Ano 1 | nº 158 | 19 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Paraná capta quase 1,1 bilhão de litros de leite
Paraná lidera alta da captação de leite no país
O Paraná registrou o maior crescimento na captação de leite entre os principais estados produtores do Brasil no primeiro trimestre de 2026. Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (18) pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, com base nos resultados da Pesquisa Trimestral do Leite do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. De acordo com o levantamento, o volume de leite adquirido pela indústria paranaense cresceu 8,8% na comparação entre os três primeiros meses de 2026 e o mesmo período de 2025. No trimestre, foram captados quase 1,1 bilhão de litros de leite, consolidando o estado entre os principais produtores do país. O desempenho do Paraná acompanhou a tendência observada na Região Sul. Em Santa Catarina, a captação de leite avançou 5,6%, enquanto no Rio Grande do Sul o crescimento chegou a 7,5%. Segundo o boletim, um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi a maior disponibilidade de grãos na região, favorecendo a atividade leiteira. Já Minas Gerais, líder nacional na produção de leite, também apresentou crescimento no período, embora em ritmo menor. O estado registrou aumento de 1,6% na captação industrial de leite na comparação anual. Com o avanço mais acelerado da produção paranaense, a diferença entre Minas Gerais e o Paraná diminuiu. O estado paranaense segue ocupando a segunda posição no ranking nacional de captação de leite, reforçando sua participação na cadeia produtiva do setor.
AGROLINK
Leite ao produtor registra 4ª alta consecutiva
Alta foi de 10,4% frente a março
O preço do leite pago ao produtor subiu em abril/26 pelo quarto mês consecutivo. De acordo com pesquisa do Cepea, a alta foi de 10,4% frente a março, levando a “Média Brasil” a R$ 2,6584/litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril/25, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de abril/26). O movimento de alta continuou sendo atribuído à redução da produção, em razão da sazonalidade, e ao aumento da concorrência entre os laticínios pela aquisição de leite cru. Preços do UHT recuam, enquanto os da muçarela e do leite em pó seguem firmes. Em maio, levantamento do Cepea, com apoio da OCB, apontou comportamentos distintos entre os derivados lácteos negociados no atacado paulista. Os preços da muçarela e do leite em pó permaneceram praticamente estáveis no período, com leves altas de 0,12% e 0,13%, respectivamente. Assim, as médias mensais fecharam em R$ 35,10/kg para a muçarela e R$ 30,89/kg para o leite em pó. Exportações de lácteos avançam mais que importações em maio. Tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos avançaram em maio. Contudo, o aumento proporcional foi mais expressivo para os embarques. Enquanto as importações subiram 3,58% em relação a abril, alcançando 226,21 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL), as exportações registraram elevação de 45,33%, totalizando 5,81 milhões de litros EqL. Em relação a maio de 2025, as compras externas avançaram 27,93%, ao passo que os embarques caíram 21,42%. Custos caem pela 1ª vez em 2026. O Custo Operacional Efetivo (COE) registrou a primeira queda de 2026 em maio, de 1,39%, em relação ao mês anterior, na “Média Brasil”. Apesar do recuo mensal, o COE ainda avançou 1,80% no acumulado deste ano. As baixas verificadas nos preços das categorias de nutrição animal e operações mecanizadas pressionaram os custos no mês.
CEPEA/ESALQ
Leite spot aquece na 2ª quinzena de junho com alta generalizada
Na segunda quinzena de junho de 2026, o mercado de leite spot apresentou um aquecimento significativo no Brasil.
O aumento da procura pelo produto, somado à valorização nos preços dos derivados lácteos, garantiu a sustentação e o avanço das cotações em relação à quinzena anterior. Como resultado dessa dinâmica, a média nacional (BR) fechou o período cotada a R$ 3,059, registrando um avanço de R$ 0,170. As cotações mínimas e máximas nacionais também subiram, atingindo R$ 2,780 (+R$ 0,130) e R$ 3,450 (+R$ 0,200), respectivamente. O movimento de alta foi sentido em todos os estados monitorados, com destaque para Minas Gerais e São Paulo: São Paulo (SP): registrou a maior média do período, a R$ 3,275 (alta de R$ 0,120). Apesar disso, foi a única praça a registrar uma leve queda no seu valor máximo, que fechou em R$ 3,320 (-R$ 0,050). Minas Gerais (MG): apresentou o maior ganho absoluto na média, com alta de R$ 0,262, fechando em R$ 3,205. Juntamente com a média nacional, registrou o maior valor máximo do período (R$ 3,450). Goiás (GO): também teve forte valorização, com a média subindo R$ 0,247 e fechando em R$ 3,023. O estado teve o maior salto na cotação máxima, subindo R$ 0,538 (R$ 3,350). Rio Grande do Sul (RS): manteve a menor média entre os estados (R$ 2,880), mas ainda assim apresentou recuperação (+R$ 0,135). A intensificação dos preços reflete um movimento em cadeia. A valorização dos derivados no varejo e no atacado dá fôlego às indústrias, que repassam essa sustentação para as negociações no mercado spot diante da necessidade de garantir o abastecimento frente à maior demanda.
MILKPOINT
O segredo das vacas que chegam a 40 litros de leite por dia
Entre 10 e 40 litros por dia existe muito mais do que genética. Entenda o que realmente faz a diferença na fazenda. A produtividade deixou de depender apenas da raça e passou a ser resultado de uma combinação cada vez mais sofisticada de fatores.
A produção de leite é uma das atividades mais antigas do campo, mas uma pergunta continua intrigando produtores e consumidores: por que algumas vacas conseguem produzir quatro vezes mais leite que outras? A diferença pode parecer exagerada à primeira vista. Afinal, trata-se do mesmo animal, da mesma atividade e, muitas vezes, até da mesma região. No entanto, enquanto algumas vacas produzem pouco mais de 10 litros por dia, outras ultrapassam os 40 litros diários de forma consistente. E a explicação está longe de ser simples. Durante muito tempo, a genética foi apontada como a principal responsável pelos grandes desempenhos. Ela continua sendo importante, mas já não explica tudo. Hoje, especialistas consideram que a produtividade é resultado de uma combinação de fatores que precisam funcionar em equilíbrio. Na prática, uma vaca de alto potencial genético dificilmente alcançará seu desempenho máximo se estiver mal alimentada, exposta ao calor excessivo ou convivendo com problemas sanitários. Os números ajudam a ilustrar essa realidade. Em sistemas menos tecnificados, a produção costuma variar entre 8 e 15 litros por vaca ao dia. Em propriedades com melhor manejo nutricional e rebanhos mais especializados, a média pode alcançar entre 18 e 30 litros. Já nas fazendas mais eficientes, não é raro encontrar animais produzindo mais de 40 litros diariamente. A raça influencia diretamente nesse potencial. Vacas Holandesas costumam apresentar os maiores volumes de produção, frequentemente entre 30 e 40 litros por dia. O Girolando, amplamente utilizado no Brasil, combina rusticidade e desempenho, enquanto a Jersey se destaca por produzir leite com maior concentração de sólidos, característica valorizada pela indústria. Mas existe um fator que costuma pesar ainda mais no resultado: a alimentação. Cada litro de leite produzido depende da capacidade da vaca de transformar nutrientes em produção. Por isso, a dieta se tornou uma das áreas mais estratégicas da pecuária leiteira moderna. Silagem de milho, pastagens de qualidade, proteínas vegetais, minerais, vitaminas e água em abundância fazem parte da rotina dos sistemas mais eficientes. Não por acaso, a alimentação representa a maior parcela dos custos de produção em muitas propriedades. Quando há desequilíbrios nutricionais, a resposta aparece rapidamente no tanque de leite. O calor excessivo reduz o consumo de alimento, diminui o tempo de ruminação e afeta diretamente a produção. Em períodos de temperaturas elevadas, vacas podem apresentar queda significativa no desempenho mesmo sem apresentar doenças aparentes. Por isso, estruturas de conforto ganharam espaço nas fazendas brasileiras. Sistemas de ventilação, aspersão de água, sombreamento e modelos como o compost barn deixaram de ser vistos apenas como melhorias e passaram a integrar estratégias de produtividade. A sanidade também exerce papel decisivo. Problemas como mastite, doenças dos cascos, parasitoses e infecções pós-parto podem comprometer a produção antes mesmo que os sinais clínicos sejam percebidos. Em muitos casos, a perda ocorre de forma silenciosa, reduzindo a eficiência do animal ao longo da lactação. Além disso, a produção não permanece constante durante todo o ano. Após o parto, a vaca entra em seu pico produtivo, geralmente nos primeiros 60 dias de lactação. Depois desse período, os volumes tendem a se estabilizar antes de iniciar uma queda gradual. Comparar animais em fases diferentes pode levar a conclusões equivocadas sobre desempenho. Nos últimos anos, a tecnologia passou a desempenhar um papel cada vez mais importante nesse processo. Sensores de ruminação, coleiras inteligentes, softwares de gestão e sistemas automatizados de ordenha ajudam produtores a monitorar o comportamento dos animais em tempo real. O objetivo é identificar rapidamente qualquer alteração que possa comprometer a produtividade. Essa transformação ajuda a explicar uma mudança importante observada na pecuária leiteira brasileira. Mesmo com redução no número de vacas ordenhadas, o país segue ampliando sua produção total de leite. O crescimento já não depende apenas do aumento do rebanho, mas da capacidade de produzir mais com cada animal. Essa talvez seja a principal mudança da atividade nos últimos anos.
EdairynewS/compre rural
ECONOMIA
Dólar sobe a R$5,1745 com Fed vendo alta de juros e Copom sugerindo nova baixa
O dólar emplacou na quinta-feira a quarta sessão consecutiva de ganhos ante o real, com as decisões sobre juros da véspera, nos Estados Unidos e no Brasil, justificando o aumento das cotações.
Enquanto o Federal Reserve passou indicações de que sua taxa de referência vai subir ainda em 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou terreno para mais cortes de juros. O dólar à vista fechou o dia com alta de 1,25%, aos R$5,1745. No ano, a divisa passou a acumular queda de 5,73% ante o real. Às 17h06, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,17% na B3, aos R$5,1820. As decisões de política monetária do Fed e do BC na véspera, cada uma a sua maneira, atuaram para o avanço do dólar ante o real. No caso do Fed, a instituição manteve na tarde de quarta-feira sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, mas passou indicações de que um aumento pode ocorrer até o fim do ano. Com isso, os investidores globais elevaram as apostas de pelo menos um aumento de juros pelo Fed, possivelmente já em agosto. Em reação, o dólar exibiu ganhos ante a maior parte das demais divisas na quinta-feira, incluindo divisas de países emergentes como o real, o peso chileno, a lira turca e o peso mexicano. O real esteve durante todo o dia entre as moedas que mais perdiam valor, com o mercado também reagindo negativamente ao anúncio da véspera do Copom. O colegiado cortou a taxa básica Selic em 25 pontos-base, para 14,25% ao ano, e adotou na visão de alguns analistas uma postura “dovish” (mais suave no combate à inflação), ao estender o horizonte relevante para que a inflação possa convergir à meta de 3%. Na prática, o BC “adiou” o atingimento da meta de 3% do quarto trimestre de 2027 para o primeiro trimestre de 2028, reforçando a percepção de que pode haver novo corte da Selic em agosto. “O grande destaque ficou por conta justamente da rolagem do horizonte relevante em um trimestre à frente, sinalizando que o comitê… opta por buscar uma justificativa que sustente um corte de juros, mostrando uma postura mais propensa a riscos inflacionários”, avaliou a equipe da Genial Investimentos em análise publicada após a decisão. Assim, a perspectiva de juros mais altos nos EUA, somada à possibilidade de novo corte no Brasil, torna o diferencial de juros brasileiro menos atrativo ao investimento estrangeiro, o que em tese pode prejudicar o fluxo de dólares para o país. Em reação, o dólar à vista se reaproximou dos R$5,20 durante a sessão desta quinta-feira. Às 13h19, a divisa atingiu a cotação máxima de R$5,1909 (+1,58%). “Recentemente, a moeda americana vinha acumulando quedas impulsionadas pelo diferencial de juros favorável ao Brasil. Agora, com a perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos, ocorre uma pequena realocação de recursos”, comentou Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. “Parte do capital deixa a bolsa brasileira e até mesmo a renda fixa local para buscar oportunidades no mercado americano”, acrescentou.
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Ibovespa fecha com variação modesta após BC deixar em aberto próximas decisões sobre a Selic
O Ibovespa fechou com uma variação modesta na quinta-feira, um dia após o Banco Central cortar a taxa Selic para 14,25% e deixar em aberto os próximos movimentos de política monetária.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,07%, a 168.328,44 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 169.542,37 pontos na máxima e 167.910,63 pontos na mínima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$22,84 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
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