Ano 1 | nº 110 | 09 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite deve subir segundo boletim do Deral
Departamento aponta repasse gradual após alta no mercado, impulsionada pelo avanço nos preços dos derivados
O mercado do leite no Paraná apresenta sinais de recuperação, com perspectiva de melhora na remuneração paga ao produtor. A análise mais recente do Departamento de Economia Rural (Deral), aponta que a valorização já percebida no varejo deve chegar gradualmente ao campo. Os dados mostram aumento nos preços de derivados, como o leite longa vida e o leite em pó, reflexo de uma oferta mais ajustada e da pressão dos custos ao longo da cadeia. Esse movimento, segundo o órgão, tende a impactar os valores pagos ao produtor, ainda que com atraso. “O repasse não ocorre de forma imediata, pois existe um intervalo entre a comercialização no varejo e o pagamento ao produtor”, explica o analista do Deral, Thiago De Marchi. “Mas a tendência é de melhora na remuneração nas próximas semanas”, completa. Diferença entre varejo e campo A dinâmica do setor faz com que os reajustes levem tempo para chegar ao produtor. Contratos com a indústria e prazos de pagamento influenciam diretamente nesse intervalo, o que mantém, por ora, uma defasagem entre o preço ao consumidor e o valor recebido no campo. Apesar disso, o cenário atual já indica uma condição mais favorável em comparação aos meses anteriores, quando os produtores enfrentaram dificuldades para cobrir os custos de produção.
CORREIO DO POVO
Crescente demanda por proteína impulsiona nova tendência de bebidas
A proteína prática derivada do leite já não se limita a shakes, barras ou iogurtes. As “protein sodas” (refrigerantes proteicos), uma nova categoria de bebidas, estão trazendo os ingredientes lácteos para uma forma gaseificada e saborizada de se conectar com os consumidores. Essas bebidas exploram duas tendências ao mesmo tempo: o crescente interesse por proteína e a demanda por produtos prontos para consumo.
Utilizando proteínas do soro do leite (whey) ou do próprio leite como ingrediente, essas bebidas combinam gás e sabor com alguns dos benefícios nutricionais dos lácteos, oferecendo mais uma forma de consumir proteína enquanto se desfruta de uma bebida refrescante. A proteína tem sido um grande foco para os consumidores e essa tendência continua crescendo. As diretrizes alimentares para norte-americanos mais recentes enfatizam que alimentos ricos em nutrientes e proteína devem ser consumidos ao longo do dia e recomendam que adultos consumam cerca de 1,1 a 1,5 g de proteína por kg de peso corporal por dia. Para muitos consumidores, especialmente aqueles com rotinas corridas, atingir esses níveis apenas com refeições tradicionais pode ser difícil. Ao mesmo tempo, o uso crescente de medicamentos do tipo GLP-1 tornou ainda mais desafiador para algumas pessoas atingir suas necessidades proteicas apenas com alimentos convencionais. Nesse contexto, os refrigerantes proteicos prontos para consumo — que podem fornecer entre 10 e 30 g de proteína por lata — surgem como uma alternativa prática para aumentar a ingestão diária. Alguns lançamentos recentes mostram como essa categoria está ganhando força. A Clean Simple Eats lançou o Frosted Lemonade Clear Protein Soda, com 20 g de proteína isolada de whey ultrafiltrado em uma bebida gaseificada. Já a Genius Gourmet apresentou o Sparkling Protein Fruit Punch, com 30 g de proteína e zero açúcar em uma versão levemente gaseificada. Esses exemplos mostram como os ingredientes lácteos estão indo além do leite, iogurte e suplementos em pó, chegando a bebidas prontas para consumo que agradam quem busca nutrição e sabor. A maioria dos refrigerantes proteicos utiliza whey ou isolados de proteína do leite, abrindo espaço para que os ingredientes lácteos entrem em novos formatos de bebidas. A proteína extraída do leite e processada em whey ultrafiltrado pode acabar em uma bebida gaseificada nas prateleiras dos supermercados. Alguns produtos também incluem cafeína, probióticos, eletrólitos ou vitaminas adicionadas, posicionando-se ao lado de outras bebidas funcionais e ampliando seu apelo. Embora essa ainda seja uma categoria emergente, ela demonstra como os ingredientes lácteos estão aparecendo em novos formatos de bebidas. Essas bebidas não oferecem o mesmo valor nutricional completo dos alimentos lácteos tradicionais, mas incorporam ingredientes como whey e proteínas do leite dentro de uma tendência crescente de bebidas funcionais. Ainda não se sabe se os refrigerantes proteicos se tornarão uma categoria consolidada no longo prazo, mas seu crescimento indica como os ingredientes lácteos estão sendo adaptados a novos formatos, à medida que as empresas buscam formas de entregar proteína de maneira prática e pronta para consumo. Com a continuidade da inovação em bebidas funcionais, é provável que os ingredientes lácteos apareçam em formatos cada vez mais inesperados.
Dairy Herd management/milkpoint
NACIONAL
SC: Programa estadual Pronampe Leite fecha o primeiro mês com R$ 84 milhões em operações
Pequenos e médios produtores de leite de 196 municípios catarinenses já movimentaram o equivalente a R$ 84 milhões por meio do Pronampe Leite em março, primeiro mês de operações do Programa, lançado pelo Governo de Santa Catarina, em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para apoiar produtores de leite no Estado.
Pequenos e médios produtores de leite de 196 municípios catarinenses já movimentaram o equivalente a R$ 84 milhões por meio do Pronampe Leite em março, primeiro mês de operações do Programa, lançado pelo Governo de Santa Catarina, em parceria com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) para apoiar produtores de leite no estado. De acordo com o governador Jorginho Mello, a linha de crédito tem oferta de capital de giro para a manutenção da atividade e da renda no campo, sendo o leite uma atividade essencial para o estado, responsável pela renda de milhares de famílias. “Nosso governo foi sensível a essa demanda do setor leiteiro, que precisava de uma linha específica para manter a atividade em funcionamento, dando suporte ao produtor, garantir a continuidade da produção e fortalecer toda a cadeia produtiva”, afirmou. Ao todo, foram aprovadas 3.040 operações de crédito, distribuídas em 196 municípios catarinenses. “O foco está no atendimento de pequenos e médios produtores de leite, numa iniciativa que irá disponibilizar R$ 240 milhões em crédito com condições especiais para apoiar produtores de leite afetados pela recente queda nos preços do setor”, destaca o diretor vice-presidente do BRDE, Mauro Mariani. O Pronampe Leite BRDE/SC é operado pelo Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) e formulado em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape). “Esse programa foi construído de forma conjunta, com o BRDE e com as equipes técnicas do governo, para entregar uma solução que atenda a realidade do produtor, com crédito, prazos acessíveis e juros reduzidos”, ressaltou o secretário de estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort. O valor do financiamento é calculado com base no número de animais, com limite de R$1.000 por matriz, e teto máximo de R$50 mil por produtor. O programa oferece prazo total de 24 meses, sendo 12 meses de carência e 12 meses para pagamento. As condições incluem juros zero para produtores com até 30 matrizes e 6% ao ano para produtores com mais de 30 matrizes, desde que os pagamentos sejam mantidos em dia.
SECRETARIA DA AGRICULTURA DE SANTA CATARINA
ECONOMIA
Dólar cai ao menor valor em quase dois anos após acordo entre EUA e Irã
O dólar fechou a quarta-feira em baixa ante o real, no menor patamar em quase dois anos, depois de os Estados Unidos acertarem na véspera um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, que aceitou reabrir o Estreito de Ormuz.
Após oscilar abaixo dos R$5,10 durante boa parte da sessão, o dólar à vista encerrou o dia com queda de 1,00%, aos R$5,1035, o menor valor de fechamento desde 17 de maio de 2024, quando atingiu R$5,1031. No ano, a divisa passou a acumular recuo de 7,02%. Às 17h17, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,98% na B3, aos R$5,1275. Na noite de terça-feira, menos de duas horas antes do fim do prazo final para um acordo, o presidente dos EUA, Donald Trump, aceitou um cessar-fogo de duas semanas com o Irã, sujeito à suspensão do bloqueio de transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse em um comunicado que Teerã vai interromper os contra-ataques e fornecer uma passagem segura por Ormuz. Uma autoridade sênior iraniana disse à Reuters que a passagem pode ser aberta na quinta ou na sexta-feira, antes das negociações de paz, se os países concordarem com uma estrutura para o cessar-fogo. A expectativa de que o transporte de petróleo e gás possa ser normalizado fez o petróleo tipo Brent despencar, enquanto os ativos de maior risco dispararam ao redor do mundo. Em evento do Bradesco BBI pela manhã, em São Paulo, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, abordou o fato de o dólar ter avançado ante o real logo após o início da guerra que opõe EUA e Israel ao Irã. Em sua visão, o movimento de desvalorização do real “não foi tão diferente dos pares”, sendo que o Brasil já enfrentou momentos de ruídos maiores no câmbio, como o visto na virada de 2024 para 2025. De acordo com David, o real tende a acompanhar os ciclos de altas e baixas das demais moedas no mundo, mas a divisa brasileira tem um “beta” elevado — o que significa dizer que em muitos momentos sua variação é maior. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$6,335 bilhões em março, o primeiro mês da guerra no Oriente Médio.
Reuters
Ibovespa renova máximas após anúncio de cessar-fogo entre EUA e Irã
O Ibovespa renovou recordes na quarta-feira, ultrapassando os 193 mil pontos pela primeira vez na história no melhor momento, beneficiado pela melhora do apetite a risco global após anúncio de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,09%, para 192.201,16 pontos, nova máxima de fechamento. No melhor momento, atingiu 193.759,01 pontos. Na mínima, 188.260,14 pontos. O volume financeiro no pregão somou quase R$42,5 bilhões, acima da média diária do ano, de R$35 bilhões. Os EUA e o Irã concordaram na terça-feira com um cessar-fogo de duas semanas mediado pelo Paquistão, que, segundo o presidente norte-americano, Donald Trump, exige que Teerã reabra o Estreito de Ormuz. A notícia fez o preço do petróleo desabar no mercado internacional. O barril sob o contrato Brent fechou o dia em queda de 13,29%, para US$94,75. Uma autoridade iraniana envolvida nas negociações disse à Reuters que o Irã pode reabrir o estreito de forma limitada e controlada na quinta ou sexta-feira, antes de negociações previstas para começar no Paquistão no dia 10. O clima, porém, segue tenso na região. Israel atacou o Líbano e o Irã disse que estava considerando ataques contra Israel em resposta. Também foram relatados ataques de Teerã a instalações de petróleo nos países vizinhos do Golfo Pérsico. Os EUA afirmaram que interromperam seus ataques ao Irã, mas estão prontos para retomar os combates se os esforços para alcançar uma paz mais duradoura fracassarem. Ainda, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse que três cláusulas-chave de uma proposta de 10 pontos foram violadas antes do início das negociações na sexta-feira, no Paquistão. Nesta sessão, porém, prevaleceu a percepção de menor risco geopolítico no curto prazo. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em alta de 2,51%. Na visão do estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, o anúncio de Trump sobre o cessar-fogo acabou gerando uma euforia nos mercados, um clima de “risk on”, principalmente após o tom “catastrófico” de Trump na véspera. Mas, ponderou Gass, o risco de fracasso nas negociações ainda existe.
Reuters
IGP-DI tem alta de 1,14% em março sob efeitos de guerra no Oriente Médio, diz FGV
O Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou alta de 1,14% em março, abandonando a queda de 0,84% no mês anterior, uma vez que tanto os preços ao produtor quanto ao consumidor voltaram a subir em meio aos efeitos do conflito no Oriente Médio, informou a Fundação Getulio Vargas (FGV) na quarta-feira.
O resultado ficou praticamente em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 1,12% e levou o índice a acumular em 12 meses queda de 1,30%. “O IGP-DI de março marca o primeiro mês em que os índices passam a incorporar, de forma mais clara, os efeitos diretos e indiretos do conflito no Oriente Médio”, destacou Matheus Dias, economista do FGV IBRE. Os Estados Unidos e o Irã concordaram com um cessar-fogo de duas semanas, suspendendo uma guerra de seis semanas que matou milhares de pessoas, se espalhou pelo Oriente Médio e causou uma interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia. Em março, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-DI), que responde por 60% do indicador geral, subiu 1,38%, de queda de 1,21% no mês anterior. “No IPA, embora as maiores pressões ainda venham de produtos agropecuários — em geral não ligados diretamente aos choques da guerra —, itens sensíveis ao cenário geopolítico, como combustíveis e fertilizantes, já figuram entre as dez principais influências do índice, indicando a relevância crescente do conflito para os preços ao produtor”, disse Dias. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) — que responde por 30% do IGP-DI — mostrou que a pressão aos consumidores aumentou ao subir 0,67% em março, de queda de 0,14% em fevereiro. Segundo Dias, o principal impacto no IPC veio da gasolina, que registrou alta média de 3,85%, mas com comportamento heterogêneo entre as capitais e variações superiores a 10% em alguns locais. O Índice Nacional de Custo de Construção (INCC), por sua vez, registrou aceleração da alta a 0,54% em março, de 0,28% antes, com itens intensivos em energia, como massa de concreto, blocos e cimento, mostrando pressão associada ao encarecimento dos insumos energéticos. O IGP-DI calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre o 1º e o último dia do mês de referência.
Reuters
Cesta básica fica mais cara em todas as capitais brasileiras em março
Manaus foi a capital que registrou maior índice, com 7,42%
No mês de março, a cesta básica ficou mais cara em todas as capitais brasileiras e também no Distrito Federal. Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, levantamento que é divulgado mensalmente pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) junto com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a principal elevação ocorreu em Manaus, onde o custo médio variou 7,42%, seguida por Salvador (7,15%), Recife (6,97%), Maceió (6,76%), Belo Horizonte (6,44%) e Aracaju (6,32%). No acumulado de 2026, todas as capitais registraram alta nos preços da cesta básica, com taxas que oscilaram entre 0,77%, em São Luís, e 10,93%, em Aracaju. Um dos principais responsáveis pelo aumento no custo da cesta no mês passado foi o feijão, que subiu em todas as cidades analisadas. O grão preto, por exemplo, subiu nas capitais do sul do país, além do Rio de Janeiro e Vitória, com percentuais que variaram entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Já o grão carioca, coletado nas demais capitais, variou entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém). Segundo a pesquisa, essa alta no feijão ocorreu por causa da restrição da oferta, já que houve dificuldades na colheita. Também houve aumentos nos preços do tomate, da carne bovina de primeira e do leite integral. No Norte e Nordeste do país, onde a composição da cesta é diferente, os menores valores médios foram registrados em Aracaju (R$ 598,45), Porto Velho (R$ 623,42), São Luís (R$ 634,26) e Rio Branco (R$ 641,15). Com base na cesta mais cara do país, que em março foi a de São Paulo, e levando em consideração a determinação constitucional que estabelece que o salário-mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o Dieese estimou que o salário-mínimo em dezembro deveria ser de R$ 7.425,99 ou 4,58 vezes o mínimo atual, estabelecido em R$ 1.621,00.
AGÊNCIA BRASIL
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