no último exercício, deterioração das margens e dependência de novos financiamentos para preservar a liquidez. Ao mesmo tempo, o perito constatou que a empresa permanece em funcionamento, mantendo maquinário, estoques e carteira de clientes, além de não apresentar passivo fiscal relevante. O documento também não identificou indícios de irregularidades ou uso fraudulento do instituto da recuperação judicial. Como ressalva, o laudo recomendou acompanhamento específico sobre operações financeiras recentes de maior valor, orientação que deverá ser monitorada pelo administrador judicial durante todo o processo. Inicialmente, o pedido também incluía a DHM Mineração, empresa do mesmo sócio, Daniel Henrique Massuia, que alegava integrar um grupo econômico de fato e apresentava passivo de R$ 1.933.888,40. Antes da análise do pedido, porém, a defesa solicitou sua exclusão, homologada pela Justiça. Assim, a recuperação judicial passou a abranger apenas o laticínio. A decisão também definiu que o administrador judicial receberá remuneração correspondente a 3,5% dos créditos sujeitos à recuperação, valor que será pago pela empresa em 36 parcelas mensais. Os credores terão 15 dias, contados da publicação do edital, para apresentar habilitações ou divergências diretamente ao administrador judicial. Já o Laticínio Nair Maria dispõe de 60 dias para protocolar seu plano de recuperação judicial, acompanhado da demonstração de viabilidade econômica e da avaliação de seus ativos. O descumprimento desse prazo poderá resultar na conversão do processo em falência. O deferimento do processamento não representa a aprovação definitiva da recuperação judicial. A continuidade do processo dependerá da apresentação do plano e da decisão dos credores, que votarão em assembleia sobre a proposta apresentada pela empresa.

FATOS DE MATO GROSSO

INTERNACIONAL

Custo de produção de leite coloca a argentina na liderança regional

Levantamento regional mostra que a Argentina tem o menor custo de produção de leite e destaca o peso da alimentação na rentabilidade. A alimentação representa entre 52% e 65% do custo de produção de leite, revela estudo que compara 17 países da região.

O custo de produção de leite coloca a Argentina na posição mais competitiva da América Latina, segundo um levantamento elaborado com informações da OCLA, INALE, FEPALE, USDA e estudos nacionais referentes ao período de 2024 e 2025. De acordo com as estimativas, produzir um litro de leite no país custa entre US$ 0,31 e US$ 0,36, o menor valor registrado entre os países analisados. Na sequência aparecem Uruguai, com custos entre US$ 0,34 e US$ 0,39, e Paraguai, entre US$ 0,35 e US$ 0,40, formando o grupo dos sistemas mais competitivos da região sob a ótica dos custos de produção. O levantamento ressalta que as comparações devem ser interpretadas com cautela, já que cada país utiliza metodologias distintas para calcular seus indicadores. Ainda assim, os dados permitem identificar diferenças importantes na estrutura de custos entre os principais produtores latino-americanos. Na faixa intermediária do ranking aparecem Nicarágua, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Guatemala, México e Honduras, com custos estimados entre US$ 0,38 e US$ 0,54 por litro, dependendo do país. Os maiores custos estimados do estudo correspondem a El Salvador, Costa Rica, República Dominicana e Panamá, onde produzir um litro de leite varia entre US$ 0,47 e US$ 0,60. Além da comparação entre países, o levantamento mostra que a alimentação do rebanho continua sendo o principal componente econômico da atividade leiteira. Dependendo do sistema produtivo, esse item representa entre 52% e 65% do custo total de produção, superando despesas com mão de obra, sanidade, energia e reposição de animais. Esse peso explica por que oscilações nos preços de grãos, forragens e suplementos influenciam diretamente os resultados econômicos das propriedades leiteiras. O estudo também reúne alguns indicadores médios da produção leiteira latino-americana. Entre eles, destaca um preço médio pago ao produtor de aproximadamente US$ 0,46 por litro, produção média de 2.150 litros por vaca ao ano e a participação da alimentação entre 52% e 65% dos custos totais. Os responsáveis pelo levantamento observam que os números são estimativas construídas a partir de estudos setoriais realizados em 2024 e 2025 e que podem variar conforme a região, o sistema de produção e a metodologia adotada em cada país. Mesmo assim, consideram que os dados oferecem uma referência para acompanhar a competitividade da produção leiteira na América Latina e apoiar decisões relacionadas à eficiência e aos custos da atividade.

EDAIRY NEWS ES

ECONOMIA

Dólar fecha em alta no Brasil com exterior no radar

O dólar fechou a segunda-feira em alta no Brasil, acompanhando o desempenho da divisa norte-americana no exterior, que seguiu forte mesmo em meio ao alívio nos mercados globais após a trégua nos ataques entre Estados Unidos e Irã.

O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,62%, aos R$5,1130. Às 17h43, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,41% na B3, aos R$5,1200. O embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, disse ao programa “Fox News Sunday” e a outros veículos de comunicação dos EUA que o presidente Donald Trump havia decidido suspender os ataques para dar mais tempo à diplomacia. Na segunda-feira, Trump afirmou que os EUA estão mantendo “boas negociações” com o Irã e que “há uma boa chance de que algo possa acontecer” em relação a um possível acordo. Ele também ameaçou com uma “forte ação militar” caso a diplomacia fracasse. A trégua fez os contratos futuros do petróleo Brent caírem 8,7%, fechando a US$88,36 o barril, menor valor desde 17 de julho. Nesse contexto, a divisa norte-americana apresentou desvalorização em relação ao euro e ao iene, e um desempenho misto em relação a moedas emergentes pares do real. Contudo, o dólar se recuperou no exterior das mínimas do dia, uma vez que a queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano foi mais modesta em comparação com a queda nos rendimentos em outros mercados, oferecendo suporte à moeda norte-americana. Isso se refletiu no Brasil, com o dólar subindo ante o real, ainda que, em tese, a trégua no Oriente Médio deveria trazer alívio para o mercado de câmbio doméstico. Segundo analistas, fatores locais pesaram nas negociações. “Em resumo, o real opera hoje dividido entre o alívio global, com petróleo em queda e trégua no Oriente Médio, e o componente doméstico, político e fiscal, que sustenta alguma demanda por proteção. Dia de digestão e não de tendência definida nos mercados”, disse Rafael Stephano, advisor sênior da Blue3 Investimentos. Na segunda-feira, pesquisa BTG/Nexus apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se manteve com 47% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que caiu um ponto percentual, para 43%, em relação ao levantamento anterior publicado em 13 de julho. Pela manhã, a pesquisa Focus do Banco Central mostrou que as projeções para o câmbio no final de 2026 se mantiveram em R$5,20, enquanto para o final de 2027 houve aumento de R$5,28 na semana anterior para R$5,29. Nesta semana, a agenda traz os dados de julho do IPCA-15 na terça-feira, enquanto, no exterior, as atenções se voltam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira.

REUTERS

Ibovespa retoma 175 mil pontos com maior apetite por risco e apesar de Petrobras

Tombo de quase 9% dos preços de petróleo levou a uma redução do prêmio de risco geopolítico

Em um dia mais positivo para mercados emergentes e de baixa liquidez no mercado acionário local, o Ibovespa apresentou ganhos desde o começo da sessão, mas ampliou a alta mais perto do fechamento diante da recuperação das ações da Vale. O tombo de quase 9% dos preços de petróleo levou a uma redução do prêmio de risco geopolítico, o que impulsionou a tomada de risco nas bolsas globais. O movimento só não foi mais expressivo aqui no Brasil, em virtude da queda mais intensa das ações da Petrobras. Depois de oscilar entre os 174.048 pontos e os 175.555 pontos, o Ibovespa encerrou em alta de 0,74%, aos 175.334 pontos. Mais uma vez, o volume financeiro negociado pelo índice foi baixo e chegou a R$ 13,5 bilhões, o que é bem inferior à média diária de R$ 21,7 bilhões registrada desde o começo do ano. O giro financeiro na B3 também foi reduzido e chegou a apenas R$ 19,1 bilhões. Após um fim de semana sem hostilidades, os avanços diplomáticos entre EUA e Irã fizeram os preços do petróleo tombarem ontem. O recuo afetou em cheio as ações da Petrobras: no fim, as PN da petroleira cederam 2,84%, ao passo que as ON tiveram perdas de 3,15%. Depois de oscilar entre perdas e ganhos durante uma boa parte do dia, as ações da Vale terminaram com alta de 0,60%. Pela manhã, os papéis cederam diante do aumento do risco de governança corporativa após o conselheiro da Marcelo Gasparino ter enviado uma carta de renúncia ao conselho da mineradora. O pedido do executivo surgiu após o colegiado destituir Gasparino do cargo na última quarta-feira (22), em razão da suspeita de vazamento de informações confidenciais. Durante a tarde, porém, o executivo afirmou, em carta enviada à Vale, que não houve divulgação de informação relevante não pública da mineradora, o que pode ter ajudado a garantir certo alívio aos papéis, segundo alguns analistas. “Não houve intenção de obter qualquer vantagem, interferir na negociação de valores mobiliários ou expor manifestações confidenciais de outros administradores. Tampouco foi demonstrado qualquer prejuízo à companhia ou aos seus acionistas em decorrência desse encaminhamento”, disse Gasparino na carta. “A notícia sobre o Gasparino é ruim, mas é muito mais ruído do que algo que vai mudar de fato na empresa. A Previ não conseguiu nem eleger o conselheiro que queriam…”, diz. “O mercado tem dado um ‘downplay’ [menor importância] nas notícias envolvendo mudanças no conselho”, avalia um analista, que não quis se identificar. Bancos, por outro lado, subiram em bloco, especialmente as units do Santander, que tiveram alta de 3,87%. A instituição financeira apresenta os números do seu balanço na próxima quarta-feira (29). Entre as maiores altas ficaram as ações ON da MBRF, que subiram 7,08%. Segundo analistas, as ações foram beneficiadas por uma confluência positiva de fatores. Primeiro, o Departamento de Agricultura dos EUA informou a reabertura gradual das importações de gado vivo do México, que estavam interrompidas há mais de um ano. Além disso, os papéis foram beneficiados pelo anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que Brasil e Coreia do Sul criaram um grupo de trabalho para tentar destravar as negociações no âmbito do acordo comercial entre o Mercosul e o país asiático, que estão paralisadas desde 2019. Também foi acertada a realização de uma missão sanitária sul-coreana ao Brasil no próximo mês, o que poderá abrir o mercado do país asiático aos frigoríficos brasileiros e contribuir para o avanço nas negociações Mercosul-Coreia do Sul.

VALOR ECONÔMICO

Mercado vê inflação a 5,12% este ano no Focus, mas eleva projeções para 2027 e 2028

A expectativa para a inflação neste ano caiu pela quarta semana seguida na pesquisa Focus que o Banco Central divulgou na segunda-feira, mas as projeções para 2027 e 2028 aumentaram.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 caiu a 5,12%, de 5,15% na semana anterior. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. No entanto, as projeções para a inflação no próximo ano e em 2028 subiram 0,02 ponto percentual, respectivamente a 4,22% e 3,80%. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano permaneceu em 1,99%, e para 2027 caiu a 1,60%, de 1,65% no levantamento anterior. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que segue a expectativa de que o Comitê de Política Monetária do BC reduza a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual na reunião da próxima semana, a 14,00%, terminando o ano neste patamar. Para 2027 foi mantida a projeção de que a Selic ficará em 12,0%.

REUTERS

Confiança do consumidor no Brasil cai em julho com piora da percepção sobre o presente, diz FGV

A confiança dos consumidores brasileiros recuou pelo terceiro mês consecutivo em julho e chegou ao menor nível em quatro meses, com piora na percepção sobre o presente, mostraram dados da Fundação Getulio Vargas divulgados na segunda-feira.

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV teve no mês queda de 0,4 ponto, indo a 88,3 pontos, menor nível desde março. O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,6 pontos, para 84,4 pontos, com piora principalmente da percepção sobre o orçamento financeiro das famílias. “Entre as faixas de renda, os consumidores de menor renda tiveram maior participação na queda do indicador agregado”, explicou Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE. Já o Índice de Expectativas (IE) subiu 1,1 ponto, para 91,5 pontos, após dois meses de quedas. Gouveia destacou que, até o mês passado, a piora da confiança se dava pela deterioração das expectativas futuras, enquanto a percepção sobre o presente seguia em melhora. “Embora ainda possa refletir uma calibragem dos resultados anteriores, a virada de chave observada neste mês pode sinalizar que o pessimismo em relação ao futuro começa a influenciar a avaliação atual dos consumidores, especialmente de sua situação financeira”, disse ela. “O alto endividamento e inadimplência das famílias, junto a um contexto de juros fortemente restritivo, segue sendo o principal ponto de pressão do orçamento do consumidor, influenciando sua percepção sobre a economia”, completou. A taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano e o Banco Central volta a se reunir na próxima semana para decidir sobre a política monetária.

REUTERS

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