Ano 1 | nº 135 | 18 de maio de 2026
NOTÍCIAS
Deral: Leite subiu 5,2% em maio no Paraná
O Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab-Pr informou que, neste início do mês de maio, o destaque são os preços mais elevados do segmento leiteiro do Estado. O cenário é de valorização para o produtor.
Na primeira semana de maio, o preço do litro de leite subiu 5,2%, chegando a R$ 2,56. Esse movimento se dá pelo período sazonal de captação reduzida e o maior custo com alimentação do rebanho, o que impulsiona os preços no mercado e melhora a margem para o produtor. A menor captação reduz a oferta do produto para as indústrias, o que eleva o preço. Contudo, o setor permanece em alerta devido à pressão das importações de lácteos, que cresceram 26,5% no primeiro trimestre de 2026, trazendo produtos com preços altamente competitivos para o mercado interno.
DERAL
Atualização quinzenal de preços: mercado lácteo oscila, GDT sobe e spot mantém queda no Brasil
Preços internacionais: o 4030 leilão da Global Dairy Trade apresentou alta de 1,5% no price index, interrompendo a sequência recente de recuos observada nos eventos anteriores. Apesar do avanço no índice, o preço médio dos produtos negociados foi de USD 4.127/tonelada.
O resultado indica um mercado ainda oscilante, mas com sinais de sustentação em algumas categorias importantes, especialmente nos leites em pó. Nos leites em pó, o leilão apresentou altas relevantes. O leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,0%, atingindo USD 3.547/tonelada, enquanto o leite em pó integral (LPI), principal produto negociado no evento, registrou valorização de 2,2%, sendo cotado a USD 3.741/tonelada. Esse movimento indica maior sustentação para o segmento, após os ajustes observados nas últimas edições. Leite spot: todos os estados registraram queda de preços na primeira quinzena de maio, continuando o movimento de baixa observado na quinzena anterior, ainda sinalizando um ambiente mais cauteloso nas negociações entre indústrias. Na média Brasil, o valor recuou para R$ 2,970/litro, com baixa de R$ 0,315/litro em relação à quinzena anterior. Leite UHT: na última semana, o mercado de UHT seguiu pressionando com os informantes relatando maior dificuldade nas vendas. Diante desse cenário, houve tentativas de reajustes para baixo nos preços, na busca por estimular os negócios e melhorar o escoamento do produto. Os preços médios ficaram na faixa de R$ 4,33 a R$ 4,65/litro, com destaque para o Nordeste (R$ 4,65) e o Paraná (R$ 4,56) nas maiores cotações, enquanto o Rio Grande do Sul apresentou o menor nível (R$ 4,33). As quedas mais intensas foram registradas em Goiás (-R$ 0,33), seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais (ambos com -R$ 0,22) e São Paulo (-R$ 0,21). Muçarela: o mercado de muçarela apresentou menor volume de negociações nesta semana, refletindo um cenário mais travado. Segundo os informantes, o varejo tem reduzido as reposições, acreditando em novos recuos nos preços, o que tem levado a indústria a realizar ajustes negativos nas cotações para conseguir efetivar os negócios. Os preços médios ficaram entre R$ 32,7/kg (RS) e R$ 35,1/kg (MG), com recuos mais intensos em Goiás (-R$ 1,0), seguido por São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul (todos com -R$ 0,6). Leite em pó: o mercado de leite em pó apresentou estabilidade nesta semana nos três segmentos monitorados. O cenário internacional mais firme tem contribuído para uma melhor sustentação das cotações, embora o mercado interno ainda siga mais frio, com negociações em ritmo devagar. O LPI (leite em pó integral) avançou para R$25,9/kg, o LPF (leite em pó fracionado) permaneceu em R$30,6/kg e o LPD (leite em pó desnatado) registrou leve recuo, fechando em R$22,9/kg. Oferta: a oferta de leite segue condicionada pela sazonalidade típica da entressafra, com menor disponibilidade de matéria-prima. Esse cenário mantém a produção mais restrita no campo, refletindo as condições climáticas menos favoráveis às pastagens e o encarecimento relativo da produção. Com menor volume disponível, a captação da indústria fica mais limitada, reforçando um ambiente de menor oferta de leite no curto prazo. Demanda: do lado da demanda, o repasse das altas recentes dos derivados no varejo passou a limitar o ritmo de consumo na ponta final. Com preços mais elevados ao consumidor, o varejo adotou uma postura mais cautelosa nas compras junto à indústria, reduzindo o volume de reposições. Esse movimento pressionou as cotações dos derivados e trouxe um viés de queda para o mercado no curto prazo.
MILKPOINT
NACIONAL
Conseleite/MT divulga aumento de 10,7% no valor do leite entregue em abril a ser pago em maio
O Conseleite do Mato Grosso divulgou um aumento nas projeções dos valores de referência do leite em entregue em abril e pago em maio de 2026
A diretoria do Conseleite – Mato Grosso atendendo os dispositivos do seu Estatuto, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima, referente ao leite entregue no mês de fevereiro de 2026 a ser pago em março de 2026 e para o leite entregue no abril de 2026 a ser pago em maio de 2026. Os valores divulgados compreendem os valores de referência para o leite base e faixas de valores de referência levando em conta o volume médio mensal de leite entregue pelo produtor e os parâmetros de qualidade indicados na tabela abaixo.
| MATÉRIA-PRIMA | Volume | Gordura | Proteína | CCS | CBT |
| litros/dia | (%) | (%) | mil células somáticas/ml | mil ufc/ml | |
| Maior Valor de Referência | 1.000 | 4,00 | 3,50 | 150 | 100 |
| Valor Médio de Referência | 300 | 3,60 | 3,30 | 300 | 250 |
| Valor Base de Referência | 25 | 3,30 | 3,20 | 400 | 300 |
| Menor Valor de Referência | 25 | 3,00 | 2,90 | 750 | 750 |
| MATÉRIA-PRIMA | MARÇO/2026 | ABRIL/2026 | VARIAÇÃO | |
| Leite entregue em MAR/26 (R$/l) a ser pago em ABR/26 (R$/l) | Leite entregue em ABR/26 (R$/l) a ser pago em MAI/26 (R$/l) | R$/litro | % | |
| Maior Valor de Referência | 2,8354 | 3,1380 | 0,3026 | 10,7% |
| Valor Médio de Referência | 2,3874 | 2,6422 | 0,2548 | 10,7% |
| Valor Base de Referência | 2,1811 | 2,4139 | 0,2328 | 10,7% |
| Menor Valor de Referência | 2,0384 | 2,2560 | 0,2176 | 10,7% |
OBS: (1) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Nos valores de referência está incluso Funrural de 1,5% a ser descontado do produtor rural.
Conseleite/MT
Festival de queijo artesanal em Belo Horizonte vai reunir produtos de 13 regiões mineiras
Entre 2019 e 2026, a comercialização de queijo artesanal de Minas Gerais movimentou aproximadamente R$ 243 milhões
Belo Horizonte recebe, entre os dias 4 e 6 de junho, a 8ª edição do Festival do Queijo Artesanal de Minas Gerais. Realizado pelo Sistema Faemg Senar e pelo Sebrae Minas, o evento se consolida como um espaço de encontro entre produtores, consumidores e especialistas, reunindo os diferentes territórios onde o Queijo Minas artesanal é produzido. Neste ano, o festival contará com produtores de 13 regiões, incluindo Canastra, Serro, Cerrado e Campo das Vertentes. A edição também marca a entrada do queijo minas artesanal do Vale do Suaçuí. A região do Vale do Jequitinhonha terá estande próprio, dedicado ao queijo cabacinha. “O queijo artesanal é uma das expressões mais autênticas da produção rural mineira. O festival cumpre um papel estratégico ao conectar o produtor ao mercado, valorizar as diferentes regiões e estimular a profissionalização de uma cadeia que ainda tem grande potencial de crescimento em Minas Gerais”, afirma Antônio de Salvo, presidente do Sistema Faemg Senar. De acordo com dados do Sistema Faemg Senar, entre 2019 e 2026, a comercialização de queijo artesanal de Minas Gerais movimentou aproximadamente R$ 243 milhões. No mesmo período, o preço médio do produto passou de cerca de R$ 16,01 para R$ 25,61 no período, sinalizando um processo gradual de valorização no mercado. “O festival se consolida como uma vitrine importante para as regiões produtoras, ampliando oportunidades de comercialização e fortalecendo o posicionamento do queijo artesanal mineiro no mercado”, disse o presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae Minas, Marcelo de Souza e Silva. No dia 5 de junho, o festival também será palco do Seminário Técnico do Queijo Artesanal, reunindo produtores, técnicos e especialistas. A expectativa dos realizadores é atrair em torno de 21 mil visitantes. O evento será realizado no Parque de Exposições da Gameleira, na zona oeste de Belo Horizonte. A entrada é gratuita, mediante credenciamento. O festival é correalizado pelo Instituto Antônio Ernesto de Salvo (Inaes) e conta com o apoio do governo de Minas Gerais e da Associação Mineira de Queijo Artesanal (Amiqueijo).
GLOBO RURAL
Casal inova e aposta em queijos recheados com calabresa, avelã e goiabada
Plano para o futuro é ampliar cardápio da iguaria que mistura doce e salgado
Entre prateleiras cada vez mais disputadas e repletas de queijos com formatos, texturas e sabores variados, um casal de empreendedores de Guatambu (SC) decidiu sair do óbvio. A aposta da Queijaria Altalat foi unir criatividade, tradição e anos de experiência para criar queijos recheados que buscam surpreender no visual e conquistar na primeira mordida. A ideia de combinar a iguaria tão presente à mesa do consumidor brasileiro com goiabada, creme de avelã, pimenta, requeijão, tomate seco e linguiça calabresa, entre outros ingredientes, surgiu em 2021, conta Carla Denise Luft, em entrevista à Globo Rural. Ao lado do marido, Zenair Tonezer, ela transformou a produção artesanal, antes focada apenas no queijo colonial, em um negócio inovador e chamativo com 26 itens já registrados. “Nós pensávamos em fazer algo diferente, mas não era fácil achar a receita certa. A história da Altalat começou com a ideia de variar os tipos de queijo, algo que não existia na nossa região. Resolvemos aproveitar a oportunidade. O queijo é a forma de arte mais deliciosa”. A empresária afirma que o retorno superou as expectativas. Os novos sabores ajudaram a elevar em 80% as vendas. E a produção se multiplicou. O laticínio, que produzia 900 quilos por mês apenas de queijo colonial, fabrica hoje 5 toneladas de todas as opções do catálogo. “As pessoas ficam muito curiosas para saber o que é um queijo recheado. A mistura com sabores doces é o principal atrativo. Todos vendem bem, mas o que mais surpreende é o de goiabada, inspirado no clássico Romeu e Julieta”. Sem revelar números de faturamento, ela explica que a Altalat comercializa em todo o Estado após a conquista do selo do Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal (SISBI). O casal vai continuar apostando na criatividade. Para os próximos anos, o objetivo é desenvolver novos sabores e ampliar a produção artesanal feita com leite de vaca comprado em propriedades rurais de Guatambu (SC).
GLOBO RURAL
EVENTOS
Megaleite 2026 amplia número de leilões e deve movimentar mais de R$ 300 milhões
Feira de pecuária leiteira acontece entre 4 e 6 de junho em Belo Horizonte. A expectativa dos organizadores é receber mais de 70 mil pessoas no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte
Entre os dias 4 e 6 de junho, Belo Horizonte recebe a 21ª edição da Exposição Brasileira do Agronegócio do Leite, a Megaleite, considerada a maior feira de pecuária leiteira da América Latina. A expectativa é que o evento atinja movimentação superior à edição de 2025, quando movimentou R$ 300 milhões. A expectativa dos organizadores é receber mais de 70 mil pessoas na feira, que será realizado no Parque de Exposições da Gameleira. A edição deste ano contará com 12 leilões com oferta de animais das raças Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá e Guzolando. Serão três leilões a mais que no ano passado. Os leilões serão transmitidos ao vivo, permitindo que compradores de todo o Brasil e do exterior façam lances e adquiram animais na Megaleite. “Os leilões de raças leiteiras realizados no país este ano, até o momento, registraram excelentes médias de preço. Essa valorização tende a ficar ainda mais evidente na Megaleite, que tradicionalmente é a praça mais concorrida do ano por reunir eventos promovidos por importantes criatórios do país, com oferta de animais de genética superior”, afirmou o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, Alexandre Lacerda. Os tradicionais torneios também estarão na programação da Megaleite 2026, com competições para as raças Girolando, Gir leiteiro, Guzerá e Guzolando. As vacas que somarem o maior volume de produção de leite ao fim de dez ordenhas vencem a competição. Nas pistas de julgamento, a feira elege os campeões das raças Girolando, Gir leiteiro, Holandês, Guzerá, Guzolando e Sindi, além dos búfalos. Estarão em exposição pouco mais de 1,3 mil animais. O evento também contará com cursos para criadores, lançamentos de tecnologias, mini fazenda e área gourmet para atender visitantes de todas as idades. A feira é uma realização da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e tem como patrocinadores Codemge, Governo de Minas Gerais, Faemg Senar, Sistema Ocemg, Sebrae e apoio da Embrapa Gado de Leite.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar sobe aos R$5,0664 puxado pelo cenário político no Brasil e pelo exterior
O dólar fechou a sexta-feira em alta e novamente acima dos R$5,05, acompanhando o avanço quase generalizado da moeda norte-americana no exterior e repercutindo o cenário político brasileiro, de pressão para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O dólar à vista subiu 1,59%, aos R$5,0664. Na semana, a moeda acumulou alta de 3,48% e, no ano, recuo de 7,70%. Às 17h05, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — avançava 1,53% na B3, aos R$5,0815. A moeda norte-americana sustentou ganhos ante a maior parte das demais divisas ao redor do mundo, em sintonia com o avanço firme dos rendimentos dos Treasuries, com os investidores elevando as apostas de que o Federal Reserve precisará subir juros para conter a inflação. Essa percepção é alimentada pela continuidade da guerra no Oriente Médio, que mantém o Estreito de Ormuz fechado ao transporte de petróleo e gás. Na sexta-feira, o preço do barril de petróleo Brent voltou a subir, após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que sua paciência com o Irã está se esgotando. O cenário turbulento fazia o dólar ter altas firmes ante moedas de países emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o peso mexicano — mas o real era a divisa global mais pressionada, liderando as perdas da sessão. Isso porque, além do exterior, os investidores seguiam atentos aos desdobramentos do escândalo que liga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. Na quarta-feira, uma reportagem do Intercept Brasil afirmou que Flávio pediu a Vorcaro R$134 milhões para bancar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado. Flávio Bolsonaro nega ter cometido qualquer irregularidade em sua relação com Vorcaro, alegando ter buscado recursos privados para um filme sobre a história do pai, sem oferecer qualquer vantagem em troca. No mercado, a percepção mais geral é de que a ligação de Flávio Bolsonaro com Vorcaro eleva as chances de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reeleger em outubro. A continuidade do governo Lula, por sua vez, é vista como um fator negativo para o ajuste das contas públicas. Para piorar o cenário para a oposição, a Polícia Federal cumpriu na sexta-feira mandados de busca e apreensão, em caso relacionado à refinaria Refit, contra o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro — também filiado ao PL e aliado de Flávio. No meio da tarde, com as mesas de operação já mais vazias, o site Intercept publicou nova reportagem sobre as relações da família Bolsonaro com Vorcaro. “Foi uma coisa atrás da outra esta semana. Pegou o (noticiário) local aqui, estressou, e agora lá fora”, comentou o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, ao justificar a alta firme do dólar na sexta-feira.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com ruído político local
O Ibovespa fechou em queda nesta sexta-feira, pressionado pela maior aversão a risco no exterior diante das preocupações com a inflação global, ao mesmo tempo em que os investidores seguiram de olho nos desdobramentos políticos domésticos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,61%, a 177.283,83 pontos, chegando a 175.417,25 na mínima, depois de marcar 178.340,52 na máxima. O volume financeiro somou R$31,58 bilhões. Na semana, o índice acumulou 3,71% de queda. Em meio a pressões diversas, o Ibovespa, que chegou a registrar queda de mais de 1% pela manhã, reduziu as perdas ao longo da sessão, ajudado por ações como Petrobras, mas ainda assim fechou no vermelho. No exterior, a incerteza sobre um acordo de paz no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, aumentando as preocupações sobre as pressões inflacionárias. Os contratos do petróleo tipo Brent fecharam em alta de 3,35%, a US$109,26. Dados fortes de inflação nos EUA divulgados ao longo desta semana trouxeram ainda mais pressão para os negócios, fazendo os operadores elevarem as apostas de que o Federal Reserve aumentará os juros este ano. Nesse contexto, o S&P 500 fechou em queda de 1,23%, a 7.408,5 pontos. Localmente, os agentes seguiram monitorando o noticiário político e eleitoral. Aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, esforçaram-se na quinta-feira para minimizar os laços do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso acusado de uma série de crimes. Para o gestor da Hike Capital, Ângelo Belitardo, o Ibovespa segue com uma tese construtiva no médio prazo, mas entrou em uma fase de maior seletividade. “Com Selic ainda alta, câmbio voltando a pressionar e juros futuros subindo, o investidor tende a privilegiar empresas com balanço sólido, geração de caixa previsível e setores essenciais, como energia elétrica, saneamento, concessões, logística, rodovias, infraestrutura básica e bancos bem capitalizados”, disse Belitardo. “Já commodities alavancadas, varejo, construção e empresas dependentes de queda rápida dos juros exigem mais cautela”, acrescentou o gestor da Hike Capital.
REUTERS
Volume de serviços no Brasil é pressionado por transportes e tem em março maior queda desde o fim de 2024
O setor de serviços brasileiro encerrou o primeiro trimestre com uma queda muito maior do que a esperada no volume em março, a mais intensa desde o final de 2024, pressionado principalmente pelo setor de transportes.
O volume de serviços teve em março recuo de 1,2% na comparação com o mês anterior, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa foi a queda mais forte desde novembro de 2024 (-1,4%) e ainda marcou o pior resultado para o mês em cinco anos. Com isso o setor fechou o primeiro trimestre com queda de 0,7% frente aos três meses anteriores — primeiro recuo trimestral desde os três primeiros meses de 2023. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o volume apresentou alta de 3,0%. Os resultados foram bem piores do que as expectativas em pesquisa da Reuters, de recuo de 0,1% na comparação mensal e de alta de 4,5% na anual. O setor de serviços mostrou um desempenho fraco neste início de ano, com queda de 0,1% em janeiro e estagnação em fevereiro, chegando a um total de cinco meses seguidos sem crescimento. “Os dados mais recentes sugerem uma acomodação da atividade em patamares mais baixos, refletindo os efeitos defasados da política monetária restritiva, mas também uma moderação do forte crescimento observado no setor de serviços nos últimos cinco anos”, avaliou Rafael Perez, economista da Suno Research. A taxa de juros ainda elevada segue como um peso, com a Selic atualmente em 14,5% ao ano. O mês de março foi marcado ainda pelo início da guerra no Oriente Médio, que vem elevando os preços do petróleo e já mostrou impactos na inflação nacional. No mês, o IPCA registrou a taxa mais alta em cerca de um ano, de 0,88%, sob pressão de transportes e alimentos. “Por ser a primeira leitura após o início do conflito no Irã, é cedo para se tirar conclusões, mas o recuo (dos serviços) parece ser efeito de realocação de consumo, dado o aumento nos preços dos combustíveis”, disse André Valério, economista sênior do Inter. Houve queda em março em todas as cinco atividades de serviços investigadas, com destaque para a taxa negativa de 1,7% de transportes na comparação com o mês anterior. “O recuo no setor foi influenciado principalmente pela queda observada no transporte rodoviário de cargas e no transporte aéreo de passageiros”, explicou o analista da pesquisa Luiz Carlos de Almeida Junior. “Houve uma mudança de calendário da agricultura por climas extremos. Ao atrasar a colheita, você afeta a logística e o transporte de cargas”, completou. “Há sinais de que as chuvas no Norte e Nordeste acima da média afetaram a colheita e até o começo do plantio.” O volume de transporte de passageiros recuou 3,4% em março, segunda taxa negativa seguida, segundo o IBGE, enquanto o volume do transporte de cargas diminuiu 1,0%. Também tiveram quedas serviços profissionais, administrativos e complementares (-1,1%); serviços de informação e comunicação (-0,9%); outros serviços (-2,0%); e serviços prestados às famílias (-1,5%). O índice de atividades turísticas, por sua vez, registrou retração de 4,0% em março, segundo resultado negativo seguido. Com isso, o segmento de turismo está 6,3% abaixo do ápice da sua série histórica, alcançado em dezembro de 2024.
REUTERS
Valor das exportações do agro brasileiro bate recorde em abril
Receita de US$ 16,6 bilhões foi a maior já registrada para o mês; volume embarcado cresceu 9,5% . A soja em grãos manteve a liderança entre os produtos exportados pelo agronegócio brasileiro
As exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 16,65 bilhões em abril de 2026, resultado recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1997, informa o Ministério da Agricultura (Mapa). O valor representa crescimento de 11,7% em relação a abril de 2025. O resultado garantiu ao agro participação de 48,8% nas exportações totais do Brasil no período. No acumulado de janeiro a abril, as vendas externas do agronegócio alcançaram US$ 54,6 bilhões, também recorde para o quadrimestre. Em comparação com abril do ano passado, o volume exportado cresceu 9,5%, enquanto o preço médio registrou alta de 2,1%. As importações de produtos do agronegócio somaram US$ 1,62 bilhão, recuo de 3,6% na mesma comparação, resultando em superávit de US$ 15 bilhões para o setor no mês. Entre os principais destinos das exportações do agro brasileiro, a China permaneceu na liderança, com compras de US$ 6,6 bilhões em abril e participação próxima de 40% na pauta exportadora do setor. O resultado representa crescimento de 21,8% em relação ao mesmo mês de 2025. A União Europeia ocupou a segunda posição, com US$ 2,36 bilhões e participação de 14%, crescimento de 8,7% em relação a abril de 2025. Os Estados Unidos aparecem na sequência, com US$ 1 bilhão exportado e 6% de participação, apesar do recuo de 16,8% na comparação anual. A soja em grãos manteve a liderança entre os produtos exportados pelo agronegócio brasileiro. As vendas externas alcançaram US$ 6,9 bilhões, alta de 18,8% em relação a abril de 2025. O volume exportado chegou a 16,7 milhões de toneladas, crescimento de 9,7% em relação ao mesmo período do ano anterior e recorde para meses de abril, em um cenário de safra recorde de soja em grãos no ciclo 2025/2026, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Além disso, a alta de 8,4% no preço médio contribuiu para elevar a receita exportada. A carne bovina in natura também registrou desempenho histórico, com exportações de US$ 1,6 bilhão, alta de 29,4%, e embarques de 252 mil toneladas, crescimento de 4,3% na comparação anual. Tanto o valor quanto o volume foram recordes para o mês de abril. A China permaneceu como principal destino da proteína brasileira, com US$ 877,4 milhões em compras, o equivalente a 55,8% das vendas brasileiras do produto no período. Entre os segmentos de maior destaque nas exportações do agro em abril estão o complexo soja, com US$ 8,1 bilhões e alta de 20,4%; proteínas animais, com US$ 3 bilhões e crescimento de 18%; produtos florestais, com US$ 1,4 bilhão e avanço de 8,6%; e café, com US$ 1,2 bilhão, apesar do recuo de 12,1%. Também apresentaram crescimento relevante fibras e produtos têxteis, além do algodão, que registrou recorde em valor e volume exportado. Também registraram desempenho recorde a celulose, com US$ 854,7 milhões exportados e alta de 16%, e o farelo de soja, que alcançou 2,4 milhões de toneladas embarcadas, crescimento de 12,7%. Produtos menos tradicionais ampliaram espaço na pauta exportadora brasileira. Entre os destaques do mês estão pimenta piper seca, rações para animais domésticos, óleo essencial de laranja, sebo bovino, abacate e manga, todos com resultados recordes em valor ou volume exportado. A fruticultura brasileira também apresentou expansão no comércio internacional, impulsionada pela abertura de novos mercados. Desde 2023, foram abertas 34 novas oportunidades de exportação para frutas brasileiras. Entre janeiro e abril de 2026, produtos como melões, limões, limas, melancias e mamões registraram recordes de exportação.
GLOBO RURAL
Desembolsos de crédito para agricultura empresarial seguem em queda na safra 2025/26
Concessões para custeio, comercialização e investimentos caíram, enquanto para industrialização e por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR) aumentaram
Os desembolsos de linhas de crédito rural voltadas à agricultura empresarial na parcial da safra 2025/26 – de julho do ano passado até o fim de abril deste ano – foram 5% menores do que no mesmo período da safra 2024/25, segundo boletim de desempenho do Plano Safra, divulgado pelo Ministério da Agricultura na sexta-feira (15/05). No mês passado, o ministério já havia reportado desembolsos mais baixos nesta safra em comparação à anterior. O montante chegou a R$ 391,2 bilhões, abaixo dos R$ 409,8 bilhões contabilizados no acumulado de dez meses da safra 2024/25. O ministério reportou quedas nos desembolsos de recursos para custeio (compra de insumos) da safra, comercialização (de produtos agrícolas) e investimentos, enquanto o crédito concedido para industrialização e por meio de Cédulas de Produto Rural (CPR) aumentou. As CPRs ganharam maior peso nas concessões desta safra, representando até o momento 43% de todo o crédito. O volume emprestado por meio do papel aumentou 10% na comparação anual, chegando a quase R$ 167 bilhões. Na safra 2024/25, as CPRs corresponderam a 37% do total liberado à agricultura empresarial, de acordo com o ministério. Segundo a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o crescimento da CPR reflete a migração dos produtores rurais e das tradings para instrumentos de mercado, em razão do elevado custo financeiro e das restrições ambientais associadas às linhas de crédito tradicionais. Para custeio, o volume desembolsado entre julho do ano passado e abril deste ano chega a R$ 125,6 bilhões, 14% menor do que no mesmo período do ciclo 2024/25. No caso das linhas para comercialização, o recuo foi de 29%, para R$ 41,6 bilhões. Para investimentos (linhas de longo prazo), o Ministério reportou redução de 22% nos desembolsos, que somaram R$ 28,6 bilhões. Em todas as linhas de investimentos, há redução superior a 20% dos recursos desembolsados. O crédito concedido pelo programa Moderfrota, de financiamento de máquinas agrícolas, foi 54% menor no acumulado da safra atual em comparação ao da anterior, somando R$ 3,6 bilhões. “A retração generalizada reflete a cautela do setor diante das taxas de juros elevadas, com perspectiva de queda da Selic (taxa básica de juros do Brasil, usada como referência para outras linhas de crédito) de aproximadamente 2 pontos percentuais até o fim de 2026”, disse o Ministério da Agricultura no boletim. “Adicionalmente, a conjuntura econômica do setor é reflexo das seguintes dimensões que pesam, negativamente, sobre a atividade agropecuária: instabilidade internacional, aumento na inadimplência, taxas de juros elevadas, custos de produção elevados, riscos climáticos e intempéries sucessivas, e instituições financeiras mais restritivas e seletivas para a concessão do crédito”, continuou o ministério. Contramão As concessões de crédito para industrialização de produtos agrícolas cresceram 66% em dez meses de safra, saindo de R$ 17,1 bilhões há um ano para R$ 28,4 bilhões nesta safra. “O resultado sinaliza expansão das cadeias agroindustriais e maior agregação de valor à produção agropecuária nacional, tendência alinhada à estratégia de modernização do setor”, disse o ministério, em nota. O total de crédito (custeio e investimentos) concedido a médios produtores por meio do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) cresceu 3%, para R$ 52,1 bilhões. Já para os grandes produtores, o montante total liberado diminuiu 17%, para R$ 172,1 bilhões. Nas linhas de crédito específicas para custeio, houve aumento dos desembolsos para os médios produtores, de 8%, chegando a R$ 47,8 bilhões liberados via Pronamp. Para os grandes produtores, os recursos foram 23% menores, somando R$ 77,8 bilhões. No boletim, o Ministério da Agricultura também reporta uma queda generalizada no número de contratos fechados, com exceção dos referentes a crédito para industrialização, que cresceram 18%, somando 1.081. Mesmo o número de contratos de CPR diminuiu, 19%, com 135.929 CPRs emitidas. Para a temporada 2026/27, que deve começar em julho, o ministério avalia que a projetada queda da taxa Selic, em aproximadamente dois pontos percentuais até o fim de 2026, deverá reduzir o custo do crédito rural e sustentar uma recuperação gradual das contratações de crédito, especialmente de programas que registraram as maiores retrações nesta safra.
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