Informativo Sindileite 248 27.10.2026

Ano 1 | nº 248 | 27 de outubro 2026

NOTÍCIAS

Mercado do leite pressionado com maior oferta e importações; queda no spot acende alerta para produtores

Preços de importantes derivados recuam em outubro, enquanto captação aumenta e custos de alimentação sobem; Cepea aponta pressão sobre remuneração nos próximos meses

O mercado brasileiro do leite chega à reta final de outubro com sinais de enfraquecimento nas negociações entre indústrias e nos preços de importantes derivados, depois de um período de valorização da matéria-prima ao longo do primeiro semestre de 2026. A recuperação sazonal da produção nacional, o volume elevado de importações e a demanda doméstica insuficiente para absorver a maior oferta disponível estão entre os fatores que pressionam as cotações, segundo levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e do MilkPoint Mercado. O movimento ainda não aparece integralmente no último indicador consolidado de preços recebidos pelos pecuaristas, referente ao leite captado em agosto. Naquele mês, a Média Brasil líquida do Cepea ficou em R$ 2,8869 por litro, praticamente estável em relação aos R$ 2,8761 registrados em julho. Em junho, a cotação havia sido de R$ 2,7464 por litro. Na segunda quinzena de outubro, o MilkPoint Mercado identificou queda nos preços do leite spot em todos os estados acompanhados. A média pesquisada recuou R$ 0,059 por litro em relação à quinzena anterior, chegando a R$ 2,586 por litro. Em Minas Gerais, a retração foi de R$ 0,120, para R$ 2,589 por litro, enquanto Goiás apresentou média de R$ 2,490, após queda de R$ 0,040. Um dos principais fatores por trás da mudança de cenário é o crescimento da disponibilidade de leite no mercado brasileiro. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L), calculado pelo Cepea, registrou avanço de 2,38% em julho, na comparação com junho, e de 3,86% em agosto, em relação ao mês anterior. Esse movimento acompanha a recuperação sazonal da produção, especialmente no Sul do país. Os dados do Cepea mostram que, no atacado paulista, o leite UHT apresentou queda real de 4,76% em setembro, na comparação com agosto, chegando a aproximadamente R$ 4,69 por litro. A muçarela recuou 2,77%, para cerca de R$ 34,91 por quilo, enquanto o leite em pó fracionado registrou desvalorização de 4,38%, para R$ 29,63 por quilo. Na parcial de outubro até o dia 15, o Cepea identificou novos recuos de 2,32% no leite UHT e de 2,05% na muçarela, com preços médios de R$ 4,54 por litro e R$ 34,97 por quilo, respectivamente. Além da recuperação da oferta nacional, as importações de lácteos continuam contribuindo para a disponibilidade de produtos no mercado interno. Segundo o Cepea, com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as compras brasileiras somaram 249,6 milhões de litros em equivalente-leite em setembro, crescimento de 8,38% em relação a agosto e de 25,99% na comparação com setembro de 2025. O leite em pó respondeu por aproximadamente 69,8% do volume importado naquele mês, enquanto os queijos representaram 29,6%. A perda de sustentação dos preços ocorre ao mesmo tempo em que os custos de produção voltaram a apresentar elevação. De acordo com o Cepea, o Custo Operacional Efetivo (COE) da pecuária leiteira aumentou 0,63% em agosto e outros 0,46% em setembro. No último mês, o grupo de concentrados registrou valorização de 0,84%, refletindo o encarecimento dos ingredientes utilizados na alimentação do rebanho. O levantamento aponta aumentos nas cotações do milho, da soja em grão e do farelo de soja, que podem continuar pressionando as despesas com ração. O efeito aparece também na relação de troca entre leite e milho, importante referência para o planejamento dos pecuaristas. Segundo o boletim de outubro do Cepea, foram necessários 23,19 litros de leite para comprar uma saca de 60 quilos de milho em agosto, ante 22,54 litros em julho.

CEPEA/ESALQ

EMPRESAS

Copacol celebra 63 anos com investimentos de R$ 1 bilhão e reconhecimento nacional

A história construída pela união de 32 pioneiros e do padre Luís Luise completa 63 anos marcada pelo crescimento, pela inovação e pelo compromisso com o desenvolvimento regional. Fundada em 1963, a Copacol (Cooperativa Agroindustrial Consolata), primeira cooperativa do Oeste do Paraná, celebra aniversário consolidada entre as referências do agronegócio brasileiro, com faturamento próximo de R$ 12 bilhões, 11 mil cooperados e 17 mil colaboradores.

Em 2026, a cooperativa também conquistou um importante reconhecimento nacional ao ser consagrada pelo Prêmio Valor 1000, da revista Valor Econômico, como Melhor do Agronegócio Brasileiro. A trajetória que começou com recursos limitados e o propósito de proporcionar melhores condições de vida às famílias do campo transformou-se em um empreendimento de grande dimensão, com atuação em 85 países. Com os olhos voltados para o futuro, a Copacol prevê investimentos de R$ 1 bilhão até 2028, destinados à ampliação da capacidade produtiva, à modernização da estrutura e ao fortalecimento das atividades agroindustriais. Entre os principais projetos está a construção de um novo incubatório em Rancho Alegre, com investimento de R$ 165 milhões e capacidade projetada para produzir 80 milhões de ovos por ano. A iniciativa integra o planejamento de expansão da avicultura, que também contempla novos matrizeiros para ampliar a produção de aves. Outro investimento estratégico é a Unidade de Produção de Leitões, na Central Santa Cruz. A Cooperativa também trabalha na ampliação da capacidade de recebimento de grãos, com novas unidades para atender ao crescimento da produção agrícola e oferecer estrutura aos cooperados. Os projetos reforçam a estratégia de crescimento sustentável da Copacol, que busca acompanhar a evolução das atividades no campo, ampliar a eficiência operacional e criar condições para que os produtores continuem investindo em suas propriedades. O aniversário de 63 anos é celebrado em um momento de resultados expressivos nas diferentes atividades da Cooperativa. Em 2026, a Copacol alcançou a marca de 2,5 milhões de toneladas de soja e milho, resultado que evidencia a dimensão da produção agrícola e a importância da estrutura de apoio aos cooperados. A rede de atendimento conta com 47 unidades de recebimento de grãos, insumos e sementes, estrutura cuja capacidade foi ampliada nos últimos cinco anos. Na avicultura, as duas unidades industriais processam, juntas, cerca de 800 mil aves por dia. Na piscicultura, a produção chega a 210 mil peixes por dia nas duas unidades industriais, enquanto a produção anual alcança 100 milhões de alevinos. Na cadeia leiteira, são entregues 13 milhões de litros à Frimesa, enquanto a suinocultura registra a entrega de aproximadamente 660 mil leitões por ano. “Os resultados demonstram a integração entre as atividades e a participação dos cooperados em um modelo que conecta produção, tecnologia, industrialização e mercado. A excelência alcançada no campo, somada à capacidade de processamento e comercialização, contribui para a geração de renda e para a consolidação da Cooperativa no cenário nacional e internacional”, complementa Pitol.

Assessoria de Imprensa Copacol

NACIONAL

SILEMG: COM LULA REELEITO, INDÚSTRIA LÁCTEA MIRA R$ 46,2 BILHÕES EM 2027 E PEDE DIÁLOGO SOBRE REFORMA TRIBUTÁRIA

Da manutenção de incentivos ao leite aos custos logísticos, entidade mineira já tem a pauta que levará ao novo mandato. Novo presidente do Silemg, Yago Silveira, (foto) quer fortalecer a interlocução com o governo federal sobre os desafios do setor impostos pela reforma tributária.

A indústria de laticínios e produtos derivados de Minas Gerais deve encerrar 2026 com faturamento de R$ 44 bilhões, crescimento próximo de 5% em relação ao ano passado, e projeção para alcançar R$ 46,2 bilhões em 2027. Com a reeleição do presidente Lula no segundo turno, no domingo (25), a cadeia produtiva pretende intensificar o diálogo com o governo federal para sustentar essa expansão. O objetivo é discutir os impactos da reforma tributária sobre o setor e a continuidade de programas de apoio aos produtores de leite. A agenda está entre as prioridades do novo presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado de Minas Gerais (Silemg), Yago Silveira, que assumiu a entidade para um mandato de três anos, até 2029, em substituição a Guilherme Abrantes. Uma das principais preocupações do setor, segundo Silveira, está especialmente nos efeitos da substituição do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins). Ambos os tributos serão extintos a partir de 1º de janeiro de 2027, no novo modelo tributário do País. Para o dirigente, ainda há dúvidas sobre como ficará a carga tributária das empresas e se haverá instrumentos para preservar os investimentos realizados na produção primária. Atualmente, parte dos créditos tributários de PIS/Cofins é utilizada pelas indústrias para abater custos com insumos. Outra parcela, segundo Silveira, contribui para financiar ações de assistência técnica e melhoria da produção por meio do programa Mais Leite Saudável (PMMLS). A iniciativa do governo federal, criada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), tem o objetivo de impulsionar a cadeia produtiva do leite e elevar a qualidade do produto no Brasil. “Uma dúvida é se, com o fim do PIS/Cofins, o setor vai ter outra contrapartida para que esse benefício continue sendo aplicado. A evolução de produtividade e de qualidade do leite por meio do programa Leite Saudável foi muito grande nos últimos anos”, diz Silveira. O dirigente também aponta incertezas sobre a alíquota que será aplicada ao setor no novo sistema, após a substituição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A definição das regras e a avaliação dos efeitos sobre os custos de produção, segundo o presidente, serão fundamentais para que as empresas se adaptem ao novo cenário. Além da questão tributária, a nova gestão do Silemg também pretende concentrar esforços no aumento da competitividade dos produtos mineiros, diante da concorrência com outras regiões do País e do avanço das importações. A expectativa, segundo Silveira, é que Minas Gerais feche este ano com produção próxima de 10,8 bilhões de litros de leite e ultrapasse a marca de 11 bilhões de litros em 2027. Em 2025, o Estado se destacou como o maior produtor do País, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com 10,1 bilhões de litros. O valor representa 27,5% do total produzido em escala nacional (36,7 bilhões). A concorrência com os produtos importados é desafio central para a indústria mineira. De acordo com Silveira, as importações de lácteos, que representavam entre 3% e 5% da produção nacional há cerca de três anos, passaram a equivaler a aproximadamente 10% a 12%. A expectativa do dirigente é que o aumento da produção e a evolução do consumo permitam alcançar um excedente exportável em um horizonte de cinco a sete anos. China, Argélia e Rússia estão entre os mercados que podem ganhar relevância nesse processo. O Brasil já comercializa produtos com alguns desses destinos, mas ainda de maneira limitada, segundo Silveira. “No caso chinês, o potencial de consumo é considerado elevado, embora o país esteja investindo para ampliar a própria produção de leite”, completa. O trabalho deverá envolver os 190 associados do sindicato, distribuídos pelo território mineiro. A estratégia inclui tanto a preservação dos mercados já atendidos pelas empresas do Estado quanto a conquista de novos compradores. No mercado nacional, o Rio de Janeiro é apontado como uma das oportunidades de expansão. “O estado é um importante destino dos lácteos mineiros, mas também recebe produtos de outras regiões, o que amplia a concorrência. O Silemg pretende estreitar o relacionamento comercial com os compradores fluminenses para ampliar a presença dos produtos de Minas Gerais”, conclui.

DIÁRIO DO COMÉRCIO/EDAIRYNEWS

INTERNACIONAL

Gordura do leite dos EUA atinge recorde histórico de 4,32%

Produção norte-americana cresceu 2,7% em setembro; avanço dos sólidos, impulsionado pela genética, aumenta a importância de equilibrar gordura e proteína para atender à indústria.

O teor de gordura do leite dos Estados Unidos atingiu 4,32%, o maior nível desde o início da série histórica, em 1924. O avanço evidencia uma transformação na composição da matéria-prima produzida no país e coloca um novo desafio para a indústria de lácteos: aproveitar a crescente oferta de sólidos sem perder de vista às necessidades de processamento, especialmente na fabricação de queijos. O movimento ocorre em paralelo à expansão da produção. Em setembro de 2026, os 24 principais estados produtores norte-americanos produziram 18,7 bilhões de libras de leite (cerca de 8,5 milhões de toneladas), alta de 2,7% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O crescimento combina aumento do rebanho e ganhos de produtividade. O número de vacas nos 24 estados chegou a 9,304 milhões de cabeças, 162 mil a mais que um ano antes. A produção média por animal também avançou, alcançando 2.012 libras no mês, 18 libras acima de setembro de 2025. A composição do leite também está mudando, com a gordura avançando mais rapidamente que a proteína. Para uma indústria que utiliza grandes volumes de leite na fabricação de queijos e ingredientes, essa diferença tem implicações econômicas e operacionais. Segundo Corey Geiger, da CoBank, a gordura do leite norte-americano passou de 3,71% em 2011 para 4,32% em 2025, atingindo um patamar histórico. A proteína também cresceu no período, de 3,08% para 3,34%, mas em ritmo menor. Essa evolução é resultado, em parte, do melhoramento genético dos rebanhos. De acordo com Geiger, a genética respondeu por 62% do avanço da gordura e por 72% da melhoria da proteína no leite dos Estados Unidos na última década. Os resultados refletem decisões acumuladas ao longo dos anos em seleção genética e manejo, com efeitos que continuam influenciando a composição do leite. A questão é relevante porque uma parcela expressiva dos sólidos do leite norte-americano é destinada à produção de queijos. Ao mesmo tempo, a demanda por proteína láctea cresce em categorias como iogurtes proteicos, bebidas enriquecidas e ingredientes utilizados pela indústria de alimentos. O cenário coloca a cadeia diante de uma nova etapa: depois de elevar o teor de sólidos, será necessário alinhar melhor a composição do leite às demandas de cada aplicação industrial. Com a produção em expansão e a genética impulsionando ganhos contínuos, o desafio será desenvolver mercados capazes de absorver a oferta crescente de gordura e, simultaneamente, atender à valorização da proteína. Para a indústria de lácteos, o próximo passo não é apenas produzir um leite mais rico, mas aproveitar cada componente da forma mais eficiente possível.

DAIRY HERD/MILKPOINT 

ECONOMIA

Dólar à vista avança 8,2%, maior alta diária desde 1999, com vitória de Lula

Maior parte do mercado estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e projetando um ajuste fiscal com o possível mandato do senador

O dólar à vista registrou valorização expressiva na segunda-feira, encerrando o dia com a maior alta frente ao real desde janeiro de 1999. O movimento refletiu a frustração dos agentes do mercado com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A maior parte estava posicionada para a vitória de Flávio Bolsonaro e projetando um ajuste fiscal com um possível mandato do senador. Além de os investidores terem feito apostas favoráveis aos ativos brasileiros, havia um menor prêmio de risco embutido no câmbio relacionado ao endividamento público do país. Com a virada surpreendente de Lula, o horizonte se tornou outro. Por isso, hoje mecanismos de “stop-loss” foram acionados e o risco voltou ao preço. Quem aproveitou a alta de hoje foi o exportador com caixa no exterior. Houve relatos de internalização de capital, com empresas exportadoras fazendo a contraparte da busca por dólar, o que ficou evidente no dólar casado, a diferença em pontos entre a cotação do dólar futuro e do dólar à vista. Encerradas as negociações da segunda-feira, o dólar à vista fechou em alta de 8,21%, a R$ 5,4027, depois de ter encostado na máxima de R$ 5,6048 pela manhã. Houve duas travas de negociações batidas pelo dólar futuro na B3. Uma no nível de 8,4% no mercado futuro e outra em 12%. No caso do euro comercial, a valorização de hoje foi a maior observada desde o início da compilação dos dados de euro pelo Valor, em 2014, com apreciação de 8,04%, a R$ 6,0386. O dia foi também de superlativos no volume de negociações dos mercados futuros. Na B3, até as 18h05, o volume negociado nos contratos mais líquidos do dólar cheio e dólar mini rondava US$ 78,3 bilhões, podendo se tornar até o fechamento, às 18h30, o segundo dia de maior negociação desde 19 de dezembro de 2024, quando o dólar bateu a máxima intradiária nominal histórica, de R$ 6,30 (na data foram negociados US$ 90,3 bilhões). No exterior, houve intenso volume de negociação, com a plataforma CME Group batendo o recorde em negócios diários, de US$ 4,5 bilhões no início da tarde. Para estrategistas do Morgan Stanley, o dólar pode ficar perto de R$ 5,50, uma vez que a exposição favorável ao real foi apontada como a forma preferida de os investidores expressarem uma visão construtiva sobre o resultado eleitoral. Em um segundo momento, com mais prêmio de risco, o dólar pode ir para a faixa de R$ 5,60 a R$ 5,70. “A sazonalidade desfavorável ao real em novembro e dezembro, decorrente de saídas de recursos de empresas e pagamentos de dividendos, poderia intensificar a desvalorização da moeda brasileira”, acrescentam.

VALOR ECONÔMICO

Ibovespa fecha em queda de quase 14% após reeleição de Lula acionar “circuit breaker”

O Ibovespa fechou com a maior queda desde 2020 na segunda-feira, marcada por “circuit breaker” na bolsa paulista, em meio a uma forte reprecificação das ações brasileiras após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conquistar a reeleição no domingo. 

Investidores vinham se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa, principalmente após ele liderar a primeira etapa da disputa, vislumbrando um governo mais favorável ao mercado e melhora do cenário fiscal. Mas, no domingo, Lula venceu Flávio por 51,79% a 48,21% dos votos válidos, uma diferença de 4,4 milhões de votos, frustrando tais expectativas e desencadeando uma forte correção no mercado financeiro brasileiro como um todo. Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa despencou 13,88%, a 176.608,23 pontos, maior perda percentual em um dia desde 16 março de 2020 (-13,92%), período marcado pela pandemia de Covid. O índice Small Caps tombou 26,92%, para 2.036,13 pontos, maior queda em um dia da sua série histórica, iniciada em 2005. O volume financeiro no pregão totalizou quase R$114,9 bilhões, bem acima de uma média diária já alta no mês, de cerca de R$57,5 bilhões e perto do recorde registrado em abril desse ano, quando atingiu R$120 bilhões, inflado naquela sessão pelo vencimento de opções. A B3 acionou o “circuit breaker” na abertura, suspendendo por 30 minutos a negociação de ativos à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, BDR, Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50, Índice Small Cap e ETFs. A B3 afirmou que decisão de acionar o mecanismo baseou-se na análise do cenário de formação do preço teórico do Ibovespa, que indicava queda superior a 20%. O “circuit breaker” não era acionado na bolsa desde março de 2020. “O mercado embutiu nos seus preços uma expectativa diferente no primeiro turno do que efetivamente se concretizou no segundo turno e como esse resultado foi diametralmente diferente das expectativas há esse ajuste forte”, afirmou a investidora Louise Barsi, cofundadora do Grupo AGF (Ações Garantem o Futuro). Ainda nesta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que o governo apresentará uma proposta para que possa perseguir o centro da meta fiscal ao longo do ano, e não mais o piso da margem de tolerância. Na visão de agentes financeiros, houve um aumento das incertezas sobre as perspectivas fiscais do país e a direção dos preços dos ativos brasileiros agora dependerá das sinalizações sobre a política econômica do novo mandato. As atenções estão voltadas para a decisão sobre quem comandará o Ministério da Fazenda, bem como uma definição mais precisa da estratégia de consolidação fiscal para os próximos quatro anos. O Goldman Sachs espera, “no máximo, medidas modestas para conter o crescimento dos gastos primários, acompanhadas por novos aumentos de uma carga tributária que já é elevada.

REUTERS

Mercado ajusta para baixo projeções de inflação, PIB e câmbio neste ano no Focus

Economistas consultados pelo Banco Central ajustaram para baixo suas projeções para a inflação, o crescimento da economia e o câmbio ao final deste ano, mostrou o Boletim Focus na segunda-feira, que também apontou uma revisão para baixo na taxa básica de juros ao final do ano que vem.

Os agentes veem agora uma inflação medida pelo IPCA de 5,19% ao fim de 2026, ante estimativa de 5,22% uma semana atrás. Para 2027, a inflação é estimada agora em 4,34%, ante 4,32%. Para 2028 a conta se manteve em 3,75%. A meta de inflação é de 3% ao ano, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O mercado também passou a ver crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,80% ao fim deste ano, ante 1,83% uma semana atrás, e 1,31% em 2027, ante 1,32%. Para o câmbio, os agentes enxergam o dólar cotado a R$5,05 ao fim deste ano, ante R$5,13 na semana passada, e para o ano que vem a estimativa é de R$5,15, ante R$5,22. As estimativas para a taxa básica de juros Selic ao final de 2026 foram mantidas em 13,25% ao ano, com expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central faça um corte de 0,25 ponto percentual em sua reunião de novembro e uma nova redução de mesma magnitude no encontro de dezembro. Para 2027, os economistas ouvidos pelo BC passaram a ver a Selic em 11,75%, ante 12,00% na semana anterior. A pesquisa realizada com cerca de uma centena de instituições financeiras foi concluída na sexta-feira, antes de, no domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistar uma virada histórica sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial e conquistar um inédito quarto mandato na Presidência da República. Após o resultado eleitoral, os ativos brasileiros registravam fortes quedas no exterior e a expectativa é de que as ações brasileiras e o real despenquem no pregão desta segunda-feira. Agentes do mercado financeiro preferiam uma vitória de Flávio sob o argumento de que, com ele no Palácio do Planalto, haveria uma chance maior de controle nas contas públicas, embora nem o senador nem seus assessores econômicos tenham apresentado detalhes concretos de um eventual ajuste durante a campanha.

REUTERS

Melhora na confiança do consumidor em outubro não muda perspectiva desfavorável, avalia FGV

Para o economista da fundação Rodolpho Tobler, a alta foi uma “oscilação natural”, após período prolongado de quedas

Após cinco quedas consecutivas, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) subiu 0,5 ponto em outubro, para 84,7 pontos, maior pontuação desde julho (88,3 pontos), informou na segunda-feira (26) a Fundação Getulio Vargas (FGV). No entanto, a taxa positiva não pode ser considerada como retomada de confiança do consumidor, no entendimento do economista da fundação Rodolpho Tobler. Para ele, a alta foi uma “oscilação natural”, após período prolongado de quedas – e, não necessariamente, reversão de tendência negativa do indicador. “Temos que ter cautela porque foi uma alta pequena [em magnitude]”, disse. “E, mesmo com ela, o indicador continua em faixa inferior a 90 pontos, o que é terreno negativo”. Ele lembra que, na ótica do índice, o quadrante favorável é acima de 100 pontos. “A confiança ainda está em terreno muito mais de pessimismo do que de otimismo. E esse aumento foi mais causado por [melhora em] expectativas”, disse. Tobler se refere ao fato de que, nos dois componentes do ICC, o Índice de Expectativas (IE) subiu 2,8 pontos, para 88 pontos, e o Índice de Situação Atual (ISA), caiu 2,6 pontos, para 81,4 pontos. Assim, ponderou, os números mostram que, na prática, o brasileiro não visualiza melhora na situação presente em termos de condições de consumo. Outro aspecto que inspira cautela é a piora que os consumidores perceberam na avaliação de finanças pessoais. O indicador de situação financeira atual das famílias, um dos tópicos usados para cálculo do ISA, recuou 3,1 pontos, para 71,3 pontos, menor nível desde janeiro (70,1 pontos). Já o indicador de situação econômica local atual, também componente do ISA, caiu 2,2 pontos, para 91,8 pontos, menor nível desde março de 2025 (91,3 pontos). Esses resultados ocorrem em um contexto que as famílias ainda operam com altos patamares de endividamento e de inadimplência, o que reduz espaço para consumo. Além disso, completou, chama atenção o fato de que a melhora na confiança não foi puxada por famílias de menor renda. Pelo contrário: nas quatro faixas de renda pesquisadas pela FGV, o ICC caiu 5,4 pontos entre famílias com ganhos mensais abaixo de R$ 2.000,00. “O ICC da baixa renda subiu muito no mês passado [em setembro, avanço de 10, 7 pontos]”, lembrou. Ele não descartou possibilidade de o dado ter sido influenciado por anúncio de reajuste no valor do Bolsa Família, programa de transferência de renda do governo. “Mas a alta não se sustentou”, comentou, a admitir que isso pode ser sinal de alerta para próximos desempenhos do ICC. Assim, mesmo com aumento, os sinais delineados no ICC de outubro apontam ímpeto menor de consumo das famílias quando comparado com períodos anteriores. No entanto, o técnico não descarta novas altas no indicador. Isso porque medidas, como perspectiva de queda na taxa básica de juros (Selic) – que norteia os juros de mercado – e o recebimento de valor maior no Bolsa Família, podem ajudar a manter indicador no terreno positivo. Mas ele não acredita que, mesmo com saldo positivo no ICC, a intenção de consumo, no fim deste ano, seja tão forte como observada ao término de anos anteriores. “Creio que em 2025 e em 2024 tivemos demanda um pouco mais aquecida do que vamos ver agora ao fim de 2026”, disse.

VALOR ECONÔMICO

Intenção de consumo das famílias cai 0,8% em outubro, diz CNC

Segundo a entidade, esta foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,8% em outubro ante setembro, para 103,6 pontos, informou nesta segunda-feira (26) a organização. Foi a terceira queda consecutiva do indicador, que atingiu o menor patamar desde janeiro (103,6 pontos). Maior preocupação com mercado de trabalho, bem como menor interesse em compra de itens duráveis, como fogões e geladeiras, levaram ao resultado, informou a CNC. Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,2%. Todos os sete tópicos usados para o cálculo do indicador mostraram queda na passagem de setembro para outubro: emprego atual (-0,7%), renda atual (-0,3%), nível de consumo atual (-1,3%), perspectiva profissional (-0,6%), perspectiva de consumo (-1%), acesso ao crédito (-0,7%), e momento para duráveis (-1,8%). Na comparação com outubro do ano passado, no entanto, o único recuo registrado foi em perspectiva profissional (-7,7%). Os outros tópicos tiveram alta: emprego atual (1,5%), renda atual (0,9%), nível de consumo atual (2%), perspectiva de consumo (3,4%), acesso ao crédito (7%) e momento para duráveis (14%). A retração da intenção de consumo em outubro ante mês anterior ocorreu tanto entre famílias de renda elevada quanto nas de renda mais baixa. No recorte do ICF por faixas de renda, entre aquelas com rendimento de até dez salários-mínimos, o indicador caiu 0,8% em outubro, para 101,4 pontos. No grupo com renda superior a dez salários-mínimos, a redução também foi de 0,8%, e o indicador chegou a 115,4 pontos. E, nas duas faixas de renda, o tópico “Momento para Compra de Duráveis” foi o principal destaque negativo. Esse tópico recuou 1,7% entre famílias de menor renda, com queda de 2% entre as de maior renda em outubro ante setembro, detalhou a CNC. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os resultados evidenciam que o “bolso do consumidor” poderia estar mais bem preparado do que está. Mas mostrou-se otimista com o desempenho do varejo, no curto prazo, devido às datas sazonais historicamente boas para vendas no comércio, que ainda estão por vir. “O mês do Dia das Crianças é uma espécie de prévia da Black Friday e confraternizações de fim de ano, que mobilizam consumidores em todo o País”, lembrou. No entanto, Tadros admitiu que ainda há dúvidas sobre o patamar de consumo nos próximos meses. “Ainda que a massa salarial e a taxa de ocupação tenham estabilizado em bons patamares, há incertezas no horizonte do consumidor, tanto internas quanto externas”, avalia. “Parcelas de dívidas e contas em atraso são o outro lado desta equação que ainda se inclina para a redução no poder de compra do brasileiro”, complementou ele.

VALOR ECONÔMICO

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