Ano 1 | nº 209 | 31 de agosto 2026
NOTÍCIAS
Agroleite movimenta R$ 612 milhões em negócios na edição de 2026
A edição 2026 da Agroleite, feira promovida pela Cooperativa Castrolanda, movimentou R$ 612 milhões em negócios.
A edição 2026 da Agroleite, feira promovida pela Cooperativa Castrolanda, movimentou R$ 612 milhões em negócios. Trata-se de uma redução de 36% em relação à edição anterior, quando foram gerados R$ 969 milhões em negócios. O evento aconteceu entre os dias 3 e 7 de agosto, em Castro (PR), e reuniu um público recorde de 194 mil visitantes. O valor divulgado se baseia em respostas dos expositores em um formulário oficial, e reflete os negócios efetivamente realizados no evento. Os organizadores já esperavam um volume de negócios menor que a feira de um ano atrás. Ainda assim, o resultado ficou acima da expectativa inicial, que era de R$ 500 milhões. Seung Lee, diretor executivo da Castrolanda, comenta que a cooperativa fez uma projeção conservadora, considerando aperto nas margens de lucro em diversas cadeias do agronegócio. “Já esperávamos essa retração, mas sabemos que alguns investimentos são essenciais para manter a operação e eficiência nas propriedades. Neste contexto, o Agroleite se consolida como momento ideal para o produtor avaliar as tecnologias disponíveis no mercado, comparar preços e investir na solução que melhor se adapta à sua realidade”, analisa. Segundo a organização, expositores apresentaram, durante o evento, condições especiais de financiamento, prazos diferenciados e pacotes promocionais. “Entendendo as condições do mercado, as empresas fortaleceram seu portfólio de condições comerciais exclusivas para viabilizar aqueles investimentos que não podem esperar, mesmo em anos desafiadores”, declara o gerente do Agroleite, Gustavo Viganó. A feira reuniu 404 empresas expositoras voltadas à gen´~etica, nutrição, saúde animal, sementes, equipamentos, utilitários, entre outros. A diretora comercial da Hidroponta-Poços Artesianos, Fernanda Moreira, ressalta que 80% dos clientes da empresa são ligados à cadeia do leite e que a edição superou as expectativas. “Na metade da feira já estávamos com a meta batida”, afirma. Claudia Balsano, diretora executiva da CBC Seguros, menciona que a edição 2026 surpreendeu com relação ao fechamento de negócios, quando foram segurados seis rebanhos de gado leiteiro, além da comercialização de outros seguros tradicionais. “Nos surpreendemos com os fechamentos imediatos”, comenta. Rodolfo Querales, representante de vendas na América Latina da Boerger, empresa alemã com sedes na Alemanha e nos Estados Unidos, expositora da Ala Internacional, compara o evento a outras feiras do agronegócio nos Estados Unidos como a World Ag Expo. “Estamos muito satisfeitos com os resultados”, ressalta. Além de visitar os estandes, o público da feira teve acesso a uma programação técnica, exposição e leilão de animais, julgamentos das raças Holandesa e Jersey, torneio leiteiro e apresentação prática de tecnologias e tendências para a pecuária de leite e outras cadeias do agronegócio.
GLOBO RURAL
O que faz um queijista? Projeto que regulamenta profissão tramita no Congresso
Iniciativa foi apresentada no ano passado e ainda aguarda a designação de um relator. “O queijista está para o queijo assim como o sommelier está para o vinho e o barista, para o café”, explica Falco Bonfadini, proprietário da Galeria do Queijo
O projeto de lei 437/2025, que regulamenta a profissão de queijista, foi apresentado em fevereiro do ano passado pelo deputado Zé Silva (Solidariedade-MG) e ainda aguarda a designação de um relator. Em tramitação na Câmara dos Deputados, o texto estabelece regras para o exercício da atividade e define o queijista como o profissional especializado na venda de queijos e na orientação aos consumidores em lojas, queijarias, empórios, armazéns, mercearias, entre outros estabelecimentos. Apesar da regulamentação ainda estar em discussão, a atividade é exercida há anos no país e reúne conhecimentos sobre produção, maturação, conservação, análise sensorial, harmonização e comercialização. O trabalho também exige que o profissional estabeleça uma ponte entre produtor e consumidor, ajudando o comprador a compreender a história e as características por trás de cada queijo e a conhecer melhor o setor. “O queijista está para o queijo assim como o sommelier está para o vinho e o barista, para o café”, explica Falco Bonfadini, proprietário da Galeria do Queijo, na zona sul da capital paulista, cofundador da associação Comerqueijo e um dos responsáveis pela criação do termo “queijista”. “O queijista é um profissional que vai ajudar a vender o queijo e a ensinar sobre ele”, afirma. A atuação inclui ainda a curadoria de produtos e a comunicação das características de cada produto. É nesse ponto que o host do podcast Papo de Queijo, Danilo Cavalcantti Gomes, vê uma das principais funções da atividade: traduzir para o consumidor aquilo que o produtor nem sempre consegue comunicar. “Ele é um verdadeiro tradutor, que também precisa entender o perfil do consumidor para fazer esse elo entre produção e consumo”, diz. Gomes aponta que o trabalho pode ser especialmente importante para pequenas empresas e famílias produtoras, ao explicar ao consumidor a origem do produto e a história de quem o produz. “Não basta ter um bom produto se o produtor não consegue posicioná-lo”, afirma. Embora a atividade já fosse exercida há anos, ainda não existia um termo específico para definir esse profissional no Brasil. Com isso, em 2017, Falco Bonfadini e outros profissionais do setor passaram a debater e a procurar um nome. Bonfadini conta que o grupo considerou denominações utilizadas em outros países, como fromager, na França, e cheesemonger, nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nenhuma, porém, foi adotada, já que a intenção era criar um nome que valorizasse a identidade brasileira. Depois de muitas conversas, o termo “queijista” surgiu de forma inesperada. Em uma conversa com um motorista de aplicativo, Bonfadini explicou que trabalhava com queijo. “Ele virou e falou: ‘Ah, você é queijista, então’. Pensei: ‘Pois é, é exatamente isso’. Daí mandei mensagem para o pessoal e falei: ‘Achamos o termo perfeito’”, relembra. A denominação passou a identificar a atividade e foi incorporada oficialmente pela associação fundada por ele e por seus colegas, que deixou de se chamar Comerqueijo e passou a adotar o nome Associação dos Queijistas do Brasil.
GLOBO RURAL
Mais leite no mercado pressiona spot e muçarela, mas preços internacionais sobem
Leilão GDT: no 4100 leilão Global Dairy Trade, o índice de preços da plataforma subiu 2,3%, atingindo o valor médio de USD 3.873 por tonelada. O resultado confirma a alta contínua dos preços internacionais dos lácteos após um período de pouca oscilação, mostrando uma reação positiva no ambiente de negócios.
O volume total de vendas somou 41.054 toneladas, alta de 1,4% frente ao leilão passado, que já havia apresentado forte avanço na quantidade negociada. Esse valor estabelece um novo recorde para 2026, ultrapassando os níveis de 2024 e chegando perto das maiores marcas de 2025, registradas nos leilões de outubro, época de pico da produção na Oceania. Leite spot: na segunda metade de agosto de 2026, os preços do leite spot caíram em todos os estados monitorados. A média do país encerrou a quinzena em R$ 3,008, o que significa uma queda de R$ 0,067 em relação à quinzena anterior. Além das questões de oferta, o setor perdeu força devido ao desempenho do consumo na ponta final. Reduções de preço nos principais derivados lácteos, sobretudo no leite UHT, ajudaram a pressionar as negociações no mercado spot. Conseleite: os preços projetados pelos conselhos estaduais foram variados neste mês. Mato Grosso definiu um ajuste positivo de 3,4% no leite a ser pago em agosto, chegando a 2,7254 R$/l. O Paraná registrou um ajuste positivo mais leve, de 0,24% levando o valor do leite padrão a ser pago em setembro a 2,6179 R$/l. Minas Gerais indica uma projeção com aumento de 1,2% no leite que será pago em setembro, ficando em 2,9299 R$/l. Citando aumento da oferta de leite, o Rio Grande do Sul registrou leve um ajuste de -1,01%, com valor de referência de 2,4754 R$/l. Muçarela: o mercado de muçarela registrou reduções nas cotações após um período de maior estabilidade. O aumento no volume ofertado frente a uma demanda estagnada minou a sustentação dos preços, pressionando os valores para baixo na maioria dos locais acompanhados. A maior desvalorização foi observada no Rio de Janeiro, com -R$ 0,6 (R$ 35,6), seguido por São Paulo, que apontou retração de -R$ 0,5 (R$ 33,7). Na contramão do movimento geral, a Região Centro-Oeste e parte do Sudeste manteve fôlego positivo: Goiás registrou a maior alta semanal, com +R$ 0,4 (R$ 35,7), e Minas Gerais teve avanço de +R$ 0,3 (R$ 35,7). No Sul, o Paraná apresentou -R$ 0,2 (R$ 33,6), enquanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul registraram os menores ajustes negativos do período, ambos com queda de R$ 0,1 (R$ 33,1 e R$ 32,1, respectivamente). Leite em pó: o setor de leite em pó registrou altas em suas cotações. Com a procura um pouco mais aquecida e um ambiente de negócios mais firme, os valores ganharam maior sustentação, apresentando uma leve valorização no período. O leite em pó integral obteve um aumento de R$0,1, chegando a R$24,4 em São Paulo. Com um ajuste maior, o leite em pó desnatado recebeu uma valorização de R$0,3 e chegou a R$22,3 em São Paulo. No segmento do leite em pó fracionado, São Paulo chegou a R$30,2 com um ajuste positivo de R$0,1 e o Nordeste a R$30,2 com valorização de R$0,3. Oferta: a oferta de leite seguiu o movimento sazonal da produção, mantendo trajetória de crescimento na região Sul e ampliando a disponibilidade de matéria-prima no mercado. Ainda assim, os volumes permanecem em patamares semelhantes aos observados no mesmo período do ano anterior. Demanda: o cenário de demanda permanece estável, com o consumo na ponta indicando aumento nas movimentações. Apesar disso, os derivados seguem apresentando retrações nas cotações, sinalizando um mercado com menor sustentação dos preços em relação aos períodos anteriores.
MILKPOINT
INTERNACIONAL
Arla aposta em bebida infantil sem lactose para reconquistar espaço na lancheira
Produto foi desenvolvido para disputar espaço com sucos e smoothies em momentos de consumo fora de casa.
A Arla lançou na Dinamarca uma nova bebida láctea voltada ao público infantil, apostando em praticidade para responder a uma mudança nos hábitos de consumo. A proposta é simples: levar o leite para ocasiões em que ele vem perdendo espaço para sucos, smoothies e outras bebidas prontas. A novidade chega em embalagens de 200 ml, nos sabores banana e framboesa, e pode ser armazenada fora da geladeira. A fórmula leva apenas três ingredientes: leite orgânico dinamarquês, aroma natural e enzima lactase. O produto é sem lactose e sem adição de açúcar. A estratégia parte de um desafio identificado no próprio mercado dinamarquês. Segundo dados da pesquisa nacional de alimentação do país, crianças, adolescentes e mulheres jovens frequentemente não atingem as recomendações de consumo de leite e derivados. O levantamento também aponta que o consumo diminui com a idade, enquanto outras bebidas ganham espaço em situações marcadas pela praticidade — como na lancheira, entre refeições ou no consumo em movimento. Para a Arla, portanto, não se trata de substituir o tradicional copo de leite consumido em casa, mas de criar uma ocasião de consumo. “Observamos uma mudança estrutural em quando e como crianças e jovens bebem leite durante o dia. Para que o leite continue relevante, precisamos desenvolver produtos que se encaixem na rotina diária moderna”, afirmou Ann-Camilla Kjæmpe, diretora de marketing da Arla Dinamarca. Outro diferencial está na origem da matéria-prima. O leite utilizado vem de fazendas certificadas com o selo Better Animal Welfare, nível mais alto do programa oficial de bem-estar animal do governo dinamarquês. Mais do que um novo sabor ou formato, o lançamento sinaliza um movimento interessante para a indústria láctea: em um cenário de mudança nos hábitos de consumo, o desafio pode não ser apenas convencer o consumidor a beber mais leite, mas encontrar onde, quando e como o leite ainda pode fazer sentido na rotina.
Dairy Industries
ECONOMIA
Dólar fecha perto dos R$5,20 após discurso duro de Warsh sobre inflação nos EUA
O dólar fechou a sexta-feira em alta no Brasil após o chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, afirmar durante o simpósio de Jackson Hole que a instituição terá “trabalho a fazer” caso a inflação dos EUA siga acima da meta.
Após superar os R$5,23 durante a sessão, o dólar à vista encerrou o dia cotado a R$5,1961, com alta de 0,62%. Na semana, a divisa acumulou elevação de 1,06% e, no ano, queda de 5,34%. Às 17h11, o dólar futuro para setembro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,67% na B3, aos R$5,1995. Em seu discurso de estreia em Jackson Hole, Warsh afirmou no fim da manhã que o Fed “terá trabalho a fazer” se seus membros não estiverem confiantes de que a inflação subjacente dos EUA está voltando à meta de 2%. “Este é o meu critério: devemos estar confiantes de que a inflação subjacente está caminhando em direção à nossa meta, de forma clara e com velocidade suficiente. Caso contrário, temos trabalho a fazer. Esse é o nosso trabalho… nosso mandato… e nossa responsabilidade”, disse Warsh. Os comentários foram a senha para que os rendimentos dos Treasuries subissem, com os investidores globais elevando as apostas de que o Fed poderá elevar os juros em setembro. Nos mercados de moedas, isso se traduziu na alta do dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo moedas pares do real como o peso colombiano, o rand sul-africano e o peso chileno. Após marcar a menor cotação do dia de R$5,1581 (-0,12%) às 9h02, logo após a abertura da sessão, o dólar à vista atingiu o pico de R$5,2315 (+1,30%) às 13h18, já depois da fala de Warsh. O nível da taxa de juros nos EUA, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, impacta diretamente os fluxos de investimentos globais, incluindo para o Brasil, o que se reflete na taxa de câmbio. “A moeda americana se valoriza não só contra o real, mas praticamente em relação a todas as divisas do mundo. Isso porque se o Fed sobe juros e tem esse tom mais ‘hawkish’, a tendência é o fluxo de capital se concentrar na economia americana, valorizando o dólar”, resumiu Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital. A perspectiva de novos cortes da Selic, aliás, foi ampliada no início da tarde. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que seriam divulgados apenas às 14h30, vazaram bem antes disso e apontaram a criação de 58.568 vagas formais em julho. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam 112.000 novas vagas. Os números reforçaram no mercado a leitura de que o Banco Central cortará a Selic em setembro, podendo promover nova redução também em novembro. No exterior, às 17h08, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,57%, a 99,668.
REUTERS
Ibovespa amplia série de altas com ajuda da Petrobras, apesar de Warsh
O Ibovespa fechou com um acréscimo modesto na sexta-feira, mas assegurou a oitava alta seguida, com Petrobras novamente entre os suportes.
Após ultrapassar os 176 mil pontos nos primeiros negócios, o índice perdeu força com declarações do chair do Federal Reserve, Kevin Warsh, de que o banco central dos Estados Unidos tem “trabalho a fazer” se a inflação na maior economia do mundo continuar acima de 2%. A principal referência do mercado acionário brasileiro acabou terminando o dia com elevação de 0,22%, a 175.526,53 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo marcado 176.420,61 pontos na máxima e 173.893,63 pontos na mínima da sessão. O volume financeiro somava R$19,47 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Brasil abre menos vagas formais de trabalho do que o esperado em julho, com menor saldo mensal do ano
O Brasil abriu 58.568 vagas formais de trabalho em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados na sexta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no pior resultado para o mês da série iniciada em 2020.
O resultado do mês passado foi fruto de 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos e ficou bem abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 112.000 vagas. O saldo de julho foi o mais baixo do ano até agora e o menor para o mês em toda a série histórica do Novo Caged, que contabiliza dados a partir de 2020. No mesmo mês em 2025, foram criadas 133.932 vagas de trabalho. No acumulado do ano até o mês passado, foi registrado saldo positivo de 972.203 postos, o pior para o período desde 2020, quando houve fechamento de 1.398.484 vagas em meio à pandemia da Covid-19. Para o economista do ASA Leonardo Costa, os resultados reforçam que o mercado de trabalho está em um processo gradual de arrefecimento, apesar de ainda resiliente. Segundo ele, a avaliação da instituição é de que a atividade econômica seguirá em desaceleração ao longo de 2026. “A desaceleração tem sido mais visível em setores tradicionalmente mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria, comércio e construção civil, enquanto o setor de serviços segue sustentando a geração de empregos”, afirmou. Quatro dos cinco grupamentos de atividades econômicas registraram saldos positivos de vagas no mês passado. O setor de serviços liderou a abertura, como de costume, com 24.098 postos, seguido por construção (12.691 postos), agropecuária (12.523 postos) e indústria (11.315). O comércio foi o único setor a registrar saldo negativo, com fechamento de 2.056 vagas. O ministro do Trabalho em exercício, Chico Mecena, atribuiu as sucessivas baixas dos números do comércio aos efeitos de juros altos, que, segundo ele, inibem o crédito a consumidores e o investimento de lojistas. Ele também destacou a migração da atividade do setor para os mercados virtuais. “Você tem um direcionamento cada vez mais (para) o crescimento das lojas online”, afirmou. “É um reposicionamento momentâneo que o varejo vai ter que passar e não acredito que isso seja uma crise mais estrutural.”
REUTERS
Inadimplência no Brasil sobe a 6,4% em julho e atinge maior nível da série histórica, mostra BC
A inadimplência no segmento de recursos livres subiu a 6,4% em julho no Brasil, contra 6,0% no mês anterior, e atingiu o maior nível da série histórica iniciada em março de 2011, informou o Banco Central na sexta-feira.
No mês, as concessões de empréstimos no Brasil recuaram 1,6% na comparação com o mês anterior, com o estoque total de crédito subindo 0,3% no período, a R$7,372 trilhões. As concessões de financiamentos com recursos livres, nos quais as condições dos empréstimos são livremente negociadas entre bancos e tomadores, recuaram 1,9% em relação ao mês anterior. Para as operações com recursos direcionados, que atendem a parâmetros estabelecidos pelo governo, houve alta de 1,0% no período. Já os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre ficaram em 47,7% ao ano, um recuo de 2,0 pontos percentuais em relação a junho. Nos recursos direcionados, houve queda de 0,1 ponto no mês, a 12,1% ao ano. O spread bancário, diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa final cobrada do cliente, caiu para 33,8 pontos percentuais nos recursos livres, contra 35,7 pontos no mês anterior.
REUTERS
PIB do agronegócio é estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026
Ramo agrícola tem previsão de queda de 13,7%. A pecuária deve crescer 2,8%
O PIB do agronegócio brasileiro é estimado em R$ 3,13 trilhões para 2026, mas o desempenho poderá ser distinto entre os ramos agrícola e pecuário. O ramo agrícola tem previsão de queda anual de 13,7%, enquanto a pecuária deve crescer 2,8%, segundo dados do CEPEA em conjunto com a CNA. Essas são algumas das informações apresentadas na 30ª edição do Radar Macroeconômico, elaborado pelo Departamento Econômico da FAESP. Juntos, os dois ramos devem representar 22,8% do PIB brasileiro, com estimativa de retração de 7,8% no ano. O ramo agrícola poderá alcançar R$ 1,88 trilhão, com queda prevista em todos os segmentos analisados. A maior retração deve ocorrer no segmento primário, estimada em 21%. Entre os principais fatores está a queda dos preços dos produtos agrícolas, que reduz o valor gerado pela produção. Já a pecuária poderá atingir R$ 1,25 trilhão. Dentro do ramo, a agroindústria deve avançar 7,9% e os agrosserviços, 7,6%. Entre as atividades pecuárias, a bovinocultura de corte é a única com previsão de aumento do valor da produção, apoiada pelo desempenho das exportações e pela demanda interna. O mercado de trabalho continua resiliente no trimestre encerrado em junho. A taxa de desocupação ficou em 5,4%, enquanto a população ocupada chegou a 103,1 milhões de pessoas. Desse total, 7,9 milhões trabalhavam no setor agropecuário. O rendimento médio habitual de todos os trabalhos foi de R$ 3.738, alta de 2,8% em relação ao mesmo período de 2025. O IPCA acumulado em 12 meses ficou em 4,44% em julho, retornando ao intervalo de tolerância da meta. No mês, o índice registrou alta de 0,07%, com o grupo Alimentação e bebidas apresentando a maior contribuição negativa para o resultado, com recuo de 0,67%. A alimentação no domicílio caiu 1,14%, com destaque para tubérculos, raízes e legumes, cujos preços recuaram 16,15%. A taxa básica de juros teve corte em agosto. A meta da taxa Selic foi reduzida para 14% ao ano, em um corte de 0,25 ponto percentual. Mesmo assim, o ambiente continua marcado por incertezas e riscos de alta dos preços, o que faz com que o ciclo de calibração dependa da evolução de novas informações e das perspectivas econômicas. As contas públicas permanecem como ponto de atenção. Em junho, o setor público registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões. Com a incorporação dos juros nominais, que somaram R$ 110,7 bilhões, o déficit nominal chegou a R$ 166 bilhões, evidenciando o impacto do custo financeiro da dívida sobre o resultado fiscal. A dívida bruta do governo geral alcançou 81,9% do PIB, enquanto a dívida líquida do setor público chegou a 68,5% do PIB. Por outro lado, o resultado externo apresentou melhora. O déficit em transações correntes caiu para US$ 2,3 bilhões em junho, ante US$ 5,2 bilhões registrados no mesmo mês de 2025. O resultado foi favorecido pelo saldo positivo da balança comercial, que alcançou US$ 8,8 bilhões e ajudou a compensar parcialmente o déficit na conta de serviços.
CEPEA/CNA
Índice de Preços ao Produtor cai 0,83% em julho e acumula alta de 3,09% em 2026, diz IBGE
Indicador conhecido pela variação de preços da indústria ou de “porta de fábrica” recuou pelo terceiro mês seguido, após quedas de 0,30% em maio e de 0,81% em junho
O Índice de Preços ao Produtor (IPP), conhecido como o indicador de inflação da indústria ou de “porta de fábrica”, por considerar os preços sem impostos e fretes, caiu 0,83% em julho, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Este foi o terceiro mês seguido de deflação na indústria, após quedas de 0,30% em maio e de 0,81% em junho. Com o recuo de 0,83% em julho, o IPP acumula alta de 3,09% em 2026. No resultado em 12 meses até julho, o aumento de preços é menor, de 1,94%. Onze das 24 atividades acompanhadas pelo IPP registraram queda de preços em julho. O IPP é formado por dois índices: o da indústria de transformação e o da indústria extrativa. A taxa na indústria de transformação passou de queda de -0,26% em junho para -0,67% em julho. O IPP da indústria extrativa caiu 4,38% em julho, depois de recuo de 11,85% em junho.
VALOR ECONÔMICO
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