Informativo Sindileite 245 22.10.2026

Ano 1 | nº 245 | 22 de outubro 2026

NOTÍCIAS

AS FORÇAS QUE ESTÃO REDESENHANDO O MERCADO GLOBAL DE LÁCTEOS RUMO A 2027

Cultura do café em casa e nas cafeterias impulsiona marcas lácteas e alternativas. A cultura de café abre oportunidades de premiumização e indulgência para as empresas lácteas. O valor global de varejo da indústria de lácteos e alternativas deve chegar a US$ 762,1 bilhões em 2026, o que representa um crescimento de 5,7%, segundo a empresa de inteligência de mercado Euromonitor.

A consultoria indica que o preço terá um papel maior do que em 2025, já que o crescimento das vendas em valor se fortalece (frente a 5,4% em 2025), enquanto o crescimento em volume deve desacelerar de 0,7% em 2025 para 0,5% em 2026. Os clareadores de café devem ser a categoria líder no período de projeção, com CAGR de 4,1%, alcançando US$ 12,2 bilhões em vendas no varejo até 2031, impulsionados principalmente pela demanda nos Estados Unidos. A premiumização do café em casa está alavancando a demanda por cremes para café ao estilo cafeteria e por produtos de cold foam.  Isso marca a continuidade do ritmo de crescimento do período histórico, com CAGR de 3,9% (2021-2026). Segundo a Euromonitor, o resultado reflete um lançamento constante de produtos orientado a valor e um consumo resiliente. As fórmulas infantis e os lácteos de origem vegetal devem ser as únicas duas categorias com queda em volume em 2026, de -0,2% e -0,6%, respectivamente. As empresas de ambas as categorias estão migrando para ocasiões e oportunidades de maior valor agregado, com produtos funcionais e fortificados, além de lançar formatos mais convenientes, adequados a uma gama mais ampla de estilos de vida. Emil Fazira, gerente de Insights de Alimentos da Euromonitor, afirmou: “Nos próximos cinco anos, está previsto que as duas categorias retomem o crescimento em valor: as fórmulas infantis de forma mais marginal, com CAGR de 0,2% (em termos constantes e câmbio fixo), e os lácteos vegetais de forma mais otimista, com CAGR de 1,5%.” O setor segue se reposicionando em torno de propostas de maior valor agregado para competir com outros segmentos de alimentos embalados e de saúde como fonte de bem-estar e nutrição. Fazira disse: “Criar novas ocasiões de consumo, segmentar consumidores e ampliar os usos dos lácteos são prioridades para gerar novas fontes de receita em um mercado cada vez mais competitivo.” Segundo a Euromonitor, as pressões de custos e de oferta também dividiram o mercado em dois níveis, o que leva as marcas de massa a criar novas estratégias para preservar tanto o volume quanto o crescimento em valor. Os hábitos de consumo polarizados aprofundaram a distância entre os segmentos premium e econômico. O movimento mais relevante para as marcas de massa é avançar para produtos de maior valor ou premium acessíveis, o que fará o preço unitário médio de lácteos e alternativas crescer 5,2% em 2026 (ante 4,7% entre 2024 e 2025). Ao mesmo tempo, os fabricantes mantêm uma linha de produtos econômicos e básicos do dia a dia para preservar a confiança do consumidor e a estabilidade da demanda em volume. A inovação avançará ainda mais sobre os formatos refrigerados, aproveitando o crescimento das gôndolas refrigeradas e a maior demanda do consumidor por snacks frescos, prontos para consumo, saudáveis e portáteis. Com isso, os snacks refrigerados (8,2%) e os queijos (6,6%) estarão entre as categorias de crescimento mais rápido, à medida que as marcas lançam snacks e sobremesas à base de lácteos em formatos para consumo em movimento nos varejistas. A proposta atual de bem-estar dos lácteos está sendo redefinida pelos GLP-1. As marcas estão reforçando atributos funcionais, como teor de fibras, densidade proteica e alegações de digestão. Há também uma tendência oposta: consumidores que optam por atributos de bem-estar mais holísticos. Em vez de focar apenas na redução de nutrientes, as marcas estão controlando o tamanho das porções e oferecendo soluções lácteas mais equilibradas, o que beneficia categorias como fromage frais e quark (com previsão de CAGR de 3,8% entre 2026 e 2031). O bem-estar também avança para categorias como calma e foco, beleza de dentro para fora e sinais de hidratação. Essas tendências devem levar mais tempo para gerar um mercado relevante e provavelmente se consolidarão primeiro em categorias maduras, impulsionando o crescimento dos leites para beber (CAGR de 4,2%) e dos iogurtes e leites fermentados (CAGR de 4,5%) no período de projeção de 2026 a 2031 (vendas em valor, em termos constantes e câmbio fixo). A cultura de café abre oportunidades de premiumização e indulgência para as empresas lácteas, que se aproximam das tendências por meio de cafeterias e casas de chá e café especiais para melhorar seus portfólios profissionais/fora do lar e ampliar o portfólio de SKUs para baristas nos canais de varejo. Ingredientes para bebidas e sobremesas, como leite condensado e leite evaporado (7,9%) e creme de leite (7%), lideraram o crescimento em 2026 e devem manter uma trajetória estável até 2031 (CAGR de 4,1% e 3,6%, respectivamente).

Dairy reporter

EMPRESAS

COM TECNOLOGIA, DANONE REDUZ DESPERDÍCIO E ALIMENTA 360 MIL PESSOAS

Produtos chegaram a 1.263 instituições, enquanto automação ajudou a reduzir perdas físicas em Poços de Caldas; dados integram Relatório de Sustentabilidade da companhia. Na frente de acesso à alimentação, a Danone trabalha para ampliar a destinação de produtos aptos para consumo à doação.

A Danone Brasil tem buscado reduzir desperdícios antes e depois da produção de alimentos, gerando impacto socioambiental e operacional positivos. Em 2025, a companhia destinou produtos a iniciativas de acesso à alimentação que alcançaram mais de 360 mil pessoas por meio de 1.263 instituições, em parceria com o Sesc Mesa Brasil. Ao mesmo tempo, dentro da sua fábrica de lácteos em Poços de Caldas (MG), o uso de automação e dados contribuiu para reduzir as perdas físicas da produção de 1,70% para 1,34% em um ano. Os resultados, reunidos no último Relatório de Sustentabilidade da companhia mostram duas pontas de uma mesma estratégia: evitar que alimentos e recursos sejam desperdiçados e aumentar a eficiência na forma de produzir. Na frente de acesso à alimentação, a Danone trabalha para ampliar a destinação de produtos aptos para consumo à doação. A iniciativa em parceria com o Sesc Mesa Brasil, maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina que atua no combate à fome e ao desperdício de alimentos, contempla produtos lácteos e de Nutrição Especializada destinados a pessoas com necessidades nutricionais específicas. No ano passado, essa atuação chegou a mais de 360 mil pessoas em diferentes regiões do país, por meio de 1.263 instituições. A busca por redução de desperdício começa antes de o produto sair da linha de produção. Na fábrica da Danone em Poços de Caldas, uma das principais operações industriais da companhia no país, a automação da drenagem das linhas permitiu ampliar o monitoramento de pontos críticos do processo produtivo. O projeto instalou 85 sensores em equipamentos e pontos estratégicos da produção, permitindo acompanhar o processo de forma automatizada e identificar oportunidades de redução de perdas. Com a iniciativa, o índice de perdas físicas da planta saiu de 1,70% para 1,34% em 2025. A iniciativa faz parte do movimento de digitalização das operações locais da Danone e ilustra como tecnologia e dados estão sendo aplicados para aumentar a eficiência no uso de matérias-primas e recursos e está alinhada com a missão da empresa de levar saúde por meio da alimentação ao maior número de pessoas possível. A agenda também está conectada a uma meta global da companhia de reduzir pela metade o desperdício de alimentos em fábricas e centros de distribuição até 2030, em comparação com 2020. Por meio de parcerias com organizações sociais, a Danone também destina alimentos próprios para consumo que, por diferentes razões operacionais ou comerciais, poderiam deixar de ser aproveitados. A estratégia cria uma segunda frente de atuação contra o desperdício: enquanto tecnologia e melhoria de processos buscam evitar a perda na origem, a redistribuição permite ampliar o aproveitamento dos produtos já fabricados. No caso dos lácteos, a parceria com o Sesc Mesa Brasil contribui para que os alimentos cheguem a organizações sociais cadastradas no programa. Já em Nutrição Especializada, a atuação permite direcionar produtos específicos para públicos com necessidades nutricionais particulares. Somadas, essas iniciativas alcançaram mais de 360 mil pessoas. A busca por eficiência no uso de recursos também se estende às embalagens. Em 2025, a Danone colocou no mercado brasileiro uma nova embalagem de 100g para produtos lácteos que utiliza 8% menos material que sua versão anterior, reduzindo em mais de 30 toneladas por ano o consumo de plástico virgem. A solução utiliza um desenho biomimético inspirado na estrutura das colmeias para preservar performance utilizando menos material. O Relatório de Sustentabilidade 2025 também reúne resultados em outras dimensões ligadas ao negócio da Danone, incluindo saúde e nutrição, agricultura regenerativa, desenvolvimento de pessoas e comunidades e diversidade. A companhia, que foi a primeira indústria de alimentos e bebidas no país a receber a certificação B Corp no país, também vem trabalhando na evolução nutricional de marcas de seu portfólio, incluindo a reformulação de Danoninho, cuja formulação apresentada no relatório possui o menor teor de açúcares no segmento de petit suisse no país. Na cadeia leiteira, a Jornada Flora reúne produtores que atualmente representam cerca de 60% da captação de leite da Danone no país e registrou, desde 2020, redução de 50% no fator de emissão de CO? equivalente e de 43% no fator de emissão de metano.

Broadcast/edairynews

MEIO AMBIENTE

Estabilidade nas emissões GEE da agropecuária

Segundo o 14º levantamento do Sistema de Estimativa de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, do Observatório do Clima, em 2025, o setor emitiu praticamente a mesma quantidade de gases de efeito estufa do ano anterior

O recorde de abate de bovinos contribuiu para reduzir as emissões da pecuária, principal emissora de GEE, enquanto a agricultura registrou alta, impulsionada pelo recorde de produção e ampliação da área cultivada. Numericamente, as emissões brutas da agropecuária brasileira somaram 626,3 milhões de toneladas de CO₂ equivalente (MtCO₂e), em 2025, praticamente, o mesmo registrado no ano anterior (626,7 MtCO₂e). Essa redução de 0,07% foi a menor variação anual, desde 1970, e resultou do aumento das emissões na atividade agrícola e queda na pecuária. As emissões da pecuária recuaram 1,68%, para 494,1 MtCO₂e, enquanto as da agricultura 6,45%, chegando a 132,1 MtCO₂e. O gado de corte continua sendo a principal fonte de emissões, com 410,7 MtCO₂e, responsável por 65,6% emitido pelo setor. Em seguida, está a bovinocultura leiteira, com 48,6 MtCO₂e. As emissões das duas fontes caíram 1,7% e 2,9%, respectivamente. Juntas, corresponderam a 73,3% das emissões agropecuárias. Na sequência, aparecem os fertilizantes sintéticos nitrogenados e o calcário, cujas emissões aumentaram. Juntos, responderam por 9,9% do total, com 33 MtCO₂e e 29,2 MtCO₂e, respectivamente. As demais fontes representaram 16,7% do volume emitido. “Ao final, parte da redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) da atividade pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, decorrente da alta na produção agrícola”, afirma Gabriel Quintana, coordenador de Ciência do Clima no Imaflora. E a agropecuária tem margem para continuar ampliando a produção com redução de emissões. O avanço poderá ser alavancado pela aquisição de tecnologias e boas práticas de manejo. É uma oportunidade de conciliar maior produtividade com mais sustentabilidade. O principal fator para a redução das emissões da pecuária foi a queda nos níveis de fermentação entérica, que contabiliza o metano liberado pelo “arroto” do boi. Em 2025, esse subsetor emitiu 396,8 MtCO₂e, queda de 1,8% em relação a 2024, quando registrou 404,1 MtCO₂e. Historicamente, a fermentação entérica é a principal fonte de emissões da atividade e sua redução deveu-se ao recorde no abate de bovinos e na produção de carcaças: foram abatidos 42,94 milhões de animais, e a produção chegou a 11,1 milhões de toneladas — aumentos de 8,2% e 7,2%, respectivamente. Esse foi o segundo ano consecutivo de alta no abate, e o rebanho nacional caiu para 234,2 milhões de animais, cerca de 1,7% abaixo do registrado em 2024. O rebanho leiteiro também diminuiu 2,7% no período, somando 14,7 milhões de vacas ordenhadas. Um bom sinal é que as culturas mais tecnificadas responderam melhor à fixação de carbono, por exemplo, em pastagens bem-manejadas. Neste item, apesar dos avanços, o Brasil ainda tem grande potencial para reduzir suas emissões. Mesmo com a redução do rebanho, a produção de leite cresceu novamente, cerca de 2,7%, e atingiu o recorde de 36,7 bilhões de litros, segundo dados do IBGE. Também subiram as emissões dos subsetores de manejo de dejetos animais, cerca de 0,7% (29,4 MtCO₂e).

PORTAL DBO

ECONOMIA

Dólar tem leve variação positiva após pesquisa mostrar distância menor entre Flávio e Lula

Após recuar nas três sessões anteriores, o dólar fechou a quarta-feira com leve variação positiva ante o real, após uma nova pesquisa da Quaest mostrar o senador Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto, mas com uma diferença menor nas intenções de voto.

O dólar à vista encerrou com alta de 0,18%, a R$5,0272. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 8,41%. Às 17h15, o dólar futuro para novembro — o mais negociado no Brasil — cedia 0,04% na B3, aos R$5,0335. A moeda norte-americana exibiu perdas ante o real nas sessões anteriores em meio à percepção no mercado de que Flávio segue à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para o segundo turno, ainda que várias pesquisas indiquem empate técnico entre os dois. Nesta quarta-feira a nova pesquisa da Quaest confirmou que Flávio segue numericamente à frente — mas com uma margem menor, de apenas 1 ponto-percentual. De acordo com o levantamento, Flávio soma 45% das intenções de voto, contra 44% de Lula. Brancos, nulos e pessoas que não vão votar somam 9% e os indecisos são 2%. Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, da semana passada, a vantagem de Flávio era de 2 pontos percentuais. Após a divulgação dos números o dólar se manteve próximo da estabilidade, mas no início da tarde passou a exibir leves altas, em meio às dúvidas sobre o resultado da disputa presidencial. Após marcar a cotação mínima de R$5,0125 (-0,11%) às 9h19, antes da divulgação da Quaest, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,0426 (+0,49%) às 14h35, já após a pesquisa e em um momento em que a moeda norte-americana também havia ganhado força no exterior. No fim da tarde, o dólar ainda exibia altas ante pares do real como o peso mexicano, o peso chileno e o peso colombiano. Às 17h06, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — caía 0,11%, a 101,680.

REUTERS

Ibovespa recua com acirramento da disputa eleitoral e sem o apoio de Vale

Levantamento da Quaest mostrou que a rejeição de Lula recuou de 53% para 47%, o que contribuiu para o menor apetite no mercado acionário local

Depois de abrir o pregão oscilando em torno da estabilidade, o Ibovespa se firmou em queda durante a manhã, diante de novas pesquisas eleitorais que reforçaram o acirramento da corrida eleitoral a poucos dias do segundo turno. Ontem, a Quaest mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL) com 45% das intenções de voto, contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que implica queda da vantagem do bolsonarista. Além disso, o levantamento mostrou que a rejeição de Lula recuou de 53% para 47%, o que contribuiu para o menor apetite no mercado acionário local. Ao mesmo tempo em que o cenário eleitoral elevou a cautela nos negócios, a queda mais intensa das ações da Vale, Petrobras e alguns bancos ajudou a intensificar o movimento negativo no índice. O tombo registrado pela WEG, após a divulgação do balanço, também pesou sobre os negócios. Assim, após oscilar entre os 205.988 pontos e os 209.245 pontos, o Ibovespa encerrou em queda de 0,86%, aos 206.495 pontos. Blue chips de commodities cederam em bloco: as ON da Vale recuaram 2,15%, ao passo que as PN da Petrobras perderam 0,79%. Já bancos terminaram mistos: as units do Santander foram destaque, ao subirem 0,90%, enquanto as units do BTG Pactual lideraram as perdas, no valor de 1,41%. A queda mais intensa da Vale foi provocada pela percepção de analistas de que a mineradora enfrenta uma chance razoável de não alcançar metas anuais tanto de volumes produzidos quanto de custos unitários em 2026. Participantes do mercado ouvidos pelo Valor avaliam que os números da Quaest surpreenderam, especialmente a oscilação da rejeição de Lula, que caiu de 53% para 47%, ao passo que a de Flávio variou de 54% para 52%, o que ajudou a reforçar a cautela nos negócios. “Os volumes de negócios estão mais fracos, porque o momento é de cautela: quem já está posicionado espera o resultado da eleição, e quem está menos exposto ou ainda sem posição também está aguardando”, diz a fonte. Ontem, o volume financeiro negociado pelo Ibovespa no pregão foi de R$ 24,6 bilhões, chegando a R$ 36,8 bilhões na B3. Já em Wall Street, o Nasdaq subiu 1,05%; o Dow Jones ganhou 0,69%; e o S&P 500 avançou 0,58%.

VALOR ECONÔMICO

Banco do Brasil prevê renegociar R$ 20 bilhões em dívidas rurais

Estatal já tem R$ 15,9 bilhões em operações sob análise e estima atender cerca de 13 mil produtores rurais afetados por dificuldades financeiras

O Banco do Brasil prevê ultrapassar R$ 20 bilhões em renegociações de dívidas de produtores rurais até 12 de novembro. A estimativa faz parte do balanço apresentado pela instituição sobre a aplicação da Medida Provisória (MP) 1.376/2026, que permite a reestruturação de débitos do crédito rural, com prazos de pagamento de até dez anos. Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, cerca de 13 mil clientes são potencialmente elegíveis às condições previstas na medida, voltada principalmente aos produtores que enfrentaram dificuldades financeiras após perdas de safra. Atualmente, o banco contabiliza R$ 9,8 bilhões em operações que já passaram pela pré-análise e cumprem os requisitos para contratação. Outros R$ 6,1 bilhões estão nas agências, em fase inicial de avaliação. Somados, os valores chegam a R$ 15,9 bilhões em operações em diferentes etapas de análise, mas ainda não representam recursos efetivamente renegociados. “Nossa expectativa hoje é chegarmos até o dia 12 de novembro com mais de R$ 20 bilhões em recursos renegociados”, afirmou Bittencourt. O executivo acredita que o volume de contratações deverá crescer nas próximas semanas, permitindo superar a estimativa inicial. A MP 1.376/2026, publicada em julho, estabelece condições especiais para a reestruturação de dívidas de produtores rurais e cooperativas agropecuárias prejudicados por eventos climáticos adversos ou pela queda nos preços de comercialização. Entre os critérios previstos estão perdas em pelo menos duas safras entre 2019 e 2025, com redução mínima de 30% da renda bruta agropecuária esperada, devidamente comprovada por laudo técnico. A medida contempla determinadas operações de crédito rural inadimplentes desde janeiro de 2024, além de financiamentos que foram prorrogados ou renegociados anteriormente, desde que atendam às exigências estabelecidas. Apesar das condições oferecidas, parte dos produtores endividados relata dificuldades para acessar os mecanismos previstos na medida provisória. Diante dos obstáculos, alguns agricultores têm recorrido à Justiça em busca de alternativas para reestruturar os débitos. Bittencourt explicou que a renegociação depende da apresentação dos documentos exigidos e da comprovação de que as perdas financeiras estão relacionadas à atividade financiada. “O produtor tem que levar toda a documentação, tem que cumprir os requisitos que a medida provisória estabelece. A perda dele e o financiamento têm que ter uma conexão”, explicou. Outro requisito é demonstrar capacidade de pagamento dentro do novo prazo estabelecido. “Apresentando essa documentação e demonstrando capacidade de pagamento no prazo estabelecido de até dez anos, dependendo da situação do produtor, nós do Banco do Brasil temos efetuado essas renegociações”, acrescentou. Assim, o enquadramento nas regras da medida provisória não garante a aprovação automática do financiamento. Cada solicitação passa por avaliação da instituição financeira, incluindo a análise da capacidade de pagamento do produtor.

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