Informativo Sindileite 152 11.06.2026

Ano 1 | nº 152 | 11 de junho de 2026

NOTÍCIAS

Girolando lança novos sumários de touros e vacas na Megaleite

Os documentos reúnem avaliações genéticas e genômicas da raça, que, segundo a entidade, responde por cerca de 80% do leite produzido no Brasil.

A Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, em parceria com a Embrapa Gado de Leite, lançou neste domingo (8), durante a Megaleite, o 28º Sumário de Touros Girolando e o 12º Sumário de Vacas Girolando. Os documentos reúnem avaliações genéticas e genômicas da raça, que, segundo a entidade, responde por cerca de 80% do leite produzido no Brasil. A edição deste ano passa a classificar os animais pelo Índice de Performance do Girolando (IPG). O IPG consolida em uma única nota informações de produção, conformação funcional, sistema mamário e longevidade, com ponderação baseada na importância econômica de cada característica. Na prática, o índice busca facilitar a identificação de animais mais equilibrados para uso em reprodução e seleção do rebanho. No caso dos touros, o sumário orienta a escolha de sêmen para acasalamentos dirigidos com base em PTAs genéticas e genômicas. Entre os critérios considerados estão qualidade de úbere, aprumos, fertilidade e tolerância ao calor. Já o sumário de vacas permite identificar matrizes com maior valor genético ou genômico, ampliando o uso desses animais como doadoras de embriões e mães de futuros reprodutores. Segundo as informações apresentadas no evento, o Programa de Melhoramento Genético da Raça Girolando (PMGG), elevou a venda de sêmen dos touros da raça de 90 mil doses, em 2010, para mais de 1 milhão de doses em 2026. O avanço reflete a adoção de reprodutores provados e, mais recentemente, da genômica, tecnologia que permite estimar com maior antecedência o potencial produtivo dos animais. A associação e a Embrapa apontam que o uso dessas ferramentas pode acelerar o ganho genético do rebanho, com reflexos sobre eficiência produtiva, longevidade das vacas e racionalização do manejo. O material também serve de apoio para decisões em biotecnologias reprodutivas, como a fertilização in vitro (FIV), e para a definição de estratégias de reposição e multiplicação de animais superiores. O lançamento na Megaleite reforça o papel do evento como vitrine de tecnologia para a pecuária leiteira. Com a atualização dos sumários e a adoção do IPG, produtores passam a contar com um novo parâmetro técnico para decisões de seleção, reprodução e investimento genético. A associação informou que os documentos estão disponíveis para consulta, mas não detalhou, no material enviado, indicadores adicionais de produtividade média ou recorte regional dos resultados desta edição.

CANAL RURAL

Liderar uma indústria de laticínios já é desafiador. Liderar uma marca referência em parmesão exige algo ainda maior

Liderança industrial vai além dos indicadores: envolve presença na operação, desenvolvimento de pessoas e compromisso diário com a excelência.

A indústria de laticínios é um ambiente onde eficiência, qualidade, pessoas e estratégia precisam caminhar juntas todos os dias. Liderar uma operação desse porte já exige preparo técnico, equilíbrio emocional e capacidade de tomada de decisão sob pressão. Mas existe um nível ainda maior de responsabilidade: liderar uma unidade que carrega uma marca consolidada, um produto líder de mercado e uma história construída ao longo de décadas. Nesse momento, a liderança deixa de ser apenas operacional. Ela passa a ser também institucional, cultural e estratégica. Quando você assume a liderança de uma operação que representa uma marca reconhecida no mercado, você não está gerenciando apenas produção, indicadores ou projetos. Você está gerenciando a reputação. Cada decisão tomada dentro da fábrica pode impactar diretamente a percepção do consumidor, a confiança do mercado e o orgulho das pessoas que fazem parte daquela operação. E então surge uma reflexão que todo líder, em algum momento, precisa fazer: Como você se sente ao liderar algo que milhares de pessoas consomem, confiam e reconhecem? A resposta dificilmente está no cargo. A resposta está na responsabilidade. Responsabilidade com a qualidade. Responsabilidade com as pessoas. Responsabilidade com a história construída. Responsabilidade com o futuro da operação. Quando se lidera uma marca forte, não se administra apenas uma fábrica. Administra-se um legado. Pessoas continuam sendo o centro, mesmo em um ambiente cada vez mais automatizado, grandes resultados continuam nascendo das pessoas. Equipamentos evoluem. Sistemas se modernizam. Processos se tornam mais robustos. Mas cultura, engajamento, disciplina e senso de dono continuam dependendo da liderança. Os melhores resultados que vivi na indústria nunca começaram em máquinas. Começaram em pessoas alinhadas com propósito, comprometidas com a operação e conscientes do impacto que geram diariamente. Porque operações fortes não são construídas apenas por ativos industriais. São construídas por equipes fortes. Quando um produto ocupa posição de liderança no mercado, o consumidor deixa de esperar apenas qualidade. O consumidor espera consistência. Consistência no sabor. Consistência no padrão. Consistência na entrega. Consistência na experiência. E manter essa consistência dentro de uma operação industrial exige disciplina diária, gestão próxima, tomada de decisão baseada em dados e desenvolvimento constante das pessoas. Excelência operacional não nasce de momentos extraordinários. Ela nasce da repetição disciplinada de processos bem executados. Liderar também é proteger o futuro. Uma parte importante da liderança industrial não está apenas em resolver problemas. Está em antecipá-los. Investir em pessoas antes da necessidade. Planejar expansão antes do gargalo. Tratar obsolescência antes da falha. Desenvolver líderes antes da sucessão. Nem sempre essas decisões aparecem nos relatórios do mês. Mas são elas que constroem empresas fortes no longo prazo. Liderar uma indústria de laticínios já exige energia, visão e resiliência. Mas liderar uma operação que carrega uma marca forte e um produto líder exige algo ainda maior. Exige consciência de que cada decisão tomada hoje contribui para preservar uma história construída ao longo de muitos anos. No final, não se trata apenas de fabricar produtos. Trata-se de liderar pessoas, sustentar reputações e honrar a confiança que o mercado depositou na marca. Porque grandes marcas não são construídas apenas por produtos. São construídas, todos os dias, por pessoas que decidiram não aceitar a média.

MILKPOINT

INTERNACIONAL

Novo caso de bicheira do Novo Mundo acende alerta na indústria leiteira dos EUA

A confirmação de um segundo caso de New World Screwworm (NWS) em território norte-americano reforçou as preocupações da cadeia leiteira dos EUA, que já vinha se preparando para o retorno da praga após mais de seis décadas de erradicação.

O novo foco foi identificado em um bezerro de um mês de idade no condado de Zavala, Texas, a aproximadamente 9 quilômetros do primeiro caso confirmado dias antes. Embora as autoridades federais afirmem que a situação está sob controle e dentro da área já submetida a restrições de movimentação, o surgimento do segundo caso confirma que o desafio para a pecuária americana não será pontual. Para os produtores de leite, a preocupação vai muito além da ocorrência isolada da praga: trata-se de um problema que pode impactar diretamente o manejo de bezerras, os protocolos de biosseguridade, os custos operacionais e a movimentação de animais. O primeiro caso confirmado nos Estados Unidos ocorreu em um bezerro de três semanas de idade próximo à cidade de La Pryor, também no sul do Texas. A confirmação encerrou um período superior a seis décadas sem registros da praga em território americano. A bicheira-do-Novo-Mundo foi eliminada dos EUA nos anos 1960 por meio de um amplo programa de liberação de insetos estéreis, estratégia que empurrou a praga progressivamente para o sul, através do México e da América Central. Entretanto, nos últimos anos, os focos avançaram novamente em direção ao norte do México até finalmente cruzarem a fronteira americana. Segundo especialistas, o problema não deve ser confundido com outras moscas comuns encontradas nas propriedades rurais. A principal diferença é que a mosca da bicheira-do-Novo-Mundo não utiliza matéria orgânica em decomposição como substrato para suas larvas. As fêmeas depositam seus ovos diretamente em feridas abertas ou regiões vulneráveis dos animais vivos. Cada postura pode conter entre 200 e 300 ovos. Em apenas 12 a 24 horas, os ovos eclodem e as larvas começam a penetrar nos tecidos vivos, alimentando-se da carne do animal. À medida que crescem, aprofundam a lesão, provocando inflamação severa, dor intensa, infecções secundárias e agravamento rápido do quadro clínico. Médicos veterinários destacam que os animais infestados frequentemente apresentam desconforto evidente, abscessos, secreções com odor forte e lesões que aumentam rapidamente de tamanho. Casos não tratados podem evoluir para infecções generalizadas e até morte do animal. Para a indústria leiteira, um dos pontos mais preocupantes é que os animais jovens figuram entre os mais vulneráveis à infestação. O primeiro caso americano foi justamente registrado em um bezerro recém-nascido. Especialistas explicam que o umbigo ainda em cicatrização oferece um local ideal para a deposição de ovos pelas moscas. Por isso, protocolos rigorosos de cura de umbigo ganham ainda mais importância. O desafio é que nas primeiras 24 a 48 horas as larvas podem ser difíceis de identificar visualmente. Quando os sinais ficam evidentes, a infestação normalmente já está em estágio mais avançado. As autoridades e representantes da indústria fizeram questão de reforçar um ponto considerado fundamental para evitar interpretações equivocadas. A bicheira-do-Novo-Mundo não é uma doença contagiosa entre animais. A infestação só ocorre quando a mosca deposita ovos em uma ferida. Também não há transmissão por carne, leite ou outros alimentos de origem animal. A National Milk Producers Federation (NMPF), principal entidade do setor leiteiro americano, destacou que o retorno da praga representa um desafio sanitário relevante, mas não altera a segurança dos produtos lácteos consumidos pela população.

DAIRY HERD MANAGEMENT/MILKPOINT 

GOVERNO

Brasil formaliza abertura de 13 mercados para produtos agropecuários

Medida envolve itens como material genético bovino, sementes, castanha de caju, couro bovino e ovos férteis, após conclusão de protocolos sanitários

O Brasil formalizou na terça-feira (9) a abertura de 13 novos mercados para produtos agropecuários, segundo nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE). As habilitações foram concluídas após a definição de protocolos sanitários com os países compradores. No acumulado de 2026, o país soma 114 aberturas de mercado para itens do agronegócio. De acordo com os ministérios, a Argentina abriu seu mercado para sêmen de pacu-caranha do Brasil, enquanto a Bolívia autorizou a entrada de couro bovino salgado. El Salvador passou a permitir a importação de material genético bovino brasileiro. Na América Latina e no Caribe, Equador e República Dominicana liberaram o milho pipoca brasileiro. A Guiana aprovou sementes de coco, Honduras autorizou material genético bovino e mudas de cana-de-açúcar, a Nicarágua abriu mercado para sementes de pimenta habanero, o Paraguai para sementes de mamona e a Venezuela para sementes de maracujá. Na África, a Etiópia habilitou a importação de farinhas e gorduras de pescado, de ruminantes e de outros animais, além de hemoderivados para alimentação animal. A Nigéria autorizou ovos férteis. Já a União Econômica Euroasiática, bloco formado por Rússia, Belarus, Casaquistão, Quirguistão e Armênia, aprovou a exportação de castanha de caju brasileira. Segundo a nota oficial, as aberturas foram formalizadas após a conclusão dos requisitos sanitários entre o Brasil e os destinos envolvidos. Esse tipo de autorização é uma etapa necessária para viabilizar embarques regulares e ampliar o portfólio exportador por produto e por país. Os ministérios não detalharam, na nota divulgada nesta terça-feira (9), estimativas de volume, faturamento ou prazo para início efetivo dos embarques em cada mercado. Do ponto de vista técnico, a ampliação de destinos pode diversificar a inserção internacional de segmentos específicos do agro brasileiro. O efeito comercial sobre receita e fluxo de exportações, porém, dependerá da habilitação operacional de empresas, da demanda em cada país e da execução dos embarques, informações ainda não detalhadas pelas fontes oficiais.

MAPA

ECONOMIA

Dólar fecha perto da estabilidade ante real com exterior no radar

O dólar encerrou a quarta-feira perto da estabilidade ante o real, em uma sessão sem gatilhos fortes para a moeda norte-americana, com investidores repercutindo dados de inflação nos Estados Unidos e o noticiário sobre a guerra no Oriente Médio.

O dólar à vista fechou o dia com variação negativa de 0,12%, aos R$5,1723. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,77% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho – atualmente o mais líquido no mercado brasileiro – cedia 0,15% na B3, aos R$5,1955. O câmbio no Brasil mostrou certa volatilidade até o início da tarde, com as cotações oscilando entre altas e baixas na esteira dos números de inflação nos EUA. O Ministério do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,2% nos 12 meses até maio, após avançar 3,8% em abril na base anual. Na margem, o indicador subiu 0,5% em maio, ante 0,6% em abril. Os resultados ficaram em linha com as altas de 4,2% em base anual e de 0,5% em base mensal projetadas pelos economistas consultados pela Reuters. O núcleo do índice subiu 2,9% em maio na base anual, ante 2,8% em abril, e teve alta de 0,2% em maio ante abril – abaixo da estimativa mensal de 0,3% e inferior ao aumento de 0,4% em abril. No exterior, a divisa dos EUA tinha sinais mistos ante as demais, em meio ao noticiário sobre a guerra. O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã demorou demais para negociar um acordo e que agora “terá que pagar o preço”, enquanto Teerã afirmou que reavaliará o engajamento diplomático com Washington após ataques recíprocos durante a madrugada. No Brasil, destaque ainda para a nova pesquisa Genial/Quaest mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pelo Planalto. Lula tem 44% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Flávio, ante 42% da pesquisa realizada em maio. Já o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro soma agora 38%, ante 41% no levantamento anterior. Na simulação de primeiro turno, Lula tem 39%, Flávio soma 29%, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 3% e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) atinge 2%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com aumento de tensão geopolítica

O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, quase perdendo o patamar de 168 mil pontos no pior momento, contaminado pela aversão a risco decorrente do aumento da tensão geopolítica, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar atacar o Irã “com muita força”. 

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,7%, a 168.619,26 pontos, renovando mínima desde janeiro. Na máxima do dia, marcou 169.812,46 pontos. No piso, registrou 168.070,99 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$26,1 bilhões. Trump afirmou na quarta-feira que os EUA atacarão o Irã “com muita força” se nenhum acordo de paz for alcançado. Washington, segundo o republicano, atua em resposta à derrubada de um helicóptero Apache pelo Irã no Estreito de Ormuz. “Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca, afirmando que os EUA devem atacar o Irã na quarta-feira. Declarações de Trump de que as Forças Armadas dos EUA escoltaram secretamente navios que transportavam mais de 100 milhões de barris de petróleo para fora do Estreito de Ormuz, porém, ajudaram a atenuar a alta dos preços do petróleo. O barril da commodity sob o contrato Brent fechou em alta de 1,8%, a US$93,10. Dados de inflação nos EUA também ocuparam as atenções. O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 4,2% nos 12 meses até maio, em linha com o esperado, mas ainda a maior alta desde abril de 2023. Na comparação mensal, os preços aumentaram 0,5%. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o núcleo do índice subiu 2,9% em maio em na base anual e 0,2% ante abril. De acordo com a economista Andressa Durão, do ASA, o dado de maio continua ilustrando o forte impacto da guerra na inflação cheia, enquanto a contaminação para os núcleos permanece contida. “Nossa visão para a política monetária do Fed (banco central dos EUA) permanece de taxa de juros parada ao longo do ano, com riscos cada vez mais inclinados para cima, diante dos riscos no radar e de uma inflação de serviços pressionada, mesmo sem efeitos da guerra”, afirmou. Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caiu 1,62%, pressionado ainda pelo setor de tecnologia. No Brasil, investidores também repercutiram nova pesquisa Genial/Quaest, que mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente do senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno da eleição presidencial de outubro. Estrategistas do Bank of America cortaram o Brasil para “marketweight” em seu portfólio de ações para América Latina, citando uma perspectiva mais desafiadora para as taxas de juros e expectativas mais fracas para os resultados corporativos. Mas, no relatório com data da véspera, também destacaram que a volatilidade relacionada às eleições está aumentando.

REUTERS

Brasil tem fluxo cambial positivo de US$2,588 bilhões em junho até dia 5, diz BC

O Brasil registrou fluxo cambial total positivo de US$2,588 bilhões em junho até dia 5, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central, em período correspondente à última semana.

Pelo canal financeiro, houve entradas líquidas de US$515 milhões em junho até dia 5. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de junho até dia 5 foi positivo em US$2,074 bilhões.

REUTERS

Comércio entre Brasil e EUA recua 14,3% no ano, com queda de exportações e importações, aponta Monitor da Amcham

Maio de 2026 registra o décimo mês consecutivo de queda das exportações para os EUA; cenário reforça importância de avanços nas negociações bilaterais em curso

O comércio entre Brasil e Estados Unidos segue em desaceleração em 2026, segundo a mais recente edição do Monitor do Comércio Brasil-EUA, elaborado pela Amcham Brasil. Nos cinco primeiros meses do ano, a corrente de comércio bilateral somou US$ 29,5 bilhões, queda de 14,3% em relação ao mesmo período de 2025, refletindo a retração simultânea das exportações e importações. As exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 14,0 bilhões entre janeiro e maio, recuo de 16% em relação ao mesmo período do ano passado e o menor valor para o período desde 2022. As importações brasileiras de produtos norte-americanos também registraram queda, de 12,6%, somando US$ 15,5 bilhões. Como resultado, o déficit brasileiro no comércio bilateral aumentou 43,3%, alcançando US$ 1,5 bilhão. Entre os principais fatores que explicam a retração das exportações estão as quedas nas vendas de petróleo bruto, café não torrado, semiacabados de ferro ou aço e celulose. Do lado das importações, destacam-se as reduções nas compras de motores e máquinas, aeronaves e partes, e óleos brutos de petróleo. Em maio, as exportações brasileiras para os Estados Unidos atingiram US$ 3,1 bilhões, queda de 14,0% em relação ao mesmo mês de 2025, marcando o décimo mês consecutivo de retração. As importações recuaram 11,0%, registrando o sexto mês seguido de queda. “O comércio bilateral continua operando abaixo do seu potencial. Os resultados no acumulado de 2026 reforçam a importância de avançar nas negociações em curso para evitar novas tarifas e criar condições para a retomada do comércio entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil. O levantamento mostra ainda que as vendas brasileiras para os Estados Unidos apresentaram desempenho significativamente inferior ao das exportações brasileiras para o mundo. Enquanto as exportações totais do Brasil cresceram 8,7% entre janeiro e maio, as vendas para o mercado norte-americano recuaram 16% no mesmo período. Os produtos sujeitos a sobretaxas adicionais registraram retração ainda mais intensa, de 22,6%. O cenário ocorre em meio aos relatórios divulgados no âmbito das investigações da Seção 301 conduzidas pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Caso sejam confirmadas as medidas propostas nesses relatórios, determinados produtos brasileiros poderão enfrentar tarifas adicionais de até 37,5%, reduzindo sua competitividade no mercado norte-americano em relação a concorrentes de outros países.

Amcham Brasil

Ministério indica que não conseguirá R$ 670 bilhões para o Plano Safra 2026/27

Exigibilidades bancárias não deverão ser alteradas para o novo ciclo agrícola. Valor do Plano Safra será maior que o da temporada 2025/26, de R$ 594 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores

O Ministério da Agricultura sinalizou aos integrantes da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) que não conseguirá alcançar os valores propostos pelo setor produtivo, de R$ 670 bilhões, para o Plano Safra 2026/27. Durante reunião com o ministro da Agricultura, André de Paula, os parlamentares ouviram que o valor será maior que o da temporada 2025/26, de R$ 594 bilhões para pequenos, médios e grandes produtores. Não foram adiantados números, mas técnicos da Pasta relataram que as exigibilidades bancárias não deverão ser alteradas para a safra 2026/27. Essa é uma demanda da FPA. Os R$ 670 bilhões foram sugeridos por entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Instituto Pensar Agropecuária (IPA). “O que ele [ministério] pôde adiantar do Plano Safra é que havia recebido uma devolutiva dos bancos quanto à demanda de equalização na última semana e que estavam trabalhando nesses números. E que [o valor total] ficará acima do que foi 2025/26, tentando chegar próximo do número apresentado pela CNA, pela OCB e pelo IPA. Que não vão chegar aos R$ 670 bilhões, acho improvável chegar nesse valor, mas vão tentar chegar próximo disso, acima do que foi essa última”, disse o deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), presidente da FPA, em coletiva de imprensa. O lançamento do Plano Safra 2026/27 está previsto para 1º de julho. As discussões seguem em Brasília e não há números fechados. Como há um debate intenso sobre a renegociação de dívidas rurais neste momento, o Tesouro Nacional ainda não teria apresentado o orçamento disponível para equalização de juros na próxima temporada. O Banco Central também não apresentou as estimativas de recursos que as instituições financeiras terão que aplicar de acordo com o direcionamento dos depósitos à vista (31,5%), poupança rural (70%) e Letras de Crédito do Agronegócio (60%). “Perguntamos quanto às exigibilidades e disseram querem manter mais ou menos o que foi na última safra”, completou Lupion. A FPA também alertou o ministro sobre a necessidade de encaminhar uma solução para as dívidas rurais e não deixar o assunto “contaminar” a discussão e a disponibilidade de recursos para o Plano Safra. A bancada tem defendido que o projeto de lei 5.122/2023, que trata da renegociação do passivo no campo, indicou fontes não fiscais, como o Fundo Social do Pré-Sal e outros fundos, que não fazem parte do funding atual do crédito rural. “Há uma contaminação total do assunto do Plano Safra. Não podemos misturar as coisas. Plano Safra é uma coisa, endividamento do produtor é outra. A gente precisa que o produtor tenha solucionado e saneado o endividamento para poder acessar o Plano Safra “, destacou Lupion. “São duas coisas diferentes e elas precisam ser calculadas separadamente, não existe misturar uma coisa com a outra e não adianta a gente ter um Plano Safra bom, se o produtor endividado sem garantia não conseguir acessar. Uma coisa não resolve a outra”, completou. Em nota, o Ministério da Agricultura disse que, no âmbito do Plano Safra, foram apresentadas “informações preliminares” durante a reunião do ministro com a FPA nesta terça-feira sobre as propostas em discussão, “com foco na ampliação do acesso ao crédito, na manutenção de condições adequadas de financiamento e no fortalecimento dos instrumentos de apoio à produção”.

GLOBO RURAL

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