Ano 1 | nº 132 | 13 de maio de 2026
NOTÍCIAS
CONAB E DIEESE APONTAM NOVA ALTA DA CESTA BÁSICA COM LEITE INTEGRAL EM ALTA NAS 27 CIDADES DO BRASIL
Custo da cesta básica de alimentos teve alta nas 27 capitais na variação entre março e abril, como mostra a Análise Mensal da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos; já se considerarmos os últimos 12 meses, o preço registrou queda em nove das capitais pesquisadas.
A edição de maio da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos já está disponível. Divulgado na última segunda-feira (11) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o levantamento indica que o custo da cesta ficou maior no mês passado em relação a março desse ano nas 27 capitais brasileiras. De acordo com análise da Superintendência de Gestão da Oferta da Companhia, as variações de preços dos combustíveis, consequência da guerra entre Irã e Estados Unidos, também trazem impactos nos preços dos produtos no varejo. “No entanto, essa influência varia de acordo com a cadeia produtiva a ser analisada. Cada setor tem suas particularidades e a influência que os combustíveis exercem na composição dos preços pode variar. Ainda assim, foi verificado aumento no custo nas operações de remoção dos produtos”, explica o gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Companhia, Gabriel Rabello. O estudo também mostra que ao considerarmos o período de abril de 2025 a abril de 2026, o preço do conjunto de alimentos básicos caiu em 9 das capitais pesquisadas. Já na análise mensal, entre março e abril deste ano, as principais altas ocorreram em Porto Velho (5,60%), Fortaleza (5,46%), Cuiabá (4,97%), Boa Vista (4,36%), Rio Branco (4,05%) e Teresina (4,02%). Ainda assim, São Paulo foi a capital onde o conjunto dos alimentos básicos apresentou o maior custo (R$ 906,14), seguida por Cuiabá (R$ 880,06), Rio de Janeiro (R$ 879,03) e Florianópolis (R$ 847,26). Dentre os produtos analisados, o leite integral registrou variação positiva em todas as 27 cidades. De acordo com a pesquisa, a redução da oferta no campo, devido à entressafra, elevou os preços dos derivados lácteos. O preço da batata também aumentou em todas as cidades do Centro-Sul, onde as cotações do alimento são pesquisadas, e a restrição de oferta do tubérculo pelo final da safra explica a elevação verificada no varejo. O valor médio de comercialização do feijão no varejo ficou mais elevado em 26 cidades, registrando queda apenas em Belo Horizonte (-1,07%). A demanda sustentou o preço do feijão carioca e impactou também o valor comercializado do grão preto. No caso do tomate, o aumento foi verificado em 25 cidades, com taxas entre 1,75%, em Recife, e 25,58%, em Fortaleza. O quilo do pão francês e o preço da carne bovina de primeira subiram em 22 capitais pesquisadas. O trigo em grão seguiu com oferta restrita e alta demanda, o que provocou aumento do custo das farinhas, refletindo nos valores praticados para o pão. A pesquisa também mostra que entre abril de 2025 e abril de 2026, o custo da cesta ficou maior em 18 capitais e menor em outras nove. As altas mais expressivas foram registradas em Cuiabá (9,99%), Salvador (7,14%) e Aracaju (6,79%). Já as quedas variaram entre -4,84%, em São Luís, e -0,34%, em São Paulo. Dentre os produtos analisados, os preços do arroz e do açúcar caíram em todas as praças pesquisadas nos últimos 12 meses. No caso do café e da manteiga, a queda foi registrada em 24 das 27 capitais.
Assessoria de Imprensa da Conab
LEITE, CENOURA E CEBOLA PUXAM A ALTA DOS ALIMENTOS
Grupo alimentação e bebidas foi o principal responsável pela inflação de 0,67% em abril; governo culpa clima e custos logísticos
Os preços dos alimentos continuaram pressionando a inflação em abril, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O grupo alimentação e bebidas registrou alta de 1,34% no mês e foi o principal responsável pelo avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que ficou em 0,67%. Entre os itens que mais encareceram estão a cenoura, com alta de 26,63%, o leite longa vida, que subiu 13,66%, e a cebola, com aumento de 11,76%. O tomate também apresentou forte elevação, avançando 6,13%, enquanto as carnes ficaram 1,59% mais caras. A alimentação consumida dentro de casa teve alta de 1,64%, refletindo principalmente os aumentos de hortaliças, laticínios e proteínas. Já a alimentação fora do domicílio subiu 0,59%, com reajustes em refeições e lanches. Além dos alimentos mais consumidos pelas famílias, outros produtos também sofreram pressão de preços nos últimos meses. Em março, por exemplo, itens como feijão-carioca, batata-doce, açaí e pimentão já haviam registrado aumentos expressivos, enquanto frutas como abacate, maçã e laranja apresentaram queda. Entre os produtos que ficaram mais baratos em abril, o destaque foi o café moído, com recuo de 2,30%, além do frango em pedaços, que caiu 2,14%. O governo federal atribui parte da pressão inflacionária às condições climáticas adversas, que afetaram as safras em diferentes regiões do país, além da elevação dos custos logísticos e do transporte. O diesel e outros combustíveis tiveram reajustes recentes, aumentando o custo do frete e impactando o preço final dos alimentos. Analistas do mercado financeiro avaliam que os alimentos devem continuar pressionando a inflação nos próximos meses, embora em ritmo menor do que o observado no início do ano. A expectativa é que a entrada de novas safras e uma melhora nas condições de oferta ajudem a reduzir parte da pressão sobre os preços no segundo semestre.
REVISTA DO OESTE
NACIONAL
ESTADO BRASILEIRO NÃO SE IMPORTA COM A REDUÇÃO DE PRODUTORES DE LEITE, DIZ CONSELEITE
Conselho enviou ofício ao governo cobrando política de apoio ao setor e estreitamento do diálogo frente ao aumento das importações
O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Estado do Rio Grande do Sul (Conseleite) enviou, na terça-feira (12), ofício ao governo federal cobrando medidas emergenciais e estreitamento do diálogo com o setor produtivo diante do avanço constante das importações de lácteos pelo Brasil. O documento foi endereçado ao Ministério da Agricultura e Pecuária, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e Ministério da Agricultura (Mapa). Segundo o coordenador do Conseleite, Kaliton Prestes, o momento é de preocupação com o aumento das cargas vindas de países do Mercosul. O setor busca medidas efetivas que permitam redução de custo de produção no Brasil, apoio à sanidade dos rebanhos e melhoramento da competitividade no campo e na indústria. “Queremos uma política clara que nos traga igualdade de condições para competir com os produtores no Uruguai e Argentina”, pontuou. Em um primeiro momento, a ideia do Conseleite é intensificar o diálogo entre o governo e as entidades do setor. “O Estado brasileiro assiste de braços cruzados à redução no número de produtores de leite e ao fechamento de propriedades, como apontam os dados oficiais do IBGE e da Ascar/Emater-RS. Até agora, nenhuma das políticas anunciadas foi efetiva para contornar esse problema”, lamentou. “Enquanto não atacarmos a raiz dessa questão, que é a entrada de leite importado, estudando salvaguardas, continuaremos em crise”, completou. O ofício enviado aos ministérios argumenta que o Brasil está entre os maiores produtores de leite do mundo, com produção anual próxima de 35 bilhões de litros. Conforme dados do IBGE e da Embrapa, a atividade leiteira está presente em mais de um milhão de propriedades rurais brasileiras, especialmente na agricultura familiar. “Nos últimos anos, entretanto, os produtores, cooperativas e indústrias brasileiras passaram a enfrentar forte pressão econômica em um cenário agravado pelo crescimento das importações de leite em pó, queijo e outros derivados lácteos dos países pertencentes ao Mercosul”, destaca o documento. Somente entre janeiro e abril de 2026, ingressaram no Brasil aproximadamente 65 mil toneladas de leite em pó e 18,2 mil toneladas de queijo. O volume representa o equivalente a cerca de 709 milhões de litros de leite e corresponde a 11 dias da produção nacional e, no caso de estados como o Rio Grande do Sul, a 60 dias de produção. No documento, foram relatados avanços importantes, como a retomada do entendimento anterior sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura, o reconhecimento da prática de dumping por ambas as origens e a indicação de que as importações causaram os prejuízos à produção de leite brasileira. Segundo os cálculos do Decom, após as respostas aos questionários realizadas por quatro exportadores argentinos e três uruguaios, foram encontradas margens de dumping que chegaram a superar 60%. Com a reunião prevista para o final de maio, a expectativa da CNA é que o Gecex reconheça os prejuízos trazidos pelas importações a preços de dumping e sejam aprovadas medidas antidumping para corrigir a prática.
CANAL RURAL
VAZIO FORRAGEIRO ELEVA CUSTOS, MAS CHUVAS AJUDAM A SUSTENTAR A PRODUÇÃO DE LEITE
O vazio forrageiro segue pressionando os sistemas de produção, levando os produtores a intensificarem o uso de suplementação, principalmente com silagem, para manter os níveis produtivos. Essa estratégia, embora necessária, eleva os custos. Por outro lado, as chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento das pastagens de inverno, permitindo o início do pastejo em diversas regiões.
O vazio forrageiro segue pressionando os sistemas de produção leiteiros, levando os produtores de leite gaúchos a intensificarem o uso de suplementação, principalmente com silagem, para manter os níveis produtivos. Essa estratégia, embora necessária, eleva os custos. Por outro lado, as chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento das pastagens de inverno, permitindo o início do pastejo em diversas regiões. Na região de Bagé, após uma queda significativa na produção em abril, já se observa leve recuperação na Campanha gaúcha. Esse movimento está associado ao aumento da oferta de pastagens de aveia, que contribuem com volume e qualidade na dieta das vacas. Com isso, foi possível reduzir parcialmente o uso de silagem — importante considerando que os estoques foram bastante utilizados em abril e ainda serão necessários nos próximos meses. As condições climáticas também favoreceram a qualidade do leite, com baixa contagem bacteriana e níveis adequados de sólidos, garantindo bonificações no preço. Em Caxias do Sul, a produção se mantém estável, sustentada pela suplementação com silagem de milho. Os animais apresentam boa condição corporal, beneficiados pelas temperaturas mais amenas. O estado sanitário é adequado, apesar de alguns casos de mastite e presença de ectoparasitas, que estão sendo controlados. Sistemas confinados e semiconfinados utilizam feno, pré-secado e silagem, enquanto propriedades a pasto também recorrem à silagem como complemento. A qualidade do leite permanece dentro dos padrões exigidos. Na região de Erechim, os rebanhos seguem em boas condições gerais. Produtores têm reduzido o acesso ao pasto e ampliado o uso de silagem e concentrados. Em sistemas confinados, há maior conforto térmico, mas também maior incidência de problemas de casco e lesões, especialmente em free stall. A umidade elevada aumenta os desafios sanitários, com maior risco de mastite e lesões. Na região de Santa Maria, as condições nutricionais são adequadas, mas o fim do ciclo das pastagens de verão tem reduzido a produção e o escore corporal, podendo elevar custos com suplementação. O controle de moscas e carrapatos segue em andamento. De forma geral, as condições climáticas têm favorecido o bem-estar animal, mas o período de transição entre pastagens segue elevando os custos de produção.
INFORMATIVO CONJUNTURAL EMATER/RS
EVENTOS
INTERLEITE 2026: UM ENCONTRO MARCADO COM A EVOLUÇÃO DO LEITE
O setor leiteiro vive um momento decisivo. Em um cenário cada vez mais competitivo, eficiência técnica, gestão orientada por dados e capacidade de adaptação deixaram de ser diferenciais para se tornarem fatores essenciais para a sustentabilidade e o crescimento da atividade.
É nesse contexto que o Interleite Brasil 2026 retorna a Uberlândia, entre os dias 18 e 20 de agosto, reafirmando seu papel como o principal ponto de encontro para quem faz o leite acontecer no Brasil. Com o tema “Capacitando e fortalecendo a produção de leite no Brasil”, o evento será uma verdadeira imersão em conhecimento aplicado, reunindo produtores, técnicos, consultores, pesquisadores e lideranças do setor em torno de um objetivo comum: transformar informação em resultado dentro da fazenda. Mais do que discutir tendências, o Interleite propõe caminhos práticos para produzir mais, com eficiência, rentabilidade e visão estratégica. Serão debates, experiências e conexões voltadas à tomada de decisão inteligente em um mercado que exige preparo e evolução constante.
INTERLEITE
Ferramenta inédita de hedge para lácteos será lançada nesta quarta (13), em Brasília
Uma nova ferramenta de hedge voltada ao mercado de lácteos será apresentada nesta quarta-feira (13), às 19h, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em Brasília (DF).
Uma nova ferramenta de hedge voltada ao mercado de lácteos será apresentada na quarta-feira (13), às 19h, na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em Brasília (DF). Desenvolvida pela StoneX, por meio da plataforma StoneX Leite Brasil, em parceria e com apoio da CNA, a iniciativa traz ao país um modelo já consolidado internacionalmente para gestão de risco no setor. A ferramenta tem como objetivo ampliar a previsibilidade de preços e a proteção de margens em um cenário de maior volatilidade, atendendo produtores, cooperativas, indústrias e demais agentes da cadeia leiteira. Durante o evento, serão detalhados o funcionamento da solução, seus potenciais impactos e as perspectivas para o mercado de leite no Brasil. A expectativa é de que a iniciativa contribua para a modernização da cadeia, com maior segurança nas decisões comerciais. O evento é fechado e voltado a convidados. Jornalistas interessados em acompanhar devem realizar credenciamento prévio. Serviço: Data: 13 de maio. Horário: 19h. Local: Sede da CNA, em Brasília (DF)
CNA
GOVERNO
Brasil registra primeiras operações com cotas tarifárias do Acordo Mercosul–União Europeia
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registrou as primeiras operações com utilização de cotas tarifárias previstas no Acordo Mercosul–União Europeia. Desde a entrada em vigor do acordo, em 1º de maio de 2026, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) já aprovou oito licenças de exportação e seis licenças de importação para produtos contemplados pelo mecanismo. Para os queijos, já há redução tarifária inicial prevista no acordo, com a alíquota passando de 28% para 25,2% dentro da preferência negociada.
As licenças de exportação emitidas até 10 de maio correspondem a operações de carne bovina fresca, carne bovina congelada, carne de aves desossada, cachaça, entre outras. No caso da carne de aves desossada e da cachaça, as exportações ingressarão na União Europeia com tarifa zero dentro das cotas previstas no acordo. Já a carne bovina passa a contar com duas frentes de acesso preferencial ao mercado europeu. A chamada Cota Hilton, mecanismo histórico já existente antes do acordo, previa tarifa de 20% para cortes nobres brasileiros. Com a entrada em vigor do tratado, essa tarifa foi reduzida a zero. Além disso, o acordo criou uma cota de 99 mil toneladas compartilhada entre os países do Mercosul. Antes do acordo, as exportações fora da Cota Hilton estavam sujeitas à tarifa de 12,8% mais € 304,10 por 100 kg. Agora, passam a recolher tarifa intracota de 7,5%. No caso das importações, as seis licenças emitidas autorizam operações de chocolates, tomates e queijos originários da União Europeia. Para os queijos, já há redução tarifária inicial prevista no acordo, com a alíquota passando de 28% para 25,2% dentro da preferência negociada. Para produtos como tomate e chocolate, as reduções tarifárias ocorrerão de forma progressiva a partir de 2027, mantendo-se, neste primeiro ano de vigência (“ano zero”), as mesmas tarifas atualmente aplicadas. As operações foram viabilizadas pelas Portarias Secex nº 491 e nº 492, publicadas em 1º de maio, que regulamentaram os procedimentos operacionais para utilização das cotas tarifárias no comércio bilateral entre Mercosul e União Europeia. As normas, posteriormente alteradas pelas Portarias nº 494 e nº 495, estabeleceram critérios e regras para a administração das cotas. Desde 1º de maio, a maior parte do comércio entre os dois blocos passou a operar com redução ou eliminação tarifária, sem restrições quantitativas e sem necessidade de utilização de cotas. Por isso, mais de 5 mil linhas tarifárias, o equivalente a 54,3% do universo tarifário, já passaram a contar com tarifa zero para ingresso na União Europeia. No Mercosul, 1.152 linhas tarifárias, equivalentes a 11% do total, também já operam com tarifa zero para produtos europeus. Para usufruir dos benefícios tarifários previstos no acordo, basta aos operadores seguir os procedimentos ordinários de comércio exterior e comprovar a origem da mercadoria, conforme as regras negociadas entre as partes. No caso específico dos produtos sujeitos a cotas tarifárias — que representam parcela reduzida do comércio bilateral, cerca de 4% das exportações brasileiras e 0,3% das importações —, a utilização das preferências exige procedimentos específicos de licenciamento e certificação no âmbito do Portal Único Siscomex. Toda a regulamentação necessária, bem como os ajustes operacionais e sistêmicos para implementação dessas operações, foi concluída a tempo da entrada em vigor do acordo. O sistema já opera plenamente para recepção, processamento e emissão das licenças vinculadas às cotas tarifárias previstas no tratado. O Portal Único Siscomex já opera plenamente para receber e processar os pedidos relacionados às cotas tarifárias do Acordo Mercosul–União Europeia, garantindo segurança operacional, previsibilidade e fluidez às operações de comércio exterior. No caso brasileiro, a operacionalização ocorre por meio do Portal Único Siscomex, onde importadores e exportadores registram os pedidos de licença vinculados às cotas previstas no acordo.
MDIC
ECONOMIA
Dólar fecha estável ante real enquanto segue impasse no Oriente Médio
O dólar voltou a oscilar em margens estreitas ante o real na terça-feira, até fechar perto da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas, em meio ao impasse entre Irã e EUA.
O dólar à vista fechou com leve alta de 0,08%, aos R$4,8949. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,82% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,12% na B3, aos R$4,9180. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que o cessar-fogo entre os países “respira por aparelhos”, uma autoridade do Irã disse nesta terça-feira que o país expandiu sua definição do Estreito de Ormuz para uma “vasta área operacional”, muito mais ampla do que antes da guerra. O tráfego de navios pelo estreito, por onde circulam 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo, seguiu prejudicado. À tarde, Trump afirmou que terá uma longa conversa com o presidente chinês, Xi Jinping, sobre a guerra no Irã durante sua viagem à China, mas acrescentou que não acha que precisa da ajuda de Xi. Mais tarde, Trump disse que tem “muitas coisas” para discutir com Xi, mas “não diria que o Irã é uma delas”. Sem um desfecho visível para a guerra, o dólar sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas, incluindo pares do real como o rand sul-africano, a rupia indiana e o peso mexicano. No Brasil, porém, a divisa alternou momentos de estabilidade e de leves altas, mas sempre se mantendo distante dos R$5,00. “A guerra veio, a guerra foi, e o dólar está abaixo de R$5,00”, comentou João Oliveira, head da mesa de operações do Banco Moneycorp. “As exportações e as entradas financeiras, para aproveitar a taxa de juros alta no Brasil, estão segurando as cotações”, acrescentou. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,67% no mês passado, desacelerando ante a taxa de 0,88% de março e contra projeção de 0,69% dos analistas consultados pela Reuters. Em 12 meses, o IPCA acumulou alta de 4,39%, ante 4,40% projetados. Mas a abertura do IPCA ainda demonstrou uma inflação pressionada em algumas métricas de serviços, o que coloca em dúvida o espaço do Banco Central para continuar o ciclo de cortes da taxa básica Selic ao longo do ano. Atualmente a Selic está em 14,50%.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com cena corporativa e inflação em foco
O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, perdendo o patamar dos 180 mil pontos na mínima do dia, em sessão marcada por noticiário corporativo intenso e dados de inflação no Brasil e nos EUA, além de nova alta do preço do petróleo no mercado internacional.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,80%, a 180.342,33 pontos, após marcar 179.938,70 pontos no pior momento. Na máxima, marcou 181.896,57 pontos. O volume financeiro somou R$29,11 bilhões. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 3,42%, a US$107,77, diante do enfraquecimento nas expectativas sobre um acordo entre Estados Unidos e Irã, que permita a reabertura do Estreito de Ormuz, relevante rota da commodity. O avanço nas cotações da commodity desde o começo do conflito no Oriente Médio, no final de fevereiro, tem preocupado investidores por causa do efeito na inflação e seus reflexos em políticas de bancos centrais no mundo. Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos, Willian Queiroz, há um medo de uma possível persistência da inflação no globo como um todo e como os BCs irão reagir a tal cenário. Na terça-feira, dados mostraram que o índice de preços ao consumidor nos EUA acelerou em abril, com a leitura em 12 meses registrando a maior alta em quase três anos, diante do avanço nos preços de combustíveis. Wall Street fechou com o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, em queda de 0,16%. No Brasil, o IPCA em 12 meses mostrou alta de 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. “Com os preços de petróleo elevados e na ausência de uma resolução do conflito no Oriente Médio, prevemos um período de inflação pressionada nos próximos meses”, afirmaram economistas do Bradesco ao comentar o IPCA.
REUTERS
IPCA desacelera em abril, mas taxa em 12 meses avança em meio à cautela do BC
A inflação brasileira desacelerou em abril um pouco mais do que o esperado pelos analistas, mas foi ainda mais para acima no acumulado em 12 meses em meio à cautela do Banco Central.
Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,67%, de alta de 0,88% em março, mostraram os dados divulgados na terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa em pesquisa de Reuters, de avanço mensal de 0,69%. O resultado levou a inflação acumulada em 12 meses a subir 4,39%, de 4,14% em março e projeção de 4,40%. A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O Banco Central decidiu no final de abril cortar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,50% ao ano, e argumentou que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente, mencionando possibilidade de ajuste do ritmo e da extensão do ciclo de “calibração” da taxa e ressaltando o distanciamento da inflação corrente da meta. Por trás da cautela do BC estão as incertezas em relação à guerra no Oriente Médio e seus impactos sobre a inflação. Em abril, as principais influências vieram dos grupos alimentos e bebidas, com alta de 1,34%, de 1,56% em março, e saúde e cuidados pessoais, que subiu 1,16%, de 0,42% no mês anterior. A alimentação no domicílio avançou 1,64%, com altas da cenoura (26,63%), do leite longa vida (13,66%), da cebola (11,76%), do tomate (6,13%) e das carnes (1,59%). “Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos”, explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves. Em saúde, os produtos farmacêuticos tiveram alta de 1,77%, após autorização do reajuste de até 3,81% nos preços dos medicamentos a partir de 1° de abril. Por sua vez, o subitem com maior impacto individual no IPCA foi a gasolina, cuja alta de preços desacelerou a 1,86%, de 4,59% em março, mesmo em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que mantém a passagem de navios com petróleo pelo Estreito de Ormuz prejudicada. Os combustíveis tiveram alta de 1,80% no mês, com óleo diesel subindo 4,46% e o etanol, 0,62%. O grupo Transportes avançou apenas 0,06% em abril, de 1,64% em março, diante ainda da queda de 14,45% no subitem passagem aérea. A inflação de serviços caiu a 0,04% em abril, de 0,53% em março, atingindo em 12 meses 5,75%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, teve em abril queda de 2 pontos percentuais, a 65%.
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