Informativo Sindileite 141 26.05.2026

Ano 1 | nº 141 | 26 de maio de 2026

NOTÍCIAS

Tecpar inicia pesquisa para produção de insumos para diagnóstico da brucelose

O projeto contribuirá para aprimorar os métodos de diagnóstico e controle da doença, trazendo avanços à sanidade animal e à produtividade pecuária em todo o País. 

Para atender à crescente demanda nacional por antígenos para saúde animal, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) iniciou uma pesquisa voltada ao cultivo de cepas da bactéria Brucella spp., utilizada como insumo para o diagnóstico de brucelose bovina. O projeto contribuirá para aprimorar os métodos de diagnóstico e controle da doença, trazendo avanços à sanidade animal e à produtividade pecuária em todo o País. Atualmente, mais de 70% dos antígenos para diagnóstico da brucelose bovina são importados, o que impacta diretamente nos custos dos produtores e no bolso dos consumidores, já que o valor da importação é repassado ao preço na prateleira. A intenção é que o novo Centro de Insumos para Diagnóstico Veterinário (CIV) do Tecpar, que está em construção, se torne um polo nacional de produção destes insumos. Com o estudo, o instituto pretende definir parâmetros de produção e de escalonamento industrial da bactéria Brucella spp. Esse processo marca a transição do nível laboratorial (bancada) para a produção em larga escala. O Governo do Estado está investindo R$ 5,6 milhões na aquisição de novos equipamentos para o desenvolvimento da pesquisa. O recurso é destinado ao Tecpar por meio do Fundo Paraná, dotação orçamentária administrada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). O estudo faz parte da plataforma de projetos de Saúde Única do Tecpar, abordagem que reconhece a interconexão entre a saúde humana, animal e ambiental. A brucelose é uma doença bovina grave e representa um sério desafio para a saúde animal e a segurança alimentar. Além dos prejuízos econômicos para pecuaristas, a doença apresenta sérias implicações à saúde pública, já que pode ser transmitida ao ser humano por meio do consumo de carne e leite contaminados. O diagnóstico é essencial para o controle e prevenção da doença e para isso os antígenos utilizados nos testes sorológicos são fundamentais. Eles permitem identificar animais infectados, mesmo sem sintomas clínicos evidentes. A gerente do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários, Giselle Nocera, explica que a produção dos testes sorológicos depende do cultivo e inativação da bactéria Brucella abortus em larga escala. Segundo ela, por se tratar de um agente com potencial de transmissão ao ser humano, a manipulação da bactéria Brucella abortus deve ocorrer em laboratórios com classificação de Nível de Biossegurança 3 (NB-3), que contam com rigorosos protocolos de contenção e proteção biológica. Para a execução da pesquisa, o Tecpar vai implantar uma plataforma integrada de equipamentos projetada especificamente para o cultivo microbiano aeróbico. A tecnologia vai automatizar os processos de cultivo, limpeza e esterilização, aumentando a eficácia das pesquisas e os padrões de segurança e eficiência. Com a construção do novo Centro de Insumos para Diagnóstico Veterinário (CIV), o Tecpar busca resgatar a produção nacional de insumos para diagnóstico veterinário, aproveitando seu domínio técnico para fortalecer o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose Tuberculose (PNCEBT). Considerando que a brucelose bovina representa um grande desafio para a pecuária leiteira no Brasil, o Tecpar tem a intenção de fornecer insumos para o diagnóstico de brucelose e tuberculose bovina para os estados brasileiros que possuem o maior rebanho leiteiro, como Minas Gerais, Goiás, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No Paraná, serão beneficiados, especialmente, os municípios das regiões dos Campos Gerais e Região Oeste, que concentram a maior produção leiteira do Estado. Entre eles estão Carambeí, Castro, Toledo, Cascavel, Dois vizinhos, Cianorte, Francisco Beltrão, Cafelândia, Nova Aurora, Assis Chateaubriand, Palotina, Marechal Cândido Rondon e Santa Helena. A área total do CIV será de 3 mil metros quadrados e a capacidade produtiva prevista da planta é de 40 milhões de doses ao ano. O investimento do Governo do Estado na construção é de R$ 41,5 milhões, e mais R$ 30 milhões em equipamentos técnicos. Os recursos também são do Fundo Paraná.

AGÊNCIA ESTADUAL DE NOTÍCIAS

Conseleite/SC: projeção do preço médio a ser pago em junho sofre queda de 4,31%

A diretoria do Conseleite Santa Catarina aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, entregue em maio de 2026 e a projeção dos valores de referência para o leite pago em junho.

A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 22 de maio de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de abril de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de maio de 2026. Valores de referência da matéria-prima (leite):

Matéria-primaValores finais
Março/26
Valores finais
Abril/26
Variação
(Abril – Março)
(Leite entregue em Março/26 a ser
pago em Abril/26)
(Leite entregue em Abril/26 a ser
pago em Maio/26)
R$/litro
I – Leite acima do padrão
    – Maior valor de referência
2,92903,22530,2963
II – Leite Padrão
    – Preço de referência
2,38132,62220,2409
III – Leite abaixo do padrão
    – Menor valor de referência
2,20492,42800,2231
Matéria-primaValores finais
Abril/26
Valores projetados
Maio/26
Variação
(Maio – Abril)
(Leite entregue em Abril/26 a ser
pago em Maio/26)
(Leite entregue em Maio/26 a ser
pago em Junho/26)
R$/litro
I – Leite acima do padrão
    – Maior valor de referência
3,22533,0862-0,1391
II – Leite Padrão
    – Preço de referência
2,62222,5091-0,1131
III – Leite abaixo do padrão
    – Menor valor de referência
2,42802,3232-0,1048

Períodos de apuração: Parcial abril/2026: De 30/03/2026 a 26/04/2026; Parcial maio/2026: De 27/04/2026 a 17/05/2026. O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.

SISTEMA FAESC

NACIONAL

SINDILEITE SP: Incentivos fiscais impulsionam o agronegócio do leite em São Paulo

A política tributária adotada pelo Governo de São Paulo para o setor de lácteos, nas últimas duas décadas, tornou-se um exemplo de inteligência e de uma visão estratégica voltada ao fortalecimento da agroindústria, à geração de empregos e ao desenvolvimento econômico.

Como a política tributária adotada por São Paulo foi bem-sucedida, acreditamos que há argumentos e informações técnicas que sustentam a demanda pela prorrogação dos benefícios fiscais para lácteos até 2032, quando o ICMS será extinto e o IBS entrará em vigor. Esperamos, com isso, que a guerra fiscal também seja extinta. Ao criar um ambiente favorável ao crescimento da cadeia produtiva do leite, o Estado estimulou investimentos em tecnologia, modernização e ampliação da capacidade produtiva das indústrias de laticínios. Como resultado, houve aumento da produção de leite e derivados, geração de milhares de empregos e fortalecimento da competitividade das empresas paulistas. Além da previsibilidade tributária, contribuiu para melhorar a remuneração do produtor rural e impulsionou significativamente a arrecadação de ICMS do setor de laticínios em São Paulo. São Paulo é o maior mercado consumidor de lácteos do Brasil, estimado em cerca de um terço da produção nacional, correspondendo a aproximadamente entre 6 e 7 bilhões de e litros em equivalente-leite por ano. Desses, as fábricas paulistas são responsáveis pelo processamento de aproximadamente 2,5 bilhões de litros anualmente. A concessão de benefícios fiscais, especialmente por meio de créditos outorgados de ICMS, garantiu maior competitividade às indústrias locais frente a empresas de outras regiões. Esses incentivos abrangem produtos como queijos, requeijão, leite longa vida, iogurtes e leite fermentado, além da isenção do imposto nas operações internas com leite cru e pasteurizado e outros. Atualmente, essas medidas têm validade até 31 de dezembro de 2026. A adoção dessa política contribuiu para a expansão da produção, o aumento do emprego e o crescimento da arrecadação. Entre 2007 e 2025 o recolhimento de ICMS sobre produtos lácteos no estado registrou alta de cerca de 1700%. Parte desse desempenho é atribuída à modernização das indústrias, ampliação da capacidade produtiva e transferência de operações de outros estados para São Paulo. Levantamento do setor indica que, entre 2009 e 2023, foram realizados cerca de R$ 1,5 bilhão em investimentos, com previsão de mais R$ 2 bilhões até 2032. Os recursos foram aplicados principalmente em novas fábricas, aquisição de equipamentos, tecnologia e expansão de linhas de produção, com reflexos também na geração de empregos e na remuneração dos produtores de leite. A adoção dos incentivos ocorreu após um período de perda de competitividade. Em meados dos anos 2000, o processamento de leite no estado apresentava queda, enquanto outras regiões avançavam, impulsionadas por políticas fiscais mais atrativas. A partir de 2008, medidas como a concessão de crédito outorgado de 12% para queijos e requeijão — condicionada ao uso de leite produzido no estado — ajudaram a reverter esse cenário, estimulando tanto a indústria quanto a produção rural. Outras iniciativas semelhantes foram implementadas nos anos seguintes. Em 2011, o leite longa vida, iogurtes e leite fermentado passaram a contar com créditos outorgados, como forma de compensar mudanças na tributação e manter os preços ao consumidor. Esses ajustes permitiram equilibrar a carga tributária sem comprometer a competitividade do setor. Além do impacto econômico, os lácteos têm relevância social. Produtos como leite fluido, leite em pó, manteiga e diversos tipos de queijo integram a cesta básica nacional com alíquota reduzida ou zerada. No estado, o leite pasteurizado permanece isento de ICMS e é peça central de programas sociais, como o Viva Leite, que atende centenas de municípios por meio de entidades parceiras. Com a aprovação da Reforma Tributária, o cenário tende a mudar. Os incentivos fiscais estaduais serão gradualmente reduzidos entre 2029 e 2032, até sua extinção completa em 2033, quando o ICMS será substituído pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Para mitigar impactos, foi criado um fundo de compensação destinado a empresas que perderão benefícios nesse período de transição. Diante dessas mudanças, o setor defende a prorrogação dos incentivos até 2032, alinhando sua vigência ao prazo final do ICMS. A avaliação é de que a manutenção das políticas atuais pode garantir estabilidade ao ambiente de negócios, preservar investimentos e sustentar o nível de competitividade alcançado pela indústria de lácteos paulista nos últimos anos.

SINDILEITE SP

INTERNACIONAL

A gordura do leite está de volta: as novas oportunidades para a indústria de laticínios nos EUA

A nova era para os laticínios, segundo especialistas dos EUA, é definida por dois marcos importantes: a publicação das Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030 e a aprovação histórica da Whole Milk for Healthy Kids Act.

Durante a reunião de primavera de 2026 da Dairy Sustainability Alliance, em Illinois, Estados Unidos, um painel de especialistas se reuniu para discutir o que chamaram de uma “nova era para os laticínios”. Essa era é definida por dois marcos importantes: a publicação das Diretrizes Alimentares para Americanos 2025-2030 e a aprovação histórica da Lei de Leite Integral para Crianças Saudáveis. Moderada por Dana Engel, do National Dairy Council, a sessão reuniu as perspectivas de uma produtora de leite e nutricionista, uma especialista em nutrição escolar e uma especialista em regulamentação. Juntas, elas traçaram o retrato de uma indústria que sai de uma postura defensiva para um período de crescimento, impulsionado pela ciência que finalmente reconhece os benefícios dos laticínios integrais. As Diretrizes Alimentares (DGA) servem como base para todos os programas federais de nutrição, desde merendas escolares até o WIC. Abby Copenhaver, produtora de leite em Nova York e nutricionista registrada, destaca uma mudança significativa na forma como essas diretrizes são apresentadas. Enquanto as versões anteriores eram documentos extensos de 170 páginas, a versão 2025-2030 foi condensada em uma estrutura objetiva de nove páginas focada em oito mensagens centrais. Os laticínios aparecem com destaque em três dessas oito mensagens, especificamente em relação à ingestão de proteína, ao consumo de lácteos e — o mais notável — à incorporação de gorduras saudáveis. Pela primeira vez em décadas, as diretrizes abandonaram a exigência rígida de produtos sem gordura ou com baixo teor de gordura, abrindo espaço para opções de laticínios integrais ao longo de toda a vida. “Este é um momento realmente empolgante para os laticínios e a nutrição”, observa Copenhaver. Ela ressalta que, embora a indústria tenha travado uma longa batalha contra o equívoco de que as gorduras lácteas contribuem para doenças cardiovasculares, as novas diretrizes refletem mais de 20 anos de pesquisas — grande parte financiada pelos próprios produtores — mostrando resultados neutros ou positivos para a saúde associados aos laticínios integrais. Apesar da recomendação de três porções de laticínios por dia, o americano médio atualmente consome apenas cerca de 1,5 porção. Copenhaver interpreta isso tanto como uma crise de saúde pública quanto como uma enorme oportunidade de mercado. “Se conseguíssemos simplesmente fazer as pessoas consumirem essas três porções completas, estaríamos falando de muito mais leite”, afirma. O desafio está na educação. Copenhaver argumenta que, durante anos, o visual do MyPlate relegou os laticínios a um pequeno círculo lateral, fazendo parecer que eram um detalhe secundário ou um complemento opcional. A nova era da comunicação precisa reposicionar os laticínios como um grupo alimentar fundamental, essencial para tudo, desde o desenvolvimento cerebral infantil até a manutenção da massa muscular em idosos. Enquanto as Diretrizes Alimentares fornecem a base científica, a Whole Milk for Healthy Kids Act de 2025 fornece a força legislativa. Assinada em 14 de janeiro de 2025, a lei restabeleceu a opção de as escolas servirem leite integral e leite com teor reduzido de gordura (2%) — opções que haviam praticamente desaparecido das cantinas desde 2012. Katie Bambacht, vice-presidente de assuntos nutricionais do National Dairy Council, explica que a implementação já está avançando rapidamente. Poucas horas após a assinatura da lei pelo presidente, o USDA emitiu orientações permitindo que as escolas diversificassem seus refrigeradores de leite. Agora, as escolas podem escolher entre opções integrais, semidesnatadas, desnatadas e sem gordura, incluindo versões saborizadas e sem lactose. No entanto, a transição não é tão simples quanto trocar caixas de leite. As escolas enfrentam desafios operacionais significativos: Orçamentos apertados: os programas de nutrição escolar operam com margens extremamente reduzidas. Cada centavo adicional no custo de uma embalagem de leite precisa ser justificado. Limites calóricos: embora a lei exclua a gordura do leite dos limites semanais de gordura saturada, as escolas ainda precisam respeitar o total de calorias permitido nos cardápios. Logística: os processadores precisam ser capazes de atender à maior demanda por opções com maior teor de gordura. Para enfrentar esses desafios, o National Dairy Council lançou programas-piloto em estados como Arizona, Texas, Minnesota e Geórgia. Esses projetos medem três métricas principais: preferência dos estudantes, participação nos programas e — o mais importante — consumo efetivo.

DAIRY HERD MANAGEMENT

ECONOMIA

Dólar fecha em leve baixa ante o real com expectativa de acordo no Oriente Médio

O dólar fechou a segunda-feira com uma leve variação negativa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior, em meio ao otimismo de que Irã e Estados Unidos possam chegar a um acordo para encerrar a guerra.

O dólar à vista fechou com queda de 0,19%, aos R$5,0193. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 8,56% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,50% na B3, aos R$5,0245. A liquidez, no entanto, era limitada em função do feriado do Memorial Day nos Estados Unidos, com apenas cerca de 125 mil contratos de dólar para junho negociados até este fim de tarde. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar no sábado que os negociadores estão “chegando muito mais perto” de finalizar um acordo, nesta segunda-feira o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, disse que há uma “coisa bastante sólida sobre a mesa em termos de capacidade de abrir o estreito (de Ormuz)”. Durante a tarde, o jornal Nikkei informou que EUA e Irã estão discutindo um plano para abrir o Estreito de Ormuz cerca de 30 dias depois que os dois países chegarem a um acordo para encerrar as hostilidades. Neste período, o Irã removeria as minas colocadas no estreito. O otimismo de que possa haver um acordo levou o petróleo Brent a ser cotado abaixo de US$100 o barril durante toda a sessão, enquanto o dólar cedeu ante quase todas as demais divisas, incluindo o real, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano. O índice do dólar também cedia ante uma cesta de divisas fortes. “Estamos alinhados com o exterior, com o DXY (índice do dólar) ajustando. Há aí como pano de fundo um alívio no cenário geopolítico”, comentou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta com apoio externo, mas liquidez reduzida com feriado nos EUA

A bolsa paulista começou a semana com viés positivo, em meio ao forte recuo dos preços do petróleo no exterior, com a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã ocupando o centro das atenções.

A liquidez no pregão, porém, foi reduzida, sem a referência das bolsas norte-americanas, fechadas em razão de feriado nos Estados Unidos. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,91%, a 177.815,72 pontos, na máxima do dia. Na mínima, marcou 176.210,38 pontos. O volume financeiro somou R$14,54 bilhões, ante uma média diária de R$33,3 bilhões em maio. A alta na segunda-feira ocorre após o Ibovespa fechar em queda na última sexta-feira e cravar a maior sequência de perdas semanais desde 2018, em movimento ditado principalmente pela saída de estrangeiros das ações brasileiras. A trégua foi endossada particularmente pelo alívio dos preços do petróleo no exterior, com o barril sob o contrato Brent caindo quase 7% no final da tarde, a US$96,30. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse na segunda-feira que as negociações com o Irã estavam indo “bem”, mas alertou sobre novos ataques se elas falharem. Será “apenas um Grande Acordo para todos, ou nenhum Acordo”, escreveu no Truth Social. De acordo com o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, conclusões foram alcançadas em muitos tópicos, mas isso não significa que os lados estavam próximos de um acordo. O principal negociador do Irã e seu ministro das Relações Exteriores estavam em Doha para discutir um possível acordo, com as conversas focadas principalmente no Estreito de Ormuz e nos estoques de urânio.

Reuters

Focus traz inflação de 2026 acima de 5% e alta da projeção do IPCA para os próximos 12 meses

A projeção mediana do Relatório de Mercado Focus para a inflação suavizada nos próximos 12 meses subiu de 3,95% para 4,07%. Essa é a primeira alta depois de cinco semanas.

Para o IPCA cheio, a mediana do Focus superou 5%. A projeção passou de 4,92% na semana passada para 5,04% hoje. Essa é a décima primeira semana consecutiva de alta nesse indicador. Para o fim de 2027, a mediana também subiu, ficando em 4,01%. Para os anos de 2028 e 2029, as projeções ficaram inalteradas em 3,65% e 3,50%, respectivamente. O indicador de inflação suavizada ganhou relevância com a regulamentação da meta contínua, adotada a partir de 2025. Nesse regime, o cumprimento do objetivo é apurado pelo IPCA acumulado em 12 meses. A meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, e o alvo é considerado perdido se a inflação ficar fora desse intervalo por seis meses consecutivos. A projeção mediana para a Selic no fim de 2026 voltou a subir. No relatório de hoje, está em 13,25%. Para os próximos anos, a estimativa ficou inalterada. O mercado espera a Selic em 11,25% no fim de 2027 e em 10% no fim de 2028 e no fim de 2029. A mediana do Focus para o crescimento do PIB em 2026 teve leve ajuste, de 1,85% para 1,89%. Para 2027, caiu para 1,70%. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 2,0%. A mediana do Focus para o dólar no fim de 2026 caiu pela primeira vez, de R$ 5,20 para R$ 5,17. Para o fim de 2027, seguiu a trajetória de queda e recuou a R$ 5,26. As medianas indicaram ainda R$ 5,30 para o fim de 2028 e R$ 5,40 para 2029. O Focus considera, para o câmbio anual, a média da taxa em dezembro – e não a cotação do último dia útil do ano, como ocorria até 2020.

BROADCAST

Confiança do consumidor no Brasil recua em maio após dois meses de alta, diz FGV

A confiança dos consumidores brasileiros recuou em maio após dois meses de alta, influenciada principalmente pelas expectativas sobre o futuro, mostraram dados da Fundação Getúlio Vargas divulgados na segunda-feira

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da FGV teve no mês queda de 0,3 ponto, para 88,8 pontos. “Após dois meses de alta, a confiança do consumidor recua moderadamente num movimento de acomodação”, disse Anna Carolina Gouveia, economista do FGV IBRE. “O resultado de maio da sondagem reforça um cenário de manutenção das condições econômicas atuais, mas com maior cautela em relação à trajetória dos próximos meses”. O Índice de Expectativas (IE) recuou 1,0 ponto em maio, chegando a 91,3 pontos. Já o Índice de Situação Atual (ISA) avançou 0,8 ponto, alcançando 86,1 pontos, maior nível desde dezembro de 2014 (86,5 pontos). Entre os quesitos que compõem o IE, o indicador de situação econômica local futura recuou 2,6 pontos, para 102,9 pontos, menor nível desde janeiro de 2026 (102,2 pontos).

Reuters

Alimentos e bebidas puxaram produção da agroindústria em março

Alta foi de 2,9% em março na comparação anual, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial. Indústria de alimentos sustenta crescimento e ajuda agroindústria a ficar no positivo

A produção das agroindústrias do Brasil teve crescimento de 2,9% em março, na comparação anual, puxada sobretudo pelos segmentos de alimentos e bebidas, de acordo com o Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio da FGV, o FGV Agro. O centro observou que o número de dias úteis de março deste ano foi maior que o de igual mês do ano passado, o que favoreceu o resultado, mas pode ter criado alguma distorção nas estatísticas. O desempenho das agroindústrias tem alternado entre altas e baixas nos últimos meses. Ainda assim, no acumulado do primeiro trimestre do ano, o resultado foi de aumento de 0,4%. Entre os segmentos, porém, o resultado foi distinto. Enquanto as indústrias de alimentos cresceram 2,7% e as de bebidas, 3,3%, as indústrias não alimentícias recuaram 2,7%. Segundo o FGV Agro, os segmentos associados à indústria de produtos alimentícios, de bebidas e de biocombustíveis estiveram entre os poucos da indústria de transformação com desempenho positivo no primeiro trimestre. As indústrias de alimentos e bebidas são as que vêm apresentando ganhos mais consistentes. Somente em março, o conjunto das indústrias desse segmento teve um aumento na produção de 5,1% na comparação anual, o que marcou a sétima alta seguida. Também foi o maior avanço para o mês de março desde 2022. O segmento de produtos de origem animal liderou os ganhos, com alta de 6,2%, dado o forte crescimento da produção de carnes e laticínios. Já o de alimentos de origem vegetal avançou 4,6%, impulsionado pela produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz e trigo. Houve ainda um aumento de 5% na produção da indústria de bebidas alcoólicas em março, o que contribuiu para que o segmento de bebidas crescesse 2,1%. Março também foi marcado pela quebra na tendência de retração do setor não alimentício. Após 11 meses de recuo na produção, esse conjunto de indústrias teve incremento de 0,1% no mês na comparação anual. O FGV Agro observou, porém, que a variação pode ser fruto do maior número de dias úteis em relação a março de 2025. O desempenho dessas indústrias não foi uniforme. Enquanto houve alta de 29,6% nos segmentos de biocombustíveis e de 1,6% na indústria de têxteis, houve retrações nos setores de insumos agropecuários (-2,2%), de produtos florestais (-4,7%) e de fumo (-4,4%).

VALOR ECONÔMICO

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