Ano 1 | nº 142 | 27 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/RS projeta leite a R$ 2,4478 em maio, queda de 3,38% ante abril
O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) projetou o valor de referência do litro de leite em R$ 2,4478 para maio, queda de 3,38% em relação à estimativa de abril (R$ 2,5333).
A redução, divulgada na terça-feira, 26, após reunião do colegiado, interrompe uma sequência de altas e acompanha um movimento de enfraquecimento observado no mercado nacional de lácteos. O coordenador do Conseleite/RS, Kaliton Prestes, afirmou que o setor já vinha percebendo sinais de deterioração nas últimas semanas. “É um momento que pede atenção do setor leiteiro, que vinha conseguindo repor parte de suas perdas nos últimos meses. Estamos preocupados, mas não surpresos”, disse, em nota. Segundo ele, a pressão sobre os preços é agravada pelo aumento das importações de leite em pó e queijos da Argentina e do Uruguai, que “entram no Brasil em um momento extremamente delicado”. Diante do avanço das importações, o Conseleite/RS informou que intensificou a pressão sobre o governo federal. Em maio, o colegiado encaminhou ofícios ao Ministério da Agricultura (Mapa), ao Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) alertando para os impactos sobre a cadeia produtiva nacional. Paralelamente, as entidades que integram o conselho preparam um dossiê sobre os impasses comerciais enfrentados pelo setor, com o objetivo de solicitar à Câmara de Comércio Exterior (Camex) a adoção de medidas antidumping. Além das importações, o setor também monitora os possíveis impactos climáticos nas próximas semanas no Rio Grande do Sul. Segundo o Conseleite/RS, a previsão de frio intenso e a redução das pastagens podem comprometer a produtividade por animal e reduzir a captação de leite no campo. O colegiado também divulgou o valor consolidado do leite em abril, que ficou em R$ 2,5664, alta de 8,19% em relação ao resultado de março (R$ 2,3721). Os cálculos são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base em informações fornecidas pelas indústrias e considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês.
ESTADÃO CONTEÚDO/UOL
Retrato do faturamento lácteo no varejo em 2025
A estrutura de faturamento observada reforça a importância de um portfólio equilibrado, que combine categorias de alto giro e menor margem com produtos de maior valor agregado.
O varejo já não é mais guiado apenas por oferta, tradição ou força de marca. Agora é o consumidor quem dita, de forma cada vez mais clara, o que cresce, o que perde espaço e, principalmente, onde se concentra o faturamento. Suas escolhas, influenciadas por preço, conveniência, ocasiões de consumo e percepção de valor, estão redesenhando a dinâmica competitiva dentro das gôndolas. Com esse olhar, analisamos os dados de faturamento de uma grande rede varejista em 2025 para mapear como se estrutura o consumo de lácteos no Brasil. O resultado revela um retrato claro de onde se concentra o valor no varejo e, consequentemente, para onde devem apontar as decisões estratégicas do setor. A leitura evidencia a forte concentração do faturamento em poucas categorias-chave, com destaque para os queijos. Liderando com quase 30% de participação, essa categoria combina dois atributos raros: presença no consumo cotidiano e capacidade de agregação de valor. Trata-se de um grupo extremamente versátil, que atende desde o consumo básico (como a muçarela no dia a dia) até ocasiões mais sofisticadas, com queijos especiais e artesanais. Dentro desse universo, dois produtos se destacam como verdadeiros pilares do faturamento: a muçarela, com cerca de 9%, e o requeijão, com 7,1%. Ambos estão bem inseridos nos hábitos alimentares do brasileiro, seja no café da manhã, em preparações rápidas ou em pratos amplamente difundidos, como pizzas e sanduíches. Essa combinação entre alta frequência de consumo e ampla aplicabilidade culinária ajuda a explicar seu peso no faturamento. Ao mesmo tempo, os queijos diferenciados, embora com menor volume, contribuem para elevar o ticket médio da categoria, especialmente em ocasiões de consumo mais indulgentes e sociais. Na sequência, o leite UHT mantém sua posição como um dos principais motores do setor. Sua relevância está diretamente associada à sua função estrutural na cesta de compras das famílias brasileiras. Mesmo sendo uma categoria de menor valor agregado, sua elevada penetração e frequência de compra garantem uma participação robusta no faturamento. No entanto, trata-se de um segmento cada vez mais pressionado por preço, sensível a oscilações de renda e com menor espaço para diferenciação, o que impõe desafios constantes para a indústria em termos de margem. O ioguste, com participação próxima a 10%, reforça uma tendência importante do consumo: a busca por conveniência aliada à percepção de saudabilidade. É uma categoria que dialoga com diferentes momentos do dia, especialmente lanches intermediários, e que se beneficia de inovação constante em sabores, formatos e propostas de valor. Ainda assim, seu desempenho também reflete a necessidade de equilibrar preço e benefício percebido, sobretudo em um ambiente de consumo mais racional. O leite em pó, por sua vez, evidencia a relevância dos produtos com maior durabilidade e versatilidade. Além do consumo direto, ele ocupa um papel estratégico no abastecimento doméstico, funcionando como alternativa ao leite fluido em determinados contextos de preço ou logística. Já a categoria que reúne leite condensado e mistura láctea condensada ilustra com clareza a dinâmica de substituição que vem ganhando força no mercado. Embora o leite condensado tradicional ainda concentre a maior fatia, a mistura láctea tem avançado impulsionada por seu posicionamento mais acessível. Esse movimento revela um consumidor atento ao custo, disposto a ajustar escolhas sem necessariamente renunciar a determinadas ocasiões de consumo, como sobremesas e preparações caseiras. As demais categorias, apesar de menor participação individual, desempenham papéis relevantes ao ampliar o portfólio e atender nichos e ocasiões específicas. Muitas delas estão associadas a momentos de consumo mais definidos ou a propostas de valor específicas, como indulgência, praticidade ou funcionalidade, contribuindo para a diversificação da oferta e para a captura de diferentes perfis de consumidor. Essa leitura do faturamento por categoria vai além de uma fotografia do mercado. Ela indica caminhos claros de posicionamento, portfólio e captura de valor: 1. Queijos são o principal motor de valor e ainda têm espaço para sofisticar: a liderança da categoria não se explica apenas por volume, mas pela capacidade de transitar entre o básico e o premium. Há espaço para capturar mais valor via segmentação (fatiados, porcionados, conveniência) e diferenciação (origem, qualidade, indulgência). Trabalhar bem mix e exposição no ponto de venda é decisivo. 2. Muçarela e requeijão sustentam o dia a dia e pedem eficiência: são produtos de altíssima frequência e forte presença nos lares. Aqui, competitividade passa por escala, eficiência operacional e consistência de qualidade. Pequenos ganhos de participação geram grande impacto em faturamento. 3. Leite UHT exige estratégia de margem, não de volume: é uma categoria essencial, mas cada vez mais pressionada por preço. Crescer apenas via volume tende a comprometer rentabilidade. O desafio está em capturar valor com diferenciação possível (ex: versões alto teor proteico, sem lactose, com identificação de origem) e gestão fina de custos. 4. Iogurte confirma a força da conveniência com saudabilidade: o desempenho da categoria mostra que o consumidor responde bem a propostas práticas com apelo de bem-estar. Inovação em formatos, ocasiões de consumo e comunicação de benefícios é importante, mas precisa vir acompanhada de preço percebido como justo. 5. Mistura láctea não é exceção. É tendência estrutural de trade down: o avanço das misturas frente ao produto tradicional revela um consumidor mais sensível ao preço, que ajusta escolhas sem abandonar categorias. Ignorar esse movimento pode significar perda de mercado. Portanto, entender como posicionar portfólio em diferentes faixas de preço passa a ser essencial. 6. Leite em pó ganha relevância como produto de segurança e flexibilidade: sua presença reforça o papel de categorias que oferecem maior durabilidade e adaptabilidade ao orçamento doméstico. Em cenários de incerteza, tendem a ganhar espaço relativo. 7. Categorias menores não devem ser avaliadas apenas pela participação, mas pelo papel que cumprem: diferenciação, margem, inovação ou ocupação de nichos. Um portfólio eficiente não é só concentrado, é bem estruturado.
MILKPOINT
CONCURSO
Vencedores da categoria SuperOuro na Expoqueijo Brasil relatam valorização de 60% de seus produtos
Depois de conquistar o troféu Super Ouro da ExpoQueijo Brasil – Araxá International Cheese Awards, considerado o maior concurso queijeiro da América Latina, o produtor mineiro Jayme Porfírio viu a realidade de sua pequena queijaria familiar mudar rapidamente. O queijo Pedra do Segredo, produzido em Alagoa, no Sul de Minas Gerais, registrou aumento de 60% no valor comercial, ganhou fila de espera e ampliou a procura de consumidores de diferentes regiões do país.
Seu queijo artesanal maturado por dez meses alcançou a maior pontuação geral entre mil amostras inscritas no principal concurso de queijos das Américas. Para o produtor, o prêmio consolidou um processo de valorização que começou um ano antes, com a conquista de uma medalha de ouro na ExpoQueijo Brasil de 2024. “Muitas portas se abriram para o nosso queijo, que passou a ter muita procura e uma valorização significativa no preço”, afirma. Segundo Jayme, o impacto da premiação alterou diretamente a dinâmica da produção familiar. “Antes do concurso, já vendíamos toda a produção. Depois do Super Ouro, houve aumento de 60% no valor do queijo e hoje trabalhamos com fila de espera. Mesmo dobrando a produção, ainda estamos longe de suprir a demanda”, relata. A experiência do produtor mineiro é semelhante a de vencedores internacionais da ExpoQueijo Brasil – Araxá International Cheese Awards. Desde a criação do concurso, apenas três países conquistaram o troféu Super Ouro. A Itália venceu as edições de 2021 e 2022. A Argentina ficou com o título em 2023 e 2024. Já o Brasil entrou pela primeira vez na galeria de campeões em 2025. Os queijos vencedores passam a integrar permanentemente a galeria histórica da competição e deixam de disputar as edições seguintes. Segundo a organizadora da ExpoQueijo Brasil, Maricell Hussein, a proposta é preservar a autenticidade da conquista e incentivar a evolução contínua dos produtores. Primeiro país a conquistar o Super Ouro, a Itália consolidou sua presença na ExpoQueijo Brasil com produtos oriundos de uma das regiões mais tradicionais da produção artesanal europeia. Apenas a cidade de Bérgamo reúne nove Denominações de Origem Protegida (DOP). Pedro Domenghini Albano, representante da delegação italiana, afirma que as vitórias fortaleceram a conexão entre produtores italianos e o mercado brasileiro. “Estamos construindo uma conexão real entre o setor de laticínios da Itália e o Brasil. Vencer duas edições seguidas com queijos de Bérgamo foi uma emoção enorme”, destaca. A Argentina conquistou o Super Ouro em 2023 e 2024 com o queijo Cuatro Esquinas, produzido pelo queijeiro Mauricio Couly. Para ele, a vitória em Araxá representou reconhecimento internacional e valorização do trabalho desenvolvido na Patagônia argentina. “Ganhar durante dois anos consecutivos no Concurso Internacional da ExpoQueijo significou muito para nós como uma queijaria artesanal patagônica”, afirma. Segundo Couly, os prêmios ajudaram a ampliar a visibilidade dos queijos argentinos no cenário internacional. O produtor afirma ainda que o reconhecimento elevou o nível de exigência da própria produção.
GOVERNO DE MINAS/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar fecha perto da estabilidade após ataque dos EUA ao Irã
O dólar fechou a terça-feira quase estável ante o real, em um dia de avanço da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, após novos ataques dos EUA ao Irã frearem o otimismo quanto a um possível acordo de paz entre os países.
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,16%, aos R$5,0272. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 8,41% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,38% na B3, aos R$5,0355. Na segunda-feira, a moeda norte-americana à vista havia fechado o dia em leve baixa, com os investidores globais demonstrando otimismo quanto às negociações entre EUA e Irã. Na terça-feira, no entanto, o noticiário foi no sentido contrário, colocando em dúvida a possibilidade de um acordo entre os países. Os EUA realizaram novos ataques contra alvos no sul do Irã durante a madrugada, enquanto o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que a negociação de um acordo pode “levar alguns dias”. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou nesta terça-feira que os EUA violaram o cessar-fogo. Em reação, o petróleo Brent voltou a subir, para acima dos US$100 o barril em alguns momentos, e o dólar sustentou ganhos ante divisas como o iene, o euro e a libra. A divisa norte-americana também subiu ante boa parte das moedas de países emergentes, como a rupia indiana, a lira turca e o rand sul-africano. “O episódio da madrugada não favorece a percepção de que um acordo de paz esteja próximo e tende a aumentar a cautela dos agentes econômicos”, disse Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito. No Brasil, porém, o dólar variou em margens estreitas durante o dia, entre a cotação mínima de R$5,0034 (-0,31%) às 9h59 e a máxima de R$5,0393 (+0,39%) às 10h51, pouco se afastando da estabilidade durante a maior parte da sessão. Mais cedo, o Banco Central informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$1,765 bilhão em abril, rombo maior do que o déficit de US$200 milhões projetado por economistas em pesquisa da Reuters. O investimento direto no país (IDP) somou US$8,912 bilhões em abril, acima dos US$5,4 bilhões projetados e mais do que compensando o déficit nas transações correntes.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com Oriente Médio em foco
O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, com os preços do petróleo voltando a orbitar US$100, após ataques dos Estados Unidos contra alvos do Irã afetarem as perspectivas de um acordo de paz.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,88%, a 176.247,25 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 175.516,11 pontos na mínima do dia e marcando 177.815,95 pontos na máxima do dia. O volume financeiro somava R$19,46 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil registra déficit em conta corrente maior do que o esperado em abril
O Brasil registrou um déficit em transações correntes bem maior do que o esperado em abril, mas os investimentos estrangeiros diretos superaram as expectativas, informou o Banco Central na terça-feira.
O déficit em transações correntes alcançou US$1,765 bilhão em abril, com o acumulado em 12 meses totalizando o equivalente a 2,66% do Produto Interno Bruto. A expectativa em pesquisa da Reuters com especialistas era de um déficit de US$200 milhões em abril. No mesmo período do ano anterior houve saldo negativo de US$1,636 bilhão. No mês, os investimentos diretos no país alcançaram US$8,912 bilhões, contra US$5,4 bilhões projetados na pesquisa e US$5,371 bilhões em abril de 2024. No mês, a conta de renda primária apresentou déficit de US$6,801 bilhões, ante rombo de US$5,018 bilhões no mesmo período do ano anterior. Em abril, a balança comercial teve superávit de US$9,707 bilhões, contra US$6,957 bilhões no mesmo mês de 2024. Já o rombo na conta de serviços ficou em US$5,044 bilhões, contra US$4,091 bilhões em abril do ano anterior.
REUTERS
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