Ano 1 | nº 137 | 20 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Mercado de leite spot registra recuo menos intenso na segunda quinzena de maio
Na última quinzena, o mercado de leite spot manteve a tendência de baixa, embora as quedas tenham sido mais suaves do que nos períodos anteriores.
Todas os estados monitorados registraram queda de preços nessa segunda quinzena de maio, continuando o movimento de baixa observado no período anterior. No entanto, as quedas registradas nessa segunda quinzena de maio representam uma baixa mais suave com relação da primeira quinzena desse mês. Na média Brasil, o valor recuou para R$ 2,873/litro, com baixa de R$ 0,097/litro em relação à análise anterior. Entre os estados monitorados, São Paulo segue com a maior cotação média, a R$ 3,073/litro, apesar de um recuo de R$ 0,159/litro. Na sequência, Paraná aparece com R$ 2,960/litro (-R$ 0,030), Santa Catarina com R$ 2,959/litro (-R$ 0,087), Minas Gerais com R$ 2,861/litro (-R$ 0,125), Goiás com R$ 2,777/litro (-R$ 0,104) e Rio Grande do Sul com R$ 2,772/litro (-R$ 0,130). Em termos de variação nas médias, a maior retração foi observada em São Paulo, seguida por Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Goiás, Santa Catarina e Paraná. Esse movimento pode sinalizar um ambiente mais cauteloso nas negociações entre indústrias. Informantes relatam dificuldades nas negociações entre compradores e vendedores, refletindo um mercado com menor fluidez nas operações.
MILKPOINT
IBGE: Captação de leite bate recorde no 1º trimestre, mas avanço desacelera
Segundo os dados preliminares da Pesquisa Trimestral do Leite do IBGE, a captação formal de leite no Brasil totalizou 6,78 bilhões de litros no primeiro trimestre de 2026. O volume representa crescimento de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025.
Com esse resultado, o primeiro trimestre de 2026 registrou o maior volume captado para o período em toda a série histórica iniciada em 1997, superando o recorde anterior observado em 2021, quando a captação havia alcançado 6,57 bilhões de litros. Apesar do avanço, o ritmo de crescimento mostra desaceleração frente ao observado no primeiro trimestre de 2025, quando a alta anual havia sido de 4,5%. Na análise mensal, janeiro foi o mês de maior captação do trimestre, como tradicionalmente ocorre, com 2,43 bilhões de litros captados. Em fevereiro, houve uma queda expressiva frente a janeiro, de 13,5%, o maior recuo entre esses dois meses em toda a série histórica. Mesmo com essa queda mensal, fevereiro ainda apresentou crescimento de 3,0% em relação ao mesmo mês de 2025. Em março, a captação voltou a avançar frente a fevereiro, com alta mensal de 6,7%, mas o crescimento anual foi mais moderado, de 2,3% frente a março de 2025. De modo geral, os dados mostram que a produção formal de leite segue crescendo no Brasil, mas em ritmo menos intenso do que o observado ao longo de 2025. A rentabilidade ao produtor e o comportamento da demanda devem continuar sendo os principais fatores para definir a velocidade desse crescimento nos próximos meses. Além disso, o cenário climático merece atenção. As projeções mais recentes indicam elevada probabilidade de formação de El Niño ao longo de 2026, fenômeno que pode alterar o regime de chuvas em diferentes regiões do país. Para a cadeia leiteira, os principais pontos de atenção estão nos possíveis impactos sobre a produção de leite no Sul, em caso de excesso de chuvas, e sobre o clima no Centro-Norte, podendo ocasionar pressão sobre a oferta e os preços dos grãos. Assim, embora o primeiro trimestre tenha confirmado um novo recorde de captação para o período, os dados também reforçam um sinal importante: a expansão da oferta tende a depender cada vez mais da recomposição das margens no campo e da capacidade do mercado consumidor de absorver maiores volumes de leite e derivados ao longo de 2026.
Pesquisa Trimestral do Leite – IBGE/MILKPOINT
Investimento em genética bovina cresce 17,7% entre pecuaristas no 1° tri de 2026
O INDEX ASBIA aponta aumento na comercialização de sêmen, avanço das exportações e expansão da inseminação artificial no país.
O primeiro trimestre de 2026 apresentou resultados positivos para o mercado de genética bovina no Brasil, mostra o Index ASBIA, relatório elaborado pela Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA) em parceria com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da USP). A publicação aponta que mais de 5 milhões de dores de sêmen foram comercializadas no mercado brasileiro entre janeiro e março, com crescimento de 17,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos investimentos em genética na pecuária de corte. Nas vendas para cliente final, foram comercializadas 3.093.482 de doses com aptidão para corte: alta de 26,1% na comparação com o primeiro trimestre de 2025. Já as exportações da genética brasileira para corte registraram o maior avanço do trimestre: foram 83.590 doses embarcadas, com salto expressivo de 99,2% em relação a 2025. Para Luis Adriano Teixeira, presidente da ASBIA, o resultado do primeiro trimestre do ano comprova o cenário de investimento dos pecuaristas em melhoramento genética e o reconhecimento internacional da qualidade da genética bovina brasileira. “Em 2025, houve crescimento total de 34% nas exportações de material genético bovino, com aumento de 29% no sêmen com aptidão para corte e 41% com aptidão para gado leiteiro. Os números do primeiro trimestre mostram que esse movimento continua, com praticamente o dobro de doses embarcadas na aptidão corte. Isso é resultado de anos de melhoramento das raças no Brasil, especialmente as zebuínas, que demonstram cada vez mais eficiência na produção de carne em regiões tropicais como a nossa”, afirma. Na aptidão leiteira, o mercado interno também apresentou crescimento: foram 1.526.970 doses vendidas para cliente final: alta de 5,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior volume já registrado para o trimestre na série histórica. Somadas as vendas diretas (aptidões corte e leite), o crescimento da comercialização foi de 18,7% no trimestre, totalizando 4.620.452 doses comercializadas para pecuaristas de todo o país. Somando as exportações e as operações por prestação de serviço, o total de saída de doses chegou a 5.074.895. Os dados de entrada de doses no mercado, que incluem produção nacional e importação, também apresentaram aumento. Ao todo, 6.376.974 novas doses chegaram ao mercado de sêmen: avanço de 9,44%. O destaque ficou para as importações: 1.729.086 doses entraram no país, volume 54,7% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Já a produção nacional somou 4.647.888 doses, com leve recuo de 1,3%. “Observamos volume recorde em produção de material genético com aptidão leiteira no período, com 968.098 doses coletadas: aumento de 41,7%. Nas importações, foram 903.618 doses aptidão corte, volume 92,7% maior na comparação com 2025. Esse cenário demonstra que o pecuarista brasileiro reconhece a genética como investimento essencial para tornar a pecuária de corte e leite cada vez mais eficiente e sustentável”, avalia o presidente da ASBIA. O Index ASBIA também destaca a expansão das técnicas de inseminação artificial no Brasil. A tecnologia esteve presente em 3.721 municípios, o equivalente a 66,8% das cidades brasileiras: aumento de 2,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025.
Assessoria de Imprensa Asbia
EMPRESAS
Grupo Piracanjuba compra o Laticínio Sertão, em Alagoas
Operação reforça o plano de crescimento da companhia no Nordeste
O Grupo Piracanjuba anunciou na terça-feira (19/5) a aquisição do Laticínio Sertão, indústria especializada na produção de queijos, localizada na zona rural de Monteirópolis, em Alagoas. O valor da transação não foi informado. De acordo com a empresa, a operação reforça o plano de crescimento da companhia no Nordeste, região considerada estratégica para a Laticínio Sertão, especializado na produção de queijos. “A expansão no Nordeste representa um avanço importante para a competitividade logística da empresa e já iniciamos estudos para futuros investimentos na ampliação da planta”, afirmou o presidente do Grupo Piracanjuba, Luiz Claudio Lorenzo. “A expectativa é expandir gradualmente, tanto a produção quanto o mix de produtos fabricados na unidade”, completou. O Laticínio Sertão foi fundado em 1955. Entre os itens fabricados estão queijo coalho, muçarela, prato, provolone, ricota, cheddar, requeijão e manteiga. A distribuição dos produtos está concentrada na região Nordeste. O contrato prevê a transferência integral do controle da indústria para o Grupo Piracanjuba. Neste primeiro momento, a produção seguirá com a marca Laticínio Sertão e, gradualmente, passará a incorporar a marca Piracanjuba. A conclusão da transação está condicionada à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Até a decisão definitiva do órgão, o Laticínio Sertão e o Grupo Piracanjuba seguirão operando de forma autônoma e independente.
GLOBO RURAL
Verde Campo lança linha de leite A2 na APAS 2026
A Verde Campo participa da APAS SHOW 2026 com uma estratégia centrada em saudabilidade, proteínas e bem-estar digestivo.
Durante o evento, a marca apresenta oficialmente sua nova linha de leite A2 e amplia o portfólio com a estreia da Linha Tradicional de iogurtes, além de projetar crescimento de 50% nos negócios gerados na feira. Os lançamentos reforçam o posicionamento da empresa em categorias ligadas à alimentação equilibrada e acompanham mudanças recentes no comportamento do consumidor, especialmente a busca por produtos com melhor digestibilidade, menos açúcar e maior valor nutricional. O principal destaque da marca na APAS Show 2026 é a nova linha A2. O produto chega ao mercado em um momento de maior interesse por soluções associadas ao bem-estar digestivo e à personalização alimentar. O leite A2 é produzido exclusivamente com a proteína beta-caseína A2, encontrada naturalmente em algumas raças de vacas. Diferentemente do leite convencional, que combina proteínas A1 e A2, a proposta da categoria é atender consumidores que relatam uma experiência digestiva mais confortável. Segundo Fábio Ferreira, CEO da Verde Campo, o movimento acompanha uma transformação mais ampla nos hábitos alimentares. “A alimentação deixou de ser vista apenas como consumo básico e passou a ocupar um papel central na rotina de autocuidado e prevenção”, afirma o executivo. A marca também conecta o lançamento às discussões recentes impulsionadas pelos medicamentos análogos de GLP-1, que vêm ampliando a atenção do mercado para proteínas e alimentos associados à alimentação equilibrada. Além da linha A2, a Verde Campo estreia a Linha Tradicional de iogurtes. Os produtos chegam nos sabores tradicional e morango, em embalagens de 170g e 500g. A proposta da linha é atender consumidores que buscam iniciar uma rotina alimentar mais equilibrada. Os iogurtes são produzidos com ingredientes de origem natural, sem conservantes e com açúcar orgânico. Outro destaque é a redução de 30% nos açúcares em comparação a produtos tradicionais disponíveis no mercado. A Verde Campo construiu sua trajetória ligada ao segmento de saudabilidade antes mesmo da categoria ganhar maior escala no Brasil. A empresa foi pioneira com a linha LACFREE® e posteriormente ampliou sua atuação com a Natural Whey®, voltada ao mercado de lácteos proteicos. Agora, o investimento em leite A2 reforça a estratégia de diversificação do portfólio em categorias de maior valor agregado e alinhadas às transformações do consumo alimentar. Durante a APAS Show 2026, a Verde Campo também aposta em experiências interativas para ampliar o engajamento com visitantes. Entre as ativações está a “Corridinha Verde Campo”, dinâmica gamificada que utiliza sensores de movimento para transformar corrida em competição digital em tempo real. O estande ainda contará com degustações, jogo da memória personalizado e participação do chef Ricardo Freitas e de influenciadores parceiros da marca. Com foco em inovação e experiência, a participação da Verde Campo na feira reforça o avanço das marcas de alimentos em direção a um consumo cada vez mais associado a bem-estar, conveniência e nutrição funcional.
Divulgação APAS SHOW
INTERNACIONAL
Global Dairy Trade sobe, mas mercado mostra hesitação
A 404ª edição do Global Dairy Trade registrou uma nova alta no índice de preços, embora os números por trás das negociações revelem um mercado internacional ainda cauteloso e longe de uma recuperação totalmente consolidada.
O leilão 404 da Global Dairy Trade (GDT), realizado em 19 de maio de 2026, encerrou-se com um aumento de 0,6% no índice geral de preços, elevando o valor médio de adjudicação para US$ 4.198 por tonelada métrica. Embora o resultado mantenha a tendência positiva observada nas últimas licitações, o comportamento dos compradores deixou sinais contraditórios para o mercado lácteo internacional. No total, participaram 154 licitantes, mas apenas 87 acabaram concretizando compras, um dado que, para muitos analistas, reflete um cenário ainda marcado pela cautela. Apesar de a demanda continuar ativa, o nível de agressividade nas licitações parece manter-se contido diante de um contexto global de incerteza econômica, custos financeiros elevados e consumo ainda irregular em vários mercados-chave. Outro dado que chamou a atenção foi a própria dinâmica da negociação. O evento exigiu 15 rodadas de lances e se estendeu por 2 horas e 26 minutos, o que evidencia um mercado muito mais seletivo e estratégico na hora de fechar operações. Em cenários de forte confiança dos compradores, os leilões costumam ser concluídos com maior rapidez e menor resistência entre oferta e demanda. O volume comercializado atingiu 12.972 toneladas métricas, dentro de uma faixa de oferta previamente estimada entre 12.245 e 16.233 toneladas. Isso confirma que, embora haja interesse em garantir o produto, os compradores continuam agindo com cautela diante da volatilidade internacional e das dúvidas sobre a evolução do consumo durante o segundo semestre do ano. A nova alta do GDT volta a alimentar o debate dentro do setor: o mercado lácteo global está iniciando uma recuperação genuína ou simplesmente passando por um período de estabilidade sustentado por uma oferta mais restrita? Por enquanto, os números mostram uma melhora moderada nos preços, embora ainda longe de um cenário de euforia de compra.
Global Dairy Trade
ECONOMIA
Dólar à vista fecha em alta de 0,86%, a R$5,0416 na venda
O dólar fechou a terça-feira novamente em alta e próximo dos R$5,05, impulsionado pelo avanço da moeda norte-americana no exterior e pelo cenário político brasileiro, após nova pesquisa eleitoral mostrar queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida presidencial.
Em novo episódio do escândalo do banco Master, Flávio Bolsonaro confirmou no início da tarde que se reuniu com o ex-dono da instituição, Daniel Vorcaro, em 2025, após o banqueiro ter sido preso pela primeira vez. dólar à vista fechou em alta de 0,86%, aos R$5,0416. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,15% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 1,01% na B3, aos R$5,0580. A sessão foi marcada pelo avanço do dólar em todo o mundo, influenciado pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, mesmo depois que o presidente norte-americano, Donald Trump, adiou um ataque militar planejado para a terça-feira. Trump afirmou que há “uma chance muito boa” de um acordo com o país na área nuclear, mas nesta terça-feira disse que os EUA podem precisar atacar o Irã novamente. O avanço no Brasil foi amplificado novamente pelo cenário político. Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg apontou pela manhã que as intenções de voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno da disputa pelo Planalto subiram de 46,6% para 47%, enquanto o percentual de Flávio Bolsonaro caiu de 39,7% para 34,3%. Nas simulações de segundo turno, Lula avançou de 47,8% para 48,9%, enquanto o senador caiu de 47,8% para 41,8%. A queda de Flávio Bolsonaro ocorre na esteira da publicação de reportagem do Intercept Brasil informando que o senador pediu R$134 milhões a Vorcaro para financiar um filme sobre a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. A pesquisa Atlas ouviu 5.032 pessoas entre os dias 13 e 18 de maio. A primeira reportagem sobre a relação entre Flávio e Vorcaro foi publicada pelo Intercept Brasil na tarde do dia 13. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos. No início da tarde da terça-feira, Flávio admitiu que se reuniu pessoalmente com Vorcaro em São Paulo, após o banqueiro ter tido sua primeira prisão preventiva substituída pelo uso de tornozeleira, no final de 2025. “Quando surgem notícias que fortalecem a perspectiva de reeleição do presidente Lula, há um aumento na percepção de riscos fiscais para os ativos brasileiros e, consequentemente, uma maior exigência de prêmios de risco pelos investidores, movimento que tende a pressionar negativamente a moeda brasileira”, disse pela manhã Leonel de Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercados da Stonex, em comentário escrito.
Reuters
Ibovespa recua com exterior desfavorável e pesquisa eleitoral no radar
O sinal negativo prevalecia na bolsa paulista na terça-feira, com o Ibovespa chegando a trabalhar em níveis de janeiro, em meio a um ambiente externo desfavorável para o mercado brasileiro e com nova pesquisa eleitoral também no radar.
Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,05%, a 175.122,46 pontos, mas chegou a 173.543,76 no pior momento, mínima intradia desde 22 de janeiro. O volume financeiro somava R$6,27 bilhões. Em abril, o Ibovespa superou pela primeira vez os 199 mil pontos durante o pregão do dia 14, alimentando expectativas de que romperia a marca inédita dos 200 mil pontos. Mas o fôlego arrefeceu, minado principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa. De acordo com dados da B3, até o dia 15, o saldo de capital externo estava negativo em R$9,6 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões – mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$46,9 bilhões. O Ibovespa, que chegou a acumular uma valorização de mais de 23% até meados de abril (considerando dados de fechamento), agora soma uma alta de menos de 9%. Embora uma parte da correção ditada pelo fluxo estrangeiro reflita uma rotação para ações de tecnologia no exterior, em movimento alinhado com outros emergentes, estrategistas também têm citado efeito da perspectiva de um ciclo de corte de juros mais lento do que anteriormente esperado no mercado. O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%. Os preços do petróleo recuavam nesta sessão, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter suspendido um ataque contra o Irã para permitir negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Mas o novo patamar das cotações da commodity tem alimentado preocupações com a inflação no mundo, incluindo o Brasil, mesmo com medidas recentes do governo para amenizar o impacto. O cenário eleitoral no país também é acompanhado e nesta sessão destacava a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem. A maior parte do período da pesquisa, de 13 a 18 de maio, ocorreu após a publicação de reportagem sobre relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Reuters
BC pretende manter Selic restritiva até inflação caminhar para a meta, diz diretor David
O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%.
Em evento promovido pelo Santander, David voltou a afirmar que o BC se preocupa com a desancoragem das expectativas de mercado para períodos mais longos, especialmente 2028, que tendem a ser menos sensíveis a choques momentâneos. “O que mais nos preocupou foi o fato de as expectativas de inflação para 2028 subirem… o que dificulta nosso trabalho”, afirmou. O mercado espera que a inflação fique em 3,65% ao fim de 2028, segundo o boletim Focus, acima do centro da meta de 3%, que tem uma tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual em abril, a 14,50%, em movimento que tem chamado de “calibração”, com David reforçando que a autarquia terminará o ciclo de com juros ainda em nível restritivo. De acordo com o diretor, o conflito no Irã pegou o Brasil em uma situação melhor do que outros pares, com o país tendendo a ter um crescimento econômico maior do que o esperado por ser superavitário no comércio de petróleo. Ele ponderou, no entanto, que esse deve ser um crescimento mais restritivo do que em outros momentos porque deve se observar uma renda disponível menor das famílias diante do aumento de preços de alimentos e combustíveis. O diretor acrescentou que o nível de incerteza, ampliado com o início do conflito, impede o BC de indicar o que fará com a taxa Selic nas próximas reuniões. Para David, a atividade econômica no Brasil, que vinha rodando acima de seu potencial, agora está em patamar neutro –que tende a não pressionar a inflação. O diretor afirmou que o conflito no Oriente Médio mudou preços relativos no mundo e isso pode ser transmitido para os índices de inflação. Ele defendeu que o BC não reaja a dados únicos ou mudanças pontuais de preços. “O Banco Central não vai atacar qualquer mudança nos preços que possa ocorrer devido ao conflito, mas também não vai tolerar que isso se transforme em inflação no futuro”, disse. O diretor afirmou que as avaliações do BC são feitas com cautela e serenidade diante do elevado nível de incerteza no ambiente, ressaltando que a política monetária está funcionando. David disse ainda que o novo Desenrola, programa de renegociação de dívidas do governo, traz mais uma camada de incerteza porque pode gerar efeitos distintos — pessoas gastando mais após “limparem” seus nomes e pessoas com menos renda disponível porque vão gastar para quitar seus débitos. Na apresentação, ele tratou dos desafios enfrentados pelo BC nos últimos anos, citando a irrigação de recursos na economia com uma série de iniciativas, como o aumento do nível de crédito, a política de ganhos reais de salário-mínimo, o pagamento de precatórios represados e o maior nível de bancarização. David também citou preocupação apresentada por agentes de mercado de que o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda poderia pressionar a inflação e dificultar o trabalho do BC. “Apesar das condições monetárias restritivas, vimos o Brasil crescer acima das expectativas ano após ano até o ano passado”, disse o diretor.
Reuters
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