Informativo Sindileite 94 17.03.2026

Ano 1 | nº 94 | 17 de março de 2026

NOTÍCIAS

Brasil importou menos leite em fevereiro de 2026

Queda foi de 16% em relação ao mesmo período de 2025

O que tem para ser contado é que as importações da indústria laticinista e dos distribuidores atacadistas brasileiros somaram o equivalente a 176,4 milhões de litros, o que representou um ligeiro aumento de 1,7% em relação a janeiro deste ano presente, mas uma forte queda de 16%, pareando com o período correspondente do 2025. Esta redução na comparação anual já é resultado da reação dos preços em geral nos principais países fornecedores do mercado internacional, incluindo a Argentina e o Uruguai, que é de onde vem praticamente 100% dos produtos de laticínios importados pelo brasil. No caso de vários produtos comprar lá fora agora já não está mais sendo vantajoso. Já na outra mão de direção e no mesmo período considerado, as exportações da indústria brasileira em fevereiro ficaram na quase insignificância de 5,1 milhões litros, mas com um significativo aumento de 27,4% sobre janeiro, porém com um tombo de 15% em relação a fevereiro do ano passado. Fazendo então uma subtração simples, o resultado é que a balança comercial do setor leiteiro brasileiro apresentou um buraco de 171,3 milhões litros, que é muito grande, mas assim mesmo, é 16% menor do que tinha sido no segundo mês do 2025. A previsão dos especialistas é de que o interesse na importação vai continuar diminuindo, mas pode ser que esta redução agora seja numa toada mais compassada. O caso é que, primeiramente, o preço pago ao produtor brasileiro enfim está subindo e a fraqueza do dólar em relação ao real compensa em parte a diferença de preço, beneficiando o exportador estrangeiro.

Terra Viva

Produtores de leite enfrentam início de ano difícil, mas setor projeta reação nos próximos meses

Baixa remuneração, clima adverso e importação pressionam atividade, enquanto produtores aguardam recuperação gradual dos preços no outono

Os primeiros meses de 2026 foram marcados por remuneração abaixo do esperado para os produtores de leite no Rio Grande do Sul. Em muitos casos, o valor pago pelo litro ficou inferior ao próprio custo da atividade. A avaliação é do presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang, ao analisar o comportamento do mercado no início do ano e as perspectivas para o setor. Segundo Tang, janeiro e fevereiro apresentaram um cenário especialmente difícil para as propriedades leiteiras. Conforme o dirigente, a situação se tornou insustentável em diversas fazendas. “Muitos produtores estão recebendo menos pelo litro entregue ao laticínio do que gastam para produzi-lo. Isso obriga o produtor a buscar alternativas para manter a atividade, como vender parte do rebanho ou recorrer a empréstimos para cobrir despesas e, consequentemente, acumulando dívidas”, explica. Embora a baixa remuneração seja uma realidade nacional, Tang ressalta que, no Rio Grande do Sul, o problema é agravado por fatores climáticos que vêm afetando o setor nos últimos anos. O Estado enfrentou uma sequência de estiagens, intercaladas com períodos de enchentes, o que dificultou a produção de alimento para os animais. Apesar do cenário negativo no início do ano, o presidente da Gadolando observa sinais de estabilização nos preços. Em fevereiro, segundo ele, a queda nos valores pagos ao produtor já foi menor e, no início de março, há indicação de um leve aumento. “A expectativa é de que a reação se consolide entre abril e junho, quando o preço do leite deve subir gradualmente, impulsionado por fatores de mercado e por mudanças sazonais no consumo”, projeta. Entre os fatores mencionados pelo dirigente está o retorno das aulas, que tende a elevar a demanda por produtos lácteos, além da chegada de períodos mais frios do ano. “Outono e inverno normalmente favorecem o consumo de leite e derivados, o que contribui para uma recuperação gradual dos preços”, afirma. Tang lembra que o comportamento do mercado costuma ser cíclico, com preços mais fracos entre novembro e janeiro e recuperação ao longo do outono.  “Esses meses de inverno são quando o produtor deveria conseguir formar um caixa para enfrentar o restante do ano. Quando isso não acontece, toda a sustentabilidade da atividade fica comprometida”, destaca. Outro fator que pode contribuir para reduzir custos neste período é o clima mais ameno. “Com temperaturas mais baixas, diminui o estresse térmico das vacas, o que melhora a produção. Além disso, após a colheita de grãos, muitos produtores conseguem implantar pastagens de inverno, reduzindo gastos com alimentação”, lembra.

Gadolando

Importação de leite pressiona produtores brasileiros e leva FPA a pedir investigação na Câmara

Proposta protocolada na Câmara quer auditoria do TCU sobre impacto de lácteos importados, principalmente de Argentina e Uruguai, no mercado brasileiro.

O aumento das importações de leite e derivados pelo Brasil levou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) a protocolar, na quinta-feira (12), uma proposta na Câmara dos Deputados para investigar os impactos dessas compras externas sobre a renda de produtores nacionais. A iniciativa foi apresentada pelo presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que solicitou a abertura de uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFC) para avaliar a atuação do governo federal na política de importação de lácteos e os efeitos sobre o mercado interno. O pedido inclui a realização de auditoria pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para analisar a evolução das importações, os países de origem e possíveis distorções comerciais que possam estar prejudicando a produção nacional. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, afirmou Lupion. Segundo o parlamentar, a fiscalização permitirá examinar a atuação de órgãos responsáveis pelo controle sanitário, política agrícola e comércio exterior. “Não se trata de fechar mercado, mas de garantir transparência e concorrência justa. O produtor brasileiro precisa competir em condições equilibradas,” explicou. O Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros, segundo dados do IBGE e da Embrapa. A atividade está presente em mais de um milhão de propriedades rurais, sendo uma das principais fontes de renda para agricultores familiares. Nos últimos dois anos, porém, produtores passaram a relatar forte pressão sobre os preços recebidos pela matéria-prima. Dados do setor indicam que o valor pago ao produtor chegou a cair mais de 20% em determinados períodos, em meio ao aumento da oferta interna e ao avanço das importações de leite em pó. Grande parte desses produtos vem de países do Mercosul, especialmente Argentina e Uruguai, que possuem forte presença no mercado exportador de lácteos. Nesse sentido, de acordo com o presidente da FPA, o objetivo é produzir um diagnóstico mais detalhado do setor. “Recebemos relatos constantes de cooperativas e produtores preocupados com a queda de renda no campo. A Câmara precisa acompanhar esse cenário de forma mais próxima,” destacou. A proposta apresentada na Câmara pretende avaliar se há diferenças regulatórias ou econômicas entre a produção nacional e os produtos importados.

AGÊNCIA FPA

ECONOMIA

Dólar fecha em forte queda com alívio de risco global

Após a recompra de títulos por parte do Tesouro Nacional, houve um alívio adicional nos mercados locais, incluindo o câmbio, com o dólar renovando as mínimas do dia

O dólar à vista encerrou o pregão da segunda-feira em queda forte frente ao real, de 1,6%. O movimento é reflexo da menor percepção de risco global. Na última sexta-feira, operadores de câmbio mencionaram um aumento forte em posições compradas em dólar diante da cautela em véspera de fim de semana. Como não houve um aumento nas tensões no Oriente Médio nos últimos dois dias, hoje esse “hedge” foi desfeito e o real se destacou entre as moedas mais líquidas acompanhadas pelo Valor. Na parte da tarde, após a recompra de títulos por parte do Tesouro Nacional, houve um alívio adicional nos mercados locais, incluindo o câmbio, com o dólar renovando as mínimas do dia. Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar comercial fechou negociado em queda de 1,60%, cotado a R$ 5,2294, depois de ter encostado na mínima de R$ 5,2263 e batido na máxima de R$ 5,2835. Já o euro comercial registrou desvalorização de 0,84%, a R$ 6,0184. Perto do fechamento, o real tinha o melhor desempenho frente ao dólar, na relação das 33 moedas mais líquidas, seguido por rand sulafricano e peso mexicano. No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,56%, aos 99,803 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar à vista recuou frente ao real, em um movimento de correção de excessos, dado que o último pregão foi marcado por forte aumento na posição comprada em dólar contra o real pelos agentes do mercado. “Foi um movimento de precaução contra qualquer fator de risco que pudesse surgir no fim de semana”, diz o profissional. “Mas hoje parte disso voltou, já que um estresse maior não se confirmou. Até porque é caro ficar arrastando posições compradas em dólar contra o real, ainda mais nesse cenário, que indica que o BC pode não cortar os juros, ou cortar muito pouco.” O economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, concorda que os juros elevados beneficiam o real e fazem com que o dólar não se sustente em níveis muito altos por muito tempo, mas também lembra que o fator petróleo também beneficia o real.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa encerra perto dos 180 mil pontos com alívio global do risco e recuo dos juros futuros

O recuo dos juros futuros favoreceu ações cíclicas domésticas, que ficaram entre as maiores valorizações do índice

O recuo nos preços do petróleo deu suporte para uma recuperação dos ativos de risco ao redor do mundo na segunda-feira, o que também beneficiou a bolsa local, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central. O movimento externo mais favorável foi amplificado ainda por fatores locais, como leilões de recompra de títulos prefixados e atrelados à inflação feitos pelo Tesouro Nacional, o que ajudou a reverter uma parte do forte estresse visto na curva futura na última sexta-feira. Na máxima do dia, a principal referência acionária local chegou a tocar os 181.255 pontos, mas perdeu força durante a sessão. À tarde, o leilão extraordinário do Tesouro, que recomprou 35,5% do lote de 10 milhões de títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs) para cinco vencimentos, fez o índice ampliar os ganhos. Na prática, a iniciativa do Tesouro levou a um recuo nas taxas dos papéis atrelados à inflação, o que foi bem-recebido por investidores locais. Depois, o Ibovespa devolveu um pouco da alta e, no fim da sessão, encerrou com ganho de 1,25%, aos 179.875 pontos, distante da mínima de 177.656 pontos. O recuo dos juros futuros favoreceu ações cíclicas domésticas, que ficaram entre as maiores valorizações do índice, caso de Magazine Luiza (5,35%) e Direcional (3,55%). Blue chips também subiram em bloco: as PN da Petrobras avançaram 2,04% enquanto as ON da Vale subiram 0,69%. Para o BTG Pactual, os papéis da Petrobras seguem muito atraentes, por se tratar de uma das poucas opções de investimento entre empresas integradas de energia de mercados emergentes listadas. Além disso, a equipe do banco afirmou que o perfil de produção robusto e de baixo custo coloca a companhia em posição competitiva frente a pares globais. A estimativa do banco é que, se o preço do petróleo Brent voltar para US$ 80 por barril e os preços domésticos de combustíveis forem ajustados, a volte a gerar fluxo de caixa excedente nos próximos trimestres. Apesar do alívio na percepção de risco visto hoje, Luis Castro da Fonseca, sócio fundador da Nest Asset Management, avalia que a forte volatilidade nos mercados deve continuar nos próximos dias, com movimentos mais expressivos tanto para baixo quanto para cima até que se tenha uma maior definição sobre os próximos passos no conflito no Oriente Médio. Embora o Ibovespa tenha se recuperado, o executivo afirma não ter notado uma mudança positiva que possa ter beneficiado mais o Brasil do que outros países, definindo que o ocorreu na sessão da segunda-feira foi uma melhora global que, por consequência, favoreceu as ações brasileiras. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 16,5 bilhões e de R$ 22,4 bilhões na B3. Em Wall Street, o dia também foi positivo. No fim, o Nasdaq avançou 1,22%; o S&P 500 ganhou 1,01%; e o Dow Jones teve alta de 0,83%.

VALOR ECONÔMICO

FOCUS: Mercado estima redução da Selic em 0,25 ponto esta semana

A taxa está no maior nível desde julho de 2006

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz, nesta semana, nova reunião para decidir sobre a taxa básica de juros, a Selic, e a previsão do mercado financeiro é que ela seja reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. A expectativa está no boletim Focus da segunda-feira (16), pesquisa divulgada semanalmente pelo BC com a expectativa de instituições financeiras para os principais indicadores econômicos. Apesar do recuo da inflação e do dólar, o Copom não interferiu nos juros pela quinta vez seguida, na última reunião, no fim de janeiro. A taxa está no maior nível desde julho de 2006, quando se situou em 15,25% ao ano. Em ata, o colegiado confirmou que começará a reduzir os juros na reunião de março, marcada para esta terça (17) e quarta-feira (18), caso a inflação se mantenha sob controle e não haja surpresas no cenário econômico. Ainda assim, os juros serão mantidos em níveis restritivos. Na semana passada, o mercado estimava um corte de 0,5 ponto percentual na Selic, mas o aumento das expectativas de inflação mudou este cenário. Entre as razões para esta revisão está o impacto econômico da guerra no Irã, com o aumento no preço do petróleo pressionando a inflação futura. Da mesma forma, a estimativa dos analistas de mercado para a taxa básica, até o final de 2026, foi elevada nesta edição do boletim Focus, com a previsão de redução passando de 12,13% ao ano para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, a projeção é que a Selic seja reduzida para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve chegar a 9,5% ao ano. A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – referência oficial da inflação no país – passou de 3,91% para 4,1% em 2026. Para 2027, a projeção da inflação permaneceu em 3,8%. Para 2028 e 2029, as previsões são de 3,5%, para ambos os anos. Apesar da alta, a estimativa para a variação de preços em 2026 se mantém dentro do intervalo da meta que deve ser perseguida pelo BC. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Em fevereiro, a alta dos preços em transportes e educação fez a inflação oficial do mês fechar em 0,7%, uma aceleração diante do registrado em janeiro, 0,33%. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado levou o IPCA a acumular alta de 3,81% em 12 meses. Já a estimativa das instituições financeiras para o crescimento da economia brasileira este ano variou de 1,82% para 1,83%. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB, a soma dos bens e serviços produzidos no país) ficou em 1,8%. Para 2028 e 2029, o mercado financeiro estima expansão do PIB em 2% para os dois anos. Nesta edição do boletim Focus, a previsão da cotação do dólar está em R$ 5,40 para o fim deste ano. No fim de 2027, estima-se que a moeda norte-americana fique em R$ 5,47.

AGÊNCIA BRASIL – EBC

Índice de atividade econômica do Banco Central tem alta de 0,80% em janeiro

Índice subiu 1% na comparação com janeiro de 2025

O IBR-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB (Produto Interno Bruto), registrou alta de 0,80% em janeiro na comparação com o mês anterior, segundo dados dessazonalizados divulgados pelo BC nesta segunda-feira (16). A expectativa em pesquisa da Reuters para o resultado de janeiro era de aumento de 0,85%. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um ganho de 2,3%, de acordo com números não dessazonalizados.

REUTERS

Tesouro recompra quase R$ 30 bi em títulos para conter escalada dos juros

Estratégia buscou conter disparadas nas curvas dos últimos dias. Investidores passaram a prever chance de Selic cair em um ritmo mais lento por causa da guerra no Irã

O Tesouro Nacional recomprou R$ 12,1 bilhões em títulos prefixados e R$ 15,4 bilhões em títulos IPCA+ (indexados à inflação) nesta segunda-feira (16), em uma intervenção no mercado depois de uma escalada nos juros futuros. A estratégia buscou conter a disparada das curvas de juros nos últimos dias, quando investidores passaram a colocar na conta a possibilidade de a taxa Selic cair em um ritmo mais lento do que o esperado. A medida foi anunciada pelo Tesouro pela manhã em um comunicado que dizia que o objetivo era “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”. Diversos bancos e corretoras anunciaram nesta segunda uma redução na expectativa de corte de juros pelo Copom na reunião desta semana. A compra de R$ 27,5 bilhões em títulos pelo Tesouro Nacional foi a maior atuação do órgão no mercado de juros desde 2020, quando foi declarada a pandemia de Covid-19. Naquele ano, o Tesouro comprou R$ 35,6 bilhões em títulos (em valores nominais), mas as operações foram diluídas entre os dias 13 e 26 de março. Nesta segunda, a intervenção líquida ficou em R$ 26,86 bilhões, já que, ao mesmo tempo, o governo emitiu R$ 650 milhões em novos papéis atrelados à inflação –um volume bastante baixo considerando o histórico de captações do Tesouro. Segundo técnicos envolvidos na operação, a entrada do Tesouro ajudou a “colocar a bola no chão” e dar tranquilidade ao mercado num momento em que as incertezas em torno da guerra no Irã deixaram o mercado de juros sem referências. Num momento como esse, em que há disparo de ordens de venda para estancar possíveis perdas, o órgão atua para dar saída a esses investidores e restabelecer o bom funcionamento do mercado. Entre agentes do mercado financeiro, chamou a atenção o fato de a atuação do Tesouro ter ocorrido em semana de decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa básica de juros, a Selic. Na prática, ao tirar pressão da curva de juros, o Tesouro reduziu o estresse sobre essa variável em uma semana decisiva. Segundo um interlocutor do governo, os técnicos chegaram a levantar a questão sobre se o órgão devia atuar ou não diante desse contexto, mas a orientação do comando do Tesouro foi a de que a avaliação técnica deveria prevalecer. Isso significa, na prática, que o órgão recebeu sinal verde para fazer o que julgasse ser mais apropriado para manter o bom funcionamento dos mercados. A avaliação é que, da mesma forma, o Banco Central deve adotar a mesma postura e fazer o que for necessário em relação à taxa de juros. Na avaliação desse interlocutor, o órgão foi bem-sucedido em transmitir o sinal de que está atento e disposto a agir rápido, com atuação técnica independentemente de ser ano eleitoral ou não.

FOLHA DE SÃO PAULO

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