Informativo Sindileite 210 01.09.2026

Ano 1 | nº 210 | 01 de setembro 2026

NOTÍCIAS

Preços do leite sobem em julho, mas cenário indica recuo nos próximos meses, diz Cepea

Pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, mostram que o preço médio do leite cru captado por laticínios voltou a subir em julho. Na “Média Brasil” líquida, o valor alcançou R$ 2,8761/litro, aumentos de 4,65% frente a junho e de 4,96% em relação a julho de 2025, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo Ipca de julho/26).

A boa demanda por UHT, os estoques considerados confortáveis e o crescimento mais lento da captação em algumas regiões mantiveram a concorrência pelo leite. O Icap-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 2,38% de junho para julho na “Média Brasil”. Apesar da recuperação mensal, o Índice ainda acumula queda de 9,3% no ano. Do lado dos gastos, o Custo Operacional Efetivo (COE) permaneceu praticamente estável pelo segundo mês consecutivo, com ligeira queda de 0,31% na “Média Brasil”. Embora milho e farelo de soja tenham se valorizado em julho, os estoques de ração produzidos anteriormente, a custos menores, limitaram o repasse aos concentrados. No entanto, a alta recente das matérias-primas pode elevar os custos da indústria e resultar em recuperação dos preços dos concentrados ao longo de agosto. Quanto às vendas de derivados, agentes de indústrias continuaram enfrentando dificuldades para garantir margens. Pesquisas do Cepea apoiadas pela OCB indicam que as negociações de muçarela e leite em pó perderam ritmo em julho, enquanto o UHT se valorizou 7,35% frente a junho. Parte dessa lentidão foi associada também às importações. No mercado internacional, as importações ampliaram a disponibilidade interna. Segundo dados da Secex, o volume adquirido em julho cresceu 9,01% frente a junho, totalizando 236,3 milhões de litros em equivalente-leite. Na comparação com julho de 2025, o avanço foi de 33,49%. As compras externas de leite em pó e queijos aumentaram, respectivamente, 7,54% e 12,7% de junho para julho, reforçando a pressão sobre as negociações domésticas. Diante desse contexto, a expectativa é de que o encerramento do terceiro trimestre seja marcado pelo recuo das cotações do leite cru, influenciado pelo aumento da oferta, pelas importações e pelo comportamento dos preços dos derivados.

Cepea/Esalq

Escassez de whey protein pode fazer empresas buscarem novas fontes, avalia associação

‘Disponibilidade tem se agravado e ficado cada vez mais difícil’, diz presidente da Abenutri. Alternativas são proteína de carne, de levedura, vegetais e as produzidas em laboratório por fermentação

Empresas de whey protein no Brasil podem ter de recorrer a proteínas de outras origens para suprir a demanda, avalia Marcelo Bella, presidente da Abenutri (Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais). Ele cita a proteína de carne, de levedura, vegetais (como ervilha) e as produzidas em laboratório por fermentação como alternativas. Esta última, diz o dirigente, já permite obter um produto com alto valor biológico fora do soro do leite. “O desafio de conseguir a matéria-prima com mais disponibilidade e a um preço menor tem se agravado e ficado cada vez mais difícil. A demanda por whey vai continuar alta, mas a oferta vai seguir a mesma porque não haverá expansão de fábrica”, afirma Bella. O Brasil é responsável por cerca de 60% do consumo de proteína do soro do leite na América do Sul e a categoria cresceu a um ritmo médio de 8% ao ano entre 2020 e 2025, segundo dados da consultoria Mordor Intelligence. No mercado internacional, o preço da tonelada do concentrado de whey com 80% de proteína subiu em até 105% em um ano, diz a StoneX. No Brasil, neste ano, chegou a 120%. Não haverá inauguração de fábricas no país em 2026. Nova unidade da Soy Ouro entra em operação no primeiro trimestre de 2027. Até dezembro do próximo ano, a Piracanjuba também deve aumentar a oferta do produto. A Abenutri vê que o equilíbrio entre oferta e demanda vai ocorrer no segundo semestre de 2027. Nos Estados Unidos, três fábricas devem ser inauguradas em 2027, com expansão prevista também na Europa. “A entrada de novas marcas e produtos com proteína, de barrinhas a macarrão, é um sinal de mudança de comportamento do consumidor”, diz Daniel Mencacci, CEO da Fitoway. De acordo com o empresário, o consumo de whey protein vai continuar em alta, em boa parte, pela popularização das canetas emagrecedoras e pela necessidade de manter a massa muscular. “O aumento de concorrentes deve gerar saturação de mercado, mas marcas já estabelecidas tendem a manter posição entre as primeiras escolhas do consumidor”, completa.

FOLHA DE SÃO PAULO

EMPRESAS

PIRACANJUBA AMPLIA ESCALA E PREPARA NOVA PLANTA PARA OUTROS PRODUTOS

O projeto começou com uma meta concreta, porém terminou deixando preparada uma estrutura industrial para outros produtos. A unidade foi desenhada para crescer e abre uma janela para produtos que não fazem parte da sua produção atual. São Jorge d’Oeste, no Paraná, passou a concentrar uma nova etapa de expansão industrial do Grupo Piracanjuba.

A unidade instalada no município foi projetada para processar até 1,2 milhão de litros de leite por dia, acima da meta inicial de superar 1 milhão de litros diários para a produção de muçarela. O ponto central do projeto, porém, não está apenas no volume. A planta foi concebida para combinar a produção atual de manteigas e queijos — em peças ou fatiados — com capacidade para incorporar novos produtos no futuro. Com 54 mil m², a unidade foi planejada para permitir expansões e receber outras operações. Entre as possibilidades previstas estão a produção de concentrados proteicos de soro de leite (whey protein), lactose em pó e requeijão. A estrutura também foi desenhada para aproveitar diferentes fluxos resultantes do processamento do leite. Atualmente, a unidade conta com sistemas destinados à recepção e estocagem do leite, estocagem de soro, limpeza CIP, pasteurização e padronização do produto. Um dos recursos incorporados ao projeto é um sistema de membranas para padronizar a relação entre caseína e gordura do leite. Segundo as informações apresentadas sobre a planta, trata-se do primeiro sistema desse tipo da Tetra Pak no Brasil e sua aplicação está relacionada à eficiência do processo, à padronização da matéria-prima e à qualidade da muçarela. O projeto começou ainda na fase de engenharia, quando Grupo Piracanjuba e Tetra Pak trabalharam na definição dos principais parâmetros da futura unidade. O chamado Engineering Work Agreement (EWA) foi utilizado como pré-projeto para estabelecer capacidade produtiva, fluxos de processo, tecnologias, equipamentos e estratégias para a operação. A meta inicial era construir uma planta capaz de processar mais de 1 milhão de litros de leite por dia. O resultado foi uma estrutura preparada para chegar a 1,2 milhão de litros diários, mantendo espaço para futuras ampliações. Essa diferença entre a meta inicial e a capacidade projetada ajuda a dimensionar a escala da operação: o projeto não foi limitado à necessidade imediata de produzir muçarela, mas incorporou desde o início a possibilidade de ampliar o uso da estrutura. É justamente nesse ponto que o projeto ganha uma segunda dimensão para a cadeia láctea. O soro gerado pela fabricação de queijo aparece no planejamento futuro da unidade como matéria-prima para a produção de whey protein. A possibilidade está relacionada ao interesse crescente por produtos ricos em proteína mencionado na fonte e ao espaço ainda existente para ampliar a produção nacional desse insumo. Segundo dados atribuídos ao Serviço de Inspeção Federal (SIF) e ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o whey protein concentrado (WPC) importado representa 54% do consumo nacional. A planta de São Jorge d’Oeste foi preparada para, em uma etapa futura, utilizar o soro na fabricação de concentrados proteicos. A mesma estrutura também contempla a possibilidade de produzir lactose em pó e requeijão. Na prática, a configuração da unidade deixa aberta uma rota para transformar uma corrente da fabricação de queijo em uma nova linha de produtos — sem que isso faça parte, neste momento, da produção atual informada para a planta. A expansão foi acompanhada por soluções voltadas ao uso de recursos dentro da própria unidade. O projeto inclui sistemas de reaproveitamento de água e produção e utilização de biogás como fonte de energia renovável. A proposta, segundo as informações divulgadas sobre a fábrica, foi integrar eficiência operacional e aspectos ambientais desde o desenho da planta. Para o Grupo Piracanjuba, a unidade também representa uma ampliação de sua presença no Paraná e uma estrutura voltada a categorias consideradas estratégicas para a região. O resultado é uma fábrica que começou com um objetivo específico — ampliar a produção de muçarela — mas foi dimensionada para operar em uma escala maior e, sobretudo, para não ficar limitada a uma única categoria. A capacidade de 1,2 milhão de litros de leite por dia, a possibilidade de expansão e o aproveitamento futuro do soro colocam a flexibilidade industrial no centro do projeto.

ADITIVOS & INGREDIENTES

ECONOMIA

Dólar tem baixa leve sob influência do noticiário político e do exterior

O dólar fechou a segunda-feira com leve baixa no Brasil, influenciado pelo noticiário político, pelo avanço dos preços internacionais do petróleo e pelo recuo da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior.

O dólar à vista encerrou o dia com baixa de 0,28%, aos R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 5,60%. Às 17h03, o dólar futuro para outubro — que na segunda-feira passou a ser o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,13% na B3, aos R$5,2170. A primeira parte da sessão foi marcada, entre outros fatores, pela definição da taxa Ptax de fim de mês. Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa). No início da tarde, o BC informou que a Ptax fechou em R$5,1816 para venda e R$5,1810 para compra. Mais cedo, duas pesquisas eleitorais reforçaram a percepção de que a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro pelo Planalto segue acirrada. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou Lula com 47,1% das intenções de voto em um segundo turno da disputa presidencial, contra 42,6% de Flávio Bolsonaro — uma diferença menor que a vista em julho, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de 1 ponto percentual. Já a pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula com 46% no segundo turno, contra 45% de Flávio, com os dois em empate técnico já que a margem de erro é de dois pontos percentuais. À tarde, com efeitos mais perceptíveis no mercado de renda fixa, o ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a suspensão da propaganda eleitoral do empresário Renan Santos (Missão) em sites, blogs e outros aplicativos não informados à Justiça Eleitoral. Ele também barrou repasses do fundo eleitoral e o direito de Renan Santos participar de debates em meios de comunicação, entre outras determinações. Conforme a decisão, a candidatura de Renan Santos à Presidência contava com dois perfis irregulares nas redes sociais que estavam divulgando conteúdos favoráveis a ele, com milhares de seguidores. No exterior, o dia também foi de baixa do dólar ante boa parte das demais divisas, ainda que as variações fossem modestas, com as tensões no Oriente Médio novamente no foco. Os Estados Unidos realizaram ataque na ilha iraniana de Larak no fim de semana, enquanto o Irã respondeu disparando contra forças norte-americanas estacionadas na Jordânia. As ações militares impulsionaram o preço do petróleo Brent para acima dos US$90 o barril — algo que tende a favorecer o avanço do real, já que o Brasil é exportador da commodity. Às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,23%, a 99,415.

REUTERS

Ibovespa fecha o dia em alta com Petrobras, mas termina agosto com sinal negativo

O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira pelo nono pregão seguido, em movimento sustentado principalmente pelas ações da Petrobras, mas terminou agosto com sinal negativo. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 1,01% na sessão, a 177.431,23 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 178.585,94 na máxima e 175.664,62 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$20,25 bilhões antes dos ajustes finais de fechamento, em sessão também marcada por rebalanceamento de índices MSCI. Em agosto, o Ibovespa acumulou uma variação negativa de 0,32%, quase zerando as perdas do mês, que viu o índice trabalhar abaixo dos 165 mil pontos no pior momento.

REUTERS

Governo prevê superávit primário de R$18,6 bi para 2027 em projeto orçamentário

O governo apresentou na segunda-feira o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 ao Congresso Nacional prevendo um superávit primário de R$18,6 bilhões, o equivalente a 0,13% do PIB, no que o governo vem chamando de resultado efetivo, que não considera exceções à meta fiscal.

De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento, o saldo positivo vai a R$83,4 bilhões (ou 0,56% do PIB) quando são retiradas essas despesas não contabilizadas no cálculo da meta, como parte dos precatórios e outras exclusões legais. O documento também projetou alta de 2,46% para o Produto Interno Bruto (PIB) do ano que vem, ante estimativa de crescimento de 2,5% feita em julho. Em relação à inflação, a projeção para o IPCA ficou em 3,6%, mesmo patamar de julho. A meta de resultado primário — que não inclui despesas com juros — para 2027 é de superávit de 0,50% do PIB. A regra prevê uma banda de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos, além das exceções.

REUTERS

Mercado reduz projeções de alta do IPCA e do PIB de 2026, mostra Focus

Para 2027, especialistas elevaram a mediana das expectativas para a inflação oficial, de 4,25% para 4,28%

A mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação oficial brasileira em 2026 caiu de 5,02% para 5,01%, de acordo com o relatório Focus, do Banco Central (BC), divulgado na segunda-feira (31) com estimativas coletadas até a última sexta-feira (28). Para 2027, a mediana das expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 4,25% para 4,28%, e, para 2028, continuou em 3,80%. O IPCA 12 meses suavizado subiu de 4,42% para 4,53%. Para a taxa básica de juros (Selic), a mediana das estimativas se manteve em 13,75% em 2026. Para 2027, permaneceu em 12%, e, para 2028, seguiu em 10,50%. A mediana das projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 recuou de 1,95% para 1,92%. Para 2027, a mediana das expectativas para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) continuou em 1,50% e, para 2028, também se manteve em 1,98%. A mediana das projeções para o dólar no fim de 2026 se manteve em R$ 5,20. Para 2027, a mediana das expectativas para a moeda americana continuou em R$ 5,30, e, para 2028, também seguiu em R$ 5,30.

VALOR ECONÔMICO

BC enxuga US$ 10,5 bilhões de swap cambial sem diminuir reservas internacionais

Redução gradual do instrumento é estratégia da autoridade monetária para conter pressão na taxa de juros em dólar no Brasil

Com o leilão na semana passada do chamado “casadão”, a operação de venda de dólares à vista conjugada com a compra no mercado futuro, o Banco Central (BC) reduziu ao longo dos últimos 15 meses um total de US$ 10,5 bilhões do seu estoque de swap cambial. O enxugamento se deu em um ambiente global construtivo para o câmbio doméstico e para as reservas internacionais do país, que no período não diminuíram, apesar das vendas de dólares pela autoridade no mercado à vista. Pelo contrário, os dados do BC mostram que o colchão de moeda estrangeira aumentou em mais de US$ 25 bilhões nesse intervalo. “O Banco Central está com um estoque confortável, aproximando-se do seu pico histórico. Então, essas reduções [de estoque de swap cambial] pelo ‘casadão’ estão muito longe de serem algo preocupante”, afirma o sócio fundador da Eytse Estratégia, Sérgio Goldenstein. Com o “casadão”, é comum surgir questionamentos entre os investidores sobre o uso dessa ferramenta por conta do receio em torno de reduzir o volume de reservas cambiais, ainda que elas se mantenham em nível elevado. No começo de julho de 2025, quando a autoridade monetária começou a reduzir seu estoque de swap cambial, as reservas internacionais somavam US$ 345 bilhões, enquanto no fim de julho deste ano chegaram a US$ 370 bilhões, segundo os dados do balanço de pagamentos, divulgados pelo BC. Números mais atualizados, mas com menos detalhes da expansão, indicam que o montante continuou a subir, chegando a US$ 375 bilhões no dia 21 de agosto. “Há diferentes fatores que explicam o crescimento das nossas reservas”, diz Goldenstein. “Não houve compra de dólares no mercado à vista para isso, como aconteceu no passado. Pelo contrário, com o ‘casadão’ houve venda de US$ 5 bilhões à vista, mas não é só isso que explica a composição das reservas.” O estrategista da Eytse lembra, por exemplo, que o crescimento vem da própria redução da linha, a venda de dólares com compromisso de recompra. “Se pela leitura do BC, à medida que você adota a linha, você reduz a reserva, quando você se desfaz dessa linha, você devolve o dinheiro às reservas”, afirma. “Só aí, já há uma boa contribuição para elevar o estoque de moeda. Também tem grande peso os juros das reservas [provenientes de títulos soberanos nos quais as reservas são aplicadas].” Além dos juros, rubricas como variação por paridade (se as moedas da reserva do país valorizaram ou não) e demais linhas ajudam a explicar o aumento desse estoque. Já a variação por preço (o quanto um título ou o ouro apreciou/depreciou) é um fator negativo nesta conta nos últimos meses. Ao somar todos os fatores, a reserva do BC subiu algo em torno de US$ 25,6 bilhões.

VALOR ECONÔMICO

Confiança empresarial deve continuar a ‘andar de lado’ ou cair nos próximos meses, diz FGV

Segundo a fundação, o Índice de Confiança Empresarial teve o segundo recuo consecutivo em agosto, com queda de 0,5 ponto, para 91,1 pontos, após cair 1,4 ponto em julho

O Índice de Confiança Empresarial (ICE) teve o segundo recuo consecutivo em agosto, com queda de 0,5 ponto, para 91,1 pontos, após cair 1,4 ponto em julho, informou na segunda-feira (31) a Fundação Getulio Vargas (FGV). Com a queda, o patamar de confiança se reduziu para menor nível desde janeiro (91 pontos), informou Aloisio Campelo, economista da fundação. Incertezas nos fronts macroeconômico, político e internacional, que impedem o empresário de prover projeções mais certeiras sobre o futuro de seus negócios, levaram ao atual cenário, disse o economista. Para o técnico, esse quadro de maior incerteza, em agosto, deve continuar. Isso fará com que o indicador de confiança continue a “andar de lado” ou até cair mais um pouco, com pouca chance de recuperação significativa no curto prazo, afirmou. Ao detalhar o resultado de agosto do índice, o especialista ponderou que a maioria dos componentes usados para cálculo do ICE mostrou recuo ante julho. O Índice de Situação Atual (ISA), um dos dois subtópicos do indicador, caiu 0,9 ponto, para 90,3 pontos; e o Índice de Expectativas (IE) recuou 0,2 ponto para 90,3 pontos. Por setores, três dos quatro que fazem parte do índice mostraram queda de confiança em agosto ante julho. É o caso de indústria (-3,5 pontos), comércio (1,3 ponto) e construção (-0,6 ponto). Com as quedas, os indicadores de confiança desses setores diminuíram para 93,7 pontos, 84,2 pontos e 91,9 pontos, respectivamente. Já serviços mostrou alta de 1,2 ponto, na mesma comparação, para 89 pontos. Campelo chamou atenção para o fato de a indústria sentir mais o quadro incerto, na conjuntura macroeconômica e no ambiente político. “A indústria começou bem o ano e vinha em ritmo relativamente mais forte, mas em algum momento houve um descasamento da demanda e dos estoques”, disse. Ele ponderou que também não ajudou o fato de o governo americano ter lançado nova rodada de “tarifaço” contra produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos. Outro ponto destacado por Campelo é que, mesmo com alta em agosto, a confiança de serviços segue em patamar baixo, na faixa dos 80 pontos. O mesmo pode se falar de comércio, disse, também no patamar de 80 pontos. Ele recordou que, nos indicadores de confiança da FGV, quanto mais longe de 100 pontos, pior o humor do empresariado do setor. Já a construção, com mais de 90 pontos, comentou, tem se posicionado com pontuação acima das outras atividades, em confiança, sustentada por obras em infraestrutura, e pelo programa habitacional do governo “Minha Casa, Minha Vida.” Assim, como não acredita em mudanças rápidas, nos atuais quadros macroeconômico, político e internacional, o especialista não descartou novos recuos, no ICE. “O índice tende a ficar ou ‘andando de lado’, ou a caindo mais um pouco. Não vejo muita chance de ele voltar a subir”, resumiu.

VALOR ECONÔMICO

Governo projeta PIB de 2,46%em 2027 e SALÁRIO-MÍNIMO de R$ 1.741

No Projeto de Lei Orçamentária Anual, o governo ainda considera que a taxa básica de juros (Selic) média será de 12,53% em 2027

O governo federal trabalha com projeção de crescimento econômico de 2,46% em 2027, segundo os parâmetros previstos na proposta de Orçamento para o próximo ano, divulgada na segunda-feira (31) pelos ministérios do Planejamento e Orçamento e da Fazenda. O texto leva oficialmente o nome de Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). No Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO), enviado em abril ao Congresso Nacional, a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) era de 2,56% em 2027. Já a estimativa de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 2027 foi projetada em 3,60% no Ploa, contra os 3,04% previstos no PLDO. Por sua vez, para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a projeção do Orçamento é de 3,69%, contra os 3,06% do PLDO. O governo ainda considera que a taxa básica de juros (Selic) média será de 12,53% em 2027, de acordo com os parâmetros do Ploa. Atualmente, a Selic está em 14% ao ano. Por fim, o Ploa prevê a taxa de câmbio média em R$ 5,22 no ano que vem, ante US$ 5,47 do PLDO. O projeto prevê que o salário-mínimo passará dos atuais R$ 1.621 para R$ 1.741 no ano que vem. A informação já havia sido antecipada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan. O valor considera a correção pelo INPC acumulado em 12 meses até novembro de 2026, de 4,93%, acrescida de um ganho real de 2,3%. No PLDO, o salário-mínimo previsto para 2027 era de R$ 1.717. O salário-mínimo é o indexador de benefícios previdenciários atrelados ao piso. Também serve de parâmetro para corrigir o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o abono salarial e o seguro-desemprego. O valor exato do mínimo em 2027 será fixado no fim do ano pelo governo, via decreto presidencial, seguindo a política de valorização do piso salarial. Bolsa Família O projeto não prevê reajuste do benefício médio do Bolsa Família em 2027, afirmou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

VALOR ECONÔMICO

Dívida bruta brasileira atinge 82,5% do PIB em julho, maior patamar em cinco anos

Do ponto de vista nominal, dívida bruta representa R$ 10,9 trilhões

A dívida pública brasileira chegou a 82,5% do PIB (Produto Interno Bruto) em julho deste ano, o maior patamar desde abril de 2021, segundo dados divulgados na segunda-feira (31) pelo Banco Central. O indicador subiu 0,6 ponto percentual em relação a junho deste ano. A DBGG (Dívida Bruta do Governo Geral) considera o governo federal, os estaduais e as prefeituras, além do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Do ponto de vista nominal, a dívida representa R$ 10,9 trilhões. Em abril de 2021, a dívida registrada foi de 82,62% do PIB, em um momento marcado pela alta dos gastos federais devido à pandemia da Covid-19. O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envia hoje o Orçamento de 2027 ao Congresso Nacional, com previsão de superávit primário efetivo de R$ 20 bilhões, o que representa o melhor Orçamento enviado ao Congresso desde o que foi enviado em 2014, que previa um superávit de R$ 86 bilhões (em valores da época) para 2025. Embora a previsão de superávit seja a mais positiva em mais de 10 anos, especialistas consideram que o patamar deve ser maior nos próximos anos para equalizar a dívida pública. Em entrevista à TV Globo na última semana, o presidente Lula minimizou a alta da dívida pública. No terceiro mandato do governo Lula, a dívida subiu mais de 10 pontos percentuais. Em dezembro de 2022, o indicador estava em 71,68% do PIB. Especialistas avaliam que essa alta torna urgente a discussão de medidas robustas de ajuste nas contas públicas pelos candidatos que disputam o Palácio do Planalto este ano. No último Relatório de Projeções Fiscais, divulgado ao final de junho pelo Tesouro Nacional, a equipe econômica projeta que a DBGG atingiria o pico de 87,9% do PIB em 2029, quando entraria em trajetória de queda. As estimativas do mercado financeiro, no entanto, são piores, sem apontar para uma estabilização nos próximos anos. O BC explicou que a alta mensal ocorreu devido aos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), das emissões líquidas de dívida pública (0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.). No ano, a alta foi de 3,9 p.p. do PIB. Já quando considerada a variação de 3,9 pontos percentuais do PIB em um ano, a autoridade monetária registrou que esse aumento é resultado da incorporação de juros nominais (5,7 p.p.), das emissões líquidas de dívida (1,5 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-3,1 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,3 p.p.). Em julho, os dados do BC registraram que o setor público atingiu um superávit primário de R$ 1,4 bilhão. No mesmo mês do ano passado, o déficit foi de R$ 66,6 bilhões. O chefe do departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, explicou em entrevista coletiva que um dos principais fatores que explicam essa diferença é o pagamento dos precatórios. Isso porque houve um pagamento expressivo em julho do ano passado — neste ano, isso ocorreu em março.

FOLHA DE SÃO PAULO

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