Informativo Sindileite 139 22.05.2026

Ano 1 | nº 139 | 22 de maio de 2026

NOTÍCIAS

Preço do leite sobe 17,6% no primeiro trimestre e mercado reage à oferta restrita no campo

Menor captação, custos elevados e disputa entre laticínios impulsionam valorização do leite ao produtor em 2026.

O mercado brasileiro de lácteos iniciou 2026 com forte valorização dos preços pagos ao produtor. Dados do Cepea mostram que o leite cru acumulou alta de 17,6% no primeiro trimestre, reflexo direto da redução na oferta e da concorrência mais intensa entre indústrias na busca por matéria-prima. Em março, o valor médio pago ao pecuarista avançou 10,5% frente a fevereiro, alcançando R$ 2,3924 por litro na chamada “Média Brasil”. Apesar da recuperação recente, os preços ainda permanecem abaixo dos registrados no ano passado. Na comparação com março de 2025, o leite apresenta desvalorização real de 18,7%, considerando os dados corrigidos pela inflação oficial. No acumulado do trimestre, a média nacional ficou em R$ 2,2038 por litro, resultado 23,6% inferior ao observado no mesmo período do ano anterior. A escalada dos preços acontece em um cenário de oferta mais curta no campo. O ICAP-L, índice que mede a captação de leite, caiu 3,9% entre fevereiro e março e acumula retração de 11,1% no trimestre. A sazonalidade climática, aliada ao aumento dos gastos com alimentação animal e às margens apertadas registradas em 2025, reduziu o ritmo produtivo em diversas regiões leiteiras do País. Mesmo com a valorização do leite pago ao produtor, os custos continuam avançando dentro das propriedades. Em abril, o Custo Operacional Efetivo da atividade registrou alta de 1,1% na Média Brasil, acumulando avanço de 3,24% nos quatro primeiros meses do ano. O encarecimento da nutrição animal, dos suplementos minerais e das operações mecanizadas continua pressionando a rentabilidade da pecuária leiteira. O diesel foi um dos principais responsáveis pelo aumento das despesas no período. A valorização média de 5,42% do combustível impactou diretamente os custos de frete e das atividades mecanizadas nas fazendas. Além disso, suplementos minerais ficaram 7,6% mais caros em abril, com Minas Gerais registrando o avanço mais expressivo entre as regiões acompanhadas pelo Cepea. Os concentrados também voltaram a subir após um período de estabilidade. Em São Paulo, a alta foi de 2,53% entre março e abril. A elevação ocorreu após aumentos nas cotações do milho e da soja durante março, movimento que encareceu as formulações de ração utilizadas no rebanho leiteiro. Apesar da pressão dos custos, houve melhora no poder de compra do produtor em relação ao milho. Em março, foram necessários 29,64 litros de leite para adquirir uma saca de 60 quilos do cereal, redução de 6,3% frente ao mês anterior. O resultado foi favorecido pela forte valorização do leite, mesmo com o milho também registrando alta no período. A menor disponibilidade de leite no campo também sustentou os preços dos derivados lácteos no atacado paulista durante abril. Pesquisa do Cepea, realizada com apoio da OCB, apontou alta de 20,17% para o leite UHT, que fechou o mês cotado a R$ 5,03 por litro. A muçarela avançou 12,65%, alcançando média de R$ 34,86 por quilo. O leite em pó apresentou valorização mais moderada, de 1,52%, encerrando abril em R$ 30,47 por quilo. Segundo analistas do Cepea, os estoques mais ajustados e a dificuldade de reposição da matéria-prima favoreceram os reajustes ao longo do mês. As negociações entre indústrias e canais de distribuição permaneceram aquecidas principalmente na primeira metade de abril. Entretanto, o cenário começou a mudar na primeira quinzena de maio. O leite UHT registrou queda de 3,64% em relação à média de abril, enquanto a muçarela praticamente estabilizou. O comportamento mais cauteloso reflete uma demanda enfraquecida no varejo, diante dos preços mais altos nas gôndolas. Os pesquisadores do Cepea avaliam que o consumidor começou a demonstrar maior resistência aos reajustes dos derivados. Isso tende a limitar novos aumentos no curto prazo, especialmente entre maio e junho. Ao mesmo tempo, a expectativa de recuperação gradual da produção eleva a cautela da indústria em relação a novos repasses ao produtor rural. No comércio exterior, o Brasil registrou queda tanto nas importações quanto nas exportações de lácteos em abril. As compras externas recuaram 10% frente a março, somando 218,38 milhões de litros equivalentes de leite. Já os embarques brasileiros caíram 28,67%, totalizando apenas 3,99 milhões de litros equivalentes. Mesmo com a retração mensal, as importações continuam bastante acima do observado no ano passado. Na comparação anual, o volume adquirido pelo Brasil cresceu 34,1%, enquanto as exportações diminuíram 14%. Com isso, o déficit da balança comercial de lácteos aumentou 35,53% em relação a abril de 2025. O leite em pó continua liderando as importações brasileiras, respondendo por 69,2% do total comprado no exterior. Já os queijos representaram 30,1% das aquisições e apresentaram forte crescimento mensal. Nas exportações, os principais produtos embarcados foram queijos e leite condensado. Para especialistas do setor, a combinação entre importações elevadas, consumo mais cauteloso e possível reação da produção nacional pode

boletim Cepea

Comissão da Câmara aprova preliminarmente projeto de lei que regula importação de leite no Brasil

O projeto prevê que a entrada desses produtos no país só poderá acontecer quando a produção nacional corresponder a, no mínimo, 70% do consumo interno. Caso não ocorram recursos na Câmara, o PL ainda deve seguir ao senado para análise.

A CAPADR (Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural) da Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira, 20 de maio, o projeto de lei 5557/2025, que regula a importação de leite, leite em pó, queijo muçarela e derivados. O projeto prevê que a entrada desses produtos no país só poderá acontecer quando a produção nacional corresponder a, no mínimo, 70% do consumo interno. A liberação será feita pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) a partir de bases de dados oficiais. Ele também garante que, caso necessário, o Poder Executivo possa intervir nesse percentual. A proibição de importação se estende para os países membros do Mercosul. Essa cláusula foi adicionada devido a suspeita da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) da importação de produtos de outros países via triangulação comercial. “Estudos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) demonstram que as importações desses produtos têm ocorrido em volumes superiores à capacidade produtiva dos países exportadores, configurando triangulação comercial com produtos oriundos de nações como a Nova Zelandia, que ingressam no Brasil sob o selo do Mercosul e com isenção de tarifas”, justifica o autor do projeto, Clodoaldo Magalhães. Na avaliação da comissão, essa prática derruba os preços no mercado interno e inviabiliza a produção em regiões do país. A medida é inspirada em uma política adotada durante a gestão de Dilma Rousseff e foi aprovada para “reforçar a soberania alimentar, valorizar o produtor brasileiro, especialmente em regiões historicamente afetadas pela concorrência desleal internacional”.  O projeto de lei proíbe também a reidratação, industrialização, comercialização ou qualquer forma de transformação do leite em pó importado em leite fluido, bebidas lácteas, queijos ou produtos similares destinados ao consumo interno. Indústrias que mantenham a prática estarão sujeitas à perda de incentivos fiscais e benefícios tributários. O texto será encaminhado para votação em plenário.

CNN BRASIL

Abrasorvete vê canetas emagrecedoras como motor para nova era de gelados comestíveis funcionais

Pesquisa mostra que quase 80% das indústrias planejam lançar linhas proteicas até o final deste ano.

A popularização das canetas emagrecedoras e a nova consciência nutricional do brasileiro estão redesenhando as fábricas de gelados comestíveis no país. De acordo com um levantamento inédito da Abrasorvete (Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis), o setor agora foca em um consumidor que, sob efeito dessas medicações, apresenta menos apetite, mas uma necessidade crítica de nutrientes. “O consumidor sob efeito dessas medicações tem menos apetite, mas precisa manter a massa magra. O sorvete deixa de ser apenas indulgência para virar um veículo de nutrição funcional e prazer controlado”, explica Márcio Favaro, presidente da entidade. O movimento é suportado por dados: 77,8% das indústrias já produzem ou planejam investir em lançamentos de sorvetes proteicos ou funcionais (com Whey, colágeno ou fibras) até o final de 2026. A percepção de que o sorvete “saudável” saiu do nicho e ganhou o varejo de massa é confirmada pelo caixa das empresas. A pesquisa aponta que 50% dos fabricantes registraram aumento estimado na procura por esses produtos nos últimos 12 meses: 27,8% das empresas tiveram um aumento entre 5% e 10% nas vendas; 22,2% dos associados já relatam um salto acima de 10% na procura. Além da composição, o formato do consumo mudou. Como o controle de ingestão calórica é rigoroso para quem utiliza medicamentos emagrecedores, as embalagens individuais (picolés e potes pequenos) ganharam protagonismo. Para 48,1% do setor, esses formatos já superam o tradicional pote de 2 litros em relevância de faturamento. “O foco agora é densidade nutricional. Se o cliente vai consumir uma porção menor, ele quer que aquela porção entregue o máximo de sabor e benefício”, pontua Favaro.

Abrasorvete

EMPRESAS

Cade aprova proposta de compra da marca de queijos Regina pela Tirolez

CADE aprova sem restrições proposta de compra feita pela Tirolez de Unidade Produtiva Isolada (UPI), incluindo a marca de queijos Regina. Integração entre os negócios será iniciada, mas trâmites finais aguardam aprovação da 5ª Vara Cível da Comarca de Governador Valadares.

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, proposta de compra feita pela Tirolez. A proposta anunciada no último dia 16 de abril abrange dois ativos do grupo Barbosa & Marques, que está em processo de recuperação judicial: a marca de queijos Regina e a planta industrial de Governador Valadares (MG), que integrarão Unidade Produtiva Isolada (UPI) a ser constituída. Com a aprovação, a Tirolez poderá dar início à integração entre as operações industriais e passará a comercializar os queijos Regina, com portfólio formado por mais de 40 Skus, por meio de Contratos de Arrendamento e de Licença de Marca. O grupo Barbosa & Marques entrou com processo de recuperação judicial (RJ) em março de 2023. A proposta feita pela Tirolez, aprovada pelo CADE, respeita integralmente todas as etapas da recuperação judicial. A aquisição definitiva da marca Regina e da fábrica de Governador Valadares como UPI ocorrerá futuramente, no curso do processo de recuperação judicial. Com 111 anos de tradição, o grupo Barbosa & Marques nasceu na cidade de Carangola (MG), atuando em laticínios desde 1934. A produção de queijos com a marca Regina foi iniciada em 1946, reconhecida por sua tradição e qualidade, conquistando mercados importantes como o Rio de Janeiro e a região Nordeste. Entre os destaques estão os queijos especiais e o Reino, acondicionado nas tradicionais latas presenteáveis. A planta que está sendo inicialmente arrendada pela Tirolez, em Governador Valadares, ocupa posição estratégica em uma tradicional bacia leiteira de Minas Gerais. Além de produzir o portfólio da marca Regina, a fábrica possui uma torre de secagem e beneficiamento de soro de leite em pó. De acordo com Marcel de Barros, CEO da Tirolez, com a aprovação da proposta pelo CADE a empresa poderá iniciar a integração entre os negócios, incluindo o relacionamento com a caeia leiteira. “Essa conquista vai permitir ampliação da capacidade produtiva de queijos especiais, a incorporação da marca Regina agregando valor ao portfólio da empresa, além da entrada da Tirolez em uma nova vertical de negócio no segmento de soro de leite em pó”, destaca o executivo.

Assessoria Tirolez

ECONOMIA

Dólar fecha estável, perto de R$5,00, com expectativa de acordo EUA-Irã

O dólar terminou a quinta-feira praticamente estável no Brasil, colado nos R$5,00, na esteira de uma melhora generalizada dos mercados em todo o mundo em função de rumores sobre uma versão final de um acordo entre EUA e Irã para acabar com a guerra no Oriente Médio. 

O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,05%, aos R$5,0005. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,90% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,03% na B3, aos R$5,0100. Até perto das 14h o dólar vinha oscilando entre a estabilidade e leves altas ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia ganhos ante boa parte das demais divisas, refletindo preocupações com a guerra no Oriente Médio. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar na véspera que poderia esperar alguns dias pelas “respostas certas” de Teerã, na quinta-feira uma reportagem da Reuters informou que o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, determinou que o urânio do país, com grau de pureza próximo ao usado em armas, não seja enviado ao exterior. O destino do estoque de urânio enriquecido é um dos pontos sensíveis nas negociações de paz entre os dois países e, por isso, a determinação de Khamenei foi vista como um endurecimento de Teerã nas negociações de paz. Pouco depois das 14h, porém, os mercados globais viraram em função de rumores sobre a existência de uma versão final para um acordo entre EUA e Irã. O otimismo renovado fez o petróleo virar para o negativo e os rendimentos dos Treasuries despencarem, enquanto o dólar perdeu força ante as demais moedas. “O cenário teve alívio após relatos da mídia saudita sinalizarem o anúncio de um acordo de cessar-fogo mediado, com foco na liberdade de navegação, embora ainda sem menção à questão nuclear”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No campo político, o principal foco de atenção no Brasil ainda é o noticiário sobre as relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, que está preso. Desde a semana passada, Flávio tem lutado para explicar um pedido de dinheiro a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por tentativa de golpe de Estado. Vorcaro está no centro de um dos maiores escândalos financeiros da história do Brasil, que levou a um desembolso de bilhões de reais do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Durante a tarde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em um evento que “ainda vai aparecer muito mais coisa” no caso que envolve Flávio e Vorcaro.

Reuters

Ibovespa fecha em alta apoiado por exterior

No setor de proteínas, Mineerva ON recuou 5,4%. Relatório de analistas do Itaú BBA cortou a recomendação das ações para “market perform” e o preço-alvo dos papéis de R$9 para R$5,50. De acordo com o analista Gustavo Troyano e equipe, a decisão reflete um ambiente operacional menos favorável, combinado com visibilidade limitada sobre variáveis-chave, entre elas o risco de uma desaceleração no ciclo do gado no Brasil, juntamente com a queda nos volumes de abate em países da América do Sul.

O Ibovespa fechou em alta modesta na quinta-feira, marcada por expectativas envolvendo negociações entre Estados Unidos e Irã, enquanto Copasa figurou entre os destaques negativos, após lançar oferta de ações que deve privatizar a companhia. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 0,17%, a 177.649,86 pontos, de acordo com dados preliminares, tendo chegado a 178.546,59 na máxima do dia. Na mínima, mais cedo, recuou a 175.805,16 pontos. O volume financeiro no pregão somou R$23,77 bilhões. A bolsa paulista abriu contaminada pelo cenário externo desfavorável, com alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, em meio a uma percepção mais negativa sobre as negociações para acabar com a guerra de EUA e Israel contra o Irã. Tal sentimento teve como pano de fundo uma notícia da Reuters de que o líder supremo iraniano, o aiatolá Mojtaba Khamenei, emitiu uma diretriz para que o urânio do país com grau de pureza próximo ao de armas não seja enviado para o exterior. De acordo com autoridades israelenses, Trump garantiu a Israel que o estoque de urânio altamente enriquecido do Irã será enviado para fora do país e que qualquer acordo de paz precisa incluir uma cláusula sobre isso. No começo da tarde, porém, o petróleo reverteu a alta, endossando um alívio nos Treasuries, bem como uma melhora em Wall Street, diante de relatos não confirmados de que Washington e Teerã teriam chegado a um esboço final de um acordo para encerrar o conflito iniciado no final de fevereiro. O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também afirmou a jornalistas que houve algum progresso nas negociações com Teerã. “Há alguns bons sinais”, disse. O barril sob o contrato Brent fechou em baixa de 2,32%, a US$102,58, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 4,564% no final da tarde, de 4,574% na véspera. 

Reuters

Arrecadação federal cresce 7,82% em abril e bate recorde para o mês

A arrecadação do governo federal teve alta real de 7,82% em abril sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$278,823 bilhões, informou a Receita Federal na quinta-feira.

O resultado é o melhor para meses de abril da série histórica da Receita Federal, iniciada em 1995, no oitavo recorde mensal consecutivo. No acumulado de janeiro a abril, a arrecadação cresceu 5,41% acima da inflação em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025, a R$1,056 trilhão, patamar também recorde para o período. No mês de abril, os recursos administrados pela Receita, que englobam a coleta de tributos de competência da União, cresceram 7,31% em termos reais frente a um ano antes, a R$258,779 bilhões. O desempenho da receita administrada por outros órgãos, que tem peso relevante de royalties de petróleo, cresceu 14,89% no mês passado, a R$20,044 bilhões. Teve papel importante no dado do mês uma alta de R$4,6 bilhões, equivalente a 7,7%, nas receitas de Imposto de Renda de empresas e Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL). Também houve aumento das contribuições previdenciárias, que cresceram R$2,9 bilhões, ou 4,8%, diante do aumento real da massa salarial e da redução da desoneração da folha de setores da economia. A Receita ainda registrou ganhos de Imposto de Renda sobre ganhos de capital (+25,4%), PIS/Cofins (+5,3%) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que teve alíquotas elevadas pelo governo e cresceu 30,3% na comparação com abril do ano passado. No recorte por setores, a indústria de extração de petróleo e gás recolheu em abril R$11,4 bilhões, uma alta de 541% na comparação com abril do ano passado. O aumento se deu em meio à alta das cotações da commodity no mercado internacional como efeito da guerra EUA-Irã, mas o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita, Claudemir Malaquias, afirmou que ele foi motivado principalmente por uma mudança de cadastro tributário, com companhias passando da classificação de refino no ano passado para a de extração neste ano, o que distorce a comparação. A arrecadação foi de R$30,6 bilhões no caso das entidades financeiras (+20,4%) e de R$18,8 bilhões no comércio atacadista (+10,7%). Os dados do mês também mostraram efeitos ainda limitados de medidas arrecadatórias da reforma do Imposto de Renda, que entrou em vigor neste ano. De janeiro a abril, a cobrança da alíquota de 10% na fonte sobre dividendos acima de R$50.000 pagos por empresas às pessoas físicas rendeu aos cofres públicos R$675,5 milhões. Já a tributação de 10% sobre dividendos remetidos para fora do país no mesmo período culminou em arrecadação de R$209,5 milhões. Os valores do primeiro quadrimestre seguem muito abaixo da projeção original do governo de arrecadar R$30 bilhões neste ano com as duas fontes de tributação. Na entrevista, Malaquias ainda afirmou que o imposto de exportação do petróleo, adotado como medida emergencial para manter a oferta doméstica do produto diante do salto na cotação da commodity, registrou uma arrecadação de R$238 milhões neste ano até o momento. Ele ponderou que essa receita tem uma defasagem porque as empresas do setor contam com um prazo de até 60 dias para pagamento do tributo.

Reuters

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