Informativo Sindileite 120 24.04.2026

Ano 1 | nº 120 | 24 de abril de 2026

NOTÍCIAS

Leite mais caro no campo eleva preços nas prateleiras

Menor oferta impulsiona derivados e acende alerta para queda no consumo.

Os preços do leite voltaram a subir no Brasil e já impactam o bolso do consumidor. Dados do Cepea, da Esalq/USP, mostram que o valor pago ao produtor avançou 5,43% em fevereiro, alcançando média de R$ 2,1464 por litro. Foi a segunda alta consecutiva. A elevação está ligada, principalmente, à menor oferta no campo. O período do ano, com pastagens prejudicadas, tem limitado a produção e elevado os custos com alimentação do rebanho. Além disso, produtores têm adotado postura mais cautelosa após as quedas de preços registradas em 2025, reduzindo investimentos na atividade. Os custos de produção também seguem em alta. Em março, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 0,46%, com destaque para o aumento do diesel, que encarece as operações nas propriedades. No mercado, o reflexo foi imediato. Com menos leite disponível, os preços dos derivados dispararam no atacado. O leite UHT registrou alta de 18,27% em março, com média de R$ 4,16 por litro, chegando a R$ 4,94 na primeira quinzena de abril. O queijo muçarela subiu 6,11%, atingindo R$ 30,73 por quilo, e já alcança R$ 34,33 em abril. O leite em pó também apresentou avanço, com valorização de 4,17% e média de R$ 30,01 por quilo. A alta acelerada preocupa agentes do setor, que temem redução no consumo nos próximos meses diante dos preços mais elevados. Para compensar a menor oferta interna, o Brasil ampliou as importações de lácteos. Em março, as compras externas cresceram 33,3%, somando mais de 242 milhões de litros em equivalente leite. O leite em pó concentrou a maior parte desse volume, com participação de 80,8%. Como as exportações avançaram em ritmo menor, de 11,2%, o país registrou déficit de US$ 95,25 milhões na balança comercial do setor. Por outro lado, há sinal de alívio nos custos de alimentação animal. O preço do milho recuou 4,1% na primeira quinzena de abril, influenciado pelo avanço da colheita e menor demanda. O farelo de soja também caiu 2,2% no período, diante da expectativa de safra recorde, estimada em 179,15 milhões de toneladas. Com isso, o poder de compra do pecuarista melhorou. Atualmente, são necessários cerca de 31,82 litros de leite para adquirir uma saca de milho, indicador superior ao observado no início do ano.

O Presente Rural com Cepea

NACIONAL

Setor leiteiro pode se recuperar em 2026, aponta Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa

A divulgação dos dados do quarto trimestre de 2025 pelo IBGE confirmou o aumento da captação de leite no país: o volume anual alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% frente a 2024, indicando retomada mais consistente da oferta nacional após um período de avanço mais moderado.

As informações integram o Boletim Agropecuário de abril, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que reúne dados atualizados sobre produção, preços, clima e mercado e serve como indicador do desempenho do agronegócio catarinense. O volume anual alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% frente a 2024, indicando retomada mais consistente da oferta nacional após um período de avanço mais moderado. Minas Gerais manteve a liderança, com 24% da captação total, seguido pelo Paraná. O Rio Grande do Sul retomou a terceira posição no ranking, enquanto Santa Catarina ficou em quarto lugar, com 3,5 bilhões de litros e alta de 6,4%, mantendo participação próxima de 13% do total brasileiro. A analista da Epagri/Cepa, Andrea Castelo Branco, avalia que a recuperação dos preços do leite ao produtor, a partir de fevereiro de 2026, ocorre após oito meses de queda provocados principalmente pelo aumento da oferta. Em 2025, a captação nacional cresceu 8,4%, ampliando a disponibilidade interna e pressionando os valores pagos, enquanto as importações, apesar de contribuírem para o aumento da oferta, tiveram influência menor por ficarem abaixo do volume registrado em 2024. “A reação dos preços observada a partir de fevereiro reflete um processo de ajuste depois de um período prolongado de excesso de oferta. O crescimento da produção em 2025 foi o principal fator de pressão baixista. Para 2026, a recuperação vai depender do equilíbrio entre oferta e demanda e, em estados como Santa Catarina, tende a ser mais gradual se a produção seguir elevada”, afirma. No cenário estadual, os preços do leite cru em Santa Catarina mostram reação em 2026. O Conseleite/SC projetou valor de referência próximo de R$ 2,33 por litro para abril, enquanto os dados da Epagri/Cepa indicam preço médio de R$ 2,35 nos primeiros dias do mês. A recuperação é gradual e ocorre após as mínimas observadas no início do ano, mas ainda não recompõe as perdas acumuladas, já que os valores seguem cerca de 17% abaixo dos registrados em abril de 2025. Os derivados do leite também apresentaram valorização no atacado nos primeiros meses de 2026. Leite UHT, muçarela e queijo prato tiveram altas sucessivas entre fevereiro e abril, reforçando o processo de recomposição de preços ao longo da cadeia. O leite em pó mostrou comportamento mais estável, com oscilações moderadas. Regionalmente, a maioria das praças catarinenses registrou aumento mensal no preço pago ao produtor em março, embora, na comparação com o mesmo mês de 2025, os valores ainda permaneçam em patamares inferiores, evidenciando que a recuperação do setor segue em curso, mas ainda incompleta.

EPAGRI/SC

EMPRESAS

Creminos: Bacio di Latte lança nova linha de picolés

A Bacio di Latte anunciou o lançamento dos novos Creminos, picolés cremosos inspirados em sabores clássicos da marca. A novidade chega com a proposta de levar a experiência do gelato artesanal para diferentes momentos.

Entre as opções, o Cremino Cioccolato traz o chocolate com perfil intenso e sabor marcante. Já o Cremino Caramello combina notas intensas de caramelo com uma base cremosa suave. Para quem prefere uma alternativa mais leve, o Sorbet Limão Siciliano, à base de água, oferece frescor e toque cítrico equilibrado. Os Creminos se destacam por uma textura macia e aveludada, características já associadas ao portfólio da marca. A linha aposta nos melhores ingredientes e sabores que equilibram intensidade e cremosidade, atendendo a diferentes perfis de paladar. A novidade já está disponível nas lojas da Bacio di Latte, e-commerce da marca, operações de praia, e em parceiros de delivery, como o iFood. Para mais informações, acesse o perfil oficial da marca no Instagram.

portal GKPB/MILKPOINT

INTERNACIONAL

GDT 402º registra nova queda e indica continuidade do ajuste nos preços globais

O 402º leilão da Global Dairy Trade (GDT) apresentou recuo de 2,7% no price index, com o preço médio dos produtos negociados atingindo USD 4.143/tonelada. O resultado reforça um mercado mais cauteloso após a sequência recente de altas, indicando um movimento mais claro de ajuste nos preços internacionais dos lácteos.

Entre os derivados, o leilão concentrou quedas nas cotações. A gordura anidra do leite registrou o recuo mais expressivo do evento, com queda de 9,6%, sendo negociada a USD 6.357/tonelada, indicando um ajuste após patamares mais elevados. A manteiga também apresentou retração relevante, de 7,9%, com preço médio de USD 5.702/tonelada. Nos leites em pó, o comportamento foi misto. O leite em pó integral (LPI) registrou estabilidade, com leve recuo de 0,6%, cotado a USD 3.666/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) avançou 3,2%, atingindo USD 3.448/tonelada, refletindo dinâmicas distintas de oferta e demanda entre os produtos. Entre os queijos, a muçarela apresentou queda de 3,1%, sendo negociada a USD 3.850/tonelada, enquanto o cheddar registrou leve alta de 1,1%, com preço médio de USD 4.798/tonelada. Já a lactose se destacou positivamente, com valorização de 7,2%, atingindo USD 1.573/tonelada, sendo o derivado com maior avanço no leilão. Em relação ao volume negociado, o leilão registrou retração frente à edição anterior, com queda de 9,1%, totalizando 14.993 toneladas comercializadas. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o volume também foi inferior, com recuo de 10,3%, refletindo uma menor disponibilidade de produtos no mercado internacional e um cenário de negociações mais moderadas. Do lado da demanda, o número de participantes foi de 160 no último leilão para 147, mostrando uma certa desaceleração da demanda. Na NZX, os futuros de leite em pó integral (WMP) voltaram a se valorizar no final de abril. Os contratos com vencimento entre maio e julho apresentaram recuperação nos preços após os recuos observados nas últimas sessões. Esse movimento reflete, por um lado, a continuidade de um cenário de oferta internacional mais ajustada, o que dá suporte às cotações. Por outro, a pressão no curto prazo vinha sendo influenciada por um ambiente global de maior incerteza, associado às tensões geopolíticas. Com sinais recentes de trégua entre os países envolvidos, observa-se uma redução dessa pressão, contribuindo para a retomada dos preços futuros. A sequência recente de recuos no GDT indica um momento de maior cautela no mercado internacional, após o ciclo de altas observado anteriormente. Esse movimento reduz a sustentação dos preços globais, especialmente para o leite em pó, e tende a aumentar a competitividade do produto importado no Mercosul, com reflexos nas negociações no Brasil. No cenário global, a combinação entre ajuste sazonal da oferta em importantes regiões exportadoras e uma postura mais cautelosa dos compradores, em meio às incertezas geopolíticas, tem contribuído para um ambiente de preços mais pressionados. Ainda assim, os sinais observados nos contratos futuros indicam que esse movimento pode ser transitório, com possibilidade de recomposição no curto prazo. No Brasil, os derivados começam a refletir esse contexto, com sinais de correção após semanas consecutivas de alta. Apesar disso, o mercado doméstico ainda encontra suporte na menor disponibilidade de leite típica da entressafra, o que tende a suavizar quedas mais intensas. Por fim, o câmbio adiciona um fator relevante a essa dinâmica. Com o dólar em patamares mais baixos, a competitividade dos produtos importados aumenta, podendo reforçar o fluxo de importações e limitar avanços nos preços internos. Dessa forma, o mercado brasileiro deve seguir em um ambiente mais equilibrado no curto prazo, com movimentos condicionados à evolução do cenário internacional, da oferta doméstica e das condições de importação.

MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar volta a fechar acima de R$5,00 após cenário externo se deteriorar à tarde

Após sustentar baixas até o início da tarde, o dólar virou para o território positivo e se firmou em alta no Brasil, encerrando a quinta-feira acima dos R$5,00, em meio a notícias que colocam em dúvida um possível acordo de paz entre EUA e Irã.

O dólar à vista fechou o dia em alta de 0,62%, aos R$5,0046. Desde 10 de abril a moeda norte-americana não encerrava acima de R$5,00. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular queda de 8,82% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,74% na B3, aos R$5,0095. Até o início da tarde o dólar oscilou em baixa ante o real, dando continuidade ao movimento mais recente de fortalecimento do real, ainda que o cenário no Oriente Médio seguisse nebuloso. À tarde, porém, a tendência mudou, em meio a declarações de autoridades dos dois lados da guerra. O presidente norte-americano, Donald Trump, disse que um acordo com o Irã só será feito quando for “apropriado e bom” para os EUA. Já o presidente do Irã disse na rede X que o “agressor” se arrependerá. Também durante a tarde, surgiram notícias sobre a ativação de defesas aéreas no Irã, apesar do cessar-fogo. Na esteira do noticiário, o dólar ganhou força, passando a subir ante a maior parte das demais divisas, incluindo o real. “No fim da tarde, a gente viu… o dólar ganhando força, muito por conta da questão da guerra. Existem ainda incertezas em relação a este assunto, não se sabe se o cessar-fogo vai continuar, se não vai continuar, se a gente vai ver um fim próximo da guerra ou não”, comentou Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank e especialista em câmbio. “E isso acaba trazendo volatilidade para a moeda.” No exterior, também sob a influência do noticiário sobre a guerra, às 17h09 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,21%, a 98,822. À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$3,200 bilhões em abril até o dia 17. Desde que a guerra começou, no fim de fevereiro, já saíram do país US$9,550 bilhões líquidos.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com indefinição sobre guerra no Oriente Médio

O Ibovespa fechou em queda na quinta-feira, em meio ao ambiente avesso ao risco nos mercados globais, diante da persistência de incertezas sobre como e quando a guerra no Oriente Médio poderá ser resolvida.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,78%, a 191.378,43 pontos, após marcar 190.929,82 na mínima e 193.346,63 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$24,9 bilhões. A captura de dois navios pelo Irã na quarta-feira no Estreito de Ormuz mesmo depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que estava suspendendo os ataques por tempo indeterminado, reacendeu o alerta entre os investidores na quinta. Pela manhã, Trump disse que ordenou que a Marinha dos EUA dispare contra qualquer barco que colocar minas no Estreito de Ormuz. Nesse contexto, o Irã reforçou ainda mais o controle sobre o estreito, o que fez o preço do petróleo Brent ficar mais uma vez acima dos US$100 por barril e as bolsas dos EUA ficarem no vermelho, com o S&P 500 caindo 0,41%, para 7.108,40 pontos ao fim da sessão. “A bolsa brasileira apresentou forte correção, acompanhando os índices norte-americanos, que apresentaram uma grande virada no meio do pregão, após declarações por parte de Israel, que deram a entender que o cessar fogo está por um fio, as negociações não avançaram e os bombardeios podem ser retomados a qualquer momento”, destacou Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

REUTERS

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