Informativo Sindileite 181 22.07.2026

Ano 1 | nº 181 | 22 de julho de 2026

NOTÍCIAS

laticínios apostam em embalagens menores para atingir novos hábitos de consumo

Mudanças nos hábitos de consumo e no tamanho das famílias no Brasil estão levando a indústria de laticínios a oferecer embalagens menores de leite. Aos poucos, as gôndolas dos supermercados têm apresentado embalagens de meio litro ou menos.

A fazenda gaúcha Trevisan é uma das empresas que apostaram nas embalagens menores. O laticínio lançou a versão de 500 ml do leite integral e desnatado do tipo A há oito anos e, desde então, tem mantido os dois produtos em seu portfólio como estratégia para atingir um nicho de mercado que tem crescido ano após ano. “A gente percebeu que atingia outro público, pessoas que muitas vezes não tomavam mais leite por algum motivo”, observa a gerente de marketing da fazenda Trevisan, Juliana Sperling Bastian Trevisan. Segundo os dados do IBGE, a proporção de brasileiros que moram sozinhos saltou 52% no intervalo de 12 anos e representa um em cada cinco lares do país. Trata-se do segmento de domicílios que mais cresce, o que contribui para a movimentação da indústria, mesmo diante de um volume de vendas ainda pequeno quando comparado com as embalagens tradicionais, de um litro. No caso da Trevisan, a gerente estima que as vendas de embalagens de meio litro representem menos de 5% do total comercializado do laticínio: “Se a gente fosse vender apenas o leite de meio litro, não seria viável. Ele é viável porque acaba estando em conjunto com os outros produtos.” A estratégia, afirma, está em atender um público que, de outro modo, não consumiria leite no seu dia a dia. A goiana Italac também vinha sendo cobrada pelos seus consumidores por opções com embalagens menores. Este ano, decidiu atender o público com uma edição limitada das embalagens de 250 ml de leite A2, de mais fácil digestão. “Tem muita gente que não gosta da proteína com água, gosta com leite. Começamos a enxergar muitos usos para esse tipo de produto com a necessidade de ter embalagens para atender os diferentes públicos”, afirma a gerente de marketing da companhia, Andreia Alvares. A decisão, segundo Andreia, acompanha ainda as mudanças de padrões futuros de consumo que já se desenham no presente: “Enxergamos que não vai ter tanto consumo para volume. E hoje, se a gente olhar esse mercado que vem com as canetas emagrecedoras, com várias outras questões de saúde, de dietas um pouco mais restritivas, o consumo em termos de volume de produto é menor.” O lançamento aproveita as embalagens longa vida já usadas para venda de bebidas prontas e molhos, e a aposta no leite do tipo A2 visa justamente um público de nicho. Em São Paulo, o laticínio Letti seguiu o caminho oposto após ver queda no volume de leite desnatado vendido desde que passou a apresentá-lo na versão de 500 ml, ainda em 2023. “A nossa ideia era justamente abraçar esse público, mas o que vivenciamos na prática foi uma diminuição do volume total de vendas. E, obviamente, se a gente for pensar, isso tem certa lógica porque a pessoa que comprava uma garrafa de um litro passou a comprar de meio litro”, explica a diretora de operações da Letti, Tais Jank. A Letti decidiu descontinuar a versão de meio litro do leite desnatado este ano. Para o sócio da MilkPoint Ventures e MilkPoint Mercado, Valter Galan o objetivo do mercado é de aumentar o consumo per capita, que está estagnado em 30 litros por ano. Segundo ele, “diversificar o portfólio nas lojas físicas pode ser uma alternativa interessante para ampliar a presença dos produtos lácteos. Um mix mais amplo, com pequenos volumes para diferentes perfis de consumidores, além da possibilidade de experimentar os produtos antes da compra, pode contribuir para conquistar novos consumidores.”

O GLOBO

Produção desacelera e inflação muda o cenário do mercado do leite

Menor avanço da oferta, recuperação dos preços ao produtor e demanda mais cautelosa desenham o cenário para os próximos meses. Produção perto da estabilidade, inflação mais alta e clima no radar definem as perspectivas do mercado de leite

O mercado de leite brasileiro chega à segunda metade de 2026 em um cenário marcado por forças opostas. De um lado, a desaceleração da produção favorece uma recuperação gradual dos preços pagos ao produtor. Do outro, a inflação dos alimentos, o elevado endividamento das famílias, as importações competitivas e os riscos climáticos aumentam a incerteza sobre o comportamento da demanda e da oferta nos próximos meses. A avaliação faz parte do relatório AgroInfo 2026, divulgado pelo Rabobank, que aponta uma mudança importante no ritmo do setor após o forte ajuste vivido em 2025. Segundo a análise, a menor expansão da oferta permitiu uma recuperação moderada dos preços ao produtor durante o primeiro semestre, criando um ambiente mais favorável para a rentabilidade da atividade. Os números mostram essa transição. A produção de leite avançou 3,3% no primeiro trimestre de 2026, mas a expectativa é de apenas uma expansão marginal no segundo trimestre. Com isso, a projeção é que a captação formal encerre o ano próxima da estabilidade, em volume semelhante aos cerca de 27,5 bilhões de litros registrados em 2025. A redução do ritmo produtivo teve reflexo direto nos preços. O leite entregue em abril foi remunerado a R$ 2,66 por litro, após iniciar o ano próximo de R$ 2,00 por litro. Ao mesmo tempo, os indicadores de rentabilidade acompanhados pelo MilkPoint Mercado mostram evolução da renda líquida, descontado o custo da alimentação, de R$ 23,30 por vaca ao dia em janeiro para R$ 36,40 por vaca ao dia em maio. Apesar da melhora no campo, o comportamento do consumo passa a ser um dos principais pontos de atenção. O Rabobank estima crescimento de 1,8% da economia brasileira em 2026 e observa um mercado de trabalho relativamente aquecido. Ainda assim, o avanço da inflação, especialmente nos preços da energia e dos alimentos, tende a reduzir o poder de compra das famílias durante o segundo semestre. O banco também destaca que o elevado nível de endividamento dos consumidores pode limitar as vendas de produtos lácteos, tornando a demanda mais sensível ao aumento dos preços. Além do consumo, as condições climáticas entram no radar da cadeia leiteira. O relatório aponta a possibilidade de formação de um forte episódio de El Niño no fim do terceiro trimestre de 2026. Caso o cenário se confirme, o excesso de chuvas poderá afetar importantes bacias leiteiras do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, enquanto um clima mais seco nas regiões Sudeste e Nordeste poderá reduzir a disponibilidade de pastagens e limitar a produção nessas áreas. Outro componente que influencia o mercado é o comércio internacional. Mesmo com a menor oferta doméstica, a expectativa do Rabobank é de que as importações de produtos lácteos permaneçam elevadas durante o segundo semestre. A combinação de preços internacionais estáveis, um real relativamente valorizado e cotações domésticas mais altas mantém competitivas as compras externas, ampliando a concorrência para a indústria nacional. O relatório também identifica mudanças no perfil do mercado consumidor. Entre as tendências observadas está o crescimento da demanda por bebidas lácteas com elevado teor de proteína, segmento que deverá receber novos lançamentos ao longo da segunda metade do ano. No campo, o estudo destaca que produtores com volume superior a 10 mil litros por dia continuam ampliando investimentos e registrando preços médios acima do restante do mercado, reforçando o processo de profissionalização da atividade. Para o Rabobank, o restante de 2026 será marcado por um equilíbrio delicado. A desaceleração da produção tende a sustentar os preços pagos ao produtor, mas o comportamento do consumo, a inflação, as importações e os possíveis impactos climáticos do El Niño continuarão definindo os rumos do mercado de leite nos próximos meses.

CIÊNCIA DO LEITE/EDAIRYNEWS

GDT 408º registra alta e indica recuperação pontual nos preços globais

O 408º leilão da Global Dairy Trade (GDT) registrou alta de 1,5% no GDT Price Index, com preço médio de USD 3.815/tonelada. O resultado indica uma recuperação nas cotações internacionais dos lácteos, sustentada por uma demanda mais aquecida por parte dos compradores no leilão. 

Nos leites em pó, o movimento foi de reajustes positivos. O leite em pó integral (LPI) avançou 1,6%, sendo negociado a USD 3.486/tonelada, enquanto o leite em pó desnatado (LPD) registrou alta de 2,8%, atingindo USD 3.234/tonelada. O comportamento indica uma recuperação dos preços após os recuos observados nos últimos leilões. No caso do LPD, o avanço também pode estar relacionado à maior demanda por ingredientes proteicos o que contribui para maior sustentação do segmento. Entre queijos e manteiga, o movimento foi misto. A muçarela avançou 1,3%, sendo negociada a USD 3.940/tonelada. Já o cheddar manteve trajetória de queda, com recuo de 6,5%, atingindo USD 3.586/tonelada. A manteiga foi negociada a USD 5.303/tonelada, com leve queda de 0,6%, enquanto a gordura anidra do leite avançou 1,1%, para USD 6.405/tonelada. O volume negociado totalizou 26.889 toneladas, aumento de 2,2% em relação ao leilão anterior. O movimento mostra a continuidade da safra de leite da Nova Zelândia, que segue ampliando a disponibilidade de produtos no mercado internacional. Na comparação com o mesmo período de 2025, o volume também apresentou alta, de 10,7%. Apesar do maior volume ofertado, a recuperação do índice e dos preços dos principais derivados indica que o mercado encontrou maior sustentação neste leilão, com o maior número de participantes desde fevereiro, atingindo o patamar de 167 compradores.  Esse comportamento sugere uma demanda mais aquecida, o que compensou o aumento do volume disponível. Na NZX, o mercado futuro de leite em pó integral (WMP) apresentou maior estabilidade frente às últimas negociações. Os contratos passaram a oscilar em patamares mais próximos, indicando um mercado com maior equilíbrio entre oferta e demanda. Esse comportamento sugere que as expectativas para os próximos meses seguem mais equilibradas, mesmo com a continuidade da safra na Oceania e a maior disponibilidade de produto no mercado internacional. Ainda assim, a evolução da demanda global será determinante para definir se os preços futuros conseguirão manter estabilidade ou voltarão a apresentar novos ajustes. O resultado do GDT 408º indica uma recuperação pontual no mercado internacional, especialmente nos leites em pó. A alta do LPI e do LPD pode reduzir parte da pressão de baixa observada nos últimos leilões, trazendo maior sustentação para as referências externas de preços. No Brasil, esse movimento pode contribuir para uma leitura menos pressionada no mercado de leite em pó integral, que vinha acompanhando parcialmente os ajustes negativos do cenário internacional. Consequentemente, a dinâmica das importações segue como ponto de atenção, já que a competitividade do produto externo continua influenciando as negociações internas. Dessa forma, mesmo com a recuperação pontual dos preços internacionais, o ritmo de entrada do derivado pode limitar a sustentação de preços no mercado doméstico. Portanto, o câmbio permanece como uma variável importante na transmissão desse cenário. Caso o real se valorize, os produtos importados seguem ganhando competitividade.

MILKPOINT

EMPRESAS

Nestlé reforça estratégia em nutrição com investimento de R$ 540 milhões em Araçatuba

A Nestlé anunciou um investimento de R$ 540 milhões em sua fábrica de Araçatuba (SP), especializada em nutrição e saúde. O aporte será realizado até 2028 e tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva da unidade, incorporar novas tecnologias e acelerar o desenvolvimento de novos produtos.

A unidade é a maior da companhia no Brasil em receita líquida e produz fórmulas infantis, produtos para nutrição médica e soluções voltadas à nutrição adulta. É justamente nesse último segmento que a empresa concentra parte de sua estratégia de crescimento, com foco em temas como envelhecimento saudável, saúde da mulher e suporte nutricional para pacientes em tratamento para controle de peso. Segundo Marcelo Citrângulo, vice-presidente de Nutrição da Nestlé Brasil, a empresa acompanha a crescente preocupação dos consumidores com qualidade de vida e alimentação ao longo de todas as fases da vida. “Existe uma população hoje muito mais preocupada em se cuidar e mais atenta à alimentação, que busca um envelhecimento saudável. Estamos contribuindo com vários lançamentos para ampliar esse portfólio e oferecer uma experiência cada vez melhor aos consumidores. Também percebemos uma busca pelo emagrecimento saudável e queremos disponibilizar produtos proteicos adequados para cada fase da vida”, afirmou. De acordo com a Nestlé, a divisão de Nutrição e Saúde passou a ocupar uma posição estratégica dentro da companhia e já apresenta crescimento de dois dígitos no mercado brasileiro. Globalmente, o segmento responde por cerca de 20% das vendas do grupo. Entre os lançamentos recentes, Citrângulo destacou o Nutren Ultra, com 32 gramas de proteína por porção, e a chegada da primeira fórmula infantil com probióticos produzida no Brasil. “Foram mais de dez anos de pesquisa e desenvolvimento para conseguirmos lançar essa fórmula. Temos muitas novidades acontecendo, sempre alinhadas ao propósito de desenvolver produtos de alta qualidade que entreguem nutrição e saúde em todas as fases da vida”, disse. A fábrica de Araçatuba produz atualmente mais de 180 itens do portfólio da Nestlé, incluindo marcas como Ninho, Mucilon e Nutren. A unidade emprega cerca de 800 colaboradores diretos e 200 indiretos, abastecendo principalmente o mercado brasileiro, embora parte da produção seja exportada para países da América Latina e do Oriente Médio. Na área de pesquisa e desenvolvimento, a Nestlé reúne aproximadamente 800 cientistas em diferentes países e possui 128 patentes relacionadas aos HMOs (oligossacarídeos do leite humano), utilizados em estudos sobre nutrição infantil. Os investimentos globais da companhia em P&D na área de nutrição somam US$ 1,8 bilhão por ano, o equivalente a cerca de R$ 9,2 bilhões.

portal InfoMoney

GOVERNO

Governo demora a liberar recursos com juros mais baixos para plantio da safra

Apenas linhas de crédito com juros livres ou controlados sem equalização podem ser acessadas. Sem a regulamentação do governo, o crédito rural com taxas equalizadas fica represado

Três semanas depois do lançamento do Plano Safra, o Ministério da Fazenda ainda não publicou a portaria que autoriza o pagamento da equalização de juros pelo Tesouro Nacional nesta temporada. Na prática, a demora impede que bancos e cooperativas de crédito possam ofertar R$ 141,4 bilhões em linhas de financiamentos que têm a subvenção federal e são mais baratas aos produtores rurais. Outros R$ 10 bilhões da nova linha para o financiamento de máquinas e equipamentos agrícolas do Move Agricultura também seguem indisponíveis por falta de regulamentação. Por enquanto, apenas linhas de crédito com juros livres ou controlados sem equalização podem ser acessadas, a maior parte dos R$ 610,3 bilhões anunciados para o financiamento deste ciclo produtivo. Produtores reclamam da falta de tempestividade na liberação dos recursos e afirmam que isso pode encarecer a compra e gerar problema de entrega de insumos para a safra de verão. O Ministério da Fazenda informou que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) está concluindo o parecer jurídico para posterior assinatura da portaria pelo ministro. A Pasta disse que o processo segue os trâmites internos habituais e garantiu que há disponibilidade orçamentária para as despesas de R$ 1,7 bilhão previstas até o fim do ano, sem necessidade de suplementação. O Plano Safra 2026/27 terá R$ 141,4 bilhões em recursos equalizáveis: R$ 97 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 44,4 bilhões para a agricultura familiar. O custo estimado é de R$ 18,2 bilhões ao longo de dez anos para a União. Lançado em 30 de junho, o Plano Safra está vigente desde o início deste mês, mas até agora as linhas equalizadas não estão disponíveis. Sem a autorização para equalização, o acesso dos produtores aos recursos com taxas mais baixas fica travado em meio a custos elevados e incertezas com o plantio. Os atrasos têm sido comuns nos últimos anos. A última vez que o governo autorizou o início da equalização em 1 de julho, quando começa o ano-safra, foi em 2021. De lá para cá, a autorização demorou, no mínimo, uma semana. Em 2026, no entanto, a demora é a maior do período. Já são 21 dias sem a divulgação das regras. Fontes a par do tema afirmam que não há motivos específicos e que houve apenas atrasos na troca de ofícios entre os órgãos responsáveis pelo assunto. Bancos consultados pelo Valor disseram que a demora prejudica a operação com os clientes, mas algumas propostas já foram encaminhadas e aguardam a liberação do governo. “Uma parcela significativa dos produtores precisa renegociar suas dívidas para terem seus limites de crédito restabelecidos. Os bancos ainda estão se adequando para essas contratações, que devem levar mais uma semana, pelo menos”, disse Ágide Eduardo Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep). Apesar disso, a expectativa é que não ocorram problemas, avaliou. As instituições financeiras que apresentaram propostas para operacionalizar as linhas com equalização foram informadas ainda em junho pelo governo sobre os valores e as linhas que foram contempladas, mas até agora não puderam iniciar as contratações. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ficou com a maior fatia, de R$ 40,5 bilhões (quase 30% do total), principalmente os programas de investimentos. O BNDES já publicou as circulares que informam as regras para acesso aos recursos pelas instituições financeiras credenciadas, mas os protocolos seguem fechados. Os documentos não informaram a data de abertura, para apresentação de pedidos de financiamento, e condicionaram o prazo à publicação da portaria com a divisão e normas da equalização no novo ciclo.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar acompanha exterior e tem baixa leve ante o real

O dólar fechou a terça-feira com leve baixa ante o real, acompanhando o recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em um dia de notícias conflitantes sobre o Oriente Médio e alta do petróleo.

O dólar à vista encerrou com queda de 0,31%, aos R$5,0737. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 7,57%. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais negociado no mercado brasileiro — cedia 0,38% na B3, aos R$5,0865, em uma sessão de liquidez reduzida, com apenas cerca de 140 mil contratos negociados até o momento. Uma alta autoridade do Irã disse à Reuters na segunda-feira que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de dez dias com os EUA, em um esforço para salvar o acordo provisório entre os dois países. O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, também havia solicitado ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito. A nova tentativa diplomática foi bem recebida pelos mercados por um lado, mas novos ataques dos EUA no sul e no oeste do Irã reduziram o otimismo por outro. Neste cenário, os índices de ações subiram na Europa e nos EUA, ainda que o petróleo Brent se mantivesse pressionado, acima dos US$91 o barril. Nos mercados de moedas, o dólar cedeu ante divisas emergentes como o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso mexicano e o real. Após marcar a cotação máxima intradia de R$5,0914 (+0,04%) às 9h00, na abertura, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,0668 (-0,45%) às 15h30. Da máxima para a mínima a variação foi de apenas 0,48%, o que indica que as oscilações ocorreram em margens estreitas. “O real está se valorizando na esteira da alta de mais de 2% do petróleo, por conta do (cenário) geopolítico”, comentou à tarde o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, chamando também a atenção para a agenda esvaziada de indicadores econômicos. A queda do dólar ante o real ocorreu a despeito de, no campo comercial, os EUA voltarem a inspirar preocupações após anunciarem, na noite de segunda-feira, uma tarifa de 50% sobre um conjunto de produtos canadenses. Na semana passada, o Brasil havia sido alvo de uma nova tarifa de 25% dos EUA.

REUTERS

Ibovespa fecha estável com Oriente Médio no radar

O Ibovespa encerrou a terça-feira estável, após mais um dia de volume de negócios reduzido, em meio a sinais contraditórios vindos do conflito no Oriente Médio, enquanto investidores também aguardam a divulgação do relatório de produção da Vale.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa teve oscilação positiva de 0,03%, a 173.426,35 pontos, de acordo com dados preliminares, após marcar 172.218,88 na mínima e 173.719,5 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão somava R$16,2 bilhões antes dos ajustes finais.

REUTERS

Indústria tem piora pelo 2º ano e Brasil despenca no ranking

Crescimento de 1,5% em relação ao início do ano passado só foi suficiente para que país não ficasse em posição ainda pior, indica levantamento

O desempenho da indústria de transformação brasileira piorou pelo segundo ano consecutivo na comparação com outros países. É o que mostram números da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) e compilados pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Segundo o levantamento, a indústria de transformação brasileira recuou 0,1% nos primeiros três meses de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado colocou o Brasil na 69ª posição de um ranking de 90 países, que mede o crescimento do setor no trimestre. O país havia ocupado a 33ª posição no início de 2024, caiu para a 47ª em igual período de 2025 e agora recuou ainda mais. A queda no ranking ocorre mesmo com o crescimento de 1,5%, de acordo com a metodologia da Unido, na comparação do primeiro trimestre deste ano com os últimos três meses de 2025. O cálculo já é livre de fatores sazonais. A expansão foi suficiente para que o Brasil pulasse 11 posições do ranking em três meses, saindo da 80ª colocação, mas o bastante não para reverter a piora em prazos mais longos. Segundo o economista-chefe do Iedi, Rafael Cagnin, o crescimento de 1,5% da indústria no primeiro trimestre foi apenas uma recomposição após o fraco desempenho do fim de 2025 e ficou concentrada em atividades ligadas ao processamento de commodities, como derivados petróleo e produtos agrícolas e minerais. Por isso, não representa uma retomada disseminada da atividade do setor. Na avaliação de Cagnin, o cenário não é de crise, mas de estagnação, pois os juros elevados seguem limitando o dinamismo dos setores industriais mais dependentes de crédito, sobretudo aqueles com maior capacidade de encadeamento produtivo. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Nesse contexto, afirmou, os juros mais altos acabam reduzindo a potência da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial criado pelo governo Lula. “Esse conflito entre política industrial de um lado e política macroeconômica de outro, a gente já assistiu várias vezes no Brasil. Inclusive, é um dos principais motivos do porquê as iniciativas de política industrial no Brasil acabam tendo uma efetividade relativamente baixa”, avalia. Na comparação com o primeiro trimestre de 2025, enquanto a produção da indústria de transformação brasileira ficou praticamente estável, a manufatura mundial avançou 3,1%. A indústria global mantém um ritmo de expansão superior a 3% na comparação interanual desde o início de 2025. Na América Latina, Argentina (-2,3%) e México (-1,8%) registraram retrações mais intensas frente ao primeiro trimestre de 2025. A queda da produção industrial da região foi de 0,4% na comparação anual. Já frente ao trimestre imediatamente anterior, o avanço de 1,5% da indústria brasileira ajudou a América Latina a registrar alta de 0,3%. “De forma geral, a indústria brasileira continua muito restringida pelos juros, e isso aparece na produção de máquinas e equipamentos, de veículos, ramos de atividade de maior intensidade tecnológica, que são justamente aqueles ramos que têm liderado o crescimento da indústria de transformação no mundo como um todo”, diz. “No mundo, a alta e média-alta tecnologia puxam o crescimento da indústria. No Brasil, essa é a fração que mais patina.” A apreciação cambial também influencia esse quadro, afirma. Embora beneficie setores que dependem de insumos importados, o câmbio valorizado amplia a concorrência de produtos estrangeiros no mercado doméstico. Em um cenário de acirramento da competição, isso aprofunda pressões e evidencia problemas estruturais de competitividade da indústria brasileira.

VALOR ECONÔMICO

IGP-M cai 1,11%na segunda prévia de julho, diz FGV

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) caiu 1,11% na segunda prévia de julho, segundo dados divulgados na sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

Na primeira prévia do mês, o indicador havia recuado 0,39% e, na segunda de junho, tido queda de 0,42%. Entre os três grupos que formam o IGP-M, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que tem peso de 60% no indicador final, recuou 1,72%, ante queda de 0,84% na segunda prévia do mês passado. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no IGP-M, teve alta de 0,12%, de 0,40% na segunda prévia de junho. O Índice Nacional do Custo da Construção (INCC), que responde por 10% do IGP-M, teve ganho de 0,66%, de elevação de 0,91% na segunda prévia de junho.

VALOR ECONÔMICO

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