Informativo Sindileite 171 08.07.2026

Ano 1 | nº 171 | 08 de julho de 2026

NOTÍCIAS

Centro de Excelência em Leite avança para fase de construção no Paraná

Edital de licitação prevê a implantação do complexo em Castro, com capacidade para formar 500 profissionais por ano.

O Sistema Faep, em parceria com o Sistema CNA, publicou o edital para a construção do Centro de Excelência em Leite, futuramente localizado em Castro, na região dos Campos Gerais, no Paraná. A licitação acontece na modalidade concorrência, do tipo menor preço global. As empresas interessadas devem entregar os documentos de habilitação e propostas de preço na sede do Sistema Faep, em Curitiba, às 9 horas do dia 15 de julho. “Esta é mais uma etapa importante no processo de construção do Centro de Excelência em Leite, que vai transformar ainda mais a cadeia do leite no Paraná e no Brasil. Afinal, vamos formar profissionais de todos os cantos do país”, destacou o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Construir o Centro de Excelência em Leite significa modernizar ainda mais a atividade, produzindo conhecimento e formando profissionais especializados”, acrescentou. A empresa contratada deverá fornecer material, mão de obra e todos os equipamentos necessários à realização dos serviços, conforme previstos no edital. O prazo de execução da obra é de três meses corridos. Caso deseje, o licitante pode realizar uma vistoria técnica para verificar as condições do local. A estrutura terá 4,3 mil m² de área construída em um terreno de quatro hectares, anexo ao Parque Tecnológico da Agroleite, em Castro. O projeto prevê oito blocos, que abrigarão salas de aula, laboratórios, biblioteca, refeitório, salas administrativas, entre outros espaços. O complexo seguirá a identidade visual dos prédios da Agroleite, que incorporam elementos da arquitetura holandesa, fortalecendo o vínculo com a comunidade local. O complexo educacional ofertará cursos de especialização em Bovinocultura de Leite e técnico em Agropecuária, ambos reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC). A expectativa é formar 500 profissionais anualmente.

FAEP/CNA

BRASIL COMPROU LEITE COMO NUNCA

As importações de lácteos alcançaram o maior volume já registrado para um primeiro semestre

De um lado, o país registrou o maior volume de importações já observado para um primeiro semestre em toda a série histórica. Do outro, as exportações permaneceram entre as menores desde 2013, ampliando um desequilíbrio que segue pressionando o comércio exterior dos lácteos. O levantamento mostra que os recordes deixaram de ser um episódio isolado. Desde 2023, cada primeiro semestre supera o anterior em volume importado, consolidando uma sequência inédita. Em março de 2026 foi registrado o maior volume mensal de importações da série histórica, equivalente a 230 milhões de litros de leite, enquanto abril, maio e junho também estabeleceram recordes para seus respectivos meses. A maior parte desse movimento continua concentrada em um único grupo de produtos. A categoria NCM0402, que reúne principalmente leite em pó e produtos relacionados, respondeu por 72% de todo o volume importado em equivalente leite durante o semestre. Apenas em junho, as compras dessa categoria cresceram 27% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os queijos também seguiram a mesma trajetória. A categoria NCM0406 registrou um novo recorde semestral, com os três maiores volumes mensais para um primeiro semestre desde 2013. Mesmo após recuar 8,4% em junho frente ao pico registrado em maio, o volume permaneceu 57% superior ao observado em junho de 2025. Em valores, as importações brasileiras de produtos lácteos aumentaram 6,8% no primeiro semestre frente ao mesmo período do ano passado, enquanto junho apresentou crescimento interanual de 27,4%. Leite em pó e queijos responderam por mais de 90% do valor importado, sendo 66% provenientes da categoria NCM0402 e 26% da NCM0406. Enquanto as compras externas aceleraram, as exportações caminharam na direção oposta. Em equivalente leite, o Brasil exportou apenas 3,9% do volume que importou durante o semestre, configurando a segunda menor quantidade exportada para um primeiro semestre desde 2013. O déficit do comércio brasileiro de produtos lácteos permaneceu negativo em todos os indicadores e atingiu o maior déficit da série histórica em equivalente leite para um primeiro semestre. Em valores, o saldo negativo chegou a US$ 512 milhões, apenas 0,8% inferior ao recorde registrado em 2023, mantendo-se em um dos níveis mais elevados da série. A própria composição desse déficit mostra onde está concentrada a pressão sobre a balança comercial. No primeiro semestre de 2026, a categoria NCM0402 respondeu por 70,4% do déficit, enquanto os queijos (NCM0406) representaram 26,2%. As demais categorias apresentaram superávit, insuficiente para compensar o peso desses dois segmentos.

EDAIRYNEWS/TERRAVIVA

INTERNACIONAL

Excesso de oferta de leite adia recuperação dos preços até o fim de 2026

Produção mundial em ritmo elevado, demanda mais fraca e margens pressionadas devem manter o mercado de leite em ajuste ao longo do terceiro trimestre. Oferta global avançou cerca de 5,5% na comparação anual 

O mercado global de leite e derivados deve atravessar um período de maior pressão ao longo do terceiro trimestre de 2026, diante de um desequilíbrio entre oferta e demanda. A avaliação faz parte do relatório Perspectivas 2026, da StoneX, elaborado a partir das análises de Inteligência de Mercado lideradas por Nate Donnay, que apontam que a recuperação dos preços dos lácteos deve ser mais lenta do que o esperado. No fim de 2025, a oferta global avançou cerca de 5,5% na comparação anual, ritmo considerado elevado para o histórico do setor. Mesmo com a queda das cotações internacionais, os produtores não reduziram rapidamente a produção, movimento influenciado principalmente pela redução nos custos de alimentação animal e pela expansão da capacidade de processamento. Segundo a análise da StoneX, esse excesso de oferta deve prolongar o período de ajuste e atrasar o reequilíbrio do mercado para o fim de 2026. Com mais leite disponível, os preços internacionais tendem a permanecer pressionados durante boa parte do terceiro trimestre. Entre os maiores fornecedores mundiais, os Estados Unidos já sentem os efeitos desse cenário. A queda nos preços de produtos como manteiga e queijo reduziu as margens dos produtores norte-americanos para níveis abaixo do ponto de equilíbrio, aumentando a pressão sobre a rentabilidade das fazendas. Na União Europeia, os preços do leite também recuaram de forma significativa, o que deve impactar os pagamentos recebidos pelos produtores nos próximos meses. Apesar disso, um ciclo mais tardio de partos deve manter a produção europeia em expansão até meados de 2026, dificultando uma redução mais rápida da oferta. Na Nova Zelândia, principal exportadora mundial de lácteos, a produção apresentou crescimento de 4,2% nos primeiros meses da temporada. O aumento ocorreu mesmo diante de desafios climáticos e foi acompanhado por um uso recorde de palm kernel expeller, coproduto do processamento do óleo de palma utilizado na alimentação dos animais. O movimento indica que os produtores neozelandeses buscaram sustentar os volumes produzidos, contribuindo para manter o mercado global abastecido. Para o mercado brasileiro, o ambiente externo influencia principalmente as perspectivas de preços e oportunidades de exportação. A maior disponibilidade global de leite tende a limitar uma recuperação mais consistente das cotações internacionais, enquanto produtores seguem atentos aos custos de produção e ao comportamento do consumo interno. A expectativa da StoneX é que o mercado passe por uma fase prolongada de ajuste, com a retomada do equilíbrio entre oferta e demanda ocorrendo apenas mais próximo do encerramento de 2026. Até lá, o setor deve conviver com preços pressionados e margens mais apertadas para produtores em diferentes regiões do mundo. Do lado do consumo, o cenário também é de desaceleração já que a demanda por queijo na Europa, que vinha sendo um dos principais pontos de sustentação do mercado, perdeu força nos últimos meses. O mesmo movimento foi observado para produtos como manteiga e gordura anidra de leite, conhecida pela sigla AMF. Outro sinal de menor dinamismo está no mercado de leite em pó desnatado. As importações globais do produto apresentam tendência de queda há dois anos, indicando estoques mais confortáveis ou menor necessidade de compras por parte dos principais importadores. Com consumidores mais cautelosos e estoques elevados, a demanda global não tem avançado no mesmo ritmo da produção, ampliando o desequilíbrio entre oferta e consumo. Além dos fundamentos de mercado, o setor também acompanha os impactos geopolíticos sobre as cadeias de abastecimento. De acordo com a StoneX, aproximadamente 6% do comércio internacional de lácteos passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica afetada pelas tensões envolvendo o Irã. A instabilidade na região elevou a complexidade logística, com aumento de custos relacionados a fretes e seguros marítimos. O impacto já aparece principalmente nos países do Golfo Pérsico, onde o consumo de lácteos foi afetado pela maior dificuldade operacional. Por outro lado, a interrupção das exportações iranianas de leite em pó retirou parte da oferta disponível no mercado internacional, funcionando como um fator de compensação parcial diante da redução da demanda regional.

CNNBRASIL

GDT 407º registra queda acentuada e reforça pressão sobre os preços globais

O 407º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou queda de 4,9% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.793/tonelada. O resultado foi marcado por reajustes mais acentuados em diversas categorias e reforça um ambiente internacional mais pressionado para os preços dos lácteos no curto prazo.

Nos leites em pó, o movimento foi de reajustes. O leite em pó integral (LPI) recuou 4,4%, sendo negociado a USD 3.425/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) apresentou queda ainda mais intensa, de 7,0%, atingindo USD 3.135/tonelada. O comportamento reforça a perda de sustentação do segmento, em meio ao avanço sazonal da oferta no mercado internacional. Entre queijos e manteiga, o movimento foi distinto. A muçarela avançou 3,8%, sendo negociada a USD 3.897/tonelada. Já o cheddar registrou queda acentuada de 12,3%, a maior retração entre os produtos negociados, atingindo USD 3.900/tonelada. A manteiga foi negociada a USD 5.336/tonelada, com recuo de 5,0%, enquanto a gordura anidra do leite caiu 3,9%, para USD 6.341/tonelada. O volume negociado totalizou 26.316 toneladas, aumento de 103,7% em relação ao leilão anterior. O avanço está relacionado à entrada sazonal da safra de leite da Nova Zelândia, que amplia a disponibilidade de produtos no mercado internacional. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também apresentou alta, de 2,4%. O aumento expressivo da oferta, combinado à queda do índice e dos preços de importantes categorias, indica que o mercado passa a absorver uma maior disponibilidade de produtos, com os compradores mantendo uma postura mais cautelosa nas negociações. Na NZX, o mercado futuro de leite em pó integral (WMP) segue indicando um ajuste nas expectativas para os próximos meses. Os contratos apresentam maior estabilidade, porém em patamares inferiores aos observados anteriormente, refletindo a expectativa de maior oferta com o avanço da safra na Nova Zelândia e na Austrália. Esse cenário tende a limitar movimentos mais consistentes de recuperação no curto prazo, uma vez que a maior disponibilidade de leite e derivados amplia a pressão sobre as cotações. Ainda assim, a evolução da demanda internacional será determinante para definir a intensidade desse movimento ao longo dos próximos leilões. O resultado do GDT 407º reforça um ambiente internacional mais pressionado para os preços dos lácteos, especialmente nos leites em pó. Esse movimento tende a reduzir a sustentação externa para o mercado brasileiro e pode ampliar a competitividade dos produtos importados. No Brasil, o leite em pó integral já vem acompanhando parcialmente o comportamento internacional, com reajustes negativos na última semana. Apesar dessa influência, a formação dos preços no mercado doméstico segue condicionada a fatores internos, como demanda, estoques, disponibilidade de matéria-prima e dinâmica de negociação entre indústria e varejo. O câmbio permanece como uma variável importante na transmissão desse cenário. Caso o real se valorize, a queda dos preços internacionais pode favorecer ainda mais a entrada de produtos importados, reforçando a pressão sobre as cotações domésticas. Dessa forma, o mercado brasileiro deve permanecer atento à evolução da safra na Oceania, aos próximos resultados do GDT e ao comportamento das importações.

MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar fecha em alta ante real após EUA revogarem autorização para petróleo do Irã

Após sustentar variações discretas ao longo do dia, o dólar se firmou em alta ante o real na reta final da sessão da terça-feira, em sintonia com o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, após os EUA revogarem uma autorização para a venda do petróleo iraniano.

Com as preocupações relacionadas ao Oriente Médio renovadas, o dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,42%, aos R$5,1539. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,10% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,52% na B3, aos R$5,1845. O dólar exibiu variações contidas ante o real até o meio da tarde, quando surgiu a notícia de que os EUA revogaram uma licença geral que autorizava a venda de petróleo iraniano, conforme informou uma autoridade norte-americana, alertando que as ações do Irã no Estreito de Ormuz eram “totalmente inaceitáveis”. Mais cedo, a agência UKMTO, ligada à Marinha britânica, informou que três petroleiros relataram terem sido atingidos por projéteis desconhecidos no Estreito de Ormuz e nas proximidades nos últimos dias. Não houve comentário imediato de Teerã, nem reivindicação de responsabilidade. A revogação da licença deu força ao petróleo, acelerou o avanço dos rendimentos dos Treasuries e impulsionou o dólar ante outras divisas, incluindo o real. Após marcar a cotação mínima intradia de R$5,1294 (-0,05%) às 9h30, ainda na primeira hora da sessão, o dólar atingiu a máxima de R$5,1644 (+0,63%) às 16h18, já após a notícia sobre a licença para o petróleo iraniano. “O conflito entre EUA e Irã já se arrasta há meses sem sinal de solução, e essa indefinição segue sustentando a busca por proteção e reduzindo o espaço para cortes de juros americanos”, resumiu à tarde Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, em comentário escrito. No exterior, o dólar também subia ante outras divisas de países emergentes, como o peso mexicano, o rand sul-africano e a lira turca.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda pressionado por Vale, mas acima de 172 mil pontos

O Ibovespa fechou em queda na terça-feira, pressionado principalmente pelas ações da Vale, enquanto os papéis da Petrobras evitaram um declínio mais forte, em dia de alta do petróleo no exterior. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,25%, a 172.020,68 pontos, tendo marcado 171.417,06 pontos na mínima e 173.543,67 pontos na máxima do dia.  O volume financeiro somou R$20,82 bilhões. No exterior, a cena geopolítica retomou os holofotes após ataques a navios perto do Estreito de Ormuz, o que elevou os preços do petróleo, enquanto o setor de tecnologia pressionou Wall Street, com o S&P 500 encerrando com declínio de 0,45%. Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, o pregão brasileiro foi influenciado por fatores externos, com o setor de tecnologia pressionando Wall Street, além dos ataques nas proximidades do Estreito de Ormuz, que fizeram os preços do petróleo subir no mercado internacional.

REUTERS

IGP-DI cai 0,79% em junho, informa FGV

Índice acumulou alta de 3% no ano e de 3,59% em 12 meses

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) caiu 0,79 % em junho, depois de avançar 0,80% em maio. Com este resultado, o índice acumula alta de 3% no ano e de 3,59% em 12 meses. Em junho de 2025, o IGP-DI havia caído 1,80% e acumulava alta de 3,83% em 12 meses. O resultado ficou acima da mediana de -0,57% das projeções dos economistas ouvidos pelo Valor Data, e dentro do intervalo das projeções de -0,36 a -0,80%. No acumulado em 12 meses, a mediana era de 3,83%, com intervalo de 3,58% a 4,04%. Em junho, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 1,36% ante variação positiva de 0,95%, no mês anterior. Analisando os diferentes estágios de processamento, o grupo de Bens Finais caiu 0,05% em junho, apresentando movimento oposto à alta de 0,91% observada em maio. O índice de Bens Finais (ex), que exclui os subgrupos de alimentos in natura e combustíveis para consumo, passou de 0 em maio para 0,01% em junho. A taxa do grupo Bens Intermediários registrou alta de 0,02% em junho, porém inferior à taxa de 0,77% observada no mês anterior. O índice de Bens Intermediários (ex), que exclui o subgrupo de combustíveis e lubrificantes para a produção, caiu 0,04% em junho, ante alta de 0,12% em maio. Por fim, o estágio das Matérias-Primas Brutas apresentou queda de 3,19% em junho, após subir 1,10% no mês anterior. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) registrou alta de 0,36%, porém com menor intensidade que no mês passado, quando o índice subiu 0,60%. Entre as oito classes de despesa que compõem o índice, cinco classes apresentaram recuo: Habitação (1,18% para 0,37%); Alimentação (1,29% para 0,47%); Vestuário (0,99% para ‑0,52%), Despesas Diversas (1,38% para 1,30%) e Comunicação (0,09% para 0,02%). Em contrapartida, três classes de despesa exibiram aumento em suas taxas de variação: Transportes (0,71% para 0,10%); Educação, Leitura e Recreação (0,20% para 0,37%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,47% para 0,50%). O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,78% em junho, de 0,88% em maio. Observam-se movimentações distintas nos três grupos que compõem o INCC na transição de maio para junho: o grupo Materiais e Equipamentos recuou de 1,21% para 0,56%; o grupo Serviços retrocedeu de 0,57% para 0,15%; e o grupo Mão de Obra intensificou a alta de 0,50% para 1,15%.

VALOR ECONÔMICO

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