Informativo Sindileite 180 21.07.2026

Ano 1 | nº 180 | 21 de julho de 2026

NOTÍCIAS

Preço do leite ao produtor se estabiliza após sequência de altas

Valor pago ao produtor praticamente não varia em maio, enquanto UHT recua, exportações de lácteos caem e custos de produção seguem estáveis no primeiro semestre

O preço do leite pago ao produtor em maio/26, de acordo com pesquisa do Cepea, apresentou estabilidade e fechou em R$ 2,6617/litro na “Média Brasil”, com ligeira queda de 0,45% frente ao de abril/26 e 3,8% abaixo do registrado em maio do ano passado, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de maio/26). Pesquisa realizada pelo Cepea em junho, com apoio da OCB, mostrou comportamentos distintos entre os derivados lácteos no atacado paulista em junho. Enquanto o queijo muçarela e o leite em pó mantiveram-se praticamente estáveis, com ligeiras altas de 0,08% e 0,38%, respectivamente, o leite UHT registrou queda mais expressiva, de 3,07%. Tanto as importações quanto as exportações brasileiras de lácteos recuaram entre maio e junho, mas os embarques registraram baixa mais expressiva. Segundo dados da Secex as importações caíram 4,17% no período, totalizando 216,76 milhões de litros Equivalente-Leite (EqL) em junho, enquanto as exportações registraram redução mais significativa, de 22,75%, alcançando 4,49 milhões de litros EqL. Na comparação com junho de 2025, as compras externas avançaram 35,11%, mas os embarques caíram 12,92%. Custos se mantêm estáveis, apesar de alta na nutrição do rebanho. O mês de junho foi marcado pela estabilidade no Custo Operacional Efetivo (COE) do sistema leiteiro, com pequeno avanço de de 0,24% na “Média Brasil”. No acumulado do 1º semestre, o COE subiu 2,04%. Entre as praças acompanhadas, o maior aumento nos custos foi observado nos estados da BA (3%), GO (2,6%), SP (2,56%) e MG (2,5%) – no PR, a elevação foi moderada (1,31%). Em contrapartida, SC encerrou o 1º semestre praticamente estável, enquanto o RS foi o único estado a registrar redução no COE no período (-0,35%).

COMPRE RURAL

Produtor usa vacas ‘tokenizadas’ para conseguir crédito

Operação com animais monitorados como garantia pode ser opção em meio a alto endividamento e de número de recuperações judiciais. Disparada nas recuperações judiciais e no endividamento dos produtores ajudam a tornar atrativa a oferta dos animais com rastreamento digital

Uma parceria entre duas empresas apostou em uma operação diferente: rebanho monitorado como garantia de crédito. Dez vacas da Fazenda Engenho Velho, em Imbituva (PR), avaliadas em R$ 120 mil, garantiram uma CPR Financeira (CPR-F) de R$ 100 mil. O título foi emitido pelo produtor em favor da BMP Sociedade de Crédito Direto, que liberou os recursos. Na sequência, a BMP cedeu os direitos creditórios da CPR para a fintech Target FIDC, que passou a credor e registrou a operação na B3, com base nas informações biológicas de cada animal. Os dados são monitorados pela Cowmed, startup que utiliza coleiras com sensores e inteligência artificial para acompanhar indicadores como saúde, comportamento, ruminação e bem-estar do rebanho.

Para formar o lastro da operação (o rastreamento do plantel), as vacas foram “tokenizadas”. Cada uma recebeu um registro digital. Um “RG” protegido por blockchain, com dados de saúde, comportamento e desempenho coletados pelas coleiras nos animais. Um código digital criptografado reúne as informações. O registro eletrônico é vinculado à CPR, e permite acompanhar as condições do rebanho, sem precisar fazer vistorias presenciais na propriedade.

O diretor da Target FIDC, Humberto Brenner, diz que instituições financeiras costumam colocar deságios na avaliação, por falta de informações de saúde e localização. Um animal de R$ 20 mil, por exemplo, pode ser avaliado em R$ 8 mil. “Com o monitoramento, essa incerteza é eliminada”. As vacas podem ser vendidas a qualquer momento. O produtor pode repor animais quando necessário, desde que mantenha uma relação mínima de 1,2: para cada R$ 100 financiados a garantia deve valer, pelo menos R$ 120, como na operação na fazenda de Imbituva. Brenner ressalta que crédito com animais como garantia não são novidade. A diferença para essa operação está no monitoramento contínuo e no registro da operação por meio de uma CPR na bolsa. Ele afirma que a disparada nas recuperações judiciais e no endividamento dos produtores ajudam a tornar atrativa a oferta dos animais. “Os bancos vão exigir cada vez mais garantias reais e novas informações”. Thiago Martins, CEO da Cowmed, afirma que a tokenização das vacas de Imbituva é a primeira em um contrato de financiamento na B3. O objetivo é dar ao produtor uma nova opção de garantia em meio às condições econômicas ruins para o agro. “A operação permite que o produtor tenha acesso ao crédito mais atrativo em custo e limite. Queremos conectar o produtor e a financeira com uma nova alternativa.” Atualmente, a Cowmed possui 100 mil vacas monitoradas em 1.200 fazendas no Brasil, Estados Unidos, Canadá, Uruguai, Paraguai e Bolívia. O valor das vacas leiteiras com colar é estimado em R$ 2 bilhões, segundo Martins. O CEO da empresa projeta que 20% do rebanho atual seja oferecido como garantia para tomada de crédito nos próximos dois anos, o que representaria R$ 400 milhões em operações de financiamento. Depois da primeira operação, outros quatro produtores brasileiros estão sob avaliação pela Target FIDC para tomarem crédito com suas vacas monitoradas como garantia. Para 2026, Target e Cowmed esperam liberar R$ 5 milhões em crédito com esse tipo de operação.

GLOBO RURAL

EVENTOS

Agroleite recebe R$ 11 milhões em investimentos e amplia estrutura para edição de 2026

Feira volta a ter cinco dias de programação e reforça foco em inovação, tecnologia e capacitação para a cadeia do leite

O Agroleite 2026 chega com uma estrutura ampliada e R$ 11 milhões em novos investimentos para fortalecer o Parque Tecnológico da Castrolanda, em Castro (PR). A feira, considerada uma das principais do setor leiteiro da América Latina, será realizada entre os dias 3 e 7 de agosto e volta a contar com cinco dias de programação. Segundo o gerente do Agroleite, Gustavo Viganó, os recursos foram destinados à expansão da infraestrutura do parque e à atração de novas empresas para o ecossistema da feira. “Esse ano, a gente traz novamente investimentos robustos para dentro do parque tecnológico, cerca de R$ 11 milhões, focados também em atrair novas empresas para dentro do parque. Essas empresas passam a fazer parte agora desse ecossistema”, afirmou, em entrevista ao Canal Rural. Além da ampliação do parque, a organização reformulou a arena de palestras para receber uma programação técnica mais extensa. “Ampliamos também os investimentos na nossa arena de palestras, um espaço todo remodelado para abarcar toda essa programação robusta e técnica que tem o evento. Também seguimos investindo nos visitantes e expositores, trazendo mais comodidade e conforto”, destacou Viganó. Outra novidade desta edição é o retorno do formato de cinco dias. A programação ocorrerá de segunda a sexta-feira, entre 3 e 7 de agosto, permitindo que visitantes de diferentes regiões do Brasil e da América do Sul tenham mais tempo para participar da feira.

Entre os destaques previstos estão as comemorações pelos 75 anos da Castrolanda, cooperativa idealizadora do evento, além de palestras técnicas, lançamento de produtos por empresas expositoras e o tradicional julgamento de animais. “Vamos ter muitos painelistas especiais de todo o Brasil, trazendo conhecimento. Também haverá lançamento de produtos pelos nossos fornecedores e um julgamento novamente de alto nível, com genética muito avançada da nossa região”, disse o gerente. O presidente da Castrolanda, Willem Baumgartner, lembrou que o Agroleite nasceu a partir das exposições de animais promovidas pela cooperativa, mas evoluiu para atender às necessidades de toda a cadeia produtiva do leite.

Segundo ele, o avanço tecnológico da atividade exigiu que a feira incorporasse temas como inovação, gestão e eficiência produtiva. “A cadeia do leite é muito mais complexa. Ela precisa de muita informação, muita tecnologia e muita inovação para que possamos buscar eficiência, melhorar a produção e manter a competitividade”, afirmou. Hoje, segundo Baumgartner, o evento reúne empresas e tecnologias voltadas para genética animal, bem-estar, nutrição, ordenha, máquinas agrícolas e demais segmentos ligados à produção leiteira. Questionado sobre o momento de dificuldades enfrentado pelos produtores, marcado por restrição de crédito, endividamento e aumento da inadimplência no campo, o presidente da Castrolanda reconheceu os desafios, mas defendeu que os pecuaristas aproveitem o Agroleite para se preparar para um cenário mais favorável. “Estamos muito cientes de que passamos por um momento desafiador, mas nada é tão ruim que dure para sempre. Com certeza teremos momentos melhores novamente na pecuária de leite, e precisamos estar preparados para surfar essa onda”, afirmou. Para Baumgartner, conhecer novas tecnologias e ferramentas durante a feira permitirá que os produtores estejam mais preparados para investir quando as condições do mercado melhorarem. “O produtor precisa estar atualizado na tecnologia que usa, nos equipamentos e nas ferramentas para saber o que comprar e como melhorar os processos dentro da propriedade quando esse período melhorar”, concluiu.

CANAL RURAL

EMPRESAS

Em nova fase, Laticínios Porto Alegre mira expansão e não descarta aquisições

Dona de uma receita de R$ 2,1 bilhões em 2025 e com previsão de chegar a R$ 2,3 bilhões neste ano, a companhia planeja crescer a duplo dígito por ano até 2030.

A Laticínios Porto Alegre (LPA), controlada pelo suíço Emmi Group, fez mudanças no comando. Dona de uma receita de R$ 2,1 bilhões em 2025 e com previsão de chegar a R$ 2,3 bilhões neste ano, a companhia planeja crescer a duplo dígito por ano até 2030. O aumento virá da ampliação do portfólio e da expansão geográfica, mas a empresa, que tem sede em Ponte Nova (MG), não descarta aquisições para acelerar o crescimento. O fundador da LPA, João Lúcio Carneiro, que também detém 30% de participação acionária, está deixando a presidência executiva e vai se manter à frente do conselho de administração. Carlos Mafia, que está na LPA há 16 anos e atuou nos últimos dois anos como vice-presidente e diretor de operações, assume a presidência. Paulo Martins, que era gerente de finanças, será agora diretor-financeiro. “A minha decisão de sair da presidência já tinha sido discutida com o Emmi Group. Vou ter agora uma atuação mais estratégica, enquanto o Mafia assume o dia a dia da operação”, afirma Carneiro. “A Porto Alegre é uma empresa muito sólida, tenho certeza de que o Mafia vai dar continuidade a esse trabalho”, acrescenta ele. O novo presidente terá entre uma de suas tarefas expandir a presença dos produtos da Porto Alegre no mercado brasileiro. “Me sinto muito honrado de ter sido escolhido para continuar a expansão da empresa, ampliando a presença no mercado nacional”, afirma Mafia. De acordo com o ranking Abraleite 2025, a Laticínios Porto Alegre é a oitava maior do segmento no país, com captação de 459,6 milhões de litros de leite. A empresa processa atualmente 1,2 milhão de litros de leite por dia e tem capacidade para até 1,5 milhão de litros diariamente. A LPA é mais conhecida pelos queijos (como muçarela, prato, minas, frescal, parmesão, provolone), requeijão, manteiga e cream cheese. O portfólio tem 140 produtos, incluindo creme de leite, iogurtes, leite UHT, leite em pó e soro de leite — os dois últimos itens, voltados para atender indústrias. “A linha de iogurte natural, lançada há dois anos, cresce 30% ao ano. No segmento de queijos, as linhas de fatiados têm impulsionado o crescimento”, afirmou Mafia. A LPA produz de 11 milhões a 12 milhões de litros de leite longa vida por mês, comercializados nos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. A produção de manteiga e requeijão gira em torno de 1 mil toneladas por mês. Recentemente, a empresa lançou leite em pó para o varejo e uma linha de iogurte whey, cuja demanda vem crescendo sobretudo entre quem busca ampliar o consumo de proteínas. Com o portfólio reforçado, a LPA pretende expandir as vendas em Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro, e entrar no mercado paulista. Em 2024, a LPA adquiriu o controle da Verde Campo, ficando com 70% do capital. “A Verde Campo atua com linhas premium e tem atuação nacional. A Porto Alegre atua mais concentrada no Sudeste”, compara Mafia. Carneiro diz que a LPA está aberta para novas ampliações e aquisições, mas não há negociação em curso no momento. Ganhar musculatura é essencial em um mercado em fase de consolidação. Nos últimos 12 meses, a Catupiry comprou as operações da americana Leprino Foods no Brasil. A Piracanjuba comprou o Laticínio Sertão e a Básel Lácteos. A Tirolez comprou a Levitare e uma fábrica e a marca Regina, do grupo Barbosa & Marques. A Savencia Fromage & Dairy, dona da Polenghi, comprou a Quatá Alimentos. O laticínio Canto de Minas comprou a Matilat. O Grupo Ipanema Lácteos adquiriu o Laticínio Na Morada.

GLOBO RURAL

ECONOMIA

Dólar fecha em baixa com investidores atentos ao exterior

O dólar fechou a segunda-feira em baixa ante o real, acompanhando a queda da moeda norte-americana ante parte das divisas de países emergentes no exterior, em um dia de variações modestas nas cotações.

Os investidores globais seguiram monitorando o noticiário sobre o Oriente Médio, após Irã e Estados Unidos intensificarem seus ataques. O dólar à vista encerrou o dia no Brasil com queda de 0,42%, aos R$5,0896. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 7,28%. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — cedia 0,49% na B3, aos R$5,1050. Em um dia de agenda de indicadores esvaziada no Brasil, os agentes se voltaram para o exterior, onde EUA e Irã intensificaram seus ataques. A Guarda Revolucionária do Irã disse mais cedo ter atacado alvos militares dos EUA em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios norte-americanos contra cidades iranianas. O petróleo Brent, que chegou a superar os US$90 o barril mais cedo, mostrou maior acomodação durante a manhã, chegando a ceder em alguns momentos, para à tarde voltar a subir, com o presidente dos EUA, Donald Trump, prometendo vingança contra o Irã pela morte de soldados norte-americanos.

Neste cenário, o dólar sustentou perdas ante parte das divisas de países emergentes até o fim do dia, como o real e o peso mexicano, mas avançou ante outras moedas, em uma sessão de dúvidas sobre o futuro do conflito no Oriente Médio. Pela manhã, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o fim do próximo ano em R$5,28. Já a taxa básica Selic projetada para o fim de 2026 permaneceu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base ainda este ano. Para o encerramento de 2027 a Selic esperada seguiu em 12,00%.

REUTERS

Ibovespa fecha em queda com menor liquidez e foco no Oriente Médio

O Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda, após uma sessão de volume de negócios reduzido e maior cautela nos mercados globais, em meio a uma nova escalada na guerra entre Estados Unidos e Irã.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,2%, a 173.371,35 pontos, após marcar 173.221,86 na mínima e 174.310,57 na máxima do dia. O volume financeiro no pregão desta segunda-feira somou R$15,9 bilhões, ante média diária no ano de R$33,7 bilhões. A Guarda Revolucionária do Irã disse, na segunda-feira, ter atacado alvos militares dos EUA em todo o Oriente Médio, após mais uma noite de bombardeios norte-americanos contra cidades iranianas, como parte de um ciclo de ataques que praticamente destruiu um acordo de cessar-fogo provisório. Mais tarde, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o Irã “pagará” pela morte de soldados que ocorreram no fim de semana. Os acontecimentos pressionaram os preços do petróleo, que chegou a subir brevemente para mais de US$90 nas máximas, após novas interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. Os futuros do Brent fecharam com alta de cerca de 1,3%, a US$89,22 por barril, após atingirem US$91,42 — seu maior nível desde 11 de junho. Os ganhos da commodity impulsionaram as ações ligadas ao setor na bolsa brasileira, impedindo o índice de firmar-se no campo negativo na maior parte do pregão, o que foi revertido no fechamento. “Os investidores estarão atentos aos níveis técnicos de suporte e resistência, além de qualquer sinalização que possa alterar as expectativas para os juros e o crescimento econômico”, disse Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

REUTERS

Projeção para inflação este ano no Focus cai a 5,15%

Analistas fizeram poucos ajustes em suas projeções na pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira pelo Banco Central, mantendo a tendência de baixa para a inflação neste ano.

A expectativa para a alta do IPCA em 2026 no levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, caiu a 5,15%, de 5,16%, terceira semana seguida de redução. Para 2027 a projeção foi mantida em 4,20%, mas para 2028 subiu a 3,78%, de 3,70% na semana anterior. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a expectativa segue sendo de crescimento de 1,99% este ano e de 1,65% no próximo. A pesquisa semanal com uma centena de economistas também mostrou manutenção do cenário para a política monetária, com a Selic calculada em 14,00% ao final de 2026 e em 12,00% em 2027.

Com a Selic atualmente em 14,25%, os especialistas seguem vendo corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto do BC.

Reuters

Exportações do Brasil para o Golfo crescem 1,25% em junho e sinalizam retomada

As exportações brasileiras para o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), integrado por Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Omã, avançam 1,25% em junho sobre o mesmo mês de 2025, para US$ 758,14 milhões, segundo a Câmara de Comércio Árabe-Brasileira.

Na avaliação da entidade, o avanço sinaliza uma possível reversão das perdas derivadas do conflito militar na região, que desde fevereiro limita o acesso de embarcações aos portos do Golfo pelo Estreito de Ormuz, afetando o comércio de produtos brasileiros, principalmente os do agronegócio e minerais. Apesar do avanço de junho, no primeiro semestre, as vendas para o CCG acumulam queda de 4,01% sobre o mesmo período do ano passado, totalizando de US$ 4,17 bilhões. Para Mohamad Mourad, secretário-geral da Câmara Árabe, ainda é cedo para saber se a alta de junho vai persistir e viabilizar a recuperação dessas perdas. O dirigente, no entanto, faz um prognóstico favorável ao Brasil para os próximos meses. “O Brasil não perdeu espaço nos maiores mercados árabes. O setor exportador encontrou rotas para fazer seus produtos chegarem ao Golfo, usando portos do Mar Vermelho, junto com modais rodoviário e aéreo. Os custos desse rearranjo estão sendo absorvidos por exportadores, importadores e consumidores finais. E a demanda ainda é similar à de tempos de paz”, diz Mourad. O secretário-geral lembra ainda que, no segundo semestre, as vendas costumam adquirir tração com a formação de estoques de alimentos para o Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. Em 2027, o feriado religioso flutuante começa em fevereiro e deve gerar um aumento nos embarques nos meses de setembro, outubro e novembro, historicamente visível nas estatísticas. Além disso, Mourad pontua que as vendas brasileiras para os 22 países da Liga Árabe, incluindo os do CCG, acumulam alta de 3,73% no primeiro semestre, para US$ 9,56 bilhões. Segundo o dirigente, as receitas brasileiras junto aos principais parceiros na região subiram, inclusive, em países diretamente afetados pelo bloqueio de Ormuz. As vendas para os Emirados Árabes Unidos, por exemplo, subiram 6,01% no semestre, para US$ 1,72 bilhão. Para a Arábia Saudita, a alta foi de 11%, para US$ 1,51 bilhão. Subiram também em outros grandes mercados, como o Egito, onde a alta foi de 31,73%, para US$ 1,68 bilhão, e a Argélia, que comprou 12,49% mais do Brasil, US$ 1,32 bilhão. As exportações do agronegócio, que respondem por três quartos das vendas do Brasil para a Liga Árabe, também avançaram 5% no semestre, para US$ 7,03 bilhões. Entre os países do Golfo, o setor registrou queda de 1,06% no período, mas o resultado, avalia Mourad, ainda foi expressivo: US$ 2,58 bilhões. A pauta do agro foi liderada pelo açúcar, que recuou no semestre 7,45%, para US$ 1,79 bilhão. Depois vem a carne de frango, com queda de 9,99%, para US$ 1,57 bilhão; milho, com alta de 49,51%, para US$ 794,90 milhões; carne bovina, que avançou 7,33%, para US$ 792,27 milhões; e a soja, com elevação de 14,19%, para US$ 758,49 milhões. “O Brasil segue liderando o fornecimento de alimentos para os países árabes, inclusive para os do Golfo. Se continuarmos assim, podemos ter, inclusive, avanço nas receitas sobre o ano passado”, prevê.

Câmara de Comércio Árabe-BrasileiRA

Balança comercial brasileira tem superávit de US$ 526 milhões na 3ª semana de julho

O valor é resultado de US$ 6,11 bilhões em exportações e US$ 5,58 bilhões em importações no período

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 526,3 milhões na terceira semana de julho — recuo de 65,4% em relação ao mesmo período de 2025 —, informou a Secretaria do Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/Mdic), na segunda-feira (20). O valor é resultado de US$ 6,11 bilhões em exportações (queda de 12,5%) e US$ 5,58 bilhões em importações (alta de 2,3%) no período. No acumulado de julho, o saldo positivo da balança soma US$ 4,95 bilhões e, no ano, totaliza US$ 47,31 bilhões. As exportações de julho, até a terceira semana, foram puxadas pela indústria extrativa (17,2%), agropecuária (6,5%) e indústria de transformação (1,4%). Já o desempenho das importações foi puxado pelos desembarques da indústria extrativa (37,7%) e de transformação (0,4%). A agropecuária (-16,3%), em contrapartida, diminuiu as compras externas no período.

VALOR ECONÔMICO

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