Ano 1 | nº 172 | 09 de julho de 2026
NOTÍCIAS
52ª Expoleite recebe 35 mil visitantes em Arapoti (PR)
Entre os dias 2 e 4 de julho, 35 mil pessoas visitaram a 52ª Expoleite, feira agropecuária promovida anualmente pela Capal Cooperativa Agroindustrial, que se consolidou como um dos principais palcos de debate macroeconômico, tendências de mercado e valorização do produtor rural na região dos Campos Gerais.
O ciclo de palestras desta edição trouxe à tona discussões fundamentais para o planejamento das próximas safras. Um dos destaques foi a análise do economista Alexandre Mendonça de Barros, que traçou um panorama detalhado sobre a macroeconomia do mercado agrícola brasileiro e internacional, oferecendo informações estratégicas para os produtores em um cenário global dinâmico. Guilherme Cioccari, consultor da StoneX, falou sobre gestão de riscos e o mercado de grãos. Paralelamente, os desafios da comunicação no ambiente digital e a conexão do campo com a sociedade foram debatidos pelo produtor rural e influenciador Murilo Groth, cuja palestra reuniu um público expressivo e diversificado, formado por produtores rurais, estudantes e profissionais do setor. O tema também foi abordado pela palestrante Roberta Leite durante o Encontro de Suinocultores. A programação da 52ª Expoleite contemplou outros segmentos da cadeia produtiva da Capal. A feira contou com a participação de aproximadamente 120 expositores que apresentaram novidades em maquinários, soluções agrícolas, nutrição animal e medicamentos. “É uma sensação de missão cumprida. A Capal fez e continua fazendo investimentos no Parque para receber toda a população, e é muito prazeroso ver os espaços cheios de visitantes conferindo as atrações da programação. Acreditamos que foi mais uma edição da Expoleite para entrar para história”, conta o presidente-executivo, Adilson Roberto Fuga. Além da difusão de conhecimento, a 52ª Expoleite também foi palco para o reconhecimento de cooperados que se destacam pela qualidade e eficiência na produção. Durante a Rodada Técnica – Pecuária, a etapa Capal do Concurso de Silagem de Milho da Fundação ABC premiou os produtores com os melhores resultados na produção de silagem. O cooperado Marius Cornélis Bronkhorst conquistou a primeira e a segunda colocação da etapa. O reconhecimento aos produtores também marcou o Prêmio Leite de Qualidade, que premiou cooperados do Paraná e de São Paulo com os melhores indicadores de qualidade do leite, considerando os resultados obtidos entre junho de 2025 e maio de 2026. A premiação contemplou oito categorias (quatro no Paraná e quatro em São Paulo), divididas por faixa de produção diária, com três produtores premiados em cada uma delas. A avaliação levou em conta critérios técnicos relacionados à sanidade e à qualidade da matéria-prima. A Expoleite é uma vitrine da excelência genética e do vigor do rebanho leiteiro dos Campos Gerais, região que se destaca como uma das principais bacias leiteiras do Brasil. Durante esta edição, a pista principal recebeu cerca de 250 animais que participaram dos julgamentos. No campeonato da variedade Vermelho e Branco (HVB), o título de Grande Campeã ficou com CONSTENTATION LOLITA SWINGMAN, do produtor João Cornelio Los. Já na variedade Preto e Branco (HPB), a Grande Campeã foi ARM LETTI MITCHELL 99, de Armando Rabbers. Na classificação geral por pontuação, o cooperado da Capal Adriaan Frederik Kok foi reconhecido como Melhor Criador e Melhor Expositor nas duas variedades, HVB e HPB. O jurado responsável pelas avaliações foi o canadense Mike West, natural de Ontário, e com vasta experiência em avaliações de exposições regionais, estaduais e internacionais. O julgamento realizado na Expoleite é credenciado junto à Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH) e integra o Circuito Nacional da Raça Holandesa.
Assessoria de Imprensa Capal
Bebidas lácteas ganham novas versões e impulsionam inovação no setor
Com foco em saudabilidade, conveniência e novas rotinas de consumo, mercado aposta em leite A2, bebidas proteicas e suplementos para atender às mudanças no perfil de compra.
O leite é um alimento bem estabelecido na rotina alimentar do brasileiro. A cesta básica, por exemplo, tem dentre seus componentes o leite longa vida, item que, além de nutrientes importantes para a saúde, tem como aliada a tecnologia do processo térmico UHT e o envase na embalagem cartonada sem que haja contato com o ambiente externo. Isso garante consumo seguro, já que este tipo de embalagem dispensa conservantes e refrigeração antes de sua abertura, além de praticidade e vantagens logísticas e de armazenamento. Simultaneamente ao consumo de leite UHT, já consolidado entre os brasileiros, o setor de bebidas de base láctea vem, nos últimos anos, ganhando novos contornos. Produtos como leite A2, whey protein e suplementos vitamínicos também têm entrado na cesta do consumidor, que cada vez mais, busca novas opções ligadas a saudabilidade, com novos sabores, sem descuidar de ocasiões de consumo atreladas a momentos de lazer, cotidiano dinâmico, bem-estar e sustentabilidade. A pesquisa “Top Global Consumer Trends 2025”, realizada pela Euromonitor International, revela que as pessoas não querem apenas viver mais, e sim ter mais expectativa de vida. Elas querem se sentir melhor por mais tempo e com saúde. O levantamento aponta que 52% dos consumidores acreditam que serão mais saudáveis nos próximos cinco anos do que são agora. Mas como a indústria de alimentos e bebidas tem atuado para atender todas estas demandas de consumo? De acordo com o diretor de marketing da Tetra Pak Brasil, Danilo Zorzan, em meio a este contexto, a Tetra Pak Brasil registrou aumento das vendas de suas embalagens para a categoria de bebidas proteicas nos últimos anos. “Trata-se de uma tendência que deve seguir em expansão”, afirma o executivo. Segundo a Mondor Intelligence, o mercado global de bebidas proteicas prontas para beber foi avaliado em US$ 1,35 trilhão em 2020 e deve registrar taxa de crescimento anual de 7,72% entre 2022 e 2027. A pesquisa Tetra Pak FSN Global Consumer, conduzida em parceria com a Ipsos em 17 países em julho de 2025 e que ouviu mais de 25 mil consumidores, desde pais de crianças até adultos (16 a 65 anos) e idosos (65+), revela que 45% dos brasileiros consideram suplementos alimentares e nutrição para aumentar o bem-estar mental e que 59% dos consumidores preocupados com a saúde preferem opções prontas para beber por sua conveniência, portabilidade e facilidade de uso. Um outro destaque que tem avançado em embalagens da Tetra Pak para categorias além das tradicionais, como leite ou sucos, são os suplementos alimentares, cujo consumo, assim como o das bebidas proteicas, deve apresentar crescimento no curto prazo. Levantamento da Future Market Insights (FMI) mostra que o Brasil é o terceiro país com maior expansão da demanda por suplementos alimentares, com previsão de crescimento anual de 9,5% entre 2026 e 2036, atrás apenas da Índia e da China. O estudo indica que o avanço é impulsionado pelo crescente foco do consumidor em saúde preventiva, imunidade e nutrição. No portfólio da Tetra Pak, o envase de bebidas funcionais com proteína e outros ingredientes em base láctea apresentou crescimento nos últimos anos. Algumas empresas recentemente lançaram produtos em novas categorias dentro do segmento de lácteos nas embalagens cartonadas da Tetra Pak, justamente pela demanda de saudabilidade, sustentabilidade e novas ocasiões de consumo. O lançamento recente da Italac do leite UHT semidesnatado A2 em embalagem individual de 250 ml vem de encontro com uma tendência cada vez maior por produtos em embalagens menores, principalmente devido ao crescimento de lares unipessoais (aqueles com apenas um morador). Com o novo formato de 250 ml, a Italac reúne os atributos do leite A2, que se diferencia por conter exclusivamente a proteína beta-caseína A2 e vem ganhando espaço entre consumidores que buscam alternativas dentro da categoria láctea associadas a uma experiência de consumo mais leve. Outro exemplo interessante é o da Nestlé com o Nutren Senior, que em 2024, expandiu sua participação no segmento e passou a disponibilizar o produto em embalagens longa vida da Tetra Pak. O suplemento é composto por altas concentrações de vitaminas e nutrientes essenciais para a saúde do adulto 50+, auxiliando na manutenção da energia, imunidade e dos ossos, além de conter ômega 3. Trata-se de mais uma opção de formato para o portfólio focado na jornada de envelhecimento saudável.
Tetra Pak Brasil
INTERNACIONAL
Relatório da StoneX aponta que o mercado global de leite ainda precisará atravessar uma fase prolongada de ajustes
Mais volume, consumo mais lento e estoques confortáveis formam o cenário que mantém os lácteos sob pressão
O excesso de oferta de leite tornou-se o principal fator de pressão sobre o mercado global de lácteos e deve atrasar a recuperação dos preços até o fim de 2026. A avaliação consta no relatório Perspectivas 2026, da StoneX, elaborado a partir das análises de Inteligência de Mercado lideradas por Nate Donnay. Segundo a análise, o setor entra no terceiro trimestre de 2026 com um desequilíbrio entre produção e demanda. Mesmo diante da queda das cotações internacionais, os produtores não reduziram rapidamente os volumes produzidos, principalmente devido à redução dos custos de alimentação animal e à expansão da capacidade de processamento. O resultado foi uma oferta mundial em ritmo elevado. No fim de 2025, a produção global avançou cerca de 5,5% na comparação anual, um crescimento considerado elevado para o histórico do setor. Esse cenário prolonga o período de ajuste e mantém os preços internacionais pressionados durante boa parte do terceiro trimestre. Para a StoneX, o reequilíbrio entre oferta e demanda deve ocorrer apenas mais próximo do encerramento de 2026. Nos Estados Unidos, um dos maiores fornecedores mundiais de lácteos, a queda nos preços de produtos como manteiga e queijo reduziu as margens dos produtores para níveis abaixo do ponto de equilíbrio, aumentando a pressão sobre a rentabilidade das fazendas. Na União Europeia, os preços pagos pelo leite também recuaram de forma significativa. Apesar dessa queda, a produção deve continuar crescendo até meados de 2026 devido a um ciclo mais tardio de partos, dificultando uma redução mais rápida da oferta. A Nova Zelândia também contribui para o cenário de maior disponibilidade global. A produção do país cresceu 4,2% nos primeiros meses da temporada, mesmo diante de desafios climáticos. O avanço foi acompanhado por um uso recorde de palm kernel expeller, coproduto do processamento do óleo de palma utilizado na alimentação animal. O movimento indica que os produtores neozelandeses buscaram sustentar os volumes produzidos, mantendo o abastecimento do mercado internacional. Enquanto a oferta segue elevada, o consumo não acompanha o mesmo ritmo. A demanda por queijo na Europa, que vinha funcionando como um dos pontos de sustentação do mercado, perdeu força nos últimos meses. O mesmo comportamento foi observado para produtos como manteiga e gordura anidra de leite (AMF). No mercado de leite em pó desnatado, as importações globais apresentam tendência de queda há dois anos, indicando estoques mais confortáveis ou menor necessidade de compras dos principais importadores. Com consumidores mais cautelosos e maior disponibilidade de produtos, o mercado enfrenta uma combinação de produção elevada e demanda menos dinâmica. No Brasil, o ambiente externo influencia principalmente as perspectivas de preços e oportunidades de exportação. A maior disponibilidade global de leite tende a limitar uma recuperação mais consistente das cotações internacionais. Ao mesmo tempo, produtores acompanham o comportamento dos custos de produção e do consumo interno em um cenário marcado por margens mais apertadas. Além dos fundamentos de oferta e demanda, o setor também observa os impactos das tensões no Oriente Médio. De acordo com a StoneX, aproximadamente 6% do comércio internacional de lácteos passa pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica afetada pelas tensões envolvendo o Irã. A instabilidade elevou a complexidade logística, com aumento de custos relacionados a fretes e seguros marítimos. O impacto aparece principalmente nos países do Golfo Pérsico, onde o consumo de lácteos foi afetado pela maior dificuldade operacional. Por outro lado, a interrupção das exportações iranianas de leite em pó retirou parte da oferta disponível no mercado internacional, funcionando como um fator de compensação parcial diante da redução da demanda regional. Até o fim de 2026, a expectativa da StoneX é de um mercado ainda em processo de ajuste, com produtores de diferentes regiões convivendo com preços pressionados e margens reduzidas.
CNN BRASIL
GOVERNO
Cadeia da pecuária tenta alinhar solução sobre uso de antimicrobianos
União Europeia exige que exportações para lá sejam livres desses produtos e vai bloquear embarques brasileiros a partir de setembro se não houver comprovação técnica. O tema tem gerado divergências na cadeia pecuária nos últimos meses
Representantes da indústria de carnes, de pecuaristas e do Ministério da Agricultura se reuniram na quarta-feira (8/7) na sede da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, para tentar alinhar uma solução sobre o uso de antimicrobianos no país. A União Europeia exige que as exportações para lá sejam livres desses produtos e vai bloquear a entrada de proteínas e derivados brasileiros a partir de setembro se não houver comprovação técnica, com impacto anual de até US$ 1,8 bilhão. O tema tem gerado divergências na cadeia pecuária nos últimos meses. A indústria pediu ao governo a proibição do uso de antimicrobianos no país como resposta aos europeus e garantia de não uso no país para evitar um fechamento do mercado, mas os criadores são contra. Ao mesmo tempo, o Ministério da Agricultura determinou, desde a semana passada, o controle de ciclo completo da vida dos animais e a segregação daqueles que serão abatidos com destino à Europa. A senadora e ex-ministra Tereza Cristina (PP-MS) intermediou o encontro para “colocar todo mundo na mesma página”. Na terça-feira (7/7), o ministro da Agricultura, André de Paula, encaminhou respostas a um requerimento de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre a eventual exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carnes e derivados para a UE a partir de 3 de setembro e as providências que foram adotadas pela Pasta desde 2022 para adequação da cadeia pecuária brasileira às exigências europeias. O ministério responsabilizou, em parte, o setor privado pela falta de uma solução prévia que evitasse o veto europeu. “Alguns dos antimicrobianos proibidos pela União Europeia encontram-se regularmente registrados no Brasil para uso na bovinocultura, na avicultura de corte e postura e na suinocultura, apresentando finalidade veterinária relevante para os sistemas de produção pecuária. Sendo assim, as providências necessárias para viabilizar a exportação dependem, em grande medida, do desenvolvimento e da implementação, pelo setor produtivo, de sistemas de controle privados capazes de garantir a segregação da produção em conformidade com os requisitos da União Europeia”, escreveu a Pasta. A documentação relata troca de e-mails e a realização de reuniões desde 2023 entre o ministério e entidades dos segmentos envolvidos e potencialmente impactados. Foram ao menos 32 tratativas desde então. “Os setores produtivos foram alertados de que os sistemas de controle necessários ao cumprimento dos requisitos da União Europeia possuem natureza privada, já que não havia perspectiva de proibição de uso no Brasil dos antimicrobianos vedados pela UE”, informou a Pasta. A intenção da reunião da quarta-feira, segundo fontes, foi nivelar as conversas e definir qual estratégia será adotada pelo Brasil para não fragilizar a imagem do país lá fora, não gerar questionamentos à credibilidade da fiscalização sanitária nacional nem gerar implicações comerciais relevantes. Uma avaliação que será feita é sobre um apoio uniforme à estratégia de segregação ou ao banimento dos antimicrobianos. A CNA já se posicionou contra a proibição dos produtos. Um alerta feito pelos pecuaristas é que isso pode gerar implicações no boi China. Isso porque um dos produtos que a indústria quer banir, a monensina, é usada como melhorador de desempenho e eficiência alimentar, que ajuda o gado a atingir peso mais jovem. O animal abatido para envio de carnes aos chineses deve ter, no máximo, 30 meses. Argentina e Uruguai já baniram o uso de antimicrobianos, mas nesses países os laboratórios passaram a oferecer produtos alternativos aos pecuaristas. No Brasil, não há substitutos viáveis, dizem fontes. Ao mesmo tempo, as raças criadas por pecuaristas argentinos e uruguaios são europeias e mais precoces. Já no Brasil, prevalece a criação de zebuínos, que não atingem o ponto de abate tão rapidamente sem o uso de indutores como a monensina, que não é um hormônio.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha perto da estabilidade apesar das tensões no Oriente Médio
O dólar fechou a quarta-feira perto da estabilidade ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante outras divisas de países emergentes, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o acordo provisório com o Irã foi encerrado.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,11%, aos R$5,1484. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,21% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,28% na B3, aos R$5,1780. Após novos ataques do Irã a bases norte-americanas no Golfo Pérsico, Trump afirmou mais cedo nesta quarta-feira que o acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “acabou” e ameaçou o país com novas ofensivas na noite da quarta-feira. “Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes”, declarou Trump a repórteres em Ancara, onde participava de uma cúpula da Otan. “Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles.” Durante a tarde, em uma fala menos incisiva, Trump disse não acreditar que um conflito em grande escala com o Irã venha a eclodir após os ataques militares de ambos os lados. Ainda assim, o petróleo Brent se manteve em alta firme durante todo o dia, perto dos US$80 em alguns momentos, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram, em meio a preocupações renovadas de que a guerra pressione a inflação norte-americana. Nos mercados de moedas, o dólar subiu ante divisas de emergentes como a rupia indiana, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano. No Brasil, o dólar oscilou entre a cotação máxima de R$5,1846 (+0,60%) às 9h01, logo após a abertura, e a mínima de R$5,1364 (-0,34%) às 9h54, ainda na primeira hora de negócios. Na maior parte da sessão, no entanto, a moeda se manteve próxima da estabilidade. Profissionais do mercado citaram o fato de o Brasil, como exportador de petróleo, ser favorecido quando o preço da commodity avança, o que estaria contribuindo para as cotações do dólar não avançarem ante o real. No fim da manhã, sem efeito nas cotações, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap para rolagem do vencimento de 3 de agosto. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,909 bilhões em junho. No exterior, às 17h10, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,20%, a 100,980. Nesta quinta-feira, apesar do feriado da Revolução Constitucionalista de 1932 no Estado de São Paulo, a B3 funcionará normalmente, incluindo a negociação com dólar futuro e cupom cambial.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com Oriente Médio e juros dos EUA em foco
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, perdendo o patamar dos 170 mil pontos no pior momento, com o Oriente Médio e a política monetária norte-americana ocupando as atenções de investidores.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,79%, a 170.653,45 pontos, após chegar a 169.972,40 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 172.017,57 pontos. O volume financeiro somou R$21,75 bilhões. O pregão abriu pressionado pela declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que um acordo provisório para encerrar a guerra com o Irã “está acabado”, depois que Teerã realizou novos ataques a bases norte-americanas no Golfo. Em uma escalada de hostilidades, o Irã informou ter atacado instalações militares dos EUA no Barein e no Kuweit, após forças norte-americanas atingirem alvos iranianos em resposta a ataques contra navios-tanque no Estreito de Ormuz. Trump alertou o Irã de que os EUA provavelmente realizarão novos ataques na noite da quarta-feira, mas disse que não acredita que um conflito em grande escala venha a eclodir. Os preços do petróleo responderam com alta relevante aos últimos eventos naquela região. O barril sob o contrato Brent fechou em alta de 5,2%, a US$78,02. No final da tarde, o Exército dos EUA informou que forças armadas norte-americanas estavam realizando novos ataques contra o Irã. Em Wall Street, o índice acionário S&P 500 cedeu 0,28%, refletindo também a repercussão da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve, quando a taxa de juros de referência dos EUA foi mantida na faixa de 3,50% a 3,75%. O documento mostrou aumento da preocupação com a inflação no encontro do mês passado, o primeiro sob o comando de Kevin Warsh, com alguns participantes vendo motivos para elevar o juro imediatamente, embora tenham apoiado a manutenção. Na visão da economista Andressa Durão, do ASA, a ata confirma que o cenário base do Fed para a política monetária mudou de uma expectativa de manutenção da taxa de juros ao longo deste ano para a possibilidade de novas altas. A B3 funcionará normalmente da quinta-feira, feriado no Estado de São Paulo que celebra a Revolução Constitucionalista de 1932.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial positivo de US$3,909 bi em junho, diz BC
O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$3,909 bilhões em junho, conforme dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central.
Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$5,831 bilhões em junho. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho foi positivo em US$9,740 bilhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 29 de junho a 3 de julho, saíram do país US$4,218 bilhões. No acumulado do ano até 3 de julho, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$16,824 bilhões.
REUTERS
FMI eleva previsão de crescimento do Brasil em 2026 de 1,9% para 2,4%
Na avaliação do Fundo, economia brasileira tem mostrado resiliência, mas desacelera em 2027
O Fundo Monetário Internacional (FMI) fez uma revisão para cima das previsões de crescimento do Brasil em 2026. Em relatório divulgado na quarta-feira, a entidade agora estima que o PIB brasileiro crescerá 2,4% neste ano – uma alta de 0,5 ponto percentual em relação às previsões divulgadas em abril. Para 2027, a nova estimativa do FMI é de expansão de 2,2% para o PIB do país, 0,2 ponto a mais do que no relatório World Economic Outlook (Panorama Econômico Mundial) de abril. Já o PIB global deve crescer 3% neste ano e 3,4% no próximo, segundo o Fundo. No documento, o FMI afirma que o crescimento no Brasil “permanecerá resiliente” neste ano, mas “desacelerará um pouco” em 2027. Parte da revisão se justifica porque o Fundo avalia que exportadores de petróleo que estão fora da zona de conflito no Oriente Médio, caso brasileiro, têm sido favorecidos pela melhora nos termos de troca. Em entrevista coletiva para detalhar o relatório, a diretora-adjunta do Departamento de Pesquisa do FMI, Petya Koeva Brooks, avaliou como “significativo” o ajuste na previsão para a economia brasileira. “Naturalmente, a condição do Brasil como exportador de petróleo, o maior apoio da política fiscal e o consumo privado robusto explicam a revisão para cima das projeções”, disse Brooks, acrescentando que uma forte safra também contribuiu para o crescimento no primeiro trimestre. Nos três primeiros meses de 2026, o PIB brasileiro cresceu 1,1% ante os três meses imediatamente anteriores, no resultado trimestral mais forte em um ano. A projeção do FMI para este ano é mais otimista do que a de economistas consultados pelo Banco Central na pesquisa Focus. Na última segunda-feira, a projeção mediana apontava uma expansão de 1,99% do PIB brasileiro neste ano e de 1,69% no próximo. O Ministério da Fazenda manteve em maio a previsão de que a economia brasileira crescerá 2,3% em 2026, sustentada pela expansão da indústria e dos serviços, apesar de ume esperada desaceleração da agropecuária. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, antecipou na semana passada que o FMI iria revisar para cima a previsão para a economia brasileira neste ano. Em um outro relatório divulgado na última quarta-feira, o FMI já havia afirmado que a economia brasileira permaneceu “notavelmente resiliente” diante de múltiplos choques. O Fundo projetou que, após desacelerar em 2025, o crescimento do Brasil se recuperará neste ano e atingirá cerca de 2,5% no médio prazo.
VALOR ECONÔMICO
Poupança perde R$ 39,4 bi no 1º semestre, 11º período seguido no vermelho
Os saques das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 39,356 bilhões no primeiro semestre de 2026, mostra relatório divulgado ontem pelo BC (Banco Central). O resultado equivale ao 11º semestre consecutivo de perdas da aplicação.
O déficit líquido da aplicação entre janeiro e junho deste ano resulta de R$ 2,136 trilhões em novos depósitos e do saque de R$ 2,175 trilhões. Saldo deste ano mantém a sequência de perdas para o período. O período entre janeiro e junho representa o 11º semestre consecutivo com saída líquida de recursos da poupança. Ainda assim, o desempenho foi 20,7% menor do que a baixa verificada no mesmo período do ano passado (R$ 49,6 bilhões). A última captação da aplicação foi registrada em 2020, quando os depósitos superaram os saques em R$ 166,3 bilhões. Na ocasião, as contas foram infladas pelo Auxílio Emergencial, que era depositado nas cadernetas. Em junho, as perdas da caderneta somaram R$ 237,5 milhões. O desempenho negativo ocorreu com o depósito de R$ 378,1 bilhões e a retirada de R$ 378,3 bilhões da poupança no mês. O saldo reverte a entrada líquida de R$ 2,6 bilhões registrada em maio, único resultado mensal positivo deste ano. Com as perdas recentes, o volume de aplicações fechou o primeiro semestre em R$ 1,02 trilhão, valor 0,1% abaixo do apurado há um ano (R$ 1,019 trilhão). Ao final do ano passado, o montante total era de R$ 1,022 trilhão e recuou para R$ 999,8 bilhões no primeiro semestre. Aplicações na poupança rendem 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial). O percentual vale sempre que a taxa básica de juros figurar acima de 8,5% ao ano. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano e a TR oscila próxima de 0% desde 2017. A rentabilidade faz com que a poupança, ainda que seja um investimento visto como confiável pela população e tenha superado a inflação nos últimos anos, perca competitividade frente a outros investimentos conservadores, como CDB, LCI e o Tesouro Selic.
UOL ECONOMIA
Desembolsos do crédito rural caíram 12% na safra 2025/26
Endividamento elevado e aversão a risco tornaram instituições financeiras mais seletivas na concessão de empréstimos aos produtores. Liberação de crédito rural teve a segunda safra seguida de retração
Pressionados pela alta no endividamento rural e com maior aversão ao risco diante dos problemas climáticos e financeiros do campo, bancos pisaram no freio na concessão de financiamentos na safra 2025/26, encerrada na semana passada. O desembolso de recursos das linhas tradicionais do crédito rural recuou 12% na comparação com a temporada anterior. É a segunda safra seguida de queda nos desembolsos. Foram concedidos R$ 338,9 bilhões a pequenos, médios e grandes produtores, com retração nos montantes liberados para custeio (-13%), investimentos (-17%) e comercialização (-25%) e expansão na industrialização (54%). Os dados são do Banco Central, extraídos em 2 de julho a pedido do Valor. A queda se concentrou nos valores liberados a grandes produtores, que acessaram R$ 210,1 bilhões, 19% menos que na safra anterior. Esse público tem se financiado cada vez mais pela emissão de Cédulas de Produto Rural (CPRs). Até maio, haviam sido liberados R$ 185,1 bilhões por esses títulos. O governo ainda não tem os dados consolidados até junho. A expectativa é que os números fechem entre R$ 200 bilhões e R$ 210 bilhões. As concessões de crédito para a agricultura familiar e os médios produtores tiveram ligeiras altas de 3% e 5% respectivamente. Foram liberados R$ 67,4 bilhões pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e R$ 61,4 bilhões no Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor (Pronamp). Do montante total, R$ 181,3 bilhões foram liberados para custeio, R$ 84,9 bilhões para investimentos, R$ 37,8 bilhões para comercialização e R$ 34,9 bilhões para industrialização. O desembolso na safra 2025/26 inclui ainda cerca de R$ 47 bilhões de operações realizadas para a renegociação de dívidas rurais, autorizadas pela Medida Provisória 1.314/2025. O valor liberado via linhas de crédito rural na safra 2025/26 é quase 20% menor que o desempenho do ciclo 2023/24, quando foram emprestados R$ 421,8 bilhões aos produtores rurais. Os dados do Banco Central mostram que nas últimas duas temporadas diminuiu a participação dos bancos públicos (-29%) e privados (-25%) na concessão dos financiamentos do Plano Safra e aumentou a fatia desse mercado ocupada pelas cooperativas financeiras (+15%). Para Ivan Wedekin, consultor em crédito rural e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, chamou a atenção o recuo acentuado dos valores destinados ao custeio nas últimas duas temporadas. O governo justifica que os recursos têm sido liberados para essa finalidade por meio das CPRs. “Mais uma vez o Plano Safra mostra que é uma certa ilusão estatística. Incluíram as CPRs no cálculo do volume de recurso de crédito rural, mas elas não são uma linha de crédito. A CPR é um título de crédito emitido pelo produtor e que não entra na contabilização como empréstimo do crédito rural no Banco Central”, disse. Para 2026/27, o Ministério da Agricultura incluiu R$ 38,5 bilhões de programas independentes e que não são de fontes tradicionais do crédito rural no bolo do Plano Safra. “Não é mais possível fazer política agrícola sem considerar que todo produtor vincula o resultado da sua produção a diversas destinações e financiadores. Também é preciso reconhecer a ineficiência alocativa do subsídio público na equalização de encargos. O Tesouro Nacional não é mais motor da atividade produtiva rural, é freio de mão”, disse José Carlos Vaz, consultor jurídico do Agronegócio e ex-secretário de Política Agrícola do Ministério. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os bancos têm “escolhido a dedo” para quem vão emprestar. A maior seletividade e cobrança por mais garantias empurraram o produtor para o mercado privado. “A questão é que, mesmo nesse mercado, as coisas também estão mais difíceis. Vemos um clima geral de muita precaução”, disse Guilherme Rios, assessor de Política Agrícola da entidade. Com a manutenção da restrição financeira em 2026/27, a CNA não descarta redução de área plantada no país. “Esta safra vai exigir muita habilidade e jogo de cintura na sua condução. O que se escuta dos produtores é que eles estão reduzindo a área plantada e optando por pacotes tecnológicos mais enxutos. E não é só a dificuldade de conseguir crédito rural que pesa nessas decisões, mas também a falta de ferramentas eficazes para gerenciar riscos”, acrescentou Rios. A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) disse que a conjuntura mais problemática no entorno dos produtores levou a uma reprogramação no campo. “A capacidade de pagamento dos agricultores foi reduzida e as taxas de juros elevadas, junto, ainda, a um câmbio volátil e, adicionalmente, a intensificação das tensões comerciais por conta de conflitos geopolíticos”, afirmou Rodolfo Jordão, coordenador do ramo agropecuário da entidade. Para a safra 2026/27, a OCB prega cautela. “O que se observa na ponta são pacotes tecnológicos mais conservadores, redução nos investimentos de médio e longo prazo e cautela nas decisões inerentes à expansão de área por meio de arrendamento e novas infraestruturas no campo”, afirmou Jordão.
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