Camex aprova medidas antidumping contra leite em pó importado da Argentina e Uruguai
Aplicação dessas ações, que podem ser uma sobretaxa nos produtos estrangeiros, porém, não será imediata.
O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado pelo Brasil da Argentina e do Uruguai em reunião ordinária realizada nesta quinta-feira (28/5). A aplicação dessas ações, que podem ser uma sobretaxa nos produtos estrangeiros, porém, não será imediata. A área econômica do governo quer avaliar possíveis impactos dessa decisão na inflação de alimentos. O tema foi levado ao conhecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Consultado, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que coordena a discussão, não respondeu. A aplicação das medidas dependerá de nova avaliação do Gecex, ainda sem data determinada, relataram fontes a par do assunto. De acordo com as fontes, o parecer final da investigação iniciada no fim de 2024, apontou a ocorrência de dumping no leite importado dos vizinhos uruguaios e argentinos, e houve apoio unânime dos ministérios que compõem o colegiado pela adoção de medidas para proteger o setor produtivo brasileiro. A aplicação dessas ações foi adiada, no entanto, a pedido do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO). A Pasta comandada pelo ministro Bruno Moretti propôs a suspensão da aplicação imediata das medidas antidumping para apurar os possíveis impactos da decisão na inflação de alimentos do Brasil ao consumidor final. O eventual encarecimento da alimentação do brasileiro preocupa a ala política do governo, principalmente em ano eleitoral. Houve consenso sobre a importância do antidumping para a cadeia leiteira nacional, principalmente para os pequenos pecuaristas. No entanto, integrantes da ala política e econômica do governo defenderam a apuração de interesse público. Os membros do Gecex apoiaram a suspensão da aplicação imediata das medidas. Segundo as fontes, o tema teria sido levado ao conhecimento do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Ele estaria ciente da suspensão da aplicação das medidas antidumping neste momento para avaliação do impacto da decisão na inflação. No início de maio, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), autora do pedido de investigação para aplicação do antidumping, protocolou sua manifestação final no processo. No documento, a entidade relatou avanços na condução do assunto, como a retomada do entendimento anterior sobre a similaridade entre leite em pó e leite in natura, o reconhecimento da prática de dumping por ambas as origens e a indicação de que as importações causaram os prejuízos à produção de leite brasileira. Segundo os cálculos do Departamento de Defesa Comercial (Decom) do MDIC, após as respostas aos questionários realizadas por quatro exportadores argentinos e três uruguaios, foram encontradas margens de dumping que chegaram a superar 60%.
GLOBO RURAL
Leite e muçarela ficam mais caros no Paraná
Paraná registra nova valorização do leite
Os preços do leite e dos derivados voltaram a subir no Paraná em maio, segundo o Boletim Conjuntural divulgado na quinta-feira (28) pelo Departamento de Economia Rural, órgão ligado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento. O avanço dos valores no varejo acompanha a valorização do produto no campo, impulsionada pela menor captação de leite pelas indústrias. De acordo com o levantamento, o leite longa vida registrou aumento de 0,77% nos supermercados e alcançou média estadual de R$ 5,35 por litro. Já o queijo muçarela teve alta mais intensa, de 4,81%, sendo comercializado a R$ 54,42 o quilo. Segundo o Departamento de Economia Rural, o reajuste nas gôndolas reflete o aumento no valor pago aos produtores rurais nos últimos meses, em um cenário de menor oferta da matéria-prima para a indústria de laticínios. No campo, a valorização do leite também segue em ritmo positivo. A pesquisa semanal de preços recebidos pelos produtores apontou alta de 1,61% no leite cru em relação à semana anterior. O valor pago ao produtor passou de R$ 2,63 para R$ 2,68 por litro. Na comparação com a média registrada em abril, os produtores paranaenses estão recebendo atualmente cerca de 13% a mais por litro entregue às indústrias. O boletim destaca que os laticínios vêm aumentando os pagamentos para conseguir manter a oferta de leite estável no Estado, diante da redução na captação do produto.
DERAL/SEAB PR
ABRASORVETE: SORVETES FUNCIONAIS ABREM NOIVA FRENTE PARA INGREDIENTES LÁCTEOS
Proteína, porções menores e conveniência nutricional passam a orientar os investimentos da indústria de gelados no Brasil. Cresce a aposta em sorvetes com whey, fibras e colágeno para atender um novo padrão de consumo.
As canetas emagrecedoras começaram a alterar não apenas o comportamento do consumidor, mas também a lógica de desenvolvimento da indústria de sorvetes no Brasil. O avanço dos sorvetes funcionais, enriquecidos com proteínas, fibras e colágeno, já reposiciona a categoria como uma plataforma de conveniência nutricional e abre espaço para novos usos de ingredientes lácteos. Levantamento da ABRASORVETE mostra que 77,8% das indústrias já produzem ou pretendem investir em lançamentos de sorvetes proteicos ou funcionais até o fim de 2026. A mudança ocorre em resposta a um consumidor que reduz o volume consumido, mas passa a exigir maior entrega nutricional em cada porção. A transformação vai além da formulação. O setor identifica uma mudança estrutural no papel do produto. Segundo Márcio Favaro, presidente da entidade, o sorvete deixa de ocupar apenas o espaço da indulgência e passa a disputar relevância como veículo de nutrição funcional associado ao prazer controlado. Nesse movimento, ingredientes como whey ganham protagonismo dentro de uma categoria historicamente vinculada ao consumo por impulso e ao apelo sensorial. O avanço dos funcionais cria uma frente de valorização para proteínas e compostos associados à manutenção de massa magra, especialmente em consumidores submetidos a dietas de controle calórico mais rigoroso. Ao mesmo tempo, a indústria acelera sua adaptação antes mesmo de uma consolidação plena do mercado. O percentual elevado de empresas que já investem ou planejam lançar produtos funcionais indica uma reação antecipada das fabricantes diante de um comportamento de consumo que começa a ganhar escala no varejo. Os sinais dessa mudança já aparecem nas vendas. Metade das empresas consultadas relata aumento na procura por produtos saudáveis nos últimos 12 meses. Parte dos fabricantes aponta crescimento entre 5% e 10%, enquanto outro grupo já registra avanço superior a 10%. O novo perfil de consumo também altera formatos e estratégias comerciais. Com consumidores mais atentos ao controle de ingestão calórica, embalagens individuais passam a ganhar relevância frente ao tradicional pote de 2 litros. Para 48,1% do setor, picolés e potes menores já superam o formato tradicional em importância para o faturamento. A mudança reforça uma lógica de conveniência nutricional. Em vez de disputar volume consumido, as empresas passam a buscar maior valor agregado por porção, combinando praticidade, sabor e entrega funcional em formatos reduzidos. A estratégia será um dos principais focos da Fispal Sorvetes 2026, evento que acontece entre 26 e 29 de maio, no Distrito Anhembi. O cenário indica que a indústria de gelados entra em uma fase em que formulação, nutrição e conveniência passam a pesar tanto quanto indulgência na construção do mercado.
ADITIVOS & INGREDIENTES
NACIONAL
Na Rocca, produção familiar de leite vira marca premium com meta de faturar R$ 32 mi
Em meio às dificuldades típicas da cadeia do leite, como custos elevados e margens apertadas, Rosi Barbosa e Raphael Figueiredo decidiram transformar a produção da fazenda da família em uma marca própria de doce de leite. A aposta deu origem em 2014 à Rocca, marca criada na Fazenda Zé Pequeno, em Pouso Alegre, Minas Gerais que faturou R$ 24 milhões em 2025. Há mais de 60 anos na atividade leiteira, os pais de Rosi já haviam fornecido para grandes fabricantes de laticínios, como a Vigor.
Com o aumento dos custos e a pressão sobre as margens do setor, a família passou a buscar alternativas de maior valor agregado dentro da própria fazenda. Foi desse movimento que nasceu a Rocca, marca de doce de leite criada pelo casal Barbosa e Figueiredo, que saiu de um investimento inicial de cerca de R$ 20.000 para um faturamento na casa dos milhões de reais. “Vimos uma oportunidade de sair da commodity do leite e transformar aquilo em marca”, disse Rosi Barbosa à Bloomberg Línea. Segundo a fundadora da Rocca, o segmento de doce de leite ainda era pouco explorado sob a lógica de construção de marca e posicionamento mais premium. Para este ano, a expectativa é atingir R$ 32 milhões em receita, enquanto a empresa amplia a capacidade industrial e inicia os trâmites com foco na exportação do produto. Segundo os fundadores, a empresa operou com margem Ebitda de cerca de 38% no ano passado. A empresa produz cerca de duas toneladas de doce de leite por dia em uma operação que conta com 40 pessoas, segundo a empresária. O negócio da marca, localizado na fazenda da família, reúne curral, o polo industrial para a produção de doce de leite e o escritório. A trajetória da Rocca acompanha um movimento que tem ganhado espaço no agro brasileiro: o retorno de jovens ao interior que veem no campo a possibilidade de criar negócios a partir da atividade familiar. Mas, antes do doce de leite, e da produção de leite em si, foi a geleia de frutas que a sua mãe e o irmão começaram a produzir. Uma possibilidade de mercado que, inclusive, Rosi vislumbra para o futuro da marca. O primeiro investimento para a construção da Rocca foi a compra de um tacho de aproximadamente R$ 20.000. Segundo os fundadores, o negócio começou com pouca experiência industrial e praticamente sem capital de giro. “Compramos o tacho sem saber fazer doce de leite”, disse Raphael. O tacho é uma espécie de grande panela onde é usado para cozinhar o leite com açúcar na produção de doce de leite. A formulação da marca levou cerca de um ano até chegar ao produto e o que pode ser comprado nas prateleiras dos mercados. A proposta, conta Raphael, era desenvolver um doce de leite com validade mais longa sem recorrer a espessantes ou ingredientes artificiais. Segundo os fundadores, a receita para os produtos é feita apenas com leite e açúcar. O avanço da marca coincidiu com a expansão do mercado de alimentos premium e artesanais no varejo alimentar. Hoje, a Rocca está presente em redes como Pão de Açúcar, St Marche, Swift, Casa Santa Luzia e VerdeMar, com maior concentração no Sudeste. A empresa também ampliou o portfólio para outros sabores além do tradicional, que é campeão de vendas. Hoje, a marca oferece variações com café, pistache, avelã e cacau, além de ter expandido a atuação para o segmento de foodservice. Inicialmente voltada para confeitaria, a frente acabou encontrando demanda maior nas sorveterias, segmento que ajudou a reduzir a sazonalidade típica do consumo de doces, mais forte nos meses de inverno, segundo os fundadores. A Rocca fornece produtos para redes como The Best e passou a desenvolver collabs (colaborações) com marcas do setor de sorvetes. Ao mesmo tempo em que expandia a operação industrial, a família deu início a uma reestruturação da produção leiteira da fazenda. O irmão mais novo de Rosi, Romero Barbosa, engenheiro agrônomo, tornou-se sócio do negócio de leite e liderou a modernização do manejo do rebanho. Essa mudança foi realizada há cerca de cinco anos, quando a família adotou o sistema de compost barn, modelo de confinamento voltado para ganho de produtividade e conforto térmico das vacas. A estrutura inclui ventilação, umidificação e manejo voltado ao gado holandês – uma vez que o calor impacta diretamente sobre a produtividade dos animais. Com o compost barn, a produtividade média saiu de cerca de 11 litros por vaca para aproximadamente 35 litros diários por animal. Hoje, o rebanho soma cerca de 100 cabeças, com aproximadamente 50 vacas em lactação. A produção diária passou de cerca de 170 litros para 1.500 litros. A produção própria da fazenda ainda responde por uma parcela minoritária da demanda da fábrica. Segundo os fundadores, a Rocca processa entre 5.000 e 10.000 litros de leite por dia. Todo o leite produzido na fazenda é destinado à Rocca, mas a empresa também compra matéria-prima de produtores da região. Os investimentos na operação leiteira somaram aproximadamente R$ 1 milhão ao longo dos últimos anos, incluindo genética e infraestrutura. A expansão da parte industrial do complexo localizado na fazenda também exigiu novos investimentos. A empresa saiu de um único tacho de 150 litros para quatro equipamentos de 2 mil litros cada. A operação funciona das 3h às 21h, e a companhia afirma ter espaço para ampliar novamente a capacidade produtiva. No fim de 2024, dez anos após o início da marca, a Rocca investiu cerca de R$ 2 milhões na ampliação da fábrica, incluindo envasadora, caldeira e novos equipamentos industriais. O próximo passo é a obtenção do selo do Serviço de Inspeção Federal (SIF), considerado necessário para iniciar a exportação. A empresa mira inicialmente mercados como Chile, Portugal e Estados Unidos. “Sempre pensamos em aumentar o chão de fábrica e continuar com a mesma receita para os produtos, mantendo a mesma simplicidade’, disse Raphael.
Bloomberg Línea
SILEMIG: MINAS AMPLIA INFLUÊNCIA NO ABASTECIMENTO LÁCTEO DO BRASIL
Com quase 25% do leite consumido no país, Minas amplia peso industrial e estratégico na cadeia láctea brasileira. Produção, processamento e diversificação consolidam Minas como eixo central do leite no Brasil.
Minas Gerais reforça sua posição como principal eixo da cadeia láctea brasileira ao combinar produção de leite, capacidade industrial e transformação de derivados em uma mesma estrutura produtiva. Mais do que liderar o volume nacional, o estado amplia sua influência sobre o abastecimento e o processamento de lácteos no país. A estimativa de produção de 9,78 bilhões de litros de leite em 2025 coloca Minas no centro do consumo brasileiro de derivados lácteos. Segundo dados do setor, aproximadamente um em cada quatro copos consumidos no Brasil tem origem no estado, considerando categorias como leite UHT, queijos, leite em pó, iogurtes e outros derivados. O peso mineiro também aparece na estrutura industrial. Atualmente, o estado reúne cerca de 775 estabelecimentos de laticínios e aproximadamente 134 mil produtores que destinam leite para processamento industrial. A combinação entre produção primária e capacidade de transformação ajuda a consolidar uma cadeia com elevada presença territorial e forte integração entre campo e indústria. Dentro dessa estrutura, o segmento de queijos ganha destaque especial. Cerca de 48,5% do leite inspecionado produzido em Minas Gerais é direcionado para a fabricação de queijos, movimento que reforça o papel do estado não apenas como fornecedor de matéria-prima, mas também como polo de agregação de valor dentro da indústria láctea. A dimensão industrial da cadeia também amplia o impacto econômico do setor no estado. Segundo Guilherme Abrantes, presidente do SILEMG, a atividade possui função estratégica tanto no abastecimento alimentar quanto na geração de empregos, no fortalecimento da indústria e no desenvolvimento regional. Mesmo diante de desafios relacionados aos custos de produção e à disponibilidade de mão de obra, a cadeia láctea mineira mantém perspectivas positivas. O setor vem ampliando investimentos em eficiência operacional, modernização industrial e diversificação de produtos. O avanço acompanha mudanças na demanda dos consumidores, especialmente em categorias associadas a alimentos ricos em proteína e produtos ligados à alimentação saudável. Nesse cenário, Minas reforça sua posição não apenas como maior produtor de leite do país, mas como uma das principais bases industriais da cadeia láctea brasileira.
EDAIRYNEWS/RCWTV
INTERNACIONAL
RABOBANK: próxima temporada deve ter preço do leite e custos mais elevados
Após um forte encerramento da temporada leiteira 2025/26 – marcado por altas no índice de preços do Global Dairy Trade (GDT) em oito dos últimos dez leilões – o Rabobank projeta um robusto preço inicial do leite na Nova Zelândia entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite para a temporada 2026/27.
Após um forte encerramento da temporada leiteira 2025/26 — marcado por altas no índice de preços do Global Dairy (GDT) em oito dos últimos dez leilões — o Rabobank projeta um robusto preço inicial do leite entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite para a temporada 2026/27na Nova Zelândia No entanto, o banco alerta que os impactos inflacionários causados pelas tensões geopolíticas provavelmente irão pressionar as margens dos produtores na nova temporada, tornando essencial um controle disciplinado de custos e o planejamento de diferentes cenários. Em seu novo relatório sobre a indústria leiteira, “Altos preços do leite, custos mais altos: a equação das margens em 2026/27”, o banco especializado em agronegócio afirma que a temporada 2025/26, prestes a ser concluída, entregou rentabilidade excepcional, sustentada pelo forte desempenho do GDT e pela valorização generalizada dos produtos lácteos. “Durante a segunda metade da temporada, o índice GDT voltou a ganhar força, e esse movimento coordenado sustentou sucessivas revisões para cima na previsão do preço do leite da Fonterra, elevando o ponto médio para NZ$ 0,79 (US$ 0,46) por quilo de leite em fevereiro de 2026 e posteriormente para NZ$ 0,80 (US$ 0,47) por quilo de leite em março”, afirmou Emma Higgins, analista sênior da RaboResearch e autora do relatório. “A atual previsão de preço ao produtor de NZ$ 0,80 (US$ 0,47) por quilo de leite para a temporada 2025/26 continua sendo altamente lucrativa para os produtores. E, para os fornecedores da Fonterra, os fortes retornos de capital e dividendos saudáveis oferecem uma base extraordinariamente sólida para entrar na próxima temporada. Para 2026/27, nossa expectativa é de um forte preço inicial ao produtor entre NZ$ 0,79 e NZ$ 0,83 (US$ 0,46 e US$ 0,49) por quilo de leite. Dada a contínua competição pela oferta de leite, a Fonterra pode novamente adotar uma postura agressiva em sua previsão inicial. Isso poderia elevar ainda mais o ponto médio da faixa para sustentar um valor de abertura mais forte, semelhante ao da temporada passada e mais alinhado aos sinais do mercado spot.” Embora a temporada leiteira 2026/27 também deva ser lucrativa, Higgins afirmou que os produtores da Nova Zelândia iniciarão a nova temporada em 1º de junho enfrentando uma pressão significativa sobre as margens, impulsionada pela inflação persistente e disseminada nos custos de produção. “O fechamento contínuo do Estreito de Ormuz — agora entrando em seu quarto mês — está criando condições semelhantes às de choques estagflacionários do passado. Os impactos iniciais, especialmente os preços mais altos da energia, já estão sendo repassados para importantes insumos da atividade leiteira, incluindo diesel, fertilizantes e bens industriais. Efeitos secundários também estão surgindo, com os custos elevados de energia alimentando expectativas inflacionárias mais amplas”, afirmou. A partir disso, o cenário se torna significativamente mais incerto, exigindo planejamento baseado em diferentes cenários. A principal variável é a duração da interrupção: quanto mais tempo o fechamento persistir, mais lenta e desigual tende a ser a normalização dos mercados de energia e insumos.” O relatório afirma que, embora o cenário-base da RaboResearch atualmente não considere um fechamento prolongado do Estreito de Ormuz, o risco de uma interrupção mais longa — além do que os mercados estão precificando — não pode ser ignorado. O relatório afirma que a oferta global de leite continua abundante, embora o ritmo de crescimento esteja desacelerando. “Na Nova Zelândia, a temporada de produção de leite 2025/26 está a caminho de ser a maior da história, com produção mais de 4% superior nos 11 meses até abril de 2026. A produção agora está bem-posicionada para superar o recorde anual anterior, estabelecido na temporada 2020/21. A elevada oferta de leite da Nova Zelândia provavelmente continuará nos primeiros meses da temporada 2026/27; no entanto, o nível recorde esperado para 2025/26 será difícil de superar. Com base nos fundamentos atuais, a produção de leite da Nova Zelândia em 2026/27 pode crescer modestamente em até 1%. Mas, como sempre, as condições climáticas — especialmente o risco de desenvolvimento de um El Niño — terão papel importante no resultado. Esta temporada pode sinalizar o início de uma nova fase estrutural para a produção leiteira da Nova Zelândia, caracterizada por um nível-base mais elevado de produção. Desde 2014, a produção vinha oscilando dentro de uma faixa relativamente estreita; porém, o desempenho da temporada 2025/26 sugere que o setor pode estar rompendo esse padrão”, afirmou Higgins. Em outras regiões, Higgins afirmou que já surgem sinais de uma desaceleração gradual da explosão de oferta de leite que caracterizou 2025. “Embora os primeiros dados indiquem forte crescimento anual da produção de leite na União Europeia durante o primeiro trimestre de 2026, essa expansão já demonstra sinais de moderação. Nos Estados Unidos, o crescimento também está desacelerando, mas provavelmente permanecerá relativamente elevado ao longo de 2026 em comparação com outros grandes exportadores. Enquanto isso, a Austrália mostra sinais de recuperação, com expectativa de melhorias modestas ao longo do ano. Nosso cenário-base continua sendo de pressão sobre as margens entre muitos dos sete maiores exportadores de lácteos do mundo (Nova Zelândia, Austrália, Estados Unidos, União Europeia, Uruguai, Brasil e Argentina), o que pode limitar o crescimento da produção no final de 2026 e ajudar a sustentar os preços dos lácteos em níveis elevados.”
RABOBANK/MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar recua com alívio em rendimentos dos Treasuries e possível acordo entre EUA e Irã
O enfraquecimento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, após dados econômicos mais fracos no país, também ajudou a levar a uma depreciação global do dólar
O dólar à vista exibiu desvalorização frente ao real, acompanhando o movimento global da moeda americana, de depreciação. A dinâmica foi reflexo da menor busca por ativos de segurança diante da expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã. O enfraquecimento dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, após dados econômicos mais fracos no país, também ajudou a levar a uma depreciação global do dólar. Assim, houve redução no prêmio de risco geopolítico na maioria das moedas mais líquidas, além de uma busca por ativos de risco diante da queda nos retornos dos Treasuries. No fim do dia, o real apresentou um dos cinco melhores desempenhos do dia, junto com o rand sulafricano, dólar neozelandês, won sul-coreano e dólar canadense. Encerradas as negociações no mercado à vista, o dólar encerrou em queda de 0,56%, cotado a R$ 5,0317, depois de ter tocado na mínima de R$ 5,0232 e batido na máxima de R$ 5,0748. Já o euro comercial exibiu desvalorização de 0,41%, a R$ 5,8606. Perto das 17h05, no exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, recuava 0,21%, aos 99,000 pontos. O dólar à vista abriu a sessão desta quinta-feira em alta, mas ainda pela manhã houve uma reversão no movimento, com a chance de um possível acordo entre EUA e Irã gerando alívio pontual nos ativos locais e globais. A notícia do site Axios de que Estados Unidos e Irã chegaram a um acordo de paz reduziu os prêmios embutidos nos ativos. Dados mais fracos da economia americana também ajudaram a tirar a força do dólar. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no primeiro trimestre neste ano veio abaixo do esperado. Enquanto a expectativa era de um avanço de 2,0%, a alta foi de 1,6%. “Esse deve ter sido o principal fator para a queda do dólar, uma vez que houve um recuo nos rendimentos da Treasuries. Não dá para cravar o peso de cada evento, se a possibilidade sobre o fim da guerra ou se os dados tiveram maior relevância no preso, mas me parece que os dados ajudaram a tirar a pressão da perspectiva de alta de juros [nos EUA]”, diz o diretor de tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt. “Antes da guerra, o mercado precificava chance de 95% de corte de juros nas taxas americanas no fim do ano, agora a chance é de 60%, mas de alta nas taxas, e não de corte, então mudou muito o cenário”, afirma, acrescentando que, quando há dados que afastam essa chance de alta, cria-se espaço para os ativos de risco melhorarem. “E não só eles, mas ouro e prata também.” Na sessão de amanhã, haverá a formação da Ptax de fim de mês, que servirá de referência para os contratos que vencem no começo do próximo mês. Por isso, é de se esperar uma briga entre comprados e vendidos em dólar (aqueles que apostam a favor e contra a moeda americana).
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa cede com novos ataques no Estreito de Ormuz; BB cai mais de 2%
Diante do aumento das incertezas geopolíticas e sem o apoio das blue chips, o índice encerrou em queda de 0,39%, aos 175.063 pontos, após variar entre os 174.686 pontos e os 176.627 pontos
Depois de oscilar próximo à estabilidade durante uma parcela do pregão, o Ibovespa se firmou em território negativo e ampliou as perdas na segunda metade da sessão após informações de novos ataques contra navios no Estreito de Ormuz. Diante do aumento das incertezas geopolíticas e sem o apoio das blue chips, o índice encerrou em queda de 0,39%, aos 175.063 pontos, ainda assim distante dos 174.686 pontos vistos na mínima intradiária. No melhor momento do dia, o Ibovespa chegou a tocar os 176.627 pontos, impulsionado pela notícia de que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz, segundo o site Axios. O alívio, porém, foi devolvido na sequência. Investidores voltaram a adotar uma postura de cautela devido à desconfiança com a efetividade das negociações, uma vez que o presidente americano, Donald Trump, ainda precisa aprovar o acordo. O movimento mais negativo também foi amplificado pelo recuo majoritário de blue chips. Na liderança das maiores perdas ficaram as ON do Banco do Brasil, que cederam 2,18%. As PN da Petrobras também fecharam em queda de 0,72%. Apenas as ON da Vale encerraram no positivo, com ganho de 0,61%. Mesmo com o Brent abaixo de US$ 95 por barril, agentes financeiros acreditam que o preço da commodity deva se manter acima US$ 80 em 2026, segundo levantamento do BTG Pactual. A pesquisa conduzida pela equipe de pesquisa do banco ouviu 29 investidores para consultar o posicionamento nos setores brasileiros de óleo e gás e distribuição de combustíveis. Segundo os dados, cerca de 45% dos respondentes mantêm hoje uma exposição maior ao setor de óleo e gás em relação ao período pré-guerra, enquanto aproximadamente 38% reduziram exposição. de energia foi o grande destaque positivo, com aumento de alocação de 0,34 ponto percentual. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 15,6 bilhões e de R$ 21,2 bilhões na B3. Já em Wall Street, o Nasdaq subiu 0,91%; o S&P 500 avançou 0,58%; e o Dow Jones fechou estável (+0,05%).
VALOR ECONÔMICO
Preços ao produtor no Brasil têm em abril maior alta em 4 anos sob impacto do Oriente Médio
No acumulado em 12 meses, o IPP passou a uma alta de 1,07%, marcando o primeiro resultado positivo desde agosto de 2025 (0,47%).
Os preços ao produtor no Brasil passaram a subir 2,63% em abril influenciados principalmente pela cadeia petrolífera, atingindo o nível mais elevado em cerca de quatro anos, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira. O resultado do Índice de Preços ao Produtor (IPP) mostrou aceleração em relação ao avanço de 2,28% de março, e foi o mais alto desde março de 2022 (3,12%). No acumulado em 12 meses, o IPP passou a uma alta de 1,07%, marcando o primeiro resultado positivo desde agosto de 2025 (0,47%). Entre as 24 atividades analisadas, o IBGE apontou que 21 tiveram variações positivas no mês, sendo que as quatro mais fortes foram em outros produtos químicos (9,91%); borracha e plástico (7,31%); refino de petróleo e biocombustíveis (6,44%); e indústrias extrativas (4,92%). “A explicação para o impacto na cadeia petrolífera está no conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã”, disse Alexandre Brandão, gerente do IBGE ressaltando que em março de 2022 o IPP havia sido impactado pelo início da guerra entre Rússia e Ucrânia. O IBGE destacou ainda que, entre as quatro principais influências no índice, três fazem parte da cadeia dos derivados de óleo bruto de petróleo, sendo que somente a categoria outros produtos químicos foram responsáveis por 0,80 ponto percentual de influência. O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.
Reuters
Desemprego cai para 5,8% em abril, menor nível da história para o período
O Brasil registrou um aumento sazonal no número de pessoas sem trabalho nos três meses até abril e a taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,8% no período, ligeiramente abaixo do esperado.
Os dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram queda ante a taxa de 6,1% dos três meses até março, mas alta na comparação com o trimestre imediatamente anterior, até janeiro, quando foi de 5,4%. No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego havia sido de 6,6%. A expectativa em pesquisa da Reuters era de uma leitura de 5,9%. “O aumento da desocupação nesse trimestre móvel (ante o trimestre imediatamente anterior) decorre essencialmente de comportamento sazonal de algumas atividades, tais como comércio e serviços pessoais que, após aquecimento no final de 2025, não retêm parcela de seus trabalhadores”, disse a coordenadora da pesquisa no IBGE, Adriana Beringuy. O mercado de trabalho segue resiliente no Brasil mesmo com o aumento recente da taxa de desemprego, que permanece em nível baixo para os padrões nacionais. Um aumento gradual é esperado neste ano, acompanhando a perda de força projetada da economia. Por outro lado, o fortalecimento da renda ajuda a sustentar a demanda das famílias e causa preocupações com a inflação, já pressionada pelos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, que elevou os preços do petróleo globalmente. Nos três meses até abril, houve alta de 8,0% no total de desempregados na comparação com o trimestre até janeiro, chegando a 6,322 milhões. Mas esse contingente mostrou queda de 11,3% ante o mesmo período de 2025. Já o total de ocupados caiu 0,3% na comparação com os três meses imediatamente anteriores, a 102,333 milhões, o que marcou ainda alta de 1,1% ante o mesmo período do ano anterior. “Embora registrando perda de ocupação na comparação trimestral, o mercado de trabalho segue com elevado nível de ocupação quando comparado com anos anteriores da série histórica”, disse Beringuy. “Isso indica que, mesmo diante do recuo sazonal, a geração de trabalho e renda se mantém sustentada”. Os trabalhadores com carteira assinada no setor privado registraram queda de 0,2% no trimestre até abril sobre os três meses imediatamente anteriores, enquanto os que não tinham carteira tiveram queda de 1,1%. O rendimento real de todos os trabalhos permaneceu em patamar recorde, a R$3.732, um aumento de 0,3% sobre o trimestre até janeiro e de 5,3% na comparação anual.
REUTERS
Emprego formal no Brasil surpreende com pior desempenho para abril desde a pandemia
O Brasil abriu 85.888 vagas formais de trabalho em abril, no pior saldo para o mês desde 2020, quando foram fechadas 981.342 vagas em meio ao choque da pandemia de Covid-19, mostraram dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na quinta-feira pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
O resultado de abril foi fruto de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos, segundo o ministério, e ficou muito abaixo da expectativa de economistas apontada em pesquisa da Reuters de criação líquida de 230.000 vagas. Dos cinco grupamentos de atividades econômicas, o setor de serviços liderou a abertura de vagas no mês, com 69.601 postos, seguido pelo de construção, com 23.525 vagas. A indústria criou 9.256 vagas. Por outro lado, foram fechadas no mês 8.114 vagas no comércio e 8.378 postos na agropecuária. O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou em entrevista coletiva que os dados de abril foram impactados pelo nível elevado dos juros no Brasil e pelos efeitos da guerra no Irã. Ele disse não haver razão para preocupação, ressaltando que o resultado ainda é de criação de vagas de emprego, também com resiliência da indústria. “Está havendo um processo de diminuição da velocidade de crescimento (das contratações), mas vai continuar crescendo. Creio que vamos ter mais de um milhão de empregos gerados neste ano”, afirmou. A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho da pasta, Paula Montagner, acrescentou que o desempenho negativo do setor de comércio pode estar ligado ao nível elevado de endividamento das famílias, problema que o governo busca solucionar com o programa Desenrola. Em abril, houve ainda uma alta do salário médio de admissão, de R$2.369,88 em março para R$2.386,56. O salário médio de desligamento passou de R$2.473,95 para R$2.481,24. No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o saldo de criação de empregos foi positivo em 699.762 vagas, enquanto no mesmo período em 2025 foi registrada abertura de 913.827 postos. No total, o estoque de empregos com carteira assinada no Brasil totalizou 47.810.425 em abril.
Reuters
Confiança de serviços no Brasil sobe em maio após 3 meses de quedas, diz FGV
A confiança do setor de serviços do Brasil interrompeu três meses de quedas e avançou em maio com a melhora das expectativas, mostraram os dados divulgados nesta quinta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV). No mês, o Índice de Confiança de Serviços (ICS) avançou 0,9 ponto e foi a 88,7 pontos
“A recuperação sugere uma acomodação do pessimismo que marcou abril, quando os impactos do conflito no Oriente Médio e a alta do petróleo pesaram mais intensamente sobre as perspectivas do empresariado”, disse Stefano Pacini, economista do FGV IBRE. A FGV informou que o Índice de Expectativas (IE-S), que reflete as perspectivas para os próximos meses, avançou 2,1 pontos, para 85,8 pontos, também após três seguidos de quedas. Por outro lado, o Índice de Situação Atual (ISA-S), indicador da percepção sobre o momento presente do setor de serviços, caiu 0,4 ponto, a 91,7 pontos, segundo recuo seguido, o que segundo Pacini indica que os juros restritivos e elevado endividamento das famílias ainda se fazem sentir na atividade corrente. “Nos segmentos mais ligados ao consumo das famílias, nota-se algum alívio na renda, associado à isenção do IR, ao crescimento da massa real de rendimentos e a um mercado de trabalho ainda aquecido, sustentando a demanda do setor no presente. Para os próximos meses, um prolongamento do conflito pode pressionar os custos e adiar o alívio monetário esperado, e dificultar uma recuperação mais consistente da confiança ao longo do ano”, completou ele.
REUTERS
Alta do IGP-M desacelera a 0,84% em maio com estabilidade do petróleo, mostra FGV
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) desacelerou a alta a 0,84% em maio, de 2,73% no mês anterior, diante da relativa estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, mostraram dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) na quinta-feira.
A expectativa em pesquisa da Reuters era de avanço de 0,80%, e com o resultado do mês o índice passou a acumular em 12 meses alta de 1,95%. “A menor intensidade do IGP-M em maio foi influenciada pela relativa estabilidade dos preços do petróleo no mercado internacional, que não provocou choques adicionais relevantes nas cadeias produtivas. Esse movimento ajudou a reduzir a pressão sobre os preços ao produtor”, explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE. Os preços do petróleo avançaram após o início da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no final de fevereiro, provocando temores sobre a inflação. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, subiu 0,91% em maio, depois de ter avançado 3,49% no mês anterior. “Parte dessa desaceleração (no IPA) veio do grupo de matérias-primas brutas, tanto minerais quanto agropecuárias”, disse Dias. Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que tem peso de 30% no índice geral, teve alta de 0,61% em maio, de 0,94% em abril, com queda dos combustíveis (-1,16% da gasolina e -4,91% do etanol) e de alguns alimentos, com destaque para o café em pó (-2,99%), segundo Dias. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) subiu 0,77%, de uma alta de 1,04% em abril. O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
Reuters
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