Informativo Sindileite 147 03.06.2026

Ano 1 | nº 147 | 03 de junho de 2026

NOTÍCIAS

Mercado de leite spot registra estabilidade na primeira quinzena de junho

Na primeira quinzena de junho, os preços do leite spot oscilaram de forma menos acentuada em todo o país, refletindo um mercado que atinge o ponto de acomodação.

Na primeira quinzena de junho, os preços do leite spot oscilaram de forma menos acentuada em todo o país, refletindo um mercado que atinge o ponto de acomodação. Esse cenário de estabilização também se reflete nos derivados, com os preços do leite UHT e da muçarela já mostrando maior sustentação. Na média Brasil, o valor subiu para R$ 2,889/litro, com alta de R$ 0,016/litro em relação à análise anterior. Entre os estados analisados, São Paulo ainda segue com a maior cotação média, a R$ 3,155/litro, com uma alta de R$ 0,082/litro. Em seguida, o Paraná registra R$ 2,953/litro (-R$ 0,007/litro), Minas Gerais com R$ 2,943/litro (+R$ 0,082/litro), Santa Catarina com R$ 2,942/litro (-R$ 0,017/litro), Goiás com R$ 2,776 (-R$ 0,001/litro) e Rio Grande do Sul com R$ 2,745/litro (-R$ 0,027/litro). A maior variação das médias foi observada em São Paulo e Minas Gerais, seguidos por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Goiás. Apesar de uma leve melhora na demanda, o volume de negociações permanece contido devido a uma postura cautelosa tanto nas compras quanto nas vendas, com alguns players ainda preferindo ficar de fora das movimentações neste momento. 

MILKPOINT

Atualização quinzenal de preços: mercado global mantém estabilidade, spot e Conseleites recuam

Produtores/Indústrias de Leite apontaram quedas generalizadas para a matéria-prima a ser paga em junho na região Centro-Sul, com a exceção do valor registrado no Mato Grosso, que indica o valor pago em maio.

O Conseleite/PR registrou a maior retração do período com recuo de 6,65%, projetando o preço de referência em R$ 2,5076/litro para o leite a ser pago em junho. O Conseleite/SC apresentou queda de 4,31%, passando para R$ 2,5091/litro, seguido pelo Conseleite/RS, que recuou 3,38% para R$ 2,4478/litro, e pelo Conseleite/MG, com baixa de 2,90%, situando o valor de referência em R$ 2,7589/litro. O Conseleite/MT apontou aumento de 10,70% para o leite que foi pago em maio, fechando em R$ 2,6422/litro.  Leite spot: o mercado doméstico de leite spot na segunda quinzena de maio estendeu o movimento de baixa observado no período anterior, porém registrando quedas mais suaves. A média Brasil recuou para R$ 2,873/litro, o que representa uma redução de R$ 0,097/litro em comparação com a quinzena anterior. Esse movimento reflete um ambiente de maior cautela e menor fluidez nas operações de comercialização de matéria-prima entre as indústrias de laticínios, com informantes relatando dificuldades na evolução das negociações entre compradores e vendedores. Leite UHT: o mercado de leite UHT apresentou uma recuperação na terceira semana de maio, com os preços registrando avanços. Informantes do mercado afirmaram que as negociações mostraram maior firmeza no período, interrompendo a sequência de recuos observada nas semanas anteriores. Os preços médios estaduais ficaram localizados na faixa de R$ 4,13 a R$ 4,64/litro, com destaque para o Nordeste (R$ 4,64) e São Paulo (R$ 4,47) com os maiores valores médios, enquanto o Rio Grande do Sul registrou a menor cotação média (R$ 4,13). As altas mais significativas em relação à quinzena anterior foram observadas em São Paulo (+R$ 0,12) e Goiás (+R$ 0,10). Muçarela: a muçarela seguiu em movimento de queda e apresentou um recuo de ajuste nas cotações nesta terceira semana de maio. Os preços médios variaram entre R$ 31,6/kg (RS) e R$ 34,5/kg (RJ), com retrações médias mais acentuadas identificadas em Minas Gerais (-R$ 0,5/kg) e Santa Catarina (-R$ 0,5/kg). Apesar disso, o Paraná (+R$ 0,1/kg) e Goiás (+R$ 0,1/kg) apresentaram pequenas variações pontuais ou suporte nas cotações. Segundo os informantes, relatos de vendas mais aquecidas na ponta final têm contribuído diretamente para desacelerar a intensidade das quedas nos preços praticados. Leite em pó: o mercado de leite em pó apresentou comportamento de relativa estabilidade na última semana. O leite em pó integral (LPI) em São Paulo operou em queda, recuando R$ 0,2, para R$ 25,6/kg, refletindo um ambiente onde apresentou demanda mais enfraquecida. Em direção oposta, o leite em pó desnatado (LPD) registrou um leve avanço de R$ 0,1, fechando a R$ 23,3/kg. O leite em pó fracionado (LPF) também registrou um ligeiro incremento de R$ 0,2 na média de São Paulo, alcançando R$ 30,1/kg e aumento de R$ 0,1 alcançando R$ 30,3 na média do Nordeste. O movimento como um todo reflete dinâmicas comerciais diferenciadas, pois de acordo com os informantes, o produto integral passou por uma procura mais retraída, ao passo que o desnatado obteve uma maior procura no mesmo período. Oferta: a oferta de leite segue condicionada pela sazonalidade típica da entressafra, mantendo a disponibilidade de matéria-prima menor no campo. Com menor volume disponível, a captação da indústria permanece limitada, reforçando o ambiente de menor oferta no curto prazo. Demanda: do lado da demanda, o varejo continua repassando os preços e limitando o ritmo de consumo na ponta final. Contudo, a forte correção de baixa, que vinha ocorrendo após as altas intensas dos últimos meses, começou a perder força. O mercado caminha para um cenário de correções pontuais, com alguns relatos de possível pausa nos recuos vistos.

MILKPOINT

INTERNACIONAL

GDT 405º amplia volume negociado e pressiona preços dos leites em pó

O 405º leilão da Global Dairy Trade (GDT) indicou um recuo de 0,6% no GDT Price Index

O 405º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou preço médio dos produtos negociados de USD 4.021/tonelada, indicando um recuo de 0,6% no GDT Price Index. A pequena oscilação do índice indica manutenção dos preços em patamares próximos aos observados anteriormente. Ainda assim, as quedas registradas nos leites em pó e na muçarela trouxeram uma leitura mais cautelosa para o mercado internacional. Nos produtos em pó, os preços voltaram a recuar após os sinais de recuperação observados nos últimos eventos. O leite em pó integral (LPI), principal produto negociado na plataforma, registrou queda de 2,2%, sendo negociado a USD 3.706/tonelada. Já o leite em pó desnatado (LPD) caiu 3,0%, encerrando o evento a USD 3.457/tonelada. Os resultados indicam menor sustentação para os principais derivados comercializados globalmente. Nos demais derivados, os movimentos variaram entre altas e baixas. Entre os queijos, a muçarela apresentou uma das maiores quedas do evento, recuando 4,6% e sendo negociada a USD 3.942/tonelada. Já o cheddar registrou valorização de 1,8%, alcançando USD 4.621/tonelada.  As gorduras apresentaram avanços, com a manteiga sendo negociada a USD 5.734/tonelada, apresentando valorização de 1,2% em relação à edição anterior. A gordura anidra do leite por sua vez, apresentou avanço de 5,3% no preço médio negociado, chegando à USD 6.668/tonelada. O volume negociado totalizou 14.364 toneladas, avanço de 10,7% frente à edição anterior. Apesar da recuperação, o resultado permanece 11,9% abaixo do registrado na mesma edição de 2025. O evento contou com 147 participantes, número ligeiramente inferior aos 154 compradores observados no leilão anterior. O aumento do volume negociado, aliado ao menor número de participantes, resulta em uma maior disponibilidade de produto no evento. Esse cenário contribuiu para pressionar os preços dos principais derivados, especialmente dos leites em pó, que apresentaram recuo nesta edição. Na NZX, após os movimentos de recuperação observados anteriormente, os contratos futuros de leite em pó integral voltaram a registrar recuo em todos os vencimentos acompanhados. A correção acompanha o resultado do GDT 405 e reflete uma expectativa menos otimista para a evolução dos preços internacionais. Além da queda generalizada, os vencimentos mais longos apresentaram maior pressão, indicando que o mercado passou a trabalhar com um cenário de menor sustentação para os preços do leite em pó nos próximos meses. Para o mercado brasileiro, o GDT 405° sinaliza um cenário mais cauteloso após a recuperação observada nos preços internacionais dos leites em pó nas últimas edições. As quedas registradas nos principais produtos negociados indicam uma interrupção do movimento de valorização observado recentemente no mercado internacional. Caso os recuos observados nos preços internacionais sejam mantidos nas próximas edições, o movimento pode favorecer a competitividade dos produtos importados frente aos nacionais. O comportamento do câmbio continuará sendo determinante para a intensidade desse efeito, influenciando diretamente os custos de internalização dos derivados lácteos. No mercado doméstico, os derivados seguem em um ambiente de negociações mais cautelosas, após os ajustes observados nas últimas semanas. Dessa forma, a evolução dos preços internos continuará relacionada ao comportamento do mercado internacional, à dinâmica cambial e ao ritmo da demanda no mercado brasileiro.

Global Dairy Trade (GDT)

GOVERNO

Recursos do Plano Safra deverão crescer a partir de CPRs e recursos livres

Avaliação é que o governo quer manter a tradição de anunciar números mais robustos a cada ano, ainda mais em cenário eleitoral. Há críticas no setor financeiro e entre produtores sobre o valor anunciado no Plano Safra e o que é efetivado na ponta

O valor de R$ 550 bilhões, que o ministro da Agricultura, André de Paula, pretende anunciar no Plano Safra 2026/27 para médios e grandes produtores rurais é considerado factível por representantes do sistema financeiro e do setor produtivo. A avaliação é que o governo quer manter a tradição de anunciar números mais robustos a cada ano, ainda mais em cenário eleitoral. O incremento, no entanto, deve ser em cima de Cédulas de Produto Rural (CPRs) e recursos livres dos bancos. Há críticas no setor financeiro e entre produtores sobre o valor anunciado e o que é efetivado na ponta. Atualmente, diante do alto endividamento, há restrição e aversão ao risco. Com isso, há recursos empoçados, que não são emprestados aos agricultores e pecuaristas. O ritmo de contratações está 12% abaixo do registrado na temporada passada. De julho de 2025 a maio deste ano, foram liberados R$ 307,6 bilhões em operações de crédito rural ante R$ 346,3 bilhões no mesmo período da temporada 2024/25, segundo dados compilados pela reportagem a partir de acesso ao sistema do Banco Central na terça-feira (2/6). O número considera os desembolsos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que não é computado pelo Ministério da Agricultura no pedido feito à equipe econômica. Os agricultores familiares acessaram R$ 60,8 bilhões nos 11 meses do Plano Safra atual, valor semelhante aos R$ 59,4 bilhões contratados entre julho de 2024 e maio de 2025. O temor atual do setor financeiro em relação ao Plano Safra 2026/27 é ser surpreendido com alguma nova exigência do governo, como o aumento nas exigibilidades de direcionamento de aplicação de recursos de depósitos à vista, poupança ou Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). No ano passado, os índices já foram reajustados e houve pressão maior nos bancos. Com a entrada em vigor das regras de provisionamento, há dificuldades de cumprimento dessas regras. Técnicos do Banco Central ainda trabalham nas projeções dos montantes de recursos que os bancos serão obrigados a emprestar no próximo ciclo, de acordo com os valores depositados e emitidos e o direcionamento em vigor. A autarquia também discute as variáveis que poderão ser aplicadas dado o novo cenário. Isso porque boa parte das “exigibilidades” já são cumpridas com operações prorrogadas e renegociadas, que aumentaram nos últimos anos, o que deixa menos espaço, e menos “dinheiro novo”, para novas operações. Nesta safra, as instituições financeiras são obrigadas a manter aplicado em crédito rural 70% dos valores da poupança rural, 60% das LCAs e 31,5% dos depósitos à vista. Uma fonte experiente do setor relatou que o recado passado ao governo em reuniões é de que “o problema não é falta de dinheiro e sim de crédito”. A principal questão do próximo Plano Safra será encontrar soluções para a elevação de risco e a falta de garantias, lembrou. Outras alas do governo, como o Ministério do Desenvolvimento Agrário, por exemplo, têm pregado foco na manutenção de juros, e não no aumento do montante disponível para empréstimos. Já o Ministério da Agricultura falou em aumentar recursos (de R$ 516,4 bilhões para R$ 550 bilhões) e reduzir os juros para um dígito. Atualmente, algumas linhas chegam a 13,5% ao ano. O incremento solicitado pelo Ministério da Agricultura à equipe econômica, por exemplo, é maior do que o efetivado no ano passado. No Plano Safra 2024/26, o governo anunciou R$ 508,6 bilhões em crédito e CPRs. Em 2025/26, foram R$ 516,4 bilhões, aumento nominal de 1,5%. Agora, a pedida é por elevação de 6,5%. A proposta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o Plano Safra 2026/27 foi de R$ 518,2 bilhões para a agricultura empresarial, com recursos exclusivos do crédito rural tradicional, sem considerar as CPRs, que deverão ultrapassar os R$ 100 bilhões.

VALOR ECONÔMICO

EMPRESAS

Quatro anos para o primeiro bilhão, seis meses para o segundo: a arrancada da “fintech da proteína”

Depois de desembolsar R$ 500 milhões no ano passado e bater R$ 1 bi em toda sua história, empresa especializada em crédito para produtores de frangos e suínos avança no leite, entra na pecuária de corte e quer originar outro R$ 1 bilhão até o fim do ano com desembolsos no Fiagro do Paraná

O mês de maio de 2026 foi especial para a fintech Agroforte. Isso porque a companhia bateu R$ 1 bilhão em crédito concedido ao setor de proteína animal, isso contando todas as operações realizadas desde sua origem no financiamento de produtores de frango e suínos até a expansão recente para pecuária de leite e corte. Ancorada em uma agenda que inclui captações com grandes gestoras, aquisições, um salto na pecuária de corte e a atuação no primeiro Fiagro do Paraná, a companhia pretende somar um novo bilhão em operações até dezembro deste ano, revelou o CEO e cofundador da empresa, Felipe d’Ávila, em entrevista exclusiva ao AgFeed. Resumo “2025 foi transformador para nós. A gente de fato consolidou a Agroforte como uma fintech de proteína. Tivemos um salto grande na originação e em tração dentro dos ecossistemas, e nos consolidamos no leite”, disse. A meta para 2026 é praticamente dobrar o ritmo da operação. Após originar cerca de R$ 500 milhões em crédito no ano passado, a fintech projeta movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão neste ano, somando operações realizadas pelo fundo próprio e pela estrutura do Fiagro do Paraná, onde a empresa atua como responsável pela esteira de crédito. O crescimento virá acompanhado de uma expansão da capacidade financeira da companhia. O principal fundo utilizado pela Agroforte, que encerrou 2025 com cerca de R$ 200 milhões em patrimônio líquido, deve alcançar entre R$ 280 milhões e R$ 300 milhões até dezembro. Já os desembolsos realizados pelo veículo devem saltar para algo entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões ao longo do ano, afirmou d’Ávila. Além do avanço em volume, a empresa espera ampliar significativamente sua base operacional. Depois de realizar cerca de 3,5 mil operações em 2025, a expectativa é fechar 2026 com algo entre 5 mil e 6 mil contratos de crédito formalizados. Hoje, a empresa já origina aproximadamente R$ 30 milhões por mês em crédito, com, em média, 12 operações por dia, distribuídos entre 200 e 300 operações mensais. Os tickets variam desde R$ 5 mil até R$ 2 milhões. A Fintech aposta em pecuária de leite e de corte para movimentar montante neste ano. Aquisição da Rumicash pavimentou acesso a novos mercados e ampliou base de produtores e indústrias parceiras. “O foco deste ano é crescer originação, crescer funding e ganhar eficiência. Estamos automatizando toda a esteira para conseguir atender mais produtores e ampliar nossa presença dentro dos ecossistemas onde já atuamos”, afirmou d’Ávila. Por trás dessas projeções está uma transformação acelerada vivida pela companhia ao longo dos últimos meses. Fundada para atuar no financiamento das cadeias de frangos e suínos, aproveitando da expertise familiar do CEO – bisneto de Attilio Fontana, fundador da Sadia -, a Agroforte opera um modelo baseado na integração com agroindústrias, cooperativas e – recentemente – indústrias de laticínios. Em vez de depender exclusivamente de garantias tradicionais, a fintech utiliza informações operacionais dos produtores e os recebíveis gerados pelas vendas futuras para estruturar suas operações de crédito. Hoje, a companhia mantém cerca de 50 parcerias com agroindústrias e cooperativas, alcançando uma base potencial superior a 60 mil produtores. Um dos movimentos mais importantes dessa expansão aconteceu no início de 2025, com a aquisição da Rumicash, fintech especializada em crédito para pequenos produtores de leite. Segundo d’Ávila, a operação trouxe mais de 20 laticínios parceiros para dentro da plataforma da Agroforte e abriu acesso a aproximadamente 20 mil produtores adicionais. “A aquisição da Rumicash foi um salto estratégico. Ela trouxe uma operação mais ágil para atender pequenos produtores e uma base importante de parceiros. Conseguimos integrar esse ecossistema à nossa plataforma e ampliar nossa oferta de crédito”, afirmou. O negócio ajudou a consolidar a presença da Agroforte em um dos mercados mais relevantes da companhia atualmente. Hoje, cerca de 60% da carteira está concentrada no leite, enquanto aves e suínos – as origens da empresa – respondem por aproximadamente 30%. Os 10% restantes já refletem os primeiros passos da empresa em uma nova frente considerada estratégica: o gado de corte. Outro pilar da expansão veio pelo lado das captações. Ao longo do último ano, a fintech reforçou sua estrutura de funding com a entrada de investidores como XP, EQI – que juntos aportaram R$ 60 milhões no fundo da empresa. Os players se juntaram a outros como Itaú e Credit Saison, instituição japonesa focada em investimentos de impacto. O acompanhamento constante também exige uma estrutura operacional diferente da encontrada em outras verticais do agro. Enquanto culturas agrícolas costumam seguir calendários mais previsíveis, a Agroforte opera simultaneamente com cadeias que possuem ciclos de pagamento bastante distintos. No leite, atua com recebimentos muitas vezes mensais, no mundo do frango, geralmente bimestral, enquanto os bovinos têm fluxos distintos a depender do momento da cadeia.

AgFeed

ECONOMIA

Dólar à vista tem leve queda apesar de incerteza sobre guerra no Oriente Médio

Ainda que o cenário geopolítico entre Estados Unidos e Irã siga incerto, os investidores mantiveram visão construtiva sobre o imbróglio no Oriente Médio, o que reduziu o prêmio de risco dos ativos

O dólar à vista exibiu leve depreciação frente ao real, em um movimento alinhado à dinâmica da moeda americana contra divisas de mercados emergentes. Ainda que o cenário geopolítico entre Estados Unidos e Irã siga incerto, os investidores mantiveram visão construtiva sobre o conflito no Oriente Médio, o que reduziu o prêmio de risco dos ativos. Com isso, o real se beneficiou e se manteve apreciado frente à moeda americana, apesar do anúncio pelos EUA de possíveis novas tarifas contra o Brasil. Encerradas as negociações desta terça-feira, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,0088, depois de ter tocado a mínima de R$ 5,0000 e encostado na máxima de R$ 5,0230. Já o euro comercial recuou 0,27%, a R$ 5,8264. Perto das 17h05, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, seguia estável, aos 99,200 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar exibiu desvalorização frente ao real. Em nota a clientes, o Commerzbank diz que, diante de uma eleição polarizada, riscos fiscais crescentes e incertezas sobre a atuação futura do Banco Central, espera que o real devolva parte dos ganhos recentes até as eleições. “Embora esses riscos já tenham sido apontados há algum tempo, eles parecem agora estar começando a se materializar”, diz o analista Michael Pfister. “Além disso, ninguém sabe exatamente qual será o resultado da eleição”, diz, apontando, porém, que o banco não espera uma fraqueza prolongada da moeda. Para o banco, após as eleições, a incerteza política deve diminuir; haverá menos necessidade de novos estímulos fiscais; e a abundância de commodities continuará favorecendo o Brasil. “Assim, o banco projeta uma nova queda do dólar até o final do ano. Caso o Federal Reserve (Fed) reduza os juros no próximo ano, conforme esperado pelos economistas da instituição, a cotação do dólar poderá cair até para perto de R$ 4,80.” Também vendo um cenário não tão conturbado para o câmbio, o C6 Bank revisou sua projeção para o dólar no Brasil em sua atualização de cenário. A projeção para o dólar ao final de 2026 foi reduzida de R$ 5,50 para R$ 5,20, enquanto a estimativa para o fim de 2027 passou de R$ 5,80 para R$ 5,50. “Desde o início do conflito no Oriente Médio, o real tem apresentado um desempenho melhor do que outros emergentes, possivelmente por nossa capacidade de produção de petróleo em um contexto de aumento da cotação do barril”, afirma o economista-chefe do C6 Bank, Felipe Salles, em nota.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa tem dia de respiro com apoio de Vale e bancos após cinco sessões seguidas de queda

Alta mais intensa de blue chips garantiu fôlego extra ao índice, deixando em segundo plano a ameaça tarifária de Donald Trump contra o Brasil

Após cinco sessões seguidas de perdas, o Ibovespa apresentou um dia de alívio na terça-feira, em um movimento característico de correção, deixando em segundo plano a ameaça tarifária de Donald Trump contra o Brasil. Embora os sinais sobre as conversas diplomáticas entre Estados Unidos e Irã permaneçam confusos, a expectativa de que as negociações resultem em um acordo em breve deu fôlego para a bolsa local, em um dia em que a alta mais intensa de blue chips também funcionou como um impulso extra ao índice. Depois de oscilar entre os 172.199 pontos e os 174.894 pontos, o Ibovespa encerrou em alta de 1,16%, aos 174.197 pontos, puxado pelo forte ganho dos papéis da Vale, que subiram 4,04% na B3. Já em Nova York, os recibos de ações (ADRs) da mineradora tiveram valorização de 3,19%, em linha com o dia mais positivo para os ADRs de pares globais, como a Rio Tinto Group e a BHP Group, que avançaram 2,49% e 2,12%, respectivamente. Bancos também registraram ganhos, especialmente as preferenciais do Bradesco, que avançaram 1,52%. Já as ações da Petrobras terminaram em queda, na contramão da alta de preços do petróleo. No término da sessão, as PN da petroleira cederam 0,53%, enquanto as ON perderam 0,62%. Para além do dia mais positivo para a maior parte das blue chips, um participante de mercado avalia que parte da reação positiva dos ativos na terça-feira pode estar relacionada a possíveis efeitos positivos que uma eventual tarifação americana de 25% sobre produtos brasileiros pode gerar no cenário político local. “Se, por um lado, a medida tem implicações econômicas negativas, por outro, é vista por alguns investidores como um movimento alinhado a pautas defendidas pela direita”, afirma o gestor. “O comunicado do USTR [Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos] deixa claro que as tarifas têm motivação política.” O USTR determinou a imposição de tarifas de 25% sobre importações do Brasil. Embora, o impacto efetivo ainda seja incerto, analistas do Citi Ibovespa destacam que a medida, se entrar em vigor de fato após um período de consultas, introduzirá um risco adicional para as ações da WEG. Hoje, os papéis da empresa encerraram em queda de 2,33%. Por outro lado, analistas do Citi afirmam que as tarifas sobre aeronaves e produtos relacionados devem continuar efetivamente zeradas no novo documento, permanecendo isentas após o período de consultas, o que pode beneficiar a Embraer. Hoje, os papéis da fabricante fecharam em leve queda de 0,30%. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa chegou a R$ 16,4 bilhões e a R$ 22,3 bilhões na B3.

VALOR ECONÔMICO

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