Ano 1 | nº 188 | 31 de julho de 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/PR divulga leve ajuste positivo de 2,48% no valor do leite a ser pago em agosto
O Conseleite/PR divulgou o valor do leite a ser pago em agosto com um aumento de 0,0630 R$/litro, uma variação de 2,48% em relação ao período anterior.
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 29 de julho de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Junho de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Julho de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
| LEITE PADRÃO E ESCALAS DE DESCONTOS E BONIFICAÇÕES – CONSELEITE PARANÁ | |||||||
| Parâmetro | Unidade | Limites Máx. de Desconto | Leite padrão | Limites Máx. de bonificação | |||
| Teor | % Desconto | Teor | % | Teor | % Bonificação | ||
| GORDURA | % | 3,0 | -1% | igual a 3,50 | 0% | maior que 4,25 | 5,0% |
| PROTEÍNA | % | 2,9 | -1% | igual a 3,10 | 0% | maior que 3,40 | 5,0% |
| CCS | mil/ml | maior que 600 | -2% | igual a 500 | 0% | menor que 200 | 4,0% |
| CPP | mil ufc/ml | maior que 500 | -2% | igual a 300 | 0% | menor que 100 | 4,0% |
| VOLUME | litros/dia | 0% | Menor que 300 | 0% | maior que 3.000 | 8,0% | |
| Soma | -6,0% | 0% | 26,0% | ||||
VALORES DE REFERÊNCIA DA MATÉRIA-PRIMA (LEITE) POSTO PROPRIEDADE (*) EM MAIO/26 E JUNHO/26
| Matéria-prima | Valores finais MAIO/2026 | Valores finais JUNHO/2026 | Variação | |
| (Leite entregue em Maio/26 a ser pago em Junho/26) | (Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,1465 | 3,2098 | 0,0634 | 2,01% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,4972 | 2,5475 | 0,0503 | 2,01% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,3474 | 2,3946 | 0,0473 | 2,01% |
(*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
VALORES DE REFERÊNCIA DA MATÉRIA-PRIMA (LEITE) POSTO PROPRIEDADE (*) PROJETADOS PARA JUNHO/26 E JULHO/26
| Matéria-prima | Valores projetados JUNHO/2026 | Valores projetados JULHO/2026 | Variação | |
| (Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26) | (Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 3,1976 | 3,2769 | 0,0794 | 2,48% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,5378 | 2,6007 | 0,0630 | 2,48% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,3855 | 2,4447 | 0,0592 | 2,48% |
(*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite/PR:
| Produtos | Mai/26 p/ Jun/26 | Parc. Jun/26 p/ Parc. Jul/26 |
| UHT | 1,88% | 5,93% |
| Mussarela | 2,83% | 5,21% |
| Leite em Pó | 5,10% | -7,15% |
| Demais produtos | -0,92% | -0,33% |
| Valor de referência | 2,01% | 2,48% |
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de Julho de 2026 é de R$ 4,3553/litro.
CONSELEITE/PR
Deral reduz projeção da segunda safra de milho do Paraná
A segunda safra de milho do Paraná 2025/26 foi estimada na quinta-feira em 17,05 milhões de toneladas, ante 17,6 milhões de toneladas na previsão do mês anterior, de acordo com números mensais do Departamento de Economia Rural (Deral).
Se confirmada a projeção, a safra do Estado que é o segundo maior produtor de milho do Brasil cairia 5% ante o ciclo anterior. A safra de milho paranaense, plantada mais tarde este ano, está em processo de colheita, com cerca de 40% dos campos colhidos até o início da semana. Além da questão do calendário tardio, há um atraso em relação a anos anteriores em meio a chuvas no Estado. Já a safra de trigo do Paraná foi estimada em 2,38 milhões de toneladas, ante 2,36 milhões na previsão do mês anterior, o que seria uma queda anual de 18% em meio a um recuo na área plantada. As lavouras do cereal estão em desenvolvimento.
REUTERS
NACIONAL
Conseleite/MG repete leve ajuste positivo no valor do leite a ser pago em agosto
O valor de referência do leite a ser pago em agosto de 2026 teve um ajuste positivo de 1,1%, segundo o Conseleite de Minas Gerais.
A diretoria do Conseleite Minas Gerais, atendendo os dispositivos disciplinados no artigo 15 do seu Estatuto, inciso I e de acordo com metodologia definida pelo Conseleite Minas Gerais que considera os preços médios e o mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes, aprova e divulga: a) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Maio/2026 a ser pago em Junho/2026. b) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Junho/2026 a ser pago em Julho/2026. c) A projeção para o maior valor de referência; o valor médio de referência; o valor base de referência e o menor valor de referência para o produto entregue em Julho/2026 a ser pago em Agosto/2026.
| MATÉRIA-PRIMA | Volume | Gordura | Proteína | CCS | CBT |
| litros/dia | (%) | (%) | mil células somáticas/ml | mil ufc/ml | |
| Maior Valor de Referência | 8.000 | 4,20 | 3,80 | 200 | 20 |
| Valor Médio de Referência | 500 | 3,70 | 3,25 | 400 | 80 |
| Menor Valor de Referência | 160 | 3,00 | 2,90 | 500 | 300 |
| Valor Base de Referência | 160 | 3,30 | 3,10 | 400 | 100 |
Valores da matéria prima posto propriedade em maio/26 e junho/26
| MATÉRIA-PRIMA | MAIO/2026 | JUNHO/2026 | VARIAÇÃO | |
| Leite entregue em Maio/26 a ser pago em Junho/26 (R$/l) | Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26 (R$/l) | R$/litro | % | |
| Maior Valor de Referência | 3,2490 | 3,3007 | 0,0517 | 1,6% |
| Valor Médio de Referência | 2,7620 | 2,8060 | 0,0439 | 1,6% |
| Menor Valor de Referência | 2,3876 | 2,4255 | 0,0379 | 1,6% |
| Valor Base de Referência | 2,5786 | 2,6196 | 0,0410 | 1,6% |
Valores da matéria prima posto propriedade em jun/26 e projetados para jul/26
| MATÉRIA-PRIMA | JUNHO/2026 | JULHO/2026 | VARIAÇÃO | |
| Leite entregue em Junho/26 a ser pago em Julho/26 (R$/l) | Leite entregue em Julho/26 a ser pago em Agosto/26 (R$/l) | R$/litro | % | |
| Maior Valor de Referência | 3,3007 | 3,3379 | 0,0372 | 1,1% |
| Valor Médio de Referência | 2,8060 | 2,8376 | 0,0316 | 1,1% |
| Menor Valor de Referência | 2,4255 | 2,4529 | 0,0274 | 1,1% |
| Valor Base de Referência | 2,6196 | 2,6491 | 0,0295 | 1,1% |
Nota Técnica: o Valor Base de Referência corresponde à capacidade de pagamento da indústria pelo leite, considerando os seguintes parâmetros de volume e qualidade: produção de 160 litros/dia, Contagem de Células Somáticas (CCS) de 400 mil células/mL, Contagem Padrão em Placas (CPP) de 100 mil UFC/mL, teor de gordura de 3,30% e teor de proteína de 3,10%.
Atenção: A Câmara Técnica do Conseleite MG está conduzindo a revisão dos parâmetros que compõem os valores de referência do Conseleite MG, com conclusão prevista para setembro de 2026. Após a conclusão desse processo, o Valor Base de Referência deixará de ser publicado pelo Conseleite MG, permanecendo inalterada a divulgação das demais categorias da tabela de valores de referência.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite MG
| Produtos | Mai/26 p/ Parc. Jun/26 | Jun/26 p/ Parc. Jul/26 |
| Leite em Pó | 0,1% | 0,2% |
| Leite UHT | 2,3% | 5,2% |
| Mussarela | 4,4% | 3,7% |
| Leite Condensado | 0,4% | 2,8% |
| Demais Produtos | -0,4% | 1,2% |
| Valor de Referência | 1,6% | 1,1% |
Períodos de apuração: Mês de Maio/2026: De 01/05/2026 a 31/05/2026. Mês de Junho/2026: De 01/06/2026 a 30/06/2026. Parcial de Julho.
CONSELEITE/MG
Governo abre avaliação de interesse público sobre antidumping no leite em pó argentino e uruguaio
Prazo probatório aberto: com a taxa temporariamente suspensa, partes interessadas têm 20 dias para apresentar dados que definirão o futuro da medida antidumping.
A Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços iniciou, de ofício, a avaliação de interesse público sobre a medida antidumping aplicada às importações brasileiras de leite em pó — integral ou desnatado, não fracionado — originárias da Argentina e do Uruguai. O ato foi firmado pela secretária de Comércio Exterior, Tatiana Prazeres, por meio da Circular nº 62, de 28 de julho de 2026, publicada no Diário Oficial da União em 29 de julho de 2026. A avaliação decorre da Resolução GECEX nº 907, de 3 de junho de 2026, editada pelo Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior. Essa resolução aplicou direitos antidumping definitivos, por prazo de até cinco anos, às importações de leite em pó argentino e uruguaio, mas suspendeu imediatamente a exigibilidade da medida por razões de interesse público, até a conclusão do procedimento ora aberto. As alíquotas foram fixadas em valores específicos por tonelada, variando de US$ 167,31/t a US$ 4.183,17/t para a Argentina e de US$ 378,27/t a US$ 4.196,72/t para o Uruguai, conforme o exportador. A investigação original de dumping foi iniciada em dezembro de 2024, a pedido da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), representante dos produtores nacionais de leite. O GECEX, ao aplicar a medida em junho de 2026, externou preocupação quanto aos potenciais efeitos sobre preços domésticos, abastecimento e consumidores, especialmente em contexto de elevada sensibilidade inflacionária do mercado de leite e derivados. A avaliação de interesse pública será conduzida nos Processos SEI nº 19972.001492/2026-39 (restrito) e nº 19972.001493/2026-83 (confidencial). A fase probatória terá duração de vinte dias, contados da data de publicação da circular. Após o encerramento dessa fase, as partes interessadas terão dez dias para apresentar manifestações finais. Todo o peticionamento deve ser feito eletronicamente no Sistema Eletrônico de Informações (SEI). A participação exige representante legal habilitado junto ao Departamento de Defesa Comercial (DECOM) e utilização de certificado digital emitido no âmbito da ICP-Brasil. Documentos apresentados fora dos prazos serão desconsiderados, conforme a Portaria SECEX nº 282, de 16 de novembro de 2023. O DECOM poderá ainda enviar ofícios solicitando informações às partes interessadas e a outros entes ao longo de toda a instrução processual. Esclarecimentos podem ser obtidos pelo telefone +55 61 2027-7770 ou pelo e-mail leiteempo.ip@mdic.gov.br. Ao final da avaliação, o GECEX deliberará definitivamente sobre a manutenção, modulação ou revogação da medida antidumping, com base nos impactos econômico-sociais identificados.
ATLAS PÚBLICO/MILKPOINT
EMPRESAS
Cargill, IBS e Cooperleite firmam parceria para apoiar produtores de leite na Bahia
Cooperativa atende 500 produtores rurais que movimentam cerca de 600 mil litros de leite por mês. Projeto terá monitoramento contínuo por meio da plataforma CheckMilk, desenvolvida e implementada pelo IBS
A multinacional Cargill firmou uma parceria com o Instituto Biosistemico (IBS) e a Cooperativa dos Produtores de Leite do Oeste da Bahia (Cooperleite) para dar apoio de assistência técnica especializada a produtores cooperados. Segundo comunicado da Cargill, o intuito é promover o fortalecimento da cadeia de forma econômica, social e ambientalmente sustentável. Com sede em Barreiras (BA), a Cooperleite atende 500 produtores rurais que movimentam cerca de 600 mil litros de leite por mês. Entre as atividades previstas no projeto com a Cargill estão o oferecimento de assistência técnica individual, cursos e workshops ministrados por especialistas em gestão, produção, sustentabilidade e inovação na agropecuária. A cooperação terá vigência de um ano. A iniciativa está organizada em frentes principais, são elas: gestão reprodutiva; gestão sanitária; gestão nutricional; gestão zootécnica e financeira da propriedade, e implementação de boas práticas agropecuárias. Todas as frentes do projeto são apoiadas por diagnóstico digital, unidades móveis de campo e monitoramento contínuo por meio da plataforma CheckMilk, desenvolvida e implementada pelo IBS.
GLOBO RURAL
ECONOMIA
Dólar cai quase 1% ante o real sob influência do exterior
O dólar fechou a quinta-feira em baixa ante o real, acompanhando o recuo firme da moeda norte-americana ante outras divisas no exterior, ainda sob a influência da decisão do Federal Reserve na véspera e em meio a uma bateria de indicadores econômicos.
O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,95%, aos R$5,0621. No ano, a divisa passou a acumular baixa de 7,78% ante o real. Às 17h03, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 1,07% na B3, aos R$5,0660. Na tarde de quarta-feira, o Fed manteve, como esperado, sua taxa de juros na faixa de 3,50% a 3,75%, e o chair da instituição, Kevin Warsh, ressaltou o compromisso com a meta de inflação de 2%. Ao mesmo tempo, Warsh citou dados de inflação “animadores” nos EUA e disse que o Fed continuará a acompanhar as informações de mercado. Uma das interpretações entre os agentes foi a de que o Fed não parece ter pressa para elevar os juros, o que seria favorável para ativos de risco, como moedas de países emergentes. Essa visão foi corroborada por alguns dados econômicos divulgados na quinta-feira: o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA subiu 1,5% no segundo trimestre, menos que os 2,1% projetados em pesquisa da Reuters, e o núcleo do índice de inflação PCE — bastante observado pelo Fed — avançou 0,1% em junho, menos que o 0,2% esperado. Assim, o dólar operou em baixa ante divisas como o peso chileno, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real. Além disso, o dólar registrou baixas firmes ante uma cesta de moedas fortes e em relação ao euro, à libra e ao iene — neste caso, em meio a especulações sobre possível intervenção do governo no mercado. No exterior, o petróleo Brent cedeu para abaixo dos US$90 o barril, após a forte alta da véspera, com o Oriente Médio no foco das atenções.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta firme com exterior positivo e balanços
O Ibovespa fechou a quinta-feira em alta, chegando aos 177 mil pontos nas máximas do dia, na esteira do bom humor nos mercados globais, enquanto os agentes monitoravam o calendário de resultados trimestrais de companhias estrangeiras e nacionais.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,88%, a 177.158,86 pontos, na máxima do dia, após marcar 173.884,55 na mínima. Os ganhos da bolsa brasileira acompanharam o ambiente mais favorável ao risco nos EUA, onde as bolsas fecharam em alta firme, com as ações do setor de chips disparando e a Microsoft a caminho de seu maior ganho percentual diário em 18 anos, depois que a gigante de tecnologia divulgou uma previsão excelente que amenizou os temores sobre gastos maciços em infraestrutura de IA. O índice S&P 500 encerrou com alta de 1,74%. Já os contratos futuros do petróleo Brent fecharam em queda de 1,88%, a US$89,03 por barril, enquanto os operadores avaliavam as propostas para uma coalizão marítima liderada pela Arábia Saudita com o objetivo de fortalecer a cooperação em defesa na região do Mar Vermelho. “O pregão de hoje é, em boa medida, um espelho invertido do de ontem”, destacou Eduardo Rahal, analista chefe da Levante Inside Corp, lembrando da forte aversão ao risco observada na quarta-feira por conta da intensificação dos conflitos no Oriente Médio e da leitura mais hawkish do comunicado do Federal Reserve. “Hoje, com o Brent devolvendo parte desse prêmio geopolítico e recuando, o mercado local recompõe posições”, completou Rahal. Assim como no mercado acionário dos EUA, os balanços tiveram destaque na bolsa brasileira desta quinta, com os investidores avaliando os resultados de companhias divulgados entre a noite de quarta-feira e a manhã desta quinta-feira, como Motiva, Ambev e Usiminas, enquanto aguardam Multiplan e Vale, que saem após o fechamento. A agenda macroeconômica também foi observada, após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou pela manhã que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em junho foi de 5,4%, em linha com o consenso de economistas consultados pela Reuters, sendo a mais baixa para o período na série histórica iniciada em 2012.
REUTERS
Governo central tem déficit primário de R$48 bi em junho, e semestre registra pior saldo desde 2020
O governo central registrou um déficit primário de R$48,178 bilhões em junho, contribuindo para gerar um rombo de R$92,227 bilhões no primeiro semestre, o pior resultado para o período desde 2020, informou o Tesouro Nacional na quinta-feira.
O dado de junho veio em linha com o esperado pelo mercado e foi pior do que o déficit de R$44,216 bilhões observado no mesmo mês de 2025. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$48 bilhões no mês passado. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas — que excluem transferências para governos regionais — de R$195,173 bilhões, um aumento real de 10,3% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$243,351 bilhões, alta real de 9,0%. Do lado das receitas, o resultado mensal teve ganhos na maior parte dos tributos e fontes, mas foi impulsionado por elevações de R$5,3 bilhões em exploração de recursos naturais (+77,9%), R$4,1 bilhões em Cofins (+12,7%), R$3,7 bilhões em Imposto sobre Produtos Industrializados (+47,4%) e R$2,0 bilhões em Imposto de Importação (+24,2%). Nas despesas, houve em junho uma alta de R$2,1 bilhões em benefícios previdenciários (+1,9%) e R$1,7 bilhão em abono e seguro-desemprego (+15,5%). O déficit primário de R$92,227 bilhões acumulado no primeiro semestre é significativamente maior que o saldo negativo de R$11,277 bilhões no mesmo período de 2025. O resultado é o segundo pior da série histórica iniciada em 1997, atrás apenas do primeiro semestre de 2020, quando o governo registrou rombo de R$599,8 bilhões em meio a fortes desembolsos relacionados à pandemia de Covid-19. No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$144,1 bilhões, ou 1,08% do Produto Interno Bruto (PIB). Para este ano, o governo tem uma meta fiscal de superávit primário de 0,25% do PIB, mas há uma tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto e algumas despesas que não são contabilizadas.
REUTERS
Taxa de desemprego no Brasil cai a 5,4% no 2º trimestre, mas renda diminui
O Brasil encerrou o segundo trimestre com uma taxa de desemprego de 5,4%, a mais baixa para o período na série histórica iniciada em 2012, mas a renda recuou no período.
Os dados divulgados na quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram forte queda ante a taxa de 6,1% do primeiro trimestre. No mesmo período do ano anterior a taxa de desemprego fora de 5,8%. O resultado ficou em linha com a expectativa em pesquisa da Reuters. Analistas consideram que o mercado de trabalho deve continuar aquecido, com a taxa em níveis baixos para os padrões nacionais, mesmo com uma esperada desaceleração da economia. “De modo geral, vemos um mercado de trabalho ainda muito robusto, mas com sinais de moderação, apresentando menor dinamismo, reflexo, na nossa visão, do estoque de aperto monetário dos últimos anos. Esperamos a continuidade dessa tendência de moderação, com a taxa de desocupação encerrando 2026 em 5,7%”, avaliou André Valério, economista sênior do Inter. O mercado de trabalho segue sendo ponto de atenção para o Banco Central, uma vez que o desemprego em mínima histórica e renda em níveis altos alimenta o consumo, somando-se aos estímulos fiscais e de crédito do governo, dificultando o controle da inflação. O BC volta a se reunir na próxima semana para definir a taxa básica de juros Selic, com expectativa de redução de 0,25 ponto percentual, a 14,0% ao ano. A renda mensal real de todos os trabalhos, entretanto, caiu 1,5% no segundo trimestre, a R$3.738, de R$3,795 nos três meses de janeiro a março, embora isso tenha representado alta de 2,8% ante o mesmo trimestre do ano anterior. “A renda passou a não crescer mais por causa do aumento da ocupação em setores de nível de instrução mais baixa, produtividade menor e renda menor. Isso afeta o rendimento geral”, explicou o analista do IBGE William Kratochwill. No segundo trimestre, o contingente de desempregados teve queda de 10,9% sobre os três meses anteriores, chegando a 5,861 milhões de pessoas, o que representa ainda uma queda de 6,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O período foi marcado ainda por alta de 1,1% no número de pessoas ocupadas na comparação trimestral e de 0,7% sobre o ano anterior, chegando a 103,057 milhões, novo recorde da série. Isso se deu, entretanto, principalmente com alta nos empregados do setor privado sem carteira de trabalho assinada. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado cresceu 0,6% entre abril e junho sobre o primeiro trimestre, enquanto os que não tinham carteira aumentaram 2,2%. “O que se viu agora também foi um movimento de pessoas saindo da população fora da força de trabalho. Foi uma absorção de mão de obra que estava sem trabalho e que está fora do mercado e voltou a procurar emprego. Até os desalentados se ocuparam”, disse Kratochwill.
REUTERS
Arrecadação federal cresce 7,7% e fecha 1º semestre com recorde histórico, diz Receita
Governo obteve R$ 264,44 bilhões em junho, maior resultado para o mês desde o início da série histórica. Quantia foi incrementada com R$ 3,8 bilhões pelo imposto de exportação de petróleo, criado devido à guerra no Irã
A arrecadação do governo federal teve alta real de 7,72% em junho sobre o mesmo mês do ano passado, somando R$ 264,44 bilhões, maior nível já observado para o mês, o que ajudou a levar o resultado acumulado do primeiro semestre a um recorde histórico, informou a Receita Federal na quinta-feira (30). As receitas administradas pela Receita somaram R$ 255,31 bilhões no mês passado, uma alta real de 7,66% ante junho de 2025. Já as receitas administradas por outros órgãos públicos, que são sensibilizadas pela comercialização de petróleo, somaram R$ 9,13 bilhões, aumento de 9,62%. De acordo com o fisco, o dado do mês foi impactado positivamente por ganhos considerados não recorrentes, com um incremento de R$ 4 bilhões em tributos pagos sobre resultados de empresas e R$ 3,8 bilhões em imposto de exportação de petróleo, instituído temporariamente pelo governo como medida de enfrentamento aos efeitos da guerra no Oriente Médio. Sem esses ganhos atípicos, o desempenho das receitas administradas pelo fisco em junho seria de alta real de 4,38%, segundo o governo. No recorte por setores, o destaque ficou com um ganho de R$ 15,39 bilhões com extração de petróleo e gás natural, aumento expressivo na comparação com os R$ 819 milhões obtidos em junho de 2025. Também houve ganhos significativos em comércio atacadista (15,18%) e fabricação de veículos (34,62%). Entre os principais destaques do mês estão altas de 20,4% na arrecadação de Imposto de Renda de empresas e de CSLL (Contribuição Social sobre Lucro Líquido), 12,43% em Imposto de Renda cobrado sobre rendimentos de capital, 4,69% em receitas previdenciárias e 22,87% em Imposto de Importação. No acumulado de janeiro a junho, a arrecadação cresceu 6,63% acima da inflação em comparação com o mesmo período de 2025, a R$ 1,59 trilhão, recorde para o semestre em série histórica iniciada em 1995. De acordo com a Receita, o dado reflete o desempenho da economia, citando também uma contribuição da arrecadação previdenciária por conta do aumento da massa salarial no país e da redução do benefício de desoneração da folha de pagamento de setores da economia. O fisco ainda mencionou uma melhora no desempenho da arrecadação de PIS/Cofins em razão do “melhor desempenho do setor de serviços e do crescimento da arrecadação do setor de extração de petróleo”.
FOLHA DE SP
IGP-M, inflação do aluguel, cai 1,16% em julho com queda no preço de combustíveis, diz FGV
Preços no atacado caem 1,74% em julho e puxam redução do índice usado para reajustar aluguel. Resultado acumulado nos últimos meses é de alta de 2,76%
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) caiu 1,16% em julho, um pouco mais do que o esperado, após recuo de 0,50% no mês anterior, mostrou dados divulgados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) na quinta-feira (30). A expectativa em pesquisa da Reuters era de queda de 1,09%, e com o resultado do mês o índice passou a acumular em 12 meses alta de 2,76%. O IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo), que responde por 60% do índice geral e apura a variação dos preços no atacado, caiu 1,74% em julho, depois de ter recuado 0,97% no mês anterior, influenciado por combustíveis e derivados de petróleo. “A reversão das pressões dos meses anteriores reflete o recuo das tensões entre EUA e Irã no estreito de Hormuz, que reduziu as cotações internacionais do petróleo e se repassou rapidamente ao índice. Ainda assim, parte da cadeia petroquímica permanece pressionada por fretes, câmbio e óleos básicos”, comentou Matheus Dias, economista do FGV Ibre. No entanto, após alguns dias de alívio, as tensões no Oriente Médio voltaram a se intensificar e o preço do petróleo voltou a subir, o que deve repercutir nos preços de agosto. Já o IPC (Índice de Preços ao Consumidor), que tem peso de 30% no índice geral, registrou variação negativa de 0,01% em julho, de uma alta de 0,47% em junho. “O IPC apresentou desaceleração, refletindo a desinflação dos alimentos in natura, parcialmente compensada pela elevação das passagens aéreas —item pressionado pela sazonalidade das férias de julho e pelo repasse defasado de reajustes anteriores do QAV (querosene de aviação)”, disse Dias. O INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) passou a subir no período 0,62%, de uma alta de 0,85% em junho. O IGP-M calcula os preços ao produtor, consumidor e na construção civil entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência.
FOLHA DE SP
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