Ano 1 | nº 129 | 08 de maio de 2026
NOTÍCIAS
NOTA DE CONJUNTURA ABRALEITE: O mercado de leite em abril de 2026.
O setor lácteo atravessa um momento de reajustes profundos e incertezas globais. A nova nota do CILEITE/Embrapa Gado de Leite, trazida pela ABRALEITE, acende o alerta para pontos que impactam o seu bolso, produtor
Cenário Global: As tensões entre EUA e Irã pressionam o petróleo, elevando custos de frete, embalagens e fertilizantes. A inflação global é um risco real para o crescimento. No Brasil: Assistimos a uma rápida recuperação de preços. O leite UHT no atacado saltou de R$ 3,27 para mais de R$ 5,00 em poucos meses, e o leite Spot atingiu patamares históricos de R$ 3,60. Essa recomposição de margens é vital após meses de baixa rentabilidade. O Alerta: Apesar da melhora nos preços ao produtor (R$ 2,39 em março), o cenário exige cautela. O endividamento das famílias e o PIB tímido (1,8%) podem frear o consumo. Além disso, o câmbio abaixo de R$ 5,00 estimulou importações recordes em março (235 mi de litros), aumentando a competição com o produto nacional. Estratégia: Custos com milho e soja seguem estáveis, mas o diesel e os insumos para a safra 26/27 pedem monitoramento rigoroso. É hora de gestão de caixa e planejamento de safra.
CILEITE / EMBRAPA Gado de Leite
CNA reforça denúncia de dumping contra leite em pó do Mercosul e aguarda decisão final da Camex
Investigação aponta margens superiores a 60% nas importações de leite em pó da Argentina e Uruguai; setor produtivo cobra medidas antidumping
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil protocolou nesta semana a manifestação final sobre a investigação de dumping envolvendo importações de leite em pó oriundas de países do Mercosul. O documento integra a etapa decisiva do processo conduzido pelo Departamento de Defesa Comercial, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e reforça os argumentos apresentados pelo setor produtivo desde o início da investigação, em 2022. A conclusão do caso está prevista para o final de maio e poderá resultar na aplicação de medidas antidumping contra importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Segundo a CNA, a nota técnica apresentada pelo Decom trouxe avanços considerados relevantes para o setor leiteiro nacional. Entre os principais pontos destacados estão: Reconhecimento da prática de dumping pelas origens investigadas; Indicação de prejuízos causados à cadeia produtiva brasileira; retomada do entendimento sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura; conforme os cálculos do departamento técnico, as margens de dumping identificadas após a análise das respostas de exportadores argentinos e uruguaios chegaram a superar 60%. O setor produtivo argumenta que as importações com preços abaixo do mercado vêm pressionando os valores pagos ao produtor brasileiro, reduzindo a competitividade da produção nacional. A entidade afirmou que o processo vem sendo conduzido com rigor técnico e dentro das normas nacionais e internacionais de comércio exterior. A CNA também destacou a atuação do Decom após a apresentação de novas provas pelo setor produtivo, reforçando a tese de que as importações em condições desleais afetaram diretamente a rentabilidade das propriedades leiteiras brasileiras. Em abril, o tema também foi discutido durante reunião do Comitê de Práticas Antidumping da Organização Mundial do Comércio. Na ocasião, representantes das origens investigadas solicitaram esclarecimentos sobre a condução do processo brasileiro, sem apresentar novos argumentos além dos já analisados durante a investigação. Segundo a CNA, não há contestação internacional formal nem pedido de abertura de solução de controvérsias no âmbito da OMC. A investigação entra agora em sua fase final. O próximo passo será o envio do Parecer de Determinação Final ao Comitê de Defesa Comercial da Câmara de Comércio Exterior. O tema deverá ser analisado pelo Grupo Executivo de Gestão da Camex (Gecex), colegiado composto pelo ministro do MDIC e secretários-executivos de dez ministérios. A expectativa do setor leiteiro é que o governo brasileiro reconheça oficialmente os prejuízos causados pelas importações e aprove medidas antidumping para equilibrar a concorrência no mercado. O setor considera a investigação estratégica para garantir maior competitividade à produção nacional e reduzir os impactos das importações sobre os produtores rurais brasileiros.
Portal do Agronegócio
O avanço da concentração de leite no Brasil e a força dos Top 100 produtores
Dados do Levantamento Top 100 2026 revelam que o grupo das maiores fazendas do país ampliaram sua participação no mercado formal, impulsionado pela tecnologia e gestão profissional.
O cenário da pecuária leiteira no Brasil atravessa uma transformação estrutural profunda, marcada por um movimento nítido de consolidação e aumento da escala produtiva. De acordo com os dados mais recentes do Top 100 2026, realizado pela MilkPoint em parceria com a ABRALEITE, as cem maiores propriedades leiteiras do país já respondem por 4,71% de todo o leite formalmente captado e inspecionado em território nacional. Embora esse grupo represente uma fatia numericamente pequena do total de pecuaristas, seu impacto no volume final entregue à indústria é um indicador vital para compreender para onde o setor está caminhando. Ao analisarmos a evolução histórica deste indicador desde a criação do levantamento em 2001, percebemos que a contribuição dessas fazendas líderes tem apresentado um crescimento consistente ao longo das últimas décadas. Este fenômeno não é meramente estatístico, mas reflete uma mudança qualitativa na base produtiva brasileira. O avanço da participação das maiores fazendas é o resultado direto de um processo de profissionalização acelerada, onde a adoção de sistemas produtivos intensivos, o investimento pesado em tecnologia e a implementação de gestões empresariais estruturadas permitem ganhos de eficiência que superam a média do mercado. A disparidade entre o número de produtores e o volume entregue torna-se ainda mais evidente quando observamos que o Brasil possui entre 200 e 240 mil produtores de leite inspecionado. O fato de apenas 100 propriedades, ou seja, meros 0,04% do total, serem responsáveis por quase 5% da produção formal evidencia um processo de concentração que não pode ser ignorado. Esse movimento sugere que a produção brasileira está se deslocando para mãos mais especializadas, onde a escala permite diluir custos fixos e aumentar a competitividade frente aos desafios do mercado global. O fenômeno da concentração atinge camadas ainda mais amplas quando olhamos para além das cem maiores. Dados complementares do levantamento de 2025 indicam a existência de um contingente expressivo de fazendas de médio e grande porte. Existem hoje cerca de 1.200 a 1.500 propriedades com produção superior a 5.000 litros diários que, sozinhas, já entregam um quarto de todo o leite formal do país. Quando reduzimos o sarrafo para produtores acima de 2.000 litros/dia, descobrimos que este grupo representa apenas 3,3% dos pecuaristas, mas detém uma fatia impressionante de 42,3% do leite inspecionado. Tal realidade impõe novos desafios e oportunidades tanto para os produtores quanto para a indústria de laticínios. Para as indústrias, lidar com um volume maior concentrado em menos pontos de coleta otimiza a logística e garante um padrão de qualidade mais homogêneo, facilitando o planejamento industrial. Para os produtores, essa tendência acende um alerta sobre a necessidade de busca constante por eficiência. O mercado brasileiro de leite caminha para um modelo onde a escala e a tecnologia não são mais diferenciais, mas pré-requisitos para a sustentabilidade do negócio a longo prazo.
MILKPOINT
Comissão debate criação de fundo para a cadeia produtiva do leite
O projeto de lei propõe a criação de um fundo financiado por parcela do Imposto de Importação incidente sobre produtos lácteos, com o objetivo de assegurar que parte dos recursos arrecadados seja revertida para o próprio setor produtivo nacional.
A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados realizou, na quinta-feira, 7 de maio, uma audiência pública para discutir o Projeto de Lei 431/26, que cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Cadeia do Leite. O debate estava marcado para as 10 horas, no plenário. O deputado Elton Welter, autor do projeto, afirma que o setor possui elevada relevância econômica e social, com forte presença da agricultura familiar e papel estratégico na segurança alimentar, na geração de renda no meio rural e no desenvolvimento regional. Por isso, considera fundamental a criação de um fundo voltado ao fortalecimento da cadeia produtiva do leite no Brasil. Um dos argumentos expostos em prol do projeto é de que o setor enfrenta recorrentes crises de renda, além de exposição às oscilações do mercado internacional e aumento das i9mportações de produtos lácteos. “O projeto de lei propõe a criação do fundo financiado por parcela do Imposto de Importação incidente sobre produtos lácteos, com o objetivo de assegurar que parte dos recursos arrecadados seja revertida em benefício do próprio setor produtivo nacional. A audiência permitirá o aprofundamento técnico da proposta, a análise de sua viabilidade jurídica e econômica, bem como a coleta de contribuições que possam subsidiar o aperfeiçoamento da matéria em tramitação nesta Casa”, explica Welter.
AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS
Leite: setor pede proteção e fundo nacional para produtores
Setor leiteiro quer tarifas e políticas contra importações para fortalecer produtores
Representantes do setor leiteiro defenderam nesta quinta-feira (7), na Câmara dos Deputados, a criação de um fundo financiado com recursos do Imposto de Importação de produtos lácteos para fortalecer a cadeia produtiva do leite no país. A Comissão de Agricultura da Câmara debateu medidas para proteger produtores de leite da importação de leite em pó de países do Mercosul. Durante o debate, participantes afirmaram que a importação faz parte de uma política desleal de preços. O fundo está previsto Projeto de Lei 431/26, apresentado em fevereiro pelo deputado Welter (PT-PR). A proposta prevê financiamento de ações voltadas ao fortalecimento da produção nacional, à estabilidade econômica dos produtores e ao desenvolvimento sustentável do setor. Representantes do setor afirmaram que o Paraná, segundo maior produtor de leite do país, é o estado mais afetado. O deputado estadual do Paraná Luis Corti (PSD) informou que o estado perdeu 40% dos produtores de leite. Segundo ele, o setor enfrenta custos elevados de produção e baixos preços pagos aos produtores. Corti criticou principalmente a entrada de leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. “Quando chega ao Brasil, esse leite é reidratado e, às vezes, como a polícia já denunciou, entra clandestinamente próximo da data de vencimento ou até vencido, trazendo riscos para a saúde pública.” O deputado estadual defendeu o Projeto de Lei 5738/25, já aprovado pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. A proposta proíbe a reconstituição de leite em pó e outros derivados importados para produção de leite líquido e queijo no Brasil. O consultor da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) Ronei Volpi afirmou que a cadeia produtiva do leite é uma das mais sensíveis do agronegócio. Segundo ele, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apresentou há dois anos um pedido de investigação antidumping ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, sem resposta até o momento. Dumping é a prática de vender produtos abaixo do custo para conquistar mercado e eliminar concorrentes. “Se houve dumping, nós precisaríamos, antes tarde do que nunca, impor tarifas compensatórias para a importação do leite”, disse Ronei Volpi. Segundo dados apresentados na audiência, das 1.200 cooperativas agropecuárias do país, 150 atuam na produção de leite e respondem por mais de 50% da produção nacional. O coordenador do ramo agropecuário da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Rodolfo Jordão, afirmou que a criação do fundo nacional do leite, prevista no Projeto de Lei 431/26, pode ajudar o setor em períodos de crise. “É um instrumento para garantir que, nos momentos de crise, a gente consiga reagir e, nos momentos de bonança, consigamos fortalecer a cadeia produtiva do leite.” Outro projeto debatido na Câmara dos Deputados propõe a criação do Instituto Nacional do Leite. A medida está prevista no Projeto de Lei 20/26. A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag), Vânia Marques Pinto, defendeu a proposta. “Se não houver medidas que garantam a criação de um fundo e de um instituto que planeje essa cadeia produtiva, num futuro bastante próximo nós vamos ter uma redução significativa dos agricultores familiares que hoje produzem leite.” Para o deputado Welter, autor do projeto que cria o fundo nacional do leite e do pedido para realização do debate, é preciso garantir apoio aos produtores. “Nós temos que achar o caminho para ter uma política nacional do leite, para apoiar os produtores que, muitas vezes, enfrentam dificuldades nessas crises, e a Câmara dos Deputados tem que dar uma resposta para esse setor.”
PORTAL DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
ECONOMIA
Dólar termina pregão estável no Brasil com mercado atento ao Oriente Médio
O dólar oscilou em margens estreitas e fechou a quinta-feira perto da estabilidade no Brasil, com as cotações reagindo ora positivamente ora negativamente ao noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.
O dólar à vista encerrou com leve alta de 0,05%, aos R$4,9230. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,31% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,15% na B3, aos R$4,9450. No início do dia, o mercado de câmbio repercutia notícias de que Irã e EUA estariam se aproximando de um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, com um esboço de estrutura que interromperia os combates. O plano estaria centrado em um memorando de curto prazo, em vez de um acordo de paz abrangente, com Teerã e Washington reduzindo suas ambições já que as diferenças persistem, principalmente em relação ao programa nuclear do Irã. Neste cenário, o dólar recuava ante boa parte das demais divisas, incluindo pares do real como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano, ainda que as quedas fossem modestas. No Brasil, o dólar à vista atingiu a cotação mínima de R$4,8958 (-0,51%) às 9h53, mas retornou para perto da estabilidade na sequência, ainda que o viés no exterior fosse negativo. Durante a tarde, as notícias sobre a guerra reduziram a força da moeda norte-americana em todo o mundo. Reportagem do Wall Street Journal afirmou que o governo dos EUA está buscando retomar o Projeto Freedom — operação que busca guiar navios comerciais pelo Estreito de Ormuz. Neste contexto, a Arábia Saudita e o Kuweit suspenderam restrições de acesso militar dos EUA a bases e espaço aéreo. O noticiário sobre o Estreito de Ormuz colocou em dúvida a capacidade de Irã e EUA de fato chegarem a um acordo — algo que justificou pela manhã certo otimismo entre os investidores. Em reação, o dólar à vista atingiu a cotação máxima de R$4,9324 (+0,23%) às 14h34, para depois voltar a se aproximar da estabilidade. No Brasil, investidores também monitoraram a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington. De acordo com Trump, o encontro com Lula foi “muito bom” e os dois discutiram comércio e tarifas.
REUTERS
Ibovespa tem queda forte em dia cheio de balanços e recuo do petróleo no exterior
O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista na quinta-feira, marcada pela repercussão de uma série de resultados corporativos, incluindo os números de Axia e Bradesco, que viram suas ações registrarem perdas expressivas.
A queda do petróleo no mercado internacional, em meio a expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, também reverberou na B3, minando as ações da Petrobras e de outras petrolíferas. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,5%, a 182.990,92 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 182.867,75 na mínima e marcando 187.779,31 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$28,72 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Balança comercial brasileira tem superávit de US$10,537 bi em abril com exportações mais fortes
Ganhos foram de 16,1% na agropecuária, com maiores vendas de soja, e de 11,6% na indústria de transformação, com vendas maiores de carnes e combustíveis.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$10,537 bilhões em abril, 37,5% acima do observado no mesmo mês de 2025 diante de uma aceleração mais intensa das exportações do que das importações, segundo dados divulgados na quinta-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O desempenho do mês é fruto de US$34,148 bilhões em exportações, uma alta de 14,3% na comparação com abril do ano passado, e US$23,611 bilhões em importações, elevação de 6,2%. O resultado do mês foi ligeiramente pior do que o esperado pelo mercado, que previa em pesquisa da Reuters um saldo positivo de US$10,9 bilhões. Nas exportações, houve alta dos embarques de todos os setores, com destaque para a indústria extrativa, que teve aumento de 17,9% puxado por alta na venda de minérios de cobre e de ferro. O valor exportado de petróleo aumentou 10,6% no mês, com um crescimento de 23,7% nos preços mais do que compensando um recuo de 10,6% no volume vendido. Os ganhos foram de 16,1% na agropecuária, com maiores vendas de soja, e de 11,6% na indústria de transformação, com vendas maiores de carnes e combustíveis. Do lado das importações, houve alta de 30,4% na chegada ao país de bens de consumo, crescimento de 19,7% em combustíveis e de 3,6% em bens de capital. Houve recuo de 1,2% nas compras de bens intermediários. No primeiro quadrimestre, o país acumulou um superávit comercial de US$24,782 bilhões, acima do saldo positivo de US$17,270 bilhões dos quatro primeiros meses de 2025.
REUTERS
Indústria nacional varia 0,1% em março e acumula alta de 3,1% em 2026
Informação foi divulgada ontem pelo IBGE
A produção industrial cresceu pelo terceiro mês consecutivo, ao variar 0,1% na passagem de fevereiro para março. Em 2026, o setor acumula expansão de 3,1%. Com esse resultado, a produção industrial está 3,3% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 13,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada na quinta-feira (6), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo a pesquisa, na passagem de fevereiro para março, as quatro grandes categorias econômicas e oito dos 25 ramos industriais pesquisados mostraram avanço na produção. “Entre as atividades, as influências positivas mais importantes foram assinaladas por coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,2%) e produtos químicos (4,0%), com a primeira marcando o quarto mês consecutivo de crescimento e acumulando expansão de 11,5% neste período; e a segunda eliminando o recuo de 1,5% verificado em fevereiro”, disse o gerente da PIM, André Macedo. Outras contribuições positivas sobre o total da indústria vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (1,1%), metalurgia (1,2%) e máquinas e equipamentos (1%). Por outro lado, entre as 16 atividades que recuaram na produção, bebidas (-2,9%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,9%) exerceram as principais influências na média da indústria, com a primeira interrompendo três meses consecutivos de avanço na produção, período em que acumulou crescimento de 8,5%; e a segunda intensificando a queda registrada em fevereiro de 2026 (-2,3%). “Vale destacar também os impactos negativos assinalados pelos setores de móveis (-6%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-4,1%), produtos alimentícios (-0,5%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (-3,9%), celulose, papel e produtos de papel (-1,3%), equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-2,3%), produtos de madeira (-4,4%) e produtos de borracha e de material plástico (-1,1%)”, afirma o IBGE.
AGÊNCIA BRASIL
Mercado de Trabalho/Cepea: Agronegócio emprega mais de 26% da população ocupada no País em 2025
Desempenho da agropecuária amplia a demanda por serviços de apoio e logística, intensificando a absorção de mão de obra nos agrosserviços.
O agronegócio brasileiro somou 28,4 milhões de trabalhadores em 2025, se configurando como um novo recorde, conforme indicam pesquisas realizadas pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Esse contingente representa 26,3% do mercado de trabalho nacional, participação superior à observada em 2024 (26,1%). Entre 2024 e 2025, o número de pessoas atuando no agronegócio avançou 2,2% (equivalente a pouco mais de 600 mil pessoas). Na mesma comparação, o mercado de trabalho brasileiro cresceu 1,7% (equivalente a 1,8 milhão de pessoas). Segundo pesquisadores do Cepea/CNA, o resultado do agronegócio foi impulsionado sobretudo pelo segmento de agrosserviços, que registrou aumento de 6,1% no número de trabalhadores. De modo geral, a expansão das ocupações nesse segmento está fortemente associada à retomada das atividades agroindustriais, que abrangem desde o processamento de produtos agropecuários até a produção de insumos, refletindo, em última instância, as transformações estruturais em curso no setor. Adicionalmente, o bom desempenho da agropecuária – impulsionado pela renovação de recordes de safras e de abates de animais – tem ampliado a demanda por serviços de apoio e logística, intensificando a absorção de mão de obra nos agrosserviços e contribuindo para o aquecimento do mercado de trabalho no agronegócio. O segmento de insumos avançou 3,4% em 2025 frente ao ano anterior. Pesquisadores do Cepea/CNA indicam que esse resultado foi impulsionado pelo desempenho positivo das indústrias de fertilizantes, defensivos, medicamentos veterinários e máquinas agrícolas. Para a agroindústria, o crescimento anual foi de 1,4%. Já o segmento primário registrou queda nas ocupações, de 1,1%, resultado reflete, sobretudo, a queda do contingente na agricultura, em contraste com a relativa estabilidade observada na pecuária.
De 2024 para 2025, houve crescimento no número de empregados com carteira assinada (4,6%, ou 440.337 pessoas) e sem carteira assinada (0,2%, ou 9.942 pessoas) – ambas as categorias atingindo os maiores níveis da série histórica –, além da expansão dos trabalhadores por conta própria (3,2%, ou 213.981 pessoas). No que se refere ao grau de escolaridade da população ocupada, em 2025, houve elevação do nível de instrução no agronegócio: reduziram-se os trabalhadores sem instrução (-7,6% ou 121.998 pessoas) e com ensino fundamental (-0,9% ou 101.876 pessoas), enquanto aumentaram os com ensino médio (4,2% ou 459.556 pessoas) e superior (8,3% ou 336.124 pessoas). A análise por gênero indica expansão da ocupação para ambos os grupos, com aumento de 1,9% no número de trabalhadores homens (ou 323.761 pessoas) e de 2,6% no contingente de trabalhadoras mulheres (ou 278.046 pessoas), sugerindo avanço, ainda que gradual, da participação feminina no mercado de trabalho do agronegócio.
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