Ano 1 | nº 156 | 17 de junho de 2026
NOTÍCIAS
IBGE: Aquisição de leite tem volume recorde para um 1º trimestre
A aquisição de leite cru feita pelos estabelecimentos que atuam sob algum tipo de inspeção sanitária (federal, estadual ou municipal) no 1º trimestre de 2026 foi de 6,78 bilhões de litros.
O valor correspondeu a um acréscimo de 2,6% em comparação ao volume registrado no 1º trimestre de 2025 e queda de 8,0% em comparação ao obtido no trimestre imediatamente anterior. Foi a maior aquisição de leite em um 1º trimestre de toda a série histórica. Outro ponto destacado pelo gerente é em relação ao preço do leite: “O preço líquido médio pago aos produtores pela indústria foi de R$ 2,24, sendo 18,8% inferior ao praticado no 1º trimestre/2025. Este valor, porém, apresentou tendência de aumento ao longo dos meses do trimestre, partindo de R$ 2,10 em janeiro a R$ 2,44 em março.” Nas Unidades da Federação, as variações positivas mais significativas ocorreram em: Paraná (+88,74 milhões de litros), Rio Grande do Sul (+60,24 milhões de litros), Santa Catarina (+44,56 milhões de litros), Minas Gerais (+26,63 milhões de litros) e Ceará (+12,76).
IBGE
Paraná tem superávit em volume de lácteos
Balança de lácteos fecha quadrimestre no vermelho
A balança comercial de lácteos do Paraná encerrou o primeiro quadrimestre de 2026 com saldo positivo em volume, mas ainda registrou déficit em valor financeiro. Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado dia 11 pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Entre janeiro e abril deste ano, o Paraná exportou 4,3 mil toneladas de produtos lácteos, volume ligeiramente inferior às 4,4 mil toneladas embarcadas no mesmo período de 2025. No sentido contrário, as importações alcançaram 3,1 mil toneladas, crescimento de 9% em comparação com o primeiro quadrimestre do ano passado. Apesar de vender ao exterior uma quantidade maior de lácteos do que comprou, o Estado fechou o período com resultado negativo em receita. Segundo o Deral, as importações somaram US$ 11,4 milhões nos quatro primeiros meses de 2026, enquanto as exportações renderam US$ 8,1 milhões. O boletim aponta que a diferença entre os resultados em volume e em valor está relacionada ao perfil dos produtos comercializados pelo Paraná. O Estado exporta principalmente itens de menor valor agregado, com destaque para a manteiga, que lidera a pauta de embarques do setor. Por outro lado, as importações são concentradas principalmente em queijos, produtos que possuem valor mais elevado por tonelada. Esse cenário faz com que o montante gasto nas compras internacionais supere a receita obtida com as exportações, mesmo diante do superávit em volume. De acordo com a análise do Deral, a composição da pauta comercial continua sendo o principal fator para explicar o déficit financeiro registrado pelo segmento lácteo paranaense no início de 2026.
AGROLINK
Sindileite apresenta proposta de Plano de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite do Paraná
O Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite/PR) apresentou na sexta-feira (12/06), na Ocepar, a proposta de construção do Plano de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite no Paraná (PDCPL). O objetivo da iniciativa é o fortalecimento e desenvolvimento da cadeia leiteira paranaense.
A proposta foi apresentada pelo presidente do Sindileite, Elias Zydek, à diretoria da Ocepar, representada pelo superintendente Robson Mafioletti; à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), representada pelo diretor-presidente Otamir Martins e a representantes do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR/PR), da Federação da Agricultura do Paraná (Faep) a da Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCBRH). A reunião tratou da proposta metodológica de elaboração do plano dentro de uma visão estratégica integrada para o desenvolvimento do setor leiteiro do estado. Foram debatidos os eixos estratégicos do trabalho e alinhadas as participações das entidades envolvidas na iniciativa.
OCEPAR
Mercado de suplementos alerta sobre colapso estrutural de whey protein
Daniel Mencacci, CEO da Fitoway, e Abenutri falam em crescimento da demanda e disparada de preços. Movimento acontece enquanto grandes marcas pesquisam fabricação de cerveja proteica em larga escala
Executivos de grandes empresas veem a cerveja proteica produzida em larga escala como a próxima fronteira do mercado. Relatos feitos à coluna dizem que as pesquisas acontecem de forma acelerada. Lançada em janeiro de 2025, Beer Protein é a pioneira, mas é uma marca de nicho. O movimento é observado com preocupação pelas companhias de suplementos alimentares. Seria mais um exemplo de porque o setor de proteína do soro do leite, que tem como exemplo mais popular o whey protein, pode caminhar para o colapso estrutural. Marcelo Bella, presidente da Abenutri (Associação Brasileira das Empresas de Suplementos Nutricionais), afirma que a demanda pela matéria-prima disparou em múltiplas frentes ao mesmo tempo, já que diferentes indústrias fabricam produtos proteicos. Segundo a associação, o mercado global da proteína do soro do leite, avaliado em cerca de US$ 15 bilhões, já enfrenta escassez. O quilo do WPC (whey protein concentrado), que custava US$ 4 em 2021, chegou a US$ 40 em 2026, alta de 900%. Bella diz que o ambiente de insumos tem custos proibitivos para fabricantes de menor escala. Daniel Mencacci, CEO da Fitoway, uma das empresas em crescimento no ramo de suplementos, ressalta que o consumo aumentou “absurdamente”. Ele aponta um fator extra: a popularização das canetas emagrecedoras. Efeitos colaterais do medicamento, como a redução de apetite a náusea, tornam shakes proteicos atrativos para ingestão de proteína. “É muito mais fácil tomar um shake do que comer um alimento”, completa. Diferentes empresas do segmento importam matéria-prima dos Estados Unidos e essa é disputada cada vez mais por multinacionais e gigantes do setor alimentício ou de bebidas. Pelos números da Grand View Research, companhias de bebidas funcionais devem movimentar cerca de US$ 335,4 bilhões até 2030. E a motivação vai além da saudabilidade. Há o apelo de marketing da proteína, cada vez mais presente no imaginário do consumidor. Para a Abenutri, a falsificação e adulteração da proteína acabada estão em expansão, resultado do preço elevado do insumo e da pressão sobre as margens de lucro. O WPC, com 47%, é o insumo de maior demanda. A Fitoway diz que a saída passa por reformulação de mix, busca de fornecedores alternativos e reajuste de preços, medidas que, segundo Mencacci, não são suficientes para compensar a magnitude da crise, por enquanto.
FOLHA DE SÃO PAULO
INTERNACIONAL
GLOBAL DAIRY TRADE: SURPRESA NO GDT: OS PREÇOS VOLTAM A CAIR
A 406ª edição do Global Dairy Trade registrou uma nova correção nos preços internacionais dos laticínios. O índice geral recuou 2,8% em relação ao leilão anterior, enquanto o preço médio ficou em US$ 3.979 por tonelada métrica, refletindo uma maior cautela do mercado e uma demanda que continua apresentando sinais contraditórios.
O índice geral de preços registrou uma queda de 2,8% em relação ao leilão anterior, confirmando uma tendência de ajuste que continua sendo acompanhada de perto por produtores, exportadores e indústrias de todo o mundo. O leilão foi encerrado com um preço médio vencedor de US$ 3.979 por tonelada métrica, ficando abaixo dos valores registrados semanas atrás. Esse resultado reflete um cenário de maior cautela entre os compradores, em um contexto em que a evolução da demanda internacional continua sendo um fator determinante para a direção do mercado. A participação no evento manteve-se sólida. Um total de 151 licitantes participou ativamente do leilão, dos quais 99 conseguiram arrematar o produto. O processo se desenrolou ao longo de 17 rodadas de lances e teve duração total de 2 horas e 46 minutos, evidenciando um nível significativo de concorrência, apesar da correção observada nos preços. Quanto à oferta, o volume disponível oscilou entre um mínimo de 13.417 toneladas métricas e um máximo de 17.440 toneladas métricas. Por fim, foram comercializadas 12.922 toneladas métricas, um número que continua demonstrando um importante fluxo de negócios na principal plataforma de referência para o comércio mundial de laticínios. Os resultados desse evento serão analisados atentamente pelos participantes da cadeia leiteira global, especialmente em regiões exportadoras como a Oceania, a Europa e a América do Sul. A evolução dos próximos eventos permitirá determinar se essa queda representa um ajuste pontual ou o início de uma tendência mais prolongada nos mercados internacionais. Para os produtores e empresas ligadas ao setor, o foco continuará voltado para a dinâmica entre oferta e demanda global, os níveis de produção das principais regiões exportadoras e o comportamento dos compradores internacionais — fatores que continuarão a definir a trajetória dos preços nos próximos meses.
GLOBAL DAIRY TRADE
ECONOMIA
Dólar sobe a R$5,0894 após nova pesquisa eleitoral e antes de decisões sobre juros
O dólar fechou a terça-feira em alta ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha cedido ante outras divisas de países emergentes, com investidores à espera das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA e repercutindo nova pesquisa eleitoral CNT/MDA.
O dólar à vista fechou o dia com alta de 0,45%, aos R$5,0894. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,28% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,56% na B3, aos R$5,1040. O acordo preliminar assinado por Estados Unidos e Irã na segunda-feira seguiu permeando os negócios na terça-feira, mas não foi suficiente para segurar o dólar no território negativo no Brasil. O viés de alta para a moeda norte-americana foi reforçado no fim da manhã, após divulgação de pesquisa mostrando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem de 12,5 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma simulação de segundo turno da eleição presidencial de outubro. Lula tem 49,3% das intenções de voto, ao passo que Flávio soma 36,8%, conforme pesquisa do instituto MDA, contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). No levantamento anterior, de abril, o atual presidente tinha 44,9%, ante 40,2% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda que a campanha eleitoral não tenha começado oficialmente, os mercados no Brasil têm reagido negativamente a algumas pesquisas que indicam chances maiores de Lula vencer a eleição. Por trás disso está a leitura de uma parcela dos agentes de que o controle fiscal seria mais frouxo em um novo governo Lula. Na terça-feira, investidores também se prepararam para a decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira à tarde, e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, no início da noite. Enquanto a expectativa no caso do Fed é de manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, os agentes estão divididos em relação ao Copom, entre novo corte de 25 pontos-base da Selic ou manutenção da taxa em 14,50%.
REUTERS
Ibovespa recua e fecha abaixo de 170 mil pontos pressionado por Petrobras
O Ibovespa fechou com declínio modesto na terça-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo no exterior. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,45%, a 169.648,47 pontos, após marcar 169.121,31 pontos na mínima e 170.415,52 pontos na máxima do dia.
O volume financeiro no pregão somou R$27,94 bilhões. Na visão do sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a performance do Ibovespa refletiu uma combinação de cautela antes das decisões de juros nos Estados Unidos e Brasil na quarta-feira com a queda dos preços do petróleo. O barril de petróleo sob o contrato Brent fechou em queda de 5,1%, a US$78,96, em meio a expectativas para a normalização do transporte no Estreito de Ormuz, após acordo preliminar entre Estados Unidos e Irã. Os EUA também permitirão que o Irã comece a vender petróleo e combustível imediatamente após a assinatura da versão final do acordo, de acordo com uma autoridade norte-americana de alto escalão. O Banco Central também anuncia decisão sobre juros na quarta-feira, com a maioria das apostas na direção de mais um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa Selic para 14,25% ao ano. O cenário base da equipe de pesquisa macroeconômica do BTG Pactual é de um último corte de 0,25 pontos, seguido de estabilidade até o fim de 2026. Em relação à comunicação, equipe do BTG disse esperar que o Comitê de Política Monetária (Copom) preserve a opcionalidade para as próximas reuniões, mas aumente a barra para a continuidade do ciclo. “A semana começou com o Ibovespa novamente pressionado e cada vez mais perto do suporte de 168.100 pontos”, destacaram analistas do Itaú BBA no relatório Diário do Grafista. “Esse é um patamar perigoso para o índice, pois, abaixo dele, a tendência de médio prazo para o Ibovespa ficará ameaçada, o que trará um viés mais negativo para o segundo semestre de 2026.” De acordo com os analistas do Itaú BBA, para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos
REUTERS
IGP-10 tem queda de 0,3% em junho impulsionado por deflação para produtor, mostra FGV
O IGP-10 (Índice Geral de Preços-10) registrou queda inesperada de 0,30% em junho, depois de ter avançado 0,89% no mês anterior, influenciado principalmente pela deflação nos preços ao produtor.
Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses avanço de 2,15%, de acordo com os dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) na terça-feira (16). A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 0,34% no mês. O IPA-10 (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve recuo de 0,71% em junho, depois de avançar 0,95% no mês anterior. O IPC-10 (Índice de Preços ao Consumidor), que responde por 30% do índice geral, registrou alta de 0,56% no mês, e o INCC-10 (Índice Nacional de Custo da Construção), por sua vez, subiu 0,92% em junho. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, destacaram-se quedas dos preços de commodities relevantes como café, cana-de-açúcar e combustíveis, “refletindo um cenário de acomodação nos preços internacionais e normalização de oferta”, disse. “Por outro lado, houve pressões pontuais de alta em itens agrícolas como batata-inglesa e feijão, associadas a fatores sazonais de oferta”, completou.
Reuters
Varejo recua mais que o esperado, mas expectativa ainda é de desaceleração lenta, dizem economistas
Disseminação de variações negativas entre os segmentos varejistas em abril indicou, segundo os especialistas, a já esperada perda de fôlego da atividade no segundo trimestre
O volume de vendas do varejo no país teve queda maior que a esperada em abril, ante março, mas tem base de comparação alta, após atingir nível recorde no primeiro trimestre do ano. A disseminação de variações negativas entre os segmentos varejistas mostra, para economistas, a já esperada perda de fôlego da atividade no segundo trimestre. A perspectiva de desaceleração gradual, sem movimentos bruscos, está mantida, com um comércio que deve ter comportamento oscilante nos próximos meses, sob o embate de fatores como juros, inflação, incertezas domésticas e externas, mercado de trabalho ainda relativamente aquecido e estímulos do governo em ano de eleições. O volume de vendas no varejo restrito caiu 1,5% em abril, ante março, com ajuste sazonal, segundo a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (16). Em março, o comércio restrito tinha avançado 0,7%, em dado revisado após divulgação de alta de 0,5%. O resultado de abril ante março veio menor que a mediana estimada pelo Valor Data, apurada junto a 18 consultorias e instituições financeiras, que era de queda de 0,6%. O intervalo das projeções ia de queda de 1,6% a alta de 0,3%. O volume de vendas no varejo ampliado, que inclui veículos e motos, partes e peças, material de construção e atacarejo, também teve queda em abril ante março, de 0,7%. Os analistas de 18 bancos e consultorias esperavam alta de 0,2%, segundo a mediana do Valor Data. O desempenho do volume de vendas do varejo no país em abril interrompe um ciclo de três meses de crescimento que havia levado o índice a nível recorde, e devolve o patamar dessazonalizado ao nível de janeiro, indicando desaceleração no começo do segundo trimestre para o comércio, diz Leonardo Costa, economista do ASA. “A queda disseminada entre atividades e regiões aponta para uma perda de fôlego do consumo doméstico.” Pela PMC, as vendas do comércio recuaram em abril, na variação mensal, em seis das oito atividades pesquisadas no varejo restrito. Os destaques negativos foram combustíveis e lubrificantes (-6,2%); outros artigos de uso pessoal e doméstico (-4,6%); equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (-4,5%); móveis e eletrodomésticos (-0,8%); tecidos, vestuário e calçados (-0,1%); e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (-0,1%). Registraram crescimento hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,3%) e livros, jornais, revistas e papelarias (1,1%). No comércio varejista ampliado, o grupo de veículos e motos, partes e peças registrou queda (-0,7%) assim como material de construção (-3,6%). Cristiano Santos, gerente do IBGE responsável pela PMC, destaca que, além da base de comparação elevada, o resultado de abril também tem influência de estabilidade em renda e crédito. “Não há crescimento nem no crédito nem no rendimento e nem no número de pessoas ocupadas. Esses são os três fatores principais”, completou.
VALOR ECONÔMICO
Propostas de ministérios pedem R$ 652 bilhões para Plano Safra 2026/27
Valor para médios e grandes produtores seria de R$ 570 bilhões; agricultura familiar teria R$ 82 bilhões. Os números do Plano Safra 2026/27 deverão ser divulgados em 1º de julho
A proposta inicial do Ministério da Agricultura para a construção do Plano Safra 2026/27 foi aumentar em 10% o montante total de recursos disponíveis para financiamentos em relação ao ciclo atual, para cerca de R$ 570 bilhões, e um corte de até dois pontos percentuais nos juros para médios e grandes produtores. Já o Ministério do Desenvolvimento Agrário espera a manutenção das taxas para os agricultores familiares e quer aumento de 5% nos valores, para R$ 82 bilhões na safra 2026/27. Os números deverão ser divulgados em 1º de julho. Os pedidos, se atendidos na integralidade, alcançam um valor total de R$ 652 bilhões no Plano Safra 2026/27, cerca de 10% superior aos R$ 594,4 bilhões dos montantes disponibilizados para pequenos, médios e grandes produtores na temporada atual. As informações do Ministério da Agricultura foram confirmadas pelo secretário-executivo da Pasta, Cléber Soares, e pelo secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos. Os dados fazem parte da proposta inicial apresentada pelo ministério à equipe econômica. Os secretários ressaltam que os números seguem em debate. Reuniões governamentais agendadas para esta semana poderão dar um horizonte mais claro de como ficará o Plano Safra. A principal questão é a redução dos juros, movimento que implica aumento de gastos orçamentários para equalização. A expectativa é que o Tesouro Nacional apresente nesta semana o espaço fiscal disponível para a subvenção do crédito rural. Se o ministério for atendido, as taxas para médios e grandes cairiam para cerca de 8% e 12% ao ano no custeio e até 6,5% em alguns programas de investimentos. Na safra 2025/26, os juros do custeio da agricultura empresarial ficaram entre 10% e 14%. Algumas linhas estratégicas, como armazenagem e recuperação de pastagens, tiveram taxas menores, de 8,5% ao ano. Para outros investimentos, como Proirriga e Moderfrota, as alíquotas foram de 12,5% e 13,5%. Nesta temporada, que termina em 30 de junho, foram disponibilizados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial. O pedido do ministério é para aumentar o montante em 10%, para perto de R$ 570 bilhões. O incremento, no entanto, depende da disponibilidade de recursos das exigibilidades bancárias (depósitos à vista, poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio). A possibilidade é crescer em recursos livres e Cédulas de Produto Rural (CPRs), que apresentam bom desempenho neste ciclo. Foram cerca de R$ 170 bilhões desembolsados entre julho de 2025 e maio de 2026 por meio desses títulos, que passaram a ser contabilizados no Plano Safra há pouco tempo. As negociações seguem também com o Ministério do Desenvolvimento Agrário para a construção do Plano Safra da Agricultura Familiar. A proposta é manter os juros para os agricultores familiares entre 2% e 6% ao ano. Itens específicos têm taxas mais altas, de 6,5% e 8%. O início da trajetória de queda da Selic pode tornar a conta mais barata que a atual e abrir espaço para essa manutenção, avaliou a ministra Fernanda Machiaveli, em abril. Ao contrário de médios e grandes produtores, cuja contratação expandiu em CPRs e caiu nas linhas tradicionais de crédito, o desembolso do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), está acima do registrado na safra anterior. Até maio, foram R$ 60,9 bilhões acessados, quase 80% dos R$ 78,2 bilhões disponibilizados. Com isso, há espaço e demanda para aumentar o montante total para R$ 82 bilhões em 2026/27, segundo fonte a par das negociações.
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