Informativo Sindileite 118 22.04.2026

Ano 1 | nº 118 | 22 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Indústrias elevam aposta em leite que ‘facilita’ digestão

Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produtos no segmento do leite A2, que o corpo digere com mais facilidade. Fazenda Bom Retiro, dona da marca Muai, de Minas Gerais: das 1,3 mil vacas do plantel, 1,2 mil produzem apenas leite A2

A produção de leite A2 ganha espaço no país, devido à maior facilidade de digestão em comparação com o leite mais comum. Grandes laticínios, como Piracanjuba, Xandô e Italac, reforçaram suas linhas de produto nesse nicho de mercado, que atualmente representa menos de 1% da produção nacional. Débora Ribeiro Gomide, pesquisadora de bovinocultura de leite no Campo Experimental de Três Pontas (CETP) da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), explica que o leite A2 é produzido por vacas com a genética A2A2, que produzem leite com a proteína betacaseína A2. As caseínas representam a maior parte da proteína no leite. Durante a digestão, a betacaseína A1 libera um peptídeo chamado beta-casomorfina-7 (BCM-7), que, em pessoas sensíveis, causa desconforto gastrointestinal. A caseína A2 não leva à formação de BCM-7. As vacas A1A1 produzem o leite A1 e as vacas A1A2 produzem os dois tipos. A identificação é feita por teste genético. Para garantir que a produção é exclusivamente de leite A2, as fazendas passam por um processo de certificação e rastreabilidade do produto. “É um nicho pequeno do mercado, representa menos de 1%, mas o grande chamariz é que as pessoas querem um controle melhor de qualidade, saber a procedência do produto, e o leite A2 oferece isso por causa da certificação”, avalia Gomide. A pesquisadora acrescenta que vacas de todas as raças podem produzir o leite A2. Mas, geralmente, os genes A2 são mais frequentes em raças zebuínas, como nelore e gir. A Fazenda Colorado, de Araras (SP), dona da marca Xandô, é a que possui maior número de produtos com leite A2 no país atualmente. São sete linhas de produtos, sendo quatro leites – integral, desnatado, semidesnatado e semidesnatado zero lactose – e três queijos (minas frescal, minas padrão e coalho). Eduardo Jakus, diretor geral da Xandô, diz que, hoje, 65% das vendas da marca já são de produtos com leite A2. “Essas linhas vêm ganhando uma importância muito grande, estão com crescimento muito acelerado. A gente cresce a duplo dígito, puxado pela linha de A2, que cresce bem acima do mercado”, afirma Jakus. Ele observou que o volume total do mercado de leite cresceu 2% em 2025, mas categoria de leite fresco cresceu 11%. A Xandô é líder na categoria de leite fresco refrigerado em São Paulo, com 40,4% do volume e 44,5% da receita, segundo a Scanntech. Jakus diz que o leite A2 é captado e processado separado do restante. A produção é feita 100% na Fazenda Colorado, com ordenha, resfriamento, pasteurização e embalagem feitos sem contato manual. A fazenda conta com mais de 2,1 mil vacas holandesas em lactação, que chegam a produzir 96 toneladas de leite por dia. O Grupo Piracanjuba informou que suas vendas de produtos com leite A2 também crescem dois dígitos por ano. A diferença de preço em relação aos outros tipos de leite varia de 25% a 35%. “A diferença já foi maior, mas conforme o volume de produção aumenta, os custos fixos diluem e a gente repassa para o varejo. O leite A2 segue a mesma trajetória do leite zero lactose”, afirma Gustavo Afonso de Almeida, diretor comercial do Grupo Piracanjuba. Atualmente, a Piracanjuba produz leite A2 em pó integral, leite integral, semidesnatado e semidesnatado zero lactose. A produção vem de fazendas certificadas, e o processamento é feito em tanques específicos nas unidades industriais de Goiânia e Araraquara (SP). “O custo é mais alto, tem que certificar a fazenda, fazer a seleção do gado, fazer o processamento separado”, observa Almeida. O executivo disse que o desenvolvimento de novas linhas vai depender da evolução do consumo do leite A2 no país. O Laticínio Muai, que pertence à Fazenda Bom Retiro, em Pouso Alto (MG), produz atualmente leite integral em versões de 1 litro e 500 mililitros, queijo minas frescal e ricota fresca com leite A2. Rodrigo Nilo, diretor executivo do Laticínio Muai, diz que vai ampliar o portfólio neste ano com a introdução de leite desnatado, semidesnatado e zero lactose. “É um mercado incipiente, mas cresce de maneira sólida. A gente acredita que vai ganhar cada vez mais escala”, diz Nilo. A Muai produz atualmente 15 mil litros por dia de leite A2 e prevê um aumento de 25% neste ano. “A nossa capacidade diária de produção é de até 55 mil litros de leite A2 por dia, mas produzimos menos porque é feito sob demanda”, afirma Nilo. A empresa vende para redes de varejo que atendem principalmente a Região Sudeste. A Fazenda Bom Retiro conta com 1,3 mil vacas, das quais 1,2 mil são A2A2. “A fazenda faz a separação das vacas, ordenha primeiro as vacas que produzem o leite A2 e depois o leite A1”, diz o diretor.

VALOR ECONÔMICO

Leite: recuperação mensal não compensa perdas de mais de 20% no ano

No mercado consumidor, os preços dos lácteos também apresentaram variação

O preço do leite ao produtor registrou recuperação em fevereiro de 2026, mas ainda acumula forte queda em relação ao ano anterior, refletindo um cenário de pressão sobre a renda no campo e desequilíbrios no mercado. Segundo informações divulgadas pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa, o setor também enfrenta avanço das importações e déficit crescente na balança comercial. Alta mensal não reverte perdas no campo. Segundo informações divulgadas pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa, o preço médio nacional pago ao produtor chegou a R$ 2,15 por litro em fevereiro de 2026, com alta de 6,2% frente a janeiro. Apesar da reação, o valor ainda representa uma queda expressiva de 22,7% na comparação com fevereiro de 2025. O movimento indica uma recuperação pontual, mas insuficiente para recompor a margem dos produtores, especialmente em um contexto de custos ainda elevados. A relação de troca entre leite e ração também mostrou melhora em relação ao mês anterior, mas segue desfavorável na comparação anual. Em fevereiro, foram necessários 38,2 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de mistura, evidenciando perda de poder de compra no campo. No mercado consumidor, os preços dos lácteos também apresentaram variação relevante. Em março de 2026, a cesta de produtos subiu 4,3% em relação ao mês anterior. No entanto, no acumulado de 12 meses, houve queda de 3,1%, abaixo da inflação oficial de 4,1%. Entre os produtos, o leite UHT teve destaque com alta expressiva de 11,7%, enquanto o leite condensado registrou a maior retração, com queda de 0,9%. Esse comportamento reflete oscilações de oferta e demanda, além da tentativa da indústria de recompor margens ao longo da cadeia. O comércio exterior segue como um dos principais pontos de atenção. As importações brasileiras de leite e derivados somaram 235 milhões de litros equivalentes em março de 2026, alta de 33% no mês e de 31,4% em 12 meses. O leite em pó lidera esse movimento. Por outro lado, as exportações cresceram 8,9% na comparação mensal, atingindo 5,6 milhões de litros equivalentes, mas ainda registram queda de 26,6% frente ao mesmo período de 2025. Como resultado, o saldo da balança comercial de lácteos acumula déficit de US$ 239 milhões em 2026, equivalente a 570 milhões de litros de leite. No cenário externo, os preços do leite em pó apresentaram comportamento misto na primeira quinzena de abril. O leite em pó integral recuou 2,6%, cotado a US$ 3.687 por tonelada, enquanto o desnatado subiu 1,7%, chegando a US$ 3.381 por tonelada. Essas oscilações impactam diretamente a competitividade do produto brasileiro e influenciam o ritmo das importações.

AGROLINK

NACIONAL

Vacas com genética adaptada produzem o triplo da média de leite em Mato Grosso

A produção de leite em Mato Grosso caiu 41% nos últimos dez anos, de acordo com estudo técnico do Observatório de Mato Grosso. Vários fatos explicam a queda, mas a baixa produtividade dos rebanhos é uma das principais. Uma pesquisa em andamento na Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT), mostra que a escolha da genética correta, aliada ao bom manejo de pastagem, pode ser a solução.

Nos primeiros 12 meses de avaliação de vacas girolando 5/8, a produção média obtida no experimento foi de 14 litros/dia por animal em lactação. O número é quase o triplo da média do estado. “Nosso rebanho conta com mais ou menos 40 vacas em lactação. Temos vacas com média diária de 26 litros”, afirma o pesquisador Luciano Lopes, responsável pela condução dos trabalhos. O rebanho usado na Embrapa vem sendo melhorado ao longo dos últimos anos. O objetivo é formar um plantel somente com girolando 5/8, que tem um bom equilíbrio entre a produtividade do Holandês e a rusticidade e tolerância ao calor do Gir. Porém ainda há animais mestiços, com meio sangue ou ¾. Além da genética, o bom manejo da pastagem é fator fundamental para o resultado. O experimento é conduzido em pasto com BRS Quênia, uma cultivar híbrida de Panicum maximum de alta produtividade e de boa qualidade. A suplementação é de 5 kg por animal/dia de concentrado proteico e na seca é usada a silagem de milho como volumoso. A pesquisa com pecuária leiteira desenvolvida na Embrapa Agrossilvipastoril conta com parceria com a Cooperativa Agropecuária Mista Terranova (Coopernova) e com a prefeitura de Sinop. Parte dos bezerros machos são repassados para cooperados da Coopernova, que os utilizam como touros para melhoria de seus rebanhos. Outra parcela dos machos tem sido usada na própria Embrapa em outra pesquisa conduzida em parceria com a UFMT. Machos mestiços estão sendo engordados em área de integração lavoura-pecuária (ILP) com consórcios forrageiros cultivados após a lavoura de soja. Resultados preliminares mostram ganho de peso diário de até 1,2kg. “Isso mostra que podemos ter fazendas de dupla aptidão. Ou seja, o produtor tem a pecuária de leite como principal atividade, porém ele consegue aproveitar os bezerros machos para o corte, com boa produtividade”, afirma Luciano Lopes. Uma conta simples considerando a produção de leite nos primeiros 12 meses do experimento, em uma área de 12,5 hectares, com 30 vacas (22 em lactação), resultou em uma receita média por hectare/ano de R$ 23.841,80 somente com a venda do leite. A receita é maior do que a obtida com a pecuária de corte ou com soja e milho, por exemplo. “A receita é significativa. E ainda é possível ampliar com venda de bezerros e de vacas de descarte. Fazendo um bom manejo e administrando os custos de produção, a pecuária leiteira pode ser muito atrativa em Mato Grosso”, afirma o pesquisador. A pesquisa em andamento na Embrapa Agrossilvipastoril tem duração de três anos e vai até o fim de 2027. O objetivo é avaliar o desempenho das vacas girolando 5/8 em sistema produtivo a pasto a pleno sol e em silvipastoril, ou integração pecuária-floresta (IPF). No primeiro ano, a média de produtividade anual não apresentou variação entre os sistemas, mas ainda é cedo para tirar conclusões. “Estamos coletando dados e ainda não temos como avaliar outros fatores fisiológicos, como bioquímica, hematologia, temperatura de pele, temperatura retal, proteína de choque. Todas essas respostas fisiológicas podem não interferir na produtividade, mas podem ter efeitos na reprodução, por exemplo”, explica o pesquisador. Luciano cita ainda hipóteses que deverão ser respondidas até o fim do projeto, como a capacidade do girolando 5/8 se adaptar à condição de calor de Mato Grosso ou o fato da configuração de silvipastoril, com 50m entre as linhas de árvores, não ser suficiente para gerar melhoria no ambiente.

EMBRAPA

ECONOMIA

Dólar à vista encerra em queda leve apesar de maior risco global

Incerteza sobre o prolongamento do cessar-fogo no Oriente Médio fez com que os agentes do mercado adotassem a cautela neste pregão

O dólar à vista encerrou em leve queda na segunda-feira, mesmo com o ambiente externo de maior aversão a risco. A incerteza sobre o prolongamento do cessar-fogo no Oriente Médio fez com que os agentes do mercado adotassem a cautela neste pregão, diante da alta de mais de 5% nos preços do petróleo, ainda que não tivesse sido observada uma postura mais rígida e defensiva, com o dólar recuando na maior parte dos mercados na parte da tarde. O movimento do real pode ser resultado da combinação de dois fatores: a baixa negociação por conta do feriado de amanhã e o equilíbrio de forças entre o maior risco global (que deveria derrubar a moeda) e a valorização do petróleo (que dá suporte à divisa). Encerrado o pregão de segunda, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,18%, a R$ 4,9741, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9711 e batido na máxima de R$ 4,9884. Já o euro comercial recuou 0,04%, a R$ 5,8620. No exterior, perto das 17h15, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, oscilava -0,04%, aos 98,062 pontos. Desde o começo da sessão, o dólar teve dificuldade em estabelecer uma direção frente ao real, operando quase sempre na estabilidade. Ao longo da tarde, no entanto, a moeda americana perdeu espaço em boa parte dos mercados globais, como no Brasil. Em nota, o banco ING diz que o Brasil tem atravessado bem a crise geopolítica até agora. “Como exportador líquido de energia, seus termos de troca, na verdade, melhoraram, ao contrário das fortes quedas observadas nas moedas da Europa e da Ásia. Isso faz do real brasileiro uma das moedas preferidas do mercado entre as de alto rendimento”, afirma o chefe de mercados do banco holandês, Chris Turner. Em termos reais efetivos, a moeda brasileira ainda está barata e cerca de 40% abaixo dos níveis de 2011. “Um patamar de R$ 4,50 por dólar para o câmbio brasileiro é totalmente possível.”

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa avança com apoio de Petrobras em meio a novas tensões no Oriente Médio

Preocupações com o fornecimento de petróleo após o novo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã impulsionaram os preços da commodity no exterior e favoreceram as petrolíferas

O Ibovespa encerrou em leve alta na segunda-feira, sustentado pela valorização das ações da Petrobras, em um pregão de maior aversão a risco nos mercados globais. As preocupações com o fornecimento de petróleo após o novo fechamento do Estreito de Ormuz impulsionaram os preços da commodity no exterior e favoreceram as petrolíferas, o que garantiu suporte ao principal índice acionário local. Assim, a bolsa brasileira subiu 0,20%, aos 196.132 pontos, depois de oscilar entre 195.282 pontos e 196.724 pontos. Os investidores também adotaram uma postura mais cautelosa antes do feriado de Tiradentes, que vai manter os mercados locais fechados. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 17,5 bilhões e na B3 foi de R$ 22,7 bilhões. No exterior, as incertezas sobre a manutenção do cessar-fogo e a possibilidade de uma nova rodada de negociações entre Washington e Teerã pressionaram os mercados americanos. Em Wall Street, o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq perdeu 0,26%, enquanto o Dow Jones encerrou estável (-0,01%). Na segunda-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou que as autoridades americanas demonstram “sinais contraditórios e pouco construtivos” que transmitem a busca da “rendição do país”, além de ressaltar que “o povo iraniano não se curvará à coerção”. Já o presidente americano, Donald Trump, disse que é “altamente improvável” estender o cessar-fogo de duas semanas, que expira na quarta-feira, caso não haja um acordo antes do prazo final. A escalada das tensões no Oriente Médio elevou a volatilidade no mercado de petróleo, que voltou a incorporar prêmio geopolítico aos preços. O Brent para entrega em julho avançou 5,64%%, a US$ 95,42 por barril, e o WTI com entrega prevista para maio subiu 6,87%, a US$ 89,61 por barril. Nesse contexto, as ações de petroleiras garantiram que o Ibovespa encerrasse no campo positivo. Os papéis ordinários e preferenciais da avançaram 1,83% e 1,73%, com giro financeiro de R$ 480 milhões e R$ 1,9 bilhão, respectivamente. Na ponta positiva, a ação ON da avançou 4,35%, com volume financeiro negociado de R$ 248 milhões. Em conversas com investidores em Washington, o Citi afirma que eles seguem cautelosos, mas ainda mantêm uma visão positiva para os mercados emergentes no geral. Segundo o banco, o posicionamento dos investidores indica que a alta dos ativos de risco ainda pode continuar, embora a exposição aos emergentes permaneça abaixo do otimismo estrutural em relação a esses mercados. “O consenso das discussões entre centros de análise sobre o Irã parece ser de que o cenário caminha para uma solução negociada. No entanto, havia a percepção de que a situação ainda pode se agravar mais uma vez antes de se estabilizar”, afirmam os analistas.

VALOR ECONÔMICO

Agroindústria teve retração de 1,9% no mês de fevereiro

Indústria do segmento não-alimentício puxo para baixo desempenho geral das agroindústrias, segundo o PIMAgro

A produção da agroindústria brasileira teve retração em fevereiro, após dois meses de crescimento, em decorrência da forte queda no segmento não alimentício. O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), elaborado pelo Centro de Estudos do Agronegócio (FGV Agro), recuou 1,9% no mês na comparação com fevereiro do ano passado. Segundo o FGV Agro, o resultado negativo não era esperado. O desempenho em fevereiro levou a uma queda de 0,7% no acumulado do bimestre – ainda antes da guerra no Oriente Médio, que começou em 28 de fevereiro. Mas, embora a produção da agroindústria tenha caído no início do ano, o resultado foi melhor do que o da indústria de transformação, cuja produção teve baixa de 2,2%. O grupo das agroindústrias não alimentícias registrou retração de 5,5%, puxada pelo desempenho da indústria de insumos, que caiu 11,5%. Esse segmento foi afetado pela redução na fabricação de intermediários para fertilizantes, adubos, defensivos, tratores e máquinas. O FGV Agro ressaltou que a expectativa é de novas contrações na produção, como consequência dos impactos do conflito no Oriente Médio, que elevou os preços de vários insumos. Também houve queda da produção no segmento de têxteis em fevereiro passado, com redução de 11,1%, dada a menor fabricação de fibras, tecidos, vestuários, calçados e couro. O único segmento não alimentício que teve produção maior em fevereiro foi o de biocombustíveis, com alta de 33,5%. Já no segmento das agroindústrias alimentícias e de bebidas, a produção teve aumento de 0,9% em fevereiro. Mas, diferentemente dos meses anteriores, a indústria que puxou a alta foi a de bebidas, com incremento de 6,2%, enquanto a de alimentos caiu 0,3%. A produção da indústria de bebidas alcoólicas subiu 8,9%, e a de bebidas não alcoólicas teve um aumento de 3,3%. Nas indústrias de alimentos, houve baixa de 1,6% no segmento de origem animal, devido à queda da produção de carne bovina e de pescados. Já o segmento de alimentos de origem vegetal subiu 2,7%, com alta na produção de conservas e sucos, óleos e gorduras, arroz, na moagem de trigo e no refino de açúcar.

VALOR ECONÔMICO

Economistas elevam previsão de inflação e Selic para 2026 e 2027 no Focus

Economistas consultados pelo Banco Central elevaram suas estimativas para a inflação e para a taxa básica de juros ao fim deste ano e no próximo, mostrou a edição mais recente do Boletim Focus divulgada na segunda-feira pela autoridade monetária, que apontou um cálculo menor para a taxa de câmbio ao término de 2026 e 2027.

Os agentes veem agora a taxa básica de juros Selic terminando este ano em 13,00% ao ano e o ano seguinte em 11,00% ao ano. Na semana anterior, as expectativas eram de um juro de 12,50% e 10,50%, respectivamente. A Selic está atualmente em 14,75%. A pesquisa do Banco Central também apontou que os economistas seguem esperando um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 28 e 29 de abril, e passaram a ver uma redução de igual magnitude na reunião seguinte, em junho, ante expectativa na semana anterior de um corte de 0,50 ponto percentual. Para a inflação medida pelo IPCA, os agentes calculam agora que ela encerrará este ano em 4,80%, ante 4,71% na semana anterior, e em 3,99% no final do ano que vem, ante 3,91% uma semana atrás. A meta da inflação é de 3,00% ao ano com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, o que coloca a estimativa do IPCA para o final de 2026 acima do teto da meta. Os ajustes nas estimativas acontecem em meio à guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro, e que levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, hidrovia por onde passa um quinto do comércio mundial de petróleo. O conflito abalou os mercados financeiros e gerou temores inflacionários ao redor do mundo. Os economistas também revisaram para baixo suas previsões da taxa de câmbio e enxergam agora um dólar cotado a R$5,30 ao final de 2026 e a R$5,35 ao final de 2027. Há uma semana as previsões eram de dólar a R$5,37 no fim deste ano e a R$5,40 ao término do próximo. O dólar encerrou a semana passada com sua menor cotação desde março de 2024, acumulando na semana uma queda de 0,53% e no ano uma baixa de 9,21%. Para o crescimento da economia, os agentes ajustaram as contas para este ano em 0,01 ponto percentual para cima, a 1,86%, e mantiveram a estimativa de crescimento de 1,80% para o ano que vem.

REUTERS

Varejo físico recua 5,4% no 1º trimestre com Carnaval e juros altos

Nordeste foi a única região com crescimento positivo, de 0,3%, enquanto Sul teve pior desempenho. Expectativa é de melhora no segundo trimestre com Páscoa, Dia das Mães e Copa do Mundo

As intenções de compra no varejo físico encerraram o primeiro trimestre de 2026 com retração de 5,4% na comparação com o mesmo período de 2025. Relatório da consultoria Seed Digital mostra que os dados refletem um ambiente de consumo mais cauteloso e volátil. Apesar do forte desempenho das lojas em janeiro, quando houve um crescimento de 6,1% nas intenções de compras, impulsionadas por buscas de liquidações, em fevereiro houve uma queda expressiva de 10,2%, impactado principalmente pelo Carnaval. Em março, o varejo chegou a respirar um pouco mais, porém o mês fechou negativo em 0,7%. Segundo a Seed, o cenário é explicado por um conjunto de fatores: a persistência da taxa de juros entre 14,75% e 15%, que mantém o crédito mais restrito; e as pressões externas, com o avanço de tensões geopolíticas contribuindo para o aumento de custos logísticos e, por consequência, reduzindo o poder de compra das famílias. “Nesse contexto, o consumidor brasileiro tem adotado uma postura mais racional, priorizando compras com maior percepção de valor e respondendo com mais intensidade a estímulos promocionais”, diz a consultoria em nota. A única região com índice positivo no levantamento foi o Nordeste, com crescimento de 0,3% neste início de ano. O Sul ficou com o pior desempenho, com recuo de 15,4%, seguido pelo Sudeste (-4,7%), Centro-Oeste (-2,1%) e Norte (-0,5%). Segundo a consultoria, o resultado do Sudeste foi pressionado pela migração de tráfego dos consumidores para os canais digitais e pelo fortalecimento do Carnaval na região, além do impacto das chuvas em Minas Gerais entre fevereiro e março. Já no Centro-Oeste, o reflexo foi a acomodação dos preços das commodities agrícolas, que impactam diretamente na renda disponível das famílias. Os dados coincidem com as informações de crescimento da receita de vendas, feita pela Cielo. Em janeiro, enquanto a intenção de compra subiu 6,1%, as receitas de vendas subiram 2,1%. Em fevereiro, as receitas retraíram em 3% e, em março, subiram 0,6% —no trimestre, o crescimento das vendas retraiu 0,4%. A intenção de compra em shopping centers cresceu entre a população, com avanço de 2,6% no trimestre, porém o varejo de rua recuou 6,5%. “Esse comportamento reflete características estruturais distintas: enquanto o varejo de rua é mais dependente do fluxo orgânico e mais exposto à cautela do consumidor, os shopping centers se beneficiam de sua proposta de conveniência, lazer e experiência, além de maior capacidade de ativação comercial em momentos estratégicos, como durante o Dia do Consumidor”, diz a Seed.

FOLHA DE SP

Mesmo com safra recorde, valor da produção agropecuária cai

Após alta de 13% em 2025, receitas do setor deverão recuar para R$ 1,38 trilhão. Principais itens das lavoras somam R$ 890 bilhões, e os da pecuária, R$ 495 bi


O Brasil deverá ter safra recorde de grãos. pelo menos é o que indicam até agora os números da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Apesar disso, as receitas obtidas no campo serão inferiores às do ano passado, conforme o Ministério da Agricultura. Crescente nos últimos anos, a produção de grãos brasileira pode chegar a 356 milhões de toneladas, segundo a Conab, e a 348 milhões, nos números do IBGE. Já o VBP (Valor Bruto de Produção) recuará para 1,38 trilhão, após ter atingido R$ 1,44 trilhão em 2025, segundo dados referentes a março. Se confirmados esses valores, após alta de 13% em 2025, as receitas deste ano caem 4%. O VBP é o resultado financeiro do setor dentro da porteira e leva em consideração cálculo de 17 dos principais produtos no setor de lavouras e de 5 no da pecuária. Os valores se referem ao volume produzido, multiplicado pelo valor de venda. Essa circulação menor de dinheiro é um mau sinal para a agropecuária. Os custos, que já estavam elevados, subiram ainda mais com a guerra no Oriente Médio. O diesel subiu e o fornecimento de fertilizantes foi interrompido na região. Custo maior e renda menor não se casam com o momento de insolvência em boa parte do setor. Além disso, os juros elevados, que afetam toda a economia brasileira, também são sintomas de pressão na agropecuária. Tanto lavouras como pecuária perdem força neste ano. Os produtos agrícolas, após alta de 11% em 2025, terão receitas 5% menores, somando R$ 890 bilhões. Além da oferta maior, devido à safra recorde, os preços continuam deprimidos no mercado externo. Poucos produtos terão aumento do VBP em 2026, e a soja, líder nacional em receitas, será um deles. Mesmo com o crescimento da safra para 179 milhões de toneladas, o aumento do valor de produção será de apenas 0,5% e virá do volume. Preços externos acomodados e dólar menos pressionado seguram receitas internas. Além da soja, outros alimentos básicos como feijão, mandioca e banana também terão aumento. O feijão, importante no dia a dia da alimentação, terá queda de 6% no volume a ser produzido e, consequentemente, aumento de preço na roça. O VBP dessa leguminosa sobe 14% neste ano. Entre as quedas no valor de produção estão café e cacau, produtos que subiram muito no ano passado e que têm preços menos pressionados agora. A safra brasileira de café deverá ser recorde, estimada pelo IBGE em 65 milhões de sacas, o que ajuda a repor os estoques mundiais. O VBP do produto, após alta de 46% no ano passado, recua 3% neste ano. Na pecuária, o aumento de preços do boi e a maior oferta de carne bovina elevam o valor total de produção para R$ 237 bilhões, 2% a mais do que no ano anterior. Os demais itens do setor —frango, suínos, leite e ovos— perdem receitas em relação às do ano passado. As estimativas do VBP feitas pelo Ministério da Agricultura deverão apresentar fortes variações até o final do ano. A previsão atual foi feita com base nos preços de janeiro a março, mas essa média vai mudar ao longo do ano. O arroz, por exemplo, começou 2026 com queda nos preços, mas está subindo, devido à menor produção. Já o café, com a confirmação da safra recorde brasileira, auxiliará em uma reposição maior dos estoques mundiais e queda nos preços.

FOLHA DE SP

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