Informativo Sindileite 151 10.06.2026

Ano 1 | nº 151 | 10 de junho de 2026

NOTÍCIAS

Sistema FAEP participa da construção do plano de ação contra a brucelose no Paraná

Entidade pede urgência na implantação de medidas a curto e médio prazos para a erradicação da doença

O controle e erradicação da brucelose precisam ser prioridades no Paraná. Essa foi a posição do Sistema FAEP, durante a reunião realizada no dia 2 de junho, com representantes das comissões técnicas de bovinocultura de corte e de leite da entidade, associações de produtores e órgãos reguladores e fiscalizadores em nível estadual e nacional. O grupo concordou em reativar imediatamente o comitê estadual sobre o tema, para pensar em estratégias efetivas de combate à doença. “Precisamos sair da inércia para erradicar, de vez, a brucelose. Entre outras medidas, precisamos manter uma campanha contínua de educação sanitária e de saúde pública. O Sistema FAEP dá todo o suporte para que a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná [Adapar] possa executar essa e outras medidas necessárias”, garante Ronei Volpi, consultor do Sistema FAEP e coordenador-geral da Aliança Láctea Sul Brasileira. A expectativa é a de que o grupo apresente um plano de ações concretas até o final deste mês. Atualmente, Santa Catarina é o único Estado livre da brucelose no país. A reunião contou com representantes da Superintendência de Agricultura e Pecuária (SFA/PR) do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul Paraná), Sindicato e Organizações das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite), Associação Paranaense de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (APCRH) e professores do departamento de Medicina Veterinária da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC PR) e Universidade Federal de Lavras (UFLA). De acordo com dados da Divisão de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose Bovina da Adapar, atualmente são 155,7 mil propriedades criadoras de bovinos no Estado. No entanto, somente 124 propriedades são certificadas como livres de brucelose e tuberculose. Ainda de acordo com as informações da agência, em 2025 foram identificados 102 focos e 266 casos de brucelose no Paraná. Já nos primeiros quatro meses de 2026, foram 45 focos identificados. O índice de vacinação de bezerras, em 2025, foi de 70,1% (abaixo da média nacional que é de 76,3%). Segundo o diretor-presidente da Adapar, Otamir Cesar Martins, o Estado já desenvolveu ações que o colocam o Paraná à frente dos demais Estados no combate à doença. “Inclusive, temos o laboratório da Tecpar desenvolvendo um antígeno para fornecer a todo o país. Porém, seguimos preocupados, em especial com o gado de corte, pelas fronteiras que voltaram a abrir a animais de outras unidades federativas. As mais críticas são Mato Grosso e Mato Grosso do Sul”, afirma. “Precisamos modernizar e desburocratizar esse processo”, completa. A meta para 2026, no Estado, é de que pelo menos 80% dos animais sejam vacinados. Inclusive, o Paraná foi o primeiro Estado do país a impor a obrigatoriedade da vacina.

FAEP

Queijo ralado se torna um dos mercados mais disputados da cadeia láctea

O mercado brasileiro de queijo ralado movimenta cerca de 25 mil toneladas por ano e se consolidou como um dos segmentos mais competitivos da indústria de lácteos. No entanto, por trás dos volumes expressivos e da forte presença nas gôndolas, o setor convive com desafios relacionados à rentabilidade, à percepção de valor pelo consumidor e à crescente busca por diferenciação.

Segundo Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, o queijo ralado se tornou um dos mercados mais disputados dentro da cadeia láctea brasileira, reunindo desde grandes marcas nacionais até empresas regionais que competem por espaço no varejo. “É um mercado extremamente disputado. Os volumes são significativos, praticamente todo mundo consome queijo ralado. Existem os líderes nacionais, mas também muitas marcas regionais atuando nesse segmento”, afirma. Apesar da demanda, o setor enfrenta uma situação considerada contraditória do ponto de vista econômico. Diferentemente do que muitos consumidores imaginam, o queijo ralado passa por um processo industrial que agrega custos e reduz o rendimento da matéria-prima. Ainda assim, frequentemente é comercializado por valores inferiores aos do queijo vendido em pedaços. Sartor explica que existe uma percepção equivocada em relação ao produto. “O consumidor costuma acreditar que o queijo ralado deveria custar menos do que uma fração de queijo. Mas a realidade é justamente o contrário”, diz. Segundo o executivo, para produzir o queijo ralado tradicional, o laticínio utiliza um queijo já pronto, que passa por um processo de desidratação para aumentar sua vida útil e permitir a comercialização em temperatura ambiente. “O queijo ralado nada mais é do que um queijo que foi ralado e desidratado. Quando retiramos a umidade, ocorre uma perda de aproximadamente 15% da massa original. Ou seja, você pega 100 gramas de queijo e transforma em cerca de 85 gramas antes de embalar o produto”, explica. Na prática, isso significa que há menos produto disponível para venda após o processamento, além dos custos industriais envolvidos na transformação e embalagem. Mesmo assim, a intensa concorrência entre as empresas acabou pressionando os preços para baixo ao longo dos anos. “Houve uma competitividade muito grande dentro desse mercado e isso acabou puxando o preço do queijo ralado para níveis inferiores ao que seria esperado pelo processo produtivo”, afirma Sartor. A disputa por participação de mercado também levou as empresas a buscarem novas estratégias para agregar valor ao produto. Nos últimos anos, alguns laticínios passaram a investir em versões premium, refrigeradas e sem desidratação, tentando reproduzir a experiência de consumir um queijo recém-ralado. A própria RAR apostou nesse conceito ao lançar um queijo ralado fresco, que preserva características sensoriais mais próximas do produto consumido diretamente de uma peça de queijo. “As características são as mesmas de quando você pega uma fração de queijo e rala na hora sobre o prato. O produto mantém mais sabor, mais frescor e entrega uma experiência diferenciada ao consumidor”, afirma. O desafio, porém, está na mudança de hábito do consumidor. Como o produto precisa permanecer refrigerado, ele deixa de ocupar o espaço tradicional dos queijos ralados convencionais nas áreas secas dos supermercados. O consumidor está acostumado a procurar queijo ralado na prateleira e não na geladeira. O segmento também se beneficia da ampla distribuição nacional. Como praticamente todos os grandes laticínios atuam nessa categoria, o queijo ralado se tornou um produto fundamental para aproveitar estruturas logísticas, canais comerciais e espaços já conquistados no varejo. Para Sartor, a tendência é que o setor continue dividido entre produtos de grande volume e opções voltadas a consumidores que valorizam atributos específicos. “O mercado continuará tendo espaço para produtos de massa, mas também para aqueles consumidores que buscam qualidade, sabor e uma experiência diferenciada. É nesse segmento que nós acreditamos e continuamos investindo”, apontou.

CNN/MILKPOINT

EMPRESAS

Cooperativa Piá, em liquidação, vende marca de lácteos para a Tirol

A conclusão definitiva da operação depende do cumprimento de algumas condições. A Piá ainda terá os direitos de uso da marca para produtos não-lácteos e continuará produzindo na unidade de Nova Petrópolis (RS)

A cooperativa gaúcha Piá, que está em liquidação desde março, aprovou na noite desta segunda-feira (8/6) a venda da marca Piá e suas submarcas, para uso em produtos lácteos, à empresa catarinense Tirol. Pelo pré-acordo, que recebeu aval dos cooperados em assembleia, a Piá ainda terá os direitos de uso da marca para produtos não-lácteos e continuará produzindo na unidade de Nova Petrópolis (RS). Por meio de sua assessoria de imprensa, a cooperativa informou também que continuará produzindo produtos lácteos para a Tirol, com a marca Piá, na planta de Nova Petrópolis, que também poderá ser utilizada para a produção de itens para terceiros. A conclusão definitiva da operação depende do cumprimento de algumas condições, segundo comunicado da cooperativa. “A ação busca fortalecer os negócios da cooperativa e garantir a continuidade da produção, já que o pré-acordo permite a utilização da planta industrial de lácteos para terceiros ou, ainda, o desenvolvimento de uma nova marca e a industrialização de produtos próprios”, disse na nota o liquidante e ex-presidente da Cooperativa Piá, Jorge Dinnebier, destacando que não haverá venda de ativos. Em dificuldades financeiras, a Piá teve sua liquidação aprovada pelos cooperados em 26 de março. A medida, prevista em lei, tem efeito semelhante ao de uma recuperação extrajudicial de empresas privadas. Permite a suspensão de ações judiciais, dando fôlego à cooperativa para buscar melhores condições de renegociação de dívidas enquanto mantém as operações em funcionamento. Com a liquidação aprovada, o conselho de administração da Piá foi dissolvido, dando lugar a um Conselho Fiscal, que trabalha em conjunto com o liquidante, que presta contas aos associados a cada dois meses. A Piá tem entre 35% e 40% das dívidas com o Banrisul, Sicredi e com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Outros 20% são taxas e impostos e o restante com demais credores. A cooperativa tem cerca de 20 mil associados e uma planta com capacidade para processar até um milhão de litros por dia. A Tirol, fundada em 1974 em Treze Tílias (SC), conta com três unidades produtivas: uma no município sede, outra em Pinhalzinho (SC), inaugurada em 2016, e uma terceira em Ipiranga (PR), que começou a operar em 2021. A empresa também possui 21 pontos de captação de leite e conta com duas unidades terceirizadas. No portfólio, tem mais de 150 produtos de diversas marcas além de Tirol, como Cremor, Frutirol, Showkinho, Tirol Kids, Paulista, Fibrallis e BioCiclos.

VALOR ECONÔMICO

Catupiry anuncia compra das operações da Leprino Foods no Brasil

Operação da empresa, com sede brasileira em Tapejara (PR), tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva e fortalecer o portfólio, além de expandir a presença da empresa no segmento de food servisse

A Catupiry anunciou na terça-feira (9/6) a aquisição das operações da americana Leprino Foods no Brasil. O valor da transação não foi divulgado, e a conclusão do negócio ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Segundo a empresa, a operação tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva e fortalecer o portfólio, que já reúne mais de 130 produtos, além de expandir a presença no segmento de food service, onde atua com a marca Catupiry Profissional. A diretora executiva da Catupiry, Andrea Areal, afirmou em nota que a aquisição marca um passo estratégico ao combinar a tradição da companhia com a expertise global da Leprino na produção de muçarela. De acordo com ela, o movimento deve ampliar a capacidade industrial e apoiar a expansão do portfólio. A empresa destacou ainda que a incorporação da nova planta industrial permitirá maior controle sobre a cadeia produtiva, da captação de leite ao produto, além de ganhos de eficiência e agilidade no atendimento ao mercado. A Leprino Foods, de origem americana, é conhecida como Lactojara Laticínios no Brasil e líder global na produção de queijos e ingredientes lácteos, com destaque para a muçarela. A empresa, com sede brasileira em Tapejara (PR), também é uma das principais fabricantes globais de ingredientes lácteos de valor agregado, incluindo lactose, proteína do soro do leite (whey protein), caseína micelar e soro de leite doce.

GLOBO RURAL

INTERNACIONAL

Exportações de lácteos do Uruguai cresceram 29% em maio com Brasil como principal destino

Após um início fraco no primeiro quadrimestre, as exportações de produtos lácteos do Uruguai ganharam dinamismo e totalizaram US$ 85 milhões em maio, o que representou um crescimento interanual de 29%.

Após um início fraco no primeiro quadrimestre, as exportações de produtos lácteos do Uruguai ganharam dinamismo e totalizaram US$ 85 milhões em maio, o que representou um crescimento interanual de 29%, informou a Uruguay XXI. O setor manteve ampla presença geográfica, com vendas para a África, Américas, Oriente Médio e Europa. Em particular, a África respondeu por 43% do total exportado de produtos lácteos e registrou um aumento interanual de 26%, consolidando-se como uma região-chave para o setor. No nível dos países, o Brasil manteve-se como o principal destino, com US$ 31 milhões e uma participação de 36%, após crescer 50% em relação a maio de 2025. A Argélia ficou em segundo lugar, com US$ 28 milhões e uma participação de 33%, além de um crescimento interanual de 12%. Juntos, esses dois destinos representaram quase 70% das vendas externas do setor no mês. Também se destacaram Nigéria, Arábia Saudita e Mauritânia, com embarques de US$ 3 milhões cada um e participações de 4%, 4% e 3%, respectivamente. No acumulado de janeiro a maio, as exportações de lácteos totalizam US$ 346 milhões e crescem 1% em comparação com o mesmo período do ano passado. A Argélia ocupa a primeira posição no ranking (32%), com compras de US$ 110 milhões (-2%), seguida de perto pelo Brasil (30%), com US$ 104 milhões (estável). Completa o pódio o México (4%), com compras de US$ 14 milhões (+43%). Depois de ter atingido um piso de US$ 3.550 por tonelada em abril para o valor médio de exportação, em maio houve uma recuperação, alcançando um preço médio de US$ 3.710 por tonelada. O valor médio da tonelada de leite em pó integral, principal produto de exportação. O Brasil pagou um valor de US$ 3.830 por tonelada, bastante acima do valor pago pela Argélia (US$ 3.590 por tonelada), embora tenha sido semelhante ao pago pela Nigéria e pela Mauritânia (US$ 3.850 e US$ 3.870 por tonelada, respectivamente). Como quinto mercado em maio também apareceu a Venezuela, com a compra de cerca de 550 toneladas a um valor médio de US$ 3.800 por tonelada, segundo dados da Aduana.

Tardáguila Agromercados

GOVERNO

‘Brasil tem que assumir responsabilidade’, diz porta-voz da UE sobre controle de antimicrobianos

Exigência ao governo brasileiro, para apresentar as garantias, está em discussão há pelo menos três ou quatro anos. União Europeia manteve o Brasil de fora da lista de países exportadores de produtos de origem animal

O Brasil tem capacidade de atender as exigências sanitárias da União Europeia. Precisa assumir sua responsabilidade e mostrar. Foi o que disse o porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, Olof Gill, nesta terça-feira (9/6), informou reportagem do jornal O Globo. “O país tem capacidade industrial, conhecimento e poder econômico para atender nossos padrões. É uma questão simples de o Brasil assumir suas responsabilidades e mostrar isso à UE. Então teremos um lindo acordo comercial com uma grande cota para a carne brasileira”, disse ao jornal. Na semana passada, a União Europeia atualizou seu regulamento sobre o uso de antimicrobianos na produção animal e manteve o Brasil fora da lista de países exportadores de produtos de origem animal. A medida começa a valer em 3 de setembro. A alegação dos europeus foi a de que o Brasil não concedeu as informações necessárias sobre como monitora o uso desse tipo de medicamento nos planteis de criação. A decisão vale para carnes, pescado e mel. A O Globo, Olof Gill disse que a exigência ao governo brasileiro, para apresentar as garantias, está em discussão há pelo menos três ou quatro anos. Os demais integrantes do Mercosul permaneceram na lista de exportadores para o bloco. O porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio disse que a situação não deve atrapalhar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O tratado recebeu aprovação da maioria dos países do bloco, mas tem que passar pelo Parlamento. Antes de darem o voto final, os deputados pediram uma avaliação dos termos do acordo pelo Tribunal de Justiça da União Europeia. “Estou 100% confiante de que o acordo tem base legal para ser endossado pela Corte”, afirmou Gill, a O Globo, em Bruxelas, Bélgica, onde fica a sede da União Europeia. Ele não estimou quanto tempo o tribunal deve levar para avaliar o acordo regional. E avaliou que a campanha contrária à assinatura foi política e partiu de “alguns setores da sociedade”. “Na nossa avaliação, (a objeção ao acordo) não foi baseada em fatos. Os membros do Parlamento verão que o acordo traz benefícios e que seus temores não têm fundamento”, pontuou.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar zera perdas da manhã e fecha sessão estável no Brasil

Após subir nas três sessões anteriores, o dólar operou em baixa ante o real durante boa parte da manhã da terça-feira, mas ganhou força à tarde e encerrou a sessão próximo da estabilidade, ainda que no exterior a moeda norte-americana cedesse ante outras divisas

A guerra no Oriente Médio seguiu no foco dos investidores, e declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, pressionaram as cotações durante a tarde. O dólar à vista fechou o dia com variação negativa de 0,05%, aos R$5,1785. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,66% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para julho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — caía 0,36% na B3, aos R$5,2050. Na segunda-feira, o dólar fechou na maior cotação desde o fim de março, no primeiro mês da guerra no Oriente Médio. Na manhã desta terça-feira, no entanto, a moeda norte-americana sustentou baixas ante boa parte das demais divisas, incluindo o real, o peso chileno e o peso mexicano. O relativo otimismo dos mercados foi em grande parte puxado pela busca global por papéis do setor de tecnologia, que mais cedo impulsionavam as bolsas no exterior. Mas assim como o ímpeto das ações de tecnologia diminuiu, o dólar também recuperou o fôlego entre o fim da manhã e o início da tarde no Brasil. No início da tarde, Trump afirmou nas redes sociais que o Irã derrubou um helicóptero Apache norte-americano que patrulhava o Estreito de Ormuz durante a madrugada. Sem dar mais detalhes, ele prometeu retaliar. Neste cenário, após marcar a cotação mínima de R$5,1501 (-0,60%) às 9h40, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1946 (+0,26%) às 13h41, logo após as declarações de Trump. Posteriormente, a moeda voltou para perto da estabilidade no Brasil, em um dia de agenda esvaziada. Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,08%, a 99,958.

REUTERS

Ibovespa tem dia de correção com apoio de blue chips e volta a se aproximar dos 170 mil pontos

Reavaliação do rali de IA nos EUA pode ter funcionado como gatilho extra para valorização do índice, ao desviar as atenções do mercado americano e atrair recursos de investidores estrangeiros para cá

Em meio ao recuo militar no Oriente Médio e ao avanço de blue chips, o Ibovespa obteve suporte para uma correção na terça-feira, após três pregões seguidos de perdas. A reavaliação do rali de inteligência artificial nos Estados Unidos também pode ter funcionado como um gatilho extra para a valorização do índice, ao desviar as atenções do mercado americano e atrair recursos de investidores estrangeiros para cá. Após variar entre os 168.406 pontos e os 170.601 pontos, o Ibovespa terminou em alta de 0,68%, aos 169.813 pontos. Entre as blue chips, a maior valorização ficou para os papéis PN do Itaú, que subiram 1,82%, ampliando os ganhos na reta final do pregão. O dia também foi de alta para as ON da Vale, que avançaram 0,55%. Já as ações da Petrobras passaram a maior parte do pregão no negativo, mas viraram nos minutos finais do pregão, encerrando mistas: as PN recuaram 0,12%, ao passo que as ON subiram 0,17%, o que pode indicar que houve compra do papel por parte de investidores estrangeiros. O movimento nas ações da Petrobras ocorreu a despeito da queda nos preços de petróleo, impulsionada pela trégua entre Irã e Israel e por novas declarações do presidente americano, Donald Trump. Hoje, o mandatário dos EUA voltou a repetir que as negociações para um acordo com o Irã estão em “fase final”, mas acrescentou que um entendimento poderá ser alcançado em dois ou três dias. Embora o dia tenha sido de alívio para o Ibovespa, a perspectiva para o índice permanece negativa no curto prazo, na visão do analista do Daycoval Corretora Gabriel Mollo. Segundo ele, há apenas dois gatilhos para a bolsa local nos próximos meses: o término da guerra com uma rápida normalização da cadeia produtiva de petróleo, o que ele vê como pouco provável; e a retomada do trade eleitoral, com uma eventual chance de mudança para uma política econômica mais favorável ao mercado, o que estaria mais distante neste momento após a revelação da relação entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 18,6 bilhões e de R$ 25,1 bilhões na B3. O movimento registrado na bolsa local destoou da queda registrada pelo Nasdaq e pelo S&P, que encerraram com perdas de 0,97% e 0,26%, respectivamente. Já o Dow Jones terminou com leve alta de 0,17%.

VALOR ECONÔMICO

Balança comercial tem superávit de US$ 3,247 bilhões na 1ª semana de junho

A balança comercial brasileira registrou superávit comercial de US$ 3,247 bilhões na primeira semana de junho.

De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados na segunda-feira, 8, o valor foi alcançado com exportações de US$ 7,991 bilhões e importações de US$ 4,745 bilhões. Até a primeira semana de junho, comparado ao mesmo mês de 2025, as exportações cresceram 37,6%. O desempenho dos setores foi o seguinte: alta de 36,6% em Agropecuária, que somou US$ 1,884 bilhão; alta de 38,5% em Indústria Extrativa, indo a US$ 1,736 bilhões; e, por fim, expansão de 37,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 4,330 bilhões. Em relação às importações, houve avanço de 2,3% na mesma comparação. Houve alta de 8,0% em Agropecuária, que atingiu US$ 96,5 milhões; crescimento de 41,6% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 266,6 milhões; e, por fim, alta de 0,8% em Indústria de Transformação, para US$ 4,363 bilhões. Acumulado do ano De janeiro até a primeira semana de junho, a balança acumula superávit de US$ 35,909 bilhões, um crescimento de 38,2% em relação ao mesmo período de 2025. Naquela ocasião, houve saldo positivo de US$ 30,187 bilhões. A projeção do MDIC é de que o superávit da balança comercial seja de US$ 72,1 bilhões neste ano.

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