Ano 1 | nº 226 | 24 de setembro 2026
NOTÍCIAS
Conseleite Paraná divulga projeção do leite a ser pago em outubro com variação de -3,08%
O Conseleite Paraná divulgou a projeção para o leite a ser pago em outubro e, segundo a organização, o valor deve sofrer uma variação de -3,08%.
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 26 de agosto de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
| LEITE PADRÃO E ESCALAS DE DESCONTOS E BONIFICAÇÕES – CONSELEITE PARANÁ | |||||||
| Parâmetro | Unidade | Limites Máx. de Desconto | Leite padrão | Limites Máx. de Bonificação | |||
| Teor | % Desconto | Teor | % | Teor | % Bonificação | ||
| GORDURA | % | 3,0 | -1% | igual a 3,50 | 0% | maior que 4,25 | 5,0% |
| PROTEÍNA | % | 2,9 | -1% | igual a 3,10 | 0% | maior que 3,40 | 5,0% |
| CCS | mil/ml | maior que 600 | -2% | igual a 500 | 0% | menor que 200 | 4,0% |
| CPP | mil ufc/ml | maior que 500 | -2% | igual a 300 | 0% | menor que 100 | 4,0% |
| VOLUME | litros/dia | 0% | Menor que 300 | 0% | maior que 3.000 | 8,0% | |
| Soma | -6,0% | 0% | 26,0% | ||||
| Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) em julho/26 e agosto/26 | ||||
| Matéria-prima | Valores finais JULHO/2026 | Valores finais AGOSTO/2026 | Variação | |
| (Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26) | (Leite entregue em Agosto/26 a ser pago em Setembro/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,2986 | 3,2672 | -0,0314 | -0,95% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,6179 | 2,5930 | -0,0249 | -0,95% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,4609 | 2,4374 | -0,0234 | -0,95% |
Obs: (*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,63% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
| Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) projetados para agosto/26 e setembro/26 | ||||
| Matéria-prima | Valores projetados AGOSTO/2026 | Valores projetados SETEMBRO/2026 | Variação (Setembro – Agosto) | |
| (Leite entregue em Agosto/26 a ser pago em Setembro/26) | (Leite entregue em Setembro/26 a ser pago em Outubro/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,2849 | 3,1837 | -0,1012 | -3,08% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,6070 | 2,5267 | -0,0803 | -3,08% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,4506 | 2,3751 | -0,0755 | -3,08% |
Obs: (*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,63% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite PR
| Produtos | Jul/26 p/ Ago/26 | Parc. Ago/26 p/ Parc. Set/26 |
| UHT | -1,42% | -5,09% |
| Muçarela | -4,87% | -2,04% |
| Leite Spot | -4,32% | -5,84% |
| Demais Produtos | 1,00% | -1,33% |
| Valor de Referência | -0,95% | -3,08% |
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia. Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Setembro de 2026 é de R$ 4,3501/litro.
CONSELEITE PARANÁ
Demanda por whey dispara e leva indústria a investir em novas fábricas
Subproduto da fabricação de queijo, o soro virou ativo valioso diante da demanda para fabricação de ingredientes com alto teor proteico. Brasil ainda depende em boa parte da importação de ingredientes lácteos feitos a partir do soro
Impulsionada por uma mudança de hábitos do consumidor, a demanda por produtos com alto teor de proteínas provoca uma transformação na indústria de lácteos. O soro, subproduto da fabricação de queijo, que até alguns anos era pouco valorizado, virou um ativo valioso para a produção de whey. Embora seja um grande consumidor, o Brasil ainda depende em boa parte da importação de ingredientes lácteos feitos a partir do soro, como o WPC (Whey Protein Concentrado) e o WPI (Whey Protein Isolado). Mas, segundo especialistas e fontes do segmento, isso deve mudar com novos investimentos na produção. A demanda fez os preços desses ingredientes dispararem no mercado internacional e no Brasil. Quanto mais sofisticado e proteico o ingrediente, maior a valorização. Segundo levantamento da consultoria StoneX, o preço do WPC80 (concentrado de proteína do soro do leite a 80%) quase triplicou nos EUA. A tonelada custava cerca de US$ 10 mil no início de 2025 e em agosto deste ano estava em US$ 28 mil. O WPI, que tem pelo menos 90% de proteína, subiu 47% no período, chegando a US$ 32 mil a tonelada. O WPC34, de menor concentração, teve alta de 40%. A procura por produtos considerados mais saudáveis tem crescido desde a pandemia, mas a demanda ganhou força com o advento de medicamentos injetáveis que ajudam no controle do apetite (as canetas emagrecedoras). Hoje as proteínas de alto valor estão presentes não apenas em barras e bebidas lácteas, mas também em snacks, chocolates, pães e até em vinhos e cervejas. No entanto, a indústria não conseguiu dar conta da demanda, já que os investimentos na ampliação da produção demandam um certo tempo. “Foi uma combinação entre uma demanda que se acelerou e uma oferta que não conseguiu acompanhar esse aumento”, afirma Juliana Torres Santiago, analista de inteligência de mercado da StoneX. Segundo a consultoria, o WPC80 dos EUA chega ao Brasil custando em torno de R$ 160 mil a tonelada, já considerando impostos e custos de importação. Cerca de 70% do WPC80 e do WPI consumidos no Brasil são importados. O país é um grande produtor de leite: são mais de 35 bilhões de litros por ano, segundo o IBGE. Mas a capacidade de processar o soro de leite e transformá-lo em ingredientes proteicos de maior valor agregado é limitada. “Há um descompasso entre o crescimento da demanda por proteína concentrada de soro e o crescimento da disponibilidade de soro como subproduto da produção de queijo”, diz Marcel de Barros, CEO da Tirolez, uma das principais fabricantes de queijos do país. “Esse descompasso gera uma pressão de demanda, que leva a toda essa alta. É um fenômeno mundial”, acrescenta. O mercado do soro no país não é exatamente uma novidade. A própria Tirolez comercializava esse subproduto para empresas que convertiam o ingrediente para uso na alimentação humana. Segundo Barros, a empresa busca “parcerias estratégicas de longo prazo” para ampliar a relevância do negócio dentro do grupo. No momento, a Tirolez fornece matéria-prima para empresas que usam whey na formulação de produtos. A empresa adquiriu recentemente a planta do grupo Barbosa & Marques, em recuperação judicial, em Governador Valadares (MG). A capacidade de processamento e secagem é de 480 mil litros de soro por dia. Barros diz que a unidade opera na capacidade máxima. A Tirolez está arrendando a planta desde 1 de julho, mas a aquisição definitiva depende do processo de recuperação judicial. Uma das poucas empresas que produzem essas proteínas de alta concentração no Brasil, a Sooro Renner tem unidades em Marechal Cândido Rondon (PR) e Estação (RS). A produção anual é de 8 mil toneladas de WPC80 e cerca de 2 mil toneladas de WPI. A empresa atua no B2B e vende os ingredientes a outras indústrias. Após a fusão com a Relat, do grupo Renner Hermann, em 2019, a empresa traçou o plano de dobrar a capacidade de produção de proteínas. Em 2024, a Sooro decidiu construir uma nova planta em Francisco Beltrão (PR). A previsão é iniciar a produção no segundo semestre de 2027. A nova unidade, com investimento de mais de R$ 1 bilhão, deverá dobrar a capacidade atual de produção de WPC80 e WPI. A indústria também terá formulações para nutrição infantil e público sênior. “Antigamente, o whey era considerado um produto só para ‘marombados’, as pessoas que viviam na musculação. Mas notamos que a pessoa que queria ter um estilo de vida mais saudável, seja correr, pedalar, fazer crossfit, também precisaria consumir mais proteína”, afirma o CEO da Sooro Renner, Eduardo Serra. A empresa compra o soro de laticínios da região Sul. Segundo Serra, o custo da matéria-prima dobrou no último ano em meio à oferta restrita e ao aumento da demanda por proteínas. “Houve uma valorização de toda a cadeia. O meu fornecedor está recebendo mais, mas eu estou vendendo também mais caro”, afirma. Diferentemente de outras empresas que precisam comprar soro de leite de terceiros, a francesa Lactalis tem uma fábrica de WPC integrada à de queijos, em Três de Maio (RS). O soro é levado por uma tubulação, em circuito fechado, diretamente para a produção de whey. “O consumo per capita de proteína do leite nos Estados Unidos ou em outros mercados com economia mais madura ainda é bem maior que o do Brasil. Então acreditamos que aqui esse mercado vai continuar crescendo”, observa Guilherme Portella, diretor de comunicação, assuntos regulatórios e corporativos da Lactalis Brasil. O mercado de bebidas proteicas movimenta atualmente cerca de 80 milhões de litros por ano, de acordo com consultoria MilkPoint. A título de comparação, bebidas UHT mais tradicionais chegam a quase 500 milhões de litros. Embora representem um volume pequeno, as bebidas proteicas apresentam crescimento acima de um dígito nos últimos anos, segundo Valter Galan, sócio da MilkPoint. Ele observa que, como não existe soro suficiente para atender o mercado, há hoje projetos de unidades de queijo saindo já com plantas de proteína de soro acopladas. Um dos projetos com esse perfil é do Grupo Piracanjuba, um dos maiores do ramo de laticínios do Brasil, que investiu mais de R$ 500 milhões na construção de complexo industrial em São Jorge d’Oeste (PR) com produção planejada e integrada de queijo, manteiga, whey protein e lactose em pó. A fábrica está em construção. A expectativa é produzir até 6 mil toneladas anuais de whey protein. Procurada, a empresa não deu entrevista.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar tem alta forte reagindo ao exterior
O dólar fechou a quarta-feira com alta firme no Brasil, reagindo ao avanço da moeda norte-americana no exterior e a uma nova pesquisa eleitoral no Brasil mostrando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recuperando vantagem numérica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 1,27%, a R$5,1689, o maior valor de fechamento desde 31 de agosto, quando marcou R$5,1814. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 5,83%. Às 17h04, o dólar futuro para outubro — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — subia 1,20% na B3, aos R$5,1715. A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% de Flávio. Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico. No entanto, o resultado coloca Lula novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha 46,8% e Flávio somava 47,2%. Nas últimas semanas, a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado “trade eleitoral”, que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros). Isso porque Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. O cenário externo foi outro fator altista para as cotações nesta quarta-feira, com a moeda norte-americana ganhando força ante quase todas as demais divisas. Por trás do movimento está a perspectiva de nova alta de juros pelo Federal Reserve no curto prazo, em meio aos impactos inflacionários da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Em outro sinal de pressão inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após o resultado de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado. Em reação, o dólar acelerou os ganhos ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Também pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, disse que não espera grandes solavancos no câmbio diante das mudanças de juros no Brasil e nos Estados Unidos.
REUTERS
Ibovespa fecha em queda com exterior desfavorável, sem tirar eleição do radar
Após duas altas seguidas, o Ibovespa fechou em queda na quarta-feira, contaminado pelo cenário externo desfavorável a ativos de risco, em meio ao avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,79%, a 185.940,96 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 185.676,38 na mínima e 188.772,33 na máxima do dia. O volume financeiro somava R$26,18 bilhões antes dos ajustes finais, com investidores também analisando nova pesquisa eleitoral no Brasil.
REUTERS
Brasil tem fluxo cambial negativo de US$7,078 bilhões em setembro até dia 18, diz BC
No acumulado do ano até 18 de setembro, o Brasil registra fluxo cambial total positivo de US$8,714 bilhões.
O Brasil registrou fluxo cambial total negativo de US$7,078 bilhões em setembro até o dia 18, conforme dados divulgados na quarta-feira pelo Banco Central. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$6,839 bilhões em setembro até o dia 18. Por este canal são realizados os investimentos estrangeiros diretos e em carteira, as remessas de lucro e o pagamento de juros, entre outras operações. Pelo canal comercial, que contabiliza exportações e importações, o saldo de setembro até o dia 18 foi negativo em US$240 milhões. Os dados mais recentes do BC são preliminares e fazem parte das estatísticas referentes ao câmbio contratado. Na semana passada, de 14 a 18 de setembro, saíram líquidos do país US$1,091 bilhão.
REUTERS
IPC-S sobe 0,52% na terceira quadrissemana de setembro
O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da terceira quadrissemana de setembro subiu 0,52%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Em 12 meses, acumula alta de 3,80%.
No mesmo intervalo de agosto, o indicador havia recuado 0,39%; na primeira quadrissemana de setembro, teve alta de 0,51% e, na segunda, aumentou 0,49%. Nesta apuração, a maior contribuição veio do grupo Alimentação, cuja taxa passou de 0,21% na segunda medição para 0,58% na terceira. Educação, Leitura e Recreação reduziram a queda (-1,34% para -1,12%) e Vestuário avançou mais (0,06% para 0,30%). Despesas Diversas abrandaram o ritmo de alta (1,83% para 1,02%), assim como Habitação (1,94% para 1,86%), Saúde e Cuidados Pessoais (0,26% para 0,19%) e Comunicação (0,27% para 0,21%). O grupo Transportes repetiu a taxa de variação registrada na última apuração, de baixa de 0,09%.
VALOR ECONÔMICO
Intenção de consumo cai 0,3% em setembro e atinge menor patamar em seis meses, diz CNC
Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, a pesquisa ponta alta de 2,9%
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,3% em setembro, ante agosto, para 104,5 pontos, informou na quarta-feira (23) a organização. Com o recuo, o indicador registrou o menor patamar desde março deste ano (104,4 pontos). Incertezas sobre o futuro do mercado de trabalho levaram ao menor ímpeto de consumo no mês delineado na pesquisa, informou a CNC, em comunicado. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,9%, em setembro deste ano, completou ainda a confederação. Mas, dos sete tópicos usados para cálculo do ICF, quatro apresentaram recuo em setembro ante agosto. É o caso de renda atual (-0,1%), nível de consumo atual (-0,7%), perspectiva profissional (-0,7%), e momento para duráveis (-0,5%). Os que apresentaram aumento, na mesma comparação, foram emprego atual (0,1%) e acesso ao crédito (0,1%). Já a perspectiva de consumo teve estabilidade no mesmo período comparativo. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, apenas um tópico teve queda: perspectiva profissional (-8,6%). Os outros tópicos tiveram aumento: emprego atual (2%), renda atual (1,3%), nível de consumo atual (2,6%), perspectiva de consumo (4,3%), acesso ao crédito (8,7%), e momento para duráveis (17,2%). Os pesquisadores da CNC, no entanto, chamaram atenção para os recuos observados no tópico perspectiva profissional tanto ante mês anterior quanto em igual mês no ano passado. “Embora o recuo da inflação tenha favorecido a intenção de compra de bens duráveis no comparativo anual, os dados de setembro mostram que a preocupação com o futuro do mercado de trabalho fala mais alto no curto prazo, mantendo as famílias cautelosas para o consumo imediato”, disse o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “A renda do trabalhador já está comprometida com o crédito e precisa ser protegida junto com o emprego”, completou. Tadros defendeu busca de soluções para manutenção de bons índices de emprego, presentes desde 2025, para os próximos meses. As dúvidas sobre o emprego também influenciaram o resultado de nível de consumo, na pesquisa, detalhou ainda a CNC. Com o recuo de 0,7% em setembro, ante agosto, esse tópico caiu para 91,5 pontos, menor patamar desde janeiro (90,7 pontos). O recuo na intenção de consumo, mapeado pelo indicador, atingiu tanto a faixa de renda alta quanto a baixa, em setembro ante agosto, informou ainda a confederação. Nos consumidores com ganhos mensais até dez salários-mínimos, o ICF caiu 0,2% no período. Nas pessoas com renda acima de dez salários-mínimos, a intenção de consumo recuou 0,8% no mesmo período comparativo. E, no caso do tópico perspectiva de consumo, houve alta de 0,1% e queda de 0,1%, respectivamente, nas duas faixas de renda pesquisadas no ICF, em setembro ante agosto.
VALOR ECONÔMICO
Agropecuária deve crescer 2,8% em 2026, prevê Ministério da Fazenda
Previsão para a economia caiu de 2,3% para 2%, enquanto estimativa para o setor subiu um ponto percentual. Para 2027, El Niño pode pressionar preços de grãos e carnes.
O Ministério da Fazenda reduziu a previsão de crescimento da economia brasileira em 2026, mas elevou a estimativa para a agropecuária. Segundo o novo Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado na terça-feira (22), o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer 2% neste ano, contra 2,3% projetados anteriormente. Para o setor agropecuário, a estimativa subiu de 1,8% para 2,8%. A revisão coloca a agropecuária na contramão de indústria e serviços, cujas projeções foram reduzidas. A previsão para a indústria caiu de 2,1% para 1,7%, enquanto a dos serviços passou de 2,4% para 1,8%. A explicação para a piora nas estimativas dos setores mais ligados à atividade doméstica está principalmente nos juros. A Fazenda avalia que a política monetária continuará restringindo crédito, consumo e investimentos por mais tempo. A nova projeção indica que a agropecuária terá desempenho superior ao estimado anteriormente e a indústria e os serviços em 2026. O setor passa a ser um dos principais pontos de sustentação do crescimento projetado para a economia brasileira. A revisão ocorre em um cenário de desaceleração da atividade econômica. Segundo a SPE, a transmissão dos juros elevados para a economia ocorre com defasagem e afeta especialmente os segmentos mais dependentes de crédito e da demanda interna. No caso das famílias, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu, no segundo trimestre, o maior nível da série histórica. Para a Fazenda, o quadro limita a transformação do aumento da massa de rendimentos em consumo. A revisão do cenário econômico veio acompanhada de uma redução na previsão de inflação para este ano. A estimativa para o IPCA caiu de 5,1% para 4,9%. A mudança considera os resultados do índice até julho, com preços de alimentos consumidos nos domicílios parcialmente abaixo do esperado pela equipe econômica. A melhora das expectativas de inflação também contribuiu para a revisão. Apesar da queda, a projeção permanece acima do teto da meta, de 4,5%. O cenário para o próximo ano é menos favorável. A Fazenda reduziu de 2,5% para 2,3% a previsão de crescimento do PIB em 2027 e elevou de 3,6% para 3,8% a estimativa para o IPCA. Entre os fatores considerados está o possível impacto de um El Niño mais intenso sobre a produção agrícola. A avaliação da SPE é que o fenômeno pode atingir inicialmente a oferta de grãos e, posteriormente, pressionar os preços de outros alimentos, incluindo carnes. “A projeção para 2027 foi revisada para cima em razão dos efeitos de primeira ordem do El Niño sobre a produção de grãos e de segunda ordem sobre os preços das carnes”, informou a secretaria. A preocupação climática coloca a produção de grãos no centro das projeções para os preços dos alimentos no próximo ano. Eventuais alterações na oferta também podem repercutir sobre os custos de outras cadeias agropecuárias. A Fazenda também revisou a trajetória esperada para a política monetária e passou a considerar uma flexibilização dos juros “marginalmente mais gradual do que o previsto” anteriormente. A expectativa é que a redução da Selic, quando ocorrer, tenha efeitos progressivos sobre crédito, consumo e investimentos. Segundo a SPE, setores como indústria de transformação, construção e serviços mais cíclicos tendem a responder à queda do custo de capital. O cenário, porém, permanece sujeito a riscos externos e domésticos, como oscilações nos preços do petróleo, condições de crédito, comportamento da demanda interna, exportações e desempenho da indústria extrativa. As novas estimativas fazem parte dos parâmetros utilizados pelo governo para atualizar o planejamento fiscal. O Boletim Macrofiscal serve de referência para projeções de receitas e despesas públicas. Os números também serão considerados no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que será divulgado pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento na quinta-feira (24).
Agência Brasil
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