Informativo Sindileite 211 02.09.2026

Ano 1 | nº 211 | 02 de setembro 2026

NOTÍCIAS

MARGEM DO PRODUTOR DE LEITE ATINGE O MAIOR NÍVEL DESDE 2024, APONTA RABOBANK

AgroInfo 2026 mostra recuperação do preço pago no campo para R$ 2,75 por litro, enquanto produção estagnada, importações elevadas e consumo enfraquecido definem o cenário do setor. Apesar da melhora na rentabilidade, o setor ainda enfrenta um ambiente desafiador.

As margens dos produtores brasileiros de leite alcançaram o melhor nível desde 2024, impulsionadas pela recuperação dos preços pagos no campo e pela manutenção dos custos de alimentação sob controle. A análise consta na edição de agosto do AgroInfo 2026, relatório elaborado pelo RaboResearch, braço de pesquisa do Rabobank para alimentos e agronegócio. Apesar da melhora na rentabilidade, o setor ainda enfrenta um ambiente desafiador. A demanda doméstica perdeu força no primeiro semestre, as importações de lácteos permanecem competitivas e a produção formal deve encerrar o ano próxima da estabilidade. O banco também alerta para os possíveis impactos de um El Niño forte. Enchentes no Sul e temperaturas elevadas em outras regiões podem prejudicar a produção e aumentar o estresse térmico dos rebanhos. Preço do leite ao produtor sobe para R$ 2,75 por litro. Depois de começar o ano próximo de R$ 2 por litro, o valor referente à produção de junho e pago em julho chegou a R$ 2,75 por litro. O patamar representa um avanço nominal de 3,9% em relação ao mesmo período de 2025. Quando considerada a inflação, entretanto, o preço ainda ficou ligeiramente abaixo do observado no ano passado. A recuperação foi favorecida por uma oferta menos intensa no primeiro semestre. Com menor disponibilidade de matéria-prima, as indústrias elevaram a remuneração para assegurar o volume necessário ao processamento. A combinação entre preços mais altos e custos relativamente controlados permitiu uma melhora significativa na rentabilidade das propriedades leiteiras. Dados do MilkPoint Mercado citados pelo Rabobank mostram que o indicador de renda menos custo da alimentação caiu para R$ 23,30 por vaca/dia em janeiro, considerando valores corrigidos pela inflação. Em julho, o indicador avançou para R$ 38,10 por vaca/dia. O resultado supera todos os níveis registrados nos 18 meses anteriores e confirma a recuperação das margens do produtor. A alimentação representa uma das principais despesas da pecuária leiteira. Por isso, o comportamento dos preços de milho, farelo de soja, silagem e outros componentes da dieta exerce influência direta sobre o resultado financeiro da atividade. Mesmo com a melhora recente, a manutenção da rentabilidade dependerá do comportamento dos custos e da capacidade das indústrias de sustentar os preços pagos pela matéria-prima. O Rabobank espera que a produção formal de leite encerre 2026 próxima da estabilidade em relação ao ano anterior. Em 2025, a captação inspecionada alcançou 27,5 bilhões de litros. A menor intensidade da oferta durante a primeira metade de 2026 ajudou a sustentar a recuperação dos preços no campo. O ritmo mais moderado da produção reflete os desafios enfrentados pelos pecuaristas nos últimos ciclos, incluindo margens apertadas, custos elevados, necessidade de investimentos e condições climáticas adversas em importantes bacias leiteiras. Enquanto a oferta cresce pouco, a demanda doméstica também apresenta sinais de enfraquecimento. Dados da Embrapa, por meio do Observatório do Consumidor, mostram que as vendas de produtos lácteos caíram 5% em volume durante o primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025. Em valor, o recuo foi de 2,2%. A diferença entre os dois indicadores demonstra que os preços mais elevados compensaram parcialmente a redução das quantidades comercializadas. O endividamento das famílias, a inflação ainda pressionada e a perda recente de renda real aparecem entre os fatores que podem limitar o consumo de alimentos até o fim do ano. Produtos de maior valor agregado tendem a sentir com mais intensidade a redução do poder de compra. Em períodos de orçamento apertado, consumidores podem diminuir a frequência de compra, substituir marcas ou migrar para opções mais baratas. O relatório AgroInfo prevê que as importações brasileiras de lácteos permaneçam em níveis elevados até o encerramento de 2026. Os preços internacionais ainda moderados, combinados com a valorização do leite no mercado doméstico, mantêm os produtos estrangeiros competitivos no Brasil. Essa diferença favorece a entrada de leite em pó, queijos, soro de leite e outros derivados, principalmente de países do Mercosul. A possível ocorrência de um El Niño forte está entre os principais fatores de atenção para a pecuária leiteira nos próximos meses. Na Região Sul, o excesso de chuva e a ocorrência de enchentes podem prejudicar pastagens, dificultar o transporte de leite, comprometer a qualidade dos alimentos armazenados e interromper o acesso às propriedades. Em outras regiões, temperaturas acima da média podem ampliar o estresse térmico dos animais. Vacas expostas ao calor excessivo tendem a reduzir o consumo de matéria seca e, como consequência, produzir menos leite. O estresse térmico também pode afetar a reprodução, a imunidade e a qualidade do produto. O cenário apresentado pelo Rabobank reúne fatores positivos e riscos importantes para a cadeia do leite. A menor oferta e a valorização da matéria-prima favoreceram a recuperação das margens no campo. Por outro lado, a retração das vendas, a entrada elevada de importados e as incertezas climáticas limitam a perspectiva de uma alta mais consistente nos preços. Para o produtor, a atenção deverá permanecer concentrada no custo da alimentação, no conforto térmico do rebanho e na evolução dos valores pagos pelas indústrias. Para o mercado, os próximos meses serão determinantes para avaliar se a recuperação das margens poderá estimular a produção ou se o consumo enfraquecido e as importações continuarão restringindo o avanço dos preços do leite no Brasil.

RABOBANK/ AgroInfo

NACIONAL

MATO GROSSO APROVA MULTA DE R$ 131 MIL POR LEITE IMPORTADO REIDRATADO

O que começou como uma proposta em 2024 ganhou nova redação e agora avança com uma penalidade que supera R$ 130 mil. Entre multas, apreensão e suspensão de registro, uma nova regra aprovada em primeira votação chama atenção da cadeia láctea.

A reidratação de leite em pó importado entrou em uma nova etapa em Mato Grosso. A Assembleia Legislativa aprovou, em primeira votação, um projeto que proíbe indústrias e laticínios instalados no estado de reidratar leite em pó importado para comercializá-lo como leite fluido. A proposta, de autoria do deputado Wilson Santos (PSD), tramita desde abril de 2024 e chegou ao plenário depois de uma trajetória marcada por substitutivos, mudanças de redação e diferentes posicionamentos dentro das comissões da Assembleia. O texto aprovado estabelece três consequências para quem descumprir a regra: apreensão do lote, multa de 500 Unidades Padrão Fiscal (UPF) e suspensão temporária ou definitiva do registro sanitário. Pelo valor da UPF vigente em agosto, de R$ 263,78, a multa chega a R$ 131,89 mil por infração. A partir de setembro, com a UPF em R$ 263,97, o valor passa para R$ 131,98 mil. A penalidade é aplicada à pessoa jurídica e não elimina a obrigação de interromper a prática nem impede a aplicação de outras sanções. O alcance da proposta é específico: a proibição aprovada em Mato Grosso se refere à utilização de leite em pó importado para produzir leite fluido. Isso significa que o mesmo insumo continua autorizado quando utilizado na fabricação de queijo, iogurte, bebida láctea, creme de leite ou leite condensado. O projeto também prevê uma exceção importante. Caso o Ministério da Agricultura e Pecuária autorize excepcionalmente a reconstituição do leite em pó, os efeitos da lei estadual ficam suspensos enquanto durar essa autorização. A fiscalização deverá ser realizada pelas autoridades de defesa sanitária animal, embora o texto não indique qual órgão será responsável pela operação. A decisão de Mato Grosso ocorre em um ambiente no qual outros estados também passaram a discutir restrições semelhantes. No Paraná, a Lei nº 22.765/2025 proibiu a reconstituição de leite em pó, composto lácteo, soro de leite e outros produtos lácteos importados quando destinados ao consumo alimentar. Durante a tramitação, a justificativa para ampliar a abrangência foi evitar que a restrição ao leite líquido pudesse ser contornada. Minas Gerais publicou, em 5 de agosto, a Lei nº 26.022, que prevê multa de até R$ 104,8 mil, suspensão de alvará e uma exceção para situações de desabastecimento comprovado, priorizando a reidratação de leite produzido no próprio estado. Santa Catarina também aprovou texto semelhante.

FATOS DE MATO GROSSO

EMPRESAS

Nestlé vende divisão de vitaminas e suplementos por US$ 1 bi para gestora americana

Portfólio de sete marcas que está sendo vendido inclui as linhas de suplementos Nature’s Bounty e Sisu

A gigante de alimentos de consumo Nestlé fechou um acordo para vender seu negócio de vitaminas, suplementos e minerais tradicionais por US$ 1 bilhão para a gestora americana Yellow Wood Partners, em mais um movimento para enxugar seu portfólio e focar em suas categorias prioritárias. O portfólio de sete marcas que está sendo vendido inclui as linhas de suplementos Nature’s Bounty e Sisu, informou a Nestlé na terça-feira (1º). Juntas, essas operações, concentradas principalmente nos Estados Unidos, registraram vendas de US$ 1,2 bilhão no ano passado. As marcas também estão presentes em mercados como Canadá e China. A Nestlé afirmou que a venda planejada faz parte de seus esforços para focar em áreas nas quais suas capacidades de inovação e construção de marcas oferecem uma vantagem competitiva relevante. Em particular, a companhia enxerga oportunidades de crescimento no segmento premium e baseado em ciência de vitaminas, minerais e suplementos, no qual marcas como Solgar e Pure Encapsulations seguem apresentando forte desempenho, segundo o diretor-presidente da empresa, Philipp Navratil. “Ao mesmo tempo, a categoria evoluiu e o negócio tradicional de vitaminas, minerais e suplementos exige uma abordagem diferente sob uma gestão dedicada”, declarou o executivo. Neste verão, o grupo suíço já havia fechado um acordo para transferir parte de sua divisão de águas para uma empresa conjunta com a gestora Platinum Equity, espelhando uma decisão tomada no início do ano de se afastar do negócio próprio de sorvetes. As alienações fazem parte de uma reestruturação sob a gestão de Navratil para organizar a empresa em torno de quatro pilares, café, cuidado para pets, nutrição e alimentos. A Yellow Wood Partners afirmou que as marcas adquiridas lideram categorias de alto crescimento, como hidratação, saúde intestinal e imunidade. A gestora espera que a operação do portfólio como um negócio independente permita acelerar o crescimento das marcas, impulsionar a inovação e reforçar suas posições de mercado. “À medida que a adesão a suplementos continua crescendo entre uma ampla gama de consumidores e a demanda por soluções de benefícios específicos se expande, vemos uma margem expressiva para impulsionar o crescimento orgânico em toda a plataforma”, disse Tad Yanagi, sócio da Yellow Wood. A transação está prevista para ser concluída até o primeiro semestre do próximo ano, sujeita a aprovações regulatórias, informou a Nestlé.

VALOR ECONÔMICO

INTERNACIONAL

GDT 411º registra estabilidade mesmo com novo recorde de volume negociado

O resultado do Leilão GDT manteve as cotações próximas da estabilidade, indicando um cenário de maior acomodação dos preços no mercado internacional.

O 411º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou leve avanço de 0,9% no GDT Price Index, com preço médio negociado de USD 3.910/tonelada. O resultado mantém as cotações próximas da estabilidade, após a valorização mais intensa observada no leilão anterior, indicando um cenário de maior acomodação dos preços no mercado internacional. Nos leites em pó, o movimento foi misto. O leite em pó desnatado (LPD) apresentou a principal valorização entre os produtos, com alta de 5,3%, atingindo USD 3.695/tonelada. O LPD vem demonstrando alta à quatro leilões consecutivos, resultado de uma maior procura por derivados proteicos, já que o produto pode servir como substituto para o Whey Protein Concentrate (WPC) em algumas formulações. Já o leite em pó integral (LPI) permaneceu praticamente estável, com leve recuo de 0,1%, sendo negociado a USD 3.585/tonelada. O comportamento distinto entre os produtos mostra uma maior sustentação do LPD, enquanto o LPI mantém as cotações próximas aos patamares observados nas últimas negociações. Entre os demais derivados, a muçarela apresentou estabilidade, com alta de 0,3%, atingindo USD 4.244/tonelada. A manteiga registrou queda de 0,8%, para USD 5.028/tonelada, enquanto a gordura anidra do leite recuou 1,3%, sendo negociada a USD 5.917/tonelada. O volume negociado totalizou 43.976 toneladas, aumento de 7,1% frente ao leilão anterior e de 6,1% na comparação com o mesmo período de 2025. O resultado representa um novo recorde de volume negociado em 2026, superando os patamares registrados em 2024 e 2025. Mesmo com o avanço da oferta disponível consequente da safra da Nova Zelândia, o GDT Price Index permaneceu próximo da estabilidade, indicando que o mercado conseguiu absorver o maior volume comercializado sem gerar uma pressão significativa sobre as cotações. Por outro lado, o número de participantes recuou 10,8%, totalizando 157 compradores, após atingir 176 no leilão anterior. O movimento indica uma redução no número de agentes ativos nesta edição, embora o volume elevado de produtos tenha sido escoado sem pressão dos preços. Na NZX, os preços futuros de leite em pó integral (WMP) apresentam novos movimentos de valorização, sinalizando uma melhora nas expectativas para os próximos meses. O comportamento dos contratos indica maior sustentação das referências internacionais, mesmo diante dos elevados níveis de oferta na Nova Zelândia observados nos últimos leilões. Esse movimento sugere uma percepção mais positiva dos agentes em relação à trajetória futura dos preços, embora o comportamento da demanda internacional permaneça determinante para a continuidade dessa valorização. O resultado do GDT 411º reforça um cenário internacional de maior estabilidade, com destaque para a valorização do LPD e a manutenção do LPI em patamar praticamente inalterado. No entanto, a recuperação observada no mercado externo ainda encontra um cenário doméstico mais acomodado. No Brasil, os preços dos derivados seguem estáveis, enquanto a disponibilidade de produtos importados continua limitando movimentos de valorização mais consistentes. Assim, mesmo com sinais mais positivos vindos dos contratos futuros, a transmissão para o mercado brasileiro tende a ser de maior estabilidade e gradual. Nesse contexto, o câmbio e o ritmo das importações permanecem como pontos importantes de atenção, especialmente para os leites em pó. A combinação entre preços internacionais, competitividade dos produtos externos e disponibilidade no mercado doméstico continuará sendo determinante para a formação das cotações brasileiras nas próximas semanas.

MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar recua ante o real com perspectiva de disputa eleitoral mais acirrada

Mesmo assim, a divisa brasileira foi uma das mais fortes na sessão de ontem e isso pôde se justificar pelo misto de ajustes de posição

O dólar à vista exibiu desvalorização frente ao real na terça-feira, em um movimento descolado da maioria das moedas mais líquidas, ainda que alinhado a alguns mercados pares. Mesmo assim, a divisa brasileira foi uma das mais fortes na sessão de ontem e isso pode ser justificado pelo misto de ajustes de posição, pelo otimismo com o cenário eleitoral, diante de uma possível disputa mais acirrada, e pelo suporte vindo dos preços do petróleo, que fecharam em forte alta. Encerradas as negociações do mercado à vista, o dólar fechou negociado em queda de 0,47%, cotado a R$ 5,1556, depois de ter tocado na mínima de R$ 5,1379 e batido na máxima de R$ 5,2016. Já o euro comercial recuou 0,74%, negociado a R$ 5,9733. No exterior, perto das 17h10, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,27%, aos 99,695 pontos. “O cenário eleitoral melhorando para a direita pode explicar essa outperformance [valorização acima dos pares] do real”, diz um gestor de moedas, na condição de anonimato. Já um trader aponta que não vê algo específico fazendo preço, mas um cenário como um todo mais construtivo. “O real teve um desempenho bastante fraco em agosto, mesmo com o petróleo subindo, então faz sentido um movimento como o de hoje.” O sócio e diretor de investimentos (CIO) da Armor Capital, Alfredo Menezes, diz que a disputa eleitoral mais acirrada pode ter beneficiado os mercados locais na terça. “Um bom termômetro disso é o pré longo”, diz, fazendo referência aos juros futuros de longo prazo. “As taxas longas dos Treasuries abriram [subiram], e mesmo assim as nossas caíram. E os nossos juros longos estão muito ligados à expectativa por um ajuste fiscal. Então uma disputa acirrada pode ajustar o prêmio que há nisso”, afirma, fazendo referência ao fato de que o mercado vê com bons olhos uma mudança na condução da política fiscal do país´.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa fecha em alta com impulso de Petrobras e PIB

O Ibovespa fechou em alta na terça-feira, ultrapassando os 181 mil pontos na máxima pela primeira vez em quase quatro meses, endossado por blue chips, notadamente Petrobras, em meio a novo avanço do petróleo no exterior.

A primeira sessão de setembro também incluiu dados sobre o PIB do Brasil no segundo trimestre, que confirmaram a desaceleração da atividade econômica e alimentaram expectativas de novos cortes na taxa Selic. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou em alta de 1,27%, a 179.676,78 pontos, de acordo com dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 181.060,89 pontos. Na mínima, marcou 177.299,50 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$26,98 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

PIB da Agropecuária cresceu 6,8% no segundo trimestre de 2026

Desempenho foi registrado na comparação com o mesmo período em 2025. Quando a relação é com o primeiro trimestre deste ano, a expansão foi de 2,8%. Café esteve entre os principais vetores de crescimento do PIB da agropecuária no segundo trimestre

O Produto Interno Bruto (PIB) do setor agropecuário teve crescimento de 2,8% no segundo trimestre, na comparação com o primeiro trimestre. A alta do segundo trimestre veio em acima da projeção mediana de aumento de 0,2%, esperada por analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor. Em comparação ao segundo trimestre de 2025, o PIB agro cresceu 6,8%. A expectativa mediana pelo Valor era de aumento de 1,6%. No resultado acumulado em 12 meses, o setor agropecuário avançou 6,2% até o segundo trimestre. O resultado acumulado até o primeiro semestre de 2026 foi de 3,6%. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, houve aumento de 5,3% da soja e de 15,1% do café. Por outro lado, os destaques negativos foram arroz (-11,3%) e algodão (-6,7%). “A agropecuária foi puxada pela soja, café e pela pecuária, com destaque para aves e bovinos”, afirmou o coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes. O IBGE informou que o Priduto Interno Bruto da Agropecuária atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 1996. Em valores correntes, a produção rural gerou R$ 204,6 bilhões entre abril e junho de 2026. A participação do setor no PIB do Brasil (de R$ 3,4 trilhões) foi de 6,01%.

VALOR ECONÔMICO

Cota da China antecipou abates e impactou PIB do agro no primeiro semestre, diz FGV

Movimento tende a ser um ponto de atenção para a segunda metade do ano, quando a demanda do gigante asiático estará menos aquecida. Boa notícia para o segundo semestre é a janela de importação para os EUA

A cota estabelecida pela China para a importação de carne bovina em 2026 provocou uma “corrida” dos frigoríficos para atender à demanda no primeiro semestre, antecipando abates que seriam realizados na segunda metade do ano. O resultado pode ser observado no desempenho positivo do PIB agropecuário do segundo trimestre, mas será um ponto de atenção para a pecuária brasileira no segundo semestre, avalia Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro. “Todo mundo queria colocar o maior volume possível de carne bovina no mercado chinês antes de atingir a cota, e aí houve um movimento de antecipar uma parte dos abates que estariam no segundo semestre”, explica o especialista.

VALOR ECONÔMICO

PIB do Brasil desacelera no 2º trimestre, mas sustenta avanço anual de 1,9%

A economia brasileira perdeu fôlego e cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os primeiros três meses deste ano, mostram dados divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Com a variação, acima das expectativas dois analistas, o PIB (Produto Interno Bruto) nacional acumula alta de 1,9% nos últimos quatro trimestres.

Avanço do PIB desacelera na comparação trimestral. O leve avanço de 0,5% da economia brasileira em relação ao primeiro trimestre ficou abaixo da taxa apurada nos três meses anteriores, de 1,1%. Desempenho no segundo trimestre veio levemente acima das expectativas de analistas. Para a divulgação de ontem, as projeções do mercado financeiro projetavam um crescimento de 0,4% da economia na base de comparação trimestral. No acumulado de quatro trimestre, desempenho foi o mais fraco em meia década. O Brasil cresceu 1,9% nos últimos quatro trimestres encerrados em 30 de junho. A variação ante os quatro períodos imediatamente anteriores foi a menor desde o primeiro trimestre de 2021 (-2,9%). No mesmo intervalo entre abril e junho do ano passado, a soma de bens e serviços finais produzidos no Brasil acumulava alta anual bem maio, de 3,3%. Apesar da desaceleração, PIB nacional alcançou o 21º trimestre consecutivo de crescimento. A alta acumulada em quatro trimestres mantém a trajetória positiva do indicador. Já em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, a economia avançou 2% após três períodos de estabilidade em 1,8% e segue positiva na comparação desde o quarto trimestre de 2020 (-0,3%). Em valores correntes, o Brasil produziu R$ 3,4 trilhões. A geração registrada no período entre janeiro e março deste ano é composta por R$ 2,9 trilhões referentes ao valor adicionado a preços básicos e por R$ 487,9 bilhões aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios. Taxa de investimento foi de 16,1% do PIB, abaixo dos 16,6% do segundo trimestre de 2025. Já a taxa de poupança foi de 16,6%, superando os 16,5% do mesmo trimestre de 2025. Consumo das famílias encolheu ante o primeiro trimestre. A queda de 0,4% é a maior registrada na comparação com os três meses imediatamente anteriores desde os últimos três meses de 2024 (-0,6%). Em relação ao mesmo período do ano passado (+0,5%) e no acumulado dos últimos quatro trimestres (+0,9%), os números seguem positivos. Gastos do governo permanecem em trajetória de expansão. A soma de R$ 667,7 bilhões consumidos pela administração pública representa uma alta de 0,4% na comparação com o primeiro trimestre. O aumento alcança 3,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

UOL ECONOMIA

Retração da indústria brasileira se aprofunda em agosto com quedas de produção e novos negócios, mostra PMI

A retração da atividade no setor industrial do Brasil se intensificou em agosto, com a produção e os novos negócios registrando as maiores quedas desde abril de 2023, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada na terça-feira.

O PMI da indústria, compilado pela S&P Global, caiu em agosto para 46,3, de 47,5 em julho, indicando a segunda deterioração mensal consecutiva e a contração mais acentuada em 40 meses. A marca de 50 separa crescimento de retração. “Os próximos meses parecem desafiadores, com os fabricantes enfrentando incertezas relacionadas às eleições presidenciais, condições frágeis de demanda e tensões geopolíticas globais contínuas”, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence. Os dados da pesquisa apontaram para um enfraquecimento generalizado da demanda, com as empresas relatando vendas mais baixas, concorrência acirrada, relutância dos clientes em se comprometer com novos projetos e desafios contínuos nos setores agrícola e automotivo. A produção caiu pelo quarto mês consecutivo, com os participantes da pesquisa citando redução no volume de pedidos, retração da demanda, pressões sobre os custos e incerteza geopolítica. O volume de novos negócios diminuiu pelo 17º mês consecutivo, com a taxa de contração acelerando em relação a julho. Segundo a pesquisa, ficaram evidentes reduções entre os produtores de bens de consumo, bens intermediários e bens de investimento. Os novos pedidos para exportação industrial diminuíram pelo quarto mês seguido e no ritmo mais intenso em pouco mais de três anos e meio. Os participantes da pesquisa observaram queda nas vendas para a Argentina e os Estados Unidos, em particular. A demanda mais fraca afetou o número de funcionários e a capacidade produtiva na indústria. O emprego caiu pelo segundo mês consecutivo e na maior proporção desde outubro de 2025, com as empresas citando medidas de controle de custos, demanda moderada, condições de mercado difíceis e, em alguns casos, escassez de candidatos adequados. A inflação dos custos de insumos e dos preços de venda continuou desacelerando pelo quarto mês seguido em agosto, recuando dos recentes picos registrados em abril e atingindo os níveis mais baixos desde fevereiro. As empresas que aumentaram seus preços citaram o repasse dos custos mais elevados aos clientes. Os fabricantes brasileiros permaneceram otimistas em relação às perspectivas para o próximo ano, embora a confiança tenha diminuído em relação a julho. Quase 61% das empresas esperam que a produção aumente nos próximos 12 meses, enquanto apenas 3% preveem queda. A confiança foi sustentada por expectativas de condições econômicas melhores após as eleições presidenciais, investimentos em tecnologia, ganhos de produtividade, lançamentos de novos produtos e parcerias comerciais.

REUTERS

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