Informativo Sindileite 175 14.07.2026

Ano 1 | nº 175 | 14 de julho de 2026

NOTÍCIAS

DERAL: preços pagos ao produtor de leite no Paraná voltaram a subir em junho

Segundo o Boletim Conjuntural divulgado pelo Departamento de Economia Rural, vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o produto registrou alta de 2,37%

Os preços recebidos pelos produtores paranaenses por cada litro de leite entregue à indústria ganharam fôlego durante o mês de junho. Comercializado, em média, a R$ 2,70 por litro no estado, o produto registrou alta de 2,37% em relação ao mês anterior. Além disso, a diferença entre o preço praticado em junho de 2026 e o observado em junho de 2025 diminuiu, passando para -4,68%. No varejo paranaense, o preço médio do leite longa vida apresentou pouca variação, recuando de R$ 5,35 para R$ 5,32 por litro. Em comparação com o mesmo período do ano passado, contudo, o produto ainda acumula alta de 6,84%. Para os próximos meses, a expectativa é de que os preços permaneçam em patamares elevados, perdendo força apenas com o fim do período mais frio do ano.

SEAB-PR/DERAL

EMPRESAS

Leite, queijo e whey: a Piracanjuba quer ser uma consolidadora de laticínios

Empresa fez três aquisições em um ano em queijos premium e bacia leiteira e quer ser uma das maiores produtoras nacionais da proteína suplementar

A Piracanjuba fechou três aquisições centradas em queijos em pouco mais de um ano, parte de um plano maior para se firmar como uma das principais consolidadoras do setor de laticínios no Brasil. A estratégia do grupo, o segundo maior do país, é ampliar o crescimento orgânico e inorgânico para crescer em categorias de maior valor agregado, como queijos regionais, suplementação alimentar e nutrição farmacêutica. A tese do grupo, sediado em Goiás, é usar M&As para ampliar a bacia leiteira em regiões estratégicas. A região Nordeste registra maior potencial, crescendo a 30% ao ano, ante a taxa de 8% na média nacional. Duas das aquisições recentes foram lá: anunciada em maio de 2025, a Natulat, em Sergipe, tornou-se a primeira fábrica da companhia na região; um ano depois, comprou a Sertão Laticínio, em Alagoas, onde a planta deve chegar à capacidade para processar 80 mil litros de leite por dia até o fim deste ano. Ampliar a infraestrutura perto da fonte ajuda a reduzir custos logísticos e desperdícios. “O Nordeste tem se desenvolvido bastante nos últimos anos, crescendo a uma taxa maior do que o restante do país, então sempre há interesse de ganhar competitividade numa bacia leiteira que está em evolução”, diz Luiz Claudio Lorenzo, CEO da Piracanjuba. Ele está há 18 anos no grupo e assumiu o comando em 2024, primeiro executivo de fora da família fundadora, a Helou, no cargo. Em janeiro, a Piracanjuba comprou também a mineira Basel Lácteos, produtora de queijos premium como emmental, gouda e gruyere. A estratégia, explica Lorenzo, é ampliar o portfólio, oferecendo produtos de maior valor agregado em diversas categorias. Essas plantas também podem permitir a produção de outros derivados do leite, como manteiga e requeijão. A Piracanjuba acompanha uma onda de M&As que tem esquentado o setor nos últimos meses. Apenas no segmento de queijos, a Tirolez levou a Regina e a Levitare; o grupo Ipanema adquiriu a Serra das Antas e Chevre D’or; e a francesa Savencia, dona da Polenghi, comprou a Quatá Alimentos. Com meta para fechar o ano com R$ 13 bilhões em vendas, crescimento de 8,5%, a Piracanjuba aposta que há ainda mais espaço para consolidação no setor de laticínios. A avaliação é que os cinco maiores grupos, que incluem a líder francesa Lactalis (dona da Batavo, Parmalat e President) e a cooperativa Unium, devem concentrar mais da metade do mercado brasileiro nos próximos anos, tido como ainda muito fragmentado. “O mercado vem se consolidado para grandes players, e a nossa estratégia é estar entre esses maiores consolidadores do país”, diz Lorenzo. Além do queijo, outro pilar é crescer em segmentos hoje com pouca representatividade nas vendas do grupo. O canal farmacêutico, por meio da marca de alimentação infantil Nutrition e por produtos para consumidores das canetas emagrecedoras, é um dos destaques. Lorenzo quer entrar em um segmento dominado pelas gigantes Nestlé e Danone, tirando um naco do whey protein. Em 2024, o grupo adquiriu a Emana, marca de suplementos cofundada pelo ator Rodrigo Hilbert. Em maio passado, dobrou a aposta: anunciou um investimento de R$ 600 milhões para ampliar a produção de produção de whey protein na torre de secagem do grupo no Paraná, a segunda maior do país. “Vamos passar a ser um grande produtor dessa proteína”, diz o CEO. “É uma categoria em que vamos ter bastante relevância”.

VALOR ECONÔMICO

NACIONAL

Famurs mobiliza prefeituras para priorizar o leite gaúcho em compras e eventos

A iniciativa propõe uma mudança de hábito no poder público, convidando prefeituras e órgãos municipais a priorizarem o produto regional em sua rotina administrativa e eventos.

Com o objetivo de fortalecer uma das cadeias produtivas mais fundamentais para o Rio Grande do Sul, a Famurs lançará, na próxima terça-feira (14/07), uma campanha institucional focada no fomento ao consumo de leite gaúcho. A iniciativa, que será apresentada oficialmente durante o 33º Seminário dos Secretários Municipais de Agricultura, propõe uma mudança de hábito no poder público, convidando prefeituras e órgãos municipais a priorizarem o produto regional em sua rotina administrativa e eventos. Segundo dados técnicos da Federação, a proposta tem baixo impacto orçamentário. Com uma estimativa de consumo diário de seis litros por estrutura pública participante, o custo seria de R$ 29,40 por dia. Em contrapartida, o potencial econômico é robusto: a projeção da Famurs é que, com um incremento de 10% no consumo per capita estadual, o setor movimente mais de R$1 bilhão por ano. O presidente da Famurs e prefeito de Imbé, Ique Vedovato, enfatiza que a campanha vai além do aspecto comercial; trata-se de um gesto político de reconhecimento ao trabalho das famílias rurais. “Queremos que os municípios sejam protagonistas. Cada administração que adere à campanha demonstra seu compromisso com quem produz, gera emprego e ajuda a construir o desenvolvimento do Rio Grande do Sul. É uma mensagem muito forte de valorização”, destaca Vedovato. A iniciativa ganha urgência diante do cenário da reforma tributária. Para o assessor técnico da Famurs, Ismael Horbach, valorizar produtos locais é estratégico. “Isso significa impulsionar a economia regional e fortalecer a receita dos municípios. É uma atitude pequena que gera grandes resultados”, resume. Lançamento da Campanha Institucional de Fomento ao Consumo de Leite Gaúcho. 14 de julho, na abertura do 33º Seminário dos Secretários Municipais de Agricultura do RS. Auditório Alceu Collares – Sede da Famurs.

Famurs

EVENTOS

Super Leite 2026 destaca inovação, genética e gestão para elevar a produtividade da pecuária leiteira em Minas Gerais

Evento em Pompéu (MG), reúne especialistas, produtores, cooperativas e empresas para debater tecnologias, sanidade, reprodução, bem-estar animal e eficiência nas fazendas de leite brasileiras.

A cidade de Pompéu, no Centro-Oeste de Minas Gerais, será novamente um dos principais polos da pecuária leiteira nacional com a realização da Super Leite 2026, entre os dias 14 e 17 de julho. O evento, que celebra 15 anos de história, reunirá produtores rurais, técnicos, cooperativas, empresas e especialistas para discutir os desafios e as oportunidades da produção de leite no Brasil. Reconhecido pela forte tradição agropecuária, pelo elevado padrão genético dos rebanhos e pela crescente adoção de tecnologias no campo, o município sediará uma programação voltada à inovação, ao aumento da produtividade e à sustentabilidade das propriedades leiteiras. Realizada no Parque de Exposições Paulo Soares Maciel, a feira contará com torneios leiteiros, julgamentos de animais, leilões, palestras técnicas, oficinas, exposição de máquinas, equipamentos e soluções voltadas para a evolução da atividade leiteira. Além da geração de negócios, a Super Leite consolida seu papel como espaço para atualização técnica, troca de experiências e disseminação de novas tecnologias que contribuem para o fortalecimento da cadeia do leite em Minas Gerais e no Brasil. Especialistas destacam que aumentar a produção de leite exige uma visão ampla da propriedade rural. A eficiência das fazendas está diretamente relacionada à integração entre fatores como: Nutrição do rebanho; Sanidade animal; Reprodução eficiente; Melhoramento genético; Bem-estar dos animais; Manejo adequado; Gestão técnica e econômica da propriedade. Esse conjunto de práticas tem sido cada vez mais valorizado pelos produtores que buscam elevar a rentabilidade e reduzir custos de produção. Durante a Super Leite 2026, empresas do setor apresentarão soluções voltadas ao aumento da eficiência produtiva, controle sanitário e melhoria dos índices zootécnicos dos rebanhos. Entre as tecnologias que estarão em evidência estão ferramentas destinadas ao incremento da produção de leite, protocolos reprodutivos, estratégias para redução do estresse dos animais e soluções para o controle de carrapatos, mosca-dos-chifres, bernes e miíases. O bem-estar dos bovinos vem se consolidando como um dos pilares da pecuária moderna. Estudos mostram que animais submetidos a menores níveis de estresse apresentam melhor desempenho produtivo, maior consumo alimentar, melhor resposta reprodutiva e redução de perdas sanitárias. A adoção de boas práticas de manejo, instalações adequadas e protocolos voltados ao conforto animal contribui para melhorar os indicadores da atividade leiteira, aumentando a eficiência das fazendas. Outro tema de destaque será o aprimoramento dos programas reprodutivos, fundamentais para elevar a produtividade dos rebanhos e otimizar os índices de fertilidade das propriedades. Ao mesmo tempo, o controle de parasitas externos permanece entre os principais desafios enfrentados pelos produtores, exigindo programas sanitários capazes de reduzir perdas provocadas por carrapatos, moscas-dos-chifres, bernes e miíases. A integração entre reprodução, sanidade, nutrição e genética vem sendo apontada como uma das principais estratégias para aumentar a competitividade da pecuária leiteira brasileira.

Portal do Agronegócio

Brasil envia 48 toneladas de leite em pó em ajuda humanitária a Cuba

Operação coordenada pelo Itamaraty mobiliza Conab e FAB para enfrentar desabastecimento no país; envio de alimentos e remédios seguem em análise

O governo federal iniciou na segunda-feira (13) uma operação de ajuda humanitária destinada a Cuba, com o envio de 48 toneladas de leite em pó para contribuir com o enfrentamento da grave situação de desabastecimento vivida pelo país caribenho. A iniciativa é coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), vinculada ao Ministério das Relações Exteriores, e conta com o apoio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Força Aérea Brasileira (FAB). O transporte será realizado em dois voos da FAB com destino à cidade de Santiago de Cuba. O primeiro decolou às 14h10 desta segunda-feira da Base Aérea de Canoas (RS), levando 16 toneladas de leite em pó. A chegada está prevista para quarta-feira (15). O segundo voo deverá partir nesta terça-feira (14) do Aeroporto Internacional de Porto Alegre, transportando as 32 toneladas restantes, também com previsão de chegada na quarta-feira. Segundo o governo, a operação foi definida após reunião realizada em 9 de julho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com integrantes da equipe ministerial e representantes das Forças Armadas. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o governo também avalia o envio de novas remessas de alimentos e medicamentos para reforçar a assistência humanitária ao país. Esta não é a primeira ação humanitária brasileira em favor de Cuba. Em 2025, o Brasil enviou doações ao país em resposta aos impactos provocados pelo furacão Melissa, cujos efeitos ainda atingem a região oriental da ilha, onde se localiza Santiago de Cuba.

GGN

INTERNACIONAL

Exportação de lácteos dos Estados Unidos volta a crescer em maio

As exportações de lácteos dos EUA cresceram 14% em maio em relação ao ano anterior, alcançando um total de US$ 4,32 bilhões no acumulado de janeiro a maio.

Esse avanço ocorreu mesmo diante de um cenário desafiador, marcado por interrupções logísticas no Oriente Médio, oferta limitada de soro de leite com baixo teor de proteína no mercado interno e preços elevados do leite em pó desnatado. O resultado reforça a força da demanda global e o compromisso dos fornecedores norte-americanos com o mercado internacional, consolidando o oitavo mês consecutivo de crescimento nas vendas externas. No acumulado de janeiro a maio, o volume em equivalente de sólidos cresceu 12,6%, enquanto o faturamento avançou 12%, o que representa um acréscimo de US$ 447 milhões e um total de US$ 4,32 bilhões. Embora o crescimento de maio tenha atingido diversas categorias, os principais propulsores do setor continuaram sendo os queijos e a gordura do leite. Os embarques de queijo superaram a marca de 60 mil toneladas pelo terceiro mês consecutivo, totalizando 61.409 toneladas. Esse volume representa uma alta de 18% em relação a maio do ano anterior. A Coreia do Sul e o México lideraram o aumento em volume, repetindo a tendência do ano. As vendas para os sul-coreanos saltaram 52% no mês e acumulam alta de 41% no ano, enquanto o mercado mexicano registrou avanço de 16% em maio e 29% no acumulado de cinco meses. Paralelamente, as exportações de gordura do leite, categoria que engloba manteiga e gordura anidra, mais do que dobraram no período, alcançando 15.158 toneladas. O crescimento foi liderado pelo Oriente Médio e Norte da África, com uma impressionante alta de 767%, acompanhada por incrementos superior a mil toneladas nos mercados da Austrália, México e Canadá. O desempenho expressivo da gordura do leite comprova a capacidade dos exportadores americanos de contornar os gargalos logísticos gerados pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Dados analisados pelo Conselho de Exportação de Lácteos dos Estados Unidos (USDEC) mostram que a maior parte dos carregamentos de manteiga e queijo destinados ao Oriente Médio está sendo redirecionada por rotas terrestres através da Arábia Saudita. Essa mudança estratégica reconfigurou o fluxo comercial da região em maio. As vendas de gordura do leite para os sauditas saltaram 473%, enquanto os embarques para o Bahrein zeraram pelo segundo mês consecutivo. No segmento de queijos, a Arábia Saudita registrou uma alta de 176%, compensando a queda de 68% no volume somado enviado para Bahrein, Kuwait, Omã, Catar e Emirados Árabes Unidos. Mesmo diante de conflitos e barreiras logísticas, o comércio com a região seguiu em expansão, o que levanta questionamentos sobre quão maior teria sido o crescimento sem esses entraves na cadeia de suprimentos. No segmento de soro de leite com baixo teor de proteína, as exportações americanas mantiveram a tendência de aceleração, atingindo o recorde anual de 57.164 toneladas em maio. O ritmo de crescimento anual evoluiu de 7% em janeiro para 56% em maio, impulsionado por um salto de 282% nas vendas para a China. Por outro lado, o mercado do leite em pó desnatado passou por um ajuste de expectativas. Após surpreender com uma alta de 6% em abril devido a contratos antigos fechados com as Filipinas, o produto enfrentou o impacto dos preços elevados em maio, resultando em uma queda global de 20% nas exportações americanas. Os embarques para o México recuaram 13% e as vendas para o Sudeste Asiático caíram 11%. As Filipinas mantiveram um crescimento mais modesto de 20%. Para os próximos meses, o cenário se mostra moderadamente otimista, uma vez que os preços internos do leite em pó desnatado recuaram em junho, aproximando-se dos patamares da União Europeia e da Nova Zelândia, em um contexto de maior produção acumulada em 2026.

US DAIRY EXPORT COUNCIL /MILKPOINT

ECONOMIA

Dólar sobe ante o real com intensificação do conflito entre EUA e Irã

O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em meio ao recrudescimento da guerra entre Estados Unidos e Irã.

O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,46%, aos R$5,1314. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,51% ante o real. Às 17h02, o dólar futuro para agosto — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,36% na B3, aos R$5,1555. Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones no Oriente Médio ao longo do fim de semana e nesta segunda-feira. Teerã informou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, via de transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. Nesta segunda, Trump afirmou que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã. Além disso, disse que os EUA serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, “por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”. Em reação, o petróleo Brent teve ganhos fortes durante a sessão, retornando para acima dos US$80 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram. Nos mercados de moedas, o dólar sustentou ganhos ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o real — ainda que no caso brasileiro as variações fossem limitadas. Após registrar a cotação mínima de R$5,1089 (+0,02%) às 10h02, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1417 (+0,66%) às 13h37, já após o anúncio de Trump. “A escalada das tensões geopolíticas afetou de novo as cotações e o dólar sobe — mas não muito”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Há uma aversão ao risco, mas não tão profunda.” No cenário local, uma nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus mostrou pela manhã empate técnico na disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Na simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. No boletim Focus divulgado mais cedo, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o final do próximo ano em R$5,28. Já a Selic projetada para o encerramento de 2026 seguiu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. Para o final de 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12,00%. Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente em função da perspectiva de alta de juros nos EUA e de nova baixa no Brasil.

REUTERS

Ibovespa cede 1,20% com aumento das tensões entre EUA e Irã

Alta forte da Petrobras limita perdas do principal índice de ações da B3 em sessão de aversão global ao risco

Depois de oscilar em torno da estabilidade no início dos negócios, o Ibovespa se firmou em território negativo ainda pela manhã e ampliou as perdas ao longo desta segunda-feira, em meio à piora da aversão a risco global. A troca de ataques entre EUA e Irã durante o fim de semana levou autoridades iranianas a fechar o Estreito de Ormuz. Como resposta, o presidente americano, Donald Trump, elevou o tom e disse que os Estados Unidos serão os “guardiões” de Ormuz e que cobraria uma taxa de 20% sobre todo cargueiro que passar pela região, o que levou os preços de petróleo a encerrar com ganhos acima de 9%. A disparada nas cotações da commodity impulsionou uma reprecificação na curva de juros local e afetou em cheio o Ibovespa, que encerrou em queda de 1,20%, aos 175.739 pontos, perto da mínima intradiária de 175.567 pontos, revertendo uma parte da alta forte de quase 3% da última sexta-feira. Declarações consideradas mais “hawkish” (inclinadas ao aperto monetário) do diretor do Federal Reserve (Fed) Christopher Waller também ajudaram a ampliar o mau humor dos mercados durante a tarde. O movimento de queda na bolsa local só não foi mais intenso em razão da forte alta das ações da Petrobras. No fim, as PN da petroleira subiram 2,55%, enquanto as ON da estatal exibiram valorização de 3,44%. Com a valorização, a petroleira ganhou R$ 16,8 bilhões em valor de mercado, com o montante terminando o dia em R$ 561,6 bilhões. Os impasses sobre a navegação no Estreito de Ormuz inibiram o apetite por risco na sessão, em um pregão em que falas mais “hawkish” de Waller também ajudaram a ampliar o mau humor nos mercados. O dirigente da autoridade monetária americana se mostrou aberto à possibilidade de um aumento nos juros de curto prazo e afirmou que há uma tendência de alta da inflação, incluindo o núcleo, desde antes da guerra do Irã. “O Fed precisa estar preparado para endurecer a política monetária a fim de evitar a repetição do episódio de inflação de 2021”, destacou. O diretor de investimentos da Nau Capital, Maurício Valadares, lembra que as declarações de Waller ajudaram a elevar a aversão a risco global pelo fato de o executivo ser associado a uma postura mais “dovish” (menos inclinado ao aperto monetário). Em meio à perspectiva de que os bancos centrais adotem uma postura mais conservadora, inclusive o brasileiro, o executivo avalia que a bolsa local não deve avançar de forma “sustentável” neste momento. Para ele, eventuais melhoras serão mais táticas do que estruturais, assim como ocorreu na sexta-feira em que o Ibovespa subiu quase 3% após a divulgação de dados bem abaixo do esperado para o IPCA de junho. A equipe da Genial Investimentos vai na mesma linha e diz que o momento atual não é de rotação ampla para as ações.

VALOR ECONÔMICO

Analistas reduzem projeção para inflação este ano no Focus a 5,16%

A expectativa para a inflação este ano voltou a ser reduzida na pesquisa Focus divulgada pelo Banco Central na segunda-feira, embora siga aumentando para 2027

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2026 agora é de 5,16%, contra 5,30% na semana anterior, na segunda semana seguida de redução. Para o ano que vem, no entanto, a conta subiu pela oitava vez consecutiva, chegando a 4,20%, de 4,18% antes. Para 2028 a projeção segue em 3,70%. O centro da meta oficial para a inflação é de 3,00%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano foi mantida em 1,99%, mas para 2027 caiu a 1,65%, de 1,69% na pesquisa anterior. A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que a taxa básica de juros deve terminar este ano a 14,00% e o próximo a 12,00%, sem alterações. Com a Selic atualmente em 14,25%, os especialistas consultados seguem vendo corte de 0,25 ponto percentual em agosto.

REUTERS

Superávit da balança comercial soma US$ 2,288 bilhões na segunda semana de julho

Resultado do período foi puxado por US$ 7,502 bilhões em exportações e US$ 5,213 bilhões em importações, segundo dados do MDIC

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 2,288 bilhões na segunda semana de julho, informou a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) na segunda-feira (13). No período, as exportações somaram US$ 7,502 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 5,213 bilhões. No acumulado do mês, o saldo positivo chegou a US$ 4,543 bilhões. Em julho, até a segunda semana, o país exportou US$ 13,385 bilhões e importou US$ 8,842 bilhões. Na comparação com o mesmo período de julho de 2025, as exportações avançaram 19,8%. Por setor, a agropecuária registrou crescimento de 16,3% nas vendas externas, com US$ 2,893 bilhões. A indústria extrativa teve alta de 28,1%, alcançando US$ 3,310 bilhões. Já a indústria de transformação avançou 17,0%, com US$ 7,090 bilhões. Nas importações, a alta total foi de 1,2% na mesma base de comparação. A agropecuária recuou 9,6%, com US$ 157 milhões. A indústria extrativa cresceu 64,1%, para US$ 575 milhões, enquanto a indústria de transformação teve queda de 1,4%, somando US$ 8,053 bilhões. No acumulado do ano, de janeiro até a segunda semana de julho, o superávit comercial brasileiro atingiu US$ 46,900 bilhões. O valor representa crescimento de 40,7% frente ao mesmo período de 2025, quando o saldo estava em US$ 37,184 bilhões. A projeção do MDIC para 2026 é de superávit de US$ 90,0 bilhões. A estimativa considera exportações de US$ 394,4 bilhões e importações de US$ 304,4 bilhões. Os dados parciais de julho mostram avanço das exportações brasileiras, com crescimento também nas vendas externas da agropecuária, enquanto o saldo acumulado do ano segue acima do registrado no mesmo período de 2025.

MDIC

Confiança da indústria cai ao menor nível desde a pandemia

Pessimismo no setor atinge maior nível em cinco anos, diz CNI. De acordo com a CNI, a deterioração das expectativas está ligada ao aumento das incertezas no cenário internacional

A confiança dos empresários da indústria brasileira atingiu, em julho, o menor nível desde o auge da pandemia de covid-19. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei) caiu 2,3 pontos em relação a junho, passando de 46,7 para 44,4 pontos, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira (13) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Com o resultado, o indicador permanece há 19 meses consecutivos abaixo da linha de 50 pontos, que separa confiança de falta de confiança. Trata-se da segunda maior sequência de pessimismo da série histórica, atrás apenas do período de recessão econômica entre 2015 e 2016. Para a CNI, a permanência do índice em nível negativo por um período prolongado pode impactar diretamente a atividade industrial. Segundo o gerente de Análise Econômica da entidade, Marcelo Azevedo, a persistência do pessimismo tende a reduzir o ritmo da produção, frear investimentos e afetar o mercado de trabalho. “Na medida em que se tem um período tão longo de pessimismo, isso se traduz em redução do número de empregados, da produção ou até cancelamento de investimentos produtivos”, afirmou Azevedo em nota. Os dois componentes que formam o Icei registraram queda em julho. O Índice de Condições Atuais recuou 0,7 ponto, para 41,6 pontos, indicando que os empresários avaliam que o ambiente de negócios e a economia estão piores do que há seis meses. O Índice de Expectativas caiu 3,1 pontos, para 45,8 pontos, registrando o maior recuo desde novembro de 2022. Com isso, o otimismo em relação às próprias empresas perdeu força, enquanto a percepção sobre a economia brasileira tornou-se ainda mais negativa. De acordo com a CNI, a deterioração das expectativas está ligada ao aumento das incertezas no cenário internacional. Entre os fatores apontados estão o agravamento dos conflitos no Oriente Médio e a possibilidade de retomada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fatores que elevaram a percepção de risco entre os empresários. “A piora das expectativas se deve, possivelmente, ao aumento das incertezas do cenário externo, tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, avaliou Marcelo Azevedo. O Icei varia de zero a 100 pontos. Resultados abaixo de 50 indicam falta de confiança dos empresários industriais, enquanto índices acima desse patamar sinalizam confiança. Para a edição de julho, a CNI ouviu 1.118 empresas entre os dias 1º e 7 de julho, sendo 442 de pequeno porte, 411 de médio porte e 265 de grande porte.
CNI

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