Ano 1 | nº 183 | 24 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite ao produtor se estabiliza, exportações caem e mercado de lácteos segue pressionado, aponta Cepea
Boletim do Cepea revela estabilidade no preço do leite, retração das exportações, queda do leite UHT no atacado e custos de produção praticamente estáveis no primeiro semestre de 2026
O mercado brasileiro de lácteos apresentou sinais de acomodação em junho, refletindo uma combinação de demanda interna enfraquecida, estabilidade nos preços ao produtor e forte retração das exportações. É o que aponta a edição de julho do Boletim do Leite, divulgado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O levantamento mostra que o preço do leite captado em maio praticamente não sofreu alterações, enquanto os derivados apresentaram comportamentos distintos no atacado. Ao mesmo tempo, o comércio exterior registrou queda expressiva nos embarques e os custos de produção permaneceram controlados, apesar do aumento nas despesas com alimentação do rebanho. Segundo levantamento do Cepea, o preço médio do leite pago ao produtor em maio de 2026 ficou em R$ 2,6617 por litro na chamada “Média Brasil”, registrando leve recuo de 0,45% em relação ao mês anterior. Na comparação com maio de 2025, o valor apresenta queda real de 3,8%, considerando a atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De acordo com os pesquisadores, a estabilidade reflete o equilíbrio momentâneo entre oferta e demanda, em um cenário de consumo ainda moderado e mercado mais cauteloso. No atacado paulista, os principais derivados lácteos seguiram trajetórias distintas durante junho. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), indica que o queijo muçarela permaneceu praticamente estável, registrando leve alta de 0,08%, enquanto o leite em pó avançou 0,38%. O destaque negativo ficou para o leite UHT, cujo preço recuou 3,07% no período, refletindo a menor demanda do consumidor e maior dificuldade de repasse de preços pela indústria. O comportamento evidencia um mercado ainda pressionado pelo consumo enfraquecido, especialmente nos produtos de maior giro no varejo. O comércio exterior brasileiro de lácteos também apresentou desempenho negativo em junho. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que tanto as importações quanto as exportações diminuíram na comparação com maio, mas a queda foi significativamente mais intensa nas vendas externas. As importações recuaram 4,17%, totalizando 216,76 milhões de litros equivalentes de leite (EqL). Já as exportações sofreram retração de 22,75%, encerrando o mês com apenas 4,49 milhões de litros equivalentes de leite embarcados. Na comparação com junho de 2025, o cenário permanece desafiador. Enquanto as importações cresceram 35,11%, as exportações diminuíram 12,92%, reforçando o aumento da dependência brasileira de produtos lácteos importados. Mesmo com o aumento das despesas relacionadas à alimentação animal, os custos de produção apresentaram pouca variação em junho. O Custo Operacional Efetivo (COE) da atividade leiteira avançou apenas 0,24% na Média Brasil. No acumulado do primeiro semestre de 2026, a alta foi de 2,04%, indicando relativa estabilidade para os produtores. Entre os estados monitorados pelo Cepea, os maiores aumentos ocorreram em: Bahia: +3,0%; Goiás: +2,6%; São Paulo: +2,56%; Minas Gerais: +2,5%; Paraná: +1,31%. Por outro lado, Santa Catarina encerrou o semestre praticamente sem alterações nos custos, enquanto o Rio Grande do Sul foi o único estado a registrar redução no COE, com queda de 0,35%. Os dados reunidos pelo Cepea indicam que o setor lácteo inicia o segundo semestre em um ambiente de maior estabilidade na produção, mas ainda cercado por desafios importantes. A recuperação do consumo doméstico, o desempenho das exportações e a evolução dos custos de alimentação do rebanho continuarão sendo fatores determinantes para a rentabilidade dos produtores e para a formação dos preços do leite e de seus derivados nos próximos meses. Com demanda ainda enfraquecida e maior concorrência dos produtos importados, o mercado deverá permanecer atento aos movimentos da indústria, do varejo e do comércio internacional, que poderão definir a trajetória dos preços ao longo do restante de 2026.
Portal do Agronegócio
Entre preços e escolhas: o novo mapa do consumo de lácteos
A última edição do Observatório do Consumidor (OC) apresentou os principais movimentos observados no mercado de lácteos durante o primeiro semestre de 2026. Segundo o Centro de Inteligência do Leite (CILeite/Embrapa), o objetivo foi transformar sinais do mercado em informações para apoiar decisões sobre portfólio, comunicação, inovação e crescimento das vendas.
Esta publicação marca uma nova etapa do Observatório do Consumidor. Desde sua criação, o OC acompanhou a percepção dos consumidores por meio da análise de conteúdos digitais, identificando tendências, dúvidas, expectativas e mudanças de comportamento. Agora, a Embrapa está ampliando sua atuação, incorporando a análise de dados de vendas no varejo, permitindo conectar o que os consumidores dizem com o que efetivamente compram. O Radar do Consumo de Lácteos nasce como um novo produto de inteligência do Observatório do Consumidor, reunindo periodicamente análises sobre comportamento de compra, desempenho de categorias e tendências de consumo para apoiar decisões estratégicas de empresas e instituições do setor. A comparação da taxa de crescimento anual composta (CAGR) do faturamento entre 2022 e 2026 evidencia uma reorganização estrutural do mercado de lácteos no período pós-pandemia. Enquanto categorias associadas à praticidade, conveniência e maior valor agregado mantêm um ritmo consistente de crescimento, outras categorias tradicionais apresentam perda de dinamismo e, em alguns casos, retração nas vendas. O gráfico a seguir mostra essa mudança de forma clara, ao ordenar todas as categorias de acordo com seu crescimento estrutural no período. O Leite Longa Vida continua sendo a principal categoria do mercado de lácteos e, por isso, um importante indicador da dinâmica de consumo. No primeiro semestre de 2026, a categoria apresentou dois movimentos bastante distintos, evidenciando a sensibilidade do consumidor às variações de preço. Nos primeiros meses do ano, observou-se uma estratégia de redução de preços. O preço implícito recuou 17,9% em janeiro e 20,2% em fevereiro, em comparação com os mesmos meses de 2025. Apesar desse movimento, a resposta do mercado foi limitada: em janeiro, o volume comercializado também caiu (-3,4%), enquanto apenas em fevereiro houve recuperação (+7,0%). A partir de abril, o cenário se inverteu. O preço implícito voltou a subir, com aumentos superiores a 7% ao mês entre abril e junho. O reajuste contribuiu para a recuperação do faturamento, mas foi acompanhado por uma queda expressiva do volume vendido, que permaneceu negativa durante todo o período, indicando maior resistência do consumidor aos aumentos de preço. Esse comportamento sugere que fatores além do preço influenciaram a demanda no período. Entre as possíveis explicações estão a redução do poder de compra das famílias no início do ano e a continuidade de um movimento de substituição para outras categorias, especialmente bebidas lácteas e leite sem lactose, que vêm ampliando sua participação no mercado nos últimos anos. O ranking foi feito por variação de volume físico, pois este é o sinal mais direto de demanda real. 11 das 16 categorias venderam menos quilos/litros no 1S26 (jan–jun) do que no 1S25. O primeiro semestre de 2026 mostrou que o comportamento do consumidor variou significativamente entre as categorias de lácteos. Enquanto produtos como Leite em Pó, Iogurte e Queijos mantiveram trajetória consistente de crescimento, o Leite Longa Vida apresentou dificuldades para recuperar o volume vendido, mesmo diante de estratégias distintas de precificação ao longo do semestre. Os resultados indicam que decisões baseadas exclusivamente em preço tendem a ser insuficientes para explicar ou estimular a demanda em categorias maduras. A combinação entre posicionamento, portfólio, conveniência e diferenciação passa a exercer um papel cada vez mais relevante no desempenho das categorias. Nos próximos meses, será importante acompanhar a evolução das vendas para verificar se a estabilização observada em junho representa o início de uma recuperação da demanda ou apenas uma oscilação pontual. Esse acompanhamento será tema das próximas edições do Radar do Consumo de Lácteos, permitindo monitorar continuamente os sinais do mercado e suas implicações para o setor.
Centro de Inteligência do Leite (CILeite/Embrapa)
NACIONAL
Leite gaúcho sai do vermelho, mas setor pede mais equilíbrio na cadeia produtiva
Depois de anos de aperto, pecuária leiteira gaúcha volta a dar lucro
Produtores do Rio Grande do Sul comemoram a volta da margem positiva na atividade após um longo ciclo de preços apertados. Segundo informações divulgadas pela Gadolando, os valores hoje pagos aos produtores, entre R$ 2,50 e R$ 2,70 por litro, já cobrem com folga o custo de produção, estimado entre R$ 2,20 e R$ 2,30 — ainda assim, o setor considera a remuneração insuficiente para garantir investimentos e estabilidade a médio prazo. “Agora está tendo uma pequena margem, enquanto nós viemos muito tempo sem margem”, resume o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, ao comentar a mudança de cenário na pecuária leiteira gaúcha. A retomada tem respaldo nos números oficiais: o Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projetou R$ 2,4281 por litro como valor de referência para junho. Esse índice baliza as tratativas comerciais entre produtores e laticínios, mas não é fixo — cada propriedade recebe um valor diferente, a depender da qualidade do leite entregue, do volume produzido e das bonificações oferecidas pela indústria compradora. Apesar dos sinais positivos, Tang pondera que o setor ainda opera longe do ideal. Na conta da Gadolando, um preço de referência próximo a R$ 2,80 por litro seria o patamar necessário para dar fôlego real à atividade, sem que isso pressionasse excessivamente o preço final ao consumidor. Um dos pontos mais sensíveis levantados pela entidade é a ausência do varejo nas discussões que definem os rumos do setor. Hoje, segundo Tang, o debate sobre preços fica restrito a produtores e indústria, deixando de fora um elo que também lucra com a comercialização do leite. “No Conseleite, a indústria e o produtor conseguem sentar juntos e debater, mas sentimos falta de discutir também com o varejo para amenizar os efeitos das crises, para todo mundo poder trabalhar junto e manter a cadeia”, diz o dirigente. Para a Gadolando, ampliar essa mesa de negociação é o caminho mais eficaz para proteger o produtor nos períodos de crise, sem abrir mão dos ganhos quando o mercado está aquecido.
AGROLINK
INTERNACIONAL
De robôs a ciclos fechados: a revolução regenerativa das fazendas de leite parceiras da Danone
Cada operação segue seu próprio caminho, mas o foco permanece o mesmo: encontrar maneiras práticas de fazer com que a sustentabilidade também seja economicamente viável.
A agricultura regenerativa pode assumir formas diferentes de uma fazenda leiteira para outra. Em algumas propriedades, ela se manifesta por meio da tecnologia e do manejo de precisão das lavouras; em outras, pelo reaproveitamento de nutrientes, pela redução do revolvimento do solo ou por novas formas de integrar a produção de alimentos para o rebanho, as vacas e as áreas agrícolas. Cada operação segue seu próprio caminho, mas o foco permanece o mesmo: encontrar maneiras práticas de fazer com que a sustentabilidade também seja economicamente viável. Essa abordagem moldou o trabalho da Danone com agricultura regenerativa. Em vez de entregar aos produtores um modelo único a ser seguido, a empresa trabalha em conjunto com as fazendas para identificar mudanças que se adaptem à localização, aos objetivos do negócio e aos recursos disponíveis em cada propriedade. Depois, mede o progresso em aspectos como saúde do solo, uso da água, emissões de gases de efeito estufa, biodiversidade e bem-estar animal. “Isso não é um modelo único para todos”, explica Greg Wolf, da equipe de agricultura regenerativa da Danone. “Cada fazenda é diferente, cada localização é diferente. Trata-se realmente de adotar práticas que ajudem as propriedades a ter sucesso, não apenas hoje, mas ao longo do tempo. Se não funcionar para os produtores, não funciona para nós.” Essa abordagem individualizada faz parte de uma rede maior de fornecimento nos Estados Unidos. A empresa informou recentemente que obtém cerca de 90% de seus ingredientes no mercado doméstico e comprou aproximadamente 200 milhões de galões de leite de fazendas norte-americanas em 2025. Para produtores de leite como as famílias McCarty, Van Tilburg e Schwieterman, em Celina, Ohio, essa ampla cadeia de suprimentos ganha um significado muito pessoal dentro da fazenda. O trabalho deles tem menos a ver com seguir uma tendência de sustentabilidade e mais com proteger a capacidade da próxima geração de continuar na atividade. Suas propriedades mostram como as práticas regenerativas podem assumir formas diferentes de uma fazenda para outra, enquanto caminham em direção ao mesmo objetivo: produzir alimentos de alta qualidade com menos desperdício de recursos. Para a MVP Dairy, a jornada rumo à inovação sustentável começou há mais de um século. As raízes da família McCarty na produção de leite remontam ao nordeste da Pensilvânia, onde o bisavô de Ken McCarty começou a ordenhar um pequeno rebanho em uma fazenda localizada em uma encosta, por volta de 1914. Tudo mudou em 2010, quando a família iniciou uma parceria com a Danone. Para atender aos padrões de qualidade e à demanda de volume da empresa, os McCarty expandiram a produção e chegaram até mesmo a construir sua própria planta de processamento de leite no noroeste do Kansas, tornando viável a conexão com os mercados que a Danone precisava abastecer. O fornecimento de leite condensado diretamente para a Danone começou em 2012 e deu à família uma visão muito mais clara do caminho percorrido pelo leite, desde as vacas até os iogurtes e outros produtos fabricados pela empresa. Essa parceria permitiu que a família fosse além da simples manutenção do negócio, construindo um modelo que conectava produção, responsabilidade ambiental e mercado de forma muito mais intencional. Por meio de sua parceria com a Danone, a MVP Dairy utiliza regularmente ferramentas de avaliação conduzidas por terceiros para estabelecer indicadores de referência e medir a evolução das emissões de gases de efeito estufa, da saúde do solo, da gestão da água, da biodiversidade e do bem-estar animal. “Investimos quatro gerações e mais de 100 anos de sangue, suor e lágrimas para chegar até aqui”, afirma McCarty. “Esperamos proporcionar essa mesma oportunidade para a quinta geração e para as futuras.” A Danone trabalha lado a lado com seus produtores para compreender a realidade de cada operação, identificar onde melhorias significativas podem ser implementadas e apoiar mudanças práticas que se ajustem às condições de cada fazenda. Essa colaboração não é igual em todos os estábulos nem em todas as lavouras, mas começa sempre com a mesma pergunta: o que pode ajudar esta fazenda a se tornar mais eficiente, mais resiliente e mais preparada para o futuro? Seja por meio da robótica na ordenha, de sistemas automatizados de manejo de dejetos que reduzem as emissões ou de práticas agrícolas que diminuem o uso de insumos sem comprometer a produtividade, essas fazendas mostram como decisões individuais podem se conectar a um sistema alimentar muito maior. Para esses produtores, esse trabalho é, ao mesmo tempo, prático e pessoal: construir propriedades resilientes, capazes de conservar a terra, cuidar dos animais e criar um futuro mais sólido para a próxima geração.
DAIRY HERD MANAGEMENT/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar interrompe série de perdas e sobe ante real com conflito entre Irã e EUA
O dólar interrompeu uma sequência de três sessões de perdas e fechou a quinta-feira em alta ante o real, em meio ao acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,63%, aos R$5,0842. No ano, a moeda norte-americana passou a acumular baixa de 7,37% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,49% na B3, aos R$5,0950. Os EUA lançaram uma nova rodada de ações militares contra o Irã na noite de quarta-feira, a 12ª consecutiva onda de ataques norte-americanos ao país do Oriente Médio. Já a Guarda Revolucionária do Irã informou que um petroleiro pegou fogo após explosão ao tentar atravessar uma rota minada ao sul do Estreito de Ormuz. Outros dois petroleiros retornaram. Conforme o Irã, o Estreito, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás, está “completamente fechado”. Após os houthis, aliados do Irã no Iêmen, atacarem dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho — outro ponto chave para o transporte na região –, o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu nesta quinta-feira uma “forte retaliação militar”. Com isso, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril, intensificando as preocupações com os impactos inflacionários da guerra nos países, o que também impulsionava os rendimentos dos Treasuries. Esse cenário se traduziu na elevação do dólar ante a maior parte das demais divisas, incluindo moedas fortes como a libra e o euro — neste caso, influenciado ainda pela decisão do Banco Central Europeu (BCE) de manter seus juros inalterados. Às 17h05, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,31%, a 101,420. O dólar também subiu ante divisas emergentes como o rand sul-africano, o peso chileno, o peso mexicano e o real. No caso do Brasil, ainda que o avanço do petróleo seja favorável ao real, já que o país é exportador da commodity, a busca pela segurança da moeda norte-americana predominou no mercado. “O movimento foi predominantemente externo, com o real acompanhando o enfraquecimento generalizado das moedas frente ao dólar diante de um cenário de aversão a risco”, resumiu Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com aversão a risco no exterior
O Ibovespa encerrou a quinta-feira em queda, refletindo o clima de aversão a risco nos mercados globais após nova intensificação do conflito no Oriente Médio, que fez o petróleo voltar a operar acima dos US$100.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,46%, a 176.723,62 pontos. Na mínima, atingiu 176.293,25 pontos. Na máxima do dia, chegou a 177.895,77 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$21,04 bilhões. Em mais um dia de escalada das tensões no Oriente Médio, os houthis do Iêmen – que são aliados do Irã – afirmaram ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, causando novas interrupções no abastecimento global após a interrupção quase total do tráfego pelo Estreito de Ormuz. Após a declaração, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma “forte retaliação militar” contra o Irã e seus aliados houthis. Diante da perspectiva de que a interrupção possa se alastrar a um segundo mar, os preços globais do petróleo dispararam, com os contratos futuros do Brent fechando com alta de 7%, a US$100,69 o barril, marcando seu maior fechamento desde 22 de maio. A disparada do petróleo trouxe novas preocupações sobre os rumos da inflação, gerando um clima de aversão ao risco que afetou as principais bolsas globais. O clima negativo pressionou o Ibovespa, embora o avanço do petróleo tenha impulsionado ações como a da Petrobras, o que evitou perdas maiores para o índice. “O mercado tem dado mais peso ao temor inflacionário da guerra do que ao efeito positivo do petróleo sobre os termos de troca do Brasil”, disse Vitor Kayo, economista sênior da Nomad. Em Nova York, o S&P 500 recuou 1,2%. Além dos temores de aumento da inflação, os resultados financeiros abaixo do esperado do setor de jogaram também contaminaram pressionaram negativamente os negócios na sessão.
REUTERS
Governo autoriza início das operações com juros equalizados do Plano Safra 2026/27
Linhas subsidiadas somam R$ 141,9 bilhões, queda de quase 10% em relação a 2025/26. Neste ciclo, 26 instituições financeiras vão operacionalizar as linhas subsidiadas do crédito rural
O Ministério da Fazenda publicou na quinta-feira (23/7) a portaria que autoriza o pagamento de equalização de taxa de juros em financiamentos do Plano Safra 2026/27, iniciado no dia 1º de julho. A medida, na prática, permite o início das operações que contam com a subvenção direta do Tesouro Nacional, 23 dias após o anúncio das linhas de crédito rural para a temporada. Neste ciclo, 26 instituições financeiras vão operacionalizar as linhas subsidiadas do crédito rural, que somam R$ 141,9 bilhões, queda de quase 10% ou R$ 15,2 bilhões em valores totais em relação aos R$ 157,1 bilhões oferecidos no início da temporada 2025/26. O número de agentes é recorde. Na safra passada, foram 25 instituições financeiras. São cinco estreantes nesta temporada: Banco ABC Brasil, Banco BMG, Banco BV, Lar Credi e Santander. Os bancos que participaram da divisão em 2025/26 e não vão operar agora são: Badesul, BRB, Credialiança e Stara. Do valor total, R$ 97,5 bilhões são para médios e grandes produtores, operados por 25 instituições financeiras, e R$ 44,3 bilhões para a agricultura familiar, operados por 18 agentes. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) terá R$ 40,4 bilhões em saldos equalizáveis, principalmente em programas de investimentos, pouco acima dos R$ 39,7 bilhões do início da safra passada. Os valores foram ajustados ao longo dos meses. A instituição terminou o ciclo 2025/26 com R$ 38,2 bilhões. O BNDES já publicou as circulares que regulamentam as linhas. Com a autorização de pagamento da equalização, os protocolos serão abertos para pedidos de financiamentos pelas instituições financeiras credenciadas para repasse a empréstimos a produtores rurais. Já os valores destinados ao Banco do Brasil foram reduzidos de R$ 58 bilhões, no início da safra 2025/26, para R$ 41,8 bilhões agora. Apesar da queda, a instituição detém a maior participação na divisão dos recursos equalizáveis do Plano Safra 2026/27 (29%). Com os remanejamentos, o BB concluiu a temporada 2025/26 com R$ 45,3 bilhões. A instituição também reduziu a oferta total de crédito para a safra, de R$ 230 bilhões para R$ 210 bilhões. O governo também ajustou os limites das principais cooperativas de crédito que atuam no Brasil. O Sicoob teve os saldos ampliados de R$ 14,4 bilhões no início da safra 2025/26 para R$ 19,4 bilhões agora. No Sicredi, o valor foi reduzido de R$ 25 bilhões para R$ 18,7 bilhões. O governo manteve a divisão de aplicação dos limites equalizáveis em dois semestres, uma saída encontrada ainda em 2025 para encaixar o Plano Safra no orçamento disponível e não precisar de suplementação. De julho a dezembro deste ano, a autorização é para a liberação de até R$ 94,7 bilhões do saldo total. Cada instituição recebeu limites específicos de operacionalização por período. O valor autorizado para a primeira metade desta temporada é composto por cerca de 80% dos limites de custeio e comercialização (R$ 61,3 bilhões do total de R$ 78,2 bilhões) e 50% dos investimentos (R$ 33,4 bilhões do total de R$ 63,6 bilhões). O restante poderá ser emprestado de janeiro a junho de 2027, com impacto no orçamento do ano que vem. O custo do Plano Safra 2026/27 será de R$ 18,2 bilhões ao longo de vários anos, alta de 34% em relação aos R$ 13,5 bilhões da temporada 2025/26. Nos seis meses de 2026, o custo é de R$ 1,7 bilhão, informou o Ministério da Fazenda à reportagem. As 26 instituições financeiras autorizadas a operacionalizar linhas são: ABC Brasil, Banco BMG, Banco BV, Banco DLL, Banco do Brasil, Banco John Deere, Banpará, Banrisul, Basa, BDMG, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Bradesco, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Caixa, Banco CNH Industrial; Credicoamo, Credicoopavel, CrediSeara, Credisis, Cresol, Desenbahia, Itaú, Lar Credi, Santander, Sicoob e Sicredi.
VALOR ECONÔMICO
Linhas equalizadas com desconto ‘sustentável’ terão R$ 3,1 bilhões
O rebate é concedido para médios e grandes produtores que seguem critérios socioambientais. Podem acessar essas linhas quem participa de programas de certificação de boas práticas e técnicas sustentáveis, de produção integrada ou de produção orgânica
O governo federal disponibilizou R$ 3,1 bilhões para as linhas de custeio equalizado com desconto de até um ponto percentual nos juros para médios e grandes produtores. O valor corresponde a 5% do montante destinado aos financiamentos de custeio com equalização em geral do Plano Safra 2026/27, o mesmo percentual da temporada passada. O rebate é concedido para médios e grandes produtores que seguem critérios socioambientais na atividade agropecuária. Podem acessar essas linhas quem participa de programas de certificação de boas práticas e técnicas sustentáveis, de produção integrada ou de produção orgânica reconhecidos pelo governo federal, quem tem o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado ou quem já acessou financiamentos de investimentos via RenovAgro. O custeio “normal” da safra 2026/27 tem juros de 9% e 12,5% para médios e grandes produtores, respectivamente. Nas linhas com “desconto sustentável” da faixa 1, serão disponibilizados R$ 1,2 bilhão com taxas de 8% e 11,5% ao ano e R$ 1,8 bilhão com alíquotas de 8,5% e 12% ao ano. As linhas de “custeio sustentável” empresarial e do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) foram criadas na safra 2023/24 e ainda têm alcance limitado. Com o avanço da análise do CAR, a última etapa de verificação e validação dos dados do registro ambiental do imóvel rural, o governo espera destravar o acesso aos financiamentos mais em conta nesta temporada. Consultados, o Ministério da Agricultura e o Banco Central ainda não informaram o desempenho das linhas na temporada 2025/26. A portaria 2.170/2026, publicada na quinta-feira (23/7) pelo Ministério da Fazenda com a distribuição dos limites equalizáveis da safra 2026/27, prevê que os limites das linhas “sustentáveis” poderão ser remanejados para os programas de custeio empresarial e do Pronamp sem descontos. No início da safra 2025/26, por exemplo, foram disponibilizados R$ 6,2 bilhões em com recursos equalizados para acesso dos produtores com o rebate. Com remanejamentos feitos ao longo da temporada, o valor caiu para R$ 4,1 bilhões. Algumas linhas do Banco do Brasil, Banrisul, Caixa, Credialiança, Cresol e Itaú foram zeradas ao longo do ano-safra. O desconto é de 0,5 ponto percentual para quem tem certificação de boas práticas, produção integrada ou produção orgânica, ou que acessou investimentos no RenovAgro, e outro 0,5 ponto percentual para quem tem CAR analisado. Se o produtor atender aos dois requisitos, pode ter redução de 1 ponto percentual. Atualmente, o Ministério da Agricultura reconhece 30 programas em execução no país de certificação de boas práticas agrícolas, cujos produtores certificados poderão ter acesso ao rebate nos juros do custeio. As instituições financeiras também podem oferecer os descontos em linhas com juros controlados, mas sem equalização, como as irrigadas com recursos dos depósitos à vista. O desconto não é concedido no Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), pois já conta com linhas incentivadas e taxas mais baixas para modalidades específicas, como agroecologia e bioeconomia.
VALOR ECONÔMICO
FMI diz que impacto de tarifas dos EUA para Brasil deve ser modesto
Fundo projeta crescimento de 2,4% em 2026 e cobra ajuste fiscal mais forte. Inflação deve convergir para meta de 3% apenas em meados de 2028, segundo relatório
O FMI (Fundo Monetário Internacional) avaliou que a economia brasileira continua demonstrando “notável resiliência” diante de uma sequência de choques externos e considerou que o impacto macroeconômico das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos tende a ser modesto. Em relatório divulgado na quinta-feira (23), após a conclusão da consulta anual do Artigo IV, o fundo também afirmou que o governo precisará promover um ajuste fiscal mais ambicioso para colocar a dívida pública em trajetória consistente de queda e projetou inflação de 5,6% ao fim de 2026, acima da meta de 3%. Apesar das tensões comerciais, o FMI avaliou que as exportações brasileiras têm permanecido resilientes. O relatório lembra que as tarifas impostas pelos Estados Unidos chegaram a uma alíquota efetiva de 29,1% em agosto de 2025 e que as vendas brasileiras ao mercado americano caíram inicialmente, mas passaram a se recuperar a partir de novembro daquele ano. Segundo o fundo, o impacto macroeconômico das medidas foi limitado porque as exportações para os Estados Unidos representavam menos de 2% do PIB brasileiro antes da elevação das tarifas e porque o país ampliou as vendas para outros mercados, especialmente de soja para a China. O FMI também mencionou a proposta apresentada pelos Estados Unidos após a conclusão da investigação da Seção 301, que prevê uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, além de uma sobretaxa de 12,5% que deve ser anunciada até o fim de julho ao Brasil e a outras economias, com isenções para itens como café, carne bovina, produtos energéticos e peças de aeronaves. Caso as medidas entrem em vigor, o FMI avalia que seu impacto sobre a economia brasileira deverá ser “modesto”, devido ao grande número de exceções e ao fato de os Estados Unidos responderem por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025. Para o Fundo, o Brasil foi relativamente protegido da disparada do petróleo causada pela guerra no Oriente Médio. O país é exportador líquido da commodity e conta com uma matriz elétrica predominantemente renovável. Ainda assim, o aumento dos preços da energia deve pressionar a inflação ao longo do ano. O FMI prevê crescimento de 2,4% em 2026, impulsionado pelos termos de troca favoráveis decorrentes do petróleo mais caro e pelo apoio fiscal. Em 2027, a economia deve perder força em razão da política monetária ainda restritiva, mas o crescimento tende a voltar para cerca de 2,5% no médio prazo, sustentado pela reforma tributária aprovada em 2023 e pela expansão da produção de petróleo e gás. A inflação, segundo o Fundo, deve convergir para a meta de 3% apenas em meados de 2028. Além da política macroeconômica, o FMI destacou que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido, com bancos bem capitalizados e riscos sistêmicos sob controle. Ainda assim, recomendou reforçar a supervisão do setor financeiro, enfrentar o crescimento do endividamento das famílias e avançar na regulação de criptoativos e na proteção contra-ataques cibernéticos. O relatório também elogiou o avanço das reformas estruturais, especialmente a implementação da reforma tributária sobre o consumo, considerada um dos principais fatores para elevar a produtividade nos próximos anos.
FOLHA DE SP
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