Informativo Sindileite 168 03.07.2026

Ano 1 | nº 168 | 03 de julho de 2026

NOTÍCIAS

CEPEA: mercado do leite muda de direção e expõe um Brasil de duas velocidades

O preço do leite esconde realidades distintas entre as regiões, enquanto derivados e comércio exterior ampliam os desafios do setor. Preço do leite permanece próximo da estabilidade, mas a oferta regional e o avanço das importações mudam os sinais do mercado.

O preço do leite pago ao produtor entrou em uma fase de estabilidade aparente, mas os indicadores mostram que o mercado brasileiro está longe de apresentar um comportamento uniforme. Em maio, a Média Brasil calculada pelo Cepea ficou em R$ 2,6617 por litro, com recuo de 0,45% frente a abril e valor 3,8% inferior, em termos reais, ao registrado no mesmo mês de 2025. Por trás desse movimento, o mercado revela duas dinâmicas bastante diferentes. Enquanto Sudeste e Centro-Oeste continuam enfrentando uma oferta limitada de leite, mantendo a concorrência entre os laticínios pela matéria-prima, a realidade do Sul segue outro caminho, com aumento da disponibilidade de leite pressionando as cotações ao produtor. Essa diferença regional é sustentada por fatores distintos. Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, a menor oferta permanece ligada à sazonalidade e à redução dos investimentos realizados pelos produtores após as margens mais apertadas observadas em 2025. Com menos leite disponível, a disputa entre as indústrias continua sustentando os preços. Já no Sul, a melhora das condições climáticas, o desenvolvimento das pastagens de inverno e a recuperação da produção elevaram a oferta, criando um ambiente de maior pressão sobre os valores pagos aos produtores. Os números da captação reforçam que o abastecimento ainda não apresenta uma recuperação consistente em nível nacional. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrou leve alta de 0,07% entre abril e maio na Média Brasil. No acumulado de 2026, entretanto, o indicador ainda apresenta retração de 13,7%. Outro sinal importante para o mercado veio dos custos de produção. Em maio, o Custo Operacional Efetivo (COE) caiu 1,39%, registrando a primeira redução do ano. Apesar desse alívio mensal, o indicador ainda acumula alta de 1,8% em 2026, resultado do aumento das despesas com nutrição animal, sanidade e operações mecanizadas. A pressão também começou a aparecer com maior intensidade no mercado de derivados. O leite UHT apresentou queda de 7,56% em maio frente a abril, enquanto a muçarela e o leite em pó permaneceram praticamente estáveis, com pequenas altas de 0,12% e 0,13%, respectivamente. Segundo o Cepea, o movimento de redução dos preços dos derivados ganhou intensidade durante a primeira quinzena de junho. No comércio exterior, os números mostram outra variável acompanhando o mercado doméstico. As importações brasileiras de lácteos alcançaram 226,21 milhões de litros em Equivalente-Leite (EqL) em maio, crescimento de 3,58% sobre abril e volume 28% superior ao registrado no mesmo mês de 2025. As exportações também cresceram na comparação mensal, avançando 45,33% e totalizando 5,81 milhões de litros EqL. Apesar dessa recuperação frente a abril, os embarques permaneceram 21,42% abaixo do volume registrado em maio do ano anterior. Para junho, a expectativa do Cepea é de manutenção desse cenário regionalizado. A tendência é de continuidade da pressão sobre os preços no Sul, enquanto Sudeste e Centro-Oeste devem seguir com um mercado mais firme, caminhando para a estabilidade. Em vez de um único mercado nacional, os indicadores mostram um setor dividido por diferentes condições de oferta, comportamento regional da produção e movimentos distintos ao longo da cadeia, fatores que continuam determinando a formação dos preços do leite no país.

O PRESENTE RURAL

52ª Expoleite coloca em evidência genética da raça Holandesa

Feira promovida pela Capal, em Arapoti (PR), começou na quinta-feira (2/7). Evento acontece na região dos Campos Gerais do Paraná, uma das principais bacias leiteiras do país

Teve início na quinta-feira (2/7) e segue até sábado (4/7) a 52ª edição da Expoleite, feira promovida pela Capal Cooperativa Agroindustrial. O evento acontece no Parque de Exposições Capal em Arapoti, na região dos Campos Gerais do Paraná, uma das principais bacias leiteiras do país. A feira evidencia a evolução genética da raça Holandesa com exposições competitivas de rebanhos. Erik Bosch, presidente do Conselho de Administração da Capal, ressalta que além de expor a excelência genética, os julgamentos também têm um caráter social. “Os animais e o julgamento em pista chamam a atenção e aproximam o público da realidade do campo”, considera. O Julgamento da Raça Holandesa apresentará neste ano cerca de 250 exemplares das variedades “preto & branco” (HPB) e “vermelho & branco” (HVB), de criadores do Paraná e de São Paulo. A competição é oficializada pela Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa e faz parte do Circuito Nacional da raça. A feira também promove exposição dos animais inscritos no Clube de Bezerras, que neste ano contará com a participação de animais preparados por 15 crianças e adolescentes. A programação da Expoleite contará ainda com palestras, encontros e premiações. Os visitantes também poderão conferir o campo experimental de cultivares de cevada instalado na área do parque e desenvolvido pelo Departamento de Assistência Técnica Agrícola da Capal, em parceria com a Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária (Fapa). O evento contará ainda com encontros de suinocultores e de cafeicultores, rodada técnica de pecuária voltada ao setor leiteiro e concurso de silagem de milho da Fundação ABC em conjunto com as cooperativas mantenedoras. O prêmio avalia o padrão do principal alimento dos rebanhos. O vencedor desta etapa garante o direito para disputar o título de campeão geral, concorrendo com os vencedores das etapas Castrolanda, Frísia e Witmarsum. O Prêmio Leite de Qualidade, destinado aos cooperados do Paraná e de São Paulo que atingiram os melhores resultados na entrega de matéria-prima ao Sistema Pool das indústrias da Unium – marca formada pela união das cooperativas Frísia, Castrolanda e Capal – também será entregue durante a feira. Serviço 52ª Expoleite – Data: 2 a 4 de julho de 2026. Local: Parque de Exposições Capal (Rua Luiz Binoto, 164) – Arapoti/PR

GLOBO RURAL

NACIONAL

MG: NOVA REGRA DO ICMS SEPARA PRODUÇÃO POR PRODUTOR E MUDA O JOGO NO LEITE

A nova lei permite que cada produtor inscrito seja avaliado separadamente, reduzindo o risco de tributação acima da sua realidade. A mudança no ICMS sobre o leite altera o enquadramento tributário de quem produz em parceria na mesma propriedade.

ICMS sobre o leite muda em Minas e reforça a importância da inscrição individual do produtor. O ICMS sobre o leite em Minas Gerais passa a seguir uma lógica diferente para produtores que compartilham uma mesma propriedade rural. Com a nova legislação já em vigor, o enquadramento tributário deixa de depender exclusivamente da produção total da fazenda e passa a considerar, em determinadas situações, a produção de cada produtor inscrito individualmente. Para quem trabalha em parceria com familiares ou sócios, a mudança representa um aspecto prático importante: a organização da atividade e a inscrição individual passam a ter impacto direto na forma como será feita a avaliação tributária. Pela nova regra, cada produtor rural inscrito individualmente poderá ser analisado separadamente, desde que sua produção anual não ultrapasse 657 mil litros de leite. Assim, o limite passa a ser aplicado ao produtor, e não à propriedade como um todo, mesmo quando a atividade é desenvolvida em conjunto. Na prática, a alteração procura evitar situações em que pequenos produtores acabavam enquadrados em uma faixa tributária diferente daquela correspondente à sua própria produção apenas porque dividiam a mesma fazenda com outros produtores. O efeito esperado é oferecer maior segurança para quem organiza a produção em parceria, reduzindo o risco de uma tributação mais elevada motivada exclusivamente pelo volume total produzido na propriedade. A legislação aprovada em Minas Gerais também traz medidas voltadas à geração de energia renovável no meio rural. O texto passa a reconhecer como fontes renováveis a energia solar, eólica, hidráulica produzida em pequenas centrais, biomassa e biogás. Além disso, amplia a participação de produtores rurais, agricultores familiares, cooperativas e associações na elaboração e na execução de políticas públicas relacionadas à geração de energia no campo. A nova lei, aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais e sancionada pelo governador Mateus Simões, busca simplificar regras para o setor agropecuário e, ao mesmo tempo, estimular investimentos em fontes de energia limpa nas propriedades rurais.

EDAIRYNEWS

ECONOMIA

Dólar termina praticamente estável frente ao real, mesmo com ‘payroll’ abaixo do consenso

Investidores têm demonstrado maior cautela com real em meio à queda nos preços das commodities e à proximidade das eleições

Com dados de emprego nos Estados Unidos que vieram bem abaixo das estimativas de consenso, o mercado viu espaço para algum alívio nos mercados globais de juros e câmbio, o que se refletiu no Brasil. Com a perspectiva de menor urgência por parte do Federal Reserve (Fed) de apertar a política monetária americana, o dólar perdeu força contra uma ampla cesta de moedas na quinta-feira. Os investidores, contudo, ainda têm demonstrado maior cautela com real em meio à queda nos preços das commodities e à proximidade das eleições. Assim, o câmbio doméstico encerrou o dia praticamente estável. O dólar comercial fechou o dia em ligeira queda de 0,03%, negociado a R$ 5,2078 no segmento à vista. O dólar futuro para agosto subia 0,03%, a R$ 5,2435, enquanto o euro comercial subiu 0,43%, a R$ 5,9530. Os EUA criaram 57 mil postos de trabalho no mês de junho, número bem inferior à estimativa mediana de 115 mil vagas. Com o dado abaixo do consenso e com os salários crescendo em ritmo comportado, a leitura imediata do mercado foi a de que o Federal Reserve (Fed) não deve ter pressa em retomar o processo de aperto monetário na maior economia do mundo. Assim, as chances de um aumento na taxa dos fed funds já em julho recuavam de aproximadamente 30% do fechamento de ontem para 15% hoje. O alívio dos agentes financeiros se traduziu no comportamento do dólar global. Apesar dos juros no Brasil permanecerem em níveis elevados, agentes vêm mostrando alguma desconfiança com o real. A queda no preço das commodities e a proximidade da disputa eleitoral têm mantido a divisa brasileira operando sob alguma fragilidade nas últimas semanas. Os estrategistas do BBVA notam que o real exibiu desempenho inferior ao dos pares na sessão de ontem, à medida que a valorização do dólar e a queda das commodities pesaram sobre o sentimento dos investidores. “O volume de negociações foi relativamente baixo, mas o movimento foi além dos ajustes típicos de fim de trimestre, sugerindo que o mercado continua cauteloso em relação ao Brasil, apesar de o carry do real seguir atrativo”, notam os profissionais do banco. “No curto prazo, a média móvel de 200 dias, em R$ 5,24 por dólar, permanece como um importante nível de resistência para o dólar frente ao real, agora que a cotação rompeu o patamar de R$ 5,20”, concluem. O Deutsche Bank, por outro lado, mantém uma visão um pouco mais construtiva para a divisa brasileira. Segundo a equipe de estratégia do banco alemão, o real continua mostrando resiliência apesar do ruído político, e a combinação de juros reais elevados com números positivos da balança comercial deve continuar dando suporte à moeda. “O choque nos preços do petróleo teve um impacto positivo sobre os termos de troca e sobre a conta corrente do Brasil, e os dados mais recentes já mostram melhora nas exportações, enquanto os números de fluxo de capitais indicam entradas de recursos em abril e maio. O Brasil é um dos poucos grandes países que vêm aprofundando suas relações comerciais com os Estados Unidos, a China e a Europa. Isso deve sustentar o real em um contexto no qual o Banco Central tem sinalizado cautela à medida que prossegue com o ciclo de afrouxamento monetário”, afirmam. Eles notam, contudo, que com a aproximação das eleições de outubro, o mercado parece mais sensível às alegações de envolvimento de Flávio Bolsonaro com o Banco Master.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa fecha em alta, mas distante da máxima em dia com dados dos EUA sob holofote

O Ibovespa fechou em alta na quinta-feira, mas distante da máxima da sessão, quando superou os 174 mil pontos em meio à repercussão de dados mais fracos sobre a criação de empregos nos Estados Unidos.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,46%, a 172.473,71 pontos, de acordo com dados preliminares. No melhor momento, chegou a 174.425,69 pontos, máxima intradia em um mês. Na mínima da sessão, marcou 171.697,17 pontos. O volume financeiro somava R$17,59 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Governo confirma R$ 18,1 bilhões para equalização de juros do Plano Safra 2026/27

Valor representa uma alta de 35% no custo de equalização de juros em relação ao ciclo anterior

O novo Plano Safra deve custar R$ 18,1 bilhões aos cofres públicos no ciclo 2026/27, segundo fontes do governo. No ano passado, esse valor chegou a R$ 13,4 bilhões – o que significa que o custo da União aumentou 35%, considerando a agricultura empresarial e a familiar. É importante destacar que esse valor não é o orçamento total disponível para os produtores pegarem emprestado, mas sim o custo do subsídio pago pela União. Ele cobre a chamada equalização: o Tesouro Nacional paga aos bancos e cooperativas a diferença entre as taxas de mercado e as taxas subsidiadas oferecidas ao setor agropecuário. No anúncio desta terça-feira (30), o governo informou que o Plano Safra 2026/27 terá R$ 97 bilhões em linhas com juros equalizados. Esse valor representa uma queda de 14,7% frente ao ciclo passado, quando foram disponibilizados R$ 113,8 bilhões nessa modalidade. Em entrevista ao Mercado & Cia, o secretário-adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Wilson Vaz de Araújo, afirmou que o desenho final foi “o plano possível” diante do atual cenário de restrição fiscal e das fontes de financiamento disponíveis. Os recursos são considerados essenciais para garantir o ritmo das contratações de custeio, que financiam a compra de sementes, fertilizantes e defensivos para a próxima temporada. Após a definição do orçamento, a expectativa do setor agora se volta para a publicação das regras oficiais e a liberação do crédito nas agências bancárias.

Canal Rural

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