Ano 1 | nº 189 | 03 de agosto 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite ao produtor aumentou 33% durante o primeiro semestre
Na comparação anual, valor médio para o período ficou 14% abaixo do mesmo período de 2025. A valorização do leite no campo ocorre em função da firmeza no mercado de derivados e do crescimento da captação mais lento do que o esperado
O preço médio do leite cru captado por laticínios em todo o país subiu em junho, chegando a R$ 2,7464 por litro, aumento de 3,02% frente a maio, mas queda de 0,86% na comparação com o mesmo mês de 2025, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA). Com esse resultado, o preço do leite cru fecha o primeiro semestre com aumento acumulado de 33,1% e média de R$ 2,4659 por litro – esse valor, porém, está 14% abaixo do verificado no mesmo período do ano passado. As informações foram divulgadas na sexta-feira (31/7) pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A valorização no campo ocorre em função da firmeza no mercado de derivados e do crescimento da captação mais lento do que o esperado em algumas regiões, afirma o Cepea. A captação de leite aumentou 2,76% de maio para junho; porém, no acumulado do ano, a queda é de 11,4%. Já o custo operacional registrou estabilidade em junho, com pequeno avanço de 0,24%, resultado associado ao recuo nos preços das matérias-primas utilizadas nas rações, em contraposição ao aumento da demanda pelo produto. No acumulado do primeiro semestre, houve alta de 2,04%. Pesquisa realizada pelo Cepea, com apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), mostra que, em junho, enquanto os preços do queijo muçarela e do leite em pó mantiveram-se praticamente estáveis, com ligeiras altas de 0,08% e 0,38%, respectivamente, o valor do leite UHT registrou queda expressiva, de 3,07%, em relação a maio. Com isso, as médias foram de R$ 35,19/kg para a muçarela, de R$ 31,89/kg para o leite em pó e de R$ 4,53/litro para o UHT. No mercado internacional, houve baixa de 4,17% nas importações de lácteos de maio para junho, totalizando 216,76 milhões de litros em equivalente leite, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Na comparação com junho de 2025, as compras externas avançaram 35,11% e, ao considerar o primeiro semestre do ano, as compras externas estão 14% maiores que as do mesmo período do ano passado. De acordo com o Cepea, diante do contexto em que os estoques reduzidos e o crescimento da captação mais lento mantiveram a concorrência pela matéria-prima elevada e adiaram o movimento de acomodação dos preços, a expectativa é de que o mercado deve apresentar estabilidade com viés de alta e que o terceiro trimestre seja marcado pelo aumento gradual da oferta.
GLOBO RURAL
Estratégia paranaense: queijos e derivados de alto valor fortalecem a cadeia do leite
A fabricação de queijos tem desempenhado um papel importante tanto para equilibrar o mercado quanto para ampliar as oportunidades de negócio.
O mercado brasileiro de lácteos passa por uma transformação impulsionada por mudanças no comportamento do consumidor e pela busca de maior rentabilidade dentro da cadeia. Se, por um lado, algumas categorias enfrentam desaceleração, por outro, os derivados de maior valor agregado — especialmente os queijos — ganham protagonismo como estratégia para fortalecer a atividade leiteira. Dados do mais recente relatório do Observatório do Consumidor da Embrapa mostram que a categoria de queijos registrou crescimento de 5% em volume e de 6,3% em faturamento no primeiro semestre de 2026, reforçando uma tendência de valorização de produtos com maior diferenciação e potencial de captura de valor ao longo da cadeia. No Paraná, segundo maior produtor de leite do país, esse movimento já se reflete na estratégia de produtores e indústrias. Para Alexandre Lobo Blanco, médico-veterinário do Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) e futuro representante dos produtores no Conseleite-PR, a fabricação de queijos tem desempenhado um papel importante tanto para equilibrar o mercado quanto para ampliar as oportunidades de negócio. “O queijo cumpre o papel de concentrar o leite fluido e estabilizar os preços, especialmente em períodos em que os estados do Sul registram aumento da produção, como ocorreu em 2025 e 2026”, explica. Além do efeito sobre o equilíbrio da oferta, Blanco destaca que a produção de queijos permite maior flexibilidade comercial. Diferentemente do leite cru, que precisa ser entregue rapidamente ao laticínio, os queijos possuem maior vida útil, possibilitando melhor planejamento de vendas e maior poder de negociação. “O produtor de leite tem, no máximo, dois dias para entregar seu produto; ele praticamente não consegue fazer seu preço. Já quem produz queijo consegue negociar melhor, trabalhar com prazos maiores e planejar negócios de longo prazo”, afirma. Segundo ele, algumas propriedades paranaenses já avançaram na verticalização da produção, destinando todo o leite para queijarias próprias devidamente regulamentadas, agregando valor à matéria-prima antes da comercialização. A agregação de valor não se limita à produção de queijos tradicionais. O relatório da Embrapa também aponta crescimento de categorias voltadas à saúde e à conveniência, como produtos zero lactose e bebidas com alto teor de proteína, refletindo a diversificação do mercado de lácteos. Embora o desenvolvimento desses produtos dependa, muitas vezes, de plantas industriais mais complexas, Blanco acredita que os pequenos produtores também encontram oportunidades ao investir em nichos específicos. “O pequeno produtor tem condições de permanecer competitivo quando alia controle de custos à qualidade. Existe espaço para leites e queijos especiais produzidos em microrregiões, onde o rebanho, a alimentação e as características locais conferem identidade ao produto”, destaca. Essa valorização de produtos regionais vem sendo estimulada por iniciativas como o Prêmio Queijos do Paraná, realizado pelo Sistema FAEP em parceria com Sebrae, Sindileite e IDR-Paraná. Em sua segunda edição, a premiação busca dar visibilidade às queijarias certificadas e incentivar a produção de queijos de maior valor agregado. Mais do que uma resposta às oscilações do mercado, o avanço dos queijos e de outros derivados evidencia uma mudança na estratégia da cadeia leiteira: transformar o leite em produtos de maior valor agregado, ampliando as possibilidades de renda para produtores, fortalecendo a indústria e atendendo a um consumidor cada vez mais disposto a buscar qualidade, diferenciação e identidade regional.
PORTAL TRIBUNA DO PARANÁ
EVENTOS
Agroleite reduz estimativa de negócios e destaca tecnologias
Feira promovida pela Castrolanda começa nesta segunda-feira (3/8) em Castro (PR). Programação da Agroleite é voltada às tecnologias e inovações da pecuária leiteira
Após atingir o montante de quase R$ 1 bilhão em negócios gerados na edição passada, a Agroleite 2026 retoma uma expectativa mais conservadora para este ano, com previsão de movimentar R$ 500 milhões. A feira, promovida pela Cooperativa Castrolanda, em Castro (PR), começa nesta segunda-feira (3/7) e segue durante toda a semana com uma programação voltada às tecnologias e inovações da pecuária leiteira. “O agro vive um momento difícil no Brasil e a cadeia do leite também. Acreditamos que o momento, para o produtor, é mais de busca de novos conhecimentos, informação e tecnologias do que de investimentos nas propriedades”, avalia Willem Bouwman, presidente da Castrolanda, em entrevista à Globo Rural. Em 2025, a Agroleite registrou os maiores números da sua história: R$ 969 milhões em negócios, 370 expositores, 650 animais expostos e 163 mil visitantes. Para a edição de 2026, serão 400 empresas expositoras, em torno de 600 animais e estimativa de 170 mil pessoas. O valor movimentado em 2025, lembra Bouwman, surpreendeu a organização e representou quase o dobro do previsto pelos organizadores. Em comparação com a edição anterior do evento, realizado em 2024, quando a feira gerou R$ 520 milhões em negócios, o aumento foi de 86%. Já para a edição atual, o presidente da cooperativa acredita que haverá prospecção de negócios, mas o cenário atual da atividade leva a uma leitura menos otimista. “A margem do produtor diminuiu devido a vários fatores”, comenta. Bouwman destaca, para o setor da pecuária leiteira, a entrada no país do leite em pó importado e as altas taxas de juros para o setor como principais entraves. Somado a isso, o preço de insumos, fertilizantes, sementes e óleo diesel “inviabilizam a atividade agropecuária em geral”, ressalta. “Produzir alimento está caro e o produtor já vem endividado devido aos investimentos que fez nos últimos anos”, conclui. Com produção de leite na casa dos 568,975 milhões de litros em 2025 – alta de 6,1% sobre 2024 -, a cooperativa celebra 75 anos em 2026 e traz para o evento o lema “movidos por um legado”. A pecuária de leite foi a primeira atividade econômica da Castrolanda, com animais puros de origem trazidos pelos imigrantes holandeses pioneiros, e se tornou uma das mais relevantes regiões produtoras de leite do país. Hoje, a cooperativa atua em quatro cadeias de negócios: grãos, carnes (suínos e ovinos), leite e batata, com unidades nos estados do Paraná, São Paulo e Tocantins e mais de 1.200 cooperados. Para esta edição da Agroleite, a Castrolanda destinou aproximadamente R$ 11 milhões para a expansão do Parque Tecnológico Agroleite, situado em Castro. Os recursos foram aplicados na construção de novas casas para empresas parceiras, na ampliação da Arena Conexão, em melhorias na infraestrutura, nos serviços de apoio aos visitantes e em projetos que reforçam a proposta de transformar o parque em um ecossistema ativo durante todo o ano, integrando empresas, produtores, instituições de ensino e organizações ligadas à cadeia do leite. Foram anunciados anteriormente investimentos de cerca de R$ 100 milhões para ampliação do parque tecnológico, com parceiros públicos e privados, e projetos que incluem a construção de um Centro de Excelência de Bovinocultura de Leite e o Laboratório de Biotecnologia de Leite. O público da feira terá acesso a uma programação técnica, exposição de animais, julgamentos das raças leiteiras holandesa e jersey, torneio leiteiro, dinâmica de máquinas, palestras, fóruns, painéis e apresentação das principais tecnologias, soluções e tendências para a pecuária leiteira. Seminário Internacional do Leite e fóruns da Agricultura e da Suinocultura farão parte do evento. Atividades interativas e educativas, visitas a propriedades produtoras de leite com alta eficiência e premiações completam as opções da feira, conhecida como “vitrine da tecnologia da cadeia do leite da América Latina”. Serviço: Agroleite 2026. Data: 3 a 7 de agosto. Local: Parque Tecnológico Agroleite e Parque Dario Macedo – Castro (PR), Capital Nacional do Leite. Entrada gratuita.
GLOBO RURAL
Preços ao produtor no Brasil têm queda de 0,77% em junho, diz IBGE
Os preços ao produtor no Brasil tiveram queda de 0,77% em junho na comparação com o mês anterior, depois de recuarem 0,30% em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira.
O resultado levou o Índice de Preços ao Produtor (IPP) acumulado em 12 meses a uma alta de 2,51%. Entre as 24 atividades analisadas, o IBGE apontou que seis apresentaram queda de preço no mês. As indústrias extrativas foram o maior destaque na comparação entre junho e maio, responsáveis por -0,56 ponto percentual de influência na indústria. As quatro atividades com maiores variações em junho foram indústrias extrativas (-11,85%); outros produtos químicos (-2,74%); refino de petróleo e biocombustíveis (-2,30%); e móveis (2,08%). O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.
REUTERS
INTERNACIONAL
Produção mundial de leite deve chegar a 1,223 bilhão de toneladas em 2035
Esse avanço será impulsionado principalmente por ganhos de produtividade obtidos via melhorias genéticas, nutrição eficiente e avanço no manejo, e não tanto pela expansão dos rebanhos, exceção feita a regiões como a África Subsaariana, Índia e Paquistão.
Segundo o relatório Agricultural Outlook 2026–2035 da OECD-FAO, a produção mundial de leite deverá crescer 2,0% ao ano na próxima década, alcançando 1,223 bilhão de toneladas em 2035. Esse avanço será impulsionado principalmente por ganhos de produtividade obtidos via melhorias genéticas, nutrição eficiente e avanço no manejo, e não tanto pela expansão dos rebanhos, exceção feita a regiões como a África Subsaariana, Índia e Paquistão. A Índia, que já lidera o setor global com uma estrutura baseada em pequenas propriedades e cooperativas, responderá por mais da metade de todo o crescimento mundial projetado até 2035. Contudo, tanto a Índia quanto o Paquistão utilizarão esse incremento quase integralmente para suprir o forte consumo interno de produtos frescos gerado pela urbanização e pela elevação da renda, sem provocar grandes impactos no comércio internacional. O comportamento dos grandes exportadores mundiais apresentará dinâmicas bastante distintas no mesmo período. A União Europeia enfrentará uma produção praticamente estagnada em virtude da redução de seu rebanho e do avanço de sistemas orgânicos, que possuem menor produtividade e custos mais elevados. Em contrapartida, os Estados Unidos liderarão o crescimento do setor impulsionados por altos índices de produtividade por animal, direcionando seus excedentes para a produção e exportação de leite em pó desnatado. Já a Nova Zelândia, altamente dependente da eficiência do manejo de suas pastagens, terá um crescimento moderado de 1% ao ano devido à limitação territorial, mas manterá seu foco estratégico no volume produzido por hectare e no atendimento do mercado externo. No consumo, a maior parte do leite mundial continuará sendo destinada aos produtos frescos, especialmente nas nações de renda média e baixa. Nos países de renda alta, a demanda por frescos deve cair, dando espaço a derivados com alto teor de proteína, como iogurtes e queijo cottage, além da preferência por gordura láctea em detrimento de outros sólidos. Essa mudança de padrão sustenta uma valorização internacional superior para a manteiga em relação ao leite em pó desnatado. Paralelamente, o mercado global de produtos industrializados continuará dependente dos leites em pó para uso na indústria de confecção, panificação e fórmulas infantis, além do soro em pó, que ganha espaço em nutrição especializada e na reconstituição de lácteos em países com produção limitada. O comércio internacional permanecerá altamente concentrado, respondendo por menos de 7% de todo o leite produzido globalmente devido à alta deteriorabilidade e ao custo de transporte do produto líquido. União Europeia, Estados Unidos e Nova Zelândia continuarão dominando as exportações globais, sendo responsáveis por cerca de 70% das vendas de queijo, manteiga e leites em pó. Do lado dos compradores, a China seguirá como a maior importadora mundial de lácteos, embora com um ritmo de compras de leite em pó integral desacelerado pelo aumento de sua produção interna. A África, por sua vez, deve ampliar significativamente suas importações de leite em pó para suprir uma demanda que crescerá muito mais rápido do que a capacidade de seus rebanhos locais. Por fim, o setor permanecerá exposto a incertezas relevantes que podem alterar as projeções até 2035. A volatilidade dos preços continua sendo um risco estrutural, intensificada por políticas comerciais protecionistas e metas ambientais cada vez mais severas, especialmente em países com grandes emissões como Irlanda e Nova Zelândia. Além disso, eventos climáticos extremos, a expansão de alternativas vegetais como bebidas de amêndoa e aveia, surtos de doenças animais e gargalos de mão de obra representam desafios constantes. No entanto, a adoção de tecnologias emergentes, como ordenha automatizada e monitoramento em tempo real, pode elevar os índices de produtividade global para patamares ainda maiores do que os previstos.
OECD-FAO Agricultural Outlook 2026–2035, capítulo 6, “Dairy and dairy products”
ECONOMIA
Dólar fecha estável em sessão com atraso na B3, mas acumula queda de 1,82% no mês
O dólar fechou a sexta-feira perto da estabilidade ante o real, enquanto no exterior a moeda norte-americana exibia sinais mistos no fim da tarde, em uma sessão marcada pelo atraso da B3 na abertura do mercado e pela disputa dos agentes pela formação da Ptax de fim de mês.
O dólar à vista encerrou o dia com variação positiva de 0,13%, aos R$5,0686. Na semana, a divisa acumulou baixa de 0,25% e, no mês, recuo de 1,82%. Às 17h05, o dólar futuro para setembro — que nesta sessão passou a ser o mais negociado no mercado brasileiro — subia 0,11% na B3, aos R$5,1070. Os contratos futuros de dólar e a moeda norte-americana à vista abriram com atraso no Brasil, após as 9h35, em função de problema técnico na B3. O dólar para setembro foi o primeiro a começar a operar, seguido pelo dólar para agosto. Com a abertura do mercado futuro da B3 — o mais líquido no Brasil — as negociações no segmento à vista também foram iniciadas. Mais cedo, um operador ouvido pela Reuters pontuou que, sem as cotações do mercado futuro de dólar da B3, as mesas de operação não tinham referência de preços e, por isso, “ninguém faz nada”. Outros mercados no Brasil, como os de ações e DIs (Depósitos Interfinanceiros), abriram bem mais tarde, a partir das 12h30. A dificuldade inicial nas negociações cambiais ocorreu no último dia do mês, quando tradicionalmente os agentes operam mirando a definição da taxa Ptax. No início da tarde, o BC informou que a Ptax fechou em R$5,0773 na venda. Definida a Ptax, a moeda norte-americana pouco oscilou no restante do dia. O dólar à vista atingiu a cotação máxima intradia de R$5,0865 (+0,48%) às 11h21 — em meio à disputa pela Ptax e antes de o mercado de ações da B3 entrar em funcionamento, o que limitava a liquidez também no câmbio. Depois, a divisa à vista marcou a mínima de R$5,0647 (+0,05%) às 13h15, logo após o anúncio da Ptax. No exterior, o dólar exibiu mais cedo ganhos ante vários pares do real, mas nesta tarde a divisa tinha sinais mistos: subia ante o peso colombiano e o peso chileno, mas caía ante a rupia indiana e o peso mexicano. O movimento no exterior ocorreu em mais um dia de alta do petróleo Brent, para perto dos US$90 o barril, e de elevação dos rendimentos dos Treasuries, com a decisão sobre juros do Federal Reserve na última quarta-feira e o conflito no Oriente Médio no foco das atenções.
REUTERS
Ibovespa fecha em alta em dia de sessão encurtada por problema técnico
O Ibovespa fechou em alta nesta sexta-feira, sustentado pelos ganhos em blue chips, após uma sessão reduzida por conta de problemas técnicos na B3 que levaram a um atraso de mais de duas horas na abertura do pregão.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,47%, a 177.999,00 pontos. Na mínima, o índice atingiu 177.013,85 pontos. Na máxima, 178.718,91 pontos. No mês de julho, o Ibovespa acumulou 3,47% de alta. No início do dia, a B3 relatou atraso na abertura de negociação de ativos em geral “em decorrência do atraso no envio dos arquivos e na abertura da Câmara B3”. Com isso, o mercado de câmbio começou a operar às 9h35, enquanto os DIs e a bolsa iniciaram suas atividades apenas após às 12h30. O problema fez com que os investidores operassem com cautela durante a maior parte do pregão, o último do mês, que geralmente é marcado por ajustes de posição de investidores e gestoras de recursos. “No geral o investidor entende que sistemas digitais são passíveis de problemas dessa natureza, e acredito que quem sofre mais são as corretoras, que acabam recebendo uma alta demanda de suporte técnico e abertura de chamado de contestação”, disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil. Nesse contexto, os agentes digeriram o noticiário corporativo doméstico, que teve como destaque o balanço da Vale, que foi divulgado na noite da véspera, e a notícia de que o espanhol Santander vai lançar uma oferta por ações da operação brasileira. “Mercado hoje foi bem atípico, com agenda vazia. Foi um gatilho para virada de mês”, disse Felipe Sant’Anna, analista da Axia Investing. O dia no mercado internacional foi de ganhos nos preços do petróleo, com a commodity chegando a operar acima dos US$90 durante o pregão e encerrando julho com seus maiores ganhos mensais desde março, em meio a crescentes preocupações com os fluxos globais após relatos iranianos de que alguns petroleiros foram forçados a retornar no Estreito de Ormuz. Os contratos futuros do Brent fecharam em alta de 1,2%, a US$90,12 o barril. Em Wall Street o dia também foi positivo, com as bolsas subindo impulsionadas pelos ganhos dos papéis da Amazon, depois que o relatório trimestral da gigante da tecnologia reforçou a confiança dos investidores em ações relacionadas à inteligência artificial, enquanto a Apple recuou após seus resultados decepcionarem os investidores. O índice S&P 500 fechou em alta de 0,84%.
REUTERS
Dívida pública bruta do Brasil sobe mais do que o esperado em junho, mostra BC
A dívida bruta do Brasil subiu mais do que o esperado em junho, quando o setor público consolidado brasileiro apresentou déficit primário acima da expectativa, de acordo com dados divulgados na sexta-feira pelo Banco Central.
A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou junho em 81,9%, contra 81,0% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 68,5%, de 67,9%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de 81,5% para a dívida bruta e de 68,4% para a líquida. Em junho, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$55,313 bilhões, pior do que a expectativa de economistas consultados em pesquisa da Reuters de um saldo negativo de R$49,8 bilhões. O desempenho mostra que o governo central teve déficit de R$47,236 bilhões, enquanto Estados e municípios registraram saldo primário negativo de R$6,609 bilhões e as estatais tiveram déficit de R$1,468 bilhão, mostraram os dados do Banco Central.
REUTERS
Dívida bruta do governo sobe para 81,9%do PIB em junho, amais alta desde 2021
Em maio, o indicador estava em 81% do PIB (R$ 10,622 trilhões)
A dívida bruta dos governos no Brasil somou R$ 10,809 trilhões em junho, o equivalente a 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo dados divulgados hoje pelo Banco Central (BC). É o patamar mais alto desde abril de 2021, quando atingiu 82,6% do PIB. Em maio, o indicador estava em 81% do PIB (R$ 10,622 trilhões). Setor público consolidado tem déficit primário de R$ 55,31 bilhões em junho. De acordo com o Banco Central, o aumento de 0,9 ponto percentual em junho ante maio decorreu, principalmente, dos juros nominais apropriados (0,8 ponto percentual), das emissões líquidas de dívida (0,6 ponto percentual) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 ponto percentual). No ano, a dívida bruta aumentou 3,3 pontos percentuais, resultado da incorporação de juros nominais (4,9 pontos percentual), das emissões líquidas de dívida (1,3 ponto percentual), do crescimento do PIB nominal (-2,7 ponto percentual) e do efeito da valorização cambial (-0,2 ponto percentual). A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) compreende o governo federal, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e governos estaduais e municipais. A dívida líquida do setor público não financeiro ficou em 68,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em junho (R$ 9,034 trilhões). Em maio, estava em 67,9% (R$ 8,898 trilhões). De acordo com o BC, a variação mensal pode ser explicada pelo efeito altista de 0,4 ponto percentual do PIB do déficit primário e altista de 0,9 ponto percentual do PIB da apropriação nominal de juros.
VALOR ECONÔMICO
Arrecadação federal tem alta real de 7,7%puxada por petróleo
Resultado alcança R$ 264,4 bi e é o maior para o mês desde o início da série, em 1995; aumento real no semestre é de 6,6%
Impulsionada mais uma vez pelo preço elevado do petróleo, a arrecadação federal somou R$ 264,4 bilhões em junho. O número representa alta real (descontada a inflação) de 7,72% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo dados divulgados na quinta-feira (30) pela Receita Federal. Foi o maior resultado para meses de junho da série histórica, iniciada em 1995, em valores já atualizados pela inflação. No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a arrecadação atingiu R$ 1,58 trilhão, alta real de 6,63% e a maior da série para o período. Segundo o Fisco, a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) cresceu, sempre em termos reais, 20,4% em junho, ante o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 33,2 bilhões. O efeito é decorrente dos preços do petróleo. Já a cobrança do imposto de exportação sobre combustíveis respondeu por R$ 3,8 bilhões da arrecadação federal de junho. No ano, esse tributo gerou R$ 4,8 bilhões aos cofres públicos. O governo estimou arrecadação de R$ 15,6 bilhões em quatro meses com o imposto. A tributação de 12% sobre as exportações de petróleo bruto foi criada neste ano como parte do pacote de medidas para compensar a perda de receitas decorrente dos subsídios aos combustíveis. Em 9 de julho, o governo federal decidiu prorrogar por até 60 dias esse imposto, no mesmo patamar de alíquota. O economista da XP Tiago Sbardelotto espera que a recente moderação dos preços de petróleo e o crescimento mais fraco da atividade econômica reduzam o ritmo de alta da arrecadação nos próximos meses. “Vemos uma desaceleração gradual, mas mantendo a expansão das receitas acima da média histórica”, afirma. Ele avalia que uma arrecadação mais forte será essencial, mas ainda insuficiente para que o governo cumpra sua meta de resultado primário, “que dependerá de receitas adicionais com dividendos e participações na produção de petróleo”, diz. O centro da meta é de um superávit de R$ 34,3 bilhões, mas a banda de tolerância admite um déficit zero para o ano. Além disso, não entram no cálculo despesas como precatórios, o que faz com que na prática o governo federal possa ter um déficit efetivo e ainda assim cumprir a meta. Em nota, o economista Fábio Serrano, do BTG Pactual, afirma que “a arrecadação segue forte”, como fruto “da combinação entre choque do petróleo, atividade econômica resiliente (ainda que desacelerando) e medidas tributárias aprovadas nos últimos anos”. Segundo ele, os números estão em linha com o cenário de cumprimento da meta de resultado primário de 2026. Durante a entrevista coletiva para detalhar os números, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, foi questionado sobre a decisão do governo de manter a previsão de arrecadar R$ 15,24 bilhões com a retenção do Imposto de Renda (IR) sobre dividendos entre julho e dezembro. A medida gerou apenas R$ 2,2 bilhões no primeiro semestre, segundo os dados divulgados na semana passada no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas. Ele afirmou que, como não houve mudanças nos parâmetros e nas premissas que embasaram a estimativa, não havia fundamento técnico para revisar a projeção. O governo previa arrecadar R$ 28 bilhões com o IR sobre dividendos, número que já não será mais alcançado. Pela própria projeção da equipe econômica, o governo vai arrecadar no máximo R$ 17,2 bilhões. A medida foi desenhada para compensar a perda de arrecadação decorrente da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil por mês e da concessão de um desconto parcial para contribuintes com renda mensal de até R$ 7.350. Na semana passada, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, esclareceu que, mesmo com a baixa arrecadação dos dividendos no primeiro semestre, o governo está confortável em relação à meta fiscal, já que há uma margem de R$ 10,8 bilhões para o piso da meta de resultado primário.
VALOR ECONÔMICO
Emprego segue aquecido, mas em desaceleração gradual, indica Pnad
Economistas apontam uma desaceleração do ritmo de crescimento como reflexo da política monetária contracionista
Com 5,4%, o Brasil registrou a menor taxa de desemprego para um segundo trimestre da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012. Ainda assim, economistas consultados apontam uma desaceleração do ritmo de crescimento do mercado de trabalho, reflexo de que a política monetária do Banco Central, de manter juros em patamar elevado, tem chegado no resultado esperado. “O que chama a atenção na divulgação é mais uma vez a queda dos rendimentos totais”, afirma Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval. “Com isso, os rendimentos, que é uma ótica que o Banco Central espera desacelerar quando está com uma política monetária contracionista, parecem ter três meses seguidos de queda.” A renda média dos trabalhadores recuou 1,5% no segundo trimestre de 2026, ante o primeiro trimestre, para R$ 3.738. A diferença é de R$ 57 a menos. A variação, no entanto, é classificada pelo IBGE como estabilidade estatística, por estar dentro da margem de erro da pesquisa. Já a massa de rendimentos real habitualmente recebida por pessoas ocupadas (em todos os trabalhos) foi de R$ 380,3 bilhões no segundo trimestre. O número aponta recuo de 0,5% frente ao primeiro trimestre, ou R$ 1,832 bilhão a menos. A variação também foi classificada como estabilidade estatística pelo IBGE. “Essa queda recorrente dos rendimentos, somados a uma ocupação desacelerando de forma mais acentuada e com os dados do Caged também mostrando fraqueza com média móvel trimestral abaixo das 100 mil vagas, reforçam a análise e já indicam fraqueza do mercado de trabalho, movimento que era esperado diante da política monetária contracionista. Agora com mais segurança podemos dizer que o mercado de trabalho está desacelerando”, analisa Ricciardi. O emprego formal no setor privado cresceu 1% em termos anuais e seguiu amplamente estável em comparação com maio, enquanto o emprego privado sem carteira assinada aumentou apenas 0,2% em relação ao mesmo período de 2025. Neste caso, o trabalho por conta própria com CNPJ permaneceu como o principal destaque positivo, avançando 4,6% em termos anuais, embora em queda com relação às taxas mais fortes observadas no início do ano. O contingente de trabalhadores ocupados cresceu 1,1% no segundo trimestre, ante o primeiro, uma diferença de 1,081 milhão de pessoas a mais. O número de desempregados caiu 10,9%, para 5,861 milhões de pessoas. Nesse caso, foram 718 mil pessoas a menos. O dado mostra como o mercado de trabalho tem conseguido absorver tanto desempregados (aqueles que ainda procuram emprego) quanto pessoas que estavam fora da força de trabalho. O número de pessoas desalentadas (que desistiram de procurar emprego) caiu 14,7% no segundo trimestre ante o primeiro, para 2,288 milhões. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o recuo é de 17%. A taxa de desalento ficou em 2,1%, se aproximando do patamar mínimo de 1,4% da série histórica da pesquisa, iniciada em 2012. Na análise por setores, Henrique Danyi, economista do Santander, avalia que o menor crescimento no setor de Serviços, por exemplo, é uma das variáveis que indica enfraquecimento da atividade econômica, por ser um setor mais dependente do momento financeiro do país (cíclico). Apesar da desaceleração destacada pelo economista, a Pnad mostra que, entre os Serviços, Transporte (alta de 4,9% na comparação anual) e atividades relacionadas à Administração Pública (2,9%) continuaram sendo as principais contribuições positivas, enquanto Serviços Domésticos permaneceram em queda de 5%. O Comércio também seguiu em contração de 0,5%. A Agropecuária acelerou para 2,7% em termos anuais, enquanto a Construção teve alta de 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. A Indústria manteve contração, embora em ritmo um pouco menos intenso, com queda de 1,7% na comparação anual. Os economistas concordam que os números de emprego do segundo trimestre não devem afetar a decisão do Banco Central da semana que vem, na qual existe a tendência de manutenção do ciclo de cortes da taxa Selic em 0,25 ponto.
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