Ano 1 | nº 160 | 23 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Prêmio Queijos do Paraná consolida Estado como referência nacional em lácteos e projeta recorde
Com expectativa de superar 600 produtos inscritos, iniciativa valoriza produtores, amplia o reconhecimento dos queijos paranaenses e lança concurso inédito dedicado ao tradicional queijo colonial.
A premiação é organizada por um comitê gestor formado pelo Sistema Faep, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Paraná (Senac-PR) e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite-PR). O crescimento da premiação ao longo das duas primeiras edições evidencia esse movimento. Em 2023, quando o concurso ocorreu pela primeira vez, 291 queijos participaram. Já em 2025, o número saltou para 477, aumento de 64%. Para a terceira edição, a expectativa é alcançar mais de 600 queijos inscritos. “O Paraná sempre teve uma produção extremamente qualificada, mas que precisava ser mais valorizada e reconhecida. O prêmio surgiu justamente para fortalecer essa cadeia, agregando valor e mostrando ao consumidor que os nossos queijos estão entre os melhores do Brasil e do mundo”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Hoje tem produtor investindo em qualidade, identidade e aperfeiçoamento técnico porque compreende que existe um mercado cada vez mais interessado nesses produtos”, complementa. A avaliação dos produtos lácteos é baseada em análise sensorial, metodologia científica utilizada internacionalmente para controle e avaliação de alimentos. “Os jurados avaliam a aparência, textura, sabor e aroma dos produtos. É uma metodologia utilizada pela indústria alimentícia para controle de qualidade, mas também serve para compreender sensorialmente aquele alimento e identificar suas características. O prêmio traz justamente essa oportunidade de reconhecer um queijo que possui excelência”, explica Luciana Matsuguma, técnica do Departamento Técnico e econômico do Sistema Faep. O lançamento oficial da terceira edição está marcado para o dia 23 de junho, no Mercado Municipal de Curitiba. Na mesma data abre o período de inscrição para o Prêmio Queijos do Paraná e para o inédito Concurso Queijo Colonial do Paraná. A organização trabalha para a maior edição já realizada do Prêmio Queijos do Paraná. Além da expectativa de 600 queijos inscritos no prêmio principal, a terceira edição contará com o Concurso Queijo Colonial do Paraná, voltado exclusivamente ao queijo colonial tradicional paranaense com uma avaliação considerando critérios mais amplos. “Vamos trabalhar com três avaliações diferentes. A primeira é a análise sensorial in natura. A segunda será a versatilidade gastronômica, avaliando harmonização com bebidas alcoólicas e não alcoólicas e o comportamento desse queijo em preparações gastronômicas. E a terceira avaliação será a história, origem, tradição e histórico de produção”, explica a técnica do Sistema Faep. O concurso terá regras específicas para preservar a identidade tradicional do queijo colonial. Os três melhores queijos coloniais receberão destaque especial na premiação. “O queijo colonial inscrito deverá ser tradicional, sem adição de outro tipo de leite ou de condimentos. O objetivo é justamente valorizar a identidade original desse produto tão característico do Paraná”, afirma Luciana. A programação da terceira edição também prevê palestras técnicas, minicursos, mesas-redondas, harmonizações gastronômicas e a participação estimada de cerca de 1,2 mil pessoas durante o evento técnico principal, marcado para os dias 02 e 03 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. O lançamento da 3ª edição do Prêmio Queijos do Paraná também marcará outro momento simbólico para o setor: a apresentação do livro oficial da segunda edição do prêmio. A publicação reúne a trajetória da premiação, informações dos queijos medalhistas e conteúdos técnicos relacionados à cadeia leiteira e à produção de lácteos no Estado. “A ideia do livro, em cada edição, é registrar essa evolução da identidade queijeira do Paraná. É uma forma concreta de eternizar essa história, mostrar como os produtos evoluíram ao longo das edições e valorizar os produtores que estão construindo essa identidade do Estado”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep. A ideia do livro, em cada edição, é registrar a evolução da identidade queijeira do Paraná, além de reunir informações dos queijos medalhistas. Na primeira edição, realizada em 2022 e 2023, o concurso contou com 291 queijos participantes nas 14 categorias, representando 90 competidores de 62 municípios paranaenses. Ao todo, 98 produtos foram medalhistas, sendo 10 medalhas Super Ouro, 30 medalhas Ouro, 30 Prata e 28 Bronze. Além da competição, a edição teve 24 horas de treinamento para jurados, cinco oficinas técnicas, 452 participantes presenciais e 60 jurados selecionados. Já na segunda edição, realizada em 2024 e 2025, a premiação ampliou o seu alcance. O evento reuniu 477 queijos participantes, representando 105 competidores de 77 municípios do Estado. O número de categorias aumentou para 21. A estrutura técnica também cresceu. Foram 30 horas de treinamento, nove oficinas técnicas, 500 participantes no evento e 80 jurados selecionados entre 200 treinados. Ao todo, 75 produtos receberam premiações, sendo 10 medalhas Super Ouro, 15 Ouro, 20 Prata e 30 Bronze. A edição de 2025 ainda trouxe o Concurso Excelência em Muçarela, com 33 queijos participantes e cinco premiados.
O PRESENTE RURAL
Paraná atualiza cadastro de 67% dos rebanhos; prazo termina em 30 de junho
Campanha da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) é obrigatória para produtores e proprietários de animais de produção no estado
A pouco mais de uma semana do fim do prazo, 67% das propriedades rurais do Paraná já atualizaram os dados de seus rebanhos junto à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A informação foi divulgada na segunda-feira (22) pela Agência de Notícias do Paraná. A campanha segue até 30 de junho e alcança mais de 182 mil propriedades com cadastro ativo no estado. A atualização cadastral é obrigatória para todos os produtores e proprietários de animais de produção, segundo a nota divulgada. A exigência abrange bovinos de corte e leite, aves de postura e criações destinadas tanto à comercialização quanto à subsistência. De acordo com a Adapar, quem não fizer a atualização dentro do prazo estará sujeito a autuações e multas. Além disso, os responsáveis pelos rebanhos ficarão impedidos de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA), documento exigido para a movimentação de animais, ovos férteis e material genético. O órgão informou que a campanha tem alcance sobre mais de 182 mil propriedades rurais com cadastro ativo no Paraná. Com 67% de atualização já realizada, a fonte não detalha, no material fornecido, o número absoluto de propriedades que ainda precisam regularizar a situação até o encerramento do prazo. Na nota, o chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, afirmou que a atualização é fundamental para o monitoramento sanitário e para a formulação de políticas de prevenção de doenças. Entre os exemplos citados estão febre aftosa, peste suína africana e influenza aviária. Até 30 de junho, produtores e proprietários de animais de produção no Paraná precisam concluir a atualização cadastral para manter a regularidade junto à Adapar. O material divulgado não informa o canal de atendimento, os documentos necessários nem o detalhamento por região.
Estadão Conteúdo
El Niño 2026 eleva riscos na pecuária leiteira e pressiona sistemas produtivos no Brasil
Fenômeno climático amplia incertezas sobre pastagens, sanidade, ambiência e custos, com efeitos regionais distintos. Para a pecuária brasileira, esse movimento reforça a necessidade de atenção ao comportamento das chuvas e suas consequências sobre os sistemas produtivos.
A pecuária de leite aparece entre os segmentos mais sensíveis, devido à forte dependência de pastagens e insumos alimentares. Ele interfere nos custos, na sanidade animal e na organização das propriedades. A pesquisadora de pecuária do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada Cepea, Natália Grigol, destaca que o El Niño deve ser analisado a partir de seus diferentes canais de impacto. Segundo ela, os efeitos variam conforme regiões e sistemas produtivos. Não há padrão único de resposta no país. “O El Niño não deve ser interpretado como um choque climático uniforme sobre o Brasil, “explica. No Sul, há maior tendência de excesso de chuvas. Em outras regiões, os impactos aparecem principalmente na irregularidade hídrica. Grigol também destaca que os impactos não se restringem à produção física. “Envolvem expectativas de mercado, formação de preços e decisões comerciais antecipadas. Isso significa que o efeito climático pode ser sentido antes mesmo de ocorrerem perdas físicas na produção”, observa. Na pecuária leiteira, a base do sistema produtivo depende diretamente da oferta de volumosos. Qualquer alteração no regime de chuvas afeta a produção de pastagens. Isso compromete o consumo alimentar dos animais e reduz o desempenho produtivo. O efeito é mais intenso em sistemas a pasto. A médica veterinária e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Soraya Tanure, destaca o papel do conforto térmico nos sistemas leiteiros. “Monitorar o conforto térmico das vacas leiteiras representa atualmente um dos pontos base dos sistemas de produção.” Segundo a especialista, o impacto climático afeta diretamente saúde e produtividade. “Animais sob estresse térmico apresentam maior risco sanitário e queda de produção. “Isso inclui queda de consumo de volumoso e piora do desempenho reprodutivo”, afirma. O aumento da precipitação associado ao El Niño altera o ambiente das propriedades leiteiras. O solo encharcado reduz a capacidade de deslocamento dos animais. Isso aumenta o pisoteio e a compactação das áreas de pastagem. O resultado é perda de estrutura do solo e menor produtividade forrageira. De acordo com a especialista da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, condições de umidade elevada favorecem problemas sanitários importantes. “Entre eles estão mastite e doenças de casco, que se intensificam em ambientes com barro constante. Isso aumenta a necessidade de manejo sanitário mais rigoroso e frequente”, disse. A professora reforça ainda uma estratégia de manejo. “Manter os animais em ambientes drenados é uma boa alternativa para controle do estresse térmico.” Essa medida reduz impactos diretos do clima e melhora o conforto dos animais”. Em cenários de El Niño, o planejamento forrageiro passa a ser determinante para a estabilidade dos sistemas de produção. A conservação de alimentos como silagem, feno e concentrados torna-se essencial para manter o desempenho dos rebanhos. No Sul do Brasil, o principal desafio associado ao El Niño é o excesso de chuvas. Isso afeta o manejo de pastagens, a colheita de forragens e a qualidade da silagem. Também aumenta a incidência de problemas sanitários no rebanho leiteiro. No Sudeste e no Centro-Oeste, os impactos tendem a ocorrer de forma mais irregular. A alternância entre calor e chuvas afeta a estabilidade das pastagens. Isso aumenta a necessidade de suplementação alimentar. Sistemas mais intensivos ficam mais expostos a variações de custo. No Nordeste, o fator mais sensível é a disponibilidade hídrica. A produção de forragem depende fortemente da regularidade das chuvas. Em cenários de instabilidade, cresce a dependência de reservas alimentares. Isso pressiona sistemas de pequena e média escala produtiva. O ambiente quente e úmido favorece a proliferação de fungos, bactérias e parasitas. Entre as principais estão mastite e problemas de casco. O resultado é perda direta de produtividade. A intensificação de parasitas também é relevante em cenários de El Niño. Carrapatos e mosca-do-chifre tendem a se proliferar com maior facilidade. Isso gera desconforto e impacto no desempenho dos animais. Segundo Soraya Tanure, a combinação de estresse e ambiente desfavorável agrava o quadro sanitário. “A redução do consumo alimentar compromete a resposta imunológica dos animais. Isso aumenta a predisposição a infecções secundárias. O efeito final é queda de eficiência produtiva”, detalha. O El Niño também influencia o comportamento do mercado agropecuário. A expectativa climática altera decisões de compra, venda e formação de estoques. Isso aumenta a volatilidade dos preços de insumos e produtos. O setor reage de forma antecipada ao risco climático. Natália Grigol, do Cepea, reforça que o fenômeno atua por múltiplos canais simultaneamente. “Isso inclui grãos, pastagens, logística e custos de produção. A interação entre esses fatores amplia a incerteza no setor pecuário”, reforça. Na pecuária leiteira, o principal impacto tende a ocorrer sobre as margens. Custos com alimentação, energia e manejo podem subir mais rapidamente que o preço do leite. Isso pressiona a rentabilidade dos sistemas produtivos.
NOTÍCIAS AGRÍCOLAS
NACIONAL
Parceria para inteligência de dados na cadeia do leite une Embrapa e Sebrae em Minas Gerais
Um dos objetivos é analisar informações coletadas nas propriedades leiteiras. Educampo atende a mais de 800 propriedades leiteiras no território mineiro
O Sebrae Minas e a Empresa Gado de Leite assinaram um acordo de cooperação para pesquisa, desenvolvimento e inovação com foco no fortalecimento da cadeia produtiva do leite em Minas Gerais. A parceria une a experiência da estatal em pesquisa científica às iniciativas do Educampo Leite, da instituição mineira, junto aos produtores rurais, ampliando a geração de informações para o setor. Um dos principais objetivos do acordo é analisar os dados coletados pelo programa do Sebrae Minas nas propriedades leiteiras atendidas pelos consultores. A partir dessas informações, serão desenvolvidos painéis e ferramentas digitais capazes de identificar tendências de mercado, oportunidades de melhoria e indicadores importantes para a gestão das fazendas.
VALOR ECONÔMICO
GOVERNO
Ministério informa que 8,4 milhões de doses de vacinas contra clostridioses estão disponíveis
Em Mato Grosso, pecuaristas ainda enfrentam dificuldades para acessar os imunizantes. Vacina previne doenças infecciosas graves em animais, como botulismo, tétano, carbúnculo sintomático e gangrena gasosa
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou em nota que foram disponibilizadas 8,4 milhões de doses de vacina contra clostridioses no mercado nacional entre os dias 15 e 19 de junho. O imunizante previne doenças infecciosas graves em animais, como botulismo, tétano, carbúnculo sintomático e gangrena gasosa. Do total disponibilizado no período, 2,7 milhões de doses (32,25%) são de fabricação nacional e 5,7 milhões correspondem a vacinas importadas, informou o Mapa. “O Mapa mantém atuação permanente junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da produção nacional, viabilizar importações e agilizar os procedimentos de fiscalização e liberação de vacinas”, completou o ministério. Na semana passada, a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso (Famato) mostrou preocupação com o anúncio sobre a disponibilização de 3,1 milhões de doses de vacinas contra clostridioses no mercado brasileiro, que havia sido anunciada no último dia 15 de junho pelo Mapa. Em comunicado, a Famato disse que embora a medida seja considerada importante para ampliar a oferta do imunizante, pecuaristas do Estado ainda enfrentam dificuldades para acessar as doses, que continuam chegando de forma limitada, com preços maiores que o usualmente praticados. O problema com a oferta dos medicamentos começou no ano passado, após o relato de mortes em animais que utilizaram a vacina.
GLOBO RURAL
Brasil completa 20 anos sem focos de febre aftosa
País recebeu status de livre da doença sem vacinação no ano passado, reforçando importância da prevenção e do controle de fronteiras. A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido
Reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação no ano passado, o Brasil comemora em 2026 o marco de duas décadas sem registro de focos da doença. O país não apresenta casos desde 2006, quando foram identificados focos no Paraná e em Mato Grosso do Sul. “A febre aftosa continua sendo uma preocupação em diversos países. Mesmo nações que já haviam controlado a doença voltaram a registrar surtos nos últimos anos. Isso demonstra que a vigilância não pode ser relaxada”, observa o auditor fiscal federal agropecuário João Cavallero. É o caso do Uruguai, país que faz fronteira com a região Sul do Brasil. Lá, a febre aftosa chegou a ser erradicada, com a obtenção do certificado de livre sem vacinação assim como o Brasil obteve, mas voltou a ocorrer levando à retomada da imunização – mantida até hoje. Mais recentemente, em abril deste ano, a China anunciou a detecção de dois focos de febre aftosa em duas províncias do país envolvendo mais de seis mil bovinos dos quais 219 apresentaram sintomas da doença. Na Europa, a Eslováquia identificou em março do ano passado o primeiro foco depois de 50 anos livre da doença em uma fazenda com 1,4 mil animais. Na Ásia, a Coreia do Sul também identificou casos de febre aftosa no último ano. “O status sanitário brasileiro não é permanente nem acontece por acaso. Ele depende de um sistema estruturado, baseado em vigilância ativa e análise de risco para impedir a entrada de enfermidades que possam comprometer a pecuária nacional”, explica Cavallero. A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos, ovinos e outros animais de casco fendido. Com rápida disseminação, a sua identificação gera impactos econômicos importantes devido aos custos de contenção e ao impedimento das exportações.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha em baixa em dia de “casadão” do BC no câmbio
O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, em sessão que contou com duas operações cambiais simultâneas do Banco Central, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante boa parte das demais divisas.
O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,45%, aos R$5,1413. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,33% ante o real. Às 17h12, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,15% na B3, aos R$5,1565. Os EUA e o Irã concordaram, conforme os mediadores Catar e Paquistão, com um roteiro para um acordo final que ponha fim ao conflito em até 60 dias. Ainda assim, investidores se mostravam preocupados com as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de retomada da guerra e com o anúncio de que Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz. No fim da tarde, com o mercado à vista já fechado, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto. Neste cenário, o dólar sustentou ganhos ante divisas fortes como o euro e o iene, mas recuou ante a libra. Em relação aos países emergentes, o dólar caiu ante o peso colombiano e o real — neste caso, após os fortes avanços da semana passada –, mas a moeda dos EUA se manteve em alta ante boa parte das demais divisas. No Brasil, destaque para os dois leilões simultâneos realizados pelo Banco Central no início da sessão, em que foram vendidos US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro. As duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e visam oferecer liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra. “Nossos modelos de previsão econométrica para o câmbio capturaram a mudança no humor em relação aos ativos brasileiros, com o BRL (real) sendo visto no patamar R$5,16, entre R$5,06 e R$5,25 (por dólar)”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, em relatório publicado pela manhã. “O casadão de hoje deve aliviar um pouco a pressão, mas o ambiente segue adverso para o risco Brasil”, acrescentou. No fim da manhã, o BC fez uma terceira operação, na qual vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho. No fim de semana, uma nova pesquisa Datafolha apontou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida para o Planalto, com 47% das intenções de voto no segundo turno, contra 43%. O resultado indicou estabilidade em relação à pesquisa anterior, publicada há um mês. Os brancos e nulos somaram 8%, enquanto 1% não sabe em quem votar. A margem de erro máxima prevista é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta com apoio de bancos
O Ibovespa fechou em alta na segunda-feira, recuperando o patamar dos 170 mil pontos, com as ações da Azzas 2154 em destaque após a companhia confirmar que avalia alternativa para a marca Farm.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,21%, a 170.370,38 pontos, com bancos entre os principais suportes, após marcar 170.749,76 pontos na máxima e 168.326,26 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somou R$23,99 bilhões. A bolsa paulista descolou de Wall Street, que teve um fechamento mais fraco, pressionado pelo setor de tecnologia. O índice Nasdaq caiu 1,33% e o S&P 500 recuou 0,37%, enquanto o Dow Jones subiu 0,29%. Na cena geopolítica, mediadores relataram que autoridades dos Estados Unidos e do Irã alcançaram “avanços encorajadores” na primeira rodada de negociações na Suíça, o que endossou novo alívio nos preços do petróleo. Paquistão e Catar afirmaram que as partes concordaram com um roteiro para um acordo final sobre o fim da guerra em 60 dias. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou a repórteres no final da tarde que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto. Mas acrescentou: “se o Irã não cumprir o acordo, ou se não se comportar adequadamente, farei o que for preciso”. No Brasil, a semana começou com nova piora nas previsões de inflação do mercado compiladas na pesquisa Focus do Banco Central, bem como nova alta na expectativa para a Selic ao final de 2026, para 14% ao ano. Ainda assim, as taxas dos DIs recuaram, em especial entre os contratos de longo prazo, após o Tesouro anunciar o cancelamento do leilão de títulos indexados à inflação programado para terça-feira. Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em tendência de baixa no curto prazo. “Para sair dessa tendência de baixa e retornar a um cenário neutro, o Ibovespa precisará superar a região dos 174.900 pontos”, afirmaram no relatório Diário do Grafista enviado a clientes na segunda-feira.
REUTERS
Mercado passa a ver apenas mais um corte na Selic este ano com inflação mais alta
Analistas consultados pelo Banco Central passaram a ver apenas mais um corte na taxa básica de juros Selic este ano, encerrando 2026 a 14,0%, de acordo com a pesquisa Focus divulgada n segunda-feira.
Na semana anterior a pesquisa apontava Selic a 13,75% este ano, antes de o BC cortar a taxa em 0,25 ponto percentual na quarta-feira passada, a 14,25% ao ano. Os especialistas consultados veem agora apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual em agosto, com a Selic sendo mantida em 14,0% em cada reunião seguinte de 2026. A autoridade monetária deixou os próximos passos em aberto ao argumentar que avalia trajetórias de juros “alternativas” para atingir a meta de inflação em um horizonte um pouco mais distante. Investidores reagiram negativamente ao comunicado “dovish” (suave com a inflação) do BC, e avaliarão a ata desse encontro na terça em busca de mais pistas. Uma das avaliações foi a de que o texto foi confuso, gerou ruídos e pareceu sugerir que o BC quer cortar novamente a Selic em agosto, a despeito da piora das expectativas de inflação. De acordo com o Focus, a expectativa é de que a taxa básica volte a ser reduzida em 0,25 na primeira reunião de 2027, chegando a 12,0% ao final do ano que vem, sem alteração em relação à semana anterior. O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou deterioração na expectativa para a inflação em 2026 pela 15ª vez seguida, com a alta do IPCA agora calculada em 5,33%, de 5,30% antes. Para 2027 a conta subiu a 4,15%, de 4,10%, e para 2028 foi a 3,70%, de 3,68%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano melhorou em 0,02 ponto percentual, a 1,98%, permanecendo em 1,70% para o ano que vem.
REUTERS
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