Ano 1 | nº 119 | 23 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Melhores do Brasil e mundo são premiados no 4º Mundial do Queijo do Brasil
Premiação conta com jurados nacionais e internacionais que definiram os principais destaques da indústria de queijos durante o evento em São Paulo
O Reserva do Vale, produzido pela Queijos Possamai, conquistou o primeiro lugar como Melhor Queijo do Mundo no 40 Mundial do Queijo do Brasil 2026, realizado no fim da semana passada, em São Paulo (SP). A competição contou com a participação de produtores de queijo de 30 países. Pelas redes sociais, a empresa disse que a conquista reforça a qualidade dos produtos produzidos, e o cuidado em cada etapa e o trabalho realizado todos os dias. “São anos de trabalho, dedicação diária, cuidado em cada detalhe e o amor por aquilo que fazemos. Levar o nome da nossa família e do Alto Vale do Itajaí para o topo do mundo é algo que nos emociona profundamente. Nosso agradecimento especial a cada um que com dedicação e compromisso fazem parte dessa história todos os dias”. Nascida em Pouso Redondo, a 264 quilômetros da capital Florianópolis, a Queijos Possamai atua na produção artesanal desde 1984. A fazenda da Família Possamai possui 600 animais, e tem capacidade de processar mais de 7 mil litros de leite por dia. A competição ainda premiou o Queijo Bacchus, feito pelo produtor Josef Lotscher, de Palmeira, Paraná, com o segundo lugar de melhor queijo do mundo. A terceira posição ficou com o Queijo Passionata, da Queijaria Flor da Terra, de Toledo, também no Paraná. Produtores de Mato Grosso, apoiados pelo Sebrae/MT, garantiram 29 medalhas: o estado obteve 4 prêmios SuperOuro, 5 Ouros, 9 Pratas e 11 Bronzes. O destaque foi para o casal Larissa e Silas Barbosa, que venceu na categoria máxima com o queijo Diamante e a manteiga com trufas negras. A produção, iniciada em 2020 para evitar desperdício de leite, consolidou a evolução do setor no estado. O evento também prestou homenagem póstuma à produtora Raquel Cattani, premiada em edições anteriores. Oito queijarias do Espírito Santo garantiram 12 medalhas: o estado destacou-se com 3 medalhas Super Ouro, conquistadas pelas queijarias Artelatte (queijo Duetto), Giacomin (queijo Terra Nostra) e Sítio Hollunder (queijo de coalho). Ao todo, 10 agroindústrias capixabas participaram com 31 produtos. Além dos prêmios máximos, o estado trouxe para casa 1 medalha de Ouro, 3 de Prata e 5 de Bronze, abrangendo desde queijos artesanais até doce de leite. O secretário da Agricultura, Carlos Tesch, enfatizou que o resultado consolida a excelência e a tradição inovadora da agroindústria capixaba no cenário nacional.
G1/GLOBO RURAL
Paraná conquista 44 medalhas e tem melhores queijeiros do Brasil em concurso internacional
Estado se destaca no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, e reforça liderança na produção de queijos finos. Kennidy de Bortoli, Isabelli Maria Passos de Oliveira e Nayara Leontino Scherpinki são os melhores queijeiros do Brasil. Eles são talentos do Biopark, ecossistema de inovação de Toledo, no Oeste, e ajudam a consolidar o Estado como referência na produção nacional.
Além disso, o Paraná teve 44 queijos premiados nas categorias principais, como Campeões dos Campeões e Super Ouro, e Ouro, Prata e Bronze na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. Participaram cerca de 2 mil queijos vindos de mais de 30 países. A equipe do Biopark apresentou três queijos com temática espacial. O primeiro, inspirado em um planeta, trouxe técnica inovadora de coloração que simula movimento e sensação térmica gelada na massa. O segundo, com formato irregular de meteoro, explorou notas minerais e de pimenta, simulando o calor da entrada na atmosfera. O terceiro, baseado no conceito do buraco negro, utilizou tecnologia de casca lavada com impacto visual e sensorial único no momento do derretimento. “Mais do que defender um título ou conquistar medalhas, nosso objetivo é ir além do sabor e criar uma experiência completa. Desenvolvemos queijos que estimulam diferentes sentidos, com variações de textura, temperatura e impacto visual. Quando o consumidor se surpreende em cada etapa da degustação, o produto deixa de ser apenas um alimento e passa a contar uma história”, afirma o queijeiro e pesquisador do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos do Biopark, Kennidy de Bortoli. Três queijos do Biopark também se destacaram na competição. O Passionata — que conta com tecnologia do Projeto de Queijos Finos do Biopark, é produzido pela Queijaria Flor da Terra e foi eleito um dos nove melhores queijos do mundo no World Cheese Awards 2024, em Portugal — foi escolhido como 3º melhor queijo do Mundial do Brasil na categoria Campeão dos Campeões; o Abaporu (Flor da Terra) conquistou o Super Ouro; o Deleite (Flor da Terra) levou a Prata; e o Granatoo (Queijaria Ludwig) ficou com o Bronze. O projeto do Biopark já tem 76 medalhas acumuladas em apenas sete anos de trajetória. E a promessa é de ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Com um investimento de R$ 3,8 milhões em parceria com o Governo do Estado, o projeto, que atualmente tem como escopo de atuação o Oeste, vai expandir para as regiões Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba. O objetivo é consolidar o Paraná, segundo maior produtor de leite do País, como um dos principais polos de queijos finos da América Latina. O modelo desenvolvido no Biopark utiliza o rigor metodológico para que famílias rurais possam fabricar produtos de alto valor agregado — queijos que podem atingir até três vezes o preço de venda de um queijo comum. O Paraná ainda teve outros campeões de outras regiões. O queijo Bacchus Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental, de Palmeira, ficou com o 2° lugar na categoria Campeão dos Campeões. Outros três ganharam o Super Ouro: queijo Witmarsum tipo Gouda da Cooperativa Agroindustrial Witmarsum e os queijos Frescal Deleite e Vale do Heimtal da Queijaria Deleite, de Londrina. O Paraná ainda recebeu 14 Ouros com representantes de Carambeí, Rio Branco do Ivaí, Verê, Marechal Cândido Rondon, Palmeira, Londrina e Guarapuava; nove Pratas com produtores de Dois Vizinhos, Curitiba, Paranavaí, Palotina, Toledo, Palmeira e Diamante do Oeste; e 15 Bronzes com talentos de Londrina, Palotina, Carambeí, Nova Esperança, Cascavel, Nova Laranjeiras, Maringá, Palmeira e Diamante do Oeste.
Assessoria Biopark
MEIO AMBIENTE
Calor extremo está levando agronegócio ao limite, diz ONU
Para a maioria das culturas agrícolas, a produtividade começa a cair a partir dos 30°C. O estudo aponta como exemplo a seca no Brasil em 2023/24, que chegou a registrar perdas em 20% da produtividade
Ondas de calor extremo mais frequentes e intensas estão ameaçando a produção de alimentos no planeta, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (22/4) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Meteorológica Mundial (WMO). “O calor extremo está, cada vez mais, definindo as condições nas quais o agronegócio opera. Mais do que um risco climático isolado, funciona como um fator que amplia as fragilidades existentes da agricultura”, disse a secretária-geral da WMO Celeste Saulo. Para a maioria das culturas agrícolas, segundo o relatório, a produtividade começa a cair a partir dos 30°C, quando as células são enfraquecidas, afetando a distribuição de energia na planta. Na pecuária, a mortalidade para bovinos em condições de calor extremo pode chegar a 24% do rebanho. Já na produção de leite, o estudo aponta que o calor extremo já é responsável pela perda de 1% da produção leiteira mundialmente, além de afetar a qualidade do produto. Outro efeito citado pelo estudo é o risco à vida de trabalhadores no campo. A pesquisa aponta que os dias por ano muito quentes para o trabalho rural podem chegar a 250 no sul da Ásia, na África Subsaariana e partes da América do Sul e Central. Além dos efeitos diretos ao agro, a FAO e a WMO alertam para os danos indiretos, como o estresse hídrico e secas repentinas, causadas pela baixa umidade nas camadas superiores do solo. O estudo aponta como exemplo a seca no Brasil em 2023/24, que chegou a registrar perdas em 20% da produtividade enquanto as temperaturas chegaram a 7°C acima da média.
GLOBO RURAL
NACIONAL
MG: após meses de queda, cenário pode ser mais favorável a produtores de leite
Segundo Jônadan Ma, os produtores vivem um primeiro quadrimestre um pouco mais favorável depois de nove meses de queda contínua, quase voltando à normalidade em relação à recuperação de preços
Na reunião da Comissão Técnica da Pecuária de Leite do Sistema Faemg Senar em Uberaba, no Triângulo Mineiro, no dia 16 de abril, um dos assuntos foi o atual panorama do leite. Após nove meses de queda contínua, os produtores vivem um primeiro quadrimestre um pouco mais favorável, quase voltando à normalidade em relação à recuperação de preços, como explica o presidente da Comissão, Jônadan Ma. “Agora, esperamos que o mercado possa equilibrar mais e o produtor comece a ter um retorno, mantendo-se na atividade com melhores perspectivas de crescimento”, acrescentou. Já sobre a investigação antidumping sobre a importação do leite em pó da Argentina e do Uruguai pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), que publicou Nota Técnica neste mês, o parecer final deve ser divulgado em 5 de maio de 2026, após as manifestações. No encontro, os membros da Comissão deram um panorama do mercado do leite em cada região do estado. Também foram discutidos assuntos como as diretrizes que irão nortear o trabalho da Comissão em 2026 e ainda as parcerias com instituições públicas e privadas para capilarizar as demandas e levar mais informações aos produtores de leite. Em Uberaba, os membros da Comissão e o coordenador das CTs do Sistema Faemg Senar, Toninho de Pompéu, foram recepcionados pelo presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, Vinícius Rodrigues. A programação incluiu uma visita técnica à Fazenda Boa Fé, no município de Conquista. A propriedade é a primeira do Brasil a receber o Selo de Bem-Estar Animal. Lá, a Comissão conheceu o sistema de produção de leite da raça Girolando incluindo a implantação de free stall e compost barn. Hoje, com 300 vacas leiteiras Girolando 3/4; 5/8 e 1/2 sangue, a produção é de cerca de 10.700 litros de leite por dia.
FAEMG/MilkPoint
Brasil lidera ranking global de produção de leite por vaca com uso de tecnologia
Levantamento internacional coloca fazendas do Paraná no topo da eficiência produtiva e reforça avanço da pecuária leiteira brasileira
O Brasil alcançou o topo da eficiência leiteira mundial. Duas fazendas localizadas no Paraná conquistaram o primeiro e o segundo lugar no ranking global da Lely, que avalia a produção média de leite por vaca em sistemas robotizados. Fundada na Holanda, a Lely é uma empresa especializada em soluções automatizadas para a pecuária leiteira, com presença em mais de 50 países e tecnologias voltadas à ordenha robotizada, alimentação e manejo de rebanhos. O ranking global da companhia reúne dados de mais de 25 mil fazendas e mais de 50 mil robôs em operação no mundo. A liderança ficou com a Fazenda Melkstad, com média de 54,5 quilos de leite por vaca ao dia em 2025. Logo em seguida, a Fazenda Melkland, da família Delezuk, alcançou 53,1 quilos, ambas de Carambeí (PR). O resultado coloca o Brasil à frente de mercados tradicionalmente reconhecidos pela eficiência leiteira, como países europeus e os Estados Unidos. Para o gerente do setor de ordenha robotizada da Fazenda Melkstad, Odair Trautenmuller, o desempenho é resultado de uma operação cada vez mais eficiente. “Para nós, é motivo de muito orgulho. Em 2025, trabalhamos com um número maior de vacas no robô e conseguimos produzir ainda mais leite. Isso mostra que o sistema se tornou mais eficiente. Nós cuidamos da saúde e do bem-estar das vacas, e elas recompensam com maior produção”, afirma. Na Fazenda Melkland, o resultado reflete uma evolução consistente ao longo dos anos. A propriedade saiu da 10ª posição em 2023 para a 4ª em 2024, até alcançar o 2º lugar em 2025. Para a economista e sócia-proprietária da Fazenda Melkland, Lorena Delezuk, o reconhecimento é fruto de um trabalho contínuo. “Para nós, é uma enorme satisfação estar em segundo lugar no mundo. Esse resultado representa o esforço e a dedicação de toda a equipe. Nosso diferencial está na rotina bem executada, com alimentação de qualidade, conforto para as vacas e o funcionamento adequado da tecnologia”, destaca. O produtor e sucessor da Fazenda Melkland, Lucas Delezuk, reforça que a consistência no manejo é determinante para os resultados. “Nós seguimos uma rotina bem definida e executamos o básico com qualidade. As vacas respondem diretamente a esse cuidado diário. Além disso, existe uma motivação muito forte ligada à história da família e ao que foi construído ao longo das gerações”, afirma. Mais do que o uso de tecnologia, os resultados evidenciam um modelo de produção integrado, em que fatores como nutrição, sanidade, genética e ambiência são trabalhados de forma conjunta. Nesse contexto, a automação atua como uma ferramenta para potencializar o desempenho dos animais. O ranking da Lely considera a produção média anual de leite por vaca em sistemas robotizados, com base em dados consolidados de todos os produtores que utilizam a tecnologia da empresa no mundo. O levantamento não é regional, trata-se de uma comparação global entre fazendas de diferentes países. O Brasil tem presença relevante na lista: ao todo, 18 produtores brasileiros estão entre os 200 melhores do mundo, oriundos dos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para a gerente de Lely Center Carambeí, Natali Schllemer, o resultado reflete um trabalho estruturado. “Nós atuamos com um atendimento completo, que envolve tanto as máquinas quanto os animais e o manejo. Isso permite que o sistema opere com máxima eficiência e que os animais expressem todo o seu potencial”, afirma. Já o diretor global de Lely Centers próprios, o holandês Gert Aerts, destaca o nível de profissionalismo dos produtores brasileiros. “É sempre muito positivo ver produtores no ranking global, pois isso demonstra que a tecnologia está sendo utilizada corretamente e que há um alto nível de cuidado com os animais. O Brasil tem se destacado pela qualidade do trabalho e pelos excelentes resultados alcançados”, afirma. O avanço da pecuária leiteira brasileira em eficiência indica uma transformação no setor, cada vez mais baseada em gestão, tecnologia e bem-estar animal — fatores que colocam o país em posição de destaque no cenário global.
Assessoria Lely
Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.
Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões. Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos. A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado. A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro. Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai. Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”
O PRESENTE RURAL
ECONOMIA
Dólar fecha estável ante o real com guerra no Oriente Médio no foco
O dólar fechou a quarta-feira pós-feriado no Brasil estável, novamente conduzido pelo noticiário da guerra no Oriente Médio, depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogar indefinidamente o cessar-fogo com o Irã.
O dólar à vista encerrou o dia com variação negativa de apenas 0,01%, cotado aos R$4,9736, o menor valor de fechamento registrado até agora em 2026. No ano, a divisa passou a acumular queda de 9,39% ante o real. Às 17h04, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,39% na B3, aos R$4,9820. Trump anunciou a extensão do cessar-fogo pelas redes sociais, embora não estivesse claro se o Irã ou Israel, o aliado dos EUA na guerra, concordariam com a trégua. Por sua vez, o Irã capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz nesta quarta-feira, depois de disparar contra eles e outra embarcação, nas primeiras apreensões iranianas desde o início da guerra. Segundo o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos. Neste cenário ainda turbulento no Oriente Médio, o petróleo Brent voltou a superar os US$100 o barril e o dólar sustentavam ganhos ante uma cesta de divisas fortes. “A história sobre se sai ou não um acordo entre EUA e Irã pegou para os dois lados hoje: uma hora o dólar subiu, outra ele caiu, mas sempre em margens estreitas”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik, que vê espaço para uma queda adicional das cotações. “(Caso seja) resolvida essa guerra, a tendência é de dólar um pouco mais para baixo, porque voltará o fluxo externo, a arbitragem”, disse. Para o economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, “o Brasil tem se destacado como destino de alocação em um ambiente geopolítico global incerto e fragmentado”. “Esse pano de fundo reforça nossa visão de continuidade da tendência de apreciação do real nos curto e médio prazos, mas em ritmo mais moderado”, acrescentou em análise escrita.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com ajustes e bancos entre maiores pressões
O Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, reflexo de movimentos de realização de lucro e reprecificação de risco, com as ações dos bancos entre as principais pressões negativas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,65%, a 192.888,96 pontos, após marcar 192.687,29 na mínima e 196.132,06 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$26,59 bilhões. Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, há um efeito do ajuste ao movimento dos ADRs brasileiros na véspera, quando a B3 não abriu por feriado, mas Wall Street funcionou normalmente. “Mas ele sozinho não justifica o movimento”, ponderou, acrescentando que o Ibovespa “esticou bem”, principalmente as bluechips. Mesmo com o ajuste negativo nesta sessão, o Ibovespa ainda acumula alta de 19,71% no ano. Em abril, valoriza-se 2,90%. “Parece uma correção normal, e possivelmente com algum nível de saída de estrangeiro”, acrescentou Pedroso. Números da B3 mostram saída líquida de capital externo da bolsa paulista no final da semana passada. Até o dia 15, abril registrava uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. No acumulado até o dia 17, esse saldo passou para R$11,5 bilhões. Para o analista Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, a bolsa também refletiu uma reprecificação mais estrutural de risco, com o Brasil descolando do exterior e reagindo a fatores próprios, principalmente juros e percepção fiscal. Lima destacou que as ações da Petrobras acabaram funcionando como amortecedor pontual, refletindo o ciclo da commodity, mas sem força para alterar a direção do índice. “No fundo, o mercado começa a migrar de um cenário de corte de juros para um ambiente de maior cautela, com inflação mais resiliente, prêmio de risco mais alto e impacto direto sobre o crescimento.” No cenário geopolítico, as perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã continuam cercadas de incertezas. O presidente dos EUA, Donald Trump, prorrogou na terça-feira indefinidamente o cessar-fogo com o Irã para permitir que os dois países continuem as negociações de paz. Mas manteve o bloqueio ao comércio marítimo iraniano. O Irã, por sua vez, afirmou na quarta-feira que capturou dois navios porta-contêineres que tentavam sair do Golfo Pérsico pelo Estreito de Ormuz. O presidente do Parlamento e importante negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, disse também que um cessar-fogo completo só faria sentido se não fosse violado por bloqueio norte-americano aos portos iranianos. O preço do barril do petróleo voltou a ultrapassar US$100.
REUTERS
Preços ao produtor agropecuário caíram quase 10% no primeiro trimestre
Retração só não foi mais intensa por conta da valorização da arroba bovina. Houve recuos nos preços de quase todas as principais produções agropecuárias na comparação anual
Os preços pagos aos produtores agropecuários recuaram no primeiro trimestre de 2026 em relação aos do mesmo período do ano passado. Segundo cálculos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o Índice de Preços ao Produtor de Grupos de Produtos Agropecuários (IPPA/Cepea) sofreu uma redução de 9,79% na comparação anual. A retração só não foi mais intensa por conta da valorização da arroba bovina, que, no primeiro trimestre de 2026, registrou média acima da registrada no mesmo período de 2025. A queda observada para o IPPA/Cepea ficou abaixo da registrada para os preços internacionais dos alimentos (baseados no FMI Food & Beverage Index), que foi de 14,29% no primeiro trimestre de 2026 em relação aos três primeiros meses do ano passado (considerando os valores em reais). No mesmo período, as cotações industriais (segundo o IPA-OG-DI produtos industriais) caíram 2,55% e a moeda brasileira frente ao dólar (R$/US$) se valorizou 10,12%. De acordo com pesquisadores do Cepea, esse cenário, em que o recuo dos preços domésticos foi mais moderado do que o observado no mercado internacional, evidencia a relativa resiliência dos preços internos. Adicionalmente, a valorização cambial contribui para a redução dos custos de insumos importados, enquanto a queda, ainda que mais branda, dos preços industriais favorece o controle dos custos de produção. O Cepea destaca ainda que a baixa do IPPA no primeiro trimestre de 2026 está associada às retrações observadas para os grupos Grãos (-9,85%), Cana e Café (-16,61%), Hortifrutícolas (-14%), e pecuária (-5,73%). No caso dos grãos, o índice foi influenciado pelas desvalorizações registradas quando considerados os preços do primeiro trimestre deste ano frente aos do mesmo período de 2025. As quedas foram de 14,59% para o algodão, de 39,83% para o arroz, de 15,35% para o milho, de 4,15% para a soja e de 18,24% para o trigo. Em relação às hortifrutícolas, o recuo foi influenciado pelas reduções observadas nos preços do tomate (-4,3%) e da laranja (-55,8%), já que os valores da batata e da banana subiram 5,1% e 23,1%, nesta ordem. Para a pecuária, a queda esteve atrelada aos movimentos do frango (-10,68%), dos suínos (-13,10%), do leite (-22,97%) e dos ovos (-22,2%). Em contrapartida, a arroba bovina registrou valorização, de 5,9%.
VALOR ECONÔMICO
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