Ano 1 | nº 228 | 28 de setembro 2026
NOTÍCIAS
GDT e spot recuam enquanto derivados seguem em relativa estabilidade
Leilão GDT: no 412º leilão da Global Dairy Trade, o GDT Price Index apresentou um recuo de 1,1%, fecho com preço médio de USD 3.868 por tonelada. Essa movimentação sinaliza um leve ajuste nos valores internacionais depois dos aumentos registrados nos certames anteriores.
O total comercializado somou 42.444 toneladas, o que significa uma redução de 3,5% em comparação ao evento antecedente, embora ainda supere em 8,6% o volume visto no mesmo intervalo de 2025. Mesmo diante da baixa, a quantidade negociada segue em nível expressivo, impulsionada pelo aumento da oferta global de lácteos decorrente da expansão produtiva na Oceania. Leite spot: o mercado leite spot finalizou o mês de setembro com desvalorização nas cotações em todo o país, registrando quedas em todas as unidades federativas. A média nacional recuou para R$ 2,790, o que representa uma diminuição de R$ 0,138 frente ao valor apurado na quinzena antecedente. O crescimento na captação da matéria-prima, impulsionado sobretudo pelos estados do Sul, elevou o volume disponível e intensificou a pressão baixista sobre as cotações. Somado a isso, o arrefecimento no segmento de derivados reduziu o suporte aos preços, favorecendo o recuo do leite cru ao longo do período. IBGE: segundo os dados da Pesquisa Trimestral do Leite (PTL), o volume captado no Brasil atingiu 6,614 bilhões de litros no segundo trimestre de 2026 o que representa um crescimento de 1,0% na comparação com igual etapa do ano anterior. A despeito de o montante ser o mais elevado para um segundo trimestre em toda a série histórica, constata-se uma desaceleração no ritmo desse avanço. Em outras palavras, a produção formal mantém trajetória ascendente, porém com um dinamismo bem mais modesto do que o verificado no decorrer de 2025. Muçarela: o queijo muçarela manteve dinâmica parecida com a da semana passada, registrando um ritmo de negócios mais moderado. Embora a movimentação comercial tenha seguido menos intensa, as cotações reportadas pelos agentes de mercado mostraram pouca variação no período. Goiás apresentou o maior recuo do período, cotado a R$ 34,3 (-R$ 0,4). Minas Gerais e Rio de Janeiro também registraram desvalorizações, fechando em R$ 34,5 (-R$ 0,3) e R$ 34,4 (-R$ 0,2), respectivamente, enquanto São Paulo teve leve queda de R$ 0,1, sendo negociado a R$ 32,6. No Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul acompanharam a tendência baixista, ambos caindo R$ 0,2 e encerrando em R$ 32,2 e R$ 30,7, ao passo que o Paraná manteve estabilidade nas cotações, permanecendo fixado em R$ 32,5. Leite em pó: o segmento exibiu comportamentos divergentes entre seus produtos. O leite em pó integral e o leite em pó fracionado mantiveram-se firmes, favorecidos pela oferta mais limitada e pelo baixo nível dos estoques, fatores que contiveram oscilações mais acentuadas nos preços. Enquanto isso, o leite em pó desnatado apresentou alta nas cotações, impulsionado pela procura aquecida por insumos proteicos. Oferta: com a continuidade do avanço na disponibilidade de leite, a oferta permanece em patamar elevado, mantendo pressão sobre os preços e ampliando a disponibilidade de derivados no mercado. Demanda: em um cenário de relativa estabilidade, a demanda segue em ritmo equilibrado, sem mudanças significativas no consumo. Ainda assim, os preços dos derivados permanecem pressionados, refletindo um mercado que continua com pouca força para sustentar avanços nas cotações.
MILKPOINT
Conseleite de Santa Catarina projeta variação de -0,0281 R$/litro para o leite pago em outubro/26
O Conseleite de Santa Catarina projetou uma variação negativa para valor do leite entregue em setembro a ser pago em outubro/26.
A diretoria do Conseleite Santa Catarina reunida em Chapecó no dia 25 de Setembro de 2026 atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I, aprova e divulga os valores de referência da matéria-prima leite, realizados no mês de Agosto de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Setembro de 2026. Períodos de apuração. Mês de Agosto/2026: De 03/08/2026 a 30/08/2026. Parcial Setembro/2026: De 31/08/2026 a 20/09/2026. O leite padrão é aquele que contém entre 3,50 e 3,59% de gordura, entre 3,11 e 3,15% de proteína, entre 450 e 499 mil células somáticas/ml e 251 a 300 mil ufc/ml de contagem bacteriana e volume individual entregue de até 50 litros/dia. O Conseleite Santa Catarina não precifica leites com qualidades inferiores ao leite abaixo do padrão.
FAESC
Entenda por que o preço do whey protein disparou nos últimos meses
Valor quase triplicou desde o início de 2025 nos Estados Unidos, país que exporta produto para o Brasil. Procura por produtos com alto teor de proteína se acentuou nos últimos meses
O aumento da procura por produtos com alto teor de proteína tem provocado uma transformação na indústria láctea. Em poucos meses, houve uma disparada nos preços do WPC (whey protein concentrado) e do WPI (whey protein isolado), ingredientes utilizados para aumentar o valor nutricional de vários produtos e que são obtidos a partir do soro de leite. Segundo levantamento da consultoria StoneX, o preço do WPC80 (concentrado de proteína do soro do leite a 80%) quase triplicou nos EUA em alguns meses. A tonelada custava cerca de US$ 10 mil no início de 2025 e em agosto deste ano estava em US$ 28 mil. O WPI, que tem pelo menos 90% de proteína, subiu 47% no período, chegando a US$ 32 mil a tonelada. O WPC34, de menor concentração, teve alta de 40%. No mercado nacional, o quilo do WPC80 chegou a R$ 180 em setembro, alta de 24% na comparação com o mês de junho, segundo levantamento da MilkPoint Mercado. Mas qual foi o motivo dessa disparada nos preços? Três fatores ajudam a entender o cenário: Produtos com maior teor proteico ganharam mais espaço na alimentação nos últimos anos. Esse movimento ganhou força após a pandemia de covid-19, mas recebeu novo impulso com a popularização das canetas emagrecedoras. Como esses medicamentos reduzem o apetite, aumentou a preocupação dos consumidores em manter uma ingestão adequada de proteínas mesmo comendo menos. “Para usar essas canetas, esse público está disposto a comprar mais proteína para não perder massa magra”, explica Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX. Esse crescimento da demanda ampliou o leque de produtos com proteína adicionada. Hoje as proteínas de alto valor estão presentes não apenas em barras e bebidas lácteas, mas também em snacks, chocolates, pães e até em vinhos e cervejas. Se até então o consumo de whey estava associado a quem frequenta as academias, hoje esse público foi ampliado. “Algumas pesquisas de mercado já apontam que pelo menos metade dos lares brasileiros possui algum indivíduo que utiliza suplementos”, afirma o CEO da Integralmedica, empresa de suplementos com fábrica em Embu-Guaçu (SP), Filipe Bragança. O segundo lado da equação está na oferta. O whey é produzido a partir do soro que sobra da fabricação de queijos. Portanto, para aumentar a produção de whey, é preciso ter soro disponível. Porém, a produção de queijos tem crescido pouco no Brasil, país onde o consumo per capita é historicamente menor do que em outras nações da América do Sul. De acordo com Valter Galan, sócio da MilkPoint, esse volume cresce 4% a 5% ao ano. O mercado de bebidas proteicas, por outro lado, tem registrado crescimento de duplo dígito já há alguns anos. “Há um descompasso entre o crescimento da demanda por proteína concentrada de soro e o crescimento da disponibilidade de soro como subproduto da produção de queijo”, diz Marcel de Barros, CEO da Tirolez, uma das principais fabricantes de queijos do país. “Esse descompasso gera uma pressão de demanda, que leva a toda essa alta. É um fenômeno mundial”, acrescenta. Mas, para aumentar a produção de whey, não basta ter soro disponível. É preciso contar com estruturas industriais capazes de processá-lo, retirar água e concentrar suas proteínas para produzir ingredientes como WPC80 e WPI. Cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos no Brasil são importados. O país é um grande produtor de leite: são mais de 35 bilhões de litros por ano, segundo o IBGE. Mas a capacidade de processar o soro de leite e transformá-lo em ingredientes proteicos de maior valor agregado é limitada. De acordo com a analista Juliana Santiago, da StoneX, a limitação está mais na infraestrutura industrial do que na disponibilidade de matéria-prima, uma vez que ainda há pouca capacidade de fracionamento para transformar o soro líquido em ingredientes como WPC. “Para você produzir o WPC tem todo um processo industrial que não é barato. Quando começou esse ‘boom’, até as empresas se adaptarem, fazerem o planejamento, adaptações na própria fábrica, tudo isso demora muito tempo”, afirma Juliana. Uma das consequências dessa valorização das proteínas é o anúncio de novos investimentos, que devem ampliar a capacidade de processamento do soro nos próximos anos. De acordo com fontes do setor, a tendência é de que a entrada de novas fábricas possa aliviar a pressão sobre o mercado de forma gradual. “A gente tende a ter um balanço melhor de oferta em que, acompanhado por essa demanda, que não deve recuar a níveis anteriores, junto com uma oferta um pouco mais tranquila, aí sim podemos ter um novo patamar de preços que pare um pouco com essa alta”, explica Juliana Santiago, analista da StoneX.
GLOBO RURAL
‘Robôs queijeiros’ viram, limpam e cuidam de queijos no RS
Tecnologia foi trazida da Itália na década de 1990 e auxilia na padronização de queijos do tipo Grana Padano. A máquina retira cada peça da prateleira, vira a forma, escova a tábua e o próprio queijo, e devolve tudo ao lugar de origem
Ao mesmo tempo que mantém a tradição da receita italiana, a RAR Gastronomia, unidade de negócios da RAR Agro & Indústria, de Vacaria (RS, usa robôs importados da Itália para padronizar a produção dos queijos tipo Grana. Em atividade desde 1999, os “robôs queijeiros” autônomos trabalham nas câmaras de maturação ao lado dos funcionários e realizam a movimentação e a limpeza das 32 mil formas durante o processo. De acordo com Angelo Sartor, CEO da RAR Agro & Indústria, as máquinas auxiliam uma vez que cada peça sai da fábrica pesando 40 quilos e, ao longo desse período, perde peso com a redução da umidade. Além disso, atuam no processo de padronização dos produtos. Sartor conta que, assim como o modo de produção, os equipamentos também vieram da Itália. Quando o projeto começou em Vacaria, no Rio Grande do Sul, não havia leite com as características necessárias para fabricar o produto nem uma estrutura capaz de reproduzir o padrão de produção italiano. “Foi uma questão de empreendedorismo do Raul Randon. Alguém o convenceu de que poderia produzir um Grana Padano, o primeiro produzido fora da Itália, aqui em Vacaria”, conta o CEO. Por questões de denominação de origem, Sartor explica que o produto brasileiro não pode usar o mesmo nome do italiano e, por isso, recebeu a denominação de “queijo tipo Grana”. Segundo ele, desde o início, o processo buscou reproduzir as características do produto italiano. Para viabilizar a produção, Randon precisou começar pela criação do gado. Ele viajou até Ohio, nos Estados Unidos, e trouxe dois aviões de vacas prenhas para o Rio Grande do Sul. A partir daí, também foi necessário estruturar a alimentação dos animais que, para esse tipo de queijo, não pode incluir pasto verde, já que isso alteraria as características do produto. A alimentação precisa permanecer igual ao longo de todo o ano para garantir a padronização do queijo. Segundo Sartor, isso permite que uma forma produzida em janeiro tenha as mesmas características de outra fabricada em junho ou setembro, inclusive na coloração. Para isso, foram construídos galpões de confinamento, além da estrutura de ordenha e do próprio laticínio. Como esse modelo de produção ainda não existia no Brasil, os equipamentos necessários também seguiram o padrão utilizado na Itália. Sartor explica que os robôs queijeiros fazem parte do processo desde o início da produção do queijo tipo Grana no Brasil. A tecnologia ajuda a não só manter o padrão de fabricação, mas também a qualidade inspirada no modelo italiano. A produção ocorre diariamente. Como o queijo é feito com leite cru, o CEO explica que o leite não pode ser armazenado nem pasteurizado antes da fabricação. Por isso, a produção acompanha diariamente a disponibilidade do leite. A maturação também exige cuidados específicos. As formas ficam apoiadas em prateleiras de madeira de pinho ou araucária, que não podem ter nós para não marcar o queijo. As peças permanecem nessa posição durante, no mínimo, 12 meses, e a madeira faz parte dos detalhes do processo de fabricação. Ao todo, sete robôs atuam na movimentação e na manutenção das formas. Dois colocam os queijos nas prateleiras, enquanto os outros cinco retiram as peças para realizar o processo de manutenção. Os equipamentos escovam tanto o queijo quanto a tábua onde ele está apoiado e, em seguida, viram a forma antes de recolocá-la na prateleira. A frequência das viradas varia conforme o estágio de maturação. Até o quarto mês, os queijos passam pelo processo praticamente uma vez por semana. Entre o quarto e o oitavo mês, a frequência cai para cerca de duas vezes por semana. A partir do oitavo mês, as viradas ocorrem aproximadamente a cada 20 dias. Sartor conta ainda que cada robô dos modelos mais novos consegue virar duas formas ao mesmo tempo. “Antigamente, quando iniciamos os robôs, cada um virava um queijo. Agora, ele vira, ao mesmo tempo, dois queijos. Ele pega um na prateleira de cima e outro de baixo”, afirma. No ritmo da produção, o executivo estima cerca de 1,5 milhão de viradas de queijo por ano. “Então, um robô faz o trabalho de dois. A própria tecnologia vai evoluindo e dando mais agilidade ao processo”, diz. Além da padronização, Sartor afirma que os robôs também ajudam a atender às exigências da legislação de ergonomia. As prateleiras que armazenam os queijos são altas, enquanto cada forma recém-produzida pesa cerca de 40 quilos. Com a perda de umidade durante a maturação, o peso chega a aproximadamente 35 quilos. “O trabalhador tem limitações de carga. No caso do homem, são 23 quilos que um homem pode carregar. Então, o robô faz esse papel, que é fundamental até para atender à legislação trabalhista que nós temos hoje, dentro do Ministério do Trabalho”, explica. As máquinas mais antigas continuam em funcionamento, embora apresentem produtividade menor em comparação com os modelos novos. Segundo o CEO, a manutenção e as adaptações permitem preservar a performance de cada equipamento dentro das limitações de seu modelo. Parte das adaptações também ocorreu para atender às exigências da legislação trabalhista brasileira. Sartor afirma que, em algumas atividades, as regras no Brasil são mais rigorosas do que na Europa. Segundo ele, isso aumenta a proteção e a segurança dos trabalhadores. A expectativa, segundo Sartor, é que novos modelos sejam desenvolvidos no futuro com capacidade para virar três formas ao mesmo tempo, ampliando a agilidade da produção.
GLOBO RURAL
EMPRESAS
TIROL EM PINHALZINHO PREPARA SALTO PARA PROCESSAR 1 MILHÃO DE LITROS
A nova estrutura combina automação, equipamentos e inteligência artificial em uma operação que também depende de mais matéria-prima. Uma obra em fase final está prestes a mudar a escala de uma unidade da Tirol e aumentar a demanda por leite na região.
A Tirol em Pinhalzinho (sc) está na reta final de uma transformação que levará a unidade a uma capacidade planejada de processamento de cerca de 1 milhão de litros de leite por dia. O projeto envolve investimentos superiores a R$ 200 milhões e inclui uma nova estrutura voltada à produção de leite em pó e ingredientes lácteos. A expansão não se limita à ampliação da capacidade industrial. A proposta prevê uma operação com novos equipamentos, instalações e tecnologias, incluindo uma planta da Alemanha e o uso de Inteligência Artificial na análise dos produtos. Segundo Adalberto Rofner, CEO e Diretor Executivo Comercial da Tirol, a construção vem movimentando a região há cerca de 12 meses. A tecnologia de IA será utilizada, de acordo com o executivo, para auxiliar na análise dos produtos, funcionando como uma espécie de “olho do operador” e ampliando a qualidade. A nova escala também cria uma necessidade diretamente ligada à produção de leite. Com uma operação maior, a indústria prevê aumento da demanda por matéria-prima, o que, segundo Rofner, cria uma perspectiva para os agricultores da região. A expectativa da empresa é que esse movimento também estimule investimentos nas propriedades rurais. A Tirol afirma que pretende continuar trabalhando no desenvolvimento dos produtores e relaciona a presença de uma indústria próxima, com demanda crescente, a melhores perspectivas para a continuidade dos investimentos na atividade. A transformação da unidade terá reflexos ainda sobre o mercado de trabalho local. A Tirol estima a criação de mais de 50 empregos diretos, além de aproximadamente 4 mil oportunidades indiretas em atividades como transporte, serviços e fornecimento de materiais. A empresa também pretende contratar e desenvolver profissionais da própria região. Para Rofner, uma operação com esse nível de tecnologia exige profissionais cada vez mais qualificados, criando oportunidades. A própria execução da obra já movimenta empresas e prestadores de serviços. Com a conclusão da estrutura, a unidade de Pinhalzinho passará a reunir, em um mesmo projeto, maior capacidade de processamento, automação, Inteligência Artificial e uma demanda adicional por leite. Para os produtores da região, o ponto central da expansão está justamente fora dos muros da fábrica: a necessidade crescente de matéria-prima para sustentar a nova escala industrial.
RCO.COM.BR
ECONOMIA
Dólar fecha em leve baixa com eleição, exterior e IPCA-15 no foco
O dólar fechou a sexta-feira com leve variação negativa ante o real, influenciado de um lado pelo recuo firme da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior e, de outro, pelos dados da nova pesquisa Datafolha e do IPCA-15 de setembro.
O dólar à vista encerrou a sessão com variação negativa de 0,19%, a R$5,1834. Na semana, a divisa acumulou alta de 0,74% e, no ano, baixa de 5,57%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,23% na B3, aos R$5,1865. Após os avanços mais recentes, o dólar exibiu nesta sexta-feira perdas ante divisas como o iene, o euro e a libra, ainda que os investidores sigam posicionados para nova alta de juros nos EUA em outubro. A moeda norte-americana também cedeu ante divisas como o peso colombiano e o rand sul-africano, entre outras, em uma sessão no geral de pouco fôlego para as divisas de países emergentes. No Brasil, a eleição também seguiu influenciando os negócios. O Datafolha informou na noite de quinta-feira que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seguiu com vantagem de 2 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um eventual segundo turno da eleição presidencial. Lula tem 47% e Flávio soma 45%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. Na semana passada, Lula tinha 46% e Flávio registrava 44%. Outro fator de atenção dos investidores foi o IPCA-15 de setembro, divulgado mais cedo pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O indicador, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,70% em setembro, após recuar 0,40% em agosto. Em 12 meses, houve elevação de 4,47% em setembro, contra 4,24% em agosto. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas menores, de 0,53% em setembro e 4,30% em 12 meses.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda pressionado por Petrobras
O Ibovespa fechou com queda modesta na sexta-feira, pressionado principalmente por Petrobras, enquanto a acomodação nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o viés positivo em Wall Street afastaram o índice das mínimas, quando trabalhou no patamar dos 182 mil pontos.
O último pregão da semana também incluiu a repercussão de nova pesquisa Datafolha, divulgada na noite da véspera, que manteve a disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial, bem como a análise do IPCA-15, que revelou inflação acima das expectativas em setembro. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa cedeu 0,22%, a 183.560,32 pontos, de acordo com dados preliminares, chegando a 182.151,01 no pior momento. Na máxima, atingiu 184.214,48 pontos. Na semana, acumulou um declínio de 0,90%. O volume financeiro na sexta-feira somava R$21,54 bilhões antes dos ajustes finais.
REUTERS
Prévia da inflação oficial de setembro fica em 0,70%, mostra IBGE
A prévia da inflação oficial de setembro ficou em 0,70%, a maior desde abril (0,89%). O resultado é uma inversão da deflação (inflação negativa) de agosto, que ficou em -0,40%.
A explicação principal da aceleração está na devolução do bônus de Itaipu, desconto que os consumidores tiveram na conta de luz do mês anterior. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado na sexta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o IPCA-15 soma 4,47% no acumulado de 12 meses. Em agosto, eram 4,24%. Em setembro de 2025, a prévia da inflação marcou 0,48%. Em 2026, o IPCA-15 acumula 3,82%. Veja mês a mês o comportamento da prévia da inflação no ano: janeiro: 0,20% fevereiro: 0,84% março: 0,44% abril: 0,89% maio: 0,62% junho: 0,41% julho: 0,06% agosto: -0,40% setembro: 0,70%. Para chegar ao resultado mensal, o IBGE apura o preço de nove grupos de produtos e serviços. Habitação: 2,07% (impacto de 0,31 ponto percentual) Despesas pessoais: 0,96% (0,10 p.p.) Transportes: 0,60% (0,12 p.p.) Artigos de residência: 0,55% (0,02 p.p.) Comunicação: 0,54% (0,02 p.p.) Vestuário: 0,41% (0,02 p.p.) Alimentação e bebidas: 0,40% (0,09 p.p.) Saúde e cuidados pessoais: 0,13% (0,02 p.p.) Educação: 0,03% (0 p.p.). A alta no grupamento habitação, o que mais pressionou a prévia, é explicada pela energia elétrica residencial, que subiu 7,42% em setembro, representando o maior impacto individual do índice (0,29 p.p.). Isso aconteceu porque em agosto, o conta de luz tinha caído 6,25%, beneficiada pelo Bônus Itaipu. O bônus consiste na distribuição do saldo positivo da conta de comercialização de Itaipu, hidrelétrica estatal, que vira crédito nas contas de energia. Em setembro, como não teve mais esse desconto, a conta de luz “normal” é comparada com a de agosto, mais baixa, fazendo com que a diferença de um mês para o outro seja maior. Esse efeito já era esperado pelo IBGE e por analistas. No grupo Transportes, o resultado foi influenciado pelas passagens aéreas, que subiram quase 10% (9,82%). Os combustíveis ficaram 0,22% mais caros, com os seguintes comportamentos de preços: gás veicular: 1,56% gasolina: 0,30% óleo diesel: -0,78% etanol: -0,22%. No grupo alimentação e bebidas, o subgrupo da alimentação no domicílio subiu 0,38% em setembro. Em agosto havia sido registrada deflação de -0,97%. As maiores altas na alimentação em casa foram: tomate: 20,76% arroz: 2,39% carnes: 1,30%. Se destacaram nas quedas: feijão carioca: -6,33% cebola: -4,41% café moído: -1,36%. O IPCA cheio de setembro será divulgado em 9 de outubro.
AGÊNCIA BRASIL
POWERED BY
EDITORA NORBERTO STAVISKI LTDA
041 999368886 (WhatsApp)