Ano 1 | nº 114 | 15 de abril de 2026
NOTÍCIAS
Preço do leite dispara no Brasil com queda na produção
Depois de ficar mais barato em 2025, o preço do leite e seus derivados não para de subir no Brasil em 2026. O principal motivo é a queda da produção e o aumento dos custos para cuidar do rebanho.
O leite longa vida ficou 11,7% mais caro em março. Depois de cair 5,6% em janeiro, o leite longa vida ficou 1,2% mais caro em fevereiro e 11,7% em março, encarecendo o grupo alimentação do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Iogurte (+1,58%), queijo (+1,95%) e leite em pó (+0,85%) também aumentaram de preço no mês passado. O principal motivo foi a queda de 3,6% na produção de leite em janeiro e fevereiro. Estados como Minas Gerais, Paraná e Goiás foram os mais afetados por esse recuo, segundo o Índice de Captação de Leite, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da USP. O dado de março ainda não foi calculado. Com menos leite no mercado, a indústria paga mais caro. Ela desembolsou 5,43% a mais para comprar leite do produtor em fevereiro, repassando essa diferença para as prateleiras no mês seguinte. Além disso, produzir leite tem ficado mais caro. Em janeiro, o Custo Operacional Efetivo da pecuária leiteira subiu 1,32% em média. Em fevereiro, o reajuste foi de 0,32%, ainda segundo o Cepea. O litro de leite custou R$ 2,14 no Brasil naquele mês (o dado mais recente), diz o centro. O Cepea também citou o aumento dos custos para cuidar do gado. “O clima nesta época do ano tende a influenciar negativamente a oferta de pastagem e elevar o custo com a nutrição animal”, diz em nota técnica. Em abril, o leite deve encarecer porque a guerra no Irã vem aumentando o preço do combustível. O diesel subiu 13,9% e a gasolina, 4,59% em março (o equivalente a 26% do IPCA), o que deve encarecer o frete este mês. A expectativa do centro de estudos é que o preço do leite continue subindo. O Cepea afirma que a redução da oferta e a procura dos consumidores reforçam a perspectiva de que a valorização persista no campo. O setor defende que a alta em 2026 é apenas uma recuperação de preços. “Principalmente do leite UHT [de caixinha], que alcançou um dos menores valores nos últimos anos”, diz Mariana Simões, analista de agronegócios da Faemg (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais). “Mas os preços do leite pago ao produtor ainda estão abaixo da média histórica para a atividade mesmo com as recentes altas.” O litro do leite ficou 12,87% mais barato em 2025. Os preços caíram no Brasil em razão da produção recorde (alta de 8,1% em relação a 2024) e da entrada de 2,1 bilhões de litros importados do Mercosul. Como o consumo não acompanhou o ritmo, o preço do leite caiu. O produtor nacional reclama da concorrência com o Mercosul. Enquanto exportou US$ 24 milhões em leite entre janeiro e março, o Brasil importou US$ 200 milhões, principalmente da Argentina e do Uruguai, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. “Passamos de uma importação média de 2% a 4% da nossa produção de leite para 8% a 10%”, diz Simões.
UOL ECONOMIA
PF faz operação contra esquema de contrabando de leite em pó da Argentina; mandados foram cumpridos em SC e no PR
Ações foram realizadas em Tubarão, no Sul Catarinense, além de Cascavel e Barracão, no Paraná.
A Polícia Federal realizou, na terça-feira (14), a Operação Consumo Seguro para investigar um esquema de contrabando de leite em pó de origem estrangeira. A ação incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades de Santa Catarina e do Paraná. As diligências ocorreram em Tubarão, no Sul catarinense, e nos municípios de Cascavel e Barracão, no Paraná. A cidade de Barracão faz divisa com Dionísio Cerqueira, no extremo oeste de Santa Catarina, onde há uma unidade da Polícia Federal. De acordo com as investigações, o grupo suspeito importava clandestinamente leite em pó da Argentina e fazia a reembalagem do produto com marcas de empresas brasileiras para comercialização no país. Segundo a PF, o esquema envolvia a atuação de uma organização criminosa estruturada para introduzir o produto irregular no país e mascarar a origem. As apurações apontam que o leite em pó era inserido em embalagens com marcas nacionais, o que poderia induzir consumidores ao erro quanto à procedência do produto. Os envolvidos poderão responder pelos crimes de organização criminosa e contrabando.
AJ NOTÍCIAS
Touros da raça canchim terão selo para aprimorar cruzamento com vacas leiteiras
A canchim é a segunda raça bovina a receber o selo Beef on Dairy (carne no leite) no Brasil, depois da angus. A certificação, denominada “Canchim on Dairy”, identifica touros da raça aptos a serem utilizados no cruzamento com vacas leiteiras, mestiças e girolandas, garantindo qualidade aos bezerros.
A estratégia é usar sêmen de touros de corte para obter animais com valor comercial mais alto para a produção de carne. De acordo com a pesquisadora Cintia Righetti Marcondes, da Embrapa Pecuária Sudeste, é uma oportunidade para produtores de leite ampliarem a renda, agregando valor aos bezerros (machos e fêmeas) excedentes que, em sistemas puramente leiteiros, costumam ter baixo valor de mercado. “O objetivo é atender o produtor que deseja uma segunda fonte de faturamento, vendendo esses animais para corte. O canchim é uma raça terminal que, ao ser cruzada com vacas mestiças, traz melhor qualidade de carcaça, mais peso ao desmame e ao sobreano (novilho com mais de um ano). Além disso, é uma alternativa que agrega bem-estar animal, evitando o descarte de machos recém-nascidos, que passam a ser recriados e destinados ao abate”, explica Cintia. Segundo o chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, o selo para a raça canchim representa um avanço importante para a identificação dos reprodutores mais adequados ao cruzamento com vacas leiteiras, já que será possível identificar de forma objetiva esses reprodutores, que podem ser direcionados às centrais de inseminação e ganhar destaque em leilões voltados a esse mercado. Como obter o selo? Para um touro receber o selo Canchim on Dairy é preciso que atenda a critérios técnicos baseados em avaliações genéticas para garantir o desempenho e a segurança do cruzamento. A base vem das avaliações do Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo). Quando a análise é rodada, são estabelecidos critérios restritivos, e o resultado indica se o touro pode ou não receber o selo para uso em vacas de leite. “Os requisitos, além do peso ao nascimento (que deve estar entre os 40% melhores), incluem o ranking de ganho de peso do nascimento ao desmame e pós-desmame, onde selecionamos os 50% melhores animais. Na conformação, escolhemos os 30% melhores; no tamanho (frame), buscamos o intervalo entre 30% e 50% para evitar animais excessivamente pequenos ou grandes; e na área de olho de lombo, os 40% superiores”, detalha Cintia Marcondes. O touro que atingir os critérios estabelecidos terá o selo no certificado de avaliação genética, que funciona como um guia para o produtor de leite e para as centrais de coleta e processamento de sêmen, com a identificação e comercialização de animais com características desejadas. Essa chancela vai trazer vários benefícios, como reduzir o risco de partos difíceis, um fator crítico para a saúde da vaca leiteira; aumentar o valor de venda dos bezerros, criando um produto diferenciado; e melhorar a sustentabilidade do sistema, com a produção de carne com menor pegada ambiental por quilo produzido. A iniciativa do Canchim on Dairy foi liderada pela Embrapa e os parceiros da Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCCAN), Associação Nacional de Criadores “Herdbook Collares” (ANC) e o Programa de Melhoramento de Bovinos de Carne (Promebo).
GLOBO RURAL
EMPRESAS
Tirol aposta em saudabilidade e lança linha Viva Zero com 11 produtos na ExpoApras
O principal destaque da marca catarinense é o lançamento da linha Viva Zero, composta por 11 produtos desenvolvidos sem adição de açúcar, zero gordura e sem lactose, posicionando a empresa de forma estratégica em um dos segmentos que mais crescem no varejo alimentar.
A Tiropl chega à ExpoApras, que ocorrerá em Curitiba/PR entre 14 e 16 de abril, com foco em uma das principais demandas do varejo e do consumidor: saudabilidade. O principal destaque da marca catarinense é o lançamento da linha Viva Zero, composta por 11 produtos desenvolvidos sem adição de açúcar, zero gordura e sem lactose, posicionando a empresa de forma estratégica em um dos segmentos que mais crescem no varejo alimentar. Segundo o gerente de marketing da Tirol, Rodnei Guariza, a novidade reforça o movimento da Tirol de ampliar seu portfólio com soluções alinhadas a um consumidor mais atento a saúde, à composição dos alimentos e à praticidade no dia a dia. “A linha Viva Zero chega em diferentes formatos e sabores, ampliando as possibilidades de consumo e abrindo novas oportunidades de exposição e rentabilidade para o varejo”, afirma. Além da Viva Zero, a empresa também apresenta evoluções na linha Biociclos, com produtos voltados aos públicos sênior, adultos e infantil, todos com propostas funcionais e de saudabilidade. A marca ainda avança em projetos de iogurtes e fermentados com embalagens mais práticas e modernas, além de seguir investindo na atualização visual de linhas já consolidadas, como a Linha Shrek. A Tirol utiliza a feira como plataforma para fortalecer o relacionamento com o varejo e apresentar, na prática, a evolução de seu portfólio. “Mais do que resgatar sua trajetória, iniciada em 1974, em Treze Tílias (SC), com forte ligação à cultura leiteira da região, a empresa destaca sua capacidade de adaptação às transformações do mercado e às novas ocasiões de consumo”, acrescenta Guariza.
Imprensa Tirol/MILKPOINT
NACIONAL
Girolando avança em MS ao transformar rusticidade e produção em vantagem no leite
O Girolando ocupa um espaço estratégico justamente por unir duas características que, durante muito tempo, pareceram difíceis de equilibrar na mesma matriz produtiva, envolvendo a rusticidade e alta produtividade
O grande trunfo do Girolando, hoje, está em entregar aquilo que a pecuária leiteira mais procura no campo brasileiro, que é produção com adaptação. Esse foi o principal ponto destacado pelo presidente do Núcleo Girolando MS da Acrissul, Alessandro Coelho, ao comentar a importância da raça para Mato Grosso do Sul e o significado do julgamento realizado na segunda-feira, 13 de abril. Em regiões de clima tropical, como grande parte de MS, não basta ter um animal capaz de produzir muito leite. É preciso, antes de tudo, que ele consiga responder bem ao ambiente, ao manejo e às exigências do sistema produtivo. E é exatamente nesse ponto que o Girolando se destaca. A raça, desenvolvida no Brasil, responde por cerca de 80% do leite produzido no país, segundo dados citados pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando com base na Embrapa. A própria associação define o Girolando como uma raça marcada por alta produtividade, rusticidade, precocidade, longevidade, fertilidade e adaptação a diferentes condições de clima e manejo. Ao explicar essa diferença em relação a outras raças leiteiras, Alessandro foi direto ao ponto. “O principal fator é unir a rusticidade com a produtividade. Então ela fica no melhor dos mundos dentro do clima tropical. Ela consegue ser produtiva, ser rústica”, afirmou. Segundo o presidente do Núcleo Girolando MS, essa capacidade vem da própria formação genética da raça. O Girolando nasce do cruzamento entre o gir e o holandês. Cada uma oferece uma qualidade essencial para o resultado. “É diferente, por exemplo, que é uma cruza do gir com o holandês. O holandês extremamente produtivo, o gir extremamente rústico. Quando você junta essas duas raças, ele dá origem ao girolando”, explicou. Em outras palavras, o que o produtor encontra no Girolando é uma síntese entre volume de produção e adaptação ao ambiente. Alessandro também chamou atenção para os diferentes graus de sangue trabalhados no melhoramento genético. Para ele, esse é um ponto decisivo para garantir estabilidade nas características desejadas. “Você tem uns graus de sangue dentro do Girolando, é onde eles são trabalhados. Você chega nos cinco oitavos, que você consegue fazer uma cruza o 5/8 com o 5/8 e continua dando um padrão eficiente de produção com muita produção e muita rusticidade”, disse. Esse padrão racial, aliás, é um dos marcos do desenvolvimento da raça no país. A Associação Brasileira dos Criadores de Girolando destaca que a composição 5/8 Holandês + 3/8 Gir representa a fixação do padrão racial do Girolando reconhecido oficialmente no Brasil. A entidade também reforça que a raça foi desenvolvida em território nacional e se consolidou como uma solução adaptada à pecuária tropical.
A CRÍTICA
ECONOMIA
Dólar à vista recua, bem perto da estabilidade, com exterior no radar
Ainda que não haja sinais de um desfecho sobre a crise geopolítica no Oriente Médio, os investidores globais seguiram otimistas com conversas entre Irã e Estados Unidos
O dólar à vista exibiu leve desvalorização frente ao real no pregão da terça-feira, em um movimento bem perto da estabilidade. A dinâmica de ontem deu continuidade à de queda global da moeda americana das últimas sessões, com o dólar indo à quinta sessão seguida de depreciação e atingindo o menor patamar desde março de 2024, em nova mínima em mais de dois anos. Ainda que não haja sinais de um desfecho sobre a crise geopolítica no Oriente Médio, os investidores globais seguiram otimistas com conversas entre Irã e Estados Unidos para um cessar-fogo. Encerradas as negociações, o dólar à vista fechou negociado em queda de 0,07%, cotado a R$ 4,9934, depois de ter encostado na mínima de R$ 4,9716 e batido na máxima de R$ 4,9955. Já o euro comercial avançou 0,20%, a R$ 5,8881. Perto das 17h10, no mercado externo, o dólar recuava 0,98% ante o peso chileno, 0,25% ante o rand sul-africano e 0,19% contra o peso mexicano. Já o índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis pares desenvolvidos, caía 0,25%, aos 98,116 pontos.
VALOR ECONÔMICO
Ibovespa bate novo recorde com fluxo estrangeiro e otimismo sobre acordo entre EUA e Irã
Índice chegou a tocar o patamar inédito dos 199.355 pontos na máxima intradiária, mas perdeu força ao longo do dia devido ao recuo expressivo das ações da Petrobras
À espera de que haja uma solução diplomática para a guerra no Oriente Médio, os ativos de risco estenderam os ganhos na terça-feira, o que beneficiou a bolsa local. Com o apoio dos bons ventos do fluxo de investidores estrangeiros, o Ibovespa chegou a tocar o patamar inédito dos 199.355 pontos na máxima intradiária, mas perdeu força ao longo do dia devido ao recuo expressivo das ações da Petrobras. Ainda assim, o índice foi capaz de marcar novo recorde de fechamento nominal, aos 198.657 pontos, com alta de 0,33%. Declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que as negociações com o Irã “podem acontecer nos próximos dois dias” ajudaram a sustentar o otimismo entre os investidores, o que levou a uma queda expressiva nos preços de petróleo, que fecharam abaixo dos US$ 95 o barril. O recuo nos preços da commodity penalizou as ações da Petrobras. No fim, as PN da estatal recuaram 3,82%, enquanto as ON cederam 4,44%, o que pode indicar que houve venda do papel por parte de investidores estrangeiros. O desempenho dos papéis da petroleira atuou como um limitador dos ganhos do Ibovespa, em um pregão em que as demais blue chips fecharam majoritariamente no azul: o maior destaque ficou para as ON do Banco do Brasil, que subiram 2,55%; e para as ON da Vale, que ganharam 1,08%. Apenas as units do BTG Pactual encerraram em queda de 0,86% após registrarem alta forte nos últimos pregões. O volume financeiro negociado pelo Ibovespa foi de R$ 24,3 bilhões e de R$ 33,1 bilhões na B3. Já em Wall Street, os principais índices fecharam em forte alta: no fim, o Nasdaq subiu 1,96%; o S&P 500 ganhou 1,18%; e o Dow Jones teve alta de 0,66%.
VALOR ECONÔMICO
Serviços sobem 0,1% em fevereiro, ante janeiro, diz IBGE
No resultado acumulado nos 12 meses até fevereiro, o setor registrou crescimento de 2,7%
O volume de serviços prestados no país subiu 0,1% em fevereiro, ante janeiro, segundo os dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) divulgados na terça-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em janeiro, houve alta de 0,2% (após revisão de dado divulgado inicialmente como aumento de 0,3%). A variação de 0,1% na série com ajuste sazonal ficou abaixo da mediana das estimativas de 20 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data, de alta de 0,5%. O intervalo das projeções se estendeu de recuo 0,3% a alta de 3,6%. Na comparação com fevereiro de 2025, o indicador teve alta de 0,5%. Neste caso, a expectativa mediana do mercado, pelo Valor Data, era de aumento de 1,6%, com projeções entre 0% de variação e alta de 5,4%. No resultado acumulado nos 12 meses até fevereiro, o setor registra crescimento de 2,7%. O volume de serviços prestados avançou 1,9% no primeiro bimestre de 2026, ante igual período de 2025. A receita nominal dos serviços prestados no país avançou 1,2% em fevereiro, ante janeiro. Na comparação com fevereiro de 2025, o aumento da receita de serviços foi de 5%. No resultado acumulado em 12 meses até fevereiro, a receita avançou 7,3%. O primeiro bimestre de 2026 apontou crescimento de 5,9% ante igual período de 2025. Atividades Três das cinco atividades acompanhadas pela PMS tiveram alta na passagem entre janeiro e fevereiro. Os principais destaques positivos foram serviços de informação e comunicação (1,1%) e transportes (0,6%). No primeiro caso, o segmento acumulou ganho de 5% nos últimos três meses. Os serviços prestados às famílias foram o terceiro segmento em crescimento, com alta de 1,4%, a mais intensa desde março de 2025 (1,8%). A atividade se recuperou da perda de 0,5% registrada em janeiro. Por outro lado, serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,3% e outros serviços caíram 0,4%. Este foi o terceiro mês seguido de queda em serviços profissionais, administrativos e complementares, com perda acumulada de 0,7%. Os outros serviços, por sua vez, devolveram parte do ganho observado no mês anterior (3,6%).
VALOR ECONÔMICO
IBGE aumenta previsão para a safra de grãos de 2026
Estimativa da área a ser colhida também cresceu. A estimativa da produção de soja alcançou novo recorde na série histórica em 2026
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) reviu em 1,2% para cima sua previsão para a safra de grãos em 2026 no resultado de março. O aumento corresponde a uma diferença de 4,3 milhões de toneladas em relação à previsão de fevereiro, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA). Se comparado com 2025, a previsão representa uma alta de 0,7%, ou 2,3 milhões de toneladas a mais. A safra brasileira vai alcançar, portanto, 348,4 milhões de toneladas em 2026. A estimativa para a área a ser colhida é de 83,2 milhões de hectares, crescimento de 2% em relação à 2025, com aumento de 1,6 milhão de hectares, e acréscimo de 0,3% (265,8 mil hectares) em relação a fevereiro. Principais culturas da safra brasileira, arroz, milho e soja representam, somados, 92,9% da estimativa da produção e respondem por 87,6% da área a ser colhida. Na comparação com 2025, houve crescimentos de 1% na área a ser colhida da soja; de 3,3% na do milho (aumentos de 10,3% no milho 1ª safra e de 1,6% no milho 2ª safra); e de 7% na do sorgo, ocorrendo declínios de 6,9% na do algodão herbáceo (em caroço); de 10,1% na do arroz em casca; e de 3,3% na do feijão. No caso da produção, ocorreu acréscimo de 4,6% para a soja e decréscimos de 11,9% para o algodão herbáceo (em caroço); de 10,4% para o arroz em casca; de 2,4% para o milho (crescimento de 13,7% para o milho 1ª safra e declínio de 6,0% para o milho 2ª safra); de 2% para o feijão; de 0,2% para o sorgo; e de 5,7% para o trigo. Na comparação com a previsão de fevereiro, houve aumentos nas estimativas de produção de soja (0,3% ou 477,1 mil toneladas), do milho 2ª safra (3,5% ou 3,638 milhões de toneladas), do milho 1ª safra (1,3% ou 383,6 mil toneladas), cana-de-açúcar (0,8% ou 5,654 milhões de toneladas), feijão 3ª safra (0,1% ou 719 toneladas), sorgo (10,2% ou 500,1 mil toneladas), uva (5% ou 102,9 mil toneladas), café canephora (4,7% ou 56,4 mil toneladas), da cevada (4,6% ou 28,4 mil toneladas), amendoim 1ª safra (4,1% ou 44,3 mil toneladas), aveia (1,0% ou 12,5 mil toneladas) e café arábica (0,1% ou 1,889 mil toneladas). Por outro lado, apresentam declínios arroz (-2,7% ou -314,9 mil toneladas), algodão herbáceo (-1,5% ou -133,3 mil toneladas), feijão 1ª safra (-0,3% ou -2,94 mil toneladas), feijão 2ª safra (-4,2% ou -51 477 t), trigo (-4,2% ou -320,2 mil toneladas), algodão herbáceo (-1,5% ou -133,3 mil toneladas), mandioca (-1,4% ou -282 626 t) e amendoim 2ª safra (-7,9% ou -3,371 mil toneladas). A estimativa da produção de soja alcançou novo recorde na série histórica em 2026, totalizando 173,7 milhões de toneladas, aumento de 0,3% em relação ao mês anterior e de 4,6% maior em comparação à quantidade obtida no ano anterior. No milho, a estimativa da produção é de 138,3 milhões de toneladas, crescimento de 3% em relação a fevereiro de 2026, mas recuo de 2,4% em relação ao volume produzido em 2025. A região Centro-Oeste, maior produtora nacional, com 57,3% de participação no total a ser produzido em 2026, obteve aumento de 4,5% na estimativa da produção, em relação ao mês anterior.
GLOBO RURAL
Por guerra, FMI corta projeção do PIB mundial no ano, mas eleva a do Brasil
O FMI (Fundo Monetário Internacional) cortou a projeção de crescimento para a economia mundial para 2026 e alertou que os impactos provocados pela guerra no Oriente Médio podem levar o mundo à recessão caso o conflito perdure.
A estimativa para o aumento do PIB mundial para 2026 foi reduzida para 3,1%, ante estimativa de 3,3% feita no relatório de janeiro. Para o Brasil, previsão melhorou para 2026. O FMI projeta que o Brasil vai crescer 1,9% neste ano, ante previsão de 1,6% na estimativa anterior. Segundo o Fundo, a economia da América do Sul sofrerá impacto econômico menor que outros países da Ásia, África e Europa. Segundo o Fundo Monetário Internacional, os aumentos nos preços da energia e as interrupções no fornecimento provocados pela guerra iniciada por Estados Unidos e Israel contra o Irã pode deixar a economia global à beira da recessão se o conflito piorar e o petróleo permanecer acima de US$ 100 por barril até 2027. Cenário de referência mais otimista do relatório Perspectiva Econômica Mundial pressupõe guerra de curta duração. Nesse caso, o crescimento real do PIB será de 3,1% para 2026, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação à previsão de janeiro. Nesse cenário, o preço médio do petróleo fica em média em US$ 82 por barril durante todo o ano de 2026, uma queda em relação aos níveis recentes de cerca de US$ 100 para o Brent. Guerra criou risco maior para economia global que primeira onda de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o economista chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, o que está acontecendo no Golfo Pérsico é potencialmente muito, muito pior que os cenários estão documentando. Em cenário grave, FMI alerta para risco de recessão. Considerando uma possibilidade de um conflito prolongado e crescente, além de preços do petróleo muito mais altos, que provocam grandes perturbações nos mercados financeiros e condições financeiras mais restritivas. “Isso significaria uma situação muito próxima de uma recessão global”, disse o FMI. No pior cenário, vários países entrariam em recessão, diz FMI. Com o preço do petróleo em média a US$ 110 por barril em 2026 e US$ 125 em 2027, por um período prolongado, também aumentaria a expectativa de que a inflação veio para ficar, provocando aumentos de preços mais amplos e reivindicações por reajustes salariais. “Essa mudança nas expectativas de inflação exigirá que os bancos centrais pisem no freio e tentem reduzir a inflação novamente”, disse ele, acrescentando que isso pode exigir mais sacrifícios do que em 2022. Inflação global para 2026 ultrapassaria os 6% no cenário grave. Isso supera a taxa de 4,4% esperada no cenário de referência mais otimista, que é a premissa das projeções de crescimento do FMI para países e regiões. FMI reduziu a previsão de crescimento para os Estados Unidos neste ano para 2,3%, uma queda de apenas 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. A mudança reflete o efeito positivo dos cortes de impostos, o efeito retardado dos cortes nas taxas de juros e o investimento contínuo em data centers de IA, que compensaram parcialmente o aumento dos custos de energia. Esses efeitos devem continuar em 2027, com o crescimento agora previsto em 2,1%, um aumento de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. Zona do euro enfrenta ambiente mais desafiador. Segundo o FMI, a região ainda enfrenta dificuldades com os altos preços da energia causados pela invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Agora, sofre um impacto ainda maior com o conflito no Oriente Médio, com sua perspectiva de crescimento caindo 0,2 ponto percentual em ambos os anos, para 1,1% em 2026 e 1,2% em 2027. Crescimento do Japão permanece praticamente inalterado, registrando 0,7% em 2026 e 0,6% em 2027. No entanto, o FMI afirmou esperar que o Banco do Japão aumente a taxa de juros em um ritmo ligeiramente mais acelerado do que o previsto há seis meses. FMI prevê crescimento de 4,4% para a China em 2026. Isso representa queda de 0,1 ponto percentual em relação a janeiro. A revisão se deve ao aumento dos custos de energia e commodities é parcialmente compensado pela redução das tarifas norte-americanas e pelas medidas de estímulo do governo.
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