Informativo Sindileite 164 29.06.2026

Ano 1 | nº 164 | 26 de junho de 2026

NOTÍCIAS

Demanda fortalece spot e muçarela, mas GDT perde fôlego na 2ª quinzena de junho

Preços internacionais: o 4060 leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou preço médio de USD 3.979/tonelada, com variação negativa de 2,80% no GDT Price Index. Essa movimentação indica uma nova rodada de ajuste nas cotações internacionais dos lácteos, interrompendo o movimento recente de recuperação e recolocando o mercado global em um ambiente mais pressionado no curto prazo.

O volume negociado também registrou uma rodada de queda, totalizando 12.922 toneladas, redução de 10% em relação ao leilão anterior e recuo de 15% na comparação anual. Leite spot: na segunda quinzena de junho de 2026, o mercado de leite spot apresentou um aquecimento significativo no Brasil. A média nacional (BR) fechou o período cotada a R$ 3,059, registrando um avanço de R$ 0,170. A valorização dos derivados no varejo e no atacado deram fôlego às indústrias, que repassaram essa sustentação para as negociações no mercado spot diante da necessidade de garantir o abastecimento frente à maior demanda. Conseleite: os valores de referência do leite nos estados registraram variações mais diversificadas durante junho. Enquanto Santa Catarina (R$/l 2,5472 variações de +0,04%), Minas Gerais (R$/l 2,7753 variações de +0,5%) e Paraná (R$/l 2,5378 variações de 1,20%) registraram leves ajustes positivos para o leite entregue em junho a ser pago em julho, o Rio Grande do Sul indicou uma variação negativa de -0,80% (R$/l 2,4281). O Mato Grosso que indica o valor do leite entregue em maio a ser pago em junho, registrou valor médio de referência de R$/l 2,5842, uma variação de -2,2%. Muçarela: a muçarela apresentou alta nas cotações na semana em decorrência de um cenário de estoques mais baixos, aliado a menor oferta de leite típica da entressafra e à demanda aquecida. Esses fatores contribuíram para a sustentação dos preços e para os reajustes positivos no período. A variação dos preços esteve entre R$ 32,8 (RS) e R$ 35,7 (RJ), com variações positivas em todos os estados avaliados: São Paulo (+R$ 0,7/kg), Minas Gerais (+R$ 0,7/kg), Paraná (+R$ 0,6/kg), Rio Grande do Sul (+R$ 0,6/kg), Rio de Janeiro (+R$ 0,4/kg), Goiás (+R$ 0,2/kg) e Santa Catarina (+R$ 0,1/kg). Leite em pó: o mercado de leites em pó seguiu o mesmo padrão de estabilidade registrado na quinzena anterior, com ajustes pontuais registrados nas variedades monitoradas. No leite em pó integral (SP) foi registrada uma variação de -R$ 0,20, totalizando R$ 25,1. O leite em pó desnatado (SP) também indicou redução, registrando -R$ 0,20 e totalizando R$ 22,70. Por outro lado, o leite em pó fracionado registrou ajustes positivos de +R$ 0,20 em ambos os estados, totalizando R$ 30,4 em São Paulo e R$ 29,7 no Nordeste. Oferta: as condições típicas da entressafra continuam limitando a produção de leite e reduzindo o volume captado pelas indústrias. Com isso, o mercado permanece marcado por uma menor disponibilidade de matéria-prima. Demanda: o mercado segue aquecido. Após um período de correção nas cotações, a maior procura por derivados, aliada à menor oferta de leite, voltou a sustentar a alta dos preços.

MILKPOINT

CAMPOS GERAIS: CASTRO, O POLO LEITEIRO QUE RIVALIZA COM FAZENDAS DA EUROPA

A herança holandesa ajudou a transformar Castro em um dos maiores símbolos da produção de leite no Brasil. O município dos Campos Gerais reúne produção em escala, tecnologia e tradição que sustentam sua liderança nacional. Castro: onde o leite deixou de ser produção para virar identidade

Quem vive a cadeia leiteira costuma medir uma região pelos litros produzidos, pela genética do rebanho ou pela tecnologia presente nas propriedades. Em Castro, nos Campos Gerais do Paraná, esses números impressionam. Mas basta passar um dia na cidade para perceber que existe algo maior. Ali, o leite deixou de ser apenas uma atividade econômica. Tornou-se parte da identidade de uma comunidade inteira. Localizada a cerca de mil metros de altitude e a aproximadamente duas horas de Curitiba, Castro carrega oficialmente, desde 2017, o título de Capital Nacional do Leite. O reconhecimento veio por meio da Lei Federal 13.584/2017, baseada nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que já apontavam o município como líder da produção brasileira. Hoje, segundo o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), são aproximadamente 484 milhões de litros de leite por ano, volume que mantém Castro como a maior bacia leiteira do país. Desde 2018, a cidade ocupa a liderança nacional da produção, conforme a Assembleia Legislativa do Paraná. Quando essa força produtiva se une à vizinha Carambeí, o resultado impressiona ainda mais: juntas, as duas cidades somam cerca de 800 milhões de litros anuais, formando um dos mais importantes polos leiteiros brasileiros. Mas a história de Castro começou muito antes do leite. Terceira cidade mais antiga do Paraná, ela nasceu como parada obrigatória dos tropeiros que cruzavam os Campos Gerais durante o século XVIII. Esse passado ainda está preservado nas ruas e construções históricas, lembrando um período em que o transporte de mercadorias moldava o desenvolvimento da região. Após a Segunda Guerra Mundial, imigrantes holandeses escolheram Castro para construir uma nova vida. Em 1951, fundaram a cooperativa Castrolanda, iniciativa que se tornaria um dos marcos da produção leiteira local. O trabalho desenvolvido ao longo das décadas ajudou a consolidar uma vocação que hoje faz parte da imagem da cidade. Essa herança permanece viva não apenas nas fazendas, mas também na arquitetura, na cultura e na gastronomia. O Centro Cultural Castrolanda abriga o moinho De Immigrant, réplica holandesa com 37 metros de altura, além do Memorial da Imigração Holandesa, que conta a trajetória das famílias que participaram dessa transformação. A presença do leite também extrapola as propriedades rurais. Todos os anos, Castro recebe o Agroleite, apontado pelo Governo do Paraná como a maior mostra de tecnologia da cadeia do leite da América Latina. O evento reúne produtores, empresas e profissionais do setor e é palco da entrega do tradicional Troféu Agroleite. Segundo o texto-base, o nível de produtividade alcançado pelas fazendas da região rivaliza com propriedades da Europa e dos Estados Unidos, resultado que reforça a reputação construída pelo município ao longo das últimas décadas. A gastronomia também reflete essa mistura de culturas. Queijos coloniais dividem espaço com o tradicional stroopwafel holandês e com a carne tropeira, mostrando que diferentes origens acabaram formando uma identidade única.

EDAIRYNEWS

Búfala brasileira supera recorde mundial com 40,250 quilos de leite

Marca registrada na Expass Agro 2026 supera resultado obtido em 2024 pelo mesmo criador, em Passos (MG)

A búfala Serena, de propriedade do produtor Thiago Quirino Mansfeld, de Piquete (SP), registrou 40,250 quilos de leite em duas ordenhas durante a Expass Agro 2026, realizada em Passos (MG), e superou o recorde mundial estabelecido pelo próprio criador na edição de 2024. Naquele ano, outro animal de Mansfield havia alcançado 39,820 quilos e ultrapassado a marca de 37 quilos, então pertencente a um animal do Paquistão. Nascida em 27 de fevereiro de 2022, Serena integra o plantel da Fazenda Búfalas da Mantiqueira. A competição fez parte da programação da Expass Agro. Segundo Mansfeld,  “foi uma combinação quase perfeita. Não digo perfeita porque ainda podemos alcançar outros resultados. Melhoramos a nutrição, o manejo e apostamos em um animal com potencial maior”, diz o produtor. O desempenho de Serena, na avaliação de Mansfeld, também mostrou a diferença entre animais submetidos a condições semelhantes dentro da mesma categoria. Ele observa que outros concorrentes receberam alimentação, dieta e manejo próximos aos adotados pela equipe, mas não alcançaram produção equivalente. “O tripé é manejo, dieta e genética. Temos um animal de alto potencial, uma dieta ajustada com acompanhamento dos zootecnistas e alimentos de primeira linha. A genética é a cereja do bolo”, avalia. Mansfeld atribui parte do resultado ao acompanhamento feito durante a disputa. Para ele, a rotina de manejo pode permitir que o potencial produtivo do animal apareça na pista. “O manejo foi impecável. Todos os concorrentes tentam fazer o melhor pelos animais, mas o nosso resultado surpreendeu”, relata.

AGROBAND

EVENTOS

Raças Holandesa e Jersey abrem inscrições de animais para o Agroleite 2026

Estão abertas as inscrições dos animais das raças Holandesa, nas variedades preta e branca e vermelha e branca, e da raça Jersey para participar dos julgamentos no Agroleite 2026. O evento acontecerá entre os dias 03 e 07 de agosto em Castro-PR e os interessados devem inscrever os animais pelo site do Agroleite, www.agroleitecastrolanda.com.br, até o dia 20 de julho.


Os presidentes das associações brasileiras das raças convidam os produtores de todo o Brasil para realizarem a inscrição. Armando Rabbers, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa- ABCBRH, destaca a importância do Agroleite para que os produtores se encontrem, conversem sobre a raça, verifiquem as possibilidades de melhorias, pois o evento sempre traz muitas informações. “No Agroleite podemos ver a excelência da raça Holandesa aqui no Brasil e digo, hoje não só para o Brasil, mas para o mundo. Quem vem visitar, produtores de outros países, se encanta pela qualidade da raça”, enfatiza o presidente. Para Ângela Maraschin, dirigente da Associação dos Criadores de Gado Jersey do Brasil- ACGJB, o Agroleite se mostrou tradicional ao longo dos anos por ser o palco do encontro de jersistas de diversos estados do país. “Nós estamos esperando os criadores de Jersey do Brasil todo, para que a gente possa se encontrar no Agroleite 2026”, relata Ângela. O gerente do Agroleite, Gustavo Viganó, reforça o convite aos criadores. “O Agroleite está de braços abertos para receber os animais e ser novamente o centro da celebração da qualidade das raças Holandesa e Jersey. Sabemos o orgulho e o cuidado envolvidos na preparação de cada animal, e nossa estrutura está pronta para valorizar essa dedicação”, menciona o gerente. Os julgamentos se estenderão entre a terça-feira, dia 04 de agosto, ao dia 07 de agosto, sexta-feira, encerrando com a escolha da Vaca do Futuro e da Campeã Suprema das Raças. As duas raças serão avaliadas por juízes internacionais, vindos dos Estados Unidos.  A raça Holandesa, nas duas variedades, será julgada por Aaron Eaton, e a raça Jersey, por Kelly Barbee. Os dois juízes atuaram na World Dairy Expo em 2025, uma das mais renomadas exposições de gado no mundo. A inscrição dos animais não tem custo e os expositores receberão auxílio de custos durante estadia no parque com relação a pagamento do leite coletado no período do evento, alimentação de expositores e tratadores, alimentação e cama dos animais. Demais regras e informações constam no Regulamento do Expositor de Animais. O Agroleite 2026 será realizado entre os dias 03 a 07 de agosto em Castro-PR, a Capital Nacional do Leite, no Parque Tecnológico Agroleite e Parque Dario Macedo. Todas as informações da programação são divulgadas no site www.agroleitecastrolanda.com.br, no aplicativo Meu Agroleite e nas redes sociais @agroleitecastrolanda. O evento é aberto ao público e gratuito.
Agroleite Castrolanda

GOVERNO

Conselho Monetário Nacional ajusta regra sobre prorrogação de dívidas rurais

A resolução detalhou que as instituições financeiras ficam autorizadas a prorrogar dívidas de crédito rural, com a manutenção dos encargos originais, “por sua conveniência e decisão”.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ajustes nas regras do Manual de Crédito Rural (MCR) sobre a prorrogação de dívidas dos produtores no sistema financeiro. Uma resolução aprovada no dia 25 de junho detalhou que as instituições financeiras ficam autorizadas a prorrogar dívidas de crédito rural, com a manutenção dos encargos originais, “por sua conveniência e decisão”. A expressão não aparecia no texto anterior do MCR. Na prática, a mudança reforça a autonomia dos bancos e cooperativas de crédito de optar ou não pela prorrogação das operações com a manutenção dos encargos originais. A prorrogação poderá ser feita mediante solicitação do mutuário. Para isso, o produtor terá que comprovar a dificuldade temporária para reembolso dos valores, condição que deverá ser atestada pela instituição financeira. O CMN definiu ainda a adoção de um novo tratamento para os chamados “recursos livres”, que são os recursos próprios ou captados pela instituição financeira e usados para a contratação de operações de crédito rural com taxas livremente pactuadas, não amparadas por subvenção econômica da União na forma de equalização de taxas de juros e outros encargos financeiro. Agora, os recursos livres serão chamados de “recursos não controlados”. A resolução faz adequações de redação para adaptar o MCR à nova nomenclatura. A resolução do CMN também definiu que as fontes de recursos do crédito rural serão classificadas quanto à origem e quanto às condições aplicadas a elas. Na questão da origem, serão consideradas direcionados os recursos para os quais há disposição legal e regulamentar que estabeleça a aplicação em crédito rural (atualmente depósitos à vista, poupança rural, LCAs, fundos constitucionais, Funcafé e recursos do orçamento da União). Serão considerados recursos livres os provenientes das captações não sujeitas ao direcionamento, ou próprios da instituição financeira aplicados em crédito rural. Quanto às condições de encargos financeiros, prazo de reembolso e limite de crédito, o MCR passou a considerar fontes controladas aquelas que têm essas regras fixadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) ou por norma específica de outro órgão regulador; e não controladas aquelas cujas condições são pactuadas entre o beneficiário e a instituição financeira. A resolução definiu ainda que instituições financeiras que não cumprirem as exigibilidades do crédito rural poderão pagar custo financeiro e serem submetidas à avaliação sobre o cabimento de instauração de processo administrativo sancionador contra si e seus dirigentes.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar tem leve baixa ante real acompanhando recuo das cotações no exterior

O dólar fechou a sexta-feira com leve baixa ante o real, acompanhando a queda da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas, com investidores moderando as apostas de aumento de juros pelo Federal Reserve após novo recuo do petróleo.

O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,21%, aos R$5,1697. Na semana, a moeda acumulou leve alta de 0,10% e, no ano, baixa de 5,82%. Às 17h05, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,27% na B3, aos R$5,1720. No início do dia, o Banco Central vendeu US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. No exterior, a moeda norte-americana cedeu ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra e o iene. O dólar também sustentou perdas ante divisas de países emergentes como o peso mexicano, o rand sul-africano e o sol peruano. O movimento tinha a influência dos dados econômicos mais recentes divulgados nos EUA, que reduziram um pouco as apostas de alta de juros pelo Fed neste ano. Além disso, a queda do petróleo Brent, para perto dos US$72 o barril, ajudava a aliviar as preocupações com a inflação e com a política monetária norte-americana. No Brasil, o câmbio acompanhou este viés vindo de fora. Durante a tarde, a moeda recuperou um pouco de força, mas ainda assim terminou a sessão em queda. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas. No mesmo período de 2025 a taxa estava em 6,2%. Já o BC informou que o Brasil teve déficit em transações correntes de US$3,185 bilhões em maio, menos que o rombo de US$4,159 bilhões projetado em pesquisa da Reuters com economistas. Na outra ponta, os investimentos diretos no país (IDP) somaram US$7,974 bilhões, contra US$5,75 bilhões projetados.

REUTERS

Ibovespa fecha em alta sustentado por bancos

O Ibovespa fechou em alta na sexta-feira, apoiado principalmente nas ações de bancos, enquanto Braskem figurou novamente na ponta negativa, reflexo de preocupações de investidores sobre a situação financeira da petroquímica.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,79%, a 173.347,87 pontos, acumulando um ganho de 2,98% na semana, conforme dados preliminares. Na máxima do dia, chegou a 173.964,44 pontos. Na mínima, registrou 171.123,94 pontos. O volume financeiro somava R$21,45 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Desemprego no Brasil fica em 5,6% no trimestre até maio, nível mais baixo para o período

A taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,6% nos três meses até maio, menor nível para o período na série histórica e em linha com as expectativas de economistas, em meio a uma queda no número de pessoas sem ocupação e mostrando que o mercado de trabalho segue robusto.

Com isso, a taxa mostra leve recuo ante os 5,8% dos três meses até abril e na comparação com o trimestre imediatamente anterior, até fevereiro, quando também foi de 5,8%. No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego foi de 6,2%. A série histórica da pesquisa se inicia em 2012. Os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ficaram em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de 5,6%. “Atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, disse o analista da pesquisa no IBGE, William Kratochwill. “Os segundos trimestres são tradicionalmente marcados por maior estabilidade. Vivemos um momento de estabilidade do mercado”, completou. A taxa de desemprego no Brasil segue em níveis baixos para os padrões nacionais, e analistas não veem uma deterioração brusca mesmo diante de uma esperada perda de força da economia. Esse cenário, somado a rendimentos em alta, sustenta a demanda doméstica e dificulta o controle da inflação pelo Banco Central, que reduziu a taxa básica de juros a 14,25% este mês, mas deixou os próximos passos em aberto. A renda média mensal real caiu ligeiramente a R$3.726 nos três meses até maio, no segundo mês seguido de perda, depois de ter ficado em R$3.758 no trimestre até abril e em R$3.777 nos três meses até março. No trimestre imediatamente anterior, até fevereiro, a renda havia sido de R$3.756. “Caso essa tendência se mantenha nos próximos meses, devemos observar um menor impulso ao consumo das famílias, favorecendo uma desaceleração da inflação, principalmente de serviços, e reduzindo parte das pressões enfrentadas pela política monetária”, destacou Rafael Perez, economista da Suno Research. Nos três meses até maio, o número de desempregados caiu 2,8% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, chegando a 6,065 milhões, uma queda de 9,3% sobre o mesmo período de 2025. Já o total de ocupados subiu 0,5% ante o trimestre até fevereiro e 0,8% na comparação anual, chegando a 102,703 milhões. “Não parece haver sinal de aceleração no emprego e esperamos continuidade da tendência de moderação”, disse André Valério, economista sênior do Inter, projetando taxa de desemprego de 5,7% no fim do ano. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado aumentaram 0,2% no trimestre até maio sobre os três meses imediatamente anteriores, enquanto os que não tinham carteira cresceram 1,1%.

REUTERS

Confiança da indústria no Brasil sobe pelo 2º mês seguido em junho, diz FGV

A confiança da indústria no Brasil apresentou alta pelo segundo mês seguido em junho diante da melhora na percepção atual e recuperação das expectativas sobre os próximos meses, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na sexta-feira.

O Índice de Confiança da Indústria (ICI) subiu 3,0 pontos na comparação com o mês anterior, de acordo com os dados da FGV, e chegou a 100,1 pontos. O Índice de Situação Atual (ISA), que mede o sentimento dos empresários sobre o momento presente do setor industrial, avançou 3,4 pontos, para 102,1 pontos, alcançando o maior patamar desde outubro de 2024, segundo a FGV. “Nas avaliações sobre o presente, nota-se continuidade do movimento de escoamento dos estoques, sobretudo nos setores relacionados a bens intermediários”, explicou Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE. O Índice de Expectativas (IE), indicador da percepção sobre os próximos meses, subiu 2,7 pontos, e foi a 98,3 pontos, maior nível desde setembro de 2024. “Em relação ao futuro, a redução da incerteza associada ao conflito no Oriente Médio e a acomodação recente dos preços do petróleo contribuíram para uma recuperação do otimismo entre os empresários da indústria de transformação”, disse Pacini. Ele ressaltou, entretanto, que o ambiente segue “complexo”, com juros elevados e inflação ainda pressionada, o que pode limitar o consumo de bens industriais ao longo do segundo semestre. O Banco Central cortou a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,25% ao ano, mas deixou os próximos passos em aberto.

FGV

Dívida pública federal do Brasil sobe 2,66% em maio e supera R$9 trilhões

A dívida pública federal do Brasil subiu 2,66% em maio em relação ao mês anterior e alcançou R$9,033 trilhões, em período que também registrou alta do custo de rolagem e das novas emissões de títulos, divulgou o Tesouro Nacional na sexta-feira.

No período, a dívida pública mobiliária interna teve alta de 2,72%, a R$8,692 trilhões, enquanto a dívida pública federal externa cresceu 1,37% e atingiu R$340,49 bilhões. A elevação da dívida pública interna no mês foi fruto de uma emissão líquida de títulos no valor de R$135,62 bilhões e uma apropriação de juros de R$94,17 bilhões. A participação na dívida pública federal dos títulos indexados à Selic, mais buscados por investidores em momentos de volatilidade no mercado, continuou em alta no período, atingindo 49,0% do total, contra 48,6% em abril. O plano de financiamento do Tesouro prevê que esses papéis responderão por 46% a 50% do estoque neste ano. O Tesouro destacou que foi observada no mês de maio uma elevação nos juros futuros do país, sob reflexo de expectativas em relação à política monetária em contexto de tensões no cenário geopolítico, apesar das perspectivas de resolução do conflito entre Estados Unidos e Irã. Segundo as informações da pasta, o custo médio do estoque da dívida pública federal acumulado em 12 meses teve uma alta no mês passado, indo de 12,22% ao ano em abril para 12,31% ao ano. O custo médio das novas emissões de títulos da dívida interna também subiu, passando de 14,08% ao ano em abril para 14,19% no mês passado. No período, o colchão de liquidez da dívida pública somou R$1,211 trilhão, suficiente para cobrir 9,14 meses de vencimentos de títulos. Em relação ao perfil de vencimentos da dívida pública, o Tesouro informou que o prazo médio do estoque passou de 4,12 anos em abril para 4,07 anos em maio. Sobre o mês de junho, o Tesouro disse que a curva de juros do Brasil teve alta refletindo mudanças de expectativas sobre o ciclo de política monetária, em contexto de incertezas com o cenário externo.

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Empresários veem inflação maior em 2026 e 2028, e pessimismo com economia cresce, mostra pesquisa do BC

Empresas consultadas pelo Banco Central apresentaram uma projeção mais alta para a inflação neste ano, apontando também um aumento no pessimismo com a economia atual, segundo pesquisa publicada pela autoridade monetária na sexta-feira.

Em nova edição da pesquisa Firmus, que traz a percepção de empresas de fora do setor financeiro sobre seus negócios e as principais variáveis econômicas, a mediana das expectativas para a inflação em 2026 passou de 4,0% no relatório publicado em março para 5,0%. A projeção foi mantida em 4,0% para 2027, mas aumentou de 3,8% para 4,0% em 2028. Os dados foram coletados com 349 empresas entre 11 e 29 de maio. De acordo com a pesquisa, a percepção sobre a situação econômica atual no país se deteriorou em relação ao trimestre anterior, também com uma piora em relação à previsão de desempenho do próprio setor de cada empresa e expectativas de custos mais altos de mão de obra e insumos. O BC incluiu nesta edição do Firmus uma pergunta sobre efeitos gerados pela guerra no Oriente Médio, com a maioria das empresas notando impactos, sobretudo nos custos de frete, logística e aquisição de derivados de petróleo. A eclosão da guerra no Oriente Médio, que gerou forte impacto sobre a cadeia logística do petróleo, provocou volatilidade e elevações na cotação do barril, com efeitos sobre a inflação global. Agentes de mercado agora avaliam desdobramentos econômicos com o possível fim do conflito. Em relação à atividade econômica no país, a projeção das empresas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi mantida em 1,8% para 2026 e 2027. As empresas consultadas ainda apontaram uma expectativa de dólar mais fraco nos próximos seis meses, com mediana de R$5,15, bem abaixo dos R$5,40 estimados na pesquisa anterior.

REUTERS

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