Ano 1 | nº 107 | 06 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Mercado do leite indica alta no pagamento ao produtor em março
Projeções mostram valorização do preço de referência em estados do Sul e em Minas Gerais.
As projeções dos Conselhos Paritários Produtores/Indústrias de Leite (Conseleites) indicam valorização no preço do leite pago ao produtor nos principais estados produtores do país. A estimativa considera o leite entregue em fevereiro e que será pago aos produtores em março de 2026. De acordo com os dados divulgados pelos Conseleites estaduais, a expectativa é de aumento do preço ao produtor em todos os estados acompanhados, reforçando uma melhora nas perspectivas do setor lácteo neste início de ano, após um período de queda observado nos meses anteriores. No Paraná, a projeção aponta a maior variação entre os estados analisados, com alta estimada de 4,2% no preço de referência. Em Santa Catarina, a valorização projetada é de 3,7%, enquanto em Minas Gerais a previsão indica aumento de 2,8%. Já no Rio Grande do Sul, a estimativa também é de avanço no valor pago ao produtor, com alta projetada de 2,0% em relação ao mês anterior. Segundo os Conseleites, as sinalizações reforçam um cenário de recuperação gradual da remuneração ao produtor de leite no início de 2026. O movimento contrasta com o comportamento observado ao longo de meses anteriores, quando o mercado registrou quedas nos valores pagos no campo. De forma geral, as projeções apontam continuidade do processo de recomposição dos preços ao produtor, acompanhando ajustes nas condições de oferta e demanda no mercado lácteo brasileiro.
O Presente Rural
Bebida alcoólica com soro de leite e polpa de caju é criada na Paraíba
Produto inédito no mercado foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). A bebida lembra um espumante, de baixo teor alcoólico, levemente ácida, com aroma de caju
A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desenvolveu uma bebida fermentada alcoólica mista a partir de soro de leite e polpa de caju. A bebida lembra um espumante, de baixo teor alcoólico, levemente ácida, com aroma de caju. O produto é inédito no mercado, segundo a UFPB. De acordo com Marcelo Muniz, professor do Departamento de Engenharia de Alimentos e coordenador do Laboratório de Engenharia Bioquímica (LEB), a bebida surgiu com o intuito de resolver um problema da indústria de laticínios. A fabricação de produtos como queijo e iogurte gera como subproduto o soro do leite, que, devido à alta carga de matéria orgânica, pode causar impacto ambiental quando descartado no meio ambiente sem um tratamento adequado. A solução para evitar o desperdício do soro do leite foi o desenvolvimento de uma bebida alcoólica, e o caju, nesse contexto, se beneficia de suas características para compor o produto. “O suco de caju apresenta elevado valor nutricional, sendo rico em vitamina C, ferro, fósforo, fibras e compostos antioxidantes. Dessa forma, o projeto propôs a associação do soro de leite com o suco de caju, visando ao desenvolvimento de uma bebida fermentada gaseificada, com potencial valor nutricional e características sensoriais diferenciadas”, explicou Muniz, em nota. Ainda segundo o professor, o principal desafio na elaboração da bebida foi mascarar ou eliminar o aroma e o sabor residual de queijo provenientes do soro de leite. O objetivo é tornar o produto sensorialmente agradável e similar a um frisante. “Para isso, foram realizados diversos testes experimentais, envolvendo a seleção do tipo de soro de leite, escolha de microrganismos fermentativos, metodologias de fermentação, seleção de matérias-primas para saborização, além do estudo da cinética de cocultura microbiana, visando alcançar os melhores resultados sensoriais possíveis”, disse Marcelo Muniz. A bebida foi concebida pela estudante Annie Raposo, para o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do curso de Engenharia de Alimentos, sob orientação dos professores Marcelo Muniz e Kristerson Freire, e contribuição do bacharel em biotecnologia Ícaro de Oliveira. A UFPB solicitou um pedido de patente do produto para o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A partir dessa solicitação, Muniz espera que seja possível no futuro a inserção do invento no mercado. “Considerando suas características sensoriais e tecnológicas, o produto possui aspectos únicos que podem torná-lo uma nova alternativa de bebida alcoólica inovadora para o consumidor”, ressaltou.
GLOBO RURAL
NACIONAL
Cadeia leiteira capixaba terá novo incentivo fiscal do estado
Os deputados aprovaram um projeto de lei que concede 100% em crédito presumido de ICMS em saídas interestaduais para laticínios industrializados, inclusive, para o leite UHT Longa Vida comercializado em caixa.
Os deputados aprovaram o Projeto de Lei (PL) 821/2025, do Executivo, que concede 100% em crédito presumido de ICMS em saídas interestaduais para laticínios industrializados, inclusive, para o leite UHT Longa Vida comercializado em caixa. A matéria foi acolhida em sessão extraordinária realizada na tarde desta última terça-feira, 31 de março, na Assembleia Legislativa (Ales). Tramitando em regime de urgência, a proposta foi analisada em reunião conjunta das comissões de Justiça e Finanças. O deputado Mazinho dos Anjos, apresentou parecer favorável que foi acatado pelos membros dos colegiados e depois pelo Plenário da Casa. “É um avanço importante para a cadeia leiteira do estado, é importante para os nossos produtores”, disse o representante. No caso do PL 821, a proposta do Executivo define que o direito de abater a totalidade do imposto devido no momento da venda de laticínios valerá quando o produto for destinado a um contribuinte do ICMS, ou seja, um supermercado ou um atacadista, e não quando levado por um consumidor final que não tenha qualquer obrigação com o tributo, por exemplo. O texto ainda pontua que o incentivo também valerá para quem utiliza matéria-prima e insumos de outros estados, inclusive, o próprio leite transportado a granel seja in natura, cru, resfriado ou pasteurizado. A proposição inclui um novo artigo com incisos à Lei Estadual 7.000/2001 (Lei do ICMS) e as mudanças passarão a valer a partir do primeiro dia do mês subsequente à publicação da nova lei. Agora, a matéria segue para sanção ou veto do governador Renato Casagrande (PSB).
Assembleia Legislativa ES
INTERNACIONAL
Skyr: “iogurte” islandês que virou tendência global no setor de laticínios
Entre os itens funcionais que vêm assumindo papel central no mercado de lácteos, um produto tradicional da Islândia vem chamando atenção em diferentes mercados: o skyr.
Embora ainda seja novidade para muitos consumidores, o skyr possui uma história longa. Trata-se de um alimento produzido há mais de mil anos no país nórdico e que, hoje, começa a aparecer com mais frequência em supermercados e conteúdos sobre nutrição. O interesse recente pelo produto foi intensificado pela circulação de receitas e dicas culinárias nas redes sociais, o que acabou ampliando sua visibilidade e despertando curiosidade entre consumidores interessados em alimentos ricos em proteínas. Em alguns mercados europeus, o aumento repentino da procura chegou a provocar dificuldades temporárias de abastecimento, já que a produção de laticínios depende de etapas que exigem planejamento e tempo. Esse cenário ilustra como as tendências alimentares podem se espalhar rapidamente quando impulsionadas pelo ambiente digital. A origem do skyr remonta ao século IX, período em que colonos vikings se estabeleceram na Islândia. Em um território marcado por clima rigoroso e longos invernos, era fundamental encontrar formas de conservar e concentrar nutrientes nos alimentos disponíveis. O skyr surgiu nesse contexto como uma preparação à base de leite capaz de oferecer alto valor nutricional. Tradicionalmente produzido com leite de vaca desnatado, o skyr passa por um processo de fermentação com culturas lácteas específicas e pela adição de coalho. Após a fermentação, o produto é filtrado para remover grande parte do soro, o que resulta em uma textura bastante espessa e cremosa. Esse processo também explica por que sua produção demanda mais leite do que a fabricação de iogurtes comuns. Por causa dessas características, o skyr costuma gerar certa confusão entre os consumidores. Embora seja comercializado ao lado de iogurtes em muitos mercados, tecnicamente ele se aproxima mais de um queijo fresco fermentado. Grande parte do interesse atual pelo skyr está relacionada ao seu perfil nutricional. O produto apresenta teor elevado de proteínas e quantidade muito baixa de gordura, características que se alinham com tendências de alimentação associadas à prática esportiva e ao controle de peso. Uma porção pode fornecer uma quantidade de proteína superior à encontrada em iogurtes tradicionais, além de contribuir com nutrientes comuns aos lácteos, como cálcio e vitaminas do complexo B. O processo de fermentação também reduz significativamente a quantidade de lactose, o que pode facilitar o consumo por pessoas com sensibilidade leve ao açúcar do leite. Além da composição nutricional, outro fator que favorece sua popularidade é a versatilidade culinária. O skyr pode ser consumido puro ou combinado com frutas, cereais e mel, além de servir como base para sobremesas, molhos e preparações diversas.
XATAKA/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar fecha o dia estável com expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz
Após subir para perto dos R$5,20 na abertura da sessão, o dólar à vista fechou a quinta-feira estável, com as cotações reagindo à atuação de exportadores na ponta de venda de moeda e às movimentações para reabertura do Estreito de Ormuz.
O dólar à vista fechou com variação positiva de 0,02%, aos R$5,1599. Na semana encurtada pelo feriado da Sexta-feira Santa, a moeda norte-americana acumulou baixa de 1,51% e, no ano, recuo de 6,00%. Às 17h04, o dólar futuro para maio — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,01% na B3, aos R$5,1885. No início da sessão os investidores reagiram ao discurso da noite de quarta-feira do presidente dos EUA, Donald Trump, que prometeu em rede nacional ataques agressivos ao Irã nas próximas duas ou três semanas, para colocar o país “de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem”. O discurso de Trump, que contrastou com falas anteriores de que a guerra seria encerrada em breve, deu força ao petróleo em Londres e em Nova York, impulsionando os rendimentos dos Treasuries e o dólar ante as demais divisas. Mas ao longo da manhã a moeda norte-americana perdeu força ante o real, se reaproximando da estabilidade. O movimento se intensificou após algumas notícias renovarem as esperanças em uma reabertura do Estreito de Ormuz — por onde circulam 20% do petróleo negociado entre os países. A agência de notícias oficial IRNA, do Irã, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito, enquanto o Reino Unido disse que cerca de 40 países estão discutindo uma ação conjunta para reabrir Ormuz. Durante a tarde, a moeda norte-americana se manteve próxima da estabilidade, com o mercado já mais vazio antes do feriado. No exterior, o dólar seguiu em alta ante boa parte das demais divisas, mas abaixo dos picos do dia.
REUTERS
Ibovespa fechou quase estável com suporte de petrolíferas
O Ibovespa fechou quase estável na quinta-feira, com o desempenho das ações de petrolíferas, notadamente Petrobras, amortecendo a pressão negativa desencadeada por preocupações com uma escalada no conflito no Oriente Médio.
Notícias sobre discussões envolvendo a abertura do Estreito de Ormuz, que transporta cerca de um quinto do consumo de petróleo do mundo, também ajudaram na melhora dos mercados, após o presidente dos Estados Unidos dizer que as operações militares contra o Irã serão intensificadas nas próximas semanas. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com acréscimo de 0,05%, 188.052,02 pontos, após ajustes, depois de marcar uma mínima de 185.213,54 pontos (-1,46%). No melhor momento da sessão, chegou a 189.250,57 pontos (+0,69%). Na semana, acumulou alta de 3,58%. O volume financeiro no pregão da quinta-feira somou R$24,64 bilhões, abaixo do volume médio diário do ano, de R$35,58 bilhões, com agentes financeiros também considerando o feriado na sexta-feira. A notícia de que o Irã está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no Estreito de Ormuz, no final da manhã da quinta-feira, trouxe algum alento, assim como a revelação pelo Reino Unido de que cerca de 40 países também estão discutindo uma ação conjunta para reabrir o Ormuz. O barril do petróleo Brent reduziu razoavelmente a alta, mas depois retomou o fôlego, fechando com avanço de 7,78%, a US$109,03. O S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, afastou-se das mínimas e fechou com acréscimo de 0,11%. Na visão do sócio fundador da Ciano Investimentos Lucas Sigu, a bolsa brasileira experimentou uma acomodação após desempenho mais forte nas últimas sessões, mas o fato de ter encerrado distante da mínima mostra que há uma “alta reprimida” no pregão brasileiro, que segue como destino de estrangeiros. Dados da B3 mostram que março fechou com um saldo positivo de capital externo de quase R$11,7 bilhões, ampliando a entrada líquida no ano para cerca de R$53,4 bilhões.
REUTERS
Produção industrial no Brasil sobe mais que o esperado em fevereiro
A indústria brasileira aumentou mais do que o esperado em fevereiro, no segundo mês seguido de alta, recuperando as perdas dos últimos meses de 2025 mesmo diante da política monetária ainda restritiva.
A produção industrial avançou 0,9% em fevereiro na comparação com janeiro, e teve queda de 0,7% contra o mesmo período do ano anterior, mostraram dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. Os resultados foram melhores do que as expectativas em pesquisa da Reuters de ganho de 0,7% na comparação mensal e de queda de 1,0% na anual. Em janeiro, a produção teve alta de 2,1% em dado revisado ante o 1,8% informado originalmente pelo IBGE, acumulando nos dois primeiros meses do ano expansão de 3,0%. Em novembro e dezembro a produção havia recuado 0,1% e 2,0%, respectivamente. Apesar da recuperação, a produção industrial ainda está 14,1% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011, segundo o IBGE. “Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, disse André Macedo, gerente do IBGE. O setor vem enfrentando há tempos um cenário difícil, principalmente com o nível elevado da taxa básica de juros, que restringe o crédito, e analistas não preveem uma grande retomada. No mês passado, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas pregou cautela diante da guerra no Oriente Médio. Entre as atividades, as principais influências positivas em fevereiro vieram de veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%). Entre as grandes categorias econômicas, o destaque foi bens de capital, com alta de 2,3%. A produção de bens intermediários subiu 1,1%, enquanto a de bens de consumo duráveis avançou 0,9% e de bens de consumo semi e não duráveis teve alta de 0,7%.
Reuters
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