Ano 1 | nº 124 | 30 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Conseleite/PR divulga projeção do valor de referência do leite a ser pago em maio/26
Projeção feita pelo Conseleite Paraná para o valor de referência do leite a ser pago em maio/2026.
A diretoria do Conseleite-Paraná reunida no dia 29 de abril de 2026 na sede da FAEP na cidade de Curitiba, atendendo os dispositivos disciplinados no Capítulo II do Título II do seu Regulamento, aprova e divulga os valores de referência para a matéria-prima leite realizados em Março de 2026 e a projeção dos valores de referência para o mês de Abril de 2026, calculados por metodologia definida pelo Conseleite-Paraná, a partir dos preços médios e do mix de comercialização dos derivados lácteos praticados pelas empresas participantes.
| LEITE PADRÃO E ESCALAS DE DESCONTOS E BONIFICAÇÕES – CONSELEITE PARANÁ | |||||||
| Parâmetro | Unidade | Limites Máx. de Desconto | Leite padrão | Limites Máx. de Bonificação | |||
| Teor | % Desconto | Teor | % | Teor | % Bonificação | ||
| GORDURA | % | 3,0 | -1% | igual a 3,50 | 0% | maior que 4,25 | 5,0% |
| PROTEÍNA | % | 2,9 | -1% | igual a 3,10 | 0% | maior que 3,40 | 5,0% |
| CCS | mil/ml | maior que 600 | -2% | igual a 500 | 0% | menor que 200 | 4,0% |
| CPP | mil ufc/ml | maior que 500 | -2% | igual a 300 | 0% | menor que 100 | 4,0% |
| VOLUME | litros/dia | 0% | Menor que 300 | 0% | maior que 3.000 | 8,0% | |
| Soma | -6,0% | 0% | 26,0% | ||||
Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) em fevereiro/26 e março/26:
| Matéria-prima | Valores finais FEVEREIRO/2026 | Valores finais MARÇO/2026 | Variação (Março – Fevereiro) | |
| (Leite entregue em Fevereiro/26 a ser pago em Março/26) | (Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 2,5683 | 2,9999 | 0,4316 | 16,80% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,0384 | 2,3809 | 0,3425 | 16,80% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 1,9161 | 2,2380 | 0,3220 | 16,80% |
(*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural. Valores de referência da matéria-prima (leite) posto propriedade (*) projetados para março/26 e abril/26:
| Matéria-prima | Valores projetados MARÇO/2026 | Valores projetados ABRIL/2026 | Variação (Abril – Março) | |
| (Leite entregue em Março/26 a ser pago em Abril/26) | (Leite entregue em Abril/26 a ser pago em Maio/26) | Em valor | Em % | |
| Maior Valor de Referência (R$/litro) | 2,8371 | 3,3847 | 0,5476 | 19,30% |
| LEITE PADRÃO (R$/litro) | 2,2517 | 2,6863 | 0,4346 | 19,30% |
| Menor Valor de Referência (R$/litro) | 2,1166 | 2,5251 | 0,4086 | 19,30% |
(*) Os valores de referência da tabela são para a matéria-prima leite “posto propriedade”, o que significa que o frete não deve ser descontado do produtor rural. Os valores de referência incluem 1,5% de Funrural a serem descontados do produtor rural.
Variações nos preços de venda dos derivados pelas indústrias participantes do Conseleite PR:
| Produtos | Fev/26 p/ Mar/26 | Parc. Mar/26 p/ Parc. Abr/26 |
| UHT | 26,49% | 24,16% |
| Muçarela | 14,20% | 21,52% |
| Demais Produtos | 5,18% | 6,65% |
| Valor de Referência | 16,80% | 19,30% |
Os valores de referência indicados nesta resolução para a matéria-prima leite denominada “Leite Padrão”, se referem ao leite analisado que contém 3,50% de gordura, 3,10% de proteína, 500 mil células somáticas/ml; 300 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Os maiores valores de referência se referem ao leite analisado que contém acima de 4,25% de gordura, acima de 3,40% de proteína, abaixo de 200 mil células somáticas/ml, abaixo de 100 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário superior a 3.000 litros/dia; Os menores valores de referência se referem ao leite analisado que contém 3% de gordura, 2,9% de proteína, acima de 600 mil células somáticas/ml, acima de 500 mil ufc/ml de contagem de placas padrão e volume diário de até 300 litros/dia. Esses parâmetros são apresentados na primeira tabela dessa resolução. Para o leite pasteurizado o valor projetado para o mês de abril de 2026 é de R$ 4,4471/litro. Visando apoiar políticas de pagamento da matéria-prima leite conforme a qualidade, o Conseleite-Paraná disponibiliza um simulador para o cálculo de valores de referência para o leite analisado em função de seus teores de gordura, proteína, contagem de células somáticas e contagem bacteriana. O simulador está disponível no seguinte endereço: https://www.sistemafaep.org.br/conseleite-parana/ SISTEMA FAEP/CONSELEITE PR
TECNOLOGIA
O segredo da ordenha robotizada está no caminho das vacas
A ordenha robotizada proporciona maior autonomia às vacas contribuindo para uma rotina mais natural. as últimas décadas, a produção leiteira tem passado por transformações importantes, impulsionadas pela adoção de tecnologias e pela busca por maior eficiência, sustentabilidade e melhores condições de trabalho.
Nesse cenário, os sistemas de ordenha automatizada (Automatic Milking Systems – AMS) vêm ganhando espaço nas fazendas leiteiras, ao modificar de forma significativa o manejo do rebanho e a rotina de ordenha. Com a expansão desses sistemas, estudos têm avaliado seus impactos na produção e qualidade do leite, no comportamento animal, na saúde e bem-estar das vacas e na eficiência operacional, especialmente no uso de mão de obra. Além disso, a ordenha robotizada proporciona maior autonomia às vacas, permitindo que escolham quando se alimentar, descansar e ir à ordenha, o que contribui para uma rotina mais natural. Pesquisas indicam que a adoção da ordenha robotizada pode resultar em aumento na produção de leite. Propriedades que migraram de sistemas convencionais para o AMS relatam incrementos produtivos entre 2% e 12%, especialmente quando as vacas passam a ser ordenhadas mais de duas vezes ao dia. Também são observados ganhos relacionados à redução da necessidade de mão de obra, maior liberdade comportamental dos animais e melhoria na qualidade de vida dos produtores. Dentro dos sistemas robotizados, um dos principais pontos de atenção está na forma como o fluxo de vacas é organizado na propriedade. Esse fluxo pode seguir diferentes estratégias, sendo as mais comuns o fluxo livre e o fluxo guiado, modelos que impactam diretamente o comportamento dos animais e a eficiência do sistema. No fluxo livre, as vacas têm acesso irrestrito ao robô de ordenha, à área de descanso e ao cocho. Durante a ordenha, recebem concentrado, o que reforça a associação positiva com o processo e estimula visitas voluntárias ao robô. Esse modelo prioriza o conforto e a autonomia, permitindo que os animais se movimentem de forma mais natural, sem a necessidade de estruturas que direcionem seu deslocamento. Nesse sistema, o número de ordenhas é regulado principalmente por parâmetros definidos no software, respeitando os intervalos adequados para cada animal. Já nos sistemas de fluxo guiado, a movimentação das vacas é organizada por meio de portões de seleção, que direcionam o acesso às diferentes áreas da instalação. Um dos modelos mais utilizados é o “feed first” (alimentação primeiro), no qual as vacas acessam livremente o cocho, mas precisam passar por um portão de seleção para retornar à área de descanso, sendo encaminhadas à ordenha apenas quando autorizadas pelo sistema. Outro modelo é o “milk first” (ordenha primeiro), em que as vacas precisam passar pela seleção antes de acessar a alimentação. Nesse caso, aquelas que estão aptas são direcionadas ao robô e, após a ordenha, seguem para o cocho e, posteriormente, retornam à área de descanso. Estudos mostram que o tipo de fluxo influencia diretamente o comportamento das vacas. Em sistemas guiados, pode haver maior interferência na dinâmica social do rebanho, enquanto no fluxo livre observa-se maior ingestão de matéria seca, maior tempo de ruminação e menor formação de filas próximas ao robô. Esse padrão também impacta o comportamento alimentar: vacas em fluxo livre tendem a realizar mais refeições ao longo do dia, porém em menores quantidades, um comportamento já observado em estudos comparativos entre diferentes sistemas de tráfego, o que favorece a saúde ruminal e uma digestão mais estável. A literatura também descreve ganhos produtivos associados ao fluxo livre, como aumento na produção diária de leite, maior número de ordenhas por dia e melhor aproveitamento do sistema robotizado. Independentemente do modelo adotado, o objetivo deve ser sempre o bem-estar animal. Vacas confortáveis e saudáveis expressam melhor seu potencial produtivo, resultando em maior produção e qualidade do leite. Mesmo em sistemas de fluxo livre, o controle de acesso ao robô continua sendo essencial para garantir intervalos adequados entre ordenhas e preservar a saúde da glândula mamária. Embora o aumento da frequência de ordenhas esteja associado à maior produção, é fundamental respeitar os limites fisiológicos dos animais. Um sistema de ordenha automatizada bem ajustado, aliado a manejo criterioso, permite equilibrar produtividade, saúde e sustentabilidade. Quando esses fatores caminham juntos, o resultado é um rebanho mais eficiente, sem renunciar ao conforto e ao bem-estar das vacas. GLOBO RURAL
GOVERNO
Anater/MDA lança programa de ATER Mais Leite Brasil com investimento de R$ 28,5 milhões
Com investimento de R$ 28,5 milhões, o programa atenderá 4.050 famílias em todo o país, distribuídas em 27 lotes – um em cada unidade da federação. Cada lote contempla 150 famílias, que receberão assistência técnica por um período de 18 meses, em atividades individuais e coletivas.
O Governo Federal lançou, na segunda-feira, 27 de abril, o programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), Mais Leite Brasil, voltado à qualificação da gestão e à sustentabilidade da cadeia produtiva do leite na agricultura familiar. A iniciativa é coordenada pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O anúncio foi feito pela ministra Fernanda Machiaveli, (MDA), juntamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin e a presidenta da Anater, Loroana Santana, em Andradina (SP). Com investimento de R$ 28,5 milhões, o programa atenderá 4.050 famílias em todo o país, distribuídas em 27 lotes — um em cada unidade da federação. Cada lote contempla 150 famílias, que receberão assistência técnica por um período de 18 meses, em atividades individuais e coletivas. Os recursos variam conforme a região: R$ 1,178 milhão por lote na Região Norte; R$ 1,034 milhão nas regiões Nordeste e Centro-Oeste; e R$ 990,5 mil nas regiões Sudeste e Sul. O público inclui grupos prioritários, como povos e comunidades tradicionais, assentados e assentadas da reforma agrária, pescadores artesanais e beneficiários do crédito fundiário, com foco na inclusão produtiva e no fortalecimento de organizações coletivas. Segundo a presidenta da Anater, Loroana Santana, o programa Mais Leite Brasil busca enfrentar gargalos da Produção leiteira, com foco no aumento da produtividade, na redução de custos e na melhoria da qualidade do leite. “A atuação da Anater, ao levar assistência técnica a essas famílias, permitirá maior estabilidade produtiva ao longo do ano, especialmente em regiões com forte sazonalidade, além de apoiar a adoção de tecnologias apropriadas à realidade da agricultura familiar”, afirmou. O edital com as normas do programa foi publicado na segunda-feira (27), no Diário Oficial da União e no site da Anater. O prazo para que as entidades credenciadas apresentem suas propostas, por meio do Sistema de Gestão de ATER no site da Agência, terá início no dia 11 de maio. A iniciativa está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural para a Agricultura Familiar e Reforma Agrária (Pnater) e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento rural sustentável. ANATER
INTERNACIONAL
Produtores de leite argentinos recebem os preços mais baixos do mundo, apontam especialistas
Na Argentina, nos últimos meses, observa-se uma perda sustentada de valor do litro de leite em moeda constante, segundo destacam os especialistas. Os aumentos de preço recebidos pelo produtor de leite estão muito distantes da taxa de inflação geral. Isso é consequência do aumento da produção interna verificado em 2025 e da alta produção mundial registrada há vários anos.
Assim, o preço do leite recebido pelos produtores argentinos é o mais baixo, tanto em comparação com os países vizinhos quanto com os principais produtores e exportadores mundiais. Por exemplo, em dezembro de 2025, o preço na fazenda ficou em US$ 0,32 por litro, frente aos US$ 0,42 do Uruguai, US$ 0,36 do Brasil, US$ 0,58 da União Europeia, US$ 0,41 dos Estados Unidos, US$ 0,39 da Nova Zelândia e US$ 0,43 da China, segundo cálculos do consultor Mauro Gorgerino. Outra forma de evidenciar a deterioração do preço recebido pelos produtores é observar sua evolução em termos reais. Em janeiro de 2026, o valor de 478 pesos argentinos (US$ 0,45) por litro ficou 19% abaixo dos 588 pesos argentinos (US$ 0,55) constantes de janeiro de 2025 e dos 596 pesos argentinos (US$ 0,56) de janeiro de 2024. Esse comportamento é resultado do baixo reajuste registrado durante 2025, período em que o preço do leite aumentou apenas 7,7%, frente a um Índice de Preços ao Consumidor de 32,4%. Em contraste, outros custos relevantes do sistema produtivo leiteiro registraram aumentos significativamente superior durante 2025: a implantação de pastagem com alfafa aumentou 29,8%; a ração concentrada, 39%; o milho, 35,3%; e a soja, 65,5%. Como consequência, a relação leite/milho foi muito desfavorável para o produtor. Em janeiro de 2026, com um litro de leite era possível comprar 1,72 kg de milho, frente a uma média histórica de 2 kg. A relação de compra do leite em relação à soja também se deteriorou; em janeiro de 2026, um litro de leite permitia comprar 900 gramas de soja, frente a uma média histórica entre 1,1 e 1,2 kg. Situações semelhantes são observadas em outros insumos: o poder de compra da ração concentrada caiu 22,8% na comparação anual. O único fator favorável durante o último ano foi o aumento do valor da vaca de descarte, cujo preço cresceu 41,4% em relação ao ano anterior. Como resultado do cenário anterior, após três trimestres de 2025 com rentabilidade positiva — que tiveram média de 4% — no último trimestre ela despencou e se tornou negativa em uma fazenda leiteira média, segundo dados de Gorgerino. Esse valor contrasta com a média histórica da série (1,8%) e com seu máximo registrado (8,4%). A crise enfrentada pelos produtores também está sendo sentida pela indústria. De fato, a variação anual de janeiro de 2026 em relação a janeiro de 2025 mostrou um aumento de 16,9% no preço dos produtos lácteos, frente a uma inflação de alimentos e bebidas de 29,3%. Por essa razão, a capacidade da indústria de melhorar o preço pago ao produtor é bastante limitada. Em dezembro de 2025, os produtores receberam 476 pesos argentinos (US$ 0,45) por litro de leite, enquanto a indústria conseguia pagar 492 pesos argentinos (US$ 0,46) por litro. Ambos os valores ficaram abaixo do custo de produção da fazenda leiteira, estimado em 563 pesos argentinos (US$ 0,53) por litro. La NaciÓn/MilkPoint
ECONOMIA
Dólar fecha em leve alta no Brasil em linha com exterior
O dólar fechou a quarta-feira em alta no Brasil, voltando ao patamar de R$5,00, com o real acompanhando o desempenho fraco de divisas pares em meio ao fortalecimento da moeda norte-americana e do petróleo no exterior, em um dia marcado por decisões de juros nos Estados Unidos e no Brasil.
O dólar à vista fechou em alta de 0,39%, aos R$5,0021. Às 17h23, o dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,65% na B3, aos R$5,0090. No exterior, o dólar operou com força, com o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,38%, a 98,966. Nesse contexto, a divisa também registrou ganhos contra pares do real, como o peso chileno e o peso mexicano. O fortalecimento do dólar se deu em meio ao avanço do petróleo, com os contratos do Brent fechando em alta de 6,08%, a US$118,03 por barril, depois que o Wall Street Journal citou autoridades dos EUA dizendo que o presidente dos EUA, Donald Trump, instruiu assessores a se prepararem para um bloqueio prolongado do Irã. Ainda no exterior, o foco também se voltou para a decisão de juros do Federal Reserve, que manteve as taxas de juros estáveis, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como esperado pelo mercado, citando a inflação elevada em seu comunicado. Para os economistas do Bank of America, a principal mudança no comunicado do BC divulgado ao fim da reunião de quarta-feira deve ser “uma caracterização menos favorável da dinâmica da inflação e das expectativas, que se distanciaram ainda mais da meta”. “Com o horizonte de política monetária relevante passando para o 4º trimestre de 2027, o Copom deve manter a porta aberta para novos cortes graduais, dependendo dos dados que forem divulgados e da contenção dos efeitos de segunda ordem”, disse o banco em relatório. A agenda doméstica também contou com os dados de emprego do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que mostraram que o Brasil abriu 228.208 vagas formais de trabalho em março, bem acima do esperado por economistas. Pela manhã, também foi divulgado que os preços ao produtor no Brasil subiram 2,37% em março. REUTERS
Ibovespa cai 2% e reverte alta no mês em dia com foco em juros, balanços e petróleo
A quarta-feira foi de forte correção negativa na bolsa paulista, com o Ibovespa fechando abaixo dos 185 mil pontos e revertendo os ganhos de abril.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,05%, a 184.750,42 pontos, no sexto pregão seguido de baixa e agora acumulando um declínio de 1,45% em abril. No ano, ainda sobe 14,66%. Na mínima da sessão, o índice chegou a 184.504,18 pontos. Na máxima, marcou 188.709,96 pontos. O volume financeiro na bolsa somou R$28,94 bilhões. “O pregão de hoje foi marcado por cautela global”, afirmou a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, destacando que o Ibovespa foi pressionado por movimentos de realização de lucros após a recente corrida em direção aos 200 mil pontos. A disparada dos preços do petróleo no exterior, em meio a receios envolvendo a situação no Oriente Médio, apoiou a alta das ações da Petrobras, mas minou o apetite a risco, acentuando preocupações com a inflação e o crescimento global. O Federal Reserve manteve a taxa de juros na faixa atual de 3,50% a 3,75%, em sua decisão mais dividida desde 1992, e destacou que os desdobramentos da guerra no Oriente Médio estão contribuindo para um alto nível de incerteza sobre as perspectivas econômicas. De fato, o cenário geopolítico continua ditando o rumo dos mercados, mas resultados corporativos no Brasil também ocuparam as atenções, com investidores repercutindo os balanços e perspectivas de empresas como Vale, WEG e Santander Brasil. Dados da B3 continuam a mostrar saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$8,2 bilhões até o dia 27, mas até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita de 200 mil em meados do mês. REUTERS
Governo registra pior déficit primário para março em quase 30 anos com pagamento de precatórios
Rombo de R$ 73,78 bi superou projeção do mercado. Déficit acumulado em 12 meses alcança R$ 136,5 bilhões, equivalente a 1,03% do PIB
O governo central registrou um déficit primário de R$ 73,783 bilhões em março deste ano, informou o Tesouro Nacional na quarta-feira (29). O resultado, o pior para o mês da série histórica iniciada em 1997, teve impacto de uma antecipação em pagamentos de precatórios, segundo o governo. O rombo fiscal de março foi maior que o projetado pelo mercado. Economistas consultados pela agência Reuters esperavam que o dado, que compreende as contas de Tesouro, Banco Central e Previdência Social, seria deficitário em R$ 71,627 bilhões no mês passado. No mesmo mês de 2025, houve superávit de R$ 1,527 bilhão. O desempenho do mês passado é resultado de receitas líquidas —que excluem transferências para governos regionais— de R$ 196,098 bilhões, um aumento real de 7,5% frente ao mesmo período de 2025, e despesas totais de R$ 269,881 bilhões, alta real de 49,2%. De acordo com o Tesouro, a disparada nas despesas foi impulsionada pelo cronograma de pagamentos de precatórios, que neste ano concentrou desembolsos em março, contra pagamentos principalmente em julho no ano passado. Esse efeito de calendário, segundo a secretaria, levou a um pagamento adicional de R$ 34,9 bilhões em sentenças judiciais, R$ 28,6 bilhões em benefícios previdenciários e R$ 11,3 bilhões em gastos com pessoal. Do lado das receitas, houve aumento de 6,2% na coleta de tributos administrados pela Receita e alta de 5,9% na arrecadação líquida da Previdência. No acumulado em 12 meses, o governo central registrou um déficit de R$ 136,5 bilhões, ou 1,03% do PIB (Produto Interno Bruto). REUTERS
Guerra faz IGP-M de 2,73% em abril ser o maior desde maio de 2021
Os efeitos da guerra no Oriente Médio foram sentidos diretamente no bolso dos consumidores e dos produtores brasileiros e fizeram o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação do aluguel”, fechar abril em 2,73%, o maior patamar mensal desde maio de 2021 (4,10%).
No mês anterior, março, o IGP-M tinha marcado 0,52%. Em abril de 2025 era 0,24%. No acumulado de 12 meses, o indicador soma 0,61%, interrompendo a sequência de cinco meses seguidos de deflação, ou seja, inflação negativa. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). O economista do Ibre Matheus Dias ressalta que “todos os índices registraram influências diretas do conflito geopolítico na região do Estreito de Ormuz”. “Nos preços ao produtor, o grupo de matérias-primas brutas avançou quase 6%, em decorrência do choque provocado pela guerra. Além disso, observam-se repasses mais relevantes em produtos da cadeia petroquímica, como sacos ou sacolas plásticas para embalagem, itens de grande importância no varejo”. Dias destaca que os preços ao consumidor “refletem de forma significativa o impacto dos combustíveis”. “Com destaque para a gasolina, que subiu, em média, 6,3% em abril, e para o diesel, cuja alta foi de 14,9%”. A inflação dos combustíveis, além de afetar o custo do transporte, também se espalha por outros componentes da economia, como os alimentos, por causa da alta do frete, por exemplo. O óleo diesel é o principal combustível utilizado pelos caminhões. O governo brasileiro tem tomado medidas para conter a escalada dos derivados de petróleo, com medidas como a isenção de cobrança de impostos e subsídio a produtores e importadores. A FGV leva em conta três componentes para apurar o IGP-M. O de maior peso é o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e responde por 60% do IGP-M cheio. Em abril, o IPA apresentou alta de 3,49%, a maior desde maio de 2021 (5,23%). Outro componente do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que responde por 30% do indicador. Em abril, o IPC subiu 0,94%. Veja quais foram as maiores pressões de alta nos preços às famílias em abril: – Gasolina: 6,29%. Leite tipo longa vida: 9,20%. Tomate: 13,44%. Óleo diesel: 14,93%. Tarifa de eletricidade residencial: 0,80%. O grupo transporte, que reflete diretamente a alta dos combustíveis, viu expansão média de preços de 2,26%. O terceiro componente medido pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que subiu 1,04% no mês. O IGP-M é conhecido como inflação do aluguel porque o acumulado de 12 meses costuma ser base para cálculo de reajuste anual de contratos imobiliários. Além disso, o indexador é utilizado para reajustar algumas tarifas públicas e serviços essenciais. Agência Brasil
Preços ao produtor no Brasil voltam a subir sob impacto de guerra no Oriente Médio
Os preços ao produtor no Brasil subiram 2,37% em março, abandonando a queda de 0,16% de fevereiro, impulsionados pelo maior aumento em cerca de cinco anos dos preços da indústria extrativa, e sob o impacto do conflito no Oriente Médio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quarta-feira.
No acumulado em 12 meses, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ainda registra queda, de 1,54%, mas essa é a menor taxa de deflação desde setembro de 2025. “Essa alta pode ser explicada, em grande parte, pelo contexto de maior instabilidade no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, cujos conflitos tiveram início no final de fevereiro, mas que se intensificaram durante o mês de março e fizeram com que preços mais altos fossem observados em 18 dos 24 setores analisados na pesquisa”, disse Murilo Alvim, gerente do IPP, em nota. A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem elevando os preços do petróleo diante do fechamento do Estreito de Ormuz e provocando repercussões mundiais nos preços, sem perspectiva de resolução em breve. O Banco Central anuncia sua decisão de política monetária nesta quarta-feira, com expectativa de corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros Selic, atualmente em 14,75%, depois de pregar cautela diante do conflito. Em março, a indústria extrativa apresentou alta de 18,65% nos preços, a maior desde fevereiro de 2021, e foi responsável por 0,81 ponto percentual do resultado geral do IPP. “Essa alta foi puxada, principalmente, pelos maiores preços dos óleos brutos de petróleo, já que as tensões geopolíticas têm impactado a oferta global da commodity, que também está com seu escoamento dificultado pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz”, disse Alvim. O IBGE também destacou os avanços dos preços de outros produtos químicos (5,03%), refino de petróleo e biocombustíveis (4,24%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (2,50%). Já o setor de alimentos registrou aumento de 1,90% nos preços, após 10 resultados negativos consecutivos, marcando a leitura mais elevada desde novembro de 2024 (2,18%). “Essa variação foi puxada principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico teve um aumento de 9,66% no mês em um cenário de menor oferta de leite in natura no mercado, combinado com um custo de produção que vem se mantendo em patamares elevados. Além dos laticínios, vale mencionar os preços das carnes e dos açúcares”, disse o gerente do IBGE. O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Reuters
Brasil abre 228 mil vagas formais em março, segundo Caged
No mês, foram 2,5 milhões de contratações e 2,2 milhões de desligamentos. O resultado ficou acima do esperado. Pesquisa da agência Reuters com economistas apontava expectativa de criação líquida de 150 mil vagas.
O Brasil gerou 228,2 mil vagas de trabalho formal em março, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados na quarta-feira (29) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). O número representa um aumento na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando houve apenas 79 mil postos criados. O resultado veio acima do esperado: pesquisa da agência Reuters com economista apontava expectativa de criação líquida de 150 mil vagas. Em março, o país teve 2,5 milhões de contratações e 2,2 milhões de desligamentos. No acumulado dos últimos 12 meses, o saldo é de 1,1 milhão de empregos formais criados, que totalizam 49 milhões de vínculos. Esse saldo representa uma queda na comparação com o mesmo período do ano passado, entre abril de 2024 e março de 2025, quando o acumulado era 34,3% maior, com 1,6 milhão de novos postos de trabalho. O resultado para março também está um pouco abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Entre janeiro e março de 2025, o acumulado foi de 675 mil empregos formais criados, enquanto, no mesmo período deste ano, o número foi de 613 mil. O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com 152 mil postos formais, seguido pelo setor de construção, com mais 38,3 mil, e indústria, com 28,3 mil. No setor de serviços, houve alta no segmento de atividades administrativas, com mais 38,7 mil postos, seguido pelo de saúde humana e serviços sociais, que teve aumento de 22,3 mil. Dentre os setores, a agropecuária foi o único que registrou saldo negativo, com menos 18 mil postos formais de trabalho. Segundo o MTE, a queda maior foi para os cultivos de maçã, soja e laranja. Por estado, as maiores altas foram no Acre (AC), onde houve aumento de 0,92% no total de empregos formais, seguido por Roraima (RR), com 0,88%, e Piauí (PI), com 0,86%. Já os menores saldos foram em Alagoas, com queda de 1,10%, Mato Grosso, com redução de 0,17% e Sergipe, com menos 0,09%. No acumulado de janeiro a março, foi o setor de comércio que registrou saldo negativo, com menos 19 mil postos formais no período –puxado pela queda no comércio de vestuário e de calçados. Neste período, as maiores variações foram para Goiás, com aumento de 2,33% no total de postos formais, seguido pelo Mato Grosso, com alta de 2,27%, e de Santa Catarina, com 2,26%. Alagoas teve a maior queda também no acumulado, com menos 2,23% de postos formais. FOLHA DE SP
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