Informativo Sindileite 170 07.07.2026

Ano 1 | nº 170 | 07 de julho de 2026

NOTÍCIAS

Castrolanda quer crescer 5% em 2026, aposta em ‘cozinha industrial’ para bovinos e foge de modelo tradicional nos laticínios

A Castrolanda Cooperativa Agroindustrial, que completa 75 anos em 2026, segue com seu plano estratégico de crescimento sustentável. Ao todo, serão investidos R$ 500 milhões em três projetos, todos localizados em Castro (PR).

Fundada em 1951 em Castro (PR) por imigrantes holandeses, a cooperativa é uma das principais do Sul do Brasil, reunindo cerca de 1.300 cooperados e forte atuação nos segmentos de leite, grãos, carnes e batata. No ano passado, a cooperativa faturou R$ 6,2 bilhões. Para este ano, a expectativa é alcançar R$ 6,5 bilhões, um crescimento de 4,84%, embora abaixo da projeção inicial de R$ 6,9 bilhões divulgada no início de 2026. A revisão das estimativas reflete um cenário mais desafiador para o agronegócio, marcado pela pressão sobre os preços das commodities agrícolas e pelo aumento dos custos com insumos e fertilizantes. Embora tenha sede em Castro, a Castrolanda atua em diversos municípios vizinhos, como Ponta Grossa, Piraí do Sul e Ventania. A cooperativa também está presente no sul do estado de São Paulo, nas cidades de Itaberá, Itararé e Itapetininga, onde mantém uma unidade voltada à atividade leiteira. Mais recentemente, a cooperativa desembarcou em Colinas do Tocantins, com foco na comercialização de insumos para produtores de grãos, além de oferecer estruturas de armazenagem e secagem da produção. Após passar por um processo de reorganização interna entre 2024 e 2025, a cooperativa entrou em uma nova fase focada na expansão. Ao todo, serão investidos R$ 500 milhões em três projetos, todos localizados em Castro (PR). O principal investimento será a construção de uma nova torre de secagem para a indústria de leite, um projeto de grande porte cuja conclusão está prevista para ocorrer em um prazo de três a quatro anos. O segundo projeto prevê a construção de uma fábrica de tortilhas. Toda a produção será destinada a um cliente distribuidor responsável pela comercialização dos produtos. Já o terceiro investimento chama atenção pelo conceito inovador: trata-se da construção de uma Unidade de Dietas Bovinas (UDB), definida pelo diretor-presidente da Castrolanda, Willem Berend Bouwman, como uma “grande cozinha industrial” voltada à preparação de dietas prontas para bovinos. “Nós compramos todos os ingredientes para alimentação dos animais, como soja, casca de soja, casca de citros e caroço de algodão. A mistura balanceada será preparada industrialmente e entregue aos cooperados, que precisarão apenas adicionar silagem na propriedade antes de fornecer a alimentação aos animais”, disse, ao Money Times. Segundo Bouwman, o objetivo é facilitar a rotina dos produtores, eliminando a necessidade de formular e estruturar as dietas nas propriedades. “Fazemos isso de forma mais profissional e industrial, reduzindo desperdícios e aumentando a qualidade da alimentação”, afirma. A Castrolanda, juntamente com as cooperativas Frísia e Capal, integra a intercooperação Unium. Por meio dessa parceria, as três cooperativas formam o segundo maior captador de leite do Brasil. “Nós produzimos juntos cerca de 3 milhões de litros de leite por dia, um volume gigantesco que industrializamos.” Segundo o presidente da Castrolanda, o setor apresenta oscilações naturais de preços ao longo do ano, mas costuma operar com margens relativamente estáveis, entre 15% e 20%. “O produtor de leite está em um período complicado porque estamos saindo da safra e entrando no inverno, o que reduz a produção e melhora um pouco os preços. Também temos a questão do leite em pó importado, que concorre de maneira indireta com o nosso produto.” Na avaliação de Bouwman, o segmento de laticínios enfrenta desafios relevantes. Ainda assim, a estratégia da Castrolanda difere da adotada por boa parte das empresas do setor. “Grupos como Frimesa, Aurora, Piracanjuba, Italac e Lactalis trabalham no modelo B2C, levando seus produtos diretamente às prateleiras dos supermercados. Nós produzimos e industrializamos, mas a maior parte do nosso leite é comercializada acompanhada de uma prestação de serviço para grandes empresas.” Dessa forma, a Unium concentra sua atuação na industrialização e na prestação de serviços para grandes companhias do setor. Nesse modelo, o leite é entregue já processado e envasado em embalagens UHT para clientes que comercializam o produto com suas próprias marcas. Apenas uma pequena parcela da produção é vendida diretamente pela cooperativa. “O mercado de lácteos é desafiador, e o segmento de leite UHT é ainda mais competitivo. Quando falamos de produtos de maior valor agregado, como queijos e iogurtes, que oferecem margens um pouco melhores, também enfrentamos preços apertados por causa da inflação e da perda do poder de compra da população. O mercado realmente atravessa um momento bastante delicado.”

MONEY TIMES

NACIONAL

estabilidade do setor leiteiro no RS melhora o ambiente para produtores, indústria e consumidores

A combinação entre preços estáveis e custos mais moderados cria um cenário mais confortável para o produtor gaúcho em 2026. A estabilidade do setor leiteiro no RS passou a ser o principal sentimento entre os produtores gaúchos em 2026.

Depois de um período marcado por forte oscilação nas cotações, o mercado entrou em uma fase de maior previsibilidade, com preços praticamente estáveis e custos de produção sem grandes pressões, criando um ambiente considerado mais confortável para quem produz leite. O valor de referência do leite projetado para junho ficou em R$ 2,4281 por litro, praticamente no mesmo nível do resultado consolidado de maio, de R$ 2,4302. Segundo o Conseleite/RS, o comportamento confirma a trajetória de estabilidade observada ao longo do mercado neste ano. A diferença fica mais evidente quando comparada ao início do ano. Em janeiro, o valor de referência pago ao produtor era de R$ 2,0560 por litro, enquanto no último mês de 2025 estava em R$ 2,0180, mostrando uma recuperação seguida por um período de equilíbrio. Os números são calculados pela Universidade de Passo Fundo (UPF), com base nas informações fornecidas pelas indústrias sobre a movimentação dos primeiros 20 dias de cada mês. Para Darlan Palharini, secretário-executivo do Sindilat/RS, o cenário atual representa uma mudança importante para toda a cadeia. Segundo ele, 2026 tem sido positivo para produtores, indústria e consumidores, já que os derivados lácteos também não registram grandes aumentos de preços. Após uma recuperação observada em abril, maio e junho mantiveram o comportamento, consolidando um ambiente de maior previsibilidade. Mesmo reconhecendo que as margens permanecem mais ajustadas do que em 2024 e no primeiro semestre de 2025, Palharini considera que o produtor hoje enfrenta uma realidade menos desgastante do que nos períodos de grandes oscilações, quando altas expressivas eram seguidas por quedas igualmente intensas. Outro fator que contribui para esse ambiente é o comportamento dos custos. Segundo o dirigente, não houve aumentos significativos nos principais insumos utilizados na alimentação do rebanho, especialmente milho e farelo de soja, o que ajuda a reduzir a pressão sobre a atividade. Os indicadores da Farsul reforçam essa percepção. O Índice de Inflação para a Produção de Leite Cru (ILC) registrou deflação de 0,72% em maio, resultado atribuído à maior estabilidade cambial e à redução dos impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços internacionais do petróleo. A entidade destacou que a queda dos combustíveis e dos fertilizantes foi decisiva para esse resultado. No setor de grãos, uma leve valorização do milho, de 0,2%, foi compensada pela retração mais intensa da soja, de 2,8%. Apesar do recuo geral dos custos, alguns componentes continuaram pressionando a atividade. A energia elétrica apresentou alta de 6,2% em maio, influenciada por alterações nas faixas horárias de consumo e por bandeiras tarifárias mais elevadas. O sal mineral também subiu 2,4%, reflexo de dificuldades logísticas envolvendo o fornecimento de ácido fosfórico proveniente do Marrocos. No acumulado de 2026, o índice de custos registra alta de 0,33%, indicando o retorno de algumas pressões após um período de deflação. Já na comparação dos últimos 12 meses, o indicador ainda apresenta retração de 0,8%, favorecida principalmente pelas quedas nos preços da silagem (-9,2%) e do concentrado (-6,9%). Mesmo com esse cenário mais equilibrado, nem todas as preocupações desapareceram. Para Palharini, a forte presença de leite em pó importado da Argentina e do Uruguai continua sendo um dos principais desafios para a cadeia leiteira gaúcha. Segundo ele, embora tenha sido comprovada a prática de dumping, ainda não foram adotadas alíquotas complementares para a entrada desses produtos. Ele afirma que a participação do leite em pó e de outros derivados provenientes da Argentina e do Uruguai está próxima de 10% do consumo nacional, enquanto até 2022 essa participação representava cerca de 2%. Também a Farsul faz um alerta sobre a comercialização. Embora alguns custos tenham recuado, a entidade aponta que o preço pago ao produtor registrou queda aproximada de 9%, enquanto o IPCA de Leite e Derivados acumulou inflação de 3,3%, cenário que continua pressionando as margens operacionais e deteriorando as relações de troca para o produtor primário.

CORREIO DO POVO

INTERNACIONAL

Com foco na América Latina, Grupo Gloria consolida estratégia para virar potência leiteira

Após avançar sobre ativos estratégicos na Argentina e ampliar sua presença em diferentes países, o conglomerado peruano prepara agora uma nova etapa de integração de suas operações no Chile.

O movimento mais recente envolve a reorganização societária da Soprole, uma das maiores empresas de lácteos do Chile. Embora a mudança não traga qualquer alteração para consumidores ou marcas, ela representa mais um passo na consolidação das operações internacionais do grupo e na busca por maior eficiência administrativa e operacional. A reorganização da Soprole ocorre em um momento em que o Grupo Gloria amplia sua ofensiva na indústria alimentícia latino-americana, especialmente no segmento de lácteos. Um dos principais marcos dessa estratégia foi a aquisição de 80% da Molfino Hermanos S.A., conhecida comercialmente como Saputo Argentina, por aproximadamente US$ 500 milhões. A operação fortaleceu significativamente a presença do grupo no mercado argentino e o transformou em um dos principais participantes do setor no Cone Sul. Com a incorporação da empresa, o Grupo Gloria passou a liderar o processamento de leite na Argentina, com participação projetada de 11,6% em 2025. No Chile, mantém a segunda posição nesse segmento e lidera categorias de maior valor agregado, como iogurtes e sobremesas refrigeradas. A aquisição também ampliou o alcance da Gloria Foods, divisão dedicada ao setor de alimentos e uma das quatro áreas de atuação do conglomerado, ao lado das divisões de cimento, agroindústria e embalagens. Com isso, o grupo passou a atuar em seis países da América Latina: Peru, Chile, Bolívia, Colômbia, Equador e Argentina, reunindo aproximadamente 7 mil colaboradores. Segundo a companhia, o objetivo é construir uma plataforma regional mais sólida para desenvolver o negócio de alimentos, aproveitando sinergias comerciais, compartilhamento de conhecimento e adoção de melhores práticas entre as diferentes operações. Claudio Rodríguez Huaco, diretor executivo do Grupo Gloria e representante da família controladora, afirmou que a nova estrutura permitirá gerar sinergias operacionais no curto, médio e longo prazo. A reorganização também está alinhada a uma das prioridades estratégicas definidas pelo Grupo Gloria para 2026: avançar na consolidação de um modelo de gestão integrado para suas operações na América Latina. A estratégia busca ampliar a integração entre as unidades do grupo em diferentes países e acelerar iniciativas voltadas ao aumento da eficiência, da competitividade e da sustentabilidade dos negócios. Embora a maior parte das vendas da Soprole permaneça concentrada no mercado chileno, a empresa já possui atuação relevante no comércio exterior e vem ampliando gradualmente sua presença internacional. Atualmente, exporta leite em pó para Brasil e Colômbia, além de subprodutos lácteos para Singapura. Nos últimos anos, também abriu novos mercados para produtos como manteiga, com embarques destinados à Tunísia, aos Emirados Árabes Unidos e a Hong Kong.

AMERICA MALLS&RETAIL/DIÁRIO LECHERO.

ECONOMIA

Dólar fecha abaixo dos R$5,15 com enfraquecimento das cotações também no exterior

O dólar perdeu força gradativamente no Brasil na segunda-feira e encerrou a sessão novamente abaixo dos R$5,15, acompanhando o enfraquecimento da moeda norte-americana ante parte das demais divisas no exterior, em um dia sem gatilhos fortes para as operações. 

O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,71%, aos R$5,1322. Essa é a menor cotação de fechamento desde 17 de junho, quando atingiu R$5,1104. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,50% ante o real. Às 17h10, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,80% na B3, aos R$5,1675. Após o feriado de sexta-feira nos EUA, que reduziu a liquidez nos mercados em todo o mundo, o dólar iniciou a segunda-feira em alta ante divisas fortes como o euro, a libra e o iene — neste caso, com a moeda japonesa se mantendo próxima das menores cotações em 40 anos. O dólar também subia ante boa parte das divisas de países emergentes. No entanto, durante a manhã e o início da tarde o dólar se enfraqueceu ante o euro, a libra e outras divisas — incluindo o real, que liderou o ranking de ganhos ante a moeda norte-americana durante a segunda metade do dia. “O dólar abriu para cima por conta de fatores técnicos e seguindo o exterior, mas esse cenário não foi suficiente para manter o real para baixo”, comentou à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, citando um ambiente favorável ao risco no câmbio brasileiro. “O petróleo está para baixo e as apostas de alta de juros nos EUA estão caindo”, destacou. Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,1846 (+0,30%) às 9h02, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,1277 (-0,80%) às 15h53, em uma sessão de agenda esvaziada no Brasil e no exterior. Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central revelou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 seguiu em R$5,20 e para o encerramento de 2027 permaneceu em R$5,28. A inflação esperada para este ano foi de 5,33% para 5,30% e para o próximo passou de 4,17% para 4,18%. Já a taxa básica Selic projetada para o fim deste ano seguiu em 14,00% e para o final do próximo ano em 12,00%. Atualmente a Selic está em 14,25%.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda descolado de NY e com volume reduzido

O Ibovespa fechou em queda na segunda-feira, mais do que devolvendo os ganhos da última semana, em sessão descolada de Wall Street e com agenda econômica esvaziada. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,93%, a 172.447,58 pontos, marcando 171.621,70 pontos na mínima e 174.057,47 pontos na máxima do dia. 

O volume financeiro somou R$17,25 bilhões, ante média diária no ano de R$33,7 bilhões. Nos três primeiros pregões de julho, a média ficou em R$19,5 bilhões. Na semana passada, o Ibovespa acumulou um ganho de 0,45%, fechando a sexta-feira acima dos 174 mil pontos pela primeira vez em cerca de um mês. Analistas do Itaú BBA reiteraram na segunda-feira que o Ibovespa segue sem direção definida e ainda opera próximo a um suporte importante, dos 167.600 pontos. “Para entrar em tendência de alta no curto prazo, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos. Nesse caso, os objetivos passam a ser 179.500 e 188.700 pontos”, acrescentaram no relatório Diário do Grafista. Em Nova York, o S&P 500 encerrou com acréscimo de 0,72% na segunda-feira, com as ações da Broadcom e de empresas de semicondutores entre os destaques positivos.

REUTERS

Expectativa para inflação este ano cai pela 1ª vez após 16 semanas

A expectativa para a inflação deste ano na pesquisa Focus foi reduzida pela primeira vez após 16 semanas, de acordo com o levantamento divulgado na segunda-feira pelo Banco Central.

Os analistas consultados pelo BC veem agora alta de 5,30% do IPCA em 2026, de 5,33% na semana anterior. A revisão para baixo acontece após 15 semanas de altas seguidas e uma de manutenção. O IBGE divulga na sexta-feira os dados de junho do IPCA, após avanço de 0,58% em maio que levou a inflação em 12 meses a 4,72%. Mas para 2027 a conta no Focus subiu pela sétima vez, a 4,18%, de 4,17% antes. Para o ano seguinte a estimativa segue em 3,70%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou ainda manutenção da perspectiva para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano em 1,99%. Para 2027 a projeção melhorou em 0,01 ponto percentual, a 1,69%. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que não houve alteração no cenário para a política monetária, com a Selic calculada em 14,0% em 2026 e 12,0% em 2027. Com a taxa básica atualmente em 14,25%, os especialistas veem corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do BC.

REUTERS

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 2,27 bi na 1ª semana de julho

O valor é resultado de US$ 5,89 bilhões em exportações e US$ 3,62 bilhões em importações no período

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,27 bilhões na primeira semana de julho, informou a Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic). O valor é resultado de exportações de US$ 5,89 bilhões e importações de US$ 3,62 bilhões no período. No ano, o saldo positivo da balança soma US$ 44,63 bilhões. A média diária de exportações avançou 40,6% até a primeira semana de julho, para US$ 1,96 bilhão, quando comparada a julho do ano passado. O crescimento foi sustentado pela indústria extrativa (+81,7%) e de transformação (+39,4%), seguido pelos embarques da agropecuária (+1,5%). Já a média diária de importações cresceu 10,4% até a primeira semana de julho, para US$ 1,21 bilhão, em relação a igual mês de 2025. O desempenho foi puxado pelos desembarques da indústria extrativa (+86,6%), agropecuária (+15%) e indústria de transformação (+7,4%).

VALOR ECONÔMICO

Agronegócio mantém ritmo recorde de exportações no 1º semestre

Vendas externas do setor somam US$ 86,5 bilhões, com aumento de 6% no período.

Apesar do cenário difícil no mercado externo, principalmente por problemas geopolíticos, as exportações do agronegócio do Brasil somaram US$ 86,5 bilhões no primeiro semestre, um recorde para o período e 6% acima das de 2025. As importações, com o aumento dos preços dos insumos, principalmente dos fertilizantes, subiram para US$ 17,2 bilhões, 3% a mais. Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), que aponta boa evolução das exportações de soja, carnes e milho, mas recuo nas de café e de açúcar. Boa parte das receitas obtidas pelo Brasil no mercado externo vem do complexo soja (grão, farelo e óleo). De janeiro a junho, foram US$ 34,9 bilhões. A soja, com a produção recorde deste ano, lidera as exportações. No primeiro semestre, o país colocou 69,6 milhões de toneladas da oleaginosa no mercado externo, com receitas de US$ 29,1 bilhões. Houve aumento também nas exportações de farelo e de óleo, uma vez que o país vem obtendo um patamar recorde de esmagamento interno, principalmente para atender o mercado de biodiesel. As carnes, com receitas de US$ 17,4 bilhões no ano e aumento de 26%, continuam sendo o grande destaque. O volume exportado atingiu 5,43 milhões de toneladas, somando as três principais proteínas (carnes bovina, suína e de frango). Todas as três chegaram a patamares recordes de exportação neste ano, mas a bovina, com a demanda chinesa, já soma US$ 9,9 bilhões. Ao contrário do ano passado, quando as tarifas dos Estados Unidos puseram um freio na entrada de carne bovina brasileira por lá, o Brasil voltou ao mercado americano e aumentou as vendas para a China. Nos próximos meses, a carne brasileira ficará mais cara para os chineses, devido ao preenchimento da cota de 1,1 milhão de toneladas sem a tarifa extra de 55%. Essa taxa agora será somada aos 12% já existentes. Além disso, os europeus prometem barrar a carne bovina e a de frango a partir de setembro. No mês passado, a União Europeia importou 28 mil toneladas de carne de frango e 8.194 de carne bovina. Os volumes são pequenos em relação aos principais mercados, mas os preços pagos pelos europeus são maiores. Em junho, os europeus pagaram uma média de US$ 9.200 por tonelada de carne bovina. Os chineses, US$ 6.682. As exportações de milho, embora o período de maior venda externa seja no segundo semestre, aumentaram 21% de janeiro a junho, atingindo 1,79 milhão de toneladas. O Brasil, no entanto, terá dificuldades nas exportações dos próximos meses, devido à concorrência do cereal dos Estados Unidos e da Argentina, países que tiveram recorde de produção. Entre as quedas de receitas, estão dois dos importantes produtos da balança comercial brasileira: café e açúcar. Ambos tinham valores elevados devido à menor oferta nos anos recentes. O quadro de oferta mundial se recompõe, e os preços são menores. Isso se reflete na balança comercial brasileira, uma vez que o país é líder mundial nesses dois produtos. As importações brasileiras de produtos relacionados ao agronegócio mantiveram alta, devido ao aumento de preços dos principais insumos que o país compra. Entre eles, os fertilizantes. O país adquiriu 18,3 milhões de toneladas de janeiro a junho desse insumo, 6% a menos do que no ano passado, mas gastou US$ 7 bilhões, 9% a mais. Já as importações de agrotóxicos recuaram para 7,5% em volume e 14% em despesas. O país importou 333 mil toneladas no ano.

FOLHA DE SP

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