Ano 1 | nº 136 | 19 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Leite dispara no varejo e lidera impacto sobre inflação ao consumidor em maio, aponta FGV
Alta de quase 14% no leite longa vida colocou o produto no topo das pressões inflacionárias do IGP-10, enquanto etanol e café registraram recuo nos preços.
O leite longa vida voltou ao centro das atenções do produtor rural e do consumidor brasileiro em maio. Segundo dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o produto registrou alta de 13,85% no período e foi o item que mais pressionou a inflação ao consumidor dentro do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10). O levantamento foi publicado na segunda-feira, 18 de maio, pela instituição. Mesmo com a forte elevação do leite nas prateleiras, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) apresentou desaceleração. Em abril, o indicador havia subido 0,88%, enquanto em maio a variação ficou em 0,68%. O movimento mostra que alguns produtos importantes do dia a dia tiveram redução de preços e ajudaram a conter um avanço mais intenso da inflação. Além do leite longa vida, outros produtos e serviços contribuíram para elevar a inflação medida pela FGV em maio. A tarifa de eletricidade residencial teve avanço de 1,64%, enquanto o perfume subiu 6,64%. Já a gasolina acumulou aumento de 0,80% no período analisado. Outro item com impacto relevante foi o gás de botijão, que registrou alta de 2,60%. O comportamento desses custos chama atenção principalmente no meio rural, onde energia e combustíveis possuem peso importante nas despesas operacionais das propriedades, especialmente em atividades intensivas como pecuária leiteira e confinamento bovino. No campo, produtores acompanham de perto a movimentação dos combustíveis porque o diesel influencia diretamente o transporte de insumos, a distribuição de ração e o escoamento da produção. Já a conta de energia afeta sistemas de irrigação, ordenha mecanizada, refrigeração do leite e armazenagem de alimentos. Na direção oposta, alguns produtos apresentaram redução de preços e ajudaram a diminuir parte das pressões inflacionárias em maio. Entre os principais recuos apontados pela FGV estão a tarifa de ônibus urbano, com queda de 1,20%, e o café em pó, que ficou 2,37% mais barato. O etanol também registrou retração importante, com baixa de 1,76%. A maçã apresentou redução de 4,59%, enquanto o aparelho telefônico celular caiu 0,84%. Apesar desses recuos, o avanço expressivo do leite longa vida acabou ganhando destaque no levantamento da FGV devido ao peso do alimento no orçamento das famílias brasileiras. O produto possui presença constante na mesa do consumidor e qualquer alteração relevante nos preços costuma gerar impacto imediato nos índices inflacionários. Os dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas mostram que o leite segue como um dos alimentos mais sensíveis dentro dos indicadores econômicos brasileiros.
FGV
GOVERNO
Mapa divulga atualização sobre o desabastecimento de vacinas contra clostridioses
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou que, na primeira quinzena de maio de 2026, foram disponibilizadas 12.372.575 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional.
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), divulgou que, na primeira quinzena de maio de 2026, foram disponibilizadas 12.372.575 doses de vacinas contra clostridioses no mercado nacional. Do total liberado neste período, 9.286.185 doses (75,05%) são de fabricação nacional e 3.086.390 doses (24,95%) correspondem a vacinas importadas. O Mapa vem atuando junto à indústria de insumos veterinários para estimular a ampliação da produção nacional, viabilizar importações e acelerar os procedimentos de fiscalização e liberação das vacinas. Como resultado dessas ações emergenciais, o Ministério já havia liberado, nos meses de março e abril de 2026, o total de 14.640.910 doses de vacinas contra clostridioses, entre produtos nacionais e importados. Sendo desse total, 9.344.060 doses (63%) correspondem à produção nacional, enquanto 5.296.850 doses (37%) são provenientes de importações autorizadas pelo Ministério. O Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan) informou, em 5 de maio de 2026, estimativa inicial de entrega entre 8 milhões e 10 milhões de doses mensais até dezembro, com possibilidade de ampliação no segundo semestre. A projeção é de que possam ser disponibilizadas mais de 100 milhões de doses até o final do ano. A informação divulgada pelo ministério acontece diante do cenário de desabastecimento de vacinas essenciais para a pecuária apontado pela CNA na semana passada. Em documento encaminhado ao Ministro André de Paula, a confederação alertava para a escassez de imunizantes utilizados no combate a doenças como clostridioses, influenza equina, encefalomielite, herpesvírus, tétano e leptospirose.
MAPA
Governo brasileiro lança programa de assistência técnica para a produção leiteira
O Governo do Brasil, através da ANATER, lançou o programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) Mais Leite Brasil, voltado à qualificação da gestão e à sustentabilidade da cadeia produtiva do leite na agricultura familiar.
O prazo para as entidades credenciadas na Anater apresentarem suas propostas, por meio do Sistema de Gestão de ATER (SGA), e concorrerem ao edital vai até o dia 28 de maio. O programa foi idealizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e será executado pela Anater com a contração de entidades parceiras. A presidenta da Anater, Loroana Santana, explica que o programa ATER Mais Leite Brasil busca enfrentar gargalos da produção leiteira, com foco no aumento da produtividade, na redução de custos e na melhoria da qualidade do leite. “A atuação da Anater, ao levar assistência técnica e extensão rural a essas famílias, buscará maior estabilidade produtiva ao longo do ano, especialmente em regiões com forte sazonalidade, além de apoiar a adoção de tecnologias apropriadas à realidade da agricultura familiar”, afirmou. Com investimento de R$ 28,5 milhões, participarão do programa 4.050 famílias, distribuídas em 27 lotes — um em cada unidade da federação. Cada lote contempla 150 famílias, que receberão assistência técnica e extensão rural por um período de 18 meses, com foco na inclusão produtiva e no fortalecimento de organizações coletivas. Assentados e assentadas da reforma agrária, povos e comunidades tradicionais, pescadores artesanais e beneficiários do crédito fundiário são os públicos prioritários do programa. O edital com as normas para concorrer ao programa está disponível no site da Anater.
ANATER
INTERNACIONAL
Produção mundial de leite acelera em 2026 e União Europeia registra melhor fevereiro da história
As entregas globais de leite atingiram média de 849 milhões de litros por dia em fevereiro, um aumento de 35,2 milhões de litros diários (+4,3%) nas regiões monitoradas em comparação com o mesmo período do ano anterior.
As tendências da oferta global de leite têm impacto direto nos preços internacionais dos lácteos. Para acompanhar o comportamento do mercado, são monitoradas as entregas de leite das principais regiões exportadoras do mundo: União Europeia, Reino Unido, Argentina, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Juntas, essas regiões representam mais de 65% da produção mundial de leite de vaca e cerca de 80% das exportações globais de produtos lácteos. As entregas globais de leite atingiram média de 849 milhões de litros por dia em fevereiro, um aumento de 35,2 milhões de litros diários (+4,3%) nas regiões monitoradas em comparação com o mesmo período do ano anterior. Na União Europeia, as entregas chegaram a 399,7 milhões de litros por dia em fevereiro, um crescimento expressivo de 20,6 milhões de litros diários (+5,4%) em relação ao mesmo mês do ano passado — o melhor fevereiro já registrado pelo bloco. O avanço da produção foi impulsionado pelos altos níveis de rentabilidade observados anteriormente, pela redução dos custos de alimentação animal e pelo aumento da produtividade, embora os preços pagos ao produtor já tenham começado a cair. Dentro da União Europeia, a Alemanha liderou o crescimento em volume, com aumento de 164 milhões de litros (+7%) em fevereiro. Na sequência aparecem França, com alta de 141 milhões de litros (+8%), e Itália, com crescimento de 89 milhões de litros (+9%). No Reino Unido, as entregas médias chegaram a 43,5 milhões de litros por dia em fevereiro, alta de 3,6% na comparação anual. O fluxo de leite continuou atingindo novos recordes, impulsionado pelo maior uso de concentrados na alimentação, que elevou a produção por vaca. Já os dados de abril mostram um cenário de estabilização. Nos Estados Unidos, a produção aumentou 8,4 milhões de litros por dia (+3%) em relação ao ano anterior, alcançando média de 287,3 milhões de litros diários em fevereiro. Embora as margens das fazendas leiteiras tenham recuado em relação aos níveis elevados anteriores, elas continuam positivas, sustentadas pela receita combinada da produção de leite e carne bovina. A Austrália registrou crescimento mais moderado, com aumento de 0,1 milhão de litros por dia (+0,6%) frente ao ano passado, atingindo média de 20,6 milhões de litros diários. Mesmo com a alta nos custos de produção e o aumento do risco de seca, os preços do leite seguem relativamente sustentados. Na Nova Zelândia, as entregas cresceram 3,9 milhões de litros por dia (+6%) em relação ao ano anterior, alcançando média diária de 68,6 milhões de litros em fevereiro. A confiança dos produtores foi favorecida pelos preços firmes do leite e pelas boas condições climáticas, que estimularam o fluxo de produção. Já a Argentina manteve forte ritmo de crescimento. As entregas aumentaram 2,8 milhões de litros por dia (+10,6%) em fevereiro na comparação anual. Investimentos no setor leiteiro, clima favorável e boas condições econômicas dos produtores impulsionaram a produtividade. No entanto, a queda recente nos preços do leite reduziu a rentabilidade, o que levou a previsões de crescimento mais moderado para 2026.
Agriculture and horticulture development Board (AHDB)/MILKPOINT
LEGISLAÇÃO
Reforma tributária e o produtor de leite – por que a “opção” pelo CNPJ pode virar decisão econômica (e não apenas cadastral)
Não se trata, necessariamente, de “abrir empresa” ou transformar a pessoa física em pessoa jurídica. Mas há, sim, um ponto prático incontornável: se o produtor rural pessoa física for contribuinte do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), ele precisará se inscrever no CNPJ para fins de apuração desses tributos, a partir de julho de 2026, conforme orientação oficial divulgada pela Receita Federal. E, do lado do laticínio, essa decisão do produtor — ser contribuinte ou não — tende a impactar preço, crédito, alíquota efetiva e competitividade.
A Receita foi clara ao esclarecer que, a partir de julho de 2026, pessoas físicas que sejam contribuintes do IBS e da CBS deverão se inscrever no CNPJ, sem que isso altere sua natureza jurídica: o CNPJ funciona como instrumento operacional de identificação e cálculo no novo sistema, não como “constituição de empresa” por si só. Ou seja, o produtor pode continuar pessoa física, mas, se estiver no regime de contribuinte, terá um CNPJ “para fins tributários” do IBS/CBS. O que está por trás disso é uma mudança estrutural que o setor precisa encarar com serenidade. A Lei Complementar 214/2025 (a lei central do IBS e da CBS) cria uma distinção relevante no mundo rural: existe o produtor que será não contribuinte do IBS/CBS e existe o produtor que será contribuinte, seja por obrigatoriedade, seja por opção. Em linhas gerais, a própria sistemática legal trabalha com um limite de receita bruta anual (muito citado no mercado como R$ 3,6 milhões, com atualização) para definir o enquadramento do produtor como não contribuinte em determinadas hipóteses, além do enquadramento do produtor integrado. E aqui aparece o ponto que interessa diretamente ao laticínio, já que o regime tributário do produtor altera a qualidade do crédito na cadeia. Quando o produtor é contribuinte do IBS/CBS no regime regular, sua operação tende a permitir que o adquirente (o laticínio) tome crédito “cheio”, dentro da lógica não cumulativa. Quando o produtor é não contribuinte, a lei abre espaço para o laticínio tomar crédito presumido nas aquisições feitas de produtor rural não contribuinte (ou produtor integrado), desde que atendidos requisitos documentais. O instituto do crédito presumido está expressamente previsto na LC 214/2025, inclusive com regras de emissão e discriminação no documento fiscal eletrônico. Na teoria, ambos os caminhos “funcionam”. Na prática, a diferença entre crédito pleno e crédito presumido pode ser o detalhe que separa um laticínio competitivo de um laticínio pressionado. O gestor da indústria conhece bem esse filme: quando o crédito é menor, a alíquota efetiva sobe; quando a alíquota efetiva sobe, sobra menos margem para segurar preço no varejo, investir em tecnologia, atravessar entressafra, remunerar melhor o produtor ou bancar custo logístico. É por isso que a discussão do CNPJ do produtor não é, essencialmente, um tema de cartório ou contabilidade: é um tema de economia da cadeia. Para o produtor, a pergunta central não é “CNPJ sim ou não?”, mas “qual modelo me coloca melhor dentro da cadeia, sem criar risco desnecessário?”. Para o laticínio, a pergunta espelha isso: “como estruturar minha base de fornecedores para maximizar crédito, reduzir glosa e manter previsibilidade de custo?”. Porque, no novo sistema, a informalidade e a inconsistência documental custam caro — e não apenas em autuação. Custam caro porque reduzem a capacidade de capturar crédito com segurança. Muitos produtores associam CNPJ automaticamente a “virar empresa”, aumentar burocracia, mudar regime de imposto de renda, contratar contabilidade mais cara, perder benefícios e assim por diante. A orientação oficial da Receita procura justamente cortar esse ruído: o CNPJ exigido para o contribuinte do IBS/CBS é um cadastro instrumental, voltado à apuração no novo sistema, e não uma conversão automática de pessoa física em pessoa jurídica. Essa distinção é crucial para que a decisão seja tomada com racionalidade e não por medo. O cronograma também importa. A Receita fala em julho de 2026 como marco para inscrição no CNPJ das pessoas físicas contribuintes do IBS/CBS. Isso não é “amanhã”, mas também não é longe para uma cadeia que opera com contratos, rotas de coleta, sistemas de emissão, classificação e controles internos. Em termos de gestão, produtores que permanecerão fora do regime regular (não contribuintes) e produtores que optarão ou serão obrigados a entrar (contribuintes). A inteligência competitiva estará em administrar essa heterogeneidade sem perder o controle fiscal e sem destruir o relacionamento comercial com o produtor. Olhando para a realidade do setor, é importante que os laticínios tratem essa transição como projeto de cadeia, não como ajuste pontual. Quem compra leite precisa mapear sua base de fornecedores, identificar quem tenderá a permanecer como não contribuinte, quem poderá ultrapassar limites, quem tem perfil para optar por regime regular, e como isso afeta o custo tributário efetivo de cada linha de produto. E o produtor, por sua vez, deve enxergar que a escolha entre ser contribuinte ou não pode influenciar até o preço que ele consegue negociar, porque o crédito gerado ou presumido na operação tem valor econômico dentro do laticínio. A lei, ao prever crédito presumido nas aquisições de produtor não contribuinte, reconhece essa fricção e tenta evitá-la — mas o mercado vai precificar diferença de risco e de eficiência operacional. A reforma tributária, no fundo, está empurrando o agro para um modelo em que a formalidade fiscal não é “capricho”; é infraestrutura. Não se trata de burocratizar o campo, mas de permitir que a cadeia funcione com crédito, rastreabilidade e menor litigiosidade. E, para o leite, essa infraestrutura começa na base: a definição de quem será contribuinte do IBS/CBS e, sendo contribuinte, a inscrição no CNPJ como ferramenta de apuração. Assim, não espere julho de 2026 para discutir isso no balcão do resfriador. O laticínio deve abrir o diálogo agora com sua base, orientar com clareza que o CNPJ exigido para IBS/CBS não transforma pessoa física em empresa, e construir um plano de transição que preserve crédito, evite glosa e mantenha a cadeia economicamente saudável. O produtor, por sua vez, deve compreender que a opção pelo enquadramento e pela inscrição não é apenas um tema “do contador”: pode ser um tema que define competitividade, poder de negociação e estabilidade de renda nos próximos anos.
MILKPOINT
ECONOMIA
Dólar volta a fechar abaixo de R$5,00 após Trump adiar ataque contra o Irã
O dólar fechou a segunda-feira em queda firme e novamente abaixo dos R$5,00, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado o adiamento de um ataque militar programado para a terça-feira contra o Irã.
Em sintonia com a baixa da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes, o dólar à vista fechou em baixa de 1,34%, aos R$4,9987. No ano, a divisa passou a acumular queda de 8,93% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 1,17% na B3, aos R$5,0150. O dólar cedeu durante toda a sessão no Brasil, com os investidores promovendo ajustes técnicos após a disparada da última semana e reagindo ao recuo da divisa ante outras moedas no exterior. “O dólar subiu demais com o caso do (senador) Flávio Bolsonaro. Houve uma alta agressiva, e hoje está tendo um ajuste, com a melhora do ambiente também no exterior”, disse no início da tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. Na semana passada, uma reportagem do Intercept Brasil havia informado que Flávio pediu ao ex-dono do banco Master, Daniel Vorcaro, R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade e alega ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer vantagens em troca. O viés de baixa para o dólar na segunda-feira foi intensificado no fim da tarde após Trump informar pelas redes sociais o adiamento de um ataque militar contra o Irã que estava programado para terça-feira. Ainda que não haja uma solução para o conflito, que segue prejudicando o tráfego de navios pelo Estreito de Ormuz, o anúncio de Trump trouxe certo alívio para os investidores, que temem o fim do cessar-fogo entre os países. “O câmbio passa por um ajuste técnico e testa o patamar de R$5,00, monitorando também o alívio temporário no exterior trazido pelos sinais de distensão entre EUA e Irã, que chegaram a arrefecer os preços das commodities na parte da tarde”, pontuou Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito. No mercado de câmbio brasileiro, ficou em segundo plano a divulgação do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que caiu 0,7% em março ante fevereiro na série com ajustes sazonais. O resultado foi pior que a retração de 0,2% projetada por economistas ouvidos pela Reuters. Na comparação com março do ano passado, houve ganho de 3,1% pela série sem ajustes.
Reuters
Ibovespa fecha abaixo dos 177 mil pontos pressionado por Vale
O Ibovespa fechou com um declínio modesto na segunda-feira, pressionado principalmente pela Vale, em dia de queda dos contratos futuros do minério de ferro na China, enquanto a Petrobras abandonou o sinal negativo e avançou, com os preços do petróleo retomando a alta no exterior.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,17%, a 176.975,82 pontos, após marcar 175.811,33 na mínima e 177.329,88 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$24,19 bilhões. Desde meados de abril, quando o Ibovespa renovou recordes e alimentou expectativas de bater a marca inédita de 200 mil pontos, a bolsa paulista tem experimentado uma correção, com a perda desde então somando quase 11%. Como pano de fundo está o fluxo negativo de estrangeiros, com maio registrando saída líquida de quase R$3,9 bilhões até o dia 14, conforme dados da B3, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões – mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. Na segunda-feira, a agenda macro destacou números mais fracos do que o esperado sobre a atividade econômica do país em março, conforme o IBC-Br, enquanto a pesquisa Focus mostrou aumento nas previsões para a Selic no final do ano, agora estimada em 13,25%. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, não sustentou os ganhos e fechou em baixa de 0,07%.
Reuters
FOCUS: Mercado projeta inflação de 4,92% em 2026
Expectativa é de que economia cresça 1,85% no ano
A expectativa do mercado financeiro para inflação e juros subiu na comparação com a semana passada. As projeções relacionadas a câmbio e economia se mantiveram estáveis, segundo o Boletim Focus, divulgado na segunda-feira (18) pelo Banco Central (BC) . De acordo com o levantamento, a previsão do mercado é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação do país, feche 2026 em 4,92%. É a décima semana consecutiva com previsão de alta inflacionária. Na semana passada, o mercado projetava um índice ligeiramente menor (4,91%). Há quatro semanas, a inflação projetada para 2026 estava em 4,8%. Para os anos subsequentes, as projeções de inflação são de 4% em 2027 e de 3,65% em 2028. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação no Brasil desacelerou em abril, fechando o mês em 0,67%, pressionada pelos preços de alimentos e bebidas (1,34%). Estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para o Brasil é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior, 4,5%. Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, definida atualmente em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. O Boletim Focus aumentou em 0,25 ponto percentual as projeções para a Selic ao final do ano – passando dos 13% projetados nos meses anteriores para 13,25%. Para 2027 e 2028, a previsão é de que a Selic feche em 11,25% e 10%, respectivamente. As previsões do mercado financeiro para a economia e para o dólar ficaram estáveis, na comparação com a semana passada. O mercado financeiro projeta uma cotação de R$ 5,20 para a moeda estadunidense ao final de 2026. Para 2027, a projeção é de que o dólar feche o ano em R$ 5,27, e em R$ 5,34, em 2028. Em relação à economia, o Boletim Focus mantém a previsão há três semanas, de que o Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todas as riquezas produzidas no país) feche 2026 com crescimento de 1,85%. Para 2027 e 2028, as expectativas são de que o PIB seja de 1,77% e 2%, respectivamente.
AGÊNCIA BRASIL
Fazenda vê inflação bater no teto da meta em 2026 sob efeito do conflito no Irã
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda elevou nesta segunda-feira suas projeções de inflação para 2026 e 2027, prevendo que o IPCA atingirá o teto da meta neste ano sob impacto do conflito no Irã.
A SPE também projetou um crescimento de 2,3% do PIB neste ano, mesmo nível estimado em março. A secretaria estimou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2026 em 4,5%, contra 3,7% previstos antes. Em 2027, a previsão é de inflação de 3,5%, ante previsão de 3,0% feita em março. “A perspectiva de maior inflação no ano reflete, principalmente, desdobramentos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo e seus derivados”, disse a SPE. O país tem uma meta contínua de inflação de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — de 1,5% a 4,5%. Apesar da elevação da estimativa para o comportamento dos preços, a Fazenda está mais otimista do que agentes de mercado, que esperam uma inflação de 4,92% neste ano, acima do teto da meta, segundo o mais recente boletim Focus do Banco Central. De acordo com a SPE, parte da pressão de alta da inflação tende a ser atenuada pela taxa de câmbio mais apreciada e uma previsão de mercado de Selic mais alta no fim deste ano, além das medidas adotadas pelo governo para amortecer elevações de preços de combustíveis. A SPE destacou uma deterioração “relevante” no cenário internacional desde o início do conflito no Oriente Médio, com piora nas perspectivas de crescimento da atividade econômica dos países e maior pressão inflacionária global. A pasta observou que indicadores do primeiro trimestre deste ano sugerem aceleração da atividade no Brasil após crescimento praticamente nulo no fim de 2025, apesar de destacar números elevados de endividamento e inadimplência. A expectativa, segundo a SPE, é de uma desaceleração econômica no segundo e terceiro trimestres, com ligeira retomada no final do ano. A secretaria ainda afirmou no relatório que medidas adotadas pelo governo para mitigar efeitos econômicos da guerra no Irã, incluindo subvenções e cortes tributários para combustíveis, geram custo fiscal inferior ao aumento esperado da arrecadação derivada do choque de petróleo, já que o Brasil é exportador líquido do produto. “As estimativas iniciais da SPE apontam que, combinando o crescimento esperado no pagamento de royalties, dividendos, IRPJ e CSLL, somados ao imposto de exportação, pode-se esperar um aumento da arrecadação da ordem de R$8,5 bilhões ao mês”, apontou o documento.
REUTERS
Atividade econômica cai mais do que o esperado em MARÇO, mas tem alta de 1,3% no 1º tri, mostra BC
A atividade econômica do Brasil registrou desempenho positivo no primeiro trimestre deste ano mesmo depois de ter recuado mais do que o esperado em março, em meio aos impactos da guerra no Oriente Médio, apontou dados do Banco Central divulgados na segunda-feira.
O Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), apresentou em março queda de 0,7% na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado. Foi o primeiro recuo mensal neste ano e o mais intenso desde maio de 2025, além de ter sido pior que a expectativa em pesquisa da Reuters de retração de 0,2%. Ainda assim, o índice registrou expansão de 1,3% nos três primeiros meses do ano em relação ao quarto trimestre de 2025. Dados do PIB mostraram que a economia brasileira cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre de 2025. O IBGE divulgará os dados do PIB do primeiro trimestre em 29 de maio. O mês de março foi marcado por incertezas geopolíticas após o início da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, que fechou o Estreito de Ormuz e elevou os preços do petróleo. Isso por sua vez levantou preocupações com a inflação em todo o mundo. No Brasil, o IPCA de março já mostrou o impacto da guerra com alta de 0,88% diante do aumento dos preços de transportes e alimentos. Em abril, a alta do IPCA desacelerou a 0,67%. O BC decidiu no final de abril cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 14,50%, mas pregou cautela dizendo que precisará incorporar novas informações para definir a política monetária à frente. A abertura dos dados do BC na segunda-feira mostra que em março houve perdas generalizadas na atividade econômica frente ao mês anterior, com quedas de 0,2% na agropecuária e na indústria e de 0,8% dos serviços. No mês, dados separados do IBGE mostraram que o setor de serviços teve a maior queda desde novembro de 2024, de 1,2%, enquanto a produção industrial desacelerou com um crescimento de 0,1%. Por outro lado, as vendas no varejo cresceram em março pelo terceiro mês seguido, renovando o recorde da série histórica com alta de 0,5%, de acordo com o IBGE. Os dados do IBC-Br mostraram que, no primeiro trimestre, a indústria avançou 1,3%, enquanto a agropecuária e os serviços tiveram ambos expansão de 1,0%. Na comparação com março do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 3,1%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a um avanço de 1,8%, segundo números não dessazonalizados. A mais recente pesquisa Focus realizada pelo Banco Central mostrou que a expectativa do mercado para a expansão do PIB em 2026 é de 1,85%, indo a 1,77% em 2027.
Reuters
IGP-10 sobe menos do que o esperado em maio, mostra FGV
O Índice Geral de Preços-10 (IGP-10) registrou alta de 0,89% em maio, depois de subir 2,94% no mês anterior, em resultado que ficou abaixo do esperado diante da desaceleração de matérias-primas brutas no atacado.
Com isso, o IGP-10 passa a acumular em 12 meses avanço de 1,46%, de acordo com os dados divulgados nesta segunda-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV). A expectativa em pesquisa da Reuters para a leitura mensal era de alta de 1,11%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-10), que mede a variação dos preços no atacado e responde por 60% do índice geral, teve avanço de 0,95% em maio, depois de subir 3,81% no mês anterior. A alta das matérias-primas brutas no IPA desacelerou a 0,06% no mês, depois de ter disparado 7,01% em abril. “Esse movimento refletiu influências negativas relevantes, como minério de ferro, que caiu 4,67%, além de álcool etílico anidro, cana-de-açúcar, café em grão e suínos, todos com quedas expressivas no mês. O recuo desses itens ajudou a compensar pressões ainda presentes em alguns produtos agropecuários e industriais”, explicou Matheus Dias, economista do FGV IBRE. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10), que responde por 30% do índice geral, registrou a alta de 0,68% em maio, depois de subir de 0,88% em abril. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-10), por sua vez subiu 0,86% no mês, depois de uma alta de 0,88% em abril. O IGP-10 calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 11 do mês anterior e 10 do mês de referência.
Reuters
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