Ano 1 | nº 140 | 25 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Mercado global de leite: Oferta abundante, preços em queda e pressão sobre o Brasil
O mercado mundial de leite em 2026 está com oferta abundante e preços menores que a média.
A produção cresceu na Europa e nos Estados Unidos desde meados de 2024 e segue em expansão. Com mais leite no mercado global, os preços no GDT caíram mais de 25% em relação ao pico de 2025. As variações verificadas em 2026 indicam um cenário de estabilidade. Argentina e Uruguai, que são os principais fornecedores de lácteos para o Brasil, também estão produzindo mais. A Argentina vinha de quedas severas em 2023 e início de 2024, mas desde então se recuperou e está crescendo acima de 10% ao ano. O Uruguai também voltou a crescer. Com moedas desvalorizadas e custos menores, esses países conseguem vender para o Brasil a preços muito competitivos, o que aumenta a pressão sobre os produtores e laticínios nacionais. Um fator de risco importante no cenário externo é o conflito entre Estados Unidos e Irã, que fez o preço do petróleo disparar de US$ 57/barril em janeiro para US$ 112/barril no pico, recuando para US$ 95/barril mais recentemente. Isso impactou diretamente o preço do diesel no Brasil, afetando toda a cadeia do leite com a elevação do custo do frete de captação e distribuição. Fertilizantes e embalagens plásticas também ficaram mais caros por conta do petróleo, pressionando custos de ponta a ponta da cadeia. No Brasil, o custo de produção medido pelo ICPLeite/Embrapa acumulou alta de 3% só no primeiro quadrimestre de 2026, a mesma variação registrada em todo o ano de 2025. Esse ritmo de aceleração é um sinal de alerta, especialmente porque as previsões climáticas apontam para um super El Niño no segundo semestre que pode agravar a seca no Brasil Central e chuvas no sul do Brasil. Uma estiagem prolongada pode comprometer a produção de silagem e a formação de pastagens, pressionando ainda mais os custos com alimentação do rebanho. A economia brasileira também traz um cenário de cautela para o consumo de leite. O PIB deve crescer menos este ano, entre 1,7% e 2,0%. A Selic deve fechar o ano perto de 13% ao ano, e a dívida pública, que já chegou a 80,1% do PIB em março, deverá continuar crescendo, atingindo o maior nível desde a pandemia. Sob a ótica das famílias, o endividamento irá limitar o consumo e não está claro qual será o real efeito do programa de renegociação, o Desenrola, em fase de implantação pelo Governo Federal. Por outro lado, o mercado de trabalho ainda aquecido, dá os primeiros sinais de ter atingido o limite do número de novos postos de trabalho a serem gerados. O câmbio é outro ponto de atenção. Com o dólar próximo ou abaixo de R$ 5,00, os produtos importados ficam ainda mais baratos no Brasil. De janeiro a abril de 2026, as importações de lácteos cresceram 6,43% em relação ao mesmo período de 2025, chegando a quase 800 milhões de litros equivalentes, somente neste ano. No mercado interno, os preços no atacado subiram bastante, e esses aumentos chegaram rápido ao consumidor. Em abril, o leite longa vida aumentou 13,66% em média nas prateleiras dos supermercados. Muito acima da inflação geral de 0,67% e do grupo de alimentos e bebidas de 1,34%. Uma alta tão rápida preocupa porque, com renda apertada e muitas famílias endividadas, o consumidor tende a reduzir o consumo ou trocar por opções mais baratas oferecidas por laticínios, com a introdução de fermento e soro, por exemplo. A captação de leite registrou bateu recorde no primeiro trimestre e o preço real ao produtor, descontada a inflação dos custos pelo ICPLeite/Embrapa, encerrou março em R$ 2,39/L, com possibilidade de queda. O mercado de leite spot apresentou quedas sucessivas nos últimos períodos. Para os próximos meses, será fundamental acompanhar o câmbio, o volume de importações, a demanda do consumidor e os desdobramentos do conflito geopolítico, que seguem influenciando diretamente os custos e o mercado de leite no Brasil.
CANAL DO LEITE
Parasitas provocam perda de até 13 quilos por animal na pecuária brasileira, diz estudo
No gado de leite, perdas chegam a 7% da produção, de acordo com pesquisa. Custo dos produtos é citado como principal obstáculo ao tratamento do gado
A presença de parasitas no rebanho brasileiro provoca um impacto de 13 quilos de peso vivo por animal ao ano na pecuária de corte. No gado de leite, essa perda é calculada em 7% da produção anual. Os números fazem parte de uma pesquisa do Datafolha encomendada pela Boehringer Ingelheim, empresa alemã do ramo de saúde humana e animal. O estudo não calculou o impacto financeiro, mas a multinacional cita dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de 2024, que estima as perdas econômicas em mais de R$ 16 bilhões por ano. O cenário tem sido agravado pelo aumento da resistência dos carrapatos às moléculas tradicionais e pelas mudanças climáticas. “Quando há um clima mais quente, chuvoso e úmido, temos uma probabilidade maior do desenvolvimento dessa população de carrapatos”, avalia o diretor de Grandes Animais da companhia, Filipe Fernando. A pesquisa entrevistou 490 pecuaristas em 13 Estados. O carrapato lidera o ranking das ameaças, citado por 70% dos entrevistados como o parasita que mais preocupa. A mosca-dos-chifres aparece em segundo lugar, com 48%, seguida pelo berne, com 17%. O estudo mensurou não apenas o impacto na produção, mas também no manejo: 91% dos entrevistados afirmaram que seu rebanho já recebeu ou costuma receber produtos para prevenção e tratamento do carrapato. Ao mesmo tempo, apenas 20% utilizam calculadora de produtividade (ROI) para decidir sobre a compra de parasitários, indicando que a decisão raramente é orientada por uma análise formal de retorno econômico. “Quanto mais infecções por esses parasitas, além do impacto na redução do peso e na produção do leite, muitas vezes eu vou ter de fazer um manejo maior, despender mais mão de obra, mais tempo e mais energia para conseguir controlar”, observa Fernando. O custo dos produtos é citado como principal obstáculo por 47%. A dificuldade de mão de obra aparece na sequência, com 23%. Segundo Fernando, o avanço da resistência dos carrapatos está ligado principalmente ao uso repetitivo das mesmas moléculas ao longo dos anos, muitas vezes sem rotação de princípios ativos ou protocolos técnicos adequados. De acordo com ele, algumas regiões do país já apresentam populações resistentes a produtos tradicionais utilizados no controle parasitário, o que reduz a eficácia dos tratamentos e aumenta os custos do produtor. O representante da empresa diz que a Boehringer trabalha no desenvolvimento de uma nova geração de moléculas antiparasitárias. O produto ainda não tem previsão de lançamento. A multinacional investe globalmente cerca de 6 bilhões de euros em pesquisa e desenvolvimento (P&D) por ano. Na avaliação de Fernando, os números apontam que o Brasil tem condições de ampliar a produção de carne bovina sem necessidade de ampliar o rebanho. Nos Estados Unidos, principal concorrente da pecuária brasileira no mercado internacional de carne bovina, as perdas por carrapatos representam até US$ 19 bilhões anuais.
GLOBO RURAL
GOVERNO
Mapa informa liberação de 12,3 milhões de doses de vacinas contra clostridioses
Doses disponibilizadas entre 18 e 22 de maio incluem produtos nacionais e importados
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informa que, entre os dias 18 e 22 de maio, foram disponibilizadas 12.374.181 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional. Do total liberado no período, 6.405.600 doses (51,76%) são de fabricação nacional e 5.968.581 doses (48,24%) correspondem a vacinas importadas. Com as liberações realizadas desde março de 2026, o volume disponibilizado ao mercado nacional ultrapassa 39 milhões de doses, entre produtos nacionais e importados. O Mapa mantém atuação junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da produção nacional, viabilizar importações e acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas.
MAPA
INTERNACIONAL
Compras da Ásia do Norte fortalecem o mercado global de lácteos
O Evento 404 da Plataforma Global Dairy Trade (GDT 404) registrou alta de 0,6% no índice geral de preços, em um movimento moderado, mas relevante para a leitura atual do mercado lácteo internacional. O resultado reforça que a demanda por proteína láctea continua sustentando os preços globais, mesmo em um cenário de expansão da oferta de leite e aumento das incertezas logísticas e geopolíticas.
Os leites em pó voltaram a liderar a dinâmica do leilão. O leite em pó integral (WMP) avançou 1,2%, enquanto o leite em pó desnatado (SMP) teve leve alta de 0,2%. Ao longo do evento, a atividade de compra permaneceu firme, indicando continuidade da demanda nas principais regiões importadoras. O principal movimento do GDT 404 veio da Ásia do Norte. A região respondeu por quase 40% das compras realizadas no evento e liderou as aquisições tanto de WMP quanto de manteiga. O retorno mais ativo desse comprador altera a composição recente da demanda internacional e reforça o papel asiático na sustentação do mercado. Ao mesmo tempo, Sudeste Asiático e Oceania reduziram participação relativa no leilão, embora tenham permanecido como os principais compradores de SMP e Queijo Cheddar. O comportamento mostra um mercado mais segmentado por categoria de produto, com diferentes regiões concentrando interesse em grupos específicos de lácteos. Nas gorduras, os resultados foram mistos. A manteiga surpreendeu positivamente e subiu 2,5%, impulsionada pela forte concorrência entre compradores durante os lances. O desempenho superou as expectativas observadas anteriormente no mercado de derivativos. Em direção oposta, o AMF recuou 1,6%, evidenciando uma demanda mais seletiva para gorduras lácteas entre diferentes mercados compradores. A diferença de comportamento entre os produtos reforça que o suporte atual do mercado não ocorre de forma homogênea em todas as categorias. Mesmo com a produção global de leite em expansão nas principais regiões exportadoras, os fundamentos da demanda seguem oferecendo sustentação aos preços internacionais. Ainda assim, os elevados custos de frete, combustível e insumos continuam limitando o apetite dos compradores e mantendo o mercado em equilíbrio delicado. O resultado do GDT 404 indica que, neste momento, a demanda internacional continua conseguindo absorver o aumento da oferta, especialmente nos produtos ligados à proteína láctea. Mais do que uma alta pontual do índice, o leilão reforçou sinais de firmeza em segmentos considerados estratégicos para o comércio global de lácteos.
eDairyNews
ECONOMIA
Dólar sobe na sessão, mas fecha semana com queda acumulada de 0,74%
O dólar fechou a sexta-feira em alta, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em mais um dia de cautela nos mercados globais em relação às negociações de paz entre EUA e Irã.
O dólar à vista fechou em alta de 0,57%, aos R$5,0289. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,74% e, no ano, tem queda de 8,38%. Às 17h04, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,30% na B3, aos R$5,0310. Na quinta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou o dia praticamente estável, em meio a notícias conflitantes sobre as negociações entre EUA e Irã. Na sexta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que “houve algum progresso” nas negociações com o Irã, mas acrescentou que “há mais trabalho a ser feito”. Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se reuniu com o ministro do Interior do Paquistão, Syed Mohsin Naqvi, para discutir propostas para acabar com a guerra, informou a mídia iraniana. Teerã e Washington ainda seguem em desacordo sobre o estoque de urânio iraniano e os controles sobre o Estreito de Ormuz. Neste cenário, o dólar sustentou ganhos ante divisas fortes como o euro e o iene e exibia nesta tarde alguns ganhos ante divisas de países emergentes como o real e o peso chileno. As variações, no entanto, foram contidas, na ausência de notícias de impacto sobre a guerra no Oriente Médio.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda e acumula maior série de perdas semanais desde 2018
No setor de proteínas, MINERVA ON caiu 6,2%, em dia negativo para o setor de proteínas na bolsa brasileira, com MBRF ON recuando 4,05%. JBS, que tem suas ações listadas nos EUA, cedeu 0,53%.
O Ibovespa fechou em queda na sexta-feira, após dois pregões de trégua, ampliando a correção negativa desde que ultrapassou os 199 mil pontos em abril e cravando a maior sequência de perdas semanais desde 2018. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,81%, a 176.209,61 pontos. Na máxima do dia, chegou a 177.648,58 pontos. Na mínima, a 174.893,37 pontos. O volume financeiro somou R$20,96 bilhões. Com tal desempenho, o Ibovespa perdeu 0,61% na semana, a sexta seguida de baixa. A última vez que houve uma série de seis quedas semanais foi de 14 de maio a 18 de junho de 2018. Uma sequência maior, com sete semanas de queda, ocorreu apenas entre abril e maio de 2004. O ajuste negativo que começou em meados de abril, quando o Ibovespa superou pela primeira vez 199 mil pontos durante o pregão, tem sido guiado pela saída de investidores estrangeiros das ações brasileiras. O saldo em maio está negativo em R$11,7 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs), de acordo com dados da B3 até o dia 20. Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões – mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$44,8 bilhões. Estrategistas avaliam que tal reversão está relacionada à atenção renovada de investidores em tecnologia, favorecendo ações dos Estados Unidos e emergentes asiáticos, mas também à perspectiva de um ciclo de queda de juros mais lento no Brasil e incerteza eleitoral. No exterior, o índice acionário norte-americano S&P 500 encerrou em alta de 0,37%, orbitando sua máxima histórica. Nem o aumento de apostas de uma alta de juros nos EUA, após o diretor do Federal Reserve Christopher Waller afirmar que o Fed deveria eliminar o “viés de flexibilização” de seu comunicado de política monetária e efetivamente abrir a porta para um possível aumento dos juros, minou o fôlego em Wall Street, que ainda teve no radar a posse de Kevin Warsh como chair do Fed. Investidores também continuaram monitorando notícias sobre negociações para encerrar a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
REUTERS
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