Ano 1 | nº 163 | 26 de junho de 2026
NOTÍCIAS
IBGE: Por que mais leite significou menos dinheiro no início de 2026
A indústria captou o maior volume de leite já registrado para um primeiro trimestre, mas o preço pago ao produtor ficou bem abaixo do ano passado. O aumento da produção não foi acompanhado por uma melhora na remuneração, criando um cenário de atenção para a cadeia.
A captação de leite no Brasil alcançou um marco histórico no primeiro trimestre de 2026, mas o resultado trouxe uma mensagem incômoda para os produtores: produzir mais não significou ganhar mais. Enquanto a indústria registrou o maior volume de aquisição de leite já observado para o período, a remuneração média paga ao produtor ficou significativamente abaixo da registrada um ano antes. Entre janeiro e março, os estabelecimentos sob inspeção sanitária adquiriram 6,78 bilhões de litros de leite cru. O volume superou o do mesmo período de 2025 e estabeleceu um novo recorde para um primeiro trimestre na série do IBGE. O resultado confirma que a oferta de matéria-prima continuou avançando mesmo em um ambiente de preços menos favorável ao produtor. Do ponto de vista da cadeia, o dado reforça uma realidade conhecida do setor leiteiro: crescimento da produção e rentabilidade nem sempre caminham juntos. Apesar do aumento da captação, o preço líquido médio pago pela indústria foi de R$ 2,24 por litro, valor 18,8% inferior ao observado no primeiro trimestre do ano passado. A diferença entre os dois indicadores ajuda a explicar a sensação de pressão econômica enfrentada por muitos produtores. O leite circulou em maior volume, os tanques ficaram mais cheios e a indústria ampliou suas aquisições, mas a receita obtida por litro permaneceu distante dos níveis registrados em 2025. Ainda assim, os números do trimestre mostram uma reação gradual dos preços ao longo dos meses. Depois de iniciar o ano em R$ 2,10 por litro em janeiro, a remuneração avançou para R$ 2,44 em março. Embora insuficiente para eliminar a diferença em relação ao ano anterior, o movimento indica uma recuperação dentro do próprio trimestre. Regionalmente, o crescimento da captação foi puxado principalmente pelo Sul do país. O Paraná registrou o maior aumento absoluto na aquisição de leite frente ao mesmo período do ano passado. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Minas Gerais e Ceará. Os resultados reforçam o peso dos estados do Sul na estrutura produtiva nacional. Além do aumento dos volumes captados, a região manteve protagonismo na expansão da oferta destinada à indústria de processamento. Para os agentes da cadeia leiteira, o balanço do primeiro trimestre traz uma leitura importante. Os dados confirmam que a produção brasileira segue em expansão, mas também mostram que o aumento do volume entregue não garante melhora automática da rentabilidade. Em 2026, pelo menos nos primeiros meses do ano, o setor produziu mais leite, enquanto os produtores continuaram recebendo menos por cada litro comercializado.
EDAIRYNEWS
Conseleite/RS registra leve recuo na projeção do valor de referência do leite para junho
O valor de referência do leite para junho foi projetado com uma queda de 0,80%.
O valor de referência do leite para junho foi divulgado na quinta-feira, 25 de junho, e ficou projetado em R$ 2,4281. O índice representa uma queda de 0,80% em relação ao valor projetado para maio, que havia sido de R$ 2,4478. Segundo o Conseleite/RS, o valor indica a manutenção de uma trajetória de estabilidade observada no mercado. O Conselho Paritário Produtores/Indústrias de Leite do Rio Grande do Sul (Conseleite/RS) também divulgou o valor consolidado de maio, que fechou em R$ 2,4302, abaixo da projeção do mês (R$ 2,4478). Os dados divulgados pelo Conseleite são elaborados pela Universidade de Passo Fundo (UPF) com base em informações fornecidas pelas indústrias, considerando a movimentação dos primeiros 20 dias do mês.
Conseleite/RS
INTERNACIONAL
Entre GLP-1, aquisições bilionárias e metas ESG, futuro da Danone passa pela pecuária de leite
Ao mesmo tempo em que investe bilhões em empresas de nutrição ao redor do mundo, a companhia lançou uma nova etapa de suas metas de sustentabilidade para 2030 tendo a agricultura regenerativa como um dos principais pilares.
No último ano, a multinacional francesa Danone tem acelerado sua agenda de investimentos e M&As. A primeira, há um ano, foi a belga Akkermansia, especializada em saúde intestinal. Depois a americana Kate Farms, focada em fórmulas nutricionais à base de plantas. Em setembro do ano passado, inaugurou seu laboratório global OneBiome em Paris. A unidade é um novo centro de pesquisa dedicado à ciência do microbioma do intestino. Em março deste ano foi a vez da britânica Huel, de nutrição funcional adquirida por cerca de 1 bilhão de euros, e na véspera, a multinacional francesa anunciou mais uma aquisição: a australiana Made Group, num negócio de US$ 1,4 bilhão voltado ao mercado de proteínas e nutrição saudável. A sequência de movimentos ajuda a explicar para onde a companhia quer ir nos próximos anos: saúde, proteína, microbioma e alimentação funcional. Mas, para executar essa estratégia, a Danone diz depender cada vez mais de algo muito menos futurista ou dependente de tendências de mercado: o leite produzido dentro da fazenda. “A agricultura é o nosso principal driver de descarbonização”, afirmou Mário Rezende, vice-presidente de operações e sustentabilidade da Danone no Brasil, durante encontro com jornalistas realizado em São Paulo. A declaração ajuda a entender por que, ao mesmo tempo em que investe bilhões em empresas de nutrição ao redor do mundo, a companhia lançou uma nova etapa de suas metas de sustentabilidade para 2030 tendo a agricultura regenerativa como um dos principais pilares. Segundo a empresa, mais de 60% do leite utilizado atualmente pela operação brasileira já vem de propriedades inseridas em práticas regenerativas. Entre 2020 e 2025, a companhia afirma ter reduzido em 50% suas emissões de CO² e em 43% as emissões de metano no Brasil, desempenho superior à meta global de redução de 30% do gás. Agora, a missão passa a ser ampliar esse trabalho. Até 2030, a Danone pretende que 45% dos seus principais ingredientes estratégicos sejam provenientes de fazendas envolvidas em agricultura regenerativa. Ao mesmo tempo, a companhia também quer avançar na redução de açúcar do portfólio focado em adultos – o infantil já teve a meta alcançada -, ampliar ações ligadas à gestão hídrica, aumentar o uso de embalagens recicladas e reduzir desperdícios ao longo da cadeia. Em relação ao adoçante, a meta é que, até o fim da década, 88% dos volumes vendidos de produtos lácteos e à base de plantas para adultos de consumo diário tenham 10 gramas ou menos de açúcares totais por 100 gramas de produto. Diante disso, a produção rural se relaciona com as canetas emagrecedoras (medicamentos da classe GLP-1) pelo impulso de consumo que as proteínas devem ganhar. “As pessoas que estão na jornada do GLP-1 perdem músculos e massa e nosso portfólio interessa nessa reposição. No fim, investimos em tecnologia para trazer mais saúde”, disse Camilo Wittica, vice-presidente de assuntos jurídicos e corporativos da Danone. O movimento ajuda a explicar por que marcas ligadas a proteínas vêm ganhando espaço dentro do portfólio da empresa, assim como também explica o motivo do leite continua ocupando uma posição central na estratégia da multinacional. Segundo Wittica, a companhia utiliza tecnologias de separação por membranas para extrair diferentes frações do leite e direcioná-las para aplicações específicas, incluindo produtos proteicos como o YoPRO. E essa aposta já entrou no operacional da Danone no País. Em outubro passado, a unidade de Poços de Caldas (MG) da empresa, principal unidade brasileira, focada na produção de produtos lácteos e bebidas à base de plantas, já estava sendo adaptada para atender o avanço das categorias proteicas. A fábrica tem capacidade instalada para produzir cerca de 30 mil toneladas por mês, na época, operava com aproximadamente 40% de ociosidade. A empresa projetava ampliar em cerca de 50% a capacidade de fabricação de produtos proteicos na unidade, numa estratégia justamente ancorada na leitura de que essas categorias – proteínas, nutrição funcional e bem-estar – devem crescer acima dos produtos lácteos tradicionais nos próximos anos. A questão é que uma maior demanda por proteína normalmente significaria também uma necessidade maior de matéria-prima. Na visão da Danone, porém, o caminho não está necessariamente em ampliar a quantidade de vacas ou expandir áreas produtivas, mas sim em produtividade. Hoje a companhia capta aproximadamente 500 mil litros de leite por dia junto a cerca de 230 produtores rurais. Aproximadamente 70% dessa base é formada por pequenos produtores, que no caso da Danone, produzem até mil litros de leite por dia. “A nossa aposta é que através do Flora, através da transferência de tecnologia, eu consiga aumentar a produtividade e eficiência das fazendas usando os mesmos recursos”, afirmou Rezende. Desses fornecedores, 148 já participam da Jornada Flora, programa de agricultura regenerativa lançado pela companhia no final de 2023. Na meta para 2030, a empresa projeta alcançar 45% do volume dos principais ingredientes diretos chave provenientes de fazendas envolvidas em agricultura regenerativa. Segundo os executivos, o projeto busca atuar simultaneamente em três frentes: redução de emissões, aumento da renda dos produtores e melhoria do bem-estar animal. Enquanto a produtividade média da pecuária leiteira brasileira gira em torno de seis litros por animal por dia, propriedades que passaram pelo processo de tecnificação apoiado pela Danone conseguem alcançar patamares próximos de 24 litros por vaca diariamente.
AGFEED/MILKPOINT
GOVERNO
Equalização de juros do crédito rural ainda tem ‘buraco’ de pelo menos R$ 120 milhões
A poucos dias do início do Plano Safra 2026/27, taxas a produtores seguem indefinidas. Quase todo o dinheiro reservado no Orçamento para a subvenção a taxas já foi usado
A menos de uma semana da entrada em vigor do Plano Safra 2026/27, o governo federal ainda não chegou a uma definição sobre os juros e valores que serão ofertados aos médios e grandes produtores na próxima temporada. Há um “buraco” entre R$ 120 milhões e R$ 200 milhões no orçamento deste ano para bancar o pagamento de equalização de taxas do crédito rural pretendidas pelo Ministério da Agricultura, segundo pessoas a par das discussões. A proposta inicial da Pasta demandava um orçamento para equalização “muito maior”, de cerca de R$ 860 milhões, e que não foi atendido pelo Executivo, relatou uma fonte. O valor equivale à diferença entre a verba em caixa atualmente e o montante necessário para atender às condições sugeridas pelo ministério: R$ 570 bilhões em financiamentos e juros de um dígito para médios e grandes produtores. Há dificuldades para convencer a equipe econômica a encontrar espaço no orçamento para aportar mais recursos neste ano — consequência do aperto fiscal da União e das prioridades definidas para os gastos públicos. O tema tem sido tratado entre ministros e pode ser levado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em algum momento. O lançamento do Plano Safra está previsto para 1 de julho. A equalização de juros corresponde ao diferencial de taxas entre o custo de captação de recursos pelas instituições financeiras, acrescido dos custos administrativos e tributários (spread bancário), e os encargos cobrados do tomador final do crédito rural. As condições negociadas agora estão “longe das pretensões iniciais” do Ministério da Agricultura, disse uma pessoa que acompanha as discussões. A Pasta renunciou a alguns pedidos, e o valor do pedido caiu para R$ 200 milhões. Nesta semana, uma nova rodada de simulações levou o número para R$ 120 milhões. Mesmo assim, não há definição se o recurso será remanejado ou suplementado no caixa do Tesouro Nacional. A diretriz técnica do ministério é buscar um Plano Safra “equilibrado”, capaz de combinar apoio aos produtores e responsabilidade fiscal, disse outra fonte. Uma das metas é preservar a “sustentabilidade” do crédito rural em um cenário complicado de endividamento e de maior seletividade para concessão dos financiamentos. As negociações continuam em Brasília. No Ministério do Desenvolvimento Agrário, ocorreram avanços, e as medidas já estão mais alinhadas, principalmente em relação aos custos do Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/27 para o Tesouro Nacional. A expectativa é de poucas mudanças em relação à temporada 2025/26. Algumas linhas deverão ter ajustes pontuais nos juros para direcionar as prioridades da Pasta. O valor deve ficar próximo de R$ 80 bilhões. Uma fonte avaliou que poderão ser ajustadas as taxas de custeio para a produção de alimentos de consumo interno pela agricultura familiar e das linhas de agroecologia, bandeiras do ministério. Machiaveli também busca ampliar o acesso ao crédito para mulheres e jovens. Os juros para agricultores familiares estão entre 2% e 6% ao ano. Na safra 2025/26, o governo estimou em R$ 13,5 bilhões o orçamento necessário, ao longo de vários anos, para equalizar os juros. Esse custo vai aumentar, disse uma pessoa que participa dos debates, sem informar o valor. “A grande preocupação é o orçamento deste ano. No custo total, as coisas mudam bastante”, afirmou. O custo da equalização para a agricultura familiar é maior. Com a redução ainda lenta da Selic, de 15% em julho de 2025 para 14,25% agora, os gastos do Tesouro continuam pressionados. O pedido do Ministério da Agricultura foi por juros de um dígito na safra 2026/27. Atualmente, as taxas estão entre 8% e 14%. O custeio, que será o foco do próximo plano, tem alíquotas de 10% para médios e 14% para grandes. A equalização de juros é paga mensalmente aos agentes financeiros pelo Tesouro Nacional. Cortes nos juros finais aumentam os gastos em bilhões de reais ao longo dos dez anos que o Plano Safra impacta. O custo é menor em 2026, porque são apenas seis meses de pagamentos. O dinheiro reservado no orçamento de 2026 para equalizar juros do crédito rural já foi quase todo utilizado até a metade do ano. Ao todo, são R$ 18,9 bilhões. A maior parte paga equalização de operações passadas, que ficaram mais caras do que o previsto por conta da manutenção da Selic em patamar elevado até agora. Recentemente, o Tesouro Nacional já recebeu uma suplementação de R$ 509,6 milhões, a maior parte para investimentos (R$ 447,9 milhões) e custeio (R$ 57,6 milhões). Até agora, foram empenhados quase R$ 17 bilhões desse orçamento. O “espaço” para equalizar as contratações a partir de julho é curto. Do restante, R$ 1,9 bilhão, a maior parte pagará a equalização mensal de financiamentos já contratados. Para novas operações de investimentos, a disponibilidade é de cerca de R$ 380 milhões dos R$ 834,2 milhões em caixa atualmente.
VALOR ECONÔMICO
ECONOMIA
Dólar acompanha exterior e volta a fechar abaixo dos R$5,20
O dólar fechou a quinta-feira em queda e novamente abaixo dos R$5,20, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, em uma sessão de certo alívio nas apostas de alta de juros pelo Federal Reserve.
No Brasil o dia foi de agenda cheia, com a divulgação de novos dados de inflação e projeções do Banco Central, além de entrevista coletiva com dirigentes da autarquia. O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,39%, aos R$5,1805. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,62% ante o real. Às 17h18, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,26% na B3, aos R$5,1815. Pela manhã, a divulgação de números de inflação nos EUA ligeiramente abaixo do esperado por alguns investidores trouxe certo alívio nas apostas de alta de juros pelo Federal Reserve, o que pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre o dólar ante boa parte das demais divisas. No Brasil, a queda do dólar também ocorreu em paralelo ao fortalecimento das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) no fim da manhã, em meio à coletiva de imprensa de dirigentes do Banco Central. Na entrevista coletiva, o diretor Paulo Picchetti afirmou que o BC não está alongando o horizonte relevante para a política monetária e não tem a intenção de fazer isso. Segundo Picchetti, nas comunicações recentes a autarquia chamou atenção para o primeiro trimestre de 2028 porque avalia que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno climático El Niño afeta a inflação, mas é insensível ao que o BC faz com os juros. Picchetti — que atualmente acumula as diretorias de Assuntos Internacionais e de Política Econômica do BC — afirmou que um choque de juros “não abriria o Estreito de Ormuz” nem afetaria o fenômeno El Niño, mas causaria uma desaceleração desordenada da atividade. A discussão sobre o nível dos juros no Brasil, hoje em 14,25% ao ano, e nos Estados Unidos, na faixa de 3,50% a 3,75%, tem sido observada com atenção no mercado de câmbio, bastante sensível aos fluxos gerados pelo diferencial de juros. Agora, a percepção é de que este diferencial pode cair. Antes da abertura do mercado, o BC divulgou seu Relatório de Política Monetária, elevando de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo. Já o saldo das transações correntes projetado pelo BC para 2026 passou de déficit de US$58 bilhões para US$56 bilhões (2,1% do PIB). A leve redução do déficit esperado foi resultado, conforme o BC, do aumento do saldo comercial (exportações menos importações) projetado para o ano, na esteira do avanço dos preços do petróleo em função da guerra no Oriente Médio. Na abertura da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,41% em junho, desacelerando ante a alta de 0,62% em maio. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam elevação de 0,44% em junho.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta em dia com dados de inflação no foco
O Ibovespa fechou em alta nesta quinta-feira, superando os 173 mil pontos na máxima em dia, com dados de inflação no Brasil no radar, enquanto os papéis da Braskem desabaram após buscar proteção temporária contra cobranças de credores financeiros.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,89%, a 172.027,88 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo chegado a 173.277,09 pontos na máxima e marcado 170.507,92 pontos na mínima do dia. O volume financeiro somava R$19,35 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
BC eleva projeção de alta do PIB em 2026 de 1,6% para 2,0% e cita medidas de estímulo do governo
O Banco Central elevou sua projeção de crescimento econômico em 2026 de 1,6% para 2,0% estimado em março, conforme Relatório de Política Monetária divulgado na quinta-feira, apontando que a atividade registrou aceleração e o mercado de trabalho manteve resiliência, citando também medidas de estímulo do governo.
“A projeção de crescimento do PIB para 2026 foi revisada de 1,6% para 2,0% principalmente pela surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e pela melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa”, disse no documento. A autarquia disse que a revisão também reflete a expectativa de maior dinamismo da demanda interna e dos setores mais sensíveis ao ciclo econômico, “em grande parte associada a estímulos de natureza fiscal e creditícia”. O Ministério da Fazenda previu em maio uma expansão de 2,3% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026. Já o mercado, segundo a pesquisa Focus mais recente, estima que a economia crescerá 1,98% neste ano.
REUTERS
Arrecadação federal bate recorde em maio ajudada por tributação do petróleo
A arrecadação do governo federal teve alta real de 10,7% em maio sobre o mesmo mês do ano passado, somando R$266,793 bilhões, informou a Receita Federal na quinta-feira, ajudada entre outros fatores pela tributação sobre o petróleo em meio à disparada dos preços da commodity no mercado internacional.
Esse foi o maior valor de arrecadação para um mês de maio na série histórica do órgão, iniciada em 1995. No caso das receitas administradas pela Receita Federal, conforme o órgão, a arrecadação de maio foi de R$256,316 bilhões, uma alta real de 9,39% ante o mesmo mês do ano passado. Já as receitas administradas por outros órgãos públicos somaram R$10,477 bilhões, um aumento real de 56,28%. Um dos destaques em maio foi a arrecadação pela Receita do imposto sobre a exportação de petróleo bruto, de R$1,048 bilhão — uma tributação atípica, criada recentemente pelo governo para o enfrentamento da disparada de preços dos combustíveis no país, na esteira da guerra no Oriente Médio. Ao tributar a exportação de petróleo, o governo tenta desestimular a venda ao exterior, o que ajuda a conter os preços internos dos combustíveis. “O imposto de exportação incidente sobre o óleo bruto é recolhido por empresas exportadoras 60 dias após o embarque do produto no navio. Então, os primeiros recolhimentos começaram a aparecer agora, em meados de maio. Há previsão de que no mês de junho tenhamos novos recolhimentos”, comentou o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, durante coletiva sobre os resultados. Já a arrecadação regular vinculada à extração de petróleo e gás natural teve forte aumento, atingindo R$10,094 bilhões em maio, quase cinco vezes o verificado em maio do ano passado. No acumulado de janeiro a maio, a arrecadação cresceu 6,42% acima da inflação em comparação com o mesmo período de 2025, a R$1,323 trilhão. A preços de maio de 2026, a arrecadação de janeiro a maio deste ano foi de R$1,341 trilhão, o maior valor para o período na série histórica iniciada em 1995.
Reuters
IPCA-15 desacelera a 0,41% e fica abaixo das projeções em junho, mas alimentos ainda pressionam
Índice tem maior inflação para o 6º mês do ano desde 2022, apesar do alívio ante maio. Alta acumulada em 12 meses ganha força e alcança 4,8%, acima do teto da meta, segundo IBGE
A inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) desacelerou a 0,41% em junho, após marcar 0,62% em maio, apontam dados divulgados na quinta-feira (25) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O novo resultado ficou abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, que era de 0,44%, conforme a agência Bloomberg. O intervalo das estimativas ia de 0,35% a 0,52%. Apesar do alívio, a taxa de 0,44% é a maior para meses de junho em quatro anos, desde 2022 (0,69%). O grupo alimentação e bebidas subiu menos neste mês, mas seguiu como principal fonte de pressão sobre o IPCA-15. A carestia da energia elétrica também impactou o índice. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 acelerou a 4,8% até junho, após marcar 4,64% até maio. Com isso, afastou-se do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Analistas do mercado financeiro esperam IPCA acima de 5% no acumulado de 2026. Segundo o IPCA-15, a alta dos preços de alimentação e bebidas desacelerou de 1,38% em maio para 0,74% em junho. grupo, contudo, voltou a mostrar a maior variação dos nove pesquisados pelo IBGE. Também respondeu pelo maior impacto no índice de junho (0,16 ponto percentual). Habitação veio na sequência, com alta de 0,72% e influência de 0,11 ponto percentual. Juntos, os dois grupos responderam por cerca de 66% do resultado deste mês. O aumento da energia elétrica (2,04%) pressionou a habitação. O IBGE também apontou efeitos de reajustes de tarifas em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e Salvador. A energia elétrica teve impacto de 0,08 ponto percentual no IPCA-15 deste mês. Foi o maior impacto individual. Dentro de alimentação e bebidas, a alta da alimentação no domicílio saiu de 1,73% em maio para 0,87% em junho. O instituto destacou os aumentos da batata-inglesa (29,42%), do tomate (17,27%), do feijão-carioca (14,29%) e da cebola (9,54%). Do lado das quedas, chamou a atenção para o café moído (-3,69%) e as frutas (-0,96%). Parte dos alimentos costuma subir nos meses iniciais do ano com a redução da oferta devido a condições climáticas mais complicadas para a produção. Tomate, cenoura e batata-inglesa mais do que dobraram de preço no primeiro semestre. Os três produtos acumularam altas de 103,84%, 103,1% e 100,2%, respectivamente, no IPCA-15. No recorte mensal, os combustíveis mostraram redução de 1,22% em junho. Assim, impediram um avanço maior do índice geral. O diesel teve queda de 1,47% neste mês, após recuar 2,04% em maio. O combustível, porém, ainda não compensou as altas de 16% em abril e de 3,77% em março, logo depois do início da guerra. O conflito pressionou as cotações do petróleo. O etanol (-5,3%) e a gasolina (-0,73%) também recuaram em junho. Os dois responderam pelos maiores impactos do lado das quedas no IPCA-15 (-0,04 p.p. cada).
FOLHA DE SP
BC mantém estimativa de expansão do crédito em 2026 em 9,0%
O Banco Central prevê um crescimento do crédito no país de 9,0% este ano, mesma estimativa feita em março, conforme dados do seu Relatório de Política Monetária divulgado na quinta-feira.
Agora, a expectativa é que o crédito às famílias suba 9,8% em 2026, contra expectativa anterior de 9,5%. Para as empresas, a alta foi calculada em 7,8%, contra 8,2% previstos em março. Para o estoque de crédito livre, em que as taxas são pactuadas livremente entre bancos e tomadores, o BC projeta agora uma expansão de 7,8% em 2026 (+8,1% antes). Para o crédito direcionado, que atende a parâmetros estabelecidos pelo governo, a perspectiva é de alta de 10,7% (+10,2% antes).
Reuters
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