Ano 1 | nº 143 | 28 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/PR projeta recuo no valor de referência do leite a ser pago em junho/26
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 27 de maio de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Abril de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Maio de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
| LEITE PADRÃO E ESCALAS DE DESCONTOS E BONIFICAÇÕES – CONSELEITE PARANÁ | |||||||
| Parâmetro | Unidade | Limites Máx. de Desconto | Leite padrão | Limites Máx. de Bonificação | |||
| Teor | % Desconto | Teor | % | Teor | % Bonificação | ||
| GORDURA | % | 3,0 | -1% | igual a 3,50 | 0% | maior que 4,25 | 5,0% |
| PROTEÍNA | % | 2,9 | -1% | igual a 3,10 | 0% | maior que 3,40 | 5,0% |
| CCS | mil/ml | maior que 600 | -2% | igual a 500 | 0% | menor que 200 | 4,0% |
| CPP | mil ufc/ml | maior que 500 | -2% | igual a 300 | 0% | menor que 100 | 4,0% |
| VOLUME | litros/dia | 0% | Menor que 300 | 0% | maior que 3.000 | 8,0% | |
| Soma | -6,0% | 0% | 26,0% | ||||
Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) em março/26 e abril/26:
| Matéria-prima | Valores finais MARÇO/2026 | Valores finais ABRIL/2026 | Variação | |
| (Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26) | (Leite entregue em Abril/26 a ser pago em Maio/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 2,9999 | 3,3682 | 0,3683 | 12,28% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,3809 | 2,6732 | 0,2923 | 12,28% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,2380 | 2,5128 | 0,2748 | 12,28% |
(*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) projetados para Abril/26:
| Matéria-prima | Valores projetados ABRIL/2026 | Valores projetados MAIO/2026 | Variação | |
| (Leite entregue em Abril/26 a ser pago em Maio/26) | (Leite entregue em Maio/26 a ser pago em Junho/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,3847 | 3,1596 | -0,2252 | -6,65% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,6863 | 2,5076 | -0,1787 | -6,65% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,5251 | 2,3571 | -0,1680 | -6,65% |
(*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite/PR:
| Produtos | Mar/26 p/ Abr/26 | Parc. Abr/26 p/ Parc. Mai/26 |
| UHT | 15,91% | -8,73% |
| Mussarela | 13,60% | -5,74% |
| Demais Produtos | 2,74% | -4,58% |
| Valor de Referência | 12,28% | -6,65% |
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de maio de 2026 é de R$ 4,2999/litro.
SISTEMA FAEP
Conseleite/MG divulga valores de referência do leite a ser pago em junho com recuo de 2,9%
A diretoria do Conseleite Minas Gerais reunida no dia 27 de maio de 2026, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga:
A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Março/2026 a ser pago em Abril/2026. A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Abril/2026 a ser pago em Maio/2026. A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2026 a ser pago em Junho/2026.
| MATÉRIA-PRIMA | Volume | Gordura | Proteína | CCS | CBT |
| litros/dia | (%) | (%) | mil células somática s/ml | mil ufc/ml | |
| Maior Valor de Referência | 8.000 | 4,20 | 3,80 | 200 | 20 |
| Valor Médio de Referência | 500 | 3,70 | 3,25 | 400 | 80 |
| Valor Base de Referência | 160 | 3,30 | 3,10 | 400 | 100 |
| Menor Valor de Referência | 160 | 3,00 | 2,90 | 500 | 300 |
Valores da matéria prima posto propriedade em março/26 e abril/26:
| MATÉRIA-PRIMA | MARÇO/2026 | ABRIL/2026 | VARIAÇÃO | |
| Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26 (R$/l) | Leite entregue em Abril/26 a ser pago em Maio/26 (R$/l) | R$/litro | % | |
| Maior Valor de Referência | 3,0702 | 3,3435 | 0,2733 | 8,9% |
| Valor Médio de Referência | 2,6100 | 2,8423 | 0,2324 | 8,9% |
| Valor Base de Referência | 2,4366 | 2,6536 | 0,2169 | 8,9% |
| Menor Valor de Referência | 2,2561 | 2,4570 | 0,2009 | 8,9% |
Valores da matéria prima posto propriedade em abr/26 e projetados para mai/26:
| MATÉRIA-PRIMA | ABRIL/2026 | MAIO/2026 | VARIAÇÃO | |
| Leite entregue em Abril/26 a ser pago em Maio/26 (R$/l) | Leite entregue em Maio/26 a ser pago em Junho/26 (R$/l) | R$/litro | % | |
| Maior Valor de Referência | 3,3435 | 3,2453 | -0,0982 | -2,9% |
| Valor Médio de Referência | 2,8423 | 2,7589 | -0,0835 | -2,9% |
| Valor Base de Referência | 2,6536 | 2,5756 | -0,0779 | -2,9% |
| Menor Valor de Referência | 2,4570 | 2,3848 | -0,0722 | -2,9% |
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite MG:
| Produtos | Mar/26 p/ Abr/26 | Abr/26 p/ Parc. Mai/26 |
| Leite em Pó | 4,7% | 0,0% |
| Leite UHT | 17,3% | -7,1% |
| Mussarela | 13,5% | -4,1% |
| Leite Condensado | 3,5% | 0,2% |
| Demais Produtos | 6,0% | 0,1% |
| Valor de Referência | 8,9% | -2,9% |
Períodos de apuração: Mês de Março/2026: De 01/03/2026 a 31/03/2026. Mês de Abril/2026: De 01/02/2026 a 30/04/2026. Parcial de Maio/2026: De 01/05/2026 a 20/05/2026. Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada leite base se refere ao leite analisado que contém 3,30% de gordura, 3,10% de proteína, 400 mil células somáticas/ml, 100 mil ufc/ml de contagem bacteriana e produção individual diária de até 160 litros/dia. Os valores são posto propriedade incluindo 1,5% de Funrural.
CONSELEITE/MG
EMPRESAS
Frimesa acelera estratégia de expansão no estado de São Paulo, mirando 16% das vendas até 2030
A Frimesa, cooperativa agroindustrial com forte atuação no segmento de suínos e lácteos, acelera sua estratégia de expansão no estado de São Paulo com foco no consumo interno. Segundo o presidente executivo Elias José Zydek, a meta é que o estado paulista responda por 16% do volume total de vendas da cooperativa até 2030.
São Paulo concentra o maior mercado consumidor do Brasil, com cerca de 45 milhões de habitantes e renda per capita acima da média nacional. Para a Frimesa, ampliar a participação nesse estado representa acesso direto a um volume expressivo de demanda por proteína animal e derivados lácteos. A cooperativa, sediada no Paraná, já opera com estrutura de distribuição consolidada no Sul do país. A expansão para São Paulo exige investimentos em logística, presença em pontos de venda e fortalecimento de marca — movimento reforçado pelo recente rebranding da empresa. A Frimesa apresentou nova identidade visual como parte da estratégia de reposicionamento de mercado. A mudança de marca acompanha o plano de crescimento e busca ampliar o reconhecimento dos produtos fora da base geográfica tradicional da cooperativa. O movimento reflete uma tendência do agronegócio cooperativista brasileiro: diversificar mercados consumidores e reduzir dependência de exportações, especialmente em períodos de volatilidade cambial e pressões sanitárias internacionais. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de carne suína. O mercado interno absorve parcela relevante da produção, mas o setor enfrenta desafios como custo elevado de grãos — milho e farelo de soja são os principais insumos da suinocultura — e margens pressionadas ao longo da cadeia. Para cooperativas como a Frimesa, ampliar vendas no mercado doméstico representa uma alternativa para diluir riscos e estabilizar receita, independentemente das oscilações do mercado externo. A meta de 16% do volume total de vendas concentrado em São Paulo até 2030 representa um horizonte de quatro anos para a cooperativa estruturar canais, ampliar equipe comercial e ganhar espaço nas gôndolas nas grandes redes varejistas do estado.
SPACE MONEY/MILKPOINT
GOVERNO
Câmara aprova PEC que acaba com escala 6×1 e reduz jornada semanal para 40 horas
Proposta que institui duas folgas obrigatórias semanais ainda precisa ser aprovada em dois turnos pelo Senado. Redução de horas trabalhadas por semana será feita em duas etapas, sendo a primeira para 42 horas
A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (27), em dois turnos, a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com escala 6×1, quando seis dias de trabalho são seguidos de um dia de descanso. A proposta, que reduz a jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas, teve 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno. Na segunda votação, 461 parlamentares foram favoráveis e 19 votaram contra. A proposta precisava de ao menos 308 votos favoráveis. O texto aprovado é o parecer do deputado federal Leo Prates (Republicanos PB), que foi analisado horas antes na comissão especial criada para debater a mudança. A PEC aprovada na Câmara torna obrigatória a concessão de duas folgas semanais aos trabalhadores, uma delas preferencialmente aos domingos. O texto aprovado prevê que o direito a um dia mais de descanso passa a valer 60 dias depois da promulgação da emenda, quando também terá início a primeira de duas etapas na redução da jornada semanal, de 44 horas, como é hoje, para 42 horas. A segunda e última fase, a redução para 40 horas, será aplicada 12 meses depois. O texto ainda precisa ser aprovado com ao menos 49 votos entre 81 senadores, em dois turnos, pelo Senado antes de ser promulgado. O deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, classificou o dia como histórico e disse que as horas trabalhadas não podem ser a única medida de produtividade. Defendeu também que trabalhadores mais descansados produzem mais. O ministro da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), José Guimarães, que acompanhava a votação disse que o presidente Lula ligou logo após o resultado e mandou “parabenizar toda a Câmara”. A mudança prevista na PEC deve afetar mais da metade dos trabalhadores formais no Brasil. Segundo dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), banco de dados do governo federal, 35 milhões de pessoas com registro em carteira trabalham mais de 40 horas semanais, número que equivale a 58,38 % do total dos empregados. A redução na jornada, segundo a PEC, não pode resultar em redução salarial. Nos 60 dias depois da promulgação, empresas e categorias deverão negociar novos acordos e convenções coletivas para adequar suas atividades à nova jornada semanal máxima de 42 horas. Quando a emenda constitucional entrar em vigor, acordos que tratem de jornadas maiores serão considerados sem efeito. Caberá a esses acordos (quando a negociação vale para uma empresa) ou convenções (quando afeta toda a categoria) a definição dos regimes de escala e de compensação de jornada, e os casos de categorias com necessidades especiais como saúde, segurança, setor aéreo e plataformas de petróleo. A PEC aprovada na quarta na Câmara também cria uma regra especial que deverá afetar até 434 mil trabalhadores celetistas, que perderão o direito a um limite de horas trabalhadas e controle da jornada. A exceção afetará profissional com salários acima de 2,5 vezes o teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), que neste ano equivale a R$ 21.188,88. O número potencial de trabalhadores que perderão o direito considera dados da Rais de dezembro de 2025 levantados pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O fim do controle de jornada teve o apoio do governo Lula. Os ministros do Trabalho, Luiz Marinho, e da SRI, José Guimarães, deram aval à proposta após o relator subir a faixa salarial de R$ 16,8 mil para R$ 21,8 mil e excluir servidores públicos e celetistas de estatais e órgãos públicos. Outra exceção à regra geral prevista na PEC será aplicada aos funcionários de empresas com contratos com governos municipais, estaduais e federal. O texto estabelece que as novas regras só serão aplicadas quando houver o aditamento contratual, e em no máximo 12 meses após a publicação da emenda constitucional. A exceção valerá para contratos regidos pela legislação de licitações e contratos administrativos, de concessões e permissões de serviços e obras públicas e de parcerias público-privadas. A proposta de emenda à Constituição definiu que uma lei tratará da flexibilização das contratações de MEIs (microempreendedores individuais) e da atualização do teto de faturamento para esse enquadramento, atualmente em R$ 81 mil. A remissão a uma nova legislação integrou o acordo do presidente Lula com Hugo Motta pela votação da PEC com uma transição curta.
FOLHA DE SÃO PAULO
VEJA O QUE MUDA COM O FIM DA ESCALA 6X1
Jornada de trabalho. Como é: Limitada a oito horas por dia e 44 horas semanais. Como pode ficar: Limitada a oito horas diárias e 40 horas semanais, com dois descansos semanais remunerados, sendo um deles preferencialmente aos domingos; no primeiro ano, o limite será de 42 horas semanais.
Descanso semanal. Como é: Repouso semanal remunerado, preferencialmente aos domingos. Como pode ficar: Ficam garantidos dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Escala de trabalho e folgas. Como é: A escala de trabalho não está determinada na Constituição; empresas podem organizar a escala até o limite de 44 horas semanais. Como pode ficar: Texto prevê a escala de trabalho 5×2, mas mantém regimes especiais para determinadas categorias, conforme previsto em leis específicas, normas regulamentadoras, acordos e convenções coletivas. Hora extra. Como é: Salário deve ser acrescido em 50% a cada hora a mais trabalhada, com limite de duas horas extras por dia. Como pode ficar: Acordos e convenções coletivas poderão prever que, durante a transição, a jornada diária possa ter mais de oito horas para compensar a escala 5×2, sem que sejam pagas como extra. Trabalho aos domingos. Como é: O trabalho aos domingos não é proibido e é, inclusive, permitido para algumas categorias consideradas essenciais. Se houver trabalho nesse dia sem compensação prevista em lei, norma ou convenção ou acordo coletivo, a hora de trabalho deverá ser paga em dobro. Como pode ficar: A PEC mantém o domingo como um dia preferencial de descanso, mas não veta o trabalho neste dia, garantindo que categorias que precisem funcionar possam organizar suas escalas; vale a regra atual de compensação, que pode ser feita, inclusive, por banco de horas. Banco de horas. Como é: O trabalho em domingos e feriados pode ser compensado por meio de banco de horas se houver acordo ou convenção coletiva prevendo a medida. Como pode ficar: Não há nova regra prevista, e o banco de horas poderá ser adotado conforme as negociações entre empregadores e trabalhadores. Acordos e convenções coletivas. Como é: A Constituição e a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) garantem que acordos e convenções coletivas podem prever arranjos diferentes de leis e normas, desde que respeitem a Constituição; é o acordado sobre o legislado, reforçado na reforma trabalhista de 2017. Como pode ficar: A PEC mantém que acordo ou convenção coletiva de trabalho podem prever compensação de horários e outros arranjos de jornada, desde que respeitados os limites reforçando o acordado sobre o legislado. Superempregados. Como é: A reforma trabalhista de 2017 criou a figura do trabalhador hipersuficiente, que é aquele com diploma de nível superior e salário acima de dois tetos da Previdência Social; ele pode negociar diretamente com o empregador. Como pode ficar: A PEC coloca na Constituição a figura do ‘superempregado’, que é o trabalhador com diploma de nível superior e com salário acima de dois tetos e meio da Previdência, o que dá R$ 21.888,88 hoje. Neste caso, o profissional não terá controle de jornada
FOLHA DE SÃO PAULO
ECONOMIA
Dólar sobe ante real em meio à cautela sobre negociações entre EUA e Irã
O dólar fechou a quarta-feira em alta ante o real, em meio à cautela dos investidores em relação ao cenário no Oriente Médio, marcado por avanços e retrocessos nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã.
A moeda norte-americana à vista encerrou o dia com alta de 0,68%, aos R$5,0616. No ano, ela passou a acumular baixa de 7,79% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,46% na B3, aos R$5,0630. Durante o dia, a TV estatal do Irã disse que Teerã obteve um esboço de estrutura para um acordo com os EUA que restauraria a navegação no Estreito de Ormuz dentro de um mês, em troca de uma retirada militar norte-americana e do levantamento do bloqueio naval. Já a Casa Branca afirmou que a reportagem da TV estatal do Irã citando o esboço não era verdadeira. À tarde, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ainda não estava satisfeito em relação a um acordo, acrescentando que o país não estava discutindo a flexibilização das sanções contra o Irã. Neste cenário, o petróleo Brent cedeu na quarta-feira, para abaixo dos US$95 o barril. “O Brent caiu hoje com a notícia de uma minuta de entendimento entre EUA e Irã. O petróleo mais barato afeta negativamente o câmbio, por conta de estrangeiros que saem de empresas na bolsa brasileira”, comentou durante a tarde Jonathan Joo Lee, head da mesa de internacional e câmbio da Mirae Asset, ao justificar o avanço do dólar ante o real. “O maior fluxo (de saída de recursos do país) vai ser de Petrobras”, acrescentou. A influência trazida pelo exterior se sobrepôs inclusive aos dados de inflação divulgados pela manhã no Brasil. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma espécie de prévia da inflação oficial, subiu 0,62% em maio, mais que a taxa de 0,53% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Em abril, a taxa havia sido de 0,89%. Nos 12 meses até maio, o índice passou a acumular alta de 4,64% – acima da expectativa de 4,55% dos economistas e do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, de 4,5%. A abertura do indicador também sugeriu um cenário ainda de pressão de preços. A inflação de serviços, conforme cálculos do banco Bmg, acelerou de 0,02% em abril para 0,48% em maio. Para Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da Stonex, a pressão nos preços, causada pelo fechamento do tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz, tem se espalhado para além dos itens de energia, o que diminui o espaço para cortes da taxa básica Selic, hoje em 14,50% ao ano. “E a ideia de que vai ter menos cortes ou cortes mais devagar no Brasil favorece o rendimento dos títulos nacionais, favorece a atração de capital externo, e deveria fazer pressão baixista sobre a taxa de câmbio”, disse Mattos. Segundo ele, a pressão baixista não se materializou “talvez muito por conta ainda do cenário geopolítico mais complexo”. Durante a tarde, o Banco Central informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,062 bilhões em maio até o dia 22.
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Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, com as ações da Petrobras entre as maiores pressões, em meio ao declínio dos preços do petróleo no exterior, com investidores na expectativa de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã.
A Copasa chamou a atenção na ponta negativa, com a notícia de que fará mudanças na oferta de ações que deve privatizar a companhia, após propostas de potenciais investidores de referência ficarem aquém do pretendido pelo Estado de Minas Gerais. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,36%, a 175.947,95 pontos, de acordo com dados preliminares. Na mínima do dia, recuou a 175.554,89 pontos. Na máxima, avançou a 177.640,02 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$20,04 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
IPCA-15 sobe mais que o esperado em maio por energia e alimentos e supera teto da meta em 12 meses
O IPCA-15 subiu mais do que o esperado em maio e atingiu o nível mais alto para o mês em 10 anos, sob pressão dos preços de energia elétrica e alimentos, com a taxa em 12 meses superando o teto da meta do Banco Central. Em maio, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA15) subiu 0,62%, taxa mais alta para o mês desde 2016, quando foi de 0,86%.
O resultado mostrou desaceleração ante a taxa de 0,89% em abril, mas superou a expectativa de economistas levantada em pesquisa da Reuters de avanço de 0,53%. Os dados divulgados na quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que, nos 12 meses até maio, o índice passou a acumular alta de 4,64%, de 4,37% no mês anterior e expectativa de 4,55%. Com isso, a taxa supera o teto da meta perseguida pelo BC — 3,0% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual — pela primeira vez no ano. Em janeiro, o IPCA-15 subiu exatamente 4,5% no acumulado em 12 meses. “O IPCA-15 de maio veio acima das expectativas do mercado, mostrando que o processo de desinflação no Brasil segue lento e cheio de desafios. Apesar de uma desaceleração na comparação com abril, reforça que a inflação continua bastante disseminada, principalmente em alimentos e serviços”, destacou Pablo Spyer, conselheiro da Ancord (associação de corretoras e distribuidoras de valores). “A desaceleração do IPCA-15 é bem-vinda, mas não é suficiente para trazer maior tranquilidade ao Copom para a condução da política monetária”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter. “O contexto ainda é muito influenciado pelos choques de oferta, seja do petróleo, seja do clima, situação que deve continuar pressionada nos próximos meses com a elevada probabilidade de ocorrência de um El Niño forte, que deve pressionar os preços de alimentos e energia elétrica.” Em maio, os grupos Alimentação e Bebidas e Habitação se destacaram com altas respectivamente de 1,38% e 1,03% sobre o mês anterior. O avanço da alimentação no domicílio desacelerou a 1,73%, de 1,77% em abril. Apresentaram altas a batata-inglesa (26,29%), o tomate (12,97%), o leite longa vida (6,07%) e carnes (1,98%). Por outro lado, houve quedas em maçã (-2,32%) e do café moído (-2,09%). Já a energia elétrica residencial subiu 2,16% em maio e exerceu o maior impacto individual no IPCA15 do mês, quando passou a vigorar a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$1,885 a cada 100kWh consumidos. Desde janeiro, a bandeira adotada era a verde, sem cobranças adicionais. Transportes foi o único grupo com resultado negativo, com deflação de 0,33%, com os custos dos combustíveis passando a cair 1,47% após alta de 6,06% em abril. O etanol registrou queda de 2,73%, o óleo diesel caiu 2,04% e a gasolina recuou 1,32%. Já o gás veicular teve alta de 2,12% e as passagens aéreas aumentaram 3,25%. A inflação de serviços segue como ponto de atenção. Nas contas de Leonel de Oliveira Mattos, especialista em inteligência de mercados da StoneX, tanto o núcleo do IPCA-15 — que exclui os componentes mais voláteis de alimentação e energia — quanto os preços de serviços subiram 0,46%. “O cenário reforça uma percepção de pressão inflacionária mais persistente e disseminada no país. As pressões de preço inicialmente ligadas ao setor energético, impulsionadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz e pelas preocupações com a oferta global de petróleo, começam a se espalhar para outros segmentos da economia”, disse. A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção para o IPCA este ano é de alta de 5,04%, e de 4,01% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 em 13,25%. O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.
REUTERS
Dívida pública do Brasil sobe 1,9% em abril enquanto investidor busca proteção em título atrelado à Selic
A dívida pública do Brasil cresceu 1,91% em abril na comparação com o mês anterior sob efeito da despesa com juros e de um aumento nas emissões de títulos pelo governo, enquanto a volatilidade nos mercados tem levado investidores a buscar proteção, aumentando fortemente a demanda por títulos atrelados à taxa Selic.
A dívida pública federal do Brasil atingiu R$8,798 trilhões em abril, segundo dados do Tesouro Nacional apresentados na quarta-feira. O resultado reflete uma alta de 1,93% na dívida pública mobiliária interna, a R$8,462 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 1,28% e atingiu R$335,9 bilhões. As emissões da dívida interna somaram R$201 bilhões em abril, maior valor em 12 meses, enquanto os resgates totalizaram R$133 bilhões. Como resultado, a emissão líquida no mês ficou em R$68 bilhões, valor que se somou a uma apropriação positiva de juros de R$92,5 bilhões. Em meio ao cenário internacional volátil gerado pela guerra no Irã, o Tesouro disse que foi mantido o maior apetite dos investidores por títulos atrelados à Selic. Esses papéis acompanham a taxa básica de juros, sendo uma opção menos volátil do que títulos com remuneração parcialmente ou integralmente prefixada, que sofrem variações de preço em resgates antecipados. Em abril, os títulos flutuantes, atrelados à Selic, representaram 48,6% do estoque total da dívida, contra 47,7% um mês antes. Dados preliminares de maio mostram ainda que os títulos flutuantes tiveram participação relativa de 69,7% das novas emissões, contra 56% em abril. “É natural que os investidores demandem mais esse título para tirar o risco do mercado, se protegerem em relação ao movimento de volatilidade”, disse o coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro, Helano Borges Dias. O Plano Anual de Financiamento do Tesouro prevê que esse título responda neste ano por uma fatia de 46% a 50% do estoque, banda que Dias disse considerar “suficiente” para acomodar mais emissões, ponderando que ela pode ser alterada em setembro caso o Tesouro considere necessário. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, indicou nesta semana que a dependência do governo brasileiro de títulos atrelados à Selic na composição da dívida pode dificultar o trabalho da autarquia, já que elevações da Selic aumentam a renda dos detentores desses papéis e podem pressionar a inflação. Dias reconheceu que esse é um dos fatores que poderia reduzir a potência da política monetária, junto com outros “vários elementos”, como o crédito direcionado, que obedece a regras do governo. Segundo ele, o Tesouro trabalha com a perspectiva de redução da parcela desses títulos no longo prazo. “A gente entende que o processo de consolidação fiscal é fundamental para que a gente caminhe nessa direção, a gente vem fazendo esse trabalho”, disse, argumentando que a própria curva de juros futuros indica que ainda há espaço para o BC cortar os juros básicos, hoje em 14,50% ao ano. A reserva de liquidez –colchão de recursos para gestão da dívida pública– se recuperou no mês, ao passar de R$885 bilhões em março para R$1,092 trilhão em abril, uma alta nominal de 23,3%. O valor é suficiente para quitar 8,91 meses de vencimentos de títulos, contra 5,69 registrados um mês antes. De acordo com as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma ligeira alta no mês passado, indo de 12,20% ao ano em março para 12,22% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 13,92% ao ano em março para 14,08% no mês passado. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,10 anos em março para 4,12 anos em abril.
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Brasil tem fluxo cambial negativo de US$2,062 bilhões em maio até dia 22, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$2,062 bilhões em maio até o dia 22, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central, em um período que corresponde ao acumulado nas três primeiras semanas do mês.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$7,444 bilhões em maio até o dia 22. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de maio até o dia 22 foi positivo em US$5,383 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 18 a 22 de maio, saíram do país US$3,648 bilhões. No acumulado do ano, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$11,246 bilhões.
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Confiança da indústria volta a subir em maio e tem maior nível em um ano, mostra FGV
A confiança da indústria no Brasil voltou a subir em maio depois de queda no mês anterior, diante da melhora na percepção atual e cautela sobre os próximos meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.
O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 1,1 ponto na comparação com o mês anterior, chegando a 97,1 pontos, nível mais elevado em um ano, de acordo com os dados da FGV. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, avançou 2,2 pontos, a 98,7 pontos, maior patamar também desde maio de 2025, segundo a FGV. “Nas avaliações sobre o presente, notam-se sinais de melhora no nível da demanda e de normalização dos estoques após um mês dos primeiros impactos dos conflitos no Oriente Médio na maioria dos setores”, explicou Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, subiu 0,1 ponto, para 95,6 pontos. “Para os próximos meses, o sinal de alerta segue ligado entre os empresários, refletindo um ambiente de incerteza e possíveis impactos negativos sobre a produção e o ambiente dos negócios, sobretudo nos segmentos relacionados a bens de consumo não duráveis”, completou Pacini. “Enquanto persistirem as tensões no Oriente Médio, a indústria brasileira seguirá sensível ao preço do petróleo e a possíveis desarranjos nas cadeias de produção. Esse cenário externo dificulta a flexibilização da política monetária, importante para a atividade industrial”, disse. O Banco Central volta a se reunir em junho depois de reduzir a taxa básica Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, pregando cautela quanto aos passos adiante.
Reuters
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