Ano 1 | nº 154 | 15 de junho de 2026
NOTÍCIAS
Primeira quinzena de junho registra manutenção no GDT, spot e leites em pó
Preços internacionais: O 4050 leilão da Global Dairy Trade GDT) registrou preço médio dos produtos negociados de USD 4.021/tonelada, indicando uma variação negativa de 0,6% no Price Index. Esta oscilação pequena indica uma manutenção dos preços em patamares próximos aos observados anteriormente. Ainda assim, as quedas registradas nos leites em pó e na muçarela trouxeram uma leitura mais cautelosa para o mercado internacional. Quanto ao volume negociado, foram transacionadas 14.364 toneladas, um avanço de 10,7% frente à edição anterior.
Leite spot: os preços oscilaram de forma menos acentuada em todos os índices do país, refletindo uma acomodação relativa do mercado. O cenário de estabilidade também foi refletido nos derivados, onde os preços de leite UHT e muçarela mostraram maior sustentação. Na média Brasil, o valor subiu para R$ 2,889/litro, com alta de R$ 0,016/litro em relação à análise anterior. Muçarela: apresentou alta na primeira semana de junho em relação à semana anterior, em um cenário de maior sustentação para os queijos. Os preços médios variaram entre R$ 31,7 (RS) e R$ 35,0 (RJ). Foram observadas variações positivas em São Paulo/Rio de Janeiro (+R$ 0,6/kg), Paraná (+R$ 0,3/kg) e Rio Grande do Sul (+R$ 0,1/kg). Por outro lado, Minas Gerais apresentou uma leve retração (-R$ 0,1/kg), seguida por Goiás e Santa Catarina que registraram estabilidade em relação à cotação anterior. Leite em pó: o mercado apresentou um cenário de estabilidade na primeira semana de junho, com ajustes pontuais entre os segmentos monitorados. O LPI e o LPF registraram pequenos reajustes positivos, onde o leite em pó integral registrou aumento de R$ 0,3 em São Paulo (R$ 25,9) e o leite em pó fracionado registrou aumento de R$ 0,2 em São Paulo (R$ 30,3) e estabilidade no Nordeste (R$ 29,6). Enquanto isso, o LPD manteve estabilidade novamente, registrando R$ 30,3 em São Paulo. Oferta: A disponibilidade de leite no campo segue limitada pela sazonalidade característica da entressafra, mantendo a oferta de matéria-prima em patamares mais baixos. Esse menor volume disponível restringe a captação das indústrias e sustenta um cenário de oferta mais ajustada no curto prazo. Demanda: pelo lado da demanda, observa-se um aquecimento na movimentação dos derivados. Dessa forma, o mercado apresenta ajustes positivos, configurando um cenário de pequena recuperação.
MILKPOINT
Importações de lácteos são recorde em meio a impasse sobre antidumping
Setor produtivo cobra aplicação de tarifas contra exportadores da Argentina e do Uruguai. Camex atestou dumping nas importações, mas suspendeu aplicação de tarifas
As importações de lácteos pelo Brasil aceleraram 3,5% em maio, para um volume equivalente a 220 milhões de litros de leite, e levaram as compras acumuladas no ano a um novo recorde: mais de 1 bilhão de litros em cinco meses. A alta ocorre em meio ao impasse sobre a aplicação de tarifas antidumping contra empresas da Argentina e Uruguai de onde vêm mais de 80% do produto em pó importado. De acordo com dados divulgados nessa semana pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e divulgados pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), as importações de lácteos em maio chegaram a US$ 102,8 milhões. O volume importado foi de 25,9 mil toneladas, principalmente de leite em pó e queijos. A conversão indica que a quantidade representa cerca de 220 milhões de litros. As importações de maio representaram alta de 3,5% em relação a abril, mas houve um salto de quase 30% na comparação com maio de 2025. Segundo a CNA, as diferentes versões de leite em pó responderam por 68% do total mensal. Argentina e Uruguai forneceram 86% desse volume. O novo recorde é para o acumulado das importações entre janeiro e maio, que chegaram a 1,02 bilhão de litros. A alta nas compras preocupa o setor em meio ao impasse do governo, com a decisão de suspender a aplicação de tarifas antidumping contra Argentina e Uruguai, e a baixa nos preços do leite aos produtores brasileiros no mês passado, de até 10% no caso do UHT. Nessa semana, o governo publicou a decisão do Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) sobre o antidumping. A investigação contra o leite em pó do Mercosul encontrou margens de dumping que variam entre 25% e 60% para a Argentina e entre 4% e 50% para o Uruguai. Também foram encontradas margens de subcotação entre 9,2% e 20,2%, ao se compararem os preços médios internalizados no Brasil com os do leite in natura e do leite em pó nacional, respectivamente. A investigação atestou que as importações geraram prejuízos aos produtores brasileiros, com a deterioração do preço pago no mercado interno. O texto, publicado nessa semana, reconheceu as práticas desleais e estabeleceu a aplicação de direitos antidumping, por um prazo de até cinco anos, às importações brasileiras de leite em pó, integral ou desnatado, não fracionado, originárias da Argentina e do Uruguai. “Os produtos potencialmente afetados possuem peso reduzido no IPCA (0,26% na média dos últimos 5 anos), e ainda assim, o percentual de leite importado em sua composição é mínimo. Por outro lado, os principais itens da alimentação básica permanecem fora do escopo da medida, não sendo, portanto, afetados”, diz a CNA. A resolução da Camex publicada nessa semana detalha a aplicação das tarifas antidumping. Para empresas não identificadas individualmente na investigação, a medida prevê a aplicação da alíquota de maior montante, para evitar que os exportadores criem registros e burlem medidas de defesa comercial. No caso da Argentina, as terão tarifas variam entre US$ 167,31 por tonelada e US$ 903,50 por tonelada para empresas que participaram da investigação e responderam aos questionários enviados pelo governo brasileiro. Já para outros exportadores conhecidos, mas que não responderam aos questionários, a tarifa foi estabelecida em US$ 1.707,08 por tonelada. Para novos exportadores a alíquota ficou em US$ 4.183,17 por tonelada. Já para o Uruguai, as tarifas ficaram entre US$ 378,27 por tonelada e US$ 850,07 por tonelada. No caso de novos exportadores, a alíquota indicada é de US$ 4.196,72 por tonelada.
GLOBO RURAL
Mercado do leite mais previsível em meio à volatilidade
João Paulo Franco explica como a ferramenta de hedge pode ajudar o produtor a travar custos, planejar receitas e reduzir riscos em um cenário de pressão sobre a pecuária leiteira
Em 13 de maio foi feito o lançamento da ferramenta de hedge para lácteos no Brasil, idealizada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A data é considerada simbólica pelo coordenador de pecuária da Confederação, João Paulo Franco. O intuito da ferramenta é garantir previsibilidade para o produtor de leite, com a promessa de ser democrática e inovadora para a pecuária leiteira do Brasil. O grupo de trabalho se baseou no modelo aplicado no Estados Unidos e Europa. “E a gente falou: ‘não, temos que ter uma ferramenta aqui no Brasil’. E assim acabou surgindo. Conseguimos viabilizar a questão do hedge para os lácteos brasileiros”. Leia a entrevista completa realizada pela Scot Consultoria: Quem pode utilizar essa ferramenta? Qualquer tamanho de produtor pode fazer a trava? João Paulo Franco: Um ponto importante é que ela é democrática. Então, tanto o grande produtor pode operar, quanto o pequeno produtor também pode operar. O que ele precisa fazer? Ele precisa abrir uma conta na corretora, que é uma coisa relativamente simples, e a partir daí ele pode operar. “Ah, mas o contrato é de 40,0 mil litros, e o produtor que tira menos de 40,0 mil litros?”, ele não precisa fechar um contrato inteiro, ele tem a possibilidade de fracionar isso. Então, ele pode fechar meio contrato, ele pode fechar um terço de contrato, daquele volume do contrato. Então, ela é democrática, ela é para todo mundo, e todo mundo pode acessá-la. Como eu te disse, é um ganho da cadeia, não é só o produtor pequeno, médio e grande, mas a indústria também, pequena, média e grande, pode operar. A cooperativa pequena, média e grande pode operar. A cooperativa pode usar a ferramenta para garantir a compra de insumo dela e garantir o preço para o cooperado. Quanto que eu preciso garantir de média? Eu preciso garantir uma casa decimal, duas casas decimais. Então, eu preciso travar esse leite em agosto a x reais. Vai lá, faz a operação, ela trava a compra e trava a venda do cooperado dela. É uma ferramenta relativamente simples de se operar, ou seja, para que eu possa operar, eu preciso ter apenas uma conta na corretora. Obviamente, a corretora estará preparada para isso, ela tem pessoas técnicas lá que vão dar essa orientação: quando travar, como está o mercado futuro e que preço eles estão visualizando para o futuro. Assim como é na soja, no milho, no boi, funciona o mercado futuro do leite, como funciona todos os outros mercados futuros que a gente tem disponível hoje no mercado. Como o leite pago (ao produtor) é baseado no leite entregue no mês anterior, o que muda quando essa ferramenta é utilizada? João Paulo Franco: Muda tudo, porque eu deixo de olhar para o retrovisor, eu deixo de olhar para o passado, como você colocou, e eu passo olhar para o futuro. Então eu sei exatamente quanto eu vou receber pelo litro de leite no mês seguinte, ou daqui dois meses. A gente fez um exercício com base nos dados do campo futuro, utilizando uma propriedade modal no Paraná, de x mil litros de leite. Então, hoje, qual é o Custo Operacional Efetivo (COE) por litro de leite produzido? O COE por litro de leite produzido, eu vou trazer um valor fictício, tá? Mas vamos considerar que era dois reais. Então, para que esse produtor garanta o custo (o COE dele), ele teria que fechar 60,0% da produção. Então, hoje ele pode fechar um contrato garantindo 60,0% da produção dele, dos próximos meses, e ficar com 40,0% para negociar no dia, no preço balcão, assim como é no boi. Então, o que acontece? Com isso, a ferramenta dá segurança para ele, porque os custos operacionais estão garantidos, e o que vier a partir dali, é lucro. Ele está colocando o dinheiro no bolso, ele sabe exatamente quanto que vai sobrar para ele. O assunto do momento é o acordo entre União Europeia e Mercosul. Você acredita que os produtores precisam se preocupar com uma possível importação de lácteos vindos de países europeus, ampliando a competitividade de preços? João Paulo Franco: Quando a gente fala do Acordo Mercosul-Europa, ele tem, sim, pontos de preocupação, né? A questão do crescimento das importações de produtos europeus para o Brasil é um ponto de atenção. Porque o Brasil reconhecidamente não é um país exportador de lácteos, ele não exporta leite em pó, mas a Europa, sim. E não só o leite em pó, como os queijos também. Só que tem um ponto positivo do acordo, é o reconhecimento das indicações geográficas brasileiras, como por exemplo a indicação geográfica da Canastra, que não tínhamos. Ela não era reconhecida pela Europa e que o acordo fora reconhecido, ela e outra indicações geográficas brasileiras, então isso é um ganho significativo para o Brasil. O segundo é, sim, um ponto de atenção, mas a gente tem que lembrar que esse volume, quando a gente olha para o volume total que pode vir, que ficou da cota para os lácteos, ele é um volume que vai ser fracionado ao longo dos anos. E, dentro desse contexto, a gente tem as medidas de proteção comercial, assim como a Europa tem a questão da salvaguarda, nós também temos. O que a CNA tem proposto para o governo e para o mercado, para além do contrato futuro, para mitigar a crise que a pecuária leiteira vem enfrentando? João Paulo Franco: Enquanto CNA, nós estamos extremamente atentos a esse ponto, tanto é que a gente pode usar a questão da investigação do antidumping que está acontecendo com relação ao leite da Argentina e do Uruguai para o Brasil. Nós estamos sempre atentos a essas questões, e olhamos o nosso objetivo que é trazer uma ferramenta que dê previsibilidade para o produtor, que o produtor possa garantir o seu custo operacional e possa ter previsibilidade de quanto ele vai receber, o quanto ele pode investir. Mas também nós estamos atentos às questões comerciais, às barreiras tarifárias. Se tiver um aumento significativo fora do comum, a gente aciona as medidas de salvaguarda e tende a barrar essa importação.
Scot Consultoria
INTERNACIONAL
Câmara aprova acordo de livre comércio entre Mercosul e o bloco europeu EFTA
Produtos agrícolas como laticínios, chocolates e fórmulas para alimentação infantil foram incluídos sob a forma de quotas tarifárias.
A Câmara dos Deputados aprovou o acordo de livre comércio assinado entre os países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) e da Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça. O texto consta do Projeto de Decreto Legislativo 570/26, que foi aprovado em Plenário nesta terça-feira (9) e segue para votação no Senado. Para o relator, deputado David Soares (Pode-SP), o acordo é um passo relevante na estratégia de abertura internacional do Brasil e do bloco sul-americano, do qual participam também a Argentina, o Paraguai e o Uruguai. “A conclusão das negociações expande a rede de pactos comerciais do Mercosul com nações desenvolvidas, reforça sua posição no cenário global e consolida as relações econômicas euro-atlânticas”, disse. Soares destacou que a EFTA é um “mercado sofisticado”, ideal para produtos brasileiros de maior valor agregado. Em 2025, o comércio entre o Brasil e os países da EFTA totalizou 7,76 bilhões de dólares, segundo dados divulgados pelo governo brasileiro. David Soares ressaltou que o acordo ganha ainda mais relevância após o pacto com a União Europeia, demonstrando a capacidade negociadora do Mercosul. “A aproximação com a EFTA é estratégica, pois seus países têm elevado desenvolvimento, estabilidade institucional, forte capacidade de investimento e demanda por produtos agroindustriais e industriais de qualidade, ampliando oportunidades para exportadores brasileiros”, afirmou. A EFTA é uma organização comercial e de livre comércio criada em 1960. Juntos, os quatro países do grupo possuem uma população de 15 milhões de pessoas e um PIB de 1,4 trilhão de dólares, sendo um dos maiores PIBs per capita do mundo. Assinado no Rio de Janeiro em setembro de 2025, o acordo é dividido em 16 capítulos e abrange comércio de bens, defesa comercial, salvaguardas, barreiras técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias, serviços, investimentos, propriedade intelectual, compras governamentais, concorrência, desenvolvimento sustentável, solução de controvérsias e disposições institucionais. Em relação ao comércio de bens, está prevista isenção de tarifas para aproximadamente 97% das transações do Brasil com a EFTA e redução gradual das tarifas para cerca de 1,2%. Produtos agrícolas como laticínios, chocolates e fórmulas para alimentação infantil foram incluídos sob a forma de quotas tarifárias. Do lado da EFTA, os países eliminarão 100% das tarifas de importação nos setores industriais e pesqueiro já na entrada em vigor do acordo. Considerando os setores agrícola e industrial, o acesso em livre comércio de produtos brasileiros chegará a quase 99% do valor exportado. O Brasil ainda poderá se beneficiar de quotas agrícolas oferecidas por Suíça, Liechtenstein e Noruega para produtos como carne bovina, carne de aves, milho, farinha de milho, mel e óleos vegetais, entre outros.
AGÊNCIA CÂMARA DE NOTÍCIAS
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em baixa de 0,76%, a R$5,0610 na venda
O dólar fechou a sexta-feira em queda no Brasil e novamente abaixo dos R$5,10, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, em meio à esperança de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã.
No Brasil, destaque para os novos dados de inflação divulgados pela manhã, que mantiveram a incerteza sobre se o Banco Central voltará ou não a cortar juros na próxima semana. O dólar à vista fechou o dia com baixa de 0,76%, aos R$5,0610. Na semana, a divisa acumulou baixa de 1,83% e, no ano, queda de 7,80% ante o real. Às 17h07, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,83% na B3, aos R$5,0825.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras, mas assegura 1º ganho semanal desde abril
O Ibovespa fechou com um declínio modesto na sexta-feira, ditado principalmente pela queda das ações da Petrobras, mas assegurou a primeira alta semanal desde abril.
A última sessão da semana não teve uma direção única, com investidores atentos ao noticiário geopolítico e à estreia das ações da SpaceX após o maior IPO da história, mas também repercutindo dados de inflação no Brasil. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com decréscimo de 0,21%, a 171.133,73 pontos, de acordo com dados preliminares, após oscilar entre a mínima de 169.992,77 pontos e a máxima de 172.544,54 pontos. O volume financeiro no pregão somava R$21,95 bilhões antes dos ajustes finais. Na semana, o Ibovespa acumulou uma alta de 1,25%, conforme os dados preliminares, encerrando uma série de oito perdas semanais, a maior sequência na série histórica, conforme dados da LSEG.
REUTERS
Alimentos pressionam IPCA em maio e taxa em 12 meses vai acima do teto da meta
A inflação no Brasil desacelerou um pouco menos do que o esperado em maio sob pressão dos alimentos, mas a taxa em 12 meses ficou bem acima da expectativa a poucos dias de nova reunião de política monetária do Banco Central.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,58% em maio, depois de subir 0,67% em abril, contra expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,53%. Os dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram ainda que a taxa acumulada em 12 meses alcançou 4,72% em maio, de 4,39% em abril e contra expectativa de 4,66%. Assim, a inflação em 12 meses volta a superar o teto da meta pela primeira vez desde outubro de 2025 (4,68%). A meta contínua para a inflação é de 3,0%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O Banco Central se reúne na próxima semana depois de ter reduzido a Selic a 14,5% em abril e pregado cautela para os próximos passos diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio. Além dos choques dos preços do petróleo, questões climáticas ainda estão no radar para a inflação. O grupo alimentos e bebidas respondeu pela metade do resultado do IPCA de maio, com alta de 1,33%, segundo o IBGE. A alimentação no domicílio subiu 1,65% no mês, com influência dos avanços da batata-inglesa (44,69%), do tomate (20,62%), da cebola (16,80%), e das carnes (1,39%). “A alta de alimentos se deu por conta da menor oferta de produtos e pelo frete, que mesmo com o combustível mais barato continuou subindo em maio”, disse o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves. Já o grupo habitação teve alta de 1,22% com os custos da energia elétrica residencial subindo 3,67% e marcando o principal impacto individual no índice. Em maio, as contas de energia tiveram a bandeira tarifária amarela, com custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos. Também se destacou a alta de 0,90% em saúde e cuidados pessoais, sob peso dos artigos de higiene pessoal (1,95%) e do plano de saúde (0,50%). Por outro lado, os transportes apresentaram queda de 0,46% em maio com recuo de 1,95% nos preços dos combustíveis. Os custos do etanol caíram 6,20%, os do óleo diesel recuaram 2,34% e a gasolina teve queda de 1,46%. Em meio aos impactos do fechamento do Estreito de Ormuz sobre o petróleo, o governo anunciou em meados de maio medida provisória com novas ações para reduzir a pressão do conflito sobre os combustíveis no Brasil. A Petrobras anunciou no fim de maio aumento do preço da gasolina vendida a distribuidoras em R$0,48 por litro, o que será aliviado com a oferta de um desconto de R$0,44 por litro por conta da subvenção econômica instituída pelo governo federal. A inflação de serviços, por sua vez, acelerou a alta a 0,40% em maio, de avanço de 0,04% em abril, chegando a 5,97% em 12 meses. A passagem aérea passou de uma queda de 14,45 para alta de 3,20%. O índice de difusão, que mostra o espalhamento das variações de preços, repetiu em maio a taxa de 65% do mês anterior. A mais recente pesquisa Focus do BC mostra que a projeção para o IPCA é de alta de 5,11% em 2026, indo a 4,03% em 2027. A Selic no final deste ano foi calculada em 13,50%.
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